Mostrando postagens com marcador dificuldades motoras. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador dificuldades motoras. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 12 de abril de 2019

Criança com distrofia muscular participa de desfile infantil e representa crianças com deficiência

"Eu vou de órtese, porque eu quero ir representando os meninos de distrofia", disse o menino Pedrinho para sua mãe ao ser convidado para um desfile de moda infantil


Larissa Carvalho para opovo.com.br

Pedro Pascoal, 10, tem distrofia muscular e se torna exemplo para outras crianças com a mesma doença, depois de participar de desfile no Shopping Iguatemi Fortaleza.
Pedro Pascoal, 10, tem distrofia muscular e se torna exemplo para outras crianças com a mesma doença, depois de participar de desfile no Shopping Iguatemi Fortaleza.(Foto: Tatiana Fortes/O POVO)

“Você vai de tênis?”, disse a mãe para o filho que havia sido convidado para um desfile de moda infantil. “Ele disse: 'Não, eu vou de órtese, porque eu quero ir representando os meninos de distrofia'”. Na tarde do último domingo, 7, o menino Pedro Pascoal, 10 anos, participou do desfile Estilinho, no Shopping Iguatemi Fortaleza. Pedrinho, como é chamado, tem Distrofia Muscular de Duchenne (DMD), um dos mais de 30 tipos de doenças genéticas relacionadas ao músculo.

“Filho, como você vai fazer? Você vai ver a multidão lá [no desfile]. Ele disse: 'Não tem problema. Eu vou colocar um óculos escuro e aí eu não vou ficar mais com vergonha'”, disse a mãe, Ozilene Pascoal, 43. Pedrinho é uma criança bem tímida, como descreve sua mãe. Mas isso não o impediu de participar do desfile, junto de suas órteses para representar as outras crianças, que têm algum tipo de deficiência.

O menino foi diagnosticado com a condição quando tinha apenas quatro anos de idade. “O Pedrinho era muito querido e quando eu tive ele, ele chorava muito, muito mesmo. Eu levava ele aos médicos e diziam que ele não tinha nada”, relata. Após várias idas aos médicos, o menino fez exames com o médico neurologista, quando foi descoberto. Um dos sintomas desse tipo de disfunção são quedas frequentes ao andar, impossibilidade de correr, fortes dores, além das panturrilhas aumentadas.

“Eles não conseguem correr, por conta da fraqueza muscular. Então, as outras crianças acabam excluindo e eles se sentem só”, conta a mãe de Pedrinho. “Esses meninos são excluídos da sociedade, eles não participam desses eventos”. Conforme estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS), existem mais de oito mil doenças raras catalogadas. 6% a 8% da população tem algum tipo dessas doenças.

Confira o vídeo do momento:



Segundo a mãe, o convite para o desfile surgiu quando eles estavam passeando no shopping e Pedrinho pediu para entrar em uma loja, pois havia gostado de uma roupa. “A moça abordou ele e disse: 'Você é tão lindo! Você não quer desfilar?'”. Ozilene levou o menino para experimentar a roupa escolhida por ele mesmo. “Ele foi e para a minha surpresa, ele disse que ia desfilar”, conta.

“Eu achei muito lindo isso dele, porque partiu dele. Eu fiquei muito emocionada porque ele sente na pele o que é ser excluído. Ele sente a dor de não ter amigos, de não chamarem ele para brincar. Ele se sente diferente das pessoas, mas ele quer ser aceito”.

Diagnóstico e tratamento

Além da escola, a rotina de Pedrinho inclui sessões de fisioterapia motora com a fisioterapeuta e especialista em Neurologia infantil, Nacha Cunha, durante todos os dias da semana, na Clínica Superare. “A criança nasce normal, com desenvolvimento neuropsicomotor normal. E por volta de cinco a seis anos, a criança começa a cair bastante. Os pais procuram o ortopedista e o neurologista para o diagnóstico", explica sobre os primeiros momentos.

Pedrinho e suas órteses durante a fisioterapia.“O que leva o progresso da doença é a sobrecarga de atividade física. Ele pode fazer, só que a atividade tem que chegar até o ponto dele não ter fadiga”, diz a fisioterapeuta. O menino ainda faz visitas frequentes ao cardiologista, neurologia, nutricionista, pediatra, pneumologista, psicólogo, além de hidroterapia. Recentemente, Pedrinho passou por uma cirurgia devido ao encurtamento da panturrilha.
Os pais de Pedrinho, Ozilene Pascoal, 43, e Jean de Carvalho, 43, fazem parte da Associação Cearense de Distrofias Musculares (ACDM). A instituição é formada por pais, pacientes e amigos no objetivo de orientar e conscientizar sobre a convivência com as distrofias musculares. A ACDM assiste 20 famílias de forma direta e é composta por cerca de 60 pessoas.

Associação Cearense de Distrofias Musculares (ACDM) - Rua das Carnaúbas, 167, no bairro Itaperi (próximo ao Zoológico Municipal Sargento Prata)

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

Pai larga emprego e projeta cadeira de rodas que ‘liberta’ filha com paralisia

Neste domingo (05/02/17) saiu a reportagem no Jornal Folha de São Paulo sobre a maravilhosa invenção de Mário Alvitti da Empresa Fly Children.

Ana Paula Alvitti, filha do Mario e da Fernanda.

Nas imagens abaixo se encontram os pais de Ana Paula Alvitti, essa garotinha linda das fotos. Ana Paula nasceu em dezembro de 2013 sem qualquer problema de saúde. Aos 8 meses de idade ficou paraplégica. Mário possui formação na área de enfermagem e Fernanda é fisioterapeuta. Decidiram fabricar no Brasil uma cadeira de rodas para casos motores semelhantes ao da Ana Paula.

Fernanda Cristina Teixeira (Mãe) Mario Fernandez Alvitti
Fernanda Cristina Teixeira e Mario Fernandez Alvitti

Silvia Martins, Diretora Geral da Martins & Fernandes conta que o pedido de registro da patente da cadeira infantil da Fly Children para crianças com mobilidade reduzida tem uma importância maior do que apenas assegurar sua marca e imagem. “Eu acompanhei todo o processo de concepção do produto e entendi que era necessário não somente proteger a marca, mas, proteger o produto, o que significa, garantir a segurança das crianças. Ter cópias malfeitas da cadeira por aí, em desconformidade com o projeto original, é colocar a vida das crianças em risco”, explica a empresária.

Cadeira infantil da Fly Children para crianças com mobilidade reduzida.
Cadeira infantil da Fly Children para crianças com mobilidade reduzida.

E para assegurar a proteção do produto e das crianças, foram encaminhados dois pedidos de registro de patente Instituto Nacional da Propriedade Industrial INPI. O primeiro referente ao modelo de utilidade, e o segundo de desenho industrial, o layout da cadeira propicia o conforto, a autonomia e a segurança da criança em seu uso.

Vejam a reportagem do Jornal Folha de São Paulo no site.

Com isso, foi possível formalizar a empresa Fly Children que comercializa as cadeiras por meio de seu e-commerce. Porém, o pai da pequena Ana explica que o objetivo nunca foi gerar negócios com o produto, e sim, atender as necessidades de sua filha, e, posteriormente, de outras crianças. “A venda das cadeiras é necessária para que novas cadeiras sejam produzidas. O investimento é muito alto. Nós fazemos muitas doações, mas algumas precisam ser vendidas para que a produção seja autossustentável”, relata Mario.

Silvia Martins conta que quando o projeto chegou até ela foi impossível não se comover com a história. “Nós registramos marcas e patentes todos os dias, mas nunca um registro foi tão importante para nós como a cadeira da Fly Children. Tenho orgulho de ter contribuído para que esse produto pudesse chegar até famílias que precisam e que possa melhorar a vida de tantas crianças. Já sabíamos da importância do registro de marcas e patentes porque respiramos isso no dia a dia, mas, poder registrar um produto como este realmente nos trouxe uma alegria imensa, e foi por isso que decidimos levar até a Feira do Empreendedor Sebrae-SP 2017 esse case de sucesso”, conta Silvia Martins.

Como adquirir a cadeira da Fly Children e outras informações pelo site: http://www.flychildren.com.br/.

Fonte: Martins & Fernandes

terça-feira, 11 de outubro de 2016

O que é Autismo? Síndrome de Asperger, Angelman, XFrágil, Rett, Hiperlexia e outros? - Parte VI

Síndrome de Rett: O que é, causas, sntomas, pesquisas

O que é a síndrome de Rett?

Resultado de imagem para síndrome de RettA síndrome de Rett é uma doença neurológica que afeta principalmente o sexo feminino (aproximadamente 1 em cada 10.000 a 15.000 meninas nascidas vivas), em todos os grupos étnicos. 

Clinicamente é caracterizada pela perda progressiva das funções neurológicas e motoras após um período de desenvolvimento aparentemente normal, que vai de 6 a 18 meses de idade. Após esta idade, as habilidades adquiridas (como fala, capacidade de andar e uso intencional das mãos) são perdidas gradativamente e surgem as estereotipias manuais (movimentos repetitivos e involuntários das mãos), que é característica marcante da doença.

Parte I - Autismo
Parte II - Síndrome de Angelman
Parte III - Síndrome de Asperger
Parte IV - Síndrome X Frágil
Parte V - Hiperlexia

Histórico

Resultado de imagem para Andreas Rett
Em 1954, o pediatra austríaco Andreas Rett (1924-1997) observou, na sala de espera de seu consultório, duas pacientes sentadas lado a lado, que apresentavam sintomas bem parecidos. Revisando os prontuários de seu consultório, verificou que havia mais seis meninas semelhantes àquelas. Isto despertou nele o interesse em estudar aquela doença neurológica e ele deu início à procura por pacientes que apresentavam sintomas semelhantes.


Em 1966, Dr. Rett publicou os resultados de seu estudo inicial sobre esta "nova" doença e nos anos seguintes novos artigos sobre o assunto. Entretanto, seu trabalho teve pouca repercussão, uma vez que seus artigos foram publicados em revistas científicas em alemão.

Paralelamente, a partir da década de 60, o médico sueco Dr. Bengt Hagberg ( nasc. 1923) iniciou um estudo sobre suas pacientes que apresentavam sintomas semelhantes aos descritos pelo Dr. Rett. Embora seus estudos estivessem sendo realizados de forma independente, estes dois médicos haviam relatado a mesma doença e, em 1983, o Dr. Hagberg publicou o primeiro trabalho científico em inglês sobre esta doença e a chamou de síndrome de Rett. A partir deste momento, a comunidade científica de todo o mundo voltou suas atenções para a síndrome de Rett, na tentativa de determinar sua causa.

Sintomas

O diagnóstico da síndrome de Rett é baseado na avaliação clínica da paciente e deve ser feito por um profissional habilitado para tal, como neurologistas e pediatras.

Este diagnóstico é feito com base nos critérios diagnósticos estabelecidos, que consistem em:

Critérios necessários (presentes em todas as pacientes).
  • desenvolvimento pré-natal (antes do nascimento) e perinatal (pouco tempo depois de nascer) aparentemente normal;
  • desenvolvimento psicomotor normal até os 6 meses de idade;
  • perímetro cefálico (circunferência da cabeça) normal ao nascimento;
  • desaceleração do perímetro cefálico após 6 meses de idade;
  • perda do uso propositado das mãos;
  • movimentos manuais estereotipados (torcer, apertar, agitar, esfregar, bater palmas, "lavar as mãos" ou levá-las à boca);
  • afastamento do convívio social, perda de palavras aprendidas, prejuízos na compreensão, raciocínio e comunicação.

Critérios de suporte (presentes em algumas pacientes).
  • distúrbios respiratórios em vigília (hiperventilação, apneia, expulsão forçada de ar e saliva, aerofagia);
  • bruxismo (ranger os dentes);
  • distúrbios do sono;
  • tônus muscular anormal;
  • distúrbios vasomotores periféricos (pés e mãos frios ou cianóticos);
  • cifose/escoliose progressiva;
  • retardo no crescimento;
  • pés e mãos pequenos e finos.

Critérios de exclusão (ausentes nas pacientes):
  • órgãos aumentados (organomegalia) ou outro sinal de doenças de depósito;
  • retinopatia, atrofia óptica e catarata;
  • evidência de dano cerebral antes ou após o nascimento;
  • presença de doença metabólica ou outra doença neurológica progressiva;
  • doença neurológica resultante de infecção grave ou trauma craniano.
Evolução clínica De acordo com a evolução e sintomas, a síndrome de Rett é classificada em duas formas:
  1. clássica;
  2. atípica.
Na forma clássica, o quadro clínico evolui em quatro estágios definidos: Estágio 1 - de 6 a 18 meses de idade.
  • ocorre desaceleração do perímetro cefálico (reflexo do prejuízo no desenvolvimento do sistema nervoso central);
  • alteração do tônus muscular (às vezes parece "molinha");
  • a criança interage pouco (muitas são descritas como crianças "calmas") e perde o interesse por brinquedos.

Neste estágio, os primeiros sintomas da doença estão surgindo, mas muitas vezes nem são percebidos pelos pais (especialmente se são "marinheiros de primeira viagem") ou pelos médicos (muitos deles desconhecem a síndrome de Rett). Estágio 2 - de 2 a 4 anos de idade.
  • ocorre regressão do desenvolvimento;
  • inicia-se a perda da fala e do uso intencional das mãos, que é substituído pelas esteretipias manuais;
  • ocorrem também distúrbios respiratórios, distúrbios do sono (acordam à noite com ataques de risos ou gritos);
  • manifestações de comportamento autístico.

Estágio 3 - de 4 a 10 anos de idade.
  • a regressão é severa neste estágio e os problemas motores, crises convulsivas e escoliose são sintomas marcantes.
  • há melhora no que diz respeito à interação social e comunicação (o contato visual melhora), elas tornam-se mais tranquilas e as características autísticas diminuem.

Estágio 4 - a partir dos 10 anos de idade.
  • caracterizado pela redução da mobilidade, neste estágio muitas pacientes perdem completamente a capacidade de andar (estágio 4-A), embora algumas nunca tenham adquirido esta habilidade (estágio 4-B);
  • escoliose, rigidez muscular e distúrbios vasomotores periféricos são sintomas marcantes;
  • os movimentos manuais involuntários diminuem em frequência e intensidade;
  • a puberdade ocorre na época esperada na maioria das meninas.
Nas formas atípicas, nem todos os sintomas estão presentes e os estágios clínicos podem surgir em idade bem diferente da esperada.

Algumas doenças neurológicas compartilham sintomas com a síndrome de Rett e isto pode dificultar o diagnóstico clínico especialmente nos primeiros estágios da forma clássica (ou no caso de formas atípicas). Quando os primeiros sintomas da síndrome de Rett estão surgindo, muitas pacientes são diagnosticadas de forma equivocada como autistas, por exemplo. É importante que os profissionais de saúde estejam atualizados e conheçam sobre a síndrome de Rett para que sejam capazes de realizar o diagnóstico diferencial. Uma vez que o diagnóstico precoce facilita o estabelecimento de uma estratégia terapêutica adequada, a INFORMAÇÃO É FUNDAMENTAL.

Embora ainda não tenha sido descoberta a cura da síndrome de Rett, as pacientes que são acompanhadas de forma adequada podem ter uma vida melhor e mais feliz. E TAMBÉM VALE LEMBRAR: a síndrome de Rett não restringe a expectativa de vida das pacientes.

Causa

Como falamos no título "Histórico da síndrome de Rett", após a década de 80 foi iniciada a busca pela causa da síndrome de Rett. Várias hipóteses foram propostas para explicar a doença, mas quando vários casos familiares (dentro da mesma família) foram relatados, ficou claro que a doença tinha uma causa genética.

Na década de 90, os pesquisadores estiveram empenhados em descobrir então qual era o gene (um ou vários?) e, no ano de 1999, a equipe chefiada pela Dra. Huda Zoghbi descobriu que a síndrome de Rett é causada por mutações (alterações) em um gene localizado no cromossomo X. Este gene, chamado MECP2 (do inglês methyl-CpG-binding protein 2) - e que nós pronunciamos "mec-pê-dois" - é um gene muito importante no controle do funcionamento de outros genes, desde o desenvolvimento embrionário. Ele codifica (produz) uma proteína (chamada MeCP2) que controla a expressão de vários genes importantes para o desenvolvimento dos neurônios (ou seja, quando e onde estes genes são expressos) em todos os vertebrados. Fazendo uma analogia e simplificando (bastante), a MeCP2 funciona como um dimmer (aquele botão que regula a intensidade da luz) e então podemos explicar a causa da síndrome de Rett da seguinte forma: nas pacientes afetadas pela síndrome de Rett, a MeCP2 não é capaz de funcionar corretamente e todo o desenvolvimento dos neurônios do embrião fica comprometido.

É importante lembrar que mutações no DNA ocorrem em todas as nossa células, ao longo de nossas vidas, todos os dias, sem que possamos saber ou controlar. Portanto, os pais e mães de pacientes afetadas pela síndrome de Rett, assim como pais de pacientes afetados por qualquer doença de origem genética, JAMAIS DEVEM SE SENTIR CULPADOS.

Uma ponta de grande esperança

Em 23 de fevereiro de 2007 foi publicado um artigo considerado um dos marcos recentes na pesquisa sobre a síndrome de Rett. O artigo relata os resultados da pesquisa chefiada pelo Dr. Adrian Bird, que demonstrou que os sintomas da síndrome de Rett são reversíveis em camundongos. O trabalho consistiu, resumidamente, no uso de uma linhagem de camundongos geneticamente modificada, que teve um trecho de DNA introduzido na região do gene MECP2, o qual teve sua expressão bloqueada, e por consequência os animais apresentavam sintomas da síndrome de Rett. A remoção deste trecho de DNA foi induzida quando os animais receberam injeções de uma droga chamada tamoxifeno e após algumas semanas eles deixaram de apresentar os sintomas.

Estes resultados causaram grande furor entre os pais de pacientes, pois muitos pensaram que havia sido descoberta uma droga para curar a doença. Na verdade, o tamoxifeno fez parte do protocolo experimental do estudo e não é uma cura.

Assim, o que este trabalho evidenciou foi a reversibilidade dos sintomas da doença em modelos animais. Este foi um estudo preliminar e por isso requer aprofundamento. Até chegar às pesquisas com pacientes será uma longa caminhada. Apesar disso, os resultados obtidos pelo grupo de pesquisa indicam que há uma esperança para o desenvolvimento de terapias que possam restabelecer algumas das habilidades das pacientes e, talvez, levar à cura da síndrome de Rett. A seguir, assista a uma reportagem sobre a síndrome.



Fonte: bengalalegal.com/rett

sexta-feira, 12 de agosto de 2016

Cuidados ortopédicos na paralisia cerebral

paralisia cerebral 1

O diagnóstico de paralisia cerebral é muito preocupante para a família. Ao contrário do que muitos pensam, não há completa ausência das funções cerebrais, o cérebro não está paralisado – a nomenclatura que é inadequada.

Trata-se de uma lesão no cérebro imaturo. Geralmente em crianças prematuras, com baixo peso e que ao nascerem (por imaturidade pulmonar) não conseguem oxigenar adequadamente o sistema nervoso central. Frequentemente necessitam de internação prolongada em UTI neonatal.

Na maioria das vezes, as áreas envolvidas são predominantemente motoras, não havendo prejuízo na inteligência. É lógico que existem também aquelas com lesões graves no cérebro que repercute não só no controle dos movimentos, como também nas funções intelectuais. Existem exceções a regra, e nem toda criança prematura ou de baixo peso apresenta comprometimento motor durante o desenvolvimento.

A lesão cerebral é estática (não piora), porém o envolvimento articular tende a piorar se não tratado devido à desproporção no crescimento entre ossos normais e músculos espásticos (situação em que os músculos ficam em constante contração, sem relaxamento adequado, tornando-se mais rígidos), crescendo mais lentamente e gerando deformidades articulares.

O que chama atenção inicial é o atraso no desenvolvimento motor (demora a rolar, não sustenta cabeça, por exemplo), além de ter rigidez nas articulações (músculos espásticos), o que pode ser observado na manipulação diária. Algumas apresentam dificuldade de alimentação, refluxo gástrico, alterações visuais e estrabismo. É neste momento que são encaminhadas para avaliação neurológica e o diagnóstico é estabelecido.

Meu filho é especial? Será que vai andar?

São muitas as expectativas dos pais. Neste momento é fundamental iniciar o tratamento multidisciplinar com fisioterapia (motora, respiratória, terapia ocupacional, fono) junto com a ortopedia pediátrica. Isso deveria ser a rotina, mas na prática o que vemos é que por uma série de dificuldades muitas famílias não conseguem ortopedista pediátrico capacitado para atendimento, acompanhamento, indicação de órteses adequadas, aplicação de Botox – quando indicado, e indicação cirúrgica no momento preciso.

Começam as barreiras


A ausência do ortopedista capacitado sobrecarrega o trabalho do fisioterapeuta que, muitas vezes, tem que fazer seu trabalho brilhantemente e ainda indicar órteses. Além disso, quando precisam de opinião médica capacitada, acabam ouvindo de ortopedistas generalistas, que não estão preparados para esta patologia e não se dedicam ao tratamento exclusivo de crianças. Não sabem fazer exame físico adequado de crianças espásticas e com isso começa o conflito de opiniões: um fala uma coisa e o outro fala o oposto, deixando a família perdida e sem saber em quem confiar.


Cuidados ortopédicos


Desde o início é importante definir para a família o que é espasticidade e falar sobre o prognóstico do desempenho motor, classificar o grau de comprometimento motor.

O envolvimento é do corpo todo? Só um lado do corpo é envolvido? Embora o corpo todo seja envolvido, são os membros inferiores mais graves do que os superiores?

Avaliar o estágio do desenvolvimento motor e acompanhar a cada consulta. Monitorar o posicionamento das articulações, em especial quadris, pés e coluna vertebral, com exame físico e de imagem.


A cada consulta deve ser monitorado o grau de movimento das articulações, dando especial atenção aos quadris que pelo desequilíbrio dos músculos tendem ao deslocamento. Suspeitamos inicialmente pela limitação nos movimentos, algumas vezes dificultando a abertura das pernas para troca de fraldas. Joelhos que não esticam completamente, e pés que ficam fixos para baixo (na ponta), também são motivos de tratamento.

Naquelas que já iniciaram a marcha, as alterações serão analisadas, algumas vezes necessitando de exame conhecido como laboratório da marcha, onde através de gravação em imagem da criança caminhando podemos definir os problemas e oferecer o melhor tratamento.


Promover proteção articular necessária com prescrição de orteses adequadas. Indicar Botox para controle e relaxamento dos músculos mais envolvidos com protocolo de revisão semestral. Promover correção cirúrgica de deformidades em idades adequadas.


Para o pleno desenvolvimento motor, as crianças espásticas deverão ser submetidas a cirurgias ortopédicas em idades apropriadas. As correções de deformidades em quadris, joelhos e pés, muitas vezes com cirurgias combinadas onde alongamentos tendinosos e cirurgias ósseas são feitas no mesmo momento, são capazes de mudar a historia natural, fazendo com que as crianças caminhem melhor e maiores distâncias, tendo maior independência.

Cuidados com as "armadilhas"


O acompanhamento ortopédico é pontual. Deve iniciar logo que feito o diagnóstico e continuar regularmente a intervalos predeterminados. São os ortopedistas pediátricos que indicam as órteses adequadas, monitoram o posicionamento das articulações, indicam o momento para aplicação de Botox (para relaxamento dos músculos espásticos), assim prevenindo deformidades articulares e indicam os melhores momentos para a realização da cirurgia. O trabalho do fisioterapeuta é contínuo. A integração desses profissionais, “falando a mesma língua” é que leva ao bom tratamento.

Exijam isso dos profissionais, não sejam os intermediadores de opiniões, façam com que um profissional converse diretamente com o outro, isso vai determinar o melhor tratamento.

Não se contentem com os profissionais que definem a criança como cadeirante, sem prognóstico de marcha e que optam por não oferecer nenhum tratamento, sendo negligentes e permitindo que as deformidades piorem cada vez mais, fazendo com que a qualidade de vida da criança e da família seja afetada.

Importante


Sempre invistam em seus filhos, as maiores dificuldades serão superadas. É muito gratificante para as famílias verem seus filhos se desenvolvendo, mesmo com algum atraso. Cada ganho, por menor que seja, é importante.

É recompensador poder ajudar e participar do trabalho para torná-los independentes para locomoção, comunicação e socialização. Melhorando a qualidade de vida dos nossos pequenos e dando-os independência.

Portanto papais e mamães, não esqueçam: tenham total confiança em seus fisioterapeutas, eles são fundamentais. Mas tenham também ortopedista capacitado para o tratamento. Permitam que os profissionais se comuniquem, tirem suas dúvidas, percebam se as atitudes médicas estão sendo coerentes. No final a beneficiada será a criança que tanto queremos ajudar.

Dr. Maurício Rangel — Ortopedista Pediátrico
criancaesaude.com.br

quinta-feira, 19 de maio de 2016

O que é Autismo? Síndrome de Asperger, Angelman, XFrágil, Rett, Hiperlexia e outros? - Parte II

Síndrome de Angelman: Um Caso Raro e de Difícil Tratamento

A Síndrome de Angelman ocorre a cada 15.000 nascimentos e conta com poucos recursos de tratamento no Brasil. Foi reconhecida em 1965 pelo médico inglês Dr. Harry Angelman, como um dano no cromossomo 15 herdado da mãe. Trata-se, portanto, de uma deficiência genética, sendo que em uma pequena parcela dos casos pode acontecer mais de uma vez na mesma família. O Dr. Angelman identificou, na época, três crianças com características comuns, tais como rigidez, dificuldades para andar, ausência de fala, riso excessivo e crises convulsivas.

Parte I

Incidências no Brasil e no mundo
A incidência exata é desconhecida e no Brasil pouco se conhece deste tema, embora recentemente já exista um site na Internet da Associação de Pais de portadores da síndrome de Angelman, a ASA (www.angelman.org.br Site Externo. ). O site possui dois depoimentos de mães de crianças com a síndrome, com a descrição das dificuldades que sofreram para diagnosticar e tratar seus filhos. Além disso, a página conta com endereços úteis e uma série de outras informações a respeito da Síndrome.


No Hospital de Clínicas de São Paulo, no ambulatório de genética, existem alguns casos catalogados. Nos Estados Unidos e no Canadá também existe uma Fundação, a Angelman Syndrome Foundation. Nesta fundação americana existem cerca de 1000 indivíduos com a síndrome catalogados. Sabe-se também que ao redor de todo o mundo existem casos diagnosticados da Síndrome de Angelman em diversas raças. Estima-se que ocorra um caso a cada 15 ou 30 mil nascimentos.

Diagnóstico
Normalmente a Síndrome não é facilmente diagnosticada pelo pediatra clínico em função da sua baixa incidência. Suspeitando de algum transtorno genético, os pacientes costumam ser encaminhados para os setores de neurologia e genética dos grandes hospitais, como Clínicas ou a Escola Paulista de Medicina, em São Paulo. O diagnóstico é então confirmado por testes de DNA e estudo do cariótipo. "Quem faz este diagnóstico é o Serviço de Aconselhamento Genético do Departamento de Biologia do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo" explica a Professora e Dra. Célia P. Koiffmann, do Instituto de Biociências. O Laboratório Fleury também encaminha o sangue para diagnóstico, que é feito então nos Estados Unidos*.

A Síndrome de Angelman é bastante difícil de ser reconhecida no recém-nascido ou na infância, uma vez que os problemas de desenvolvimento são inespecíficos neste período. Conhecendo-se as características da Síndrome, no entanto, é possível, mesmo para os pais, reconhecer uma criança com a deficiência entre três e sete anos, quando os sintomas se fazem mais evidentes, embora já seja possível observar algum atraso no desenvolvimento a partir de 6 ou 12 meses de idade. De maneira geral, a gravidez de uma criança com a Síndrome de Angelman é normal.

Sintomas Clínicos
Entre os sintomas clínicos consistentes, isto é, que estão presentes em 100% dos casos, levantados no documento "Síndrome de Angelman: Consenso por um critério diagnóstico", da American Journal of Medical Genetics, publicado em 1995, constam, entre outros: o atraso do desenvolvimento funcionalmente severo; a incapacidade de falar com nenhum, ou quase nenhum, uso de palavras, identificando-se uma maior capacidade de compreensão do que de expressão verbal. São observados problemas de movimento e equilíbrio, com incapacidade de coordenação dos movimentos musculares voluntários ao andar e/ou movimento trêmulo dos membros. É frequente qualquer combinação de riso e sorriso, com uma aparência feliz (embora este sorriso permanente seja apenas uma expressão motora e não uma forma de comunicação, explica o Dr. Paulo Plaggerp, pediatra do Ambulatório de Genética do Hospital de Clínicas), associada a uma personalidade facilmente excitável, com movimentos aleatórios das mãos, hipermotrocidade e incapacidade de manter a atenção.

Em mais de 80% dos casos é observado o atraso no crescimento do perímetro cefálico, normalmente produzindo microcefalia (absoluta ou relativa) em torno dos dois anos de idade. Crises convulsivas antes dos três anos de idade também são comuns. Nesta proporção, de 80% de incidência, observa-se eletroencefalograma anormal, com ondas de grande amplitude e picos lentos. Em menos de 80% dos casos, verificam-se outros sintomas associados, tais como estrabismo, hipopigmentação da pele e dos olhos, hipersensibilidade ao calor, mandíbula e língua proeminentes, problemas para succionar, baba frequente, língua para fora da boca, boca grande, dentes espaçados, atração pela água, comportamento excessivo de mastigação, hiperatividade dos movimentos reflexos nos tendões, problemas para dormir e com a alimentação durante a infância, braços levantados e flexionados ao caminhar, define a Professora e Dra. Célia.

De acordo com o Dr. Paulo Plaggerp, do Ambulatório de Genética do Hospital de Clínicas de São Paulo, não há tratamento disponível para a Síndrome de Angelman. É possível apenas dar tratamento de suporte, ou psicossomático, procurando amenizar os sintomas e melhorar a qualidade de vida dos que possuem a síndrome.

Convulsões
Mais de 90% dos casos reportaram ter convulsões, mas esta pode ser uma super estimativa porque os informes médicos tendem a estudar os casos mais severos. As convulsões podem ser de qualquer tipo e requererem medicamentos anticonvulsivos.

Caminhada e problemas de movimentos
Movimentos do tronco e membros são descritos nos primeiros anos e movimentos nervosos ou tremores podem estar presentes nos primeiros seis meses de vida. A conseqüência é que etapas normais da motricidade grossa ficam atrasadas; normalmente se sentam depois dos doze meses e não andam até os três ou quatro anos.

As crianças mais seriamente afetadas podem ser rígidas, como um robô, e inseguras para caminhar; aproximadamente 10% não chegam a andar.

Hiperatividade
A hiperatividade é provavelmente a conduta mais típica das pessoas com Síndrome de Angelman. Todas as crianças apresentam algum componente, afetando igualmente ambos os sexos. Em casos extremos o movimento constante pode causar acidentes ou contusões. Condutas como agarrar, beliscar e morder crianças maiores também ocorrem pela atividade hipermotora. Terapias persistentes e consistentes de mudança de conduta ajudam a diminuir ou eliminar as condutas socialmente não desejadas.

Riso e felicidade
Não se sabe por que o riso é tão freqüente nos portadores da Síndrome. Estudos do cérebro não tem mostrado nenhum defeito que leve a pensar num campo anormal para o riso. O riso parece ser, fundamentalmente, uma manifestação de expressão motora, e não uma expressão de sentimentos ou uma forma de comunicação, como já explicado. A maioria de reações aos estímulos físicos e mentais se acompanha de riso. Ainda que as crianças experimentem uma variedade de emoções, aparentemente predomina a felicidade.


Fala e linguagem
Alguns dos que possuem a síndrome parecem ter bastante compreensão, levando a crer que seriam capazes de falar. Porém, mesmo nos de mais alto nível de desenvolvimento, a linguagem não se desenvolve. Em geral, relata-se que alguns indivíduos chegam a falar de uma a três palavras. Em um estudo de 47 indivíduos, computou-se que 39% falavam até quatro palavras. Os que apresentam capacidades verbais mais altas, chegam a usar de 10-20 palavras. A capacidade de linguagem não verbal varia muito, sendo que os mais desenvolvidos são capazes de aprender alguns sinais e usá-los como ajuda de expressão, juntamente com outros meios de comunicação baseados em imagens, como murais e lousas.

Atraso mental e desenvolvimento
A comprovação de que o desenvolvimento está comprometido verifica-se pela falta de atenção, hiperatividade, falta de linguagem verbal e controle motor. Sabe-se que as capacidades cognitivas nas pessoas com a síndrome são mais altas que as indicadas pelos testes de desenvolvimento. O que torna isto evidente é a área que diferencia a linguagem compreensiva da linguagem falada. Diante disso, as crianças com a Síndrome diferenciam-se de outros quadros de atraso mental severo e os jovens adultos são, normalmente, socialmente adaptados e respondem à maioria dos sinais pessoais e interações. Eles participam de atividades de grupo, afazeres domésticos e nas atividades e responsabilidades do convívio diário, embora nunca se tornem independentes. Como os outros, eles desfrutam da maioria das atividades recreativas como a televisão, esportes, etc. É preciso ressaltar, no entanto, que este nível de interação também depende do nível de dano causado pela síndrome.

Hipopigmentação
Por vezes, ocorre hipopigmentação da pele e dos olhos. Em alguns casos, tamanha a força desse fenômeno, pode-se confundi-lo com alguma manifestação de albinismo; há hipersensibilidade aos raios solares, o que requer o uso de protetores potentes.

Estrabismo e albinismo ocular
Estudos de pacientes com Síndrome de Angelman demonstram que a incidência de estrabismo se dá em 30-60% dos casos. Este problema parece ser mais comum em crianças com hipopigmentação ocular, dado que o pigmento na retina é crucial para o desenvolvimento normal das ramificações do nervo óptico.

Transtornos do sono
A diminuição da necessidade de dormir e ciclos anormais de sono/vigília é característica das pessoas com a Síndrome. O uso de sedativos pode ser útil, caso a vigília esteja interferindo demais na vida dos membros da família.

Adolescência
Durante a adolescência, a puberdade pode estar atrasada de um a três anos, mas a maturação sexual ocorre normalmente. A saúde física parece ser notavelmente boa. A expectativa de vida não parece ser muito menor, tem-se notícia de pessoas na faixa dos 60 anos e muitas com mais de quatro décadas de vida.

Encaminhamento
Sem dúvida, com uma intervenção intensa nos seus perfis de conduta e estimulação, a criança começa a superar os problemas mais graves e os progressos no desenvolvimento passam a ser visíveis.

As crianças com pouca estabilidade em andar podem obter benefícios em fisioterapia. A terapia ocupacional pode ajudar a melhorar a motricidade fina e controlar a conduta motoro-bucal. Terapias de comunicação e fonoaudiologia são essenciais. Técnicas de modificação de conduta, tanto em casa, quanto no colégio, podem permitir que a criança possa desenvolver, ela mesma, a capacidade de realizar a maioria das tarefas relacionadas com o comer, o vestir e atividades de casa.

terça-feira, 1 de março de 2016

Como identificar dificuldades com a coordenação motora?

São cada vez mais comuns na clínica terapêutica ocupacional, queixas relacionadas à coordenação motora. A escola tem sido importante parceira na detecção destes problemas, que também aparecem no consultório da pediatria e neuropediatria. Mas como identificar uma criança com problema de coordenação motora?

Inicialmente, devemos esclarecer o que significa a dificuldade na coordenação motora, que pode ser entendida como um prejuízo acentuado do desenvolvimento da coordenação dos movimentos do corpo, com desempenho significativamente abaixo do esperado para a idade cronológica e nível cognitivo da criança, nas atividades diárias que requerem coordenação motora.

Atualmente, o termo diagnóstico é definido como Transtorno do Desenvolvimento da Coordenação (Developmental Coordination Disorder – DCD)  ou TDC.

O diagnóstico de TDC se aplica aos casos em que, na ausência de outros distúrbios físico/neurológicos conhecidos, existe déficit na coordenação motora, em relação à faixa etária. Os sinais geralmente associados à TDC são: desajeitamento e inconsistência no desempenho de tarefas e  coordenação motora pobre. A criança pode demonstrar dificuldade nas tarefas de auto-cuidado, como vestir e usar utensílios, nas atividades acadêmicas, como a escrita e o traçado, e nas atividades de lazer, com pobre desempenho em esportes, no uso de equipamentos de parques e brinquedos infantis, além de problema nas interações sociais.

Diversas condições de saúde podem evoluir com déficit na coordenação motora grossa, como pular, correr, chutar, e fina, relacionada aos movimentos das mãos e dedos, como na escrita, preensão de objetos, dentre outros.


Diante do exposto e da atual demanda nos consultórios de terapia ocupacional, algumas atividades simples podem ser desenvolvidas em casa, para estimulação das habilidades motoras.

Para as habilidades motoras grossas, as brincadeiras de pique-esconde, correr, pular corda, amarelinha, pula-pula, jogar bola, são sempre boas opções.

Quanto às habilidades motoras finas, podem ser desenvolvidas em casa, brincadeiras com massinha, confecção de colares e pulseiras com macarrão ou miçangas, montar varal com desenhos usando pregadores de roupas e atividades com tesoura, que pode ser usada com papéis de diferentes gramaturas, com alternância dos trajetos do recorte.
  

Fonte: Tudo Bem Ser Diferente

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

10 direitos da criança com deficiência na escola

Com a volta às aulas, a continuidade da vida escolar das crianças com deficiência muitas vezes se torna uma dor de cabeça. Por isso, a equipe do Movimento Down resolveu separar 10 direitos relacionados à educação da pessoa com deficiência que nem sempre são cumpridos, assim como três sugestões para lidar com eventuais problemas.

Várias garotas aparecem na imagem. Elas estão em fila, usam o uniforme da escola e fazem pose para a foto. Quase todas as meninas não têm deficiência, apenas uma tem síndrome de Down, mostrando que ela tem os mesmos direitos à educação que as demais.
Várias garotas aparecem na imagem. Elas estão em fila, usam o uniforme da escola e fazem pose para a foto. Quase todas as meninas não têm deficiência, apenas uma tem síndrome de Down, mostrando que ela tem os mesmos direitos à educação que as demais.

1) Negar matrícula em escolas públicas ou particulares é crime, assim como cobrar taxas extras dos pais por conta de falta de estrutura ou profissional de apoio pedagógico;

2) Matrícula em classes de ensino regular com todo o apoio necessário;

3) Professores preparados para receber as crianças e incluí-las;

4) Materiais didáticos acessíveis;

5) Transporte acessível;

6) AEE (Atendimento Educacional Especializado) para complementar o ensino regular, no turno contrário ao que a criança está matriculada. Exemplo: se a criança estudar de manhã, o AEE será de tarde;

7) Acesso ao mesmo material que as outras crianças usam;

8) Vários instrumentos de avaliação, já que a avaliação escrita tradicional não é suficiente para medir o desenvolvimento de todos os alunos;

9) Participação das atividades na escola;

10) A nova lei da inclusão menciona ser obrigatória a formação e a disponibilização dos professores para o atendimento educacional especializado, assim como de profissionais de apoio*. Essas são:

X – adoção de práticas pedagógicas inclusivas pelos programas de formação inicial e continuada de professores e oferta de formação continuada para o atendimento educacional especializado;

XI – formação e disponibilização de professores para o atendimento educacional especializado, de tradutores e intérpretes de Libras, de guias intérpretes e de profissionais de apoio;

Três dicas para caso de dificuldades com a aplicação da Lei

– O melhor caminho sempre é o diálogo. Busque informar a direção da escola e apresentar a Lei Brasileira de Inclusão;

– Caso a escola se recuse a alterar sua postura, busque apoio de um advogado devidamente inscrito na OAB, ou se for o caso à Defensoria Pública, para que apresente um Termo de Ajuste de Conduta à escola;

– Se a decisão da escola permanecer inalterada, denuncie ao Ministério Público de sua cidade ou Disque 100 – Direitos Humanos.

* No Art. 28º, em seus incisos X e XI

Fonte: Movimento Down

quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

Cuidar de uma criança especial é um grande aprendizado”, afirma a modelo e mãe Izabella Fiorentino

Com objetivo de promover troca de experiência entre diferentes mães, a revista Claudia Filhos e o portal Bebe.com.br realizaram em Campinas (SP), o evento “Histórias de Mães”. Conduzido pela jornalista Maria Flor Calil e com a participação da pediatra Ana Paula Moschione, Isabella Fiorentino, apresentadora do programa Esquadrão da Moda e mãe de trigêmeos prematuros extremos contou sua experiência como mãe de uma criança com dificuldades motoras.

Segundo Isabella, em razão de uma hemorragia cerebral ainda na UTI neonatal, seu filho Lorenzo hoje tem dificuldades motoras. E, para ela, cada dia é uma vitória! Com pensamento positivo, a apresentadora diz que só olha para o que o filho tem de bom e o que ele ainda não faz, um dia vai conseguir fazer! “Quem olha de fora pode ficar com pena. Mas meu foco não é o que o Lorenzo não faz. É o que ele consegue fazer. Cada conquista é uma vitória. E eu ganho uma Copa do Mundo por dia”, ela afirmou.


Confira abaixo o depoimento completo da apresentadora:

“Sou modelo desde os 13 anos e apresentadora do Esquadrão da Moda, no SBT, desde 2009. Olhando assim, de fora, ou naquelas fotos das revistas, a impressão é a de que eu alcancei um grande sonho. O que não deixa de ser verdade. Mas o que as pessoas talvez não saibam é que ser mãe sempre foi, pra mim, o sonho e a realização mais importantes. Então eu posso dizer que, hoje, sou muito realizada, porque tive trigêmeos univitelinos, gerados da forma mais natural possível – e por causa disso, a gestação também acabou ficando famosa.

Para vocês entenderem como o pensamento positivo realmente funciona: antes ser modelo, eu fechava os olhos (sonhando) e me imaginava casada e tendo filhos. E nestes meus devaneios, a gravidez não era qualquer uma não. Eu ia ter um barrigão de gêmeos! O que eu não podia imaginar era que meu sonho se tornaria tão real. Já estava casada há três anos, quando descobri que estava grávida. Assim que saiu o resultado do exame, corri para fazer logo o primeiro ultrassom. Então, lá na maca, o médico que fazia sorriu e me disse: ‘Isabella, parabéns, você tá grávida de gêmeos’. O relógio parou, uma música imaginária começou a tocar no consultório, eu e meu marido nos olhamos emocionados, uma lágrima ia escorr… O médico interrompeu meio assustado: ‘Peraí, Isabella’. A nossa emoção virou tensão e a lágrima nem caiu. ‘Que foi, doutor, é um só?’. ‘Não. São três’, ele respondeu. ‘Trigêmeos univitelinos. Você vai ter 3 meninos, ou 3 meninas, idênticos, com o mesmo DNA.’ Todo aquele cenário romântico saiu de cena imediatamente . Nem deu tempo de pensar ou sentir direito. Porque sonhar com gêmeos vestidos com a mesma roupa brincando na grama é uma coisa, mas gestar três bebês… O próprio obstetra foi o primeiro a alertar: ‘melhor não contar pra ninguém ainda porque você tem apenas uma placenta. Existe o risco de você perder um, dois ou mesmo os três bebês.’ Ninguém sai de casa, grávida, plena, ansiosa pelo primeiro ultrassom, pra ouvir isso.

Acho que esse foi o primeiro baque dos muitos que eu ainda iria enfrentar. Mas, apesar do susto, eu nunca sequer considerei que algo pudesse dar errado. A mente positiva, aquela mesma mente que imaginava as coisas dando supercerto desde menina, me dizia pra ir em frente, acreditando no melhor cenário. Foi o que eu fiz e é o que eu faço, todos os dias. Eu nunca tive medo. Meu médico disse que só tinha visto esse tipo de gestação na literatura. E que, provavelmente, morreria sem ver um novo caso do tipo. Simplesmente porque não é possível gerar em laboratório trigêmeos univitelíneos Essa gravidez rara e delicada me pediu o maior cuidado possível. E foi o que fiz. Enquanto todas as gestantes têm acompanhamento mensal, por exemplo, eu fazia ultrassonografias semanais. A partir da décima segunda semana, fiquei em repouso absoluto. A barriga cresceu e eu não conseguia respirar. Nenhuma grávida consegue respirar direito e todas sentem dores, mas eu chuto, assim por cima, que eu tinha três vezes mais dificuldade.

Até que o dia do nascimento chegou! Sabe aquele momento esperado do parto? Pra mim, foi tensão pura. Passei por uma cesárea, o tempo todo com aquele pano na minha frente e meu marido segurando a minha mão do lado. Não vi nenhum deles. E eu só perguntava: amor, eles são pequenininhos? ‘Muuuito pequenininhos’, ele respondia. Nicholas, o terceiro, pesava menos de um quilo. Juntos, os três alcançavam apenas 3 quilos. Eram prematuros extremos. Só pude ver meus filhos um dia depois do parto, de cadeira de rodas. Eles choravam tanto! Eu pensava: ‘não, eles tinham que estar quentinhos, tranquilos, sem serem incomodados. Eles foram arrancados da barriga! Eles deveriam ficar mais três meses. E o que eu fiz com tudo aquilo?’

Isabella e Lorenzo
Cheguei à conclusão, em poucos dias, de que tinha mais é que agradecer por eles estarem vivos e bem, num hospital bom. Porque, senão, não sei como teria sido. Essa orientação positiva me ajudou muito a enfrentar o que viria a seguir: no quarto dia, o Lorenzo teve uma hemorragia cerebral, o que realmente pode acontecer com prematuros. Ele só tinha 4 dias. E o médico explicou, que ele tinha risco de morte. Ou poderia ter sequelas gravíssimas. Ou então poderia sair dessa sem nenhuma sequela. Eu, óbvio, foquei no ‘nenhuma sequela’.

Não foram poucos os sustos nesses dias de UTI. Mas também houve momentos emocionantes, como a primeira vez que eu peguei os meninos no colo. Eles já tinham mais de 15 dias. E não é que eu simplesmente peguei: eles eram colocados em mim. E eram tão pequenos que dava pra colocar dentro do top; ficava só a cabecinha do bebê pra fora, e ainda plugado no oxigênio. Mas, ah, foi uma delícia… Primeiro o Bernardo, depois do Nicholas, depois o Lorenzo. A rotina durante esses três meses em que eles ficaram lá, era essa: eu chegava às 7 da manhã e ficava até as 10 da noite. Na UTI, tinha meu cantinho, onde ficavam as três incubadoras e a minha poltrona. Transformei o que podia ser um fase triste em dias muito alegres. Fiz até amigas por lá!

Qunado, finalmente, CHEGOU O GRANDE DIA DE ir pra casa… O dia mais esperado para toda mãe de prematuro… Primeiro o Nicholas, depois de uma semana o Lorenzo e mais uma outra semana inteira para o Bernardo. Uma logística maluca! Vocês podem imaginar o que foi essa loucura de idas e vindas entre casa e hospital? No dia que o Bernardo finalmente teve alta, foi o dia mais esperado. Eu finalmente estava em casa com meus 3 bebes, o quartinho deles estava completo, cada um no seu bercinho, aquela paz tão esperada, sem o barulho insuportável da UTI! Foi realmente muito emocionante!


Com o passar do tempo, a gente notou que o Lorenzo apresentava alguns atrasos, em decorrência da hemorragia que ele teve. Ele é uma criança quem tem dificuldades motoras, mas a parte cognitiva não foi afetada. Atualmente ele esta se desenvolvendo muito bem e no tempo dele. Inclusive já esta dando os primeiros passos com a ajuda de um andador. Uma vitória para nós! Cuidar de uma criança com necessidades especiais é um grande aprendizado. A gente se preocupa em estimular as conquistas dela com fisioterapia, terapia ocupacional, hidroterapia, equoterapia….Mas, é preciso se conter na vontade de ajudá-lo a fazer tudo imediatamente. Deixar ele se virar um pouco, sabe? E dar bronca e deixar de castigo, se preciso. Não é tão fácil assim…

Um dia, vendo os três brincando na praia, cada um com suas diferenças, o Bernardo e o Nicholas estavam correndo na areia, e o Lorenzo brincando sentadinho. Talvez alguém de fora poderia pensar : ‘poxa, ele ainda não corre como seus irmãos’. Mas pra mim o pensamento é:’ que maravilha que ele está se divertindo, brincando na areia, o que é um grande estimulo para ele usar as duas mãozinhas!’ Ou seja, meu foco não é no que o Lorenzo ainda não faz, mas sim nas suas grandes conquistas.

Conto essa história pra dizer que, sim: é uma batalha diária. Mas, eu faço questão de tomar as rédeas e transformar o cenário em algo positivo, animador. Isso foi um grande aprendizado, e foi essencial para lidar com todos os momentos de tensão e dor pelos quais eu, como mãe, passei desde a gestação. Aliás, é impossível não aprender alguma coisa com uma experiência intensa como essa. O amor, claro, que inunda a gente. Deixar de pensar em mim em primeiro lugar. Cuidar de uma criança com necessidades especiais. E eu, como mãe, percebi que temos de ser muito criativas e pacientes… Ao mesmo tempo, temos de nutrir o lado emocional das crianças, admitindo que raiva, medo e tristeza existem, mas que a gente tem que ensiná-los a administrar estes sentimentos e não simplesmente dizer que isto é certo ou errado.

Quando olho pra esses exatos 4 anos atrás, me vêm só as coisas boas, acreditam? Inclusive o período que eles passaram na UTI. E, quer saber? Eu fui muito feliz lá. É essa mensagem que eu quero deixar pra vocês: de positividade. Tudo passa! Então eu gostaria de fazer um convite: vamos deixar de focar apenas nas coisas ruins e passar a também a agradecer as coisas boas que a vida nos proporciona?”


Fonte: M de Mulher