domingo, 20 de agosto de 2017

Conheça expressões não adequadas para tratar das pessoas com deficiência

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A diversidade humana em seus vários aspectos tem sido pautada em veículos de comunicação dos mais variados. Nas mídias sociais, na impressa, no rádio, na TV,  o que se percebe é uma mobilização  para estabelecer termos, normas e expressões linguísticas que possam designar pessoas com suas respectivas deficiências, sem com isso, embutir termos ou expressões discriminatórias ao se referir a elas.

Ao se reportar às pessoas com limitações física, intelectual, auditiva, visual ou sensorial , é necessário utilizar termos adequados e atuais, para não corrermos o risco  da escolha de  expressões que inconscientemente possam denotar algum tipo de discriminação por meio de termos que já estão em desuso.

Até a década de 80, quando se falava dessas diferenças físicas, se utilizava os termos: aleijado, incapacitado, inválido. Desde o Ano internacional da Pessoa com Deficiência, em 1981, passamos a adotar a expressão “Pessoa deficiente”, enfatizado com isso a pessoa com uma limitação. Passou-se então para a expressão: “pessoa portadora de deficiência”, que logo caiu em desuso, por se entender que só se porta aquilo que se pode deixar de portar, fato que não ocorre com uma deficiência. Na década de 90, a expressão: “pessoa com deficiência” foi a estabelecida como mais adequada e permanece até hoje.

Formas pejorativas para falar como: ceguinho, surdinho, surdo mudo, deficiente mental leve, moderado ou severo, criança excepcional para designar uma Síndrome de Down, doente mental, vítima de paralisia infantil, vítima de pólio, ele sofre de paraplegia, doente de lepra, pessoa deficiente, são termos que embutem sentido discriminatório, tornam a pessoa com deficiência uma vítima ou transformam a deficiência em doença.

Não que os termos cego, surdo, deficiente intelectual, sejam considerados discriminatórios, pois eles ainda continuam sendo usados para se referir a estas pessoas, que somam cerca de 45 milhões de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O correto é dizer: pessoa cega ou pessoa com deficiência visual; pessoa surda ou pessoa com deficiência auditiva, pessoa com deficiência mental; pessoa com deficiência física; pessoa com hanseníase. A Lei Federal nº 9.010 de 23/03/1995, proíbe a utilização do termo lepra e derivados.

Anormal, mongoloide, menos inteligente ou pessoa normal, não distingue limitações de qualquer natureza, deixam o cidadão confuso, além de apresentarem duplo sentido em certas particularidades. Ao se referir a uma pessoa que não possui limitação física de qualquer natureza, deve-se dizer: criança sem deficiência e não criança normal, pois assim sendo, deixar subtender que a criança com deficiência é anormal.

Ao se referir às pessoas com epilepsia, devemos evitar o termo: o epilético, pois isso faz a pessoa inteira parecer deficiente. O correto é dizer: a pessoa que tem epilepsia ou a pessoa com epilepsia. O paralisado cerebral, nunca deve ser usado, mas sim: a pessoa com paralisia cerebral. Prefira sempre destacar a pessoa. Para se referir a uma pessoa em cadeira de rodas, evitar o termo: confinada, presa em cadeira de rodas e sim: pessoas que andam, usam cadeira de rodas.

Diante de uma massa de pessoas com deficiência cada vez mais presente na sociedade, consumidores de comunicação que buscam informações através das mídias sociais e outros meios, na era da informação instantânea e do conhecimento sempre disponível, não podemos deixar de atualizar os termos que são usados para designar pessoas com alguma deficiência, quando precisamos nos referir, escrever, comentar ou citar algo referente a 45 milhões de pessoas.

Matéria extraída do G1

quinta-feira, 17 de agosto de 2017

Tomada de decisões compartilhadas com famílias de crianças com deficiência

Matéria extraída do Blog Saúde Infantil

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Famílias de crianças com deficiência enfrentam muitas decisões sobre tratamento médico. A natureza e a complexidade dessas decisões podem variar amplamente e podem envolver diagnóstico, avaliação, tratamento, gerenciamento de cuidados e serviços de suporte. Discutir e chegar a um consenso sobre essas decisões pode ser estressante para a criança, a família e os clínicos envolvidos e é importante que as vozes de todas as partes interessadas sejam ouvidas. Muitas vezes, na discussão dos planos de tratamento, existem lacunas entre os valores da família, as prioridades e a compreensão das “melhores escolhas” percebidas e das do clínico.

Para ajudar a orientar os clínicos a abordar exitosamente essas discussões, a Academia Americana de Pediatria emitiu um novo relatório clínico, ” Tomada de decisão compartilhada e crianças com deficiência: caminhos para o consenso “, publicado na revista Pediatrics de junho de 2017.

As principais características da tomada de decisão compartilhada incluem a garantia de que a informação seja trocada em ambas as direções, de que todas as partes estão conscientes das opções de tratamento e que todos trazem suas prioridades relacionadas ao conhecimento e aos valores igualmente no processo de tomada de decisão.

Os autores observam que é melhor começar cedo com o desenvolvimento de consensos sobre decisões de rotina, de modo que, no caso de precisar tomar decisões mais importantes, já foi estabelecida uma estrutura. Eles também observam que é importante incluir as crianças nessas discussões e fornecer-lhes informações (com base na idade do desenvolvimento) sobre sua condição. Isso pode ajudá-los a entender suas condições e opções de tratamento, reduzir o medo, aumentar a autoconfiança, bem como a aceitação e melhorar a colaboração com as decisões de tratamento.

Autor: Dr. José Luiz Setúbal
Fonte: Pediatrics – June 2017, VOLUME 139 / ISSUE 6
From the American Academy of Pediatrics
Clinical Report: Shared Decision-Making and Children With Disabilities: Pathways to Consensus
Richard C. Adams, Susan E. Levy,
COUNCIL ON CHILDREN WITH DISABILITIES

sexta-feira, 11 de agosto de 2017

Como algumas crianças autistas conseguem escrever mas não falar?

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A pergunta do colega:
Como você pode escrever tudo isso, mas não pode lê-lo em voz alta ou conversar?

Resposta de Philip:
Falar não é o mesmo que pensar. Eu sou capaz de escrever os meus pensamentos, porque é muito mais fácil apontar para eu fazer do que falar. Você consegue falar sem precisar pensar muito. Parece tão fácil para você. Eu acho que falar é tão difícil. É uma grande luta para mover meus lábios e língua para fazer as palavras que eu quero dizer, sairem. Eu quero ser capaz de dizer o que penso, mas o que sai são geralmente palavras “Stim” como “potty” ou pedidos de alimentos. Estas palavras faladas me colocam em um lugar que as pessoas pensam que eu só sou capaz de pensamento simples. Nenhuma vida é completa sem pensamentos das pessoas, sentimentos e amor. As pessoas muitas vezes pensam que os autistas são incapazes de relacionamentos, amor e empatia. O que está muito longe da verdade. Pessoas como eu também querem amigos. Mas eu não sou capaz de juntar-se facilmente porque eu não posso falar. Eu gostaria de poder. A língua é um problema para mim. É por isso que eu posso escrever bem. As pessoas precisam saber que o autismo é bem difícil de se conviver. Ele me separa dos outros, fazendo minha comunicação difícil. Mas se você puder ser paciente comigo e me colocar em suas vidas, eu posso ser feliz vivendo com autismo. As pessoas fazem a minha vida significativa.”

Original

Classmate’s question: How can you write all of that down, but can’t read it out loud or talk?

From Philip:
Talking is not the same as thinking. I am able to write my thoughts because pointing is much easier for me to do than talking. You can talk without thinking very hard. It seems so easy for you. I think talking is so hard. It is a major struggle to move my lips and tongue to make the words I want to say come out. I want to be able to say what I think but what come out are usually stim words like “potty” or requests for food. These put me in a place of people thinking I am only capable of simple thought. No life is complete without thoughts of people, feelings, and love. People often think autistics are incapable of relationships, love, and empathy. That is furthest from the truth. People like me also want friends. But I am not able to join in easily because I can’t talk. I wish I could. Language is no problem for me. That’s why I can write well. People need to know that autism is pretty hard to live with. It separates me from others by making my communication difficult. But if you can be patient with me and put me in your lives, I can be happy living with autism. People make my life meaningful.

Fonte: http://faithhopeloveautism.blogspot.com.br/2015/06/why-i-can-type-but-not-talk.html
Matéria extraída de A Criança e a Infância

terça-feira, 8 de agosto de 2017

Mãe de bebê com síndrome de Down registra queixa após ofensas na web: ‘dói muito'


Acostumada a contar a rotina do filho, o pequeno Luiz Henrique, de um ano e 11 meses, que tem Síndrome de Down, a digital influencer Rafaela Monteiro, de 27 anos, tomou um susto quando abriu sua página no Instagram, na última sexta-feira (21). Ela relata que se deparou com um perfil que usava o nome do filho, e o chamava de Luiz Ridículo. Em uma das fotos, o perfil fake ofende o menino chamando-o de 'monstro' e 'aleijado'.

Rafaela diz que sabia que no decorrer da vida poderia sofrer algum tipo de preconceito por ter um filho com Down, mas afirma que ficou chocada com a página e com o comentário que o dono deixou para ela na publicação. Ela, então, resolveu prestar queixa na delegacia para que a polícia investigue e chegue até o culpado.

“Esse menino é ridículo, o rosto dele com esse olho, parece que tá tendo um ataque epilético, esse andado dele que mim dar (sic) nojo parece um aleijado com essas pernas tortas, o jeito de mastigar parecendo um lerdo. Nunca ser (sic) alguém na vida não vai sair do lugar vai ser sempre esse monstro”, dizia a mensagem.

Diante da ofensa gratuita, a mãe de Luiz lembra que ficou em estado de choque e disse que nunca imaginou que um comentário pudesse mexer tanto com ela e a desestruturar psicologicamente.

“Quando comecei a ler, vi que chamou meu filho de monstro, me deu uma crise muito forte, comecei a chorar. Quando meu marido chegou em casa, perguntou o que aconteceu, falei que queria ir na delegacia", diz.

Rafaela ainda tenta entender porque alguém agiria de maneira tão cruel e cobra justiça.


“Decidimos ir na delegacia fazer um BO, fomos logo no sábado [22] de manhã, mas quando chegamos lá o sistema tinha caído, então, fizemos um BO offline. Fizemos isso para que essa pessoa pense antes de agredir alguém, então, que sirva de lição para ela. Vamos ainda nesta segunda-feira na delegacia especializada neste tipo de crime para oficializar tudo, queremos justiça o mais rápido possível”, completou.

A digital influencer, que tem uma página com quase 65 mil seguidores, contou que após a repercussão que o post gerou, a pessoa excluiu a conta. Ela diz que as pessoas começaram a denunciar e, automaticamente o Instagran deve ter excluído ou a prória pessoa retirou a página do ar.

"A pessoa quis atingir diretamente meu filho, ela criou uma página com o nome do meu filho ‘luizridículo’ por maldade mesmo. Entrei na página e vi que tinham 15 pessoas e dessas tinham crianças com síndrome e tinham três pessoas aqui do Acre, então, creio eu que seja alguém daqui. O perfil seguia um restaurante famoso daqui, a filha da pediatra do meu filho, e uma lojinha virtual que eu inclusive fechei uma parceria”, acrescentou.

Novo perfil pede perdão
Rafaela relata que após a repercussão do caso, e depois de dizer que iria na delegacia, a pessoa criou um novo perfil com o nome ‘perdão8693’ onde pedia perdão e dizia que estava arrependida pelo que havia escrito no post anterior.

“No sábado [22], ela [dona da página] fez um outro perfil e foi na mesma postagem e escreveu um texto dizendo que sabia da gravidade que tinha acontecido e que tinha um problema com depressão e que no dia do post tinha brigado com o marido”, detalha.



Na mensagem deixada para Rafaela, a postagem dizia o seguinte: “Oi aqui foi a pessoa quem (sic) criou o perfil fake para poder ter (sic) falado aquelas coisas, do fundo do meu coração estou muito arrependida não queria terfalado aqueles (sic) barbaridades, eu sei o que você está sentindo amesma dor que eu sentir (sic) quando meu filho morreu após ele sair da minha barriga ele tinha as mesas coisas que seu filho...”, escreveu.

Rafaela diz que resolveu procurar a polícia porque acha que nada justifica uma agressão feita a uma criança. “Acredito que seja uma mulher e que seja daqui de Rio Branco. A Polícia Civil tem um perito nessa área que vai investigar o caso. Eu e meu marido vamos ainda hoje [segunda, 24] na delegacia especializada falar com o delegado. A página que pediu desculpa também já foi excluída, mas eu também tirei print, tenho todas”, acrescentou.

Rafaela não esconde que seu maior medo é que a pessoa seja do seu convívio e que possa tentar fazer mal para seu filho em algum momento.

A pessoa que fez isso tinha muito ódio no coração. Meu filho não fez nada para ninguém, é uma criança, eu quero justiça e respeito, ele não é doente. Por isso quero e preciso saber quem foi, não quero dinheiro, quero justiça", finalizou.

Matéria extraída do CidadeVerde.com
Fonte: G1

sexta-feira, 4 de agosto de 2017

Mãe garante a filha autista professor especial e busca direito para mais 170

Andrea Dul, de Poá, conseguiu professor exclusivo para Andressa, de 9 anos. Sua filha e outras quatro crianças já conquistaram o direito


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A advogada Andrea Dul, de Poá, é mãe da Andressa Dul, de 9 anos. Quando a menina tinha 2 anos e 8 meses, foi diagnosticada com autismo. Desde então a mãe sempre buscou informações e cuidados que pudessem ajudar no desenvolvimento da menina.

Em 2013 foi avisada pela escola particular onde a filha estudava que a menina não poderia mais frequentar as aulas na unidade de ensino por causa de suas necessidades especiais. Andrea usou seus conhecimentos e conquistou na Justiça o direito ao professor exclusivo. Desde então, ela ajuda outras mães. Já conseguiu o mesmo direito para mais quatro famílias e preparou a documentação para outras 170.

“Desde pequeninha ela já ia para a escola porque eu precisava trabalhar. Quando ela completou um ano já falava e andava, de repente ela regrediu. Eu percebi que a fala dela estava mais comprometida”, comenta.

Em busca de um diagnóstico, foram várias consultas com neurologistas e psiquiátricas, até que veio a resposta. A falta de conhecimento sobre o autismo – reconhecido como deficiência apenas em 2013 – fez com que a escola (particular) onde ela estudava avisasse para Andrea que a menina não poderia mais frequentar as aulas, já que a sala contava com 25 crianças e apenas uma professora. “Eu apenas disse que em uma semana voltaria com a liminar da Justiça para que a milha filha continuasse estudando lá e tivesse os cuidados que ela precisa e foi o que eu fiz.”

Apesar de todo o conhecimento técnico-jurídico que possui, Andrea diz que redigiu com uma “grande dose de emoção” o texto que foi apresentado na Justiça. A advogada conquistou o direito para a filha e conta que, desde então, sua filha Andressa não só se desenvolveu na escola, como também passou a ajudar outras mães a conquistarem o mesmo direito para os seus filhos.


Multiplicação 

No final de 2015 ela organizou o grupo das Mães de Azuis. Ao todo, são cerca de 200 mães que convivem com os mesmos problemas de atraso no desenvolvimento de seus filhos e buscam ajuda. “Primeiro nós acolhemos as mães que chegam assustadas tentando entender o que se passa com seus filhos. Depois disso, nós explicamos para elas quais direitos elas têm, como o professor exclusivo na sala de aula e outros benefícios previstos para os deficientes.”

Foi assim que Andrea já assegurou para quatro famílias o direito do professor exclusivo na sala de aula. Outros dois casos aguardam a decisão e ela já elaborou o documento para mais 170 famílias.

O filho de Claudete Correia da Silva, por exemplo, já tem 12 anos, mas, apenas no ano passado ela soube do direito da professora auxiliar. Sem nenhum outro tipo de tratamento, o menino que até então não era alfabetizado, hoje consegue acompanhar as atividades da turma. “Ele tinha o diagnóstico de que era hiperativo. Tinha 30 alunos na sala e a professora deixou bem claro que não ia dar atenção só para ele. Nessa época ele perdeu muito no aprendizado, mas desde o ano passado foi muito positiva essa mudança. Agora ele interage e, dentro das limitações dele, está aprendendo.”

Outro benefício previsto em lei, que muitas famílias desconhecem, é o auxilio de um salário mínimo por mês para aqueles que têm a renda inferior a um salário mínimo.

Graças a advogada, a família de Luan conquistou esse direito. Kelen Luisa França tem 41 anos e está desempregada. Seu filho de 5 anos foi diagnosticado com autismo no ano passado. Além de não ter um emprego fixo, ela precisa cuidar da mãe, que está doente, e o pai do menino também está desempregado. “Eu tinha feito o pedido duas vezes e tinha sido indeferido, agora saiu. Com esse dinheiro, eu vou investir diretamente no Luan: vou colocar ele para fazer algum esporte, proporcionar mais bem estar para pagar uma condução quando for preciso levá-lo até uma consulta, por exemplo”, conta.

Toda a assistência dada pela advogada é gratuita, mas, como a demanda tem crescido, ela estuda firmar uma parceria com a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) para que os casos sejam encaminhados para a Defensoria Pública.

Matéria extraída do DeficienteCiente.com.br
Fonte: G1

terça-feira, 1 de agosto de 2017

Nova rede social conecta pessoas com deficiência para ampliar interação e troca de informações

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Segundo a ONU, existem cerca de 1 bilhão de pessoas com algum tipo de deficiência no mundo. Muitas vezes, elas utilizam fóruns na internet para trocar informações entre si. Pelo menos é o que constatou a professora Fabiana Faleiros Santana Castro ao criar a D+eficiência, uma rede social que conecta pessoas com deficiência para ampliar a interação entre eles.

O projeto tem o intuito de reunir também familiares, cuidadores, instituições e profissionais da área, que atuam junto à essa parcela da população, para compartilhar experiências, debater desafios cotidianos, conhecer gente nova e ter acesso à informação de qualidade. A utilização é semelhante a outras redes do tipo, no qual é feito um cadastro no site e criado um perfil.

A plataforma também colabora para ampliar o conhecimento e o auxílio no processo de reabilitação, inclusão social e autonomia. Tudo isso ajuda na qualidade de vida das pessoas com deficiência e de todos os que as cercam, formando uma comunidade integrada que pode resultar até mesmo em avanços nas áreas de atuação envolvidas.


A ideia surgiu a partir da tese de doutorado da professora da Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto (EERP) da USP, que foi defendida na Alemanha. No país, Fabiana focou seus estudos no tratamento de pessoas com espinha bífida, condição que resulta na má formação das vértebras, e assim notou o uso constante de fóruns para esclarecimento de dúvidas e troca de ideias. Então veio a motivação para implementar algo parecido no Brasil, com a supervisão de profissionais de saúde, que ajudam a mediar e levar conhecimento de qualidade aos usuários.

A iniciativa foi viabilizada em parceria com a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), a Universidade Federal do Pará (UFPA), a Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa) e a Universidade de Dortmund, na Alemanha.


Fotos: Divulgação e Pixabay
Matéria extraída do Razões para Acreditar

sexta-feira, 28 de julho de 2017

A inclusão de crianças com deficiência física

Tirando as dúvidas da criançada sobre o que é deficiência física, os professores ajudam a construir um caminho sem obstáculos para o saber


"Não consigo subir esses degraus para ir até a classe...mas com a rampa e a ajuda dos meus amigos posso chegar lá" João Guilherme dos Santos, 7 anos. (Crédito: Maurício Moreira)

João Guilherme dos Santos, 7 anos, demorou para nascer. O atraso no parto causou-lhe paralisia cerebral, comprometendo a parte motora do corpo. Com 8 meses, ele começou a ser atendido em hospital especializado e fez terapia na Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) de São Luís, onde mora. Mas, ao atingir a idade para iniciar a Educação Infantil, a família colocou-o em escola regular. A diretora da primeira creche que visitou não queria aceitá-lo, alegando não ter estrutura. "Conheço as leis que garantem os direitos do meu filho", disse o pai, Manuel Carlos Soares dos Santos. Com esse argumento, a matrícula foi efetuada.

Agora no Ensino Fundamental, João Guilherme estuda na Unidade Integrada Alberico Silva. Ele e o pai levam duas horas para chegar até lá, de ônibus, e outras duas para voltar para casa. Pequeno comerciante, Manuel adaptou sua rotina para que o filho possa conviver com crianças sem deficiência: "Ele progride a cada dia.Com uma boa educação, João pode ter uma vida melhor e lutar por seus direitos".

Aplicação para isso não falta ao menino."Ele é muito inteligente", atesta a professora Sandra Helena Nascimento Sousa. Sim, ela teve muito medo de aceitá-lo em sua turma."Uma criança que não anda é um trabalho a mais: tem que dar lanche, levar ao banheiro... Tenho alunos pequenos e não queria me ausentar por muito tempo da classe", conta. O pai se prontificou a ajudar e, mesmo insegura por não se sentir capacitada para lidar com a deficiência, Sandra aceitou o desafio. 

"O professor regular precisa saber se a criança tem alguma restrição médica que a impeça de fazer atividades dentro ou fora da sala, acompanhar seu estado de saúde e conhecer os efeitos dos medicamentos que ela está tomando", explica Eliane Mauerberg-deCastro, coordenadora do Programa de Educação Física Adaptada da Universidade Estadual Paulista (Unesp), em Rio Claro, interior de São Paulo. "E a escola deve garantir o acesso físico à sala."Para isso, Sandra teve o apoio do grupo de atendimento especial da Secretaria de Educação do município, que a colocou a par da história de João e levou material específico para ele - como a prancheta magnética para formar palavras, acoplada à mesa de estudos.

Alguns alunos perguntavam se João era doente. Nas rodas de conversa, a professora falou sobre diferenças: "Expliquei que ele era inteligente, mas aprenderia de outra forma, já que as pessoas não são iguais e têm capacidades e limitações próprias". Todos se esforçam para ajudar João Guilherme e ficam em silêncio para ouvi-lo falar, pois ele ainda tem dificuldade para se expressar.

 
Marcos usa lápis adaptado com espaguete de piscina: as professoras improvisaram o reforço para que o aluno pudesse escrever com firmeza. (Crédito: Maurício Moreira)

Na cadeira, mas sem rodas

O maior desafio das crianças com deficiência física não está na capacidade de aprender, mas na coordenação motora."Geralmente, elas têm dificuldade para se movimentar, escrever ou falar. Se estiverem atrasadas no desenvolvimento intelectual, é porque não tiveram uma educação apropriada", diz Eliane, da Unesp. Marcos Nantes Coutinho, 9 anos, por exemplo, tem dificuldade em memorizar e os especialistas acreditam que é porque ele não consegue registrar os novos aprendizados. Por isso, as professoras da 2a série da EE Olinda Conceição Teixeira Bacha, em Campo Grande, retomam várias vezes os conteúdos e querem que ele tenha aulas de apoio na sala de recursos de uma escola vizinha.

Na classe, Marcos é atendido pela parceria afinada de Cristina Encina de Barros, a professora regente, e Yara Mara Barbosa de Oliveira, a itinerante, que percorre as escolas que têm alunos com deficiência. Toda quarta-feira elas conversam sobre os avanços do menino e os desafios que ele ainda tem de superar, repassam a programação de estudos e fazem as adaptações necessárias ao garoto. A comunicação aberta entre os profissionais também inclui conversas com assistentes sociais, coordenadores e médicos. Outra estratégia é usar material concreto e imagens. O menino aprende as palavras com um alfabeto móvel, feito com letras recortadas em cartolina, e já monta termos com até três sílabas. Como tem dificuldade em segurar o lápis, muito fino, as professoras improvisaram um reforço com um pedaço de espuma tipo espaguete de piscina.

Marcos usa andador, baba e tem dificuldade para falar. Até os 5 anos, ele frequentou a escola de Educação Infantil da Associação Pestalozzi, onde era assistido por fisioterapeuta, fonoaudióloga, terapeuta ocupacional e psicóloga. Esta última aconselhou a mãe, Ana Flávia Nantes Zuza, a colocá-lo numa creche regular, como forma de prepará-lo para ingressar no Ensino Fundamental.

Na escola, Marcos ganhou autonomia. Durante o ano passado, ele se sentava em cadeira adaptada com apoio para os braços, onde ficava com a postura largada. Como extensão do tratamento terapêutico, a especialista Yara fez uma experiência: colocou-o numa carteira igual à dos demais alunos, encostada à parede. Isso ajudou-o a sustentar o tronco para não escorregar, a ter uma postura melhor e a se equilibrar. Mas a cadeira de rodas é importante e não deve ser evitada."É preciso aceitar que ela, ou uma prótese, faz parte da vida da criança com deficiência física. É como usar óculos", diz Eliane. Marcos já não depende tanto do andador: ele o deixa na porta da classe e apóia-se na fileira de carteiras, até o lugar onde se acomoda. Mostra progressos também nas idas ao banheiro - antes, ela tinha que levá-lo, agora só precisa acompanhá-lo até a entrada. Conquistas simples, mas que mostram às professoras que elas estão no caminho certo. "Qualquer criança pode progredir. Basta a gente ensinar com interesse, atenção e amor", afirma Cristina.


Vinícius, com seu par, na hora da leitura: "Adoro ler jornais e livros que tenham figuras e sejam bem coloridos e bonitos". (Crédito: Maurício Moreira)

Vínculo afetivo

Para ajudar Vinícius Guedes dos Santos, 7 anos, a superar as restrições de movimentos que ele tem por conta da má-formação das pernas e dos braços, a Escola Básica Donícia Maria da Costa, em Florianópolis, designou uma auxiliar. Ela o ajuda nas atividades em classe, o acompanha ao banheiro e dá o lanche. Ele escreve devagar,mas tem cadernos caprichados. E adora livros. Na hora de ler, Vinícius escolhe os títulos na caixa-biblioteca, sempre em lugar de fácil acesso. "Como ele tem bom nível de leitura e escrita, ainda ajuda os colegas menos avançados", conta Gislene Prim, professora da 2a série.

Desde a 1a série ela se preocupou em fortalecer os laços afetivos para Vinícius sentir confiança na turma. E conseguiu: na assembléia de classe, a turma sugeriu a criação de um parquinho com balanço adaptado só para Vinícius poder brincar também.

Nas aulas de Educação Física, o professor Luiz Augusto Estácio incentiva a socialização das crianças por meio de brincadeiras que todos participem. "A experiência de jogar bola sentado na cadeira ou no chão pode ser um desafio diferente e divertido para toda a garotada", exemplifica. Com isso, a criança com deficiência começa a se sentir mais à vontade entre os colegas. A mãe de Vinícius, Adriana Guedes dos Santos, atesta a desenvoltura que o filho tem hoje: "O Vinícius era tímido e quase não conversava. Agora, ele já faz até bagunça e, quando quer alguma coisa, não tem vergonha de pedir".

Atividades e estratégias

BEM-ESTAR FÍSICO 
Procure saber sobre o histórico pessoal e escolar do aluno com deficiência, informe-se com a família e o médico sobre o estado de saúde e quais os efeitos dos remédios que ele está tomando. Esse conhecimento é a base para sugerir qualquer atividade que exija esforço físico. Os exercícios podem, por exemplo, interferir na metabolização de medicamentos. 

HABILIDADES BÁSICAS 
Para ajudar a criança com deficiência física nas habilidades sociais, escolha atividades relacionadas às exigências diárias, como deitar, sentar e levantar-se, arremessar e pegar objetos, parar e mudar de direção. Proponha jogos nos quais o aluno faça escolhas (passar por cima ou por baixo de cordas ou elásticos), para que ele perceba o controle que pode ter sobre o corpo. ,

INTERAÇÃO 
Estimule o contato da criança com deficiência com os colegas, permitindo a troca de ideias, a expressão de emoções e o contato físico para auxiliar nas diversas atividades. 

PEÇAS IMANTADAS 
Use material concreto e lousa com letras magnéticas para facilitar a formação de palavras e a memorização quando houver restrição no movimento dos braços.

Matéria extraída do novaescola.org.br

quarta-feira, 26 de julho de 2017

Responsáveis por pessoas com deficiência ganham direito a isenção total no IPVA


Agora é lei e vale em todo o Estado de São Paulo, os motoristas responsáveis legalmente por pessoas com deficiência visual, intelectual ou autismo têm direito na isenção total do IPVA. Antes a lei 13.296/2008, artigo 13, de São Paulo, só concedia o benefício se o próprio motorista tivesse alguma deficiência.

Isso é mais do que justo, uma vez que a dificuldade de locomoção na cidade é semelhante para todos e que o sistema de transporte público ainda é precário.

A redação da lei anterior afrontava o princípio da isonomia, da acessibilidade e dos princípios constitucionais da inclusão da pessoa com deficiência, por beneficiar apenas e exclusivamente a pessoa com deficiência que necessite do veículo adaptado às suas condições físicas, deixando de atender outras pessoas na mesma condição ou com limitações ainda maiores de locomoção.

Regras para conseguir a isenção

  • O veículo deve ser adquirido diretamente pela pessoa com deficiência que tenha plena capacidade jurídica ou por intermédio de seu representante legal;
  • O benefício só pode ser utilizado para um único veículo (se for novo, o benefício deve ser solicitado até 30 dias após a emissão da nota fiscal);
  • A pessoa só pode dar entrada depois que tiver com todos os documentos em mãos; Apresentação do laudo da interdição (judicial);
  • Laudos médicos solicitados pela Secretaria da Fazenda;
  • Veículo limitado a 70 mil Reais;
  • Deve ser comprovada disponibilidade financeira ou patrimonial compatível com o valor do veículo a ser adquirido.  
Esperamos que a isenção do IPVA para o não condutor seja estendida a outros Estados Brasileiros.

Matéria extraída do DeficienteCiente.com.br

quarta-feira, 19 de julho de 2017

Pai comove ao desabafar sobre o 1º dia de vida de seu filho deficiente

O texto com o pedido de ajuda tem emocionado os internautas. Em menos de 72 horas, já teve mais de 4,9 mil curtidas



Quando o pequeno Rapha nasceu, Christian Viana só queria uma coisa: pegar seu filho no colo. A notícia de que nem tão cedo sua vontade se realizaria caiu como uma bomba. Diagnosticado com Osteogenesis Imperfecta — doença conhecida como “Ossos de cristal” — Rapha ficou internado e, desde então, vive em constante alerta.

Hoje, com 5 anos de vida, ele já teve mais de 35 fraturas, muitas delas espontâneas. “Já imaginou ouvir os ossos do seu filho quebrarem com ele virando para dormir? Ou com uma contração do próprio corpo? Ou balançando as perninhas de maneira inocente?”, escreveu o pai.

Depois de passar por vários procedimentos no Brasil, a família de Rapha conseguiu um tratamento em um dos melhores hospitais pediátricos dos EUA, o Shriners Hospital For Children, na Flórida. Sem condições de bancar com todos os gastos, resolveram fazer uma vaquinha online. O texto com o pedido de ajuda tem emocionado os internautas. Em menos de 72 horas, já teve mais de 4,9 mil curtidas.

Quando o Rapha nasceu, como qualquer pai, eu queria pegá-lo, queria sentir seus dedinhos apertando os meus, ouvir seu choro e seu coração batendo acelerado no meu peito enquanto eu o segurava. 
Enquanto ele era levado para o berçário, eu já imaginava como seria ele tentando falar pela primeira vez, tentando engatinhar, caindo de vez em quando e se levantando para dar os primeiros passinhos… E só de pensar, isto me fazia sorrir sozinho. 
Eu estava mais do que feliz no dia do seu nascimento. Havia sido uma longa espera e finalmente eu iria ter aquele pedacinho mais doce do meu ser nos meus braços. Eu mal podia esperar. 
Já no quarto, a porta se abria, várias vezes, enfermeiras entrando para verificar se estava tudo bem com minha esposa, a moça da limpeza, alguns médicos e a ansiedade já quase não cabia no peito esperando o Rapha chegar. Era quase dez da noite, aquele dia havia sido longo e nós resolvemos perguntar ao último médico que entrou. “Doutor, quando nosso filho vem para o quarto?” Foi quando ele nos olhou, por baixo dos óculos, em silêncio por alguns segundos e depois perguntou surpreso…
“Ninguém veio falar com vocês?”
Naquele momento nós já imaginávamos que alguma coisa não estava bem. As lágrimas já escorriam nos olhos da minha esposa, que em silêncio escutava cada palavra que o médico dizia. 
O Rapha tinha nascido com uma doença rara, grave e genética que afetava seus ossos, deixando-os frágeis e quebradiços, por isso ele nascera com muitas fraturas feitas ainda dentro do útero. Ele não viria para quarto ficar com o mãe, como as outras crianças nascidas naquele dia. 
Nosso mundo desabou ali! 
Eu não pude segurar meu filho no seu primeiro dia de nascido, eu não pude sequer vê-lo após o nascimento e os médicos falavam das poucas chances de sobrevivência. Foi um choque! 
Fui para casa naquela noite e duas coisas não saiam da minha cabeça. Que talvez fosse engano e meu filho estava bem. E a outra… Osteogenesis Imperfecta, um nome complicado e assustador, o diagnóstico dado pelo médico.
Não consegui dormir, meus pensamentos vagavam entre a esperança e a realidade. Eu não queria aceitar, mas diante da possibilidade eu já me assustava. 
Naquela madrugada passei a noite pesquisando sobre Osteoegenesis Imperfecta. Medicamentos, fisioterapia, tipos, tudo… No dia seguinte, no hospital, fui correndo olhar meu filho na UTI Neonatal e lá estava ele, na encubadora, tão pequenino, com apenas 39cm. Suas perninhas, já com algumas deformidades visíveis, me deram a confirmação fazendo meu peito doer de tristeza, meu filho era portador de ossos de cristal.
E assim começou a minha luta. No segundo dia de vida do meu filho, com o tablet em mãos, com todas as páginas relacionadas a Osteogenesis aberta, fui falar com o médico sobre tratamentos e terapias.
Desde então o Rapha teve inúmeras fraturas. Você já imaginou ouvir os ossos do seu filho quebrarem com ele virando para dormir? Ou com uma contração do próprio corpo? Ou balançando as perninhas de maneira inocente? Pois era exatamente o que acontecia. 
As vezes sentado no nosso colo ouvia-se o estalo, seguido do choro e lá estávamos nós, correndo para o PS, em mais uma noite mal dormida, voltando com o Rapha engessado para casa. 
Pamidronato desde os 6 meses de vida, fisioterapias desde os 4, e nada, as fraturas continuavam presentes. Quando ele passava 3 meses sem fraturas nós comemorávamos baixinho, com medo de dizer em voz alta o quanto estávamos aliviados. Passamos a andar com kit de primeiro socorros. Faixas, gaze, tala sintética, as vezes levávamos ele já imobilizado, apenas para confirmar através de imagens o que era óbvio: mais fraturas. 
Ele segurando a mamadeira sozinho, uma vitória. Ele sentando aos 6 meses meio desequilibrado, vitória. Ele arrastando o bumbum para se locomover mais uma vitória. Coisas que para muitas famílias são simples, mas para nós é sempre uma superação, algo digno de comemoração.
Tantas lutas pelo caminho, mas ele nunca perdeu o bom humor, a alegria de viver, muitas vezes foi ele quem nos consolou. “Mamãe, papai, eu já tô bem, não tá doendo mais!”, ele dizia após as imobilizações. E nós, um sorriso no rosto para mantê-lo calmo e uma dor na alma, no coração que nos matava por dentro. Um sentimento de injustiça que não cabia no peito. Porquê ele tinha que passar por tudo isto?
Ah, se pudéssemos trocar com ele… 
Ele é a nossa alegria, o sol que faz brilhar o nosso dia, tornando tudo mais bonito, mais cheio de cores. Toda nossa luta é para mantê-lo bem. Nenhuma criança no mundo em sua inocência merece sofrer, meu filho é uma delas. Tudo nós daríamos para vê-lo correndo, pulando na cama, vivendo sua infância. 
Não nos importaríamos em guardar os brinquedos espalhados, ou em chegar cansados do serviço e ir jogar bola com ele. Não nos importaríamos de limpar as paredes de casa sujas de giz, ou em dormir tarde para tê-lo na nossa cama assistindo com a gente. 
Seríamos ainda mais felizes por tudo isto, porque sim, apesar de tudo, nós somos felizes. Nós aprendemos a valorizar as coisas pequenas e ver como de repente elas são de grande valor na vida. 
Criança que se suja, que faz bagunça, que vira a casa do avesso, demonstram saúde. Elas estão aprendendo, estão evoluindo com as suas descobertas, estão vivendo este momento que é tão único e que passa rápido. E é isto o que queremos para o Rapha, que ele tenha a oportunidade de vivenciar estas experiências, que ele possa andar descalço na areia, que ele possa sentar no chão e brincar com seus carrinhos, que ele possa andar de bicicleta e correr com os amiguinhos.
Ele merece esta chance! E se o Governo que deveria garantir a nossa saúde não o faz, então, sim, nós vamos correr atrás com os meios que encontrarmos. 
Não nos sentimos melhores, ou especiais por nada disso. O que fazemos é cumprir com nosso dever de pais. Isto é o que quaisquer pais fariam se estivessem na nossa situação. Por mais que te digam, nenhum pai é capaz de se acostumar com a dor e o sofrimento de uma criança




Fonte: Metrópoles.com

sexta-feira, 14 de julho de 2017

Pais adotivos rejeitam bebê com má-formação e mãe biológica decide ficar com sua filha

“Não posso imaginar minha vida sem ela”


pais adotivos

A norte-americana Christina Fischer, moradora da Flórida, decidiu dar sua filha para a adoção por não ter condições financeiras de sustentá-la.  Ela já é mãe de outra menina, mas como não tem ajuda do pai biológico, procurou uma agência de adoção.

Segundo informações do DailyMail, a adoção já estava encaminhada, mas quando a bebê nasceu, os pais adotivos mudaram de ideia e, literalmente, fugiram do hospital. O fato é que os exames pré-natais não detectaram nenhum tipo de má-formação.


“Saiu chorando do hospital e nunca soube nada sobre ela”, comentou Christina. “Então percebi que a bebê estava destinada a ser minha.”

Somente após o nascimento os médicos deram o diagnóstico. A pequena Abigail Lynn nasceu com uma doença genética rara, chamada síndrome de Treacher Collins. A condição afeta os ossos e os tecidos faciais, causando má-formação.


Contudo, a síndrome não impede que Abigail tenha uma vida normal. A menina terá acompanhamento médico e talvez precise de uma cirurgia reconstrutiva no futuro.

Christina iniciou uma campanha de financiamento coletivo no site GoFundMe para custear o tratamento da filha, que ela chama carinhosamente de “anjinho” e “princesa”. “Não posso imaginar minha vida sem ela”, afirmou.

Veja mais fotos desse anjinho:






Fotos: Oksana Peery
Matéria extraída do Razões para Acreditar

quarta-feira, 12 de julho de 2017

Austimo, autorregulação e stims


Entre os profissionais, é consenso que pessoas com TEA quase sempre apresentam alguma forma de particularidade sensorial, respondendo de forma incomum a estímulos. Com o Bernardo, estas questões foram trabalhadas durante alguns anos pela terapeuta ocupacional, através da terapia de Integração Sensorial, que é uma técnica que foi preconizada pela terapeuta ocupacional americana Jean Ayres.  As intervenções são baseadas no pressuposto de que quando existe uma disfunção sensorial todo o sistema de autorregulação é alterado e que isso pode afetar o desenvolvimento das habilidades básicas, motoras, de comunicação e de interação social.

Por mecanismos de autorregulação podemos pensar em estratégias que desenvolvemos, centradas em nós mesmos.  Algumas dessas estratégias podem se manifestar através de estereotipias (stims), fazendo com que alguns pais e terapeutas tentem a todo custo “arrancá-las” dos filhos (e pacientes), pelo simples fato de que algumas delas acabam por “denunciar”o autismo.  Muitas vezes, por trás de um discurso politicamente correto existe apenas o desejo de que aquela criança consiga passar por “normal” aos olhos dos outros, o que é uma violência.

Por qual motivo o meu hábito de, em momentos de ansiedade, roer unhas, morder tampas de canetas e balançar pernas não seria considerado um problema, mas o de uma criança fazer flapping quando está feliz, seria motivo de intervenção?

Tal questão me remete a uma fala de Clarice Lispector, que diz que “Até cortar os próprios defeitos pode ser perigoso. Nunca se sabe qual é o defeito que sustenta nosso edifício inteiro.”

Não estou dizendo que o uso de stims seria um defeito, e sim que as estereotipias existem e estão ali por alguma razão. Quando há a tentativa de extirpá-las, isso é feito sem considerar que, às vezes é tal mecanismo que permite que a pessoa consiga enfrentar várias situações do dia a dia, envolvendo sobrecargas sociais e sensoriais. Ademais, podem também auxiliar na concentração e na capacidade de levar uma tarefa até o final. Neste caso, valeria a pena a tentativa de “arrancar” isso, mesmo sabendo que tal mecanismo poderia estar a sustentar um edifício inteiro?

Obviamente, em alguns casos, a busca por regulação ou estímulos pode fazer com que o indivíduo coloque a si ou aos outros em algum tipo de risco. É este o caso? Ok, penso que é válido que determinado comportamento seja impedido/desencorajado. Mas, se o objetivo é apenas que nosso filho pareça “menos autista” aos olhos de quem quer que seja, que consigamos olhar para dentro e reavaliar nossas próprias posturas.

Por Érika Andrade para o criancaesaude.com.br

quarta-feira, 5 de julho de 2017

Menino se recupera de paralisia cerebral através de terapia com cordão umbilical

tratamento cordão umbilical

Depois de passar por repouso absoluto e complicações na gestação, a mãe do pequeno Tomas Larriva presenciou um verdadeiro milagre da ciência. Após alguns anos, o menino se recuperou de paralisia cerebral através de terapia com o cordão umbilical e se tornou um caso de sucesso do tratamento.

A vida do equatoriano começou de forma um tanto caótica. Ele veio ao mundo na 31ª semana de gravidez com uma cesariana de emergência devido ao coraçãozinho fraco. Logo depois, ficou sob cuidados neonatais intensivos na incubadora e, devido uma anomalia, o equipamento cortou o fornecimento de oxigênio ao bebê, resultando na paralisia cerebral espástica. Mas este era só o início de uma linda jornada em prol da qualidade de vida.

Após alguns testes e armazenamento de sangue do cordão umbilical em laboratório, a família optou por inscrever Tomas em um ensaio clínico específico do distúrbio, liderado pela Dra. Joanne Kurtzberg, pioneira no transplante de células estaminais do sangue de cordão umbilical, no Hospital da Universidade de Duke nos Estados Unidos.

cordão umbilical

Depois do estudo ao longo de três anos, foi realizado um transplante autólogo, procedimento em que se faz uso das células do próprio paciente. Atualmente, com cinco anos de idade, Tomas realiza atividades semelhantes às demais crianças de sua idade, como jogar bola. Ele frequenta a escola e fala dois idiomas. O menino segue em acompanhamento e melhorou suas funções motoras com ajuda adicional de fisioterapia e terapia ocupacional.

O tratamento com criopreservação tem dado bons resultados e já está presente em alguns laboratórios ao redor do mundo. O primeiro banco de células-tronco de sangue de cordão umbilical surgiu em 1992, em Nova York. No Brasil, a prática teve início em 2001 e em sua maioria é controlada por empresas e bancos particulares, o que encarece o procedimento.

cordão umbilical

A Rede BrasilCord, criada em 2004 pelo Ministério da Saúde, reúne bancos públicos de sangue de cordão umbilical. A doação do material vindo do recém-nascido para um banco público é voluntária e autorizada pela mãe do bebê. Desta maneira, é possível beneficiar qualquer pessoa que precise de transplante de medula óssea, indicação para pacientes com leucemia e outras doenças do sangue. Que tal doar e incentivar a doação para melhorar a vida de centenas de crianças? Não custa nada e todos saem ganhando!

cordão umbilical

Fotos via
Matéria extraída do site Razões para Acreditar

sexta-feira, 30 de junho de 2017

Campanha quer levar primeiro grupo de dançarinos profissionais Down para um dos maiores festivais do mundo


Você conhece a ONG Instituto Movimentarte?

Ela tem um trabalho incrível que usa a dança como ferramenta de transformação social com os portadores de síndrome de Down.

Eles acreditam que através do empoderamento da pessoa com deficiência, é possível uma transformação de olhares e quebra de barreiras.


O objetivo do trabalho é potencializar o  o desenvolvimento das pessoas com deficiência, através das aulas de dança.

A criatividade, habilidade motora, imagem e consciência corporal, desenvolvimento cognitivo, expressividade são habilidades desenvolvidas para que as pessoas com deficiência possuam mais empoderamento e autonomia do próprio corpo. A partir de estudos corporais, os alunos vivem o aprimoramento da consciência corporal e o equilíbrio mental.



Junto com esse projeto incrível, eles lançaram uma campanha de Crowdfunding Global para levar 5 alunos do primeiro grupo profissional de dança com bailarinos com Síndrome de Down para um dos maiores Festivais de Dança do Mundo, o ImpulsTanz na Áustria, onde a diretora do Instituto, Flora Bitancourt, também ministrará um workshop.




Através de uma parceria com a Red Bull, eles já conseguiram a hospedagem, mas ainda falta muito para que esse sonho vire realidade.

A boa notícia é que todos podemos contribuir para que esses 5 alunos possam realizar um de seus maiores desejos.


O valor da passagem mais barata está R$ 6.000,00 por pessoa. Portanto, eles farão o financiamento por metas:

A cada R$ 6.000,00 arrecadados, conseguirão levar 01 pessoa.

Qualquer contribuição faz a diferença! Há vários benefícios para os apoiadores, como o Kit Gratidão e o Kit Adesivos (saiba o que é aqui).

Que tal fazer parte desse sonho também? É só clicar aqui e ajudar ou mandar um e-mail para contato@movimentarte.com



Fonte: Razões para Acreditar
Fotos: Divulgação/ Reprodução Facebook

quarta-feira, 28 de junho de 2017

De ciências e diferenças: não sabemos respeitar pessoas que não sejam exatamente iguais

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Cerca de 15% da população mundial têm algum grau de limitação funcional. Parte dessa grande minoria ainda enfrenta discriminação, invisibilidade e está isolada da convivência social. Não por desejo delas, já que a funcionalidade das pessoas, em um mundo com recursos tecnológicos para compensar as situações limitantes, não é impeditiva de convivência.

“Não vivemos o tempo das cavernas para eliminar pessoas com deficiência. Mas essas pessoas ainda vivem segregadas”, afirmou a professora de medicina UFRJ Izabel Maria Maior, exsecretária nacional de Promoção dos Direitos da Pessoa com Deficiência, durante o Café Filosófico sobre “Deficiências e diferenças”. Foi o terceiro encontro da série “O valor das diferenças em um mundo compartilhado”, que teve a curadoria de Benilton Bezerra Jr.

“O ser-humano tem a capacidade de se reinventar. Mas o desconhecimento do outro é um traçoforte. Somos ainda muito resistentes a mudanças. Achamos que pessoas merecem rótulos, e muitos deles as inferiorizam”, disse a palestrante.

Em sua fala, ela questionou como podemos desconstruir os problemas relacionados ao estigma. “O estigma que leva à não-aceitação do outro como ele é. Não sabemos respeitar pessoas que não sejam exatamente iguais. Mas iguais a quê? Alguém, por acaso, se veste igual?”, questionou. Segundo ela, a associação entre deficiência e a doença faz com que a pessoa portadora de necessidades especiais fique presa, muitas vezes, no âmbito da saúde e da reabilitação. “Mas só reabilitação não é suficiente para ressocialização. É preciso entender a diferença entre o aspecto biológico e social da deficiência.”

“A pessoa precisa provar o tempo todo que ela é capaz de se sobrepor ao rótulo e provar a todos. É o famoso ‘matar um leão por dia’”, afirmou. “A mídia não tem sido uma força motriz para a luta das pessoas com deficiência. Segue falando ‘o deficiente’, por exemplo, e ainda investe no sensacionalismo: se não tem superação, não tem notícia.”

Esse imperativo de superação, afirmou, cria um desequilíbrio: é a pessoa com deficiência que deve se adaptar à sociedade, e não o contrario. “É uma relação de desequilíbrio que diz: mude você se quiser ser normal.”

Ela criticou também programas ao estilo Teleton que expõe crianças chorando para “amealhar a nossa simpatia”. “É importante colaborar, mas a exploração da imagem das pessoas com deficiência, sobretudo crianças, não é positiva.”

Para que a sociedade mude, no entanto, é preciso admitir que somos discriminadores, sobretudo em relação a pessoas com deficiência, que transitam em outros de minorias. “Eu, por exemplo, sou uma pessoa com deficiência, mulher, na terceira idade.”

A ex-secretária afirmou que nas regiões mais pobres do mundo a visibilidade das pessoas com deficiência é quase inexistente. É como se não existissem. Em países como Canadá ou a Espanha, por exemplo, temos a impressão de que há mais pessoas com deficiência. A diferença, disse, é que eles saem de casa: as cidades são adaptadas a eles, e não o contrário.

“Em Barcelona não me senti uma pessoa com deficiência. Não precisei me preocupar com restaurantes e ônibus adaptados”, disse.

Para a professora, inclusão tem a ver com direito social. Que tem a ver com a plataforma de direitos humanos. “Muitas unidades de saúde ignoram as necessidades de mulheres com deficiência. Como fazer mamografia, por exemplo?”, exemplificou. “Só vamos continuar na linha do desenvolvimento social quando entendermos que todos têm contribuições a dar com sua maneira de ver o mundo. O saber de todos colabora para o desenvolvimento e a qualidade de vida de todas as pessoas.”

Sobre a questão das cotas, ela afirmou que ela só existe porque existe discriminação. A maior barreira, porém, é o mercado de trabalho. “Quando se fala em cota, não significa que a pessoa vai passar com qualquer nota. A entrevista (de empego) ainda é a prova de que a discriminação existe. A lei de cotas é uma maneira de contornar isso.”

Quando há investimentos públicos, afirmou, podemos fazer com que as pessoas com deficiência apareçam. “Arquitetos e engenheiros que não sabem o que é desenho universal são obsoletos. Médicos também precisam saber como informar as famílias de que a criança recém-nascida ou a pessoa acidentada terá limitações.”

Maria Maior criticou também os limites de resultados práticos da Lei de Inclusão. “É preciso fiscalizar a sua aplicação.”

Fonte: institutocpfl.org.br via deficienteciente.com.br

sexta-feira, 23 de junho de 2017

Homem com lábio leporino adota criança com a mesma condição congênita e comove a internet


Brian Pierce sentiu uma conexão instantânea com um bebê  na China, quando viu sua foto de adoção.

“Nós (ele e sua mulher) abrimos seu perfil e vimos aquele belo rosto olhando para nós. Nós queríamos pegá-la então e segurá-la, mas ela estava do outro lado do mundo “, diz Brian.

Ela tinha lábios leporinos, assim como ele quando criança.

Ele prometeu melhorar sua vida, como os  seus pais tinham feito por ele. Então, Brian e sua mulher, a adotaram e lhe deram o nome de Hattie.

Ele também a levou para a Children’s Healthcare of Atlanta – o mesmo hospital onde ele teve suas cirurgias quando ele era um menino.

“Eu sabia que eu poderia ajudar “, ele escreveu em uma postagem de blog para o hospital. “Eu não poderia evitar que ela tivesse que passar por isso, mas eu poderia estar lá por ela e poderia dizer: ‘Papai passou por isso também. E aqui estou, sorrindo para você, provando que tudo acaba bem no final’ “, acrescentou.

Quando chegou a hora da cirurgia de Hattie, Brian lembrou de quando era criança, mas desta vez, estava no lugar de pai.

“Ela estava sendo levada para a sala de operações em vez de mim. Eu estava dormindo no sofá à noite em vez de meu pai”, disse.

Após duas cirurgias, e possivelmente mais no futuro, Hattie, agora com 4 anos de idade, é uma “garota confiante e feliz”.

“Todo mundo que conhece ela se apaixona por ela”, disse Brian. “Todas as outras crianças gostam de brincar com ela”.

A mãe de Hattie confidenciou : “Ela sorri com os olhos dela”, o mesmo que ela havia dito a Brian no segundo encontro.

Que fofo, não?




Fonte: Razões para Acreditar

quinta-feira, 22 de junho de 2017

Primeiro parque aquático para deficientes tem cadeiras de rodas impermeáveis e entrada gratuita


Já imaginou um parque aquático planejado especialmente para crianças com algum tipo de deficiência?

Bom, essa ideia maravilhosa já é realidade!

O parque se chama “Morgan’s Inspiration Island” e se localiza em San Antonio, no Texas, Estados Unidos. Ele faz parte do complexo Morgan’s Wonderland, já existente na mesma cidade. Inaugurado no último sábado, dia 17, é o primeiro parque do mundo dedicado exclusivamente para deficientes.

O parque aquático ocupa uma área de 32 mil metros quadrados, e entre as atrações estão cinco áreas com brinquedos, escorregas e um passeio de barco por um rio com tema tropical.

O local também oferece pulseiras rastreáveis ​​que permitem que os pais localizem seus filhos e cadeiras de rodas a prova d’água e impermeáveis, que podem ser alugadas gratuitamente.

Também foi construído um farol de sete andares para as crianças brincarem e uma área chamada “Rainbow Reef”, que possui um sistema de aquecimento da água para visitantes com sensibilidade ao frio.

O dono do parque, Gordon Hartman, criador da Fundação The Gordon Hartman Family, explicou que profissionais de parques aquáticos, especialistas em educação e necessidades especiais, médicos, pais, professores, terapeutas de necessidades especiais e cuidadores foram consultados para que o projeto se realizasse da melhor forma.

A inspiração para o parque veio da filha de Hartman, Morgan, que possui necessidades especiais. Em 2005, Gordon observou Morgan tentar brincar com outras crianças que também estavam de férias na piscina de um hotel, mas elas se recusaram a interagir com ela. Depois disso, Gordon resolveu criar oportunidades e lugares onde pessoas com e sem deficiência poderiam se unir não só por diversão, mas também para poderem terem uma melhor compreensão uns dos outros.

O parque também oferece áreas privadas para os hóspedes se transferirem de suas cadeiras de rodas pessoais para as impermeáveis. Pessoas com deficiências podem entrar gratuitamente no parque, e precisam fazer as reservas online.

“O parque promete dar aos indivíduos com necessidades especiais físicas ou cognitivas um lugar onde possam se divertir e brincar sem barreiras”, disse Gordon. “Não é um parque de necessidades especiais, é um parque de inclusão.”








Fonte: Razões para Acreditar via Bored Panda