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quarta-feira, 6 de julho de 2022

Superação do audismo: 5 informações que você deve saber

 agazeta.com.br

Você sabia que no Brasil, há quase 11 milhões de pessoas com deficiência auditiva? Qualquer indivíduo pode ter perda de audição, isso não exclui mesmo você que lê minha coluna. Curioso e risível é falar de inclusão em um panorama cheio de exclusão, onde você, querida pessoa que ouve num mundo feito para você, pode passar a fazer parte dos 5% da população que está no silêncio.

Se te comove o fato que poderia ser você, eu trago 5 informações que você deve saber sobre essa minoria que deve sim ser ouvida (sim, o texto de hoje terá muitas dissonâncias).

Nem toda pessoa com deficiência auditiva é surda

Em geral, a pessoa com perda parcial é chamada pessoa com deficiência auditiva e a pessoa com perda total é chamada surda. A comunidade surda não utiliza o termo deficiência auditiva, já que entendem que não existe um déficit, e usam apenas outra forma de comunicação, substituindo a fala pelos sinais.

Língua de sinais não é mímica

As línguas de sinais são línguas utilizadas pelas comunidades surdas. As línguas de sinais apresentam as propriedades específicas das línguas naturais, com diferenças em cada país ou região. São construções com estrutura e conectivos, não são gestos espontâneos.

Surdez tem diversidade

Existem os surdos sinalizados (que dependem 100% de Libras) e os oralizados (que dependem da oralização), os surdos que usam aparelho auditivo, os que usam o implante coclear e os que não usam nada. Apenas 1,8 % das pessoas com alguma dificuldade de ouvir (perda leve a moderada) sabem falar a Língua Brasileira de Sinais. Já entre o grupo que alega não conseguir ouvir de modo algum, 35,8% sabem usar a Língua de sinais, ou seja, Libras não é sinônimo de acessibilidade.

Existem divergências que permeiam a surdez e a família

No caso do implante coclear, por exemplo, existem famílias que desejam esperar a criança crescer para que ela mesma decida se gostaria de realizar a implantação, quando a recomendação clínica seria de fazer a cirurgia quanto antes (de preferência numa fase pré-lingual). Outra polêmica é a da família decidir se a criança surda receberá educação em sinalização ou não. A busca é por autonomia, mas nesse caso, a criança pode ser educada e mais tarde decidir se quer usar ou não.

Surdos e deficientes auditivos são pessoas

Chega a ser absurdo falar disso, mas até o óbvio precisa ser dito. Pessoas com deficiência auditiva são pessoas que percebem pela sua linguagem corporal quando você fala delas, que amam como você, que frequentam os mesmos locais que você. O preconceito relativo as pessoas com deficiência auditiva se chama audismo e deve ser superado.

quarta-feira, 16 de março de 2022

A aprendizagem de crianças com deficiências múltiplas

Andréia Pereira Gil, 12 anos, é surdocega. Não ouve e não enxerga quase nada - feixes de luz talvez, e só pelo olho direto. A alegria descoberta no vaivém do balanço é uma das maneiras que ela encontrou, na escola, de tomar contato com o mundo - apenas um dos muitos jeitos de sentir a vida

Por Débora Didonê para o Nova Escola | novaescola.org.br

Andreia Pereira Gil, deficiente mútipla, balançando no pátio da EMEF Doutor João Alves dos Santos. Foto: Kriz Knack
Andreia Pereira Gil, balançando no pátio da EMEF Doutor João Alves dos Santos. Foto: Kriz Knack

Sensações. É por meio delas que as pessoas com deficiência múltipla aprendem sobre as coisas que estão a sua volta. A professora Carolina Bosco, especialista nesses casos, estimula a descoberta da sensibilidade com diversos tipos de toque e movimento, como numa recente cena vista na EMEF Doutor João Alves dos Santos, em Campinas, a 90 quilômetros de São Paulo. Ela dá a mão para Andréia equilibrar-se numa mureta. A menina apóia-se no seu braço para descer e as duas vão de mãos dadas até o pátio. A aluna abraça uma árvore e passa a mão sobre a casca. O contato arranca de Andréia um raro sorriso.

A cena não chamaria tanta atenção se não fosse o jeito diferente de ser da jovem. Ela gira a cabeça, baba e vive com o braço direito levantado. O grande desafio em relação a Andréia é criar um modo de comunicação para que ela reconheça lugares e pessoas. Foi a tarefa assumida por Carolina. A menina também conta com a ajuda de Carmen Sílvia Dias, sua professora da 2ª série, onde tem 30 colegas. Ambas procuram maneiras de explicar por que ela vai à escola e o que todos fazem por lá.

Carolina formou-se em Pedagogia com ênfase em Deficiência Mental na Universidade de São Paulo e é pós-graduada em Arte em Educação Especial pela Universidade de Paris. Ela já havia trabalhado com alunos com deficiência múltipla (associação de duas ou mais deficiências, como mental e física ou auditiva, visual e física), mas Andréia é a primeira que atende em escola regular. Ali, elas cumprem um cronograma, religiosamente, toda segunda, quarta e sexta-feira. É quando Andréia mexe com sucata, aprende a escovar os dentes, caminha pelo pátio da escola, sente a vibração da música colocando as mãos sobre um rádio portátil e brinca no balanço. "É um trabalho de reorganização corporal, percepção tátil e de volume", diz Carolina. Aos poucos, a menina aprende a lidar com o próprio corpo.

Carmen foi a única professora da escola que se dispôs a acolher Andréia. A menina está com ela desde a 1ª série. "No começo, parecia que seria impossível controlá-la. Ela levantava no meio da aula e mexia em tudo", diz. "Não sabia usar o tato para se comunicar e logo se cansava de ficar na carteira apalpando o alfabeto móvel." Por isso, a união do trabalho de Carmen e Carolina fez a diferença. "Uma criança com deficiência precisa de dois professores", afirma Carolina. "O de classe, que atua na área da aprendizagem de maneira geral, e o especializado, que trabalha na dos distúrbios." Por isso, enquanto Carolina desperta o lado comunicativo de Andréia, Carmen cria atividades para integrá-la à turma. Na roda da conversa, onde as crianças desabafam até sobre o desgosto de ser banguelas, Carmen abriu um espaço para elas interagirem com a colega surdocega. Como Andréia está aprendendo a usar o toque para reconhecer as pessoas, cada um pensou num sinal só seu que ela pudesse sentir. Daiane Gomes de Lira, 8 anos, sempre conduz a mão de Andréia para seus cabelos crespos: é a marca que a identifica. A professora Carolina, por sua vez, faz a menina pegar em seu anel.

Também é pelo tato que Andréia começa a entender a rotina da escola. "Para iniciar qualquer atividade, mostra-se o ambiente onde ela está", diz Carolina. Na sala de aula, no começo do dia, fazem-na apalpar a porta, a lousa e o giz. Aos poucos, a menina demonstra mais confiança em quem a toca. "Já permite com mais facilidade que movimentem sua mão direita", conta a professora.

Tempos atrás, ela puxaria o braço em sinal de rejeição. Afinal, habituou-se desde criança a mantê-lo levantado para mexer a mão em frente ao olho direito, talvez para perceber as luzes que a pouca visão permite. "Para ela, é como se fosse uma sensação de prazer", diz Carolina. "Nosso desafio é fazê-la baixar o braço para ela recuperar o equilíbrio do corpo", afirma o professor de Educação Física Renato Horta Nunes, que faz a aluna andar de mãos dadas com os colegas durante as aulas.

Prazer maior que esse Andréia só encontra no balanço da escola. Quando está nele, embalada, chega a gargalhar (mesmo sem nunca ter visto ou ouvido alguém fazer isso). Estica-se e joga-se para a frente e para trás, segurando a corda com firmeza. "É como se ela reordenasse o equilíbrio do corpo", explica Carolina. Um ano atrás, a menina chegava à escola no colo da mãe ou do irmão, ficava descalça e perambulava pelos corredores sem destino. Com a chegada de Carolina, Andréia já usa uma colher para comer, segura o copo ao tomar água, lava as mãos e fica sentada em sua carteira durante as aulas.

A Matemática nas mãos

Toda escola tem obrigação de receber qualquer aluno, mas não basta simplesmente matricular as crianças com deficiência múltipla. "É preciso ter estrutura", diz Carolina. Nessa hora, entram em cena os educadores que dão o melhor de si para atendê-las.

Em Brasília, a professora de Matemática Patrícia Renata Marangon, da 6a série da EE EC-405 Sul, não teve muitas dúvidas sobre o que fazer quando, no ano passado, recebeu em sua classe Paulo Santos Ramos, aluno cego, com apenas 30% da audição num ouvido e pouco movimento nos braços. Nas primeiras aulas, ela percebeu a afinidade do garoto com números e contas e a vontade que tinha de solucionar problemas. Decidiu inscrevê-lo numa olimpíada nacional de Matemática. Paulo, então com 16 anos, conquistou uma das 300 medalhas de ouro concedidas pelo torneio, que teve cerca de 10,5 milhões de participantes.

Sem uma versão da prova em braile, Patrícia adaptou ao material concreto as figuras geométricas que apareciam em algumas questões: "Pensei numa forma de fazer Paulo raciocinar com autonomia, sem a interferência dos professores que fariam a leitura das questões". Deu certo. A compreensão das ilustrações ficou por conta da sensibilidade das mãos do garoto, que apalparam figuras feitas pela professora com palitos de dente, EVA, cartolina e papel cartão.

Paulo foi o primeiro aluno com deficiência que Patrícia recebeu. O único apoio especializado que a escola oferecia na época era o de um professor itinerante que fazia transcrições para o braile. "Foi difícil lidar com a falta de audição", diz Patrícia. Mas ela não se deu por vencida. Sentava perto do aluno, aumentava o tom de voz dentro da sala de aula e falava bem perto do ouvido do menino, o que a deixava exausta. Antes que perdesse a voz, lembrou-se de uma caixa de som e um microfone que a escola usava em eventos e passou a dar suas aulas com o equipamento.

Ele não nasceu cego. Por isso, lembra de imagens e formas. Aos 2 anos, durante as férias que passou com os pais em Cuba, levou um tombo enquanto brincava. Na volta, seu joelho não desinchava. Os pais levaram-no de um médico a outro para entender o porquê do hematoma persistente. "Foi diagnosticada a artrite reumatóide juvenil", lembra a mãe do menino, Maria Lima dos Santos. Uma em cada mil crianças tem essa doença, uma inflamação crônica que afeta as articulações, os olhos e o coração.

Aos 3 anos, o pequeno entrou na escola regular com problemas nos joelhos e nos olhos. "Quando sua letra começou a aumentar, me aconselharam a colocá-lo numa escola especial", diz Maria, que se recusava a ver seu primeiro filho, "tão lindo e perfeito", aprender braile. "Tive aversão ao braile até descobrir como seria necessário", admite ela, que chegou a afastar Paulo dos estudos por causa disso.

Quando Paulo concluiu a escola especial, onde cursou as duas primeiras séries, voltou à escola comum para continuar a Educação Básica. Sugeriram que ele repetisse o ano. "Os professores afirmaram que ele se adaptaria melhor, já que tinha saído de uma turma de quatro alunos e entrado numa de 20", lembra a mãe. Ao chegar à 6ª série, o aluno, defasado, teve a sorte de deparar com a professora Patrícia, que o levou à olimpíada, apesar da descrença de alguns de seus colegas de trabalho. "Ele tem uma força de vontade que nunca vi em crianças sem deficiência", diz ela. A imprensa divulgou o desempenho do menino e seu feito teve repercussão. "Recebeu até convite de universidade para contar sua história", conta a mãe. Aos 17 anos e com cara de 12 anos (parou de crescer por causa dos remédios que tomou), Paulo não tem medo de público. Adora falar. Só uma otite pode impedi-lo, pois ela causa dor e surdez. Mas já está aprendendo libras para atravessar momentos como esse. Quem conta é Maria, que superou seu horror a braile.

"Ele quer se casar e trabalhar", diz ela. O menino que não tomava banho sozinho nem andava com a cadeira de rodas em casa hoje é praticamente atleta. Faz exercícios abdominais e flexões, fisioterapia e natação para recuperar os movimentos das pernas e evitar cirurgia.

Apaixonados pela escola

Enquanto Paulo se exercita, Matheus Gomes de Sousa, 7 anos, faz cada curva com a cadeira de rodas. "A gente pensa que ele vai capotar", conta a mãe, Rita de Abreu de Souza, de Rio Branco. Ele é espoleta e agitado desde a pré-escola, quando plantava pé de cebola na horta, brincava de escalar no morro de terra, rastejava pelo chão imitando cobra e competia em natação.

Ninguém diria. Matheus, que sofre de hidrocefalia, carrega uma válvula implantada no corpo para drenar o excesso de líquido no cérebro. Também tem deficiência mental, paralisia nas pernas e usa fraldas. Está na 1ª série da EEEF José Sales de Araújo e vai muito bem. "Lê tudo sozinho para fazer os deveres de casa", diz Rita.

Matheus não é um medalhista em Matemática, mas a professora Damiana dos Santos Gomes não vê nada de errado nisso. "É uma dificuldade com a qual estou acostumada", diz. O diagnóstico de deficiência mental nunca serviu de barreira para seu bom desempenho na escola. "Ele nem precisa de sala de recursos para desenvolver-se intelectualmente", conta ela.

O garoto depende da ajuda alheia somente para a troca de fraldas. Por causa da paraplegia, não controla a vontade de ir ao banheiro. Sua mãe cobrou esse cuidado da escola. "Falei que Matheus precisaria ser trocado nos horários certos", conta Rita. Nada disso o intimida. Se for preciso, vai à sala de aula aos domingos de tanto que gosta de estudar. Até reclamou da mãe - que é professora - para o pai quando ela cogitou tirá-lo de lá.

Matheus freqüentou a classe especial até os 4 anos, mas foi na regular que fez amigos. "Antes, ele quase não convivia com crianças", diz Rita. Já a garotada sem deficiência instigou-o a explorar o próprio corpo. "O convívio com outros modelos de comportamento estimula o lado sadio da criança", diz a especialista Carolina Bosco.

A aluna Sandy Gracioli Sartori, 5 anos, só começou a engatinhar ao entrar na EEI Fazendo Arte, em Rio Claro, a 180 quilômetros de São Paulo. Ela já venceu muitos obstáculos. Nasceu com pouco mais de 1 quilo, aos seis meses de gestação. Das mãos do obstetra, foi direto para a unidade de terapia intensiva, onde ficou 15 dias. Foi entubada. Passou por uma cirurgia de duas horas e meia. Sofreu parada respiratória e falta de oxigenação no cérebro. Usou bolsa no intestino durante dois anos.

Hoje, sua mãe, a dona-de-casa Silmara Gislaine Sartori, não permite que deixem Sandy o tempo todo na cadeira de rodas na escola. "Ela começou a engatinhar e se mexer na cama elástica porque via as outras crianças brincando", diz. Sandy só fica na cadeira para comer ou ser levada à videoteca. E muitos se animam a ajudar a empurrar a colega. Ela não gosta muito dessa disputa e, quando é contrariada, grita e enruga o rosto como quem vai chorar. "Quando ela bate palma e manda beijo, quer dizer que está gostando do ambiente", conta a professora Camila Ferreira Lopes, que aprendeu a interpretar os gestos da pequena geniosa.

Camila foi bem preparada pelas psicólogas da escola para receber Sandy na turma do maternal. Ela também conversou com a fisioterapeuta, a fonoaudióloga e os pais da menina diversas vezes. Sandy não andava nem falava, só comia alimentos pastosos e tinha o raciocínio um pouco lento. Mesmo com tantos avisos e informações, Camila ficou travada quando se viu diante da aluna. "Eu não sabia como falar com ela, como segurá-la, que tipo de brincadeira fazer", diz. Enquanto isso, a meninada de 3 anos não se deixava abalar. "A relação entre as crianças e Sandy era muito carinhosa. Não sei por que me sentia tão apreensiva."

Atividades e estratégias

Rotina da escola

Estabeleça símbolos na sala de aula para que um aluno surdocego compreenda, aos poucos, sua rotina escolar: ao entrar na sala, ele toca a porta, o quadro e o giz, sempre na mesma ordem e com a ajuda do professor ou de um colega; antes de iniciar uma atividade, ele pode passar as mãos nas folhas de um caderno. O mesmo mecanismo serve para a hora do lanche e de ir embora.

Roda de brincadeira

Observar o comportamento das crianças sem deficiência ajuda aquelas que têm deficiência múltipla a se desenvolver. Por isso, faça jogos e brincadeiras que reúnam a turma no final das aulas. Se o aluno com paraplegia, por exemplo, tem dificuldade para se movimentar, sente-o no chão (se o médico autorizar), em roda com os demais, e proponha uma atividade em que eles usem as mãos e os braços.

Incentivo ao movimento

É possível estimular a criança de pré-escola que não engatinha. Deitada numa cama elástica, ela sente as oscilações causadas pela atividade dos colegas. Vê-los engatinhando e rolando a leva a tentar os mesmos movimentos. Se o médico autorizar, deixe-a o mínimo tempo possível na cadeira de rodas. Ela se sentirá instigada a se mexer ao se sentar com os colegas num tapete ou tatame.

Histórico do aluno

Pesquise tudo sobre a criança: de onde ela vem, como é a família, como se comunica e quais as brincadeiras preferidas. Na avaliação, valorize a evolução do aluno, dentro de seus limites, e não os resultados. Afinal, em certos casos há um grande avanço entre chegar sem falar e depois participar das aulas oralmente.

Quer saber mais?

Contatos

. EMEF Doutor João Alves dos Santos, R. Manoel Tomas, 288, 13067-170, Campinas, SP, tel. (19) 3281-2694

. EE EC-405 Sul, SQS 405, Área Especial, 70239-000, Brasília, DF, tel. (61) 3901-7694

. EEEF José Sales Araújo, Av. Pastor Muniz, Conj. Universitário 2, s/no, 79915-300, Rio Branco, AC, tel. (68) 3229-4141

. EEI Fazendo Arte, Av. 32A, 112, 13506-675, Rio Claro, SP, tel. (19) 3534-7600

Bibliografia

. Deficiência Múltipla e Educação no Brasil, Mônica Kassar, 113 págs., Ed. Autores Associados, tel. (19) 3289-5930, 24 reais

. Inclusão - Um Guia para Educadores, Susan e Willian Stainback, 456 págs., Ed. Artmed, tel. (51) 3027-7000, 64 reais

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2022

Dicas para ajudar no desenvolvimento de linguagem da criança com deficiência auditiva

 

A estimulação do desenvolvimento da linguagem, em interações verbais com o bebê, deve ter início desde o nascimento. Na deficiência auditiva, a estimulação da linguagem deve ser intensificada tão logo seja realizado o diagnóstico da perda auditiva.

É claro que a linguagem oral não se desenvolve espontaneamente e depende da interação, das conversas e do estímulo oferecido pelas pessoas à criança.

Seguem algumas dicas para vocês ajudarem seus filhos no início do desenvolvimento de linguagem:

Como na criança ouvinte, a criança que usa aparelhos auditivos e/ou implante coclear deve escutar todas as horas do dia em que estiver acordada! A audição deve fazer parte da personalidade da criança!

- Escutar deve ser muito prazeroso para a criança e ela deve entender que os sons que escuta têm um significado! Use sinal de escuta! Fale sobre o que ela escutou!

- Mesmo que a criança ainda não fale, é importante ter uma comunicação real com ela, conversando sobre o que acontece em seu dia-a-dia, sobre as brincadeiras, etc.

- A criança com deficiência auditiva muitas vezes precisa escutar várias vezes uma mesma palavra em diferentes situações até compreender seu significado e usar esta palavra! Use repetições dentro de frases, músicas, histórias...

- Falar com voz clara e rica em melodia, assim como cantar, faz com que a criança perceba melhor os sons da fala!

- Dê um tempo de espera para a criança escutar e responder o que escutou. Também deixe a criança perceber que existe a vez de um falar e outro ouvir!

- Lembrar-se que nem sempre uma única vez é suficiente para que a criança entenda o que foi dito ou entenda e apreenda a palavra!

- Utilize o cadernos de experiências: É um caderno comum, de preferência de desenho, com registros de situações de vida diária que foram importantes e significativas na vida da criança. Estes registros podem ser uma foto, um desenho ou uma ilustração que representem estas situações.

Os pais podem, ainda, escrever algumas frases sobre a situação.

Por exemplo: a criança foi no zoológico e gostou muito. Este passeio pode ser registrado no Caderno de Experiências com fotos ou figuras dos animais que ela viu, pode ser colado o papel do ingresso do zoológico com o desenho da criança e quem a levou no passeio, o papel do sorvete que ela tomou no zoológico pode ser colado no Caderno, entre outros registros.

Assim, o Caderno de Experiências oferecerá um contexto sobre aquele passeio, e para as crianças que ainda não falam, auxiliará na manutenção do diálogo tanto com os pais como também com outras pessoas que não estavam no mesmo passeio.

- Atividades como álbuns de fotos, livros de histórias, músicas, teatrinhos com brinquedos, fantoches, brincadeiras de faz-de-conta e outras atividades devem ser exploradas ao máximo com a criança.

É a partir das conversas destas várias situações que ela desenvolverá ao máximo seu potencial! As atividades do cotidiano, como fazer um suco, bolo, brigadeiro, consertar alguma coisa em casa, a hora do banho, da alimentação, ir às compras, entre outras, também são atividades que devem ser aproveitadas para a estimulação da audição e da linguagem. 

Fonte: Dr. Luiz Fernando Lourençone

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2022

Como saber se seu filho tem deficiência auditiva?

É importante os pais estarem atentos ao desenvolvimento da audição e linguagem de seus filhos. Infelizmente, existem muitas crianças que tem deficiência auditiva e os pais só percebem muito tarde. Vamos saber mais sobre os sinais da deficiência auditiva em crianças. Lembrando que a existem graus diferentes de deficiência auditiva.

Se a criança não reage a sons, não atende quando chamado ou está demorando para começar a falar, esses podem ser alguns dos sintomas que as  crianças com  deficiência auditiva apresentam.

O mais importante sinal o qual indica a possibilidade de perda auditiva é o atraso no desenvolvimento da linguagem ou a ausência de diálogo. No entanto, não é fácil perceber sinais de perda auditiva em bebês e crianças mais novas. Por isso, o Teste da Orelhinha, realizado antes em recém-nascidos, antes de sair da maternidade, é necessário, obrigatório e a melhor maneira de detecção da deficiência auditiva.

Quer saber quais os indicadores de deficiência auditiva no seu filho, o exame que auxilia na  detecção, as principais causas e como agir caso perceba algo com a audição do seu filho? Continue lendo o post.

Indicadores de deficiência auditiva:

São indicadores de que seu filho pode estar com deficiência auditiva:

– Se aos três meses seu filho não reconhece sua voz, não balbucia e não se assusta com ruídos repentinos;

– Se aos seis meses seu filho não reconhece sons de fala e sons familiares e sons interessantes não chamam a atenção dele – ele não brinca com a própria voz e não dá risadas, assim como também não usa a voz para demonstrar desconforto ou prazer;

– Se aos 12 meses seu filho não consegue falar uma ou duas palavras mais claras e entendíveis;

– Se aos 18 meses seu filho não entende frases simples e não encontra objetos familiares, assim como não fala de 20 a 50 palavras, não pronuncia frases curtas e não aprende palavras novas a cada semana;

– Se aos 24 meses seu filho não aumentou significativamente seu vocabulário, ele deve fazer uso de sentenças simples combinando 2 ou 3 palavras – ex: dá bola.

Se não consegue desenvolver frases simples, assim como adultos que não convivem diariamente com seu filho não conseguem entender a fala dele. A criança também não consegue ficar sentada ouvindo leitura de livros.

A importância do teste da orelhinha

O diagnóstico precoce é um importante instrumento para assegurar os melhores resultados no desenvolvimento da criança. A Triagem Auditiva Neonatal UniversaL (TANU), mais conhecida como Teste da Orelhinha, é um exame que deve ser realizado antes de o seu filho recém-nascido sair da maternidade ou em até um mês de vida.

O desenvolvimento da audição do bebê é iniciado a partir do quinto mês de gestação e se desenvolve muito nos primeiros meses de vida. A cada mil recém-nascidos, três bebês apresentam algum tipo de perda auditiva.

O teste é visto como uma forma de proteção, pois caso a deficiência auditiva seja diagnosticada antes dos três meses de idade do bebê, o tratamento pode ser realizado antes dos seis meses, não interferindo,  no momento mais importante para a fala e desenvolvimento da linguagem e garantindo ao seu filho um desenvolvimento auditivo muito similar ao de quem nasceu ouvindo. Assim, as crianças com deficiência auditiva diagnosticada cedo e submetidas rapidamente a um tratamento têm um bom desenvolvimento e se relacionam de forma positiva com seus colegas.

O exame serve para detectar alterações na audição do bebê, sendo rápido, indolor, seguro e realizado durante o sono natural da criança, preferencialmente no segundo ou terceiro mês de vida do seu filho. O exame dura aproximadamente 10 minutos, não apresenta contraindicação, não incomoda e não acorda o bebê. Também não exige nenhum tipo de intervenção invasiva, ou seja, sem corte. É um exame que pode fazer a diferença na vida do seu filho.

Indicadores de risco para a deficiência auditiva:

O seu filho tem deficiência auditiva, porém você não sabe o motivo de isso ter acontecido com ele? As principais causas são:

 – Infecções adquiridas no nascimento: Sífilis, Toxoplasmose, Rubéola, Citomegalovírus, Herpes, HIV;

– Infecções bacterianas ou virais adquiridas após o nascimento: Meningite, Citomegalovírus, Herpes, Sarampo, Varicela;

– Peso ao nascimento inferior a 1.500g;

– Prematuridade ou pequeno para a idade gestacional (PIG) ;

– Hiperbilirrubinemia;

– Apgar de 0 a 4 no 1º minuto, ou 0 a 6 no 5º minuto;

– Permanência na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) por mais de 5 dias;

– Uso de ventilação mecânica no nascimento;

– Uso de antibióticos que podem prejudicar a audição como aminoglicosídeos e/ou diuréticos de alça;

– Malformações na cabeça e no rosto envolvendo orelha e osso temporal;

– Síndromes associadas à deficiência auditiva: Wardenburg, Alport, Pendred, entre outras;

– Traumatismo craniano;

– Sempre surgem dúvidas quanto ao excesso de cera – a cera no ouvido é, geralmente, benéfica e não prejudicial. O excesso de cera pode causar uma perda auditiva temporária, porém não é indicada a remoção da cera com hastes de algodão ou com profissionais não habilitados, pois pode causar danos irreparáveis à audição da criança.

É importante:

-Realizar exames pré-natais na gestação;

-Vacinar seu filho para impedir que ele tenha contado com doenças que deixem sequelas, como a surdez;

-Acompanhar a saúde de seu filho em modo geral;

– Ficar atento ao desenvolvimento de seu filho caso haja alguma demora no desenvolvimento da fala;

-Procurar sempre um médico quando sintomas aparecerem.

Precisa agendar uma consulta e ainda não sabe onde? Entre em contato com a gente! Vamos adorar ajudar você a encontrar um tratamento.

Fonte: Instituto Otovida

sexta-feira, 21 de janeiro de 2022

Como saber se seu filho tem deficiência auditiva?

 

É importante os pais estarem atentos ao desenvolvimento da audição e linguagem de seus filhos. Infelizmente, existem muitas crianças que tem deficiência auditiva e os pais só percebem muito tarde. Vamos saber mais sobre os sinais da deficiência auditiva em crianças. Lembrando que a existem graus diferentes de deficiência auditiva.

Se a criança não reage a sons, não atende quando chamado ou está demorando para começar a falar, esses podem ser alguns dos sintomas que as  crianças com  deficiência auditiva apresentam.

O mais importante sinal o qual indica a possibilidade de perda auditiva é o atraso no desenvolvimento da linguagem ou a ausência de diálogo. No entanto, não é fácil perceber sinais de perda auditiva em bebês e crianças mais novas. Por isso, o Teste da Orelhinha, realizado antes em recém-nascidos, antes de sair da maternidade, é necessário, obrigatório e a melhor maneira de detecção da deficiência auditiva.

Quer saber quais os indicadores de deficiência auditiva no seu filho, o exame que auxilia na  detecção, as principais causas e como agir caso perceba algo com a audição do seu filho? Continue lendo o post.

Indicadores de deficiência auditiva:

São indicadores de que seu filho pode estar com deficiência auditiva:

– Se aos três meses seu filho não reconhece sua voz, não balbucia e não se assusta com ruídos repentinos;

– Se aos seis meses seu filho não reconhece sons de fala e sons familiares e sons interessantes não chamam a atenção dele – ele não brinca com a própria voz e não dá risadas, assim como também não usa a voz para demonstrar desconforto ou prazer;

– Se aos 12 meses seu filho não consegue falar uma ou duas palavras mais claras e entendíveis;

– Se aos 18 meses seu filho não entende frases simples e não encontra objetos familiares, assim como não fala de 20 a 50 palavras, não pronuncia frases curtas e não aprende palavras novas a cada semana;

– Se aos 24 meses seu filho não aumentou significativamente seu vocabulário, ele deve fazer uso de sentenças simples combinando 2 ou 3 palavras – ex: dá bola.

Se não consegue desenvolver frases simples, assim como adultos que não convivem diariamente com seu filho não conseguem entender a fala dele. A criança também não consegue ficar sentada ouvindo leitura de livros.

A importância do teste da orelhinha

O diagnóstico precoce é um importante instrumento para assegurar os melhores resultados no desenvolvimento da criança. A Triagem Auditiva Neonatal UniversaL (TANU), mais conhecida como Teste da Orelhinha, é um exame que deve ser realizado antes de o seu filho recém-nascido sair da maternidade ou em até um mês de vida.

O desenvolvimento da audição do bebê é iniciado a partir do quinto mês de gestação e se desenvolve muito nos primeiros meses de vida. A cada mil recém-nascidos, três bebês apresentam algum tipo de perda auditiva.

O teste é visto como uma forma de proteção, pois caso a deficiência auditiva seja diagnosticada antes dos três meses de idade do bebê, o tratamento pode ser realizado antes dos seis meses, não interferindo,  no momento mais importante para a fala e desenvolvimento da linguagem e garantindo ao seu filho um desenvolvimento auditivo muito similar ao de quem nasceu ouvindo. Assim, as crianças com deficiência auditiva diagnosticada cedo e submetidas rapidamente a um tratamento têm um bom desenvolvimento e se relacionam de forma positiva com seus colegas.

O exame serve para detectar alterações na audição do bebê, sendo rápido, indolor, seguro e realizado durante o sono natural da criança, preferencialmente no segundo ou terceiro mês de vida do seu filho. O exame dura aproximadamente 10 minutos, não apresenta contraindicação, não incomoda e não acorda o bebê. Também não exige nenhum tipo de intervenção invasiva, ou seja, sem corte. É um exame que pode fazer a diferença na vida do seu filho.

Indicadores de risco para a deficiência auditiva:

O seu filho tem deficiência auditiva, porém você não sabe o motivo de isso ter acontecido com ele? As principais causas são:

– Infecções adquiridas no nascimento: Sífilis, Toxoplasmose, Rubéola, Citomegalovírus, Herpes, HIV;

– Infecções bacterianas ou virais adquiridas após o nascimento: Meningite, Citomegalovírus, Herpes, Sarampo, Varicela;

– Peso ao nascimento inferior a 1.500g;

– Prematuridade ou pequeno para a idade gestacional (PIG) ;

– Hiperbilirrubinemia;

– Apgar de 0 a 4 no 1º minuto, ou 0 a 6 no 5º minuto;

– Permanência na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) por mais de 5 dias;

– Uso de ventilação mecânica no nascimento;

– Uso de antibióticos que podem prejudicar a audição como aminoglicosídeos e/ou diuréticos de alça;

– Malformações na cabeça e no rosto envolvendo orelha e osso temporal;

– Síndromes associadas à deficiência auditiva: Wardenburg, Alport, Pendred, entre outras;

– Traumatismo craniano;

– Sempre surgem dúvidas quanto ao excesso de cera – a cera no ouvido é, geralmente, benéfica e não prejudicial. O excesso de cera pode causar uma perda auditiva temporária, porém não é indicada a remoção da cera com hastes de algodão ou com profissionais não habilitados, pois pode causar danos irreparáveis à audição da criança.

É importante:

-Realizar exames pré-natais na gestação;

-Vacinar seu filho para impedir que ele tenha contado com doenças que deixem sequelas, como a surdez;

-Acompanhar a saúde de seu filho em modo geral;

– Ficar atento ao desenvolvimento de seu filho caso haja alguma demora no desenvolvimento da fala;

-Procurar sempre um médico quando sintomas aparecerem.

Precisa agendar uma consulta e ainda não sabe onde? Entre em contato com a gente! Vamos adorar ajudar você a encontrar um tratamento.

Fonte: Instituto Otovida

quarta-feira, 5 de janeiro de 2022

Deficiência auditiva pode causar impactos na aprendizagem das crianças

A emocionante reação de ouvir com qualidade pela primeira vez emociona internautas e mostra a importância do som para a conexão com outras pessoas

paranashop.com.br

Em um vídeo que viralizou nas redes sociais, a reação de Gigi, bebê com deficiência auditiva, ao ouvir a voz dos pais pela primeira vez com o auxílio de um aparelho auditivo emocionou milhares de pessoas ao redor do mundo. O compartilhamento foi feito pelo pai da menina, Levi Lindsay.

Gigi nasceu com surdez completa no ouvido esquerdo e com audição parcial no ouvido direito e, mesmo não tendo perda absoluta, a falta da audição completa prejudicava a interação com outras crianças e até mesmo com os pais.

A fonoaudióloga Márcia Bonetti, da Audiba Aparelhos Auditivos, aponta que a audição é essencial para o desenvolvimento da linguagem em crianças.

“O não ouvir priva o nosso córtex auditivo de receber estímulo sonoro e identificar sons. Assim, a reprodução dos pequenos é impactada”, aponta a especialista. “A perda auditiva na infância pode ter várias causas, como a rubéola gestacional, surdez congênita, entre outras enfermidades”, completa.

Pelas redes sociais, o Levi Lindsay comenta que o futuro é incerto, mas que a adaptação de Gigi com o aparelho auditivo foi bem positiva. A família mora nos Estados Unidos. Sobre o assunto, Márcia destaca que o tratamento para a deficiência auditiva em crianças tem início após exames e indicações médicas, podendo ser cirúrgico, medicamentoso ou, como foi o caso da Gigi, com uso de prótese auditiva.

“A surdez acaba deixando os deficientes afastados do resto da sociedade. Seja em uma conversa informal ou na fila do banco, a audição sempre está presente. Quando essa perda acompanha o indivíduo desde o nascimento, a conexão com os outros demora para ter a profundidade que existe quando a audição não é um empecilho”, aponta a fonoaudióloga. “É natural que a família encare, no primeiro momento, o diagnóstico como um luto, mas sempre há recursos para desenvolver essa afinidade”.

Terapias fonoaudiológicas e até a Língua Brasileira de Sinais (Libras) podem ser adotadas, caso outras formas de tratamento não sejam indicadas.

O som e a repetição

Márcia destaca que, quando não tratada, a deficiência auditiva pode prejudicar permanentemente a capacidade de fala, visto que a criança não recebe a quantidade necessária de estímulos auditivos ou não é capaz de compreender determinadas frequências de som.

“Sem a audição ou com uma audição parcial, a criança não consegue ouvir sua própria voz, o que vai impedi-la de entender o que fala e se adaptar com as pessoas ao redor”, acrescenta a fonoaudióloga, apontando para a atenção em pequenos sinais. “Como é uma parte muito importante para a aprendizagem da criança, identificar desde cedo a deficiência é fundamental para o tratamento precoce”.

Até os cinco meses, o bebê reage a sons altos, além da vocalização de risos, choros, entre outros sons. A partir dos seis meses, é possível o reconhecimento de vozes familiares e a tentativa de repetição dos sons.

“Caso a criança não demonstre interação com sons, não atenda ao próprio nome e esteja com atraso de fala, é recomendado que os pais façam uma visita a especialistas, para que seja analisado o caso com maior cuidado”, finaliza a fonoaudióloga.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2021

Deficiência auditiva em crianças

Nathalia Schuengue para o pebmed.com.br

A identificação da deficiência auditiva em bebês é um processo desafiador. Nos primeiros meses de vida, o bebê está em processo de construção do significado de suas emoções. A partir da interação com a mãe, ou seja da percepção da fala, da expressão facial, do toque, do olhar, da forma como segura no colo, do momento da amamentação, o bebê começa a atribuir significados simbólicos às emoções que ele experimenta.

Entretanto, quando o bebê possui algum nível de perda auditiva, a percepção do mundo e das suas emoções é um pouco diferente. Os impactos da alteração auditiva pode comprometer principalmente o desenvolvimento da fala e a interação social.

Possíveis causas para a deficiência auditiva em bebês

A deficiência auditiva em bebês e crianças pode ser causada por má formação anatômica da cabeça ou pescoço; síndrome genética; Histórico familiar de perda auditiva na infância; Prematuridade; Baixo peso ao nascer; Internação em UTI neonatal; Asfixia perinatal; Infecção Perinatal ( citomegalovírus, rubéola, herpes, sífilis, Toxoplasmose, meningite), Infecção crônica de ouvido, Paralisia Cerebral; Síndrome de Down e Exposição a drogas ototóxicas.

Classifica-se como perda auditiva neurossensorial os casos em que há uma alteração nas estruturas do ouvido interno ou no nervo auditivo. As principais causas desse tipo de perda são as má formações do ouvido interno, infecções, drogas ototóxicas, exposição a sons altos. Já a perda auditiva condutiva é quando há uma alteração na transmissão do som ao ouvido médio. Casos em que são identificados alterações na transmissão do som no ouvido médio e ao longo das vias auditivas, são denominados de Perda auditiva Mista.

Atualmente, todos os bebês devem passar por uma Triagem Auditiva Neonatal, de preferência ainda na Maternidade, nas primeiras 24 a 48hs com o objetivo de identificar precocemente a presença de deficiência auditiva. Além disso, é importante que profissionais de saúde, que desenvolvem atendimento de puericultura, avaliem a função auditiva e desenvolvimento da fala, bem como estejam atentos aos sinais que eles podem apresentar de perda auditiva.

Podem sinalizar algum grau de perda auditiva, quando o bebê ou a criança:

  • não pisca na presença de sons altos;
  • não acorda na presença de sons altos;
  • não identifica a localização dos sons (a partir dos seis meses);
  • apresenta ausência da fala (a partir dos sete meses);
  • não reage a voz;
  • não atende pelo nome;
  • usa o gestual para comunicação;
  • bate a cabeça, as mãos ou pés em superfície para sentir a vibração;
  • grita;
  • pede para repetir os comandos com frequência;
  • reage melhor as expressões faciais do que aos comandos verbais;
  • evita interação social;
  • prefere brincar sozinho;
  • apresenta comportamento de irritabilidade quando não é compreendido;
  • comportamento introspectivo;

Na suspeita de deficiência auditiva, é importante que o enfermeiro investigue outros aspectos como o momento em que os pais perceberam a alteração na audição, por exemplo. Crianças menores de dois anos com o diagnóstico de deficiência auditiva possuem maior comprometimento da linguagem e interação, do que uma criança maior que ficou surda com quatro anos. Esta teve a oportunidade de conhecer os sons e estruturar uma memória auditiva.

Entender todo o contexto familiar, histórico de surdez na infância, infecções agudas e crônicas de ouvido que possam estar relacionadas, outras infecções períodos de internação em UTIneonatal, alterações genéticas, estímulos auditivos, uso de medicamentos ototóxicos, dentre outros aspectos, são fundamentais para planejar, junto a equipe multiprofissional, estratégias de estimulação e manejo da deficiência auditiva.

A gravidade da perda auditiva pode ser bem variável, podendo ser leve, moderada, severa ou até mesmo uma perda severa profunda. O manejo clínico e a modalidade terapêutica vai variar de acordo cada caso. Diversas modalidades estão disponíveis e podem ser utilizadas em associação com a terapia fonoaudiológica, como uso de aparelhos aparelhos de amplificação sono individual, implante coclear, uso de Língua Brasileira de Sinais, implante de tronco cerebral estimulação da leitura labial, etc.

sexta-feira, 23 de julho de 2021

Pedagoga fala sobre alfabetização de surdos em escolas de Cosmópolis

Dia Nacional da Educação de Surdos: "Eles aprendem sim, tem condições para isso, para se alfabetizar da maneira deles e isso tem que ser respeitado", defende a pedagoga Carmela Ferreira

Letícia Leme para o cosmopolense.com.br

No dia 23 de abril comemora-se em todo o país o Dia da Educação de Surdos, bem como o Dia do Deficiente Auditivo. A data foi pensada com o intuito de direcionar a população a refletir sobre a importância do assunto, assim como também prover meios de inclusão para os portadores da deficiência. Buscando então, uma melhora na qualidade de vida dessas pessoas.

Carmela Ferreira é formada em pedagogia em formação de professores para a educação especial, e trabalha em uma das escolas municipais de Cosmópolis onde, atualmente, atende duas crianças surdas. Carmela atua como intérprete de Libras (Língua Brasileira de Sinais) e auxilia no aprendizado desses alunos. “Eu fico no período da sete da manhã até as onze e quarenta com esses alunos na sala de aula, interpretando a aula, auxiliando nas atividades dentro do ambiente escolar mesmo. Eles frequentam toda a rotina da escola, tem aula de educação física, aula de inglês, aulas de música. Eles frequentam tudo e estou sempre acompanhando”, explica.

Apesar das escolas para surdos já existirem no Brasil desde o governo de Dom Pedro II (1857), a língua de sinais só foi reconhecida como meio legal de comunicação e expressão no país em 2002, 145 anos depois. No entanto, a inserção de Libras, como disciplina curricular obrigatória nos cursos de professores para o exercício dos magistérios médio e superior, só aconteceu em 2005.

Que a educação para surdos é desafiadora não é segredo para ninguém. Inclusive, o assunto ganhou destaque em 2017 quando virou tema da redação do Enem, onde os candidatos precisaram argumentar sobre os desafios para inclusão educacional de surdos no Brasil. O fato de ser pouco trabalhado nas escolas e mídias, fez com que grande parte dos alunos tivessem dificuldades para dissertar. O que chama ainda mais atenção para a questão que a data (23/04) visa trabalhar: inclusão.

A fim de explicar como é desenvolvida a educação para surdos nas escolas de Cosmópolis, Carmela cedeu uma entrevista ao Portal Cosmopolense, onde expõe os métodos utilizados e principais desafios enfrentados na sala de aula. Confira:

Carmela durante as aulas

Como é desenvolvido seu trabalho nas escolas? Os alunos utilizam a língua de sinais para se comunicar, então eu auxilio em cima da língua de sinais, ajudo a professora na adaptação de currículo, de algum material, de atividade que for necessário e assim aplicamos. A aula é normal, a professora está explicando, eu estou perto deles acompanhando os alunos, só que passando em libras. A professora vai fazer a leitura da história com a turma, enquanto isso eu estou fazendo a interpretação em libras e depois ela vai mostrando para toda a turma o livro e nessa parte eles também participam. Atividade de matemática, ela vai ensinando a sequencia numérica de zero a dez. Conforme ela vai explicando eu vou junto fazendo em libras. Depois quando ela dá a folhinha da atividade, eu vou perto auxiliando. A professora também da suporte, mas quando é algum sinal que a criança não entende, neste caso estou junto para auxilia-la. Tudo funciona junto, tudo ao mesmo tempo (…) Acaba sendo uma atenção especial porque eu estou com eles, diretamente interpretando. Enquanto os outros estão se atentando a professora eles estão se atentando a mim e a professora, é um trabalho bem conjunto.

Esses alunos precisam ter um conhecimento prévio de Libras ou eles aprendem na escola? Geralmente as crianças aprendem nas escolas mesmo, não é uma regra ter um conhecimento prévio. Só que o quanto antes a criança for inserida para aprender a língua de sinais, mais rápido vai ser o desenvolvimento dela. Geralmente as famílias descobrem a surdez com uns três anos, daí vai a questão da aceitação, tanto é que até a família aceitar e ir em busca de ajuda, a criança já está na fase de falar, então aí vai atrasando um pouco mais essa questão do aprendizado da língua de sinais, porque depois que a criança entra na escola geralmente que ela tem esse primeiro contato.

Enquanto professora, quais os principais desafios na educação para surdos? A introdução do bilinguismo, que é a Libras ser a primeira língua do surdo, a gente sabe que elas tem que ser ensinada, só que nas escolas se cobra muito a oralidade, se cobra muito a consciência fonológica. Então a criança (ouvinte) aprende  as famílias silábicas – o  BA-BE-BI-BO-BU – ouvindo, e o surdo não. A Libra é uma língua visual, então o principal desafio é esse, a consciência de que o surdo precisa ter acesso a libras como primeira língua dele, por mais que isto esteja sendo trabalhado, estamos caminhando bem devagar, porque infelizmente a nossa língua é oral. Os surdos estão conquistando espaço, mas o principal desafio que eu vejo hoje é esse, entender essa necessidade de se ensinar primeiramente a Libra e o português como língua secundária, onde o aluno aprende a palavra de forma escrita.

O trabalho que você desenvolve com essas crianças tem um bom retorno? Digo, pedagogicamente. O retorno não é tão rápido, porque agora que eles estão iniciando a alfabetização, eles aprendem a libra como primeira língua deles. Então o português a gente ensina da forma escrita, dessa forma eles precisam aprender que tudo tem um nome, que o sinal que a gente usa na língua de sinais, por exemplo para bola, tem um nome. Então ele precisa compreender, precisa de uma certa forma decorar que bola se escreve B-O-L-A. O que não é tão simples, porque a gente aprende ouvindo, por sílabas, pelas letras, a gente sabe que as sílabas de bola é o B com O, que forma o BO, agora para eles não é tão prático assim, então por isso que é um processo um pouco mais demorado, eles aprendem, dão retorno sim, vão evoluindo, mas as vezes não da forma que a gente espera. É muito de criança para criança. As vezes o ouvinte demora até mais que um aluno surdo, depende muito, do estímulo que tem em casa, dos atendimentos que faz por fora, se tem acompanhamento de fonoaudióloga, se tem acompanhamento de línguas de sinais.

Você mencionou sobre o papel da família no processo de aprendizado. Como a família pode atuar de forma que venha contribuir com esse processo? Aliás, qual é o papel da família? A família precisa ser parceira, tem que haver uma parceria entre escola e família sempre. A família precisa aprender Libras para se comunicar com a criança. Os pais precisam levar ao atendimento com a fonoaudióloga, psicóloga. Um desses alunos que eu atendo frequenta o Sepri na Unicamp, que onde é desenvolvida a língua de sinais, eles recebem atendimento psicológico e fonoaudiológico, juntamente com a pedagogia. Lá a família também aprende Libras e também recebe o acompanhamento psicológico. Enquanto as crianças estão em um outro atendimento com a pedagoga e com o instrutor surdo, eles se devolvem bem mais, o processo é bem mais rápido. A família aceitando, a família buscando e trabalhando junto com a escola, ajuda e muito. Então a família precisa aprender a se comunicar com esse filho, com essa criança. Porque a maioria das crianças surdas, são filhas de pais ouvintes, então eles precisam aprender a se comunicar, senão a criança vai ficar sempre isolada e vai ter essa comunicação só na escola? A parceria da  família é fundamental nesse processo.

E o que você considera como “tabu”, no que diz respeito a educação para surdos? Algo que você enquanto pedagoga diria: Não é bem assim. Acho que o principal tabu é em questão do aprendizado mesmo, eles tem uma língua própria, só que ela [língua] tem as características dela. Então eles aprendem sim, tem condições para isso, para se alfabetizar da maneira deles. Eu acho que isso que tem que ser respeitado. Por exemplo, a produção de texto deles nunca vai ser igual a nossa, mas é uma particularidade deles e isso tem que ser respeitado, e a gente as vezes quer que seja da nossa forma e não é assim. Eles têm muito potencial, profissionalmente falando, eu tive alguns alunos que hoje estão aí trabalhando tem rendimento, eles ‘se viram’, tem o grupo deles, saem ao cinema, dentre outros. Tudo dentro das limitações deles, assim como temos as nossas.

E como avalia a educação para surdos no Brasil? Eu acredito que a educação para surdos no Brasil está avançando cada vez mais, acho que eles [surdos] estão ganhando mais espaço, eles estão ganhando mais direito e eu acho que só tende a avançar. A questão da regularização dos intérpretes nos espaços públicos, nas escolas, nas igrejas, eu acho que está avançando cada vez mais, está ganhando força. Ainda falta muito a conseguir, acho que se tem muito ainda a se batalhar, mas há um avanço.

quarta-feira, 21 de julho de 2021

Educar surdos é desafiador e possível

Por Carol Scorce para cartacapital.com.br

No domingo 5, milhares de alunos fizeram a prova do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) e foram surpreendidos com o tema da redação, que este ano contemplou a discussão sobre a inclusão dos surdos na educação. A questão gerou polêmica entre estudantes e professores, e reverberou na redes. O principal ponto de contestação é o fato da inclusão não ser debatida, dentro e fora das salas de aula, e que apenas os textos fornecidos na prova eram insuficientes para a argumentação dos concorrentes.

A prova já foi, mas a pergunta fica: quais são os desafios para inclusão dos surdos no sistema educacional brasileiro? Segundo a educadora Fernanda Cortez, diretora da Escola de Educação Bilíngue para Surdos (Derdic), da PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica), é primordial compreender que a Língua Brasileira dos Sinais, a Libras, não é uma mera tradução da língua portuguesa por meio de gestos, mas se configura como uma língua própria, com características particulares.

“O português é a segunda língua do surdo, e nem todos têm o mesmo nível de fluência. É como a segunda língua para nós. Temos níveis de domínio diferentes do alemão, do inglês, do francês. Os surdos têm de aprender português e bem, porque é dessa maneira que vão se inserir, arrumar empregos, viver em sociedade. Mas não é a língua natural deles”, explica.

É nesse contexto que entendemos porque os surdos têm direito a intérpretes para auxiliar na compreensão da prova do Enem, por exemplo. “Muitos surdos têm seus direitos fundamentais feridos desde o início da experiência escolar. Diagnósticos atrasados e crianças que passam anos sem a atenção necessária, além de escolas e professores sem recursos e preparo para educar. Pensando que temos então duas línguas totalmente distintas a inclusão também se dá no nível cultural”, afirma a educadora, lembrando que este ano completa 15 anos da Libras reconhecida como segunda língua oficial no Brasil.

Outro ponto importante é a invisibilidade dos surdos. Até que a pessoa que não ouve passe a se comunicar em sinais, ninguém a nota. Elas se constituem como uma minoria, e para especialistas em acessibilidade, como uma minoria dentro de outra. “O uso de tecnologias é importante, mas a formação dos professores para uma pedagogia cuidadosa com os surdos é o fundamental. Os surdos podem fazer a leitura facial, mas eles têm de se comunicar plenamente em português e em libras. Só assim eles serão agentes da própria comunicação. Poderão trocar, que é a base do aprendizado.”

De perto e de dentro

Quem também nos ajuda a entender essa realidade ainda tão hermética para os não surdos, é a jovem professora Pâmela Mattos. Pâmela é única mestra surda do Pará, leciona na educação superior, e fez sucesso esta semana depois de publicar um vídeo criticando o comentário de uma professora que lhe deu aulas. Na ocasião a ex-professora de Pâmela classificou o tema da redação do Enem com “um golpe.”

“No ensino infantil eu era muito mimada pelos professores. Todos me achavam fofa, bonitinha, faziam carinhos em mim. Alguns faziam atividades fora da sala de aula comigo, me incentivavam. No ensino fundamental isso mudou; os professores não falavam libras e não se importavam. Passavam boa parte da matéria apenas oralmente, e se movimentavam a aula toda; eu não conseguia nem fazer a leitura labial. Insistia muito para o meus pais me trocarem de escola, e eles não entendiam o meu desejo, porque aparentemente eu era muito querida na escola pelo corpo docente, mas eles não incluíam. Os meus colegas de sala não se importavam. Nem tocavam em mim.”

As coisas só começaram a melhorar quando Pâmela entrou na escola pública, a partir da figura da orientadora educacional. “Nem todos os professores sabiam libras, mas eles eram orientados quanto ao meu processo, e isso já me incluía. Foi na escola pública que conheci meu primeiro colega surdo. Eram amigos solidários e bagunceiros. Me senti acolhida e respeitada.”

Pâmela ensina ainda que os surdos são serem capazes de exercer qualquer atividade que desejarem, e têm por direito o acesso a todos os mecanismos que potencializem suas habilidades. Educar surdos não é golpe, discutir o assunto não é golpe. Educar surdos é desafiador e possível.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2021

Startup curitibana democratiza ensino online de Libras e quer capacitar 100 mil alunos

PorGazzConecta, com colaboração de Millena Prado Z | gazetadopovo.com.br

A startup Duolibras ensina Libras com foco no público ouvinte.| Foto: Duolibras/Divulgação

Como seria morar em um país onde quase ninguém compreende a sua língua? Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 10 milhões de pessoas no país têm algum grau de deficiência auditiva, de leve a severa. Foi para democratizar o ensino da Língua Brasileira de Sinais e promover a inclusão de surdos que Marcio Ballera e Manolo Torres fundaram, em 2018, a DuoLibras.

A startup curitibana oferece um curso online de Libras que mescla ensino e entretenimento, funcionando como um seriado com com 120 episódios. O curso tem duração de seis meses e certificado de conclusão. Em três anos de atuação, a startup já capacitou 2,4 mil alunos — e a meta dos empreendedores a longo prazo é chegar aos 100 mil.

Viver em um país em que poucas pessoas sabem se comunicar em Libras coloca barreiras para os surdos, que podem enfrentar isolamento social, afetivo e profissional.

Manolo Torres, também conhecido como Manolo Libras, percebeu muito cedo a existência dessa barreira, criando problemas de inclusão Quando criança, ele participou de um grupo de surdos na igreja em que frequentava. Conquistando rapidamente a fluência, passou a ajudar os colegas com deficiência em tarefas cotidianas como intérprete.

Márcio Ballera e Manolo Torres, fundadores da Duolibras. | Sony/Divulgação

Mais maduro, ao desenvolver trabalhos em startups voltadas para a capacitação de deficientes na área de tecnologia, viu que o caminho mais democrático era o inverso: pessoas com habilidades auditivas plenas, sem deficiência, deveriam se adaptar para se comunicar também com surdos.

"O foco da DuoLibras é ensinar a língua de sinais para o ouvinte. O português não é a primeira língua dos surdos. Por isso, um dos nossos objetivos é disseminar o conhecimento sobre o idioma e sobre a cultura surda", descreve o confundador Marcio Ballera.

DuoLibras no Shark Tank

Os fundadores participaram, em dezembro, da quinta temporada do Shark Tank Brasil, reality show de investimentos em startups no qual investidores avaliam as empresas através da apresentação de um pitch.

Os empresários fizeram uma proposta nada comum aos investidores: 2% da empresa em troca de 15 minutos semanais de mentoria, ao longo de seis meses, com o objetivo de alavancar o crescimento da empresa. A proposta foi aceita pelos tubarões.

A participação rendeu bons frutos à curitibana. Até setembro de 2020, o faturamento da empresa havia chegado a R$ 80 mil. Após a exibição do episódio, a DuoLibras faturou metade desse valor em apenas um mês.

Para o futuro, a ideia da startup é expandir o mercado e atingir novos públicos. Atuando hoje no modelo B2C (Business to Consumer), direto ao consumidor, a ideia é expandir o serviço para vendê-lo para empresas como forma de treinamento para funcionários. “Focar também no B2B (Business to Business) é uma forma de escalar agressivamente e inserir a cultura da Libras dentro das empresas”, conta Ballera.

A DuoLibras também já testa a operação adaptada para franquias de ensino expandindo a atuação e o número de alunos. As duas novas frentes de atuação estão em negociação com futuros clientes. “Queremos ser referência e dar visibilidade à língua de sinais. Mostramos que é possível ter um negocio rentável e socialmente impactante”, finaliza Marcio.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2020

Deficiência auditiva

 atribunamt.com.br

Saiba identificar a perda auditiva nas crianças

O presente artigo tem como proposta trazer temas questionadores e atualizados com relação à Deficiência Auditiva. No passado, costumava-se achar que surdez era acompanhada por algum tipo de déficit de inteligência. Entretanto, com a inclusão dos surdos no processo educativo, compreendeu-se que eles, em sua maioria, não tinham a possibilidade de desenvolver a inteligência em virtude dos poucos estímulos que recebiam e que isto era devido à dificuldade de comunicação entre surdos e ouvintes.

Porém, o desenvolvimento das diversas línguas de sinais e o trabalho de ensino das línguas orais permitiram aos surdos os meios de desenvolvimento de sua inteligência. Através desde poderão ser sanadas dúvidas em relação a Deficiência Auditiva, com o objetivo de investigar os sentimentos, as reações e as expectativas dos pais em relação à deficiência de audição do filho, verificando por meio da análise do discurso do sujeito coletivo, que as famílias reagem de forma parecida ao receberem o diagnóstico, porém têm expectativas diferentes em relação às possibilidades da criança com deficiência de audição.

Isso nos permite que o fonoaudiólogo deve saber escutar os pais a fim de oferecer-lhes respostas para suas dúvidas, dar-lhes suporte e força para desabafar seus sentimentos e superar suas dificuldades ante a deficiência auditiva de seu filho, dando maior ênfase às questões envolvidas nos aspectos educacionais das pessoas com essa deficiência.

Serão expostas formas para esclarecer dúvidas e dificuldades encontradas pelos educadores ao lidar com estudantes com essa deficiência e também sugestões de como identificar, nesse caso, a Deficiência Auditiva, mostrando meios aos familiares de como proceder em prol de benefícios, porque falar sobre educação inclusiva é muito fácil, em contrapartida incluir que o primordial, transmitir aos educadores e a sociedade em geral não estão realmente preparados para receberem esses estudantes em seu ambiente profissional, educacional e até mesmo social.

(*) Francisco Celio Bezerra, acadêmico do curso de Pedagogia – Licenciatura, 4º Semestre; Coordenadora pedagógica, Alessandra Lima (nível superior em RH); Tutora presencial: Edima Severino da Silva (graduada normal superior em Educação Infantil; Pedagogia; Pós-graduada em Gestão e Currículo nas séries iniciais e infantil; Pós-graduada em AEE Educação Especial e Inclusão; Libras, Tradução e Docência

quinta-feira, 19 de novembro de 2020

Isolamento pode ser grave para crianças com deficiência auditiva

 As dificuldades enfrentadas pela falta de convivência em sociedade durante a surto de Covid-19 serão debatidas durante o primeiro simpósio internacional multidisciplinar sobre surdez na infância

d.emtempo.com.br

Como saber se a criança tem deficiência auditiva? - Revista Crescer | Saúde

Com o início na pandemia do novo coronavírus, as pessoas precisaram se adaptar às recomendações de isolamento social para retardar a evolução da doença. Diante desse cenário, inúmeras áreas da saúde foram afetas, como alguns tratamentos que precisaram ser interrompidos, consultas médicas canceladas e cirurgias adiadas. Em meio a essa nova realidade, as pessoas com deficiência auditiva tiveram suas rotinas abaladas, impossibilitando seu progresso auditivo e a evolução da comunicação.

A busca por alternativas para diminuir o impacto dessa situação e o sofrimento do isolamento serão discutidos por especialistas nacionais e internacionais durante o "Surdez e Escuta: simpósio internacional multidisciplinar sobre surdez na infância", um evento 100%, que será realizado entre os dias 30/11 e 04/12 e terá sua renda totalmente revertida para a realização de atividades educativas. A programação completa está disponível no site e nas redes sociais do Instituto, Instagram e Facebook . A inscrição pode ser feita pelo link .

Segundo a Dra. Mariana Guedes, fonoaudióloga consultora na área de audiologia e reabilitação auditiva do Instituto Escuta, o isolamento social e o uso de máscaras interferem na qualidade de vida e na saúde emocional de muitas pessoas com algum grau de surdez. Porém, nas crianças com perda auditiva os danos podem ser ainda mais graves. "A crianças com surdez e que são oralizadas podem experimentar dificuldades com a leitura labial devido ao uso das máscaras ou com a qualidade do som e da escuta durante as aulas ou sessões de terapia online. Isso pode ser mais grave para àquelas que não tem acesso digital e perderão muito pela falta de contato e comunicação social promovido pela escola e pela falta das sessões de terapia. Já, as crianças usuárias da LIBRAS, também podem experimentar muitas dificuldades. Se considerarmos que nem todos os pais e familiares são fluentes na linguagem de sinais e que o maior núcleo eram as escolas e o contato com outros surdos da comunidade, essas crianças poderão ficar cada vez mais sozinhas durante a pandemia", explica.

Para confirmar essa tendência, o Instituto Escuta realizou uma pesquisa com seus assistidos durante a pandemia. A maior parte das crianças atendidas ficaram sem fonoaudióloga durante a pandemia e alegaram ter maior dificuldade nas interações com os colegas de sala, nas atividades em casa e até mesmo para manter as atividades de rotina.

Nesse sentido, os danos podem impactar tanto a capacidade de se comunicar das crianças, quanto a evolução do processo de construção da fala e até o relacionamento com o mundo. "A perda auditiva é classificada em graus, sendo eles, do leve ao moderado, pessoas que usam aparelhos auditivos que amplificam o som e assim conseguem se comunicar através da fala e, o severo a profundo, grupo que se comunica através da língua de sinais (Libras) ou utiliza implantes cocleares e realiza um processo de reabilitação auditiva para aprender a escutar e a falar. Logo, uma criança que não recebe estímulos consistentes e frequentes para se comunicar, acaba se isolando completamente ou apresenta atraso no seu desenvolvimento da linguagem, seja qual for a modalidade utilizada - oral ou sinalizada", afirma a especialista.

Além disso, com o uso obrigatório de máscaras o canal de comunicação se tornou cada vez mais difícil e algumas práticas precisaram ser adaptadas no contexto em que vivemos. "Com a pandemia em vigor, as técnicas e meios utilizados nos programas de reabilitação auditiva precisaram mudar. Sessões online passaram a ser realizadas e o vínculo presencial com o foi interrompido, ou seja, a comunicação com o deficiente auditivo se tornou mais difícil e nem todas as famílias conseguiram se adaptar bem a esta nova realidade", reforça Mariana.

O acompanhamento social e extra familiar é algo importante para esse grupo, principalmente neste período de vulnerabilidade. Entretanto, nem todas as famílias têm acesso a esses recursos. "O paciente que depende de artifícios externos cedidos pelo governo, por exemplo, muitas vezes não tem continuidade das consultas via internet, sendo assim, não desenvolve as atividades de estimulação de linguagem e fala, que consecutivamente causa um déficit de aprendizado e que futuramente irá impactar no seu progresso", finaliza a fonoaudióloga Mariana.

*Com informações da assessoria

quinta-feira, 12 de novembro de 2020

App para alfabetização de crianças surdas chega ao Brasil

tecmundo.com.br

O ser humano aprende a falar e a ler corretamente não apenas observando as letras como também repetindo os sons apresentados – um empecilho na alfabetização de crianças surdas. Um aplicativo que usa inteligência artificial e realidade aumentada pode ajudar nesse processo: o StorySign, lançado no Brasil pela Huawei.

O app existe desde 2018, mas somente agora ele foi adaptado para o português, graças ao trabalho do tradutor e intérprete de libras Edílson Andrade e o revisor Erik Honorato, que traduziram para a linguagem de sinais dois livros infantis nacionais: Gildo, de Silvana Rando (Brinque-Book), e A Festa Encrencada, de Sônia Junqueira (Ática). Edílson deu vida ao avatar que narra as histórias no aplicativo.

 

O StorySign existe em 15 línguas, e está presente no Reino Unido, na França, na Alemanha, na Itália, na Espanha, em Portugal, na Austrália e no Brasil, e conta com uma biblioteca em Libras de 71 livros. Não há previsão de quando o aplicativo, que é gratuito e tem suporte para Android e iOS, contará com mais títulos por aqui.

 

Como funciona o StorySign

1. Com o livro de leitura habilitado para o StorySign à sua frente, a criança abre o aplicativo e segura o smartphone sobre a página.
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2. O avatar do app (chamado Star) conta a história em libras enquanto o aplicativo destaca cada palavra gesticulada.
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Huawei/Libby Burke Wilde/Divulgação
3. A criança aprende a grafia da palavra e sua tradução em libras.
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Huawei/Libby Burke Wilde/Divulgação
Segundo comunicado da Huawei, o StorySing foi desenvolvido em parceria com a União Europeia de Surdos, a Associação Britânica de Surdos, o grupo editorial Penguin Books e a Aardman Animations, entre outras instituições. “O aplicativo captura movimento e animação, garantindo que as expressões faciais e as mãos dos personagens transmitam a representação perfeita das Libras, criando um personagem virtual divertido”, disse a empresa. No Brasil, a gigante chinesa teve o apoio da Federação Nacional de Educação e Integração dos Surdos (Feneis).

sexta-feira, 6 de novembro de 2020

Tecnologia abre portas para o mundo dos sons

Aparelho auditivo de alta tecnologia disponibilizado pelo Centrinho-USP de forma pioneira na rede pública tem propiciado melhor audição a crianças

O pequeno David Gabriel Vicente de Souza, de apenas dois anos,já derrotou "gigantes". Depois de lutar pela vida em seus primeiros meses, a mais nova batalha vencida é poder ouvir!

David Gabriel ouvindo após receber a banda elástica no HRAC / Crédito: Divisão de Saúde Auditiva, HRAC-USP

David Gabriel nasceu com perda auditiva severa decorrente de malformação nos dois ouvidos e recebeu, no último dia 16 de outubro, uma tecnologia que permite uma audição melhor para bebês e crianças que ainda não podem passar por cirurgia para prótese auditiva implantável.


Banda elástica (softband) com processador de áudio bilateral / Crédito: Tiago Rodella, HRAC-USP

"O David Gabriel praticamente não escutava, não reagia quando o chamávamos. Vê-lo ouvindo bem agora, dançando e se alegrando com música é um alívio e uma felicidade muito grande", comemora a mãe, a dona de casa Rosangela Borges, 32, de Joinville, Santa Catarina.

O Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais (HRAC/Centrinho) da USP em Bauru é o primeiro serviço no Brasil a oferecer, pelo Sistema Único de Saúde (SUS), a chamada banda elástica (softband) com processadores de áudio para os dois ouvidos, destaca a fonoaudióloga Tyuana Sandim Silveira Sassi, chefe técnica da Divisão de Saúde Auditiva da instituição.

David Gabriel com o pai Sidnei e a mãe, Rosangela, no aniversário de 1 ano
David Gabriel com o pai Sidnei e a mãe, Rosangela, no aniversário de 1 ano  / Foto: Arquivo pessoal

"A reabilitação de indivíduos com deficiência auditiva é rotineiramente realizada por meio da adaptação de aparelhos de amplificação sonora individual (AASI). Contudo, em pacientes com deficiência auditiva decorrente de malformações de orelha, a adaptação destes dispositivos é inviável. Atualmente, temos as próteses auditivas ancoradas no osso. Porém, em crianças menores de cinco anos, enquanto não é possível realizar a cirurgia para implantação dessas próteses, é indicada a adaptação do processador de áudio posicionado por meio da banda elástica, a qual permite estimulação auditiva por via óssea sem causar desconforto", explica a fonoaudióloga.

"Como hospital de ensino da USP, buscamos sempre desenvolver e oferecer os melhores tratamentos, tecnologias e inovações em nossa rotina assistencial. Esta é uma marca do HRAC! É uma satisfação indescritível ver a ciência, a expertise de profissionais altamente qualificados e também as políticas públicas e esforços de gestão beneficiando diretamente a saúde e qualidade de vida dos nossos pacientes", assinala o professor Carlos Ferreira dos Santos, superintendente do Centrinho-USP e diretor da Faculdade de Odontologia de Bauru (FOB-USP).

Já o professor Luiz Fernando Lourençone, diretor clínico do Centrinho-USP e docente do Curso de Medicina da FOB-USP, ressalta a importância da reabilitação integral dos pacientes. "O HRAC sempre priorizou um tratamento completo e, felizmente, temos conseguido avançar nas diversas frentes para a reabilitação global de crianças e adultos com tantas e diferentes necessidades".

OFERTA PELO SUS

A banda elástica passou a integrar a rotina assistencial do HRAC-USP em outubro de 2020. Segundo a fonoaudióloga responsável Tyuana Sassi, há licitação em andamento para aquisição de 20 processadores de áudio para serem adaptados com banda elástica bilateralmente, portanto em dez pacientes. "A previsão, inicialmente, é de um paciente adaptado por mês", informa. Com atendimento pelo SUS, o acesso de novos pacientes no Centrinho-USP é por meio da Central de Regulação de Ofertas de Serviços de Saúde (Cross) do Estado, a partir de avaliação inicial em unidade básica de saúde.


Reprodução do planejamento virtual da cirurgia da micrognatia / Crédito: Dr. Cristiano Tonello, HRAC-USP

MUITO ALÉM DA AUDIÇÃO

Ouvir foi a vitória mais recente, mas David Gabriel já travou inúmeros outros combates. O pequeno nasceu com alterações nos membros - braços e pernas -, Síndrome de Treacher Collins e Sequência de Pierre Robin, condições que comprometem, além da estética, funções vitais como a respiração e a alimentação, e que podem trazer consequências graves aos pacientes.

A mãe de David Gabriel, Rosangela, conta como a notícia da malformação impactou a família. "Perdi o chão. Ouvi de alguns que, se meu filho sobrevivesse, ele não ia andar, falar. Muita coisa ruim passou pela minha cabeça. Cheguei até mesmo a pensar em tirar minha própria vida, para o meu filho não sofrer. Mas, felizmente, com muita fé, força da nossa família e amor, superei isso".

Depois de passar os primeiros dias de vida na UTI em sua cidade, com 26 dias o bebê foi transferido para a UTI pediátrica do Centrinho-USP em Bauru. No centro especializado, David Gabriel passou por distração mandibular com apenas 40 dias de vida, procedimento que envolveu um complexo planejamento virtual da cirurgia, com a colaboração das Faculdades de Odontologia e de Medicina da USP da capital. "Obtivemos avanço de 17 milímetros da mandíbula, com ganho de peso e melhora completa do desconforto respiratório da criança", explica o cirurgião craniofacial Cristiano Tonello, chefe técnico do Departamento Hospitalar do Centrinho-USP e professor do Curso de Medicina da FOB-USP.

A mãe relembra que só retornou para casa com o filho perto dos seus três meses de vida. "Sei que temos um longo caminho a seguir ainda, mas a vida do David Gabriel se transformou completamente. Hoje ele é outra criança, anda, brinca e procura se virar. Só tenho a agradecer ao Dr. Tonello e a toda equipe do Centrinho por salvar a vida do meu filho", finaliza Rosangela.

sexta-feira, 21 de agosto de 2020

Lego cria blocos de construção adaptados para crianças com deficiência visual

Novidade será lançada inicialmente em sete países, incluindo o Brasil

Lego resgatado ajuda a passar o tempo
Criança brinca com peças de Lego - Arquivo pessoal

A marca de brinquedos de construção Lego anunciou, nesta quinta-feira (20), uma nova linha de blocos adaptados para crianças com deficiência visual."As peças foram fabricadas de forma que os blocos de ajuste (e outras peças) contenham as letras e números individuais do alfabeto braille, mantendo-se compatíveis com o sistema Lego", explicou o grupo em um comunicado.O objetivo é incentivar as crianças com deficiência visual a explorar novas formas de aprender, além de ler e escrever. Esses novos blocos, nas mesmas cores que os habituais, poderão ser utilizados sem problemas por outras crianças.

Confira também:

Brasil, Dinamarca, França, Alemanha, Noruega, Reino Unido e Estados Unidos são os primeiros sete países a receber o lançamento desta nova linha de kits de montagem. Depois, a linha chegará em outros 20 países até o início de 2021.

O Lego destinou 25% de seus lucros em 2019 a uma fundação que financia projetos para ajudar crianças em situação de dificuldade.

Fonte: f5.folha.uol.com.br

quarta-feira, 5 de agosto de 2020

Deficiência auditiva: os benefícios do INSS e quem tem direito

Paula Pfeifer Moreira para o cronicasdasurdez.com
 

Quais são os benefícios do INSS para pessoas com deficiência auditiva? As informações abaixo foram todas compiladas diretamente com o INSS. Leia com calma e atenção.

APOSENTADORIA POR IDADE DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA

Link: INSS

– A aposentadoria por idade da pessoa com deficiência é um benefício devido ao cidadão que comprovar o mínimo de 180 meses trabalhados na condição de pessoa com deficiência, além da idade mínima de 60 anos, se homem, ou 55 anos, se mulher. (Ou seja, 5 anos a menos que a aposentadoria por idade “convencional”)

– É considerada pessoa com deficiência, de acordo com a Lei Complementar n° 142/2013, aquela que tem impedimentos de longo prazo de natureza física, mental, intelectual ou sensorial que, em interação com diversas barreiras, impossibilitem sua participação de forma plena e efetiva na sociedade, em igualdade de condições com as demais pessoas.

– Para classificar a deficiência do segurado com grau leve, moderado ou grave, será realizada a avaliação pericial médica e social, a qual esclarece que o fator limitador é o meio em que a pessoa está inserida e não a deficiência em si, remetendo à Classificação Internacional de Funcionalidades (CIF).

– O segurado será avaliado pela perícia médica, que vai considerar os aspectos funcionais físicos da deficiência, como os impedimentos nas funções e nas estruturas do corpo e as atividades que o segurado desempenha. Já na avaliação social, serão consideradas as atividades desempenhadas pela pessoa no ambiente do trabalho, casa e social. Ambas as avaliações, médica e social, irão considerar a limitação do desempenho de atividades e a restrição de participação do indivíduo no seu dia a dia.

EXEMPLOS:

1 – um trabalhador cadeirante que tem carro adaptado e não precisa de transporte para chegar ao trabalho pode ter a gradação de deficiência considerada moderada, enquanto um trabalhador também cadeirante com necessidade de se locomover para o trabalho por meio de transporte público pode ter a gradação de deficiência considerada grave.

2 – o segurado pode ter perda auditiva profunda bilateral e ser considerado, fara fins de aplicação desde benefício, deficiente leve: no caso de ele ter uma ótima reabilitação auditiva com Implante Coclear, por exemplo. Pois o que será considerado é o quanto a deficiência + reabilitação funcional da deficiência impactam e criam barreiras para que participem no trabalho em igualdade de condições com quem não tem a deficiência.

A aposentadoria por tempo de contribuição da pessoa com deficiência é devida ao cidadão, que uma vez cumprida carência de 180 contribuições, alcance os outros requisitos, conforme o seu grau de deficiência (veja o quadro abaixo).

Então, além de ser pessoa com deficiência no momento do pedido, é necessário comprovar as seguintes condições para ter direito a este benefício:


AUXÍLIO-DOENÇA (TEMPORÁRIO) E APOSENTADORIA POR INVALIDEZ (LIMITE INDEFINIDO, SUJEITO A REVISÃO BIANUAL) 

Deveria se chamar auxílio- incapacidade pois não é um benefício concedido por ter uma doença, mas sim por esta – temporariamente ou definitivamente – incapacitado para o trabalho, por causa de uma doença.

O Auxílio-Doença é um benefício por incapacidade devido ao segurado do INSS que comprove, em perícia médica, estar temporariamente incapaz para o trabalho em decorrência de doença ou acidente.

REQUISITOS:

  • Cumprir carência de 12 contribuições mensais (a perícia médica do INSS avaliará a isenção de carência para exceções
  • Possuir qualidade de segurado (caso tenha perdido, deverá cumprir metade da carência de 12 meses a partir da nova filiação à Previdência Social – Lei nº 13.457/2017);
  • Importante ressaltar aqui então que este é um seguro, portanto a doença ou deficiência incapacitante tem que ter sido adquirida após ingresso no Regime Geral da Previdência Social, ou seja após realizar contribuições ao INSS pelo período relatado acima.

BENEFÍCIO DE PRESTAÇÃO CONTINUADA (BPC – BASEADO NA LOAS)

Link: INSS

O Benefício de Prestação Continuada (BPC) da Lei Orgânica da Assistência Social (LOAS) é a garantia de um salário mínimo mensal à pessoa com deficiência e ao idoso com 65 anos ou mais que comprovem não possuir meios de prover a própria manutenção, nem de tê-la provida por sua família.

Para ter direito, é necessário que renda por pessoa do grupo familiar seja menor que 1/4 do salário-mínimo vigente. (exemplo: moram 5 pessoas na casa e apenas um assalariado, que ganha um salario mínimo, então a renda per capita é menor que ¼ de um salário mínimo – neste caso o morador que for portador de uma defici6encia terá direito a um salário mínimo, o BPC)

Por se tratar de um benefício assistencial, não é necessário ter contribuído ao INSS para ter direito. No entanto, este benefício não paga 13º salário e não deixa pensão por morte.