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sexta-feira, 11 de fevereiro de 2022

13 dicas para brincar com crianças com deficiência visual

Porque brincar é um direito de TODAS as crianças, sem qualquer distinção

A pedagoga da Fundação Dorina Nowill para Cegos, Edni Fernandes Silva, lista 15 brincadeiras para estimular a diversão de crianças com deficiência visual ou de baixa visão. Afinal, toda criança tem o direito de brincar e vivenciar sua infância plena. 
 
Brincadeiras para crianças com deficiência visual
 
Durante todo o mês de abril, foi trabalhado em todo o país o “Abril Marrom”, mês de sensibilização sobre a realidade de pessoas cegas ou com deficiência visual. A data é um esforço de diversas entidades médicas, centros hospitalares para minimizar os efeitos provocados pela perda da visão.
 
Quando o assunto é infância, é preciso considerar que práticas de inclusão passam por um entendimento pleno do contexto da criança com deficiência, mas não podem, em hipótese alguma, desconsiderar que a criança jamais deve ser esvaziada de sua principal característica: a ludicidade.
 
Por isso, levar em conta as limitações dessas crianças na hora de planejar as brincadeiras dos pequenos é fundamental. Por ocasião da Semana Mundial do Brincar de 2017, a Fundação Dorina Nowill listou algumas dicas simples mas cruciais para incluir crianças com necessidades específicas:
 
Uma das pedagogas da instituição, a profissional Edni Fernandes Silva, tem algumas dicas de como brincar e estimular a brincadeira com as crianças que têm deficiência visual, garantindo um melhor desenvolvimento dos pequenos.
 
1. Reconhecimento do outro: Use toques e voz suaves ao se comunicar com a criança que tem deficiência visual, aproximando sua face do rosto dele para que ela possa percebe-lo e toca-lo.
 
2. Conhecendo o próprio corpo: Auxilie a criança a conhecer o próprio corpo com toques enquanto nomeia cada parte tocada.
 
3. Descobrindo os sonhos: Incentive que a criança siga em direção ao som de brinquedos ou da sua voz. É interessante ter brinquedos que emitam sons, como chocalhos, bolas e pelúcias com guizos.
 
4. Investindo na sociabilidade: Brinque com a criança com deficiência visual e incentive que outras pessoas também brinquem e interajam com ela. Assim, ela se tornará mais sociável e receptiva, facilitando os relacionamentos interpessoais.
 
5. Imitando sons: Imite os sons que seu bebê faz e crie estímulos para que ele possa imitá-lo. Isso auxiliará na comunicação.
 
6. Curiosidade sensorial: Se o bebê ainda não senta, coloque-o de lado para manusear o brinquedo. Invista em brinquedos com texturas diferenciadas, para estimular o tato e a percepção de diferentes objetos.
 
7. Jogo de orientação: Dê objetos à criança nomeando-os e relacionando às possíveis ações que poderão ser feitas com este item. Exemplo: “A bola. Pegue a bola. Chute a bola. Jogue a bola para cima”.
 
8. Conhecendo texturas e formatos: Procure usar brinquedos contrastantes, coloridos, luminosos, de diversas texturas e tamanhos.
 
9. Explorando a curiosidade tátil: Propiciar momentos em que a criança manipule e crie espontaneamente jogos a partir da exploração de objetos concretos.
 
10. Brincadeiras com miniatura de objetos: Elas possibilitam que a criança tenha uma melhor compreensão de objetos muito grandes ou impossíveis de serem alcançados (casinha com telhado, elefante, caminhão, avião, fogão, geladeira, entre outros).
 
11. Brincando com as mãos: Vale incentivar brincadeiras infantis com o uso das mãos, como dedo mindinho, seu vizinho; passa anel.
 
12. Jogos com bola: Se não for possível ter uma bola com guizo, envolva a bola com saco plástico, assim ela fará barulho enquanto se desloca.
 
13. Salte para o alto: Com a criança agachada, segure em suas mãos e peça para ela se levantar ”bem forte e bem alto”, ajudando com um leve “puxão“ para cima. 
 
Brincar de fantoche com as crianças favorece a expressão de emoções e fortalece os vínculos afetivos.
 

Jogos brincadeiras para fazer com crianças cegas ou de baixa visão

  • Brincadeiras de roda: Cantigas, parlendas, rimas;
  • Meu mestre mandou: Como sugestão, trabalhar o esquema corporal com as crianças, solicitando que coloquem as mãos na cabeça, joelhos, pescoço, cotovelo, barriga, pés, mãos, etc.
  • O que é, o que é?: Brincar de adivinhação utilizando as mãos para descobrir a textura e formato dos objetos. Materiais como embalagens de xampu, escova de dentes, talheres (colher e garfo), chaves, caneta/ lápis, frutas, etc.
  • Vai e vem: Brincar alternando a criança de lugar é um estímulo à coordenação visuomotora.
  • Fantoches/Dedoches: Esses brinquedos estimulam a imaginação, linguagem e o pensamento, além de  favorecerem a comunicação e expressão de sentimentos e emoções.
  • Blocos de construção: Brincar com blocos favorecem o desenvolvimento da atenção e concentração, associação de formatos  e tamanhos, desenvolvimento de movimentos amplos e finos, coordenação visual e motora e noções de equilíbrio. Esses brinquedos também propiciam à criança a satisfação de inventar, construir, desconstruir e transformar, estimulando a criatividade.
  • Massa de modelar: Estimula o desenvolvimento da coordenação motora fina e a criatividade.
  • Jogo da velha adaptado: Permite interação com quem não tem deficiência visual.
  • Jogo da memória tátil: Utiliza a percepção tátil e a memória para reunir o maior número de peças.

Brincadeiras que retomam a infância dos pais

  • Estátua;
  • Passa anel;
  • Centopeia;
  • Telefone sem fio.

Brincadeiras fáceis de fazer

  • Jogo de argolas: Estimula a percepção visuomotora, a identificação de cores para as crianças com baixa visão e a relação número / quantidade. Confecção: Colocar uma porção de areia no fundo de 10 garrafas descartáveis. Cortar tiras de papel crepom colorido e colocar uma cor em cada garrafa. Recortar números de 1 a 10 em papel preto ou fita adesiva preta e fixar cada número em uma garrafa. As argolas podem ser confeccionadas com tampas de plástico ou anéis de fitas adesivas que encaixem nas garrafas.
  • Jogo de boliche: Estimula a percepção visuomotora, a identificação de cores e a relação número x quantidade. Confecção: Colocar uma porção de areia no fundo de 10 garrafas descartáveis. Cortar tiras de papel crepom colorido e colocar em cada garrafa uma cor. Recortar números de 1 a 10 em papel preto ou fita adesiva preta e fixar cada número em uma garrafa. As bolas podem ser confeccionadas com meias velhas. E podem ter guizos em seu interior
Fonte: Lunetas

quarta-feira, 23 de junho de 2021

Confira sete estratégias de inclusão de crianças com autismo na escola

 bonde.com.br

A Lei de Inclusão da Pessoa com Deficiência, aprovada no Brasil em 2015, garante ao indivíduo com necessidades especiais o direito e acesso à Educação. Apesar disso, garantir a inclusão do aluno autista em sala de aula ainda é um desafio não apenas para famílias, mas também para escolas e professores. Como o TEA (Transtorno do Espectro Autista) possui níveis e intensidades bastante amplos, fazendo com que o indivíduo possua características, sintomas e comportamentos variados e distintos, em boa parte das vezes os educadores se sentem despreparados para lidar com as situações que surgem quando são desafiados a trabalhar com um aluno autista.

A inclusão de um estudante com autismo exige adaptações e estratégias diferenciadas que a escola só consegue implantar, de fato, quando o tema é amplamente discutido dentro do ambiente escolar, com a propagação de todas as informações necessárias para que todos se sintam preparados para lidar com a questão. Além da sensibilização de docentes e colaboradores da escola, e da troca constante de experiências sobre o assunto, fatores como diagnóstico precoce, contato próximo com a família e o apoio de profissionais especializados que atendem a criança também contribuem para o processo.

De acordo com a gerente pedagógica da Conquista Solução Educacional, Aldrey Freitas, praticar a inclusão não é inserir um aluno com TEA em sala de aula e ter a expectativa de que ele participe e responda como os demais. "Esperar do indivíduo com autismo comportamentos socioafetivos e acadêmicos iguais ao de alunos sem o transtorno pode, inclusive, exacerbar problemas comportamentais nessa criança", alerta Aldrey. Segundo a educadora, é preciso, antes de tudo, buscar entender as razões que fazem com que aquele aluno grite, morda ou se recuse a permanecer sentado ou dentro de uma sala. "O professor só vai conseguir lidar de forma bem sucedida com a situação quando tiver a compreensão de que falta a esse aluno as competências necessárias para uma reciprocidade social, para o cumprimento daquilo que se espera dele, como a compreensão de regras sociais e a capacidade de se colocar no lugar do outro", acrescenta.

Aldrey diz ainda que se faz necessário, dentro desse processo de inclusão, repensar alguns termos que às vezes são colocados, como, por exemplo, dizer que a criança autista não respeita regras. "É preciso conscientizar toda a comunidade escolar, começando pelos professores, de que tais comportamentos ocorrem porque o autista tem uma deficiência na área da sociabilidade - e não apenas classificar a criança ou jovem como portador de problemas comportamentais”, ressalta. Ela explica que essa consciência só ocorre a partir da abertura de um amplo debate escolar que envolve destacar quais os sinais do transtorno, quais os comportamentos nos diferentes graus de autismo, e, acima de tudo, debater sobre quais medidas precisam ser tomadas para auxiliar esse aluno a compreender essas regras sociais e como o professor pode ajudá-lo a desenvolver melhor as competências que se espera dele.

Algumas práticas podem auxiliar escolas e professores no processo efetivo de inclusão. São elas:

Criação e manutenção de rotinas - Crianças e jovens com autismo se sentem mais seguros quando têm uma rotina previsível. A repetição de processos e atividades em sala de aula contribui muito para a aprendizagem.

Adaptação ao ambiente - Antes de iniciar a experiência em uma escola ou turma nova, é bastante produtivo que o aluno autista conheça previamente a instituição e os ambientes que irá frequentar. Isso vai deixá-lo mais familiarizado com o espaço quando as aulas começarem.

Evitar barulhos altos em sala de aula - Algumas crianças com autismo têm hipersensibilidade a ruídos altos que podem incomodá-la. O ideal é que o autista chegue à escola um pouco antes das outras crianças, assim ele vai se acostumando gradualmente com os barulhos que irão se formando em sala de aula.

Explorar os interesses da criança - As crianças autistas podem ter interesses em temas específicos e demonstrar enorme fascínio por tudo que se relaciona a eles. Pode-se aproveitar isso para inserir esses temas em atividades de sala de aula e atrair a atenção do aluno, fazendo com que ele se concentre nas tarefas por mais tempo.

Não diferenciar conteúdos - Todos os alunos precisam aprender o mesmo conteúdo em sala de aula, ainda que seja necessário fazer algumas adaptações na forma como ele será apresentado e trabalhado com cada um. Fazer diferenciações de conteúdo não ajuda na inclusão do autismo em sala de aula.

Usar recursos visuais - Procurar falar de forma clara e objetiva ao dar orientações a fim de facilitar a compreensão do que deve ser feito e usar recursos visuais para ilustrar o que está pedindo. Imagens, símbolos e fotos podem ser usados.

Promoção de atividades coletivas - As atividades coletivas são muito importantes para a interação dos alunos. Sempre que possível, realizar tarefas, atividades, jogos e brincadeiras em grupo, incluindo o aluno com autismo.

quinta-feira, 10 de junho de 2021

Mães de estudantes com deficiência falam dos desafios no ensino remoto

Famílias encontram dificuldades para efetivar educação inclusiva; especialista reforça direito à educação e faz recomendações às escolas

Ana Luiza Basilio para o cartacapital.com.br

MARIANA E A FILHA ALICE, DE 7 ANOS. CRÉDITOS: ARQUIVO PESSOAL.

A jornalista Mariana Rosa tem se esforçado para garantir que a filha consiga acompanhar as atividades da escola durante o ensino remoto, mas não esconde o seu cansaço. “É muita cobrança, tristeza, angústia, necessidade de acolhimento”, conta. Alice, de 7 anos, tem paralisia cerebral. Por apresentar limitações nos membros superiores e inferiores, usa cadeira de rodas. Também não se comunica oralmente e tem baixa visão.

A rotina de aprendizagem da menina, que cursa o primeiro ano do Ensino Fundamental, só se estabeleceu minimamente neste ano, depois que a família conseguiu matriculá-la em uma escola particular de Belo Horizonte. Em 2020, Alice ficou fora da escola, segundo a mãe, por falta de propostas pedagógicas das unidades adequadas às demandas da filha, e também por negativas de matrícula — o que é crime previsto em lei.

Agora, a família se desdobra para garantir que Alice seja incluída na rotina online da escola [por conta da pandemia, ela não chegou a frequentar a escola presencialmente]. “A escola tem procurado fazer o seu papel, correr atrás do prejuízo.” Não faltam, contudo, desafios a superar. “Até muito pouco tempo atrás, uma criança com as condições da minha filha nem poderia estar numa escola regular”, pontua a mãe, fazendo referência à Constituição de 1988, que passou a estabelecer como princípio a igualdade de condições e permanência na escola e também o atendimento educacional especializado a pessoas com deficiências nas redes regulares de ensino.

“Como que uma criança que não se comunica oralmente pode se encaixar em uma turma que está online, majoritariamente apoiada na fala e na visão?”, questiona a Mariana, que já chegou a fazer oito reuniões com a escola para adequar uma atividade para a filha.

“Teve um dia que a proposta era: vocês vão pegar um tênis e vão passar um cadarço nele. A minha filha não passa cadarço no tênis, mas também não existe só tênis de cadarço. Então, questiono, porque tem que ser passar o cadarço no tênis, escrever de próprio punho, jogar capoeira com as pernas. Por que só existe uma maneira de fazer as coisas? É esse tipo de problematização que a minha filha traz quando ela passa a pertencer ao espaço escolar”, relata Mariana. “A Alice escreve no computador, se comunica usando prancha de comunicação, joga capoeira mexendo a cabeça. São provocações que precisam ser feitas dentro da escola, porque o mundo é diverso.”

Leia a matéria completa em cartacapital.com.br

quarta-feira, 26 de maio de 2021

Dificuldades da educação inclusiva

Gargalos na estrutura pedagógica dificultam a inclusão


 Nelson Junior cria jogos educativos para pessoas com deficiência auditiva e visual, e que podem ser usados conjuntamente pelos alunos sem deficiência. (Crédito: divulgação)

A espinha dorsal de um projeto de educação inclusiva eficiente consiste numa estrutura pedagógica que oriente as atividades escolares. É com base nesse planejamento que a escola organiza seu trabalho; garante apoio administrativo, técnico e científico às necessidades da Educação Inclusiva; planeja suas ações; possibilita a existência de propostas curriculares diversificadas e abertas; flexibiliza seu funcionamento; atende à diversidade dos alunos; estabelece redes de apoio, que proporcionam a ação de profissionais especializados para favorecer o processo educacional.

O empresário Nelson Junior, que é palestrante, educador e consultor sobre Inclusão Social e Acessibilidade, conhece muito bem o poder transformador que tem as ferramentas certas nas mãos de pessoas e instituições comprometidas com a causa da Educação Inclusiva.

Ele investe no mercado da acessibilidade desde 2006, criando jogos educativos para pessoas com deficiência auditiva e visual, que podem ser usados conjuntamente pelos alunos sem deficiência. A empresa que ele comanda, a Supereficiente, sediada em Guarulhos, produz jogos de memória em Libras, quebra-cabeças, dominós Braille, jogos de tabuleiro em Libras e Braille e investe em brindes inclusivos com a Língua Brasileira de Sinais e o Alfabeto Braille.

Com experiência em desenvolver produtos que ajudam na educação de pessoas com deficiência e em orientar equipes e instituições acerca de metodologias inclusivas e de acessibilidade, ele é categórico ao afirmar que os problemas da estrutura pedagógica no ensino de base no Brasil estão interligados. Para ele, a raiz desses problemas surge na falta de capacitação de profissionais nas escolas de ensino regular, passa pela distribuição de material didático inadequado ao processo de inclusão e termina numa grade curricular que desfavorece os alunos com deficiência.

“A grade curricular que existia no passado não havia sido projetada para atender no mesmo modelo crianças com e sem deficiência. Hoje, por exemplo, é muito comum algumas escolas particulares trabalharem com um determinado sistema de ensino, onde as apostilas que são fornecidas por boa parte das empresas que prestam serviço nesta área, não são totalmente inclusivas. Sem esse material pedagógico inclusivo, como será possível levar o conhecimento para a criança/aluno com deficiência?”, questiona. Para ele, uma das alternativas para solucionar esse problema seria o MEC pensar num formato inclusivo de material escolar que atendesse ao mesmo tempo alunos com e sem deficiência. Quando o foco é direcionado para a rede pública de ensino, Nelson Junior lembra que é comum encontrar nas escolas estoques específicos de material educativo para pessoas com deficiência visual, para pessoas com deficiência auditiva e outro para crianças com deficiência intelectual.

Segundo ele, isso ocorre porque os primeiros produtos foram desenvolvidos para atender uma única necessidade, não levando em consideração a diversidade de alunos com deficiência em uma mesma sala de aula. Resultado: distorção da ideia de inclusão e a promoção -- mesmo que sem querer -- da segregação escolar dos alunos com deficiência.

Outro ponto importante refere-se à formação dos professores para a inclusão. A transformação de paradigma na educação exige profissionais preparados para a nova prática, de modo que possam atender também às necessidades do ensino inclusivo.

Nelson destaca que a forma como sempre funcionou a engrenagem educacional no país não permitiu que os professores fossem capacitados para lidar com a multiplicidade de deficiências de crianças e jovens em um mesmo ambiente. “Não existe um planejamento pedagógico de capacitação dos profissionais para que eles estejam prontos para atender todas as pessoas com deficiência. Até existem algumas ações que os governos (federal, estadual e municipal) fazem, porém estas chegam a ser irrisórias diante da grande necessidade”, lamenta.

Você sabe de algum projeto de educação inclusiva na sua cidade?

Denis Deli é jornalista, especializado na inclusão da pessoa com deficiência.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2021

10 dicas para encontrar a escola perfeita para crianças com deficiência

Está difícil encontrar a escola perfeita para as crianças com deficiência? Essa busca realmente pode ser desafiadora, especialmente para os pais que não tem muita experiência nisso ainda. Confira o nosso top 10 de coisas mais importantes para saber antes de tomar essa importante decisão.

Nathalia de Andrade para o fofuuu.com

Muitas vezes você pode se encontrar surpreendentemente e lamentavelmente despreparado para sua primeira busca por uma escola para seu filho com deficiência, especialmente se você está considerando participar de tours coletivos pela escola, que geralmente reúnem mais pais de crianças típicas.

O guia do tour pela escola, seja um coordenador dos pais ou o vice-diretor, não oferecerá, na maioria das vezes, uma versão do tour voltada para alunos com necessidades especiais. Geralmente o tour é mais voltado ao público em geral e sempre dirão o quão competitiva sua escola é academicamente e como suas atividades extracurriculares são incríveis.

Não há nada de errado com isso – é bom saber essas coisas, mas dependendo da deficiência do seu filho, a competição acadêmica e as atividades após as aulas podem não estar no topo da sua lista.

Então, o que deve estar na sua lista?

Bem, obviamente as prioridades são diferentes para cada pai, dependendo da deficiência do filho, necessidades únicas, pontos fortes e personalidade, mas aqui está o nosso top 10.

1. Disponibilidade

Quando você telefona para a escola para perguntar algo, você fala com uma pessoa real ou é uma mensagem automática? Se for uma pessoa real, eles são prestativos e educados?

A sua chamada é retornada prontamente, se não for atendida na hora?

Ou você mandou um e-mail? Seu e-mail foi encaminhado para a pessoa apropriada? Quanto tempo demorou para receber uma resposta?

2. Aparência

Qual é a aparência geral da escola? Parece bem cuidado? Está limpo?

Como é a área de recepção para você esperar?

Há um segurança na entrada? Alguém te cumprimenta quando você chega?

3. Administração

Você tem a chance de se encontrar com o diretor ou vice-diretor durante sua visita? Se não, você tem uma maneira de contatá-los com perguntas?

Você foi convidado para marcar uma reunião com eles em outro momento?

4. Comida

Onde os alunos comem?

A escola atende a necessidades dietéticas especiais? Como são tratadas as alergias alimentares?

Em caso de integração, os alunos de educação especial comem no mesmo ambiente dos alunos em geral?

5. Cuidados médicos

Há uma enfermeira escolar no local em tempo integral?

Se não, como são tratados os alunos doentes?

6. Questões de comportamento

Que estratégias a escola usa para gerenciar comportamentos desafiadores? Como eles monitoram se estão funcionando?

Qual é a política da escola sobre bullying?

7. Especialistas

Que terapeutas visitam a escola e com que frequência?

A escola tem acesso regular a fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais, fisioterapeutas ou psicólogos?

Se seu filho tiver dificuldades de fala e linguagem, pergunte que método a escola usará para comunicação.

Eles têm acesso a tecnologias assistivas?

Existem atividades extracurriculares abertas a alunos com necessidades especiais?

8. Coisas a serem observadas durante o tour pela escola

Existe um auditório? Uma sala de música? Uma sala de arte? Um playground ao ar livre? Uma sala separada para os terapeutas e o orientador?

Dê uma olhada nos alunos em sala de aula. Eles estão envolvidos em uma atividade significativa? Eles estão apenas sentados? Existem fotos na parede, trabalhos dos alunos, etc?

9. Professores

Se seu filho está indo para uma escola pública e precisa de um professor auxiliar de educação especial, pergunte qual treinamento é dado ao profissional.

Seu filho receberá o mesmo professor todos os dias? Ele também estará com seu filho na hora do almoço e no recreio?

10. Orientação

Fale com o orientador escolar e descubra quantos outros alunos têm deficiências. Algum desses alunos tem professores exclusivos?

Quais configurações de sala de aula estão disponíveis? Todas as configurações de sala de aula são oferecidas aos alunos com deficiência?

Que oportunidades os alunos de educação especial em salas de aula restritas têm de se misturar com o resto dos alunos típicos?

A escola exige que a deficiência do seu filho tenha uma classificação específica para ser elegível para matrícula como aluno com deficiência? Se sim, como é o processo de matricula e quais avaliações e relatórios são necessários? Quão recentes devem ser?

Se puder, tente voltar em horários diferentes do dia, principalmente de manhã, durante o almoço e no final do dia.

Há muito o que considerar nessa busca pela escola perfeita para as crianças com deficiência e temos certeza de que você pode sugerir mais algumas coisas relevantes para a sua situação que nem mencionamos aqui. Como, por exemplo, os protocolos de saúde e distanciamento, em tempos de pandemia.

E quando você chegar lá pela sua 11ª escola visitada, você pode não se sentir menos estressado ou perdido, mas pelo menos terá essas questões memorizadas e saberá exatamente o que buscar para ter a escola perfeita para seu filho com deficiência.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2021

Instituições reagem à declaração de Bolsonaro sobre educação inclusiva

Presidente afirmou que estudante com deficiência "nivela por baixo" o aprendizado. Carta assinada por 18 entidades rejeita a segregação de alunos, defende igualdade, justiça e o combate à discriminação. Ação é liderada pelo Instituto Jô Clemente.

Luiz Alexandre Souza Ventura para o Estadão

Em uma ação liderada pelo Instituto Jô Clemente (IJC), 18 instituições reagiram à declaração feita pelo presidente Jair Bolsonaro na semana passada sobre a educação inclusiva e publicaram uma carta conjunta.

“O que acontece na sala de aula: você tem um garoto muito bom, você pode colocar na sala com melhores. Você tem um garoto muito atrasado, você faz a mesma coisa. O pessoal acha que juntando tudo, vai dar certo. Não vai dar certo. A tendência é todo mundo ir na esteira daquele com menor inteligência. Nivela por baixo. É esse o espírito que existe no Brasil”, disse Bolsonaro, em 6 de janeiro, no Palácio do Planalto, a uma mulher, que se apresentou como professora e reclamou da decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de suspender o Decreto Federal nº 10.502, de 30 de setembro de 2020, que criava a Política Nacional de Educação Especial: Equitativa, Inclusiva e com Aprendizado ao Longo da Vida.

Além do Instituto Jô Clemente, assinam a carta:

– ABRAÇA – Associação Brasileira para Ação por Direitos das Pessoas Autistas;

– Amankay Instituto de Estudos e Pesquisas

– ANDI – Comunicação e Direitos

– ANEA – Associação Nacional do Emprego Apoiado

– Anis – Instituto de Bioética

– Associação Síndrome de Down de Ribeirão Preto

– AUTSP – Associação Paulista de Autismo

– Avante – Educação e Mobilização Social

– Campanha Nacional pelo Direito à Educação

– Coletivxs

– Comissão Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência do Conselho Federal da OAB

– Federação Brasileira das Associações de Síndrome de Down

– Instituto Alana

– Mais Diferenças

– Rede Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (Rede-In)

– Rede Nacional Primeira Infância (RNPI)

– Visibilidade Cegos Brasil

O grupo defende a educação inclusiva como direito assegurado a todas as crianças e adolescentes no Brasil, pela Constituição, por normas, tratados de direitos humanos e compromissos internacionais do Brasil.

“A educação inclusiva é a base da sociedade inclusiva, diversa e plural. Pessoas com deficiência têm o direito de estarem na escola regular comum. É a partir da convivência e da troca de vivências e experiências que a aprendizagem acontece para crianças e adolescentes, independentemente de suas peculiaridades. Esse entendimento é comprovado”, afirmam as instituições.

O documento destaca um estudo conduzido ao longo de três anos pelo Centro de Ensino, Pesquisa e Inovação (CEPI) do Instituto Jô Clemente (IJC) comprovou que alunos com deficiência intelectual têm desenvolvimento superior, ganhando mais independência e autonomia, quando estudam em escolas regulares, na comparação com aqueles que frequentam exclusivamente as escolas especiais.

A pesquisa acompanhou 109 alunos com deficiência intelectual. Desse grupo, 62 foram para a escola regular e 47 para escolas especiais. Por meio de avaliações e entrevistas com professores, foram observados o desenvolvimento cognitivo, a comunicação, a sociabilidade e outros critérios.

A pesquisa acompanhou 109 alunos com deficiência intelectual. Desse grupo, 62 foram para a escola regular e 47 para escolas especiais. Por meio de avaliações e entrevistas com professores, foram observados o desenvolvimento cognitivo, a comunicação, a sociabilidade e outros critérios.

Na semana passada, a bancada do PSOL na Câmara do Deputados ao Subprocurador-Geral da República e coordenador da Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão, Carlos Alberto Vilhena, providências referentes à fala do presidente.

O advogado e paratleta Emerson Damasceno, presidente da Comissão de Defesa da Pessoa com Deficiência da OAB-CE e membro da Comissão Nacional do Conselho Federal da OAB, enviou um manifesto ao #blogVencerLimites para responder a Bolsonaro. “Inclusão é algo que passa ao largo de uma mente recheada de ódio e preconceitos”, comentou Damasceno.

No Brasil, entre 92% e 94% dos estudantes com deficiência estão matriculados em escolas regulares, a maioria da rede pública.

“É muito simplista pensar que, por causa da deficiência, o aluno não aprende”, diz Carolina Videira, fundadora da Turma do Jiló, associação que implementa programas de educação inclusiva em escolas públicas. “O problema não é de aprendizagem, mas de ensinagem. Precisamos valorizar, dar melhor formação e ferramentas ao professor para ele garantir que nenhum aluno fique para trás”, defende a especialista.

sexta-feira, 26 de junho de 2020

Aplicativo de realidade aumentada ajuda na alfabetização de crianças com deficiência

App é gratuito e apoia o tratamento da apraxia de fala. Ferramenta é aliada nas atividades de educação durante a pandemia de covid-19 e as medidas de isolamento social por causa do coronavírus


Luiz Alexandre Souza Ventura para o Estadão


A apraxia de fala na infância é um distúrbio neurológico que atinge a produção de sons e reduz a capacidade da criança de pronunciar, de maneira clara e correta, as sílabas e palavras. É uma condição que limita a comunicação e a compreensão de forma significativa.

Pensando nas dificuldades para manter as atividades e os tratamentos dessa limitação – comum em crianças com síndrome de Down e Transtorno do Espectro Autista (TEA) – durante a pandemia de covid-19 e as medidas de isolamento social por causa do coronavírus, a Educ360°, empresa de tecnologia para a aprendizagem, lançou neste mês o aplicativo gratuito ‘Alfabetização na Apraxia de Fala Infantil’ (iOS e Android).

“Crianças com autismo ou síndrome de Down costumam ter dificuldade de concentração, mas adoram tecnologia”, diz Fábio Educ, diretor da Educ360°. “O objetivo é que o aplicativo apoie familiares e cuidadores de alunos durante o tempo de reclusão solidária”, ressalta.

O projeto é fruto de uma parceira com a Apae de Cotia, na Grande SP, e o Multigestos, método que auxilia no tratamento da apraxia de fala infantil, criado pelas fonoaudiólogas Cinthia Coimbra de Azevedo e Leticia Maria de Paula Silva.

No primeiro mês de uso do aplicativo, que oferecee conteúdos fonoaudiológicos, o dia a dia foi acompanhado pelos desenvolvedores, que receberam avaliações das famílias atendidas pela Apae de Cotia. Com base nessas análises, um game final foi elaborado.

Agora, as informações e respostas das mães e pais de todas as crianças que usarem o app serão constantemente reunidas em atualizações.

Realidade Aumentada – O app foi desenvolvido com apoio tecnológico da Foursys e usa a realidade aumentada, uma integração entre elementos ou informações virtuais e o que é visto no mundo real, pela câmera do smartphone ou tablet.

Essa união é possível com sensores de movimento (giroscópio e acelerômetro), presentes nos aparelhos.

Os desenvolvedores explicam que o aplicativo ‘Alfabetização na Apraxia de Fala Infantil’ só funciona em dispositivos que aceitam a realidade aumentada. No Brasil, dos 5.500 modelos disponíveis, 4.500 suportam essa tecnologia. Confira a lista abaixo.

sexta-feira, 12 de junho de 2020

Webinários discutem educação inclusiva durante quarentena

Debates acontecem pelo Youtube nos dias 10, 17 e 24 de junho com especialistas em educação, familiares e estudantes


Por Verônica Fraidenraich para o cangurunews.com.br

“Educação inclusiva durante a pandemia” é o foco de série de webinários realizados em junho que irão discutir a importância da escola incluir todas as crianças, como esta imagem que mostra dois meninos brincando
Videoconferências terão recursos de acessibilidade como janela de Libras, legenda e audiodescrição | Foto: Leonne Sa Fortes

Como garantir o diálogo e a criação de vínculos entre família e escola para apoiar os estudantes durante o ensino remoto? O que fazer para planejar aulas com recursos de acessibilidade para garantir a participação de todos os alunos, inclusive aqueles com deficiência? Quando as aulas voltarem, o que as escolas terão de fazer para garantir a equidade entre os alunos, levando em conta que eles tiveram experiências distintas durante a quarentena? Esses são alguns dos temas que serão abordados nos webinários gratuitos promovidos pelo Instituto Rodrigo Mendes (IRM) e o portal Diversa nos dias 10, 17 e 24 de junho.

A série “Educação inclusiva durante a pandemia”, reúne especialistas em educação, familiares e estudantes para tratar de assuntos referentes à inclusão escolar em tempos de pandemia do novo coronavírus. Sempre às quartas-feiras, às 16 horas (Brasília), as videoconferências terão recursos de acessibilidade como janela de Libras, legenda e audiodescrição. Todas serão abertas ao público – para participar, não há necessidade de fazer inscrição previamente.

O primeiro debate – Diálogo e criação de vínculo entre escolas e famílias (10 de junho) – contará com a participação de Rodrigo Hübner Mendes (fundador e superintendente do IRM), Luciane Fridschtein (mãe de David e Arthur, autora do relato de experiência Mãe inicia pós-graduação para ajudar escola a se tornar inclusiva para filho, publicado no portal Diversa, e servidora pública municipal de Manaus) e Andrea Duque (diretora do Núcleo de Apoio à Saúde da Comunidade Escolar – NASCE, em Cruzeiro/SP).

Em 17 de junho, o tema será Possibilidades pedagógicas para atividades a distância. E, em 24 de junho, o tema é Garantia da equidade no retorno às aulas presenciais. Ao final da conversa de cada webinário, o público será convidado a enviar perguntas via chat para os debatedores. Todo o conteúdo da série ficará disponível depois das transmissões ao vivo no Canal do Youtube do Instituto Rodrigo Mendes.

Serviço:

Webinários sobre educação inclusiva

10 de junho, às 16 horas – Diálogo e criação de vínculo entre escolas e famílias   
17 de junho, às 16 horas – Possibilidades pedagógicas para atividades a distância  
24 de junho, às 16 horas – Garantia da equidade no retorno às aulas presenciais 

Local: Canal do Youtube do Instituto Rodrigo Mendes 

quarta-feira, 10 de junho de 2020

O ensino remoto e as crianças com deficiências: elas foram esquecidas?

As escolas tiveram de se adaptar às pressas ao ensino remoto por causa da pandemia do coronavírus, mas a inclusão de crianças com deficiência parece ter sido esquecida por muitas instituições


Por Verônica Fraidenraich para o cangurunews.com.br

A criança com deficiência deve ser incluída nas atividades realizadas a distância neste período de pandemia é dever da escola.
Ao não participarem das aulas online, as crianças podem se sentir desmotivadas e distante dos amigos

Em tempo de isolamento social e ensino remoto, videoaulas e atividades com vídeos se tornaram frequentes nas aulas online, mas será que essas ferramentas funcionam para a criança com deficiência? Como faz um aluno surdo para entender o que diz a professora no vídeo se não há tradução para a Língua Brasileira de Sinais (Libras)? E como pode uma criança cega realizar uma tarefa que exige assistir a um vídeo que não vem com audiodescrição? No caso de uma criança com autismo, é adequado ela participar de videoconferências com a turma toda, mesmo sabendo que não reage bem a ambientes barulhentos?

“A creche em que minha filha está matriculada envia vídeos e pede para fazermos as tarefas, mas infelizmente minha filha não entende o vídeo e a tarefa não é adaptada para as dificuldades dela, mandam a mesma tarefa que mandam para os outros aluno típicos. Eu já falei na escola, mas não fui atendida”, diz Cybelle Dayane, mãe de Ana Beatrice, 3 anos, que tem transtorno do espectro autista em grau moderado. Cybele explica que vídeos com muitas falas e poucas figuras são de difícil compreensão para a sua filha. “As crianças sendo típicas já sofrem com essa pandemia e as aulas online, o que dizer das crianças atípicas, como a minha filha, em que o desenvolvimento não é igual ao de outras crianças?”, questiona a mãe que vive em Serra Talhada, no interior de Pernambuco.

Diversos são os relatos e queixas de pais quanto à falta de adaptação das atividades a distância para a criança com deficiência, seja ela da educação infantil ou do ensino fundamental. A verdade é que as escolas tiveram de se adaptar, às pressas, para oferecer ensino remoto por causa da pandemia do coronavírus. Mas a inclusão da criança com deficiência, que já não ocorria como deveria na educação brasileira (embora esteja prevista em lei), parece ter sido esquecida.

A criança com deficiência deve ser estimulada a participar das mesmas atividades que os colegas de turma

“Todas as crianças, sem exceção, têm o direito de participar das atividades propostas pela escola, sejam presenciais ou remotas. Não podemos aceitar retrocessos por conta da pandemia, privando a criança com deficiência do acesso ao conteúdo curricular”, afirma Rodrigo Hübner Mendes, fundador e superintendente do instituto Rodrigo Mendes, ONG que luta por uma educação de qualidade para a pessoa com deficiência. Ele lembra que as equipes pedagógicas devem planejar as aulas considerando diversificar estratégias e flexibilizar atividades, de modo a incluir a criança com deficiência.

Entenda-se por criança com deficiência as crianças com síndrome de Down, com deficiência física, deficiência auditiva, deficiência visual, deficiências múltiplas, transtorno do espectro autista (TEA) e altas habilidades (superdotação), entre outras condições.

Maria Teresa Eglés Mantoan, coordenadora do Laboratório de Estudos e Pesquisas em Ensino e Diferença (Leped), da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), explica que os docentes não precisam imaginar atividades completamente diferentes para o aluno com deficiência, nem tentar simplificar a realização para evitar problemas. “Nós não temos a capacidade de fazer ninguém aprender. Temos que dar liberdade para que o aluno possa aprender e considerar o que ele consegue e o que não tem interesse em aprender. O bom professor considera o ensino igual para todos, mas o aprendizado completamente díspar”, declarou a educadora para a revista Gestão Escolar, referindo-se ao trabalho na sala de aula mas que, feitas as devidas ressalvas, pode servir também para o momento atual.


Falta de adaptação de atividades online pode prejudicar vínculo da escola com a criança com deficiência

O aluno com deficiência, portanto, não pode ser tratado de modo diferenciado, sendo dispensado de algumas atividades e convocado a fazer outras mais simples, enquanto os colegas fazem as tarefas “de verdade”. Ele tampouco deve ser deixado somente a cargo do auxiliar da classe nem com outros profissionais especializados no atendimento a deficiências. Promover essa separação não é saudável à criança e pode prejudicá-la na volta às aulas em aspectos como:
  • Falta de entrosamento com os colegas e destes com a criança com deficiência
  • Desconhecimento do conteúdo trabalhado durante a quarentena
  • Perda do vínculo com a escola e desinteresse em ir para as aulas


Base Nacional Comum Curricular reforça necessidade da escola ser inclusiva

A pedagoga e colunista da Canguru NewsPriscila Boy, recorda que a Base Nacional Comum Curricular (BNCC), documento normativo que orienta a elaboração dos novos currículos escolares, destaca a necessidade de a escola contribuir para aplacar toda discriminação e preconceito e dialogar com a multiculturalidade. “A convivência e respeito à diversidade na escola deve ser uma dimensão fundamental de uma instituição acolhedora”, diz ela.

Mariana Rosa e a filha Alice
Mariana Rosa e a filha Alice

Para a jornalista Mariana Rosa, autora do blog e do livro “Diário da Mãe de Alice” e ativista da inclusão, a adoção das videoaulas como única ou principal estratégia de manutenção do vínculo entre professores e alunos revela uma preocupação apenas em retomar o curso do que já havia sido planejado, sem levar em conta a diversidade de desafios que se apresentam, nem a adaptação do currículo para a compreensão do momento atual. “Nesse cenário, crianças – como as com deficiência – que não souberem ou não tiverem condições de responder a contento à proposta ficam excluídas”, comenta ela em artigo para o portal Lunetas.

“Aquelas para quem o plano de aula nunca é pensado. Aquelas para quem nem a matrícula na escola é garantida. Aquelas de quem nunca se presume competência. Aquelas cujo direito de estar em uma escola “comum” ainda é questionado. Aquelas cujas mães têm se desdobrado para adaptar materiais. Aquelas de quem se pensa que nada têm a oferecer. Aquelas que são vistas como falhas, doentes, obstáculos. Aquelas cuja presença na escola precisa ser permanentemente negociada. Aquelas que não são vistas, porque há sempre um laudo em primeiro lugar”, escreve Mariana em trecho do artigo.


Academia Americana de Pediatria recomenda atenção especial à criança com deficiência na volta às aulas

No início de maio de 2020, a Academia Americana de Pediatria (AAP) publicou orientações sobre a reabertura de escolas e disse que certas crianças podem ser capazes de acessar o ensino à distância e continuar a crescer academicamente, enquanto outras podem ter dificuldades de acesso ou de se envolver com as aulas online. Segundo a academia, certas situações devem receber atenção, entre elas, a dos estudantes com deficiência:
  • Os alunos com deficiência podem ter mais dificuldade com os aspectos sociais e emocionais da transição para fora do ambiente escolar e de volta a ele;
  • A escola deve desenvolver um plano para garantir uma revisão de cada criança com um Programa Educacional Individual que determine as necessidades de educação compensatória para ajustar o tempo de instrução perdido, bem como outros serviços relacionados

Unesco alerta para necessidade de inclusão nas aulas a distância durante pandemia

A Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (Unesco) também divulgou durante a pandemia uma lista de recomendações às escolas para o ensino a distancia, prevendo a inclusão de pessoas com deficiência. Veja abaixo algumas das principais orienrações:

1. Escolher as melhores ferramentas e tecnologias disponíveis para o ensino remoto, como por exemplo, recursos de acessibilidade que garantam o acesso a vídeos por todas as pessoas. Entre eles, instrumentos de audiodescrição, tradução em Libras e Closed Caption.

2. Assegurar programas inclusivos, o que pode exigir instalar equipamentos dos próprios laboratórios da escola na casa dos estudantes, para que estes possam de fato participar das aulas a distância.

3. Criar comunidades e aumentar a conexão, promovendo diálogo constante entre professores da sala de aula comum e profissionais do Atendimento Educacional Especializado (AEE), tal como deles com estudantes e familiares, favorecendo a troca de experiência e a criação de estratégias para enfrentar dificuldades.

4. Apoiar pais e professores quanto ao uso de tecnologias digitais, equalizando as capacidades tecnológicas dos estudantes e de quem vai atendê-los. A escola precisa organizar formações de curta duração e prover condições básicas de trabalho dos professores, prevendo acesso à internet para vídeo conferências.

5. Criar regras e avaliar a aprendizagem de cada estudante, considerando as particularidades de cada um e colocando tudo isso em discussão com os pais e os estudantes. Ao mesmo tempo, os professores devem avaliar continuamente a aprendizagem, evitando sobrecarregar os pais.

Quem são as pessoas com deficiência

A Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência da ONU, de 2006, diz que: pessoas com deficiência são aquelas que têm impedimentos de longo prazo de natureza física, mental, intelectual ou sensorial, os quais, em interação com diversas barreiras, podem obstruir sua participação plena e efetiva na sociedade em igualdades de condições com as demais pessoas. Incluem-se aqui, portanto

sexta-feira, 6 de dezembro de 2019

Dia Internacional das Pessoas com Deficiência

Em comemoração à data estabelecida pela Organização das Nações Unidas (ONU), o Portal CENPEC Educação traz uma lista de materiais que auxiliam professores e gestores a trabalhar o tema na escola


João Marinho para o CENPEC | cenpec.org.br


Na última terça-feira (3), comemorou-se o Dia Internacional das Pessoas com Deficiência (International Day of Persons with Disabilities). A data foi estabelecida pela Resolução nº 47/3 da Assembleia Geral das Nações Unidas em outubro de 1992, em consideração ao fim da Década das Pessoas com Deficiência, que havia sido declarada em 1983

Garantia de direitos

Na Resolução 47/3, a ONU declara a necessidade de haver atividades e medidas mais enérgicas e amplas para implementar uma sociedade para todos – meta esta que já havia sido declarada no então denominado Programa de Ação Mundial referente às Pessoas Deficientes, estabelecido pelas próprias Nações Unidas em 1982.

Além disso, a entidade lembra que quase todos os países-membros ratificaram a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, com o objetivo de “proteger e garantir o total e igual acesso a todos os direitos humanos e liberdades fundamentais por todas as pessoas com deficiência, e promover o respeito à sua dignidade”. O Brasil é signatário da Convenção.

Para o secretário-geral da ONU, António Guterres, “embora ainda haja muito a fazer, temos visto importantes progressos na construção de um mundo inclusivo para todos”. Confira a mensagem alusiva à data (legendas em espanhol).


Quando asseguramos os direitos das pessoas com deficiência, nos aproximamos mais do cumprimento da promessa essencial da Agenda 2030: não deixar ninguém para trás.”
 António Guterres, secretário-geral das Nações Unidas

Acessibilidade e educação inclusiva

Para 2019, o Dia Internacional da Pessoa com Deficiência tem como tema “O futuro é acessível”. Segundo o site oficial, o tema traz a mensagem de que “todos devemos, juntos, olhar para um futuro em que as barreiras que se colocam no caminho das pessoas não existam mais”.
Prevemos um futuro em que as pessoas possam acessar um prédio sem usar escadas; em que uma pessoa possa usar uma rampa para ir à praia; ou possa conseguir um emprego sem medo de discriminação; ou possa frequentar uma sala de aula convencional.”
Em comemoração à data, o Portal CENPEC Educação destaca alguns materiais para trabalhar a temática da pessoa com deficiência, na perspectiva de uma educação inclusiva. Confira.

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