sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

Filme ‘Extraordinário’ incentiva campanha para realização de cirurgias de lábio leporino gratuitas


Foto: divulgação

O filme “Extraordinário” nem bem estreou e já está fazendo o maior sucesso! Tem muita gente dizendo que é o melhor filme do ano. Simultaneamente à estreia do filme no Brasil, que é hoje, dia 7 de dezembro, a Operação Sorriso lança duas campanhas para arrecadar fundos em prol das suas missões humanitárias.

Operação Sorriso é a maior organização médica voluntária do mundo, que já operou gratuitamente 5,2 mil pessoas em todo o Brasil e recentemente, fez parceria com a Paris Filmes para levantar fundos via crowdfunding e sessão especial de cinema. O protagonista do filme, o garotinho Auggie Pullman e os pacientes da ONG compartilham da mesma história de vida.

A primeira é um financiamento coletivo, que tem como meta alcançar 40 mil reais em doações, no período de 5 a 15 de dezembro. A segunda está relacionada à venda de ingressos nas salas da rede Kinoplex de todo o país, no dia 12 de dezembro. A arrecadação com os ingressos vendidos neste dia possibilitará que novas cirurgias de correção de lábio leporino e fenda palatina aconteçam gratuitamente em 2018. As ações contam com a parceria da Paris Filmes.

“Com estas iniciativas, conseguiremos recuperar a dignidade e autoestima de milhares de crianças e adultos fissurados de todo o país”, declara Ana Stabel, diretora executiva da Operação Sorriso.

Assim como Auggie Pullman, protagonista do filme, os pacientes da Operação Sorriso também enfrentam dificuldades de socialização e bullying devido à deformidade facial.

A partir do dia 5, interessados em participar da campanha de financiamento coletivo poderão fazer doações acessando o site da plataforma Kickante e ganhar brindes exclusivos do filme.

Confira os valores das doações e os prêmios equivalentes:

 

50 reais = fundo de tela digital​ Extraordinário.

100 reais = mini pôster e adesivo​ do filme.

​200 reais = um livro (à escolha do doador) da série Extraordinário, de R. J. Palacio.

1 mil reais = kit de 5 livros do filme e um presentinho especial da Operação Sorriso.

O objetivo é arrecadar 40 mil reais até o dia 15 de dezembro.

​Excepcionalmente, no dia 12 de dezembro, as salas de todo o Brasil da​ rede Kinoplex ​doarão um 1 real de cada ingresso vendido do filme “Extraordinário” para Operação Sorriso. Verifique as cidades participantes no site, aqui.

Fonte: Razões para Acreditar

quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

Instituição resgata qualidade de vida de pessoas com múltiplas deficiências


Quando Gabriela ouve as batidas do tambor e dos acordes das garrafas levanta a cabeça, bate os pés no chão e começa a acompanhar a melodia como se estivesse cantando. A garota, de 16 anos, com deficiências visual e intelectual é uma das pessoas com múltiplas deficiências atendidas pelo Centro de Apoio e Integração Surdocego e Múltiplo Deficiente (CAIS), uma das únicas entidades na região de Campinas/SP que realiza projetos e atividades voltados às áreas cultural e social com a finalidade de habilitar, reabilitar e realizar a inclusão as pessoas com surdo cegueira e múltipla deficiência sensorial.

A garota participa da oficina ‘Música para Sentir’, uma das atividades ofertadas pela entidade e que é ministrada pelo músico Ricardo Botter Maio, voluntário na instituição há quase uma década. Além da parte terapêutica, a música transmite emoção e dá sensação de prazer às pessoas com múltiplas deficiências. Elas reagem às notas musicais e interagem com os sons pelas vibrações que sentem. “Vejo evolução na maneira de se comunicarem comigo”, admitiu Ricardo.

Inspirado em um dos trabalhos aplicados pela equipe de orientação e mobilidade, Botter Maio escreveu a música ‘O menino que falava com os pássaros’. No arranjo da canção, a parte rítmica é feita pelos sons de apitos que imitam pássaros, que tem participação dos atendidos pelo CAIS, entidade parceira da Fundação FEAC. “Nesta atividade, levamos os atendidos para passeios no Bosque dos Jequitibás, até mesmo os que têm deficiência auditiva. Quando eles apitam sentem a vibração do som. Já os que têm a audição pouco comprometida podem depois ouvir o som dos pássaros que respondem aos silvos dos apitos”, contou a educadora Lilia Gonzaga Cardozo, formada em educação física e especializada em orientação e mobilidade.

Segundo Lilia, os atendimentos realizados pela organização são praticamente individuais. As famílias trazem as dificuldades e o trabalho é realizado de acordo com o que foi relatado. Existem os pré-requisitos, como a maneira deles usarem o corpo, caminharem, sentarem e levantarem. “Minha função é trabalhar a autonomia e isso compõe também a parte de terapia educacional, para ensiná-los a se vestirem, abrirem a mochila, dobrarem as roupas, guardarem os utensílios”, relatou.

As pessoas com surdocegueira apresentam problemas de comunicação e mobilidade, por isso demostram reações de isolamento. Precisam ser estimuladas com base nas habilidades que trazem da convivência com a família. A comunicação, muitas vezes, é feita por meio do sinal de Libras adaptado por intermédio de tato no corpo. Algumas destas pessoas possuem códigos de comunicação com a mãe. Entendem, mas não reproduzem.

Já a mobilidade tem a ver com o equilíbrio. Os profissionais do CAIS utilizam de vivências externas, na praça localizada na frente da instituição, para trabalhar com os atendidos com estímulos para que desçam e subam as rampas de grama e cimento e pisem na areia e em folhas secas. Esta exploração também é feita em praças maiores onde eles podem caminhar entre as árvores. “Isso dá uma sensação de liberdade. As pessoas que não escutam e não enxergam vivem presas dentro de casa”, concluiu a especialista em orientação e mobilidade. O trabalho desenvolvido pelo CAIS ganha destaque quando coloca a família no cerne do atendimento. “Busca introduzi-las nas atividades terapêuticas, assim como insere-se em sua dinâmica diária para que se obtenha um melhor resultado”, ressaltou Natália Valente, assessora social do Departamento de Assistência Social da Fundação FEAC.


Intervenção Precoce

O CAIS destaca-se como serviço essencial para efetivar a inclusão das pessoas com múltiplas deficiências na sociedade e levar conhecimento, visando romper barreiras que possam ser impeditivos para sua efetivação.

No caso deste público, quanto antes for trabalhado por meio de estimulação e reabilitação, melhor. Os dois primeiros anos de desenvolvimento da criança se dá por meio de movimentos repetitivos, exercícios de percepção, controle da motricidade e amadurecimento do córtex cerebral. “Por isso, a criança com múltiplas deficiências deve receber estímulos e incentivos mediados por exercícios com atividades lúdicas e através de um olhar transdisciplinar”, esclareceu a psicóloga da instituição, Paula Ramos Dias. A instituição atende hoje 41 pessoas de diferentes idades, de crianças a adultos.

Além dos atendimentos, desenvolve um trabalho de conscientização e esclarecimento à população sobre a surdocegueira e múltipla deficiência sensorial, principalmente nas redes – públicas e privadas – de ensino de Campinas e Região e em cursos de graduação nas universidades. Oferece ainda curso para profissionais da área de educação e saúde, com 40 horas/aula.

Por Claudia Corbett
Matéria extraída do Razões para Acreditar

sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

Agora é lei! Crianças com deficiência terão prioridade na adoção

Nova lei também dá preferência a irmãos e amplia direitos de quem adotar


Criança com deficiência: pais que se propuserem a adotar terão prioridade
Criança com deficiência: pais que se propuserem a adotar terão prioridade
Foto: Pxhere

Crianças e adolescentes com deficiência ou doença crônica serão prioridade na adoção e pais adotivos terão direitos trabalhistas de pais sanguíneos. Nesta quinta-feira, o presidente Michel Temer sancionou lei que tenta acelerar o processo adoção e que fixa prazo máximo de quatro meses para a Justiça autorizá-lo.

Além de crianças e adolescentes com deficiência, doença crônica ou “necessidades específicas de saúde”, grupos de irmãos também terão preferência na fila de adoção. Os pais adotivos passam a ter os mesmos direitos trabalhistas de pais sanguíneos, como licença-maternidade, estabilidade provisória após adoção e direito de amamentação — este garante que, até o filho completar seis meses de idade, a mãe tem dois descansos especiais de meia hora no trabalho.

A Justiça terá até quatro meses, prorrogáveis por mais quatro, para concluir a habilitação da adoção. Já o estágio de convivência que antecede a adoção não poderá passar de três meses. Nas adoções internacionais, o estágio de convivência fica entre 30 e 45 dias, prorrogável pelo mesmo período por somente uma vez.

VETOS

A lei sancionada por Temer, aprovada no Senado no último dia 26, teve quatro vetos. Em um deles, o presidente discordou do prazo de um mês sem contato da família para que recém-nascidos e crianças fossem cadastrados para adoção. Ele alegou que o período seria muito curto, e citou que mulheres no pós-parto podem ter quadros de depressão. Outro artigo vetado estabelecia que, caso representantes familiares não comparecessem a audiência para discutir a guarda da criança em abrigo, poderia haver decisão judicial para cadastrar a criança para adoção. Michel Temer afirmou que isso poderia sobrecarregar equipes que cuidam desses casos.

Além de alterar trechos do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), a lei sancionada nesta quinta-feira muda o Código Civil. Foi acrescentado mais um caso em que o pai ou a mãe perde o “poder familiar” — direitos e obrigações, incluindo a guarda —: entregar irregularmente o filho para ser adotado.

Na fila de espera por adoção, a geóloga Selma Aparecida Roriz, aprova as mudanças. “Ao longo do processo de adoção, os pais vão se abrindo para novas ideias”, diz.

MUDANÇAS

Prioridade

Preferência na fila de adoção para interessados em adotar grupos de irmãos ou crianças. Também passarão a ter prioridade quem quiser adotar adolescentes com deficiência, doença crônica ou necessidades específica de saúde.

Reavaliação

Reduz de seis para três meses o período máximo em que a Justiça deve reavaliar a situação da criança que estiver em abrigo ou orfanato ou em acolhimento familiar (quando voluntários que se dispõem a cuidar da criança até a adoção ou retorno à família biológica).

Habilitação

A Justiça terá até quatro meses, prorrogáveis por mais quatro, para concluir a habilitação da adoção. Já o estágio de convivência que antecede a adoção não poderá passar de três meses. Nas adoções internacionais, o estágio de convivência fica entre 30 e 45 dias, prorrogável pelo mesmo período por somente uma vez.

Direitos do adotante

Estende à pessoa que adotar uma criança as mesmas garantias trabalhistas dos pais sanguíneos, como licença-maternidade, estabilidade provisória após a adoção e direito de amamentação.

Fonte: Gazeta Online

quarta-feira, 29 de novembro de 2017

Casal adota bebê com microcefalia rejeitado duas vezes

Moisés foi abandonado numa caixa de sapato e, em seguida, rejeitado pela primeira família que o adotou


Era como se Karen e Alessandro Isler estivessem grávidos quando viram as fotos de um bebê de quatro meses que tinha sido abandonado em uma caixa de sapato numa rua do Rio de Janeiro e, em seguida, rejeitado pela primeira família que o adotou, ao ser diagnosticado com microcefalia.

Por medo de não conseguir criar um filho com necessidades especiais – a microcefalia impede o desenvolvimento adequado do cérebro –, o marido foi contra a adoção no início. Isso até ele ver as fotos de Moisés, uma criança sorridente e cheia de vida.

“Foi com aquele sorrido que ele encorajou o meu marido. Foi um momento muito especial. Nós choramos muito e o Alessandro me disse em seguida: ‘Ele é o nosso filho e nós vamos buscá-lo”, disse Karen à revista Exame.

O casal percorreu mais de 550 quilômetros de Rio Claro, no interior de São Paulo, até o Rio. Moisés estava no colo de uma assistente social quando Karen e Alessandro chegaram para oficializar a adoção. “Nos aproximamos e ele começou a pular e sorrir muito, foi uma mistura de alegria com um toque de ‘será que nós vamos dar conta?’”.


Em sentido horário, da esquerda para a direita, Karieli, Alessandro, Moisés, Karen, Josué e o pequeno Izaac. Foto: Karen Isler/Divulgação

Já na nova casa, Moises chorou bastante nos primeiros dias. Ele demorou dez dias para se habituar à nova família. Nessa época, Karen e Alessandro já tinham uma filha de três anos. A pequena Kariely ficou encantada com o irmãozinho. “Ela não o via como deficiente e ajudava nos cuidados dele”, disse Karen.

A mãe conta que Moisés se desenvolveu como um bebê normal até o primeiro ano de vida. Depois disso, ele começou a ter crises convulsivas – eram mais de 50 por dia. “Mesmo tratando com anticonvulsivos, o desenvolvimento dele estacionou ali. Hoje, com quase 7 anos, ele tem a idade mental de uma criança de um ano.”

As convulsões diminuíram depois que Karen e Alessandro descobriram uma dieta alimentar que ajuda no tratamento da epilepsia. O casal ainda teria mais dois filhos, Josué e Izaac. Moisés, como um bom irmão mais velho, é atencioso e ajuda os caçulas em tudo o que eles precisam. “Foi o Moisés que ensinou o Josué a falar sua primeira palavra: gol. E foi Josué que ensinou Moisés a chutar uma bola. Eles vão crescer, e tenho certeza que sempre vão se apoiar uns nos outros, especialmente no Moisés”, refletiu Karen.

Fonte: Razões para Acreditar
Com informações da revista Exame

sexta-feira, 24 de novembro de 2017

Síndrome de Down não muda comportamentos ligados ao aprendizado

Estudo indica que alunos com Down são capazes de realizar as mesmas atividades que as outras crianças no ambiente escolar



Crianças com síndrome de Down têm comportamentos que envolvem cognição similares aos das outras crianças; o que muda é a frequência com que executam tais ações – Foto: Cantinho da Prof. Ivani Gularte/Reprodução

Pesquisa realizada na Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto (EERP) da USP sugere que, apesar de precisar de mais apoio de colegas e professores, crianças com síndrome de Down podem realizar as mesmas atividades escolares que as demais. Os resultados evidenciam que elas são tão capazes quanto os outros alunos de realizar ações que envolvem os aspectos cognitivos, como pensamento, linguagem, percepção, memória e raciocínio.

De forma geral, as conclusões do estudo apontam que crianças com Down têm comportamentos similares às outras crianças. O que muda é a frequência desses comportamentos, ou seja, a quantidade de vezes que cada um dos grupos executa determinada ação. Nas crianças com Down essa frequência é menor. O ato de observar, por exemplo, que envolve atenção e está diretamente ligado à aprendizagem, é muito presente em todas as crianças, embora seja mais realizado por aquelas com desenvolvimento típico, isto é, que apresentam desenvolvimento dos aspectos biológicos, emocionais e sociais de acordo com o esperado para a idade.

Além desse, outros comportamentos que tiveram muitas semelhanças entre os dois grupos foram os de imitar, brincar de faz de conta (brincadeiras que envolvem a imaginação, o fantasiar ou simular outra realidade) e receber auxílio verbal de outras crianças. No entanto, esse aspecto merece atenção, segundo a terapeuta ocupacional responsável pela pesquisa, Patrícia Páfaro Gomes Anhão, uma vez que as atividades de faz de conta e imitação foram pouco realizadas pelos dois grupos de crianças. “Isso pode indicar a baixa realização deste tipo de brincadeira no ambiente de educação infantil, podendo sugerir que o brincar de faz de conta vem sendo pouco estimulado”, alerta Patrícia. Para ela, a ausência do brincar de faz de conta pode levar a problemas de aprendizagem, restrições na participação social e na interação com pares.

Necessidade de apoio

Na análise dos resultados da pesquisa também foi possível identificar que os alunos com Down precisam de maior apoio dos colegas e, principalmente, dos professores. Segundo a pesquisadora, isso acontece por conta da dificuldade psicomotora dessas crianças, que é a habilidade de controlar os movimentos corporais regidos pela mente. Outro motivo para essa dependência, de acordo com a pesquisadora, é a falta de adequação das escolas, que deveriam fornecer auxílios necessários e adaptações pertinentes a essa população, facilitando, assim, a realização de todas as tarefas solicitadas no ambiente escolar.

A pesquisa foi feita com 14 crianças, sendo sete com síndrome de Down e sete com desenvolvimento típico, com idade entre 4 e 6 anos, que estão inseridas no ensino público da cidade de Ribeirão Preto. No ambiente escolar, cada criança foi filmada por 180 minutos desempenhando atividades em sala de aula, refeitório, parque e sala de brinquedos. As imagens foram analisadas para identificar a frequência dos comportamentos realizados em cada um dos ambientes.

Escola inclusiva

Para a pesquisadora, é necessário encontrar estratégias para melhor recepcionar os estudantes com síndrome de Down, e a interação com outras áreas do conhecimento é um bom começo. “Percebo que os atendimentos clínicos voltados a essas crianças quase nunca trabalham junto com a prestação de atendimentos educacionais. Desta maneira, o cuidado à criança com Down fica desarticulado. Talvez um programa mais eficiente de consultoria dos profissionais da saúde, não só terapeutas ocupacionais, como também fisioterapeutas, fonoaudiólogos, psicólogos, assistentes sociais e até mesmo professores da educação especial, seja importante para que a escola se torne cada vez mais inclusiva.”

Patrícia afirma, ainda, que os resultados deste estudo, embora feito com alunos com síndrome de Down, podem se aplicar a todas as crianças que estejam apresentando problemas de aprendizagem. “Muitas vezes essas crianças não são ouvidas apenas por não serem diagnosticadas com alguma deficiência. Mas elas sofrem as mesmas angústias de não terem atendidas suas necessidades dentro do ambiente escolar”, completa.

A tese Análise do desempenho de crianças com síndrome de Down no ambiente escolar foi defendida na EERP em junho deste ano e orientada pela professora Luzia Iara Pfeifer.

Por Stella Arengheri para Jornal da USP