sexta-feira, 18 de outubro de 2019

Maioria dos brasileiros afirma que escola inclusiva melhora educação

Pesquisa indica que 86% apoiam medida à qual país aderiu há 10 anos e é parcialmente ignorada


Jairo Marques para a Folha - folha.uol.com.br

SÃO PAULO Uma década após o país ter decretado oficialmente adesão à convenção mundial da ONU pelos direitos das pessoas com deficiência — que, entre outros pontos, preconiza a educação inclusiva, em que toda criança estuda em um mesmo ambiente, sem segregação — o brasileiro indica apoiar o modelo.

Pesquisa nacional do Datafolha encomendada por um dos mais importantes organismos do Brasil na defesa dos direitos e do bem viver da criança, o Instituto Alana, feita com 2.074 pessoas em 130 municípios, indicou que 86% dos entrevistados avaliam que “as escolas ficam melhores quando incluem alunos com deficiência”.

Com margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos, o levantamento foi realizado entre 10 e 15 de julho deste ano e contou com dez perguntas cujas respostas foram estimuladas por meio de um cartão entregue aos entrevistados para serem escolhidas.

Outros pontos considerados positivos à escola inclusiva na pesquisa foram que 76% dos entrevistados “acham que a criança com deficiência aprende mais ao lado de crianças sem deficiência” e 68% que se disseram contrários à afirmação de que “a criança com deficiência em sala atrasa o aprendizado das sem deficiência”.

A organização Turma do Jilo, de SP, criou um mŽodo de intervenção em escolas que ajuda a comunidade escolar a incluir de maneira mais natural e efetiva alunos com deficiência, negros, lbgts entre outros. Na foto, Tauani Donizetti Barbosa, que tem surdez severa, faz prova com professora que usa linguagem em libras
A organização Turma do Jilo, de SP, criou um mŽodo de intervenção em escolas que ajuda a comunidade escolar a incluir de maneira mais natural e efetiva alunos com deficiência, negros, lbgts entre outros. Na foto, Tauani Donizetti Barbosa, que tem surdez severa, faz prova com professora que usa Libras, a língua brasileira de sinais Marlene Bergamo/Folhapress

Embora seja o modelo vigente e esteja sendo aplicado em todo o país, a escola inclusiva ainda enfrenta resistência, sobretudo entre organizações e famílias de pessoas com limitações intelectuais mais graves, que alegam faltar preparo ao professor e aos colégios para atender a esse público de forma satisfatória, além de dar a ele segurança e acolhimento adequados.

Rotineiramente, projetos de lei surgem no Congresso com o intuito de criar exceções ou propagados “aperfeiçoamentos” nas escolas onde todos estudam juntos — crianças com e sem deficiência.

As medidas tratam da abertura de salas especiais dentro de colégios, oferta de ensino institucionalizado ou ainda de abertura de possibilidade aos pais de educar seus filhos com deficiência em casa. Não raro também acontecem a propagação de denúncias de bullying envolvendo crianças com deficiência dentro das escolas regulares, o que motiva indignação e revolta de grupos que defendem um modelo com mais proteção a esse público.

A necessidade de mais aperfeiçoamento profissional para lidar com a diversidade em sala de aula também apareceu na pesquisa Datafolha/Alana.

Dos entrevistados, 67% apontam “falta de formação do professor para tratar com o aluno com deficiência”.

Ao mesmo tempo, os pesquisados não consideram que haja resistência à inclusão, uma vez que 71% acham que “o professor tem interesse em ensinar o aluno com deficiência”.

Alunos da Escola Municipal Tenente-coronel Gaspar de Godoi Colaço, em Santana de Parnaíba (Grande SP), onde o programa de inclusão da Turma do Jiló foi implantado Marlene Bergamo/Folhapress

Para Raquel Franzim, coordenadora da área de educação do Instituto Alana, um dos desafios atuais mais importantes em relação à educação da criança com deficiência é não retroceder no modelo estabelecido, que é também o aplicado em outras várias partes do mundo.

“Além de tentar garantir o acesso da criança com deficiência à escola, temos de tentar evitar o retrocesso que é o não direito à educação inclusiva”, afirma.

“É um desafio constante dar visibilidade a experiências positivas que acontecem em todo o país, mostrar que uma concepção protetiva e segregada de escola não é um caminho.”

Atualmente, a Lei Brasileira de Inclusão determina pena de reclusão a gestores de escolas que neguem matrícula a um aluno com deficiência.

A alegada dificuldade de condições das escolas em poder atender a todos também tem reflexos na pesquisa, quando 37% do entrevistados dizem que “concordam que a escola pode escolher se matricula ou não uma criança com deficiência”.

De acordo com Rodrigo Hübner Mendes, fundador e diretor executivo do Instituto Rodrigo Mendes — que, entre outras missões, oferece gratuitamente ferramentas práticas para que o professor ensine alunos com deficiência com demandas específicas —, os dados da pesquisa convergem com a observação das várias redes de ensino onde a instituição atua.

“Por um lado, [a pesquisa mostra] extraordinário amadurecimento da sociedade civil sobre o direito das pessoas com deficiência à educação em escolas comuns, acompanhado da percepção de que todos saem ganhando quando a escola abraça a diversidade humana”, afirma ele.

“Por outro lado, o estudo reforça o que várias outras pesquisas vêm revelando: formação sobre esse tema é uma das demandas prioritárias manifestadas pelos professores que estão em sala de aula.”

Para o Alana, um dos preceitos científicos que fortalecem a adoção da escola inclusiva, o que comprova que o benefício da inclusão tem repercussões em todo o ambiente escolar, principalmente nos alunos sem deficiência, aparece na pesquisa Datafolha, mesmo que de forma indireta.

Italo Martins Araujo, então com 10 dez anos, na escola Pueri Domus, onde participava normalmente das aulas de educação física Moacyr Lopes junior/Folha Imagem/Folhapress

De acordo com o levantamento do instituto, 68% dos entrevistados se declaram contrários à afirmação de que a “criança com deficiência em sala atrasa o aprendizado das sem deficiência”.

Além disso, 93% dos entrevistados que convivem com pessoas com deficiência na escola são “favoráveis à ideia de que as escolas se tornam melhores ao incluir crianças com deficiência”.

Conforme explica Raquel Franzim, para a criança sem deficiência, a interação com a diversidade física, sensorial e intelectual promove melhoria no desempenho acadêmico, sobretudo em linguagem e matemática, aumento da habilidade de resolução de problemas, ampliação da disposição para tarefas.

Já para a criança com deficiência, além de benefícios parecidos com os das crianças típicas, ela aponta “promoção de independência e autonomia, maior participação da vida em sociedade, nas ruas e no trabalho”.

“Esses dez anos de educação inclusiva no Brasil já demonstram um enorme avanço. As gerações atuais já acessam pessoas com deficiência na escola, no trabalho, na vida social e vemos pessoas com deficiência concluindo o ensino médio, ingressando no ensino superior, tomando decisões. Os efeitos são transformadores e reais.”

Os exemplos mais bem-sucedidos de escolas inclusivas no Brasil são os que contam com o envolvimento de toda a comunidade escolar, em parceria com famílias e grupos de apoio à inclusão.

Cabe ao poder público e às próprias escolas fornecerem condições e instrumentos adequados de aprendizado, interação e permanência desse público em sala de aula.


quarta-feira, 16 de outubro de 2019

Professora se dedica ao ensino de crianças e adolescentes com deficiência, em Campina Grande

Luciana Rodrigues tem formação em Libras e Braille; ela leciona na rede municipal de ensino.


Por Waléria Assunção, TV Paraíba | G1

Professora tem formação em Libras e Braille — Foto: TV Paraíba/Reprodução
Professora tem formação em Libras e Braille — Foto: TV Paraíba/Reprodução

Vinte e oito anos da vida de Luciana Rodrigues foram dedicados à sala de aula. A professora ensina em uma escola municipal, localizada no bairro Estação Velha, em Campina Grande. O turno da tarde é dedicado ao ensino de crianças e adolescentes com deficiência.

A educadora possui formação na Língua Brasileira de Sinais (Libras), para se comunicar com alunos surdos e em Braille, para auxiliar no processo de aprendizagem de estudantes com deficiência visual.
“É especial realmente. Eu gosto muito do que faço. É a minha vida", contou Luciana, que não conteve a emoção.
“Eu estou vendo o avanço deles e me sinto muito gratificada”, destacou Luciana. A dedicação dela faz com que os alunos vençam as próprias limitações nos estudos.

Os pais dos alunos reconhecem a dedicação da professora. “Me sinto muito realizada. Vejo os cuidados dos professores daqui, especialmente em Luciana, que tem dedicado tempo e amor”, declarou Rávila Georgia.

Ensinar a ler e escrever foi a profissão que Luciana escolheu por amor. Sentimento percebido pelos gestos, no olhar e nas palavras de quem ensina e de quem aprende.

sexta-feira, 11 de outubro de 2019

Crianças com deficiência evoluem com acompanhamento do Criança Feliz

Método estimula desenvolvimento com cuidados, carinho, atenção e brincadeiras para o fortalecimento de vínculos entre os responsáveis e a criança


O Programa Criança Feliz, do governo federal, demonstra diariamente que o acompanhamento, as orientações e os estímulos oferecidos impactam no desenvolvimento de crianças com deficiência, que exigem cuidados especiais. São contempladas aquelas com até seis anos que recebem o Benefício de Prestação Continuada (BPC), além de todos os filhos e filhas de famílias de baixa renda inscritas no Cadastro Único para Programas Sociais. É o caso do menino Arthur, em Campo Grande (MS), que nasceu com hidrocefalia. Contrariando todas as expectativas médicas, que deram seis meses de vida ao menino, ele já está prestes a completar 4 anos.

Foto: Mauro Vieira

Ao olhar nos olhos escuros do bebê quando ele nasceu, a mãe, Andrea Santos, 41 anos, viu a materialização de um sonho. A chegada de Arthur foi a tradução de um desejo profundo de amor genuíno, de uma gravidez há muito esperada. Eles moram em uma casa pequena na periferia da capital do Mato Grosso do Sul. O quarto é o centro de um universo onde dias, horários, gestos e atenções giram ao redor do menino. Ali, no espaço extremamente limpo, as paredes brancas são praticamente as únicas testemunhas de uma alegria singela. Sozinha, Andrea cria Arthur e acompanha cada milagre da evolução dele.

A rotina de Andrea é cuidar de Arthur 24 horas por dia. Ele se alimenta por sonda desde que nasceu, tem traqueostomia desde os 9 meses – por conta de pneumonia repetitiva – e válvula para drenar o líquido da cabeça. “Passo momentos difíceis, mas não sou de ficar lamentando muito, não. Sorriso e felicidade aqui em casa não faltam”, garante.

Além do BPC, o que ajuda a mãe a lidar com o cotidiano é a visita periódica do Criança Feliz, que teve início em janeiro de 2019. “Quando o Criança Feliz chegou na minha porta, me senti mais amparada. O programa mostra que alguém, em algum lugar, está pensando na gente, está trabalhando, planejando e unindo forças. Anos atrás não tinha esses projetos. As crianças especiais nasciam e eram escondidas. Hoje não. Já sofremos muito preconceito, mas aos poucos isso está mudando”, avalia.

Em pouco tempo, o trabalho viria a surtir efeito, principalmente para a mãe. Além de se sentir mais forte, ela vê melhora nas interações do menino. “No dia que a visitadora vem, ela faz massagens nas mãos do Arthurzinho. Eu vejo que ele gosta porque ele sorri. É isso que deixa o cotidiano melhor”, destaca.

Já as conversas proporcionam alívio. “Eu choro, conto da minha semana com ele. Nós adoramos. Nessas conversas, eu soube que ele poderia ter acesso à fisioterapia motora, respiratória e fonoaudiólogo. Se não fosse o Criança Feliz, eu não saberia que ele poderia ter acesso a tudo isso”, explica.

Para fotalecer a família

No caso de Andrea e Arthur, a coordenadora do Criança Feliz em Campo Grande, Gizeli do Prado, ressalta a importância de levar informação até a mãe, a fim de fortalecê-la para enfrentar os desafios. Em todas as famílias, a chegada de um bebê interfere na dinâmica e no cotidiano. Quando a criança tem alguma deficiência ou problema de saúde, a ansiedade, angústia e a insegurança podem aumentar. Nesses casos, o Criança Feliz orienta e pode oferecer apoio por meio da rede de serviços de saúde e assistência social.

Para atingir os resultados do programa, além de uma boa equipe, o município conta com a atuação firme do Comitê Gestor. O programa se fortalece quando vários setores entendem que a família não pertence só ao Criança Feliz, mas a um território, a um município e a uma sociedade. O comitê é uma das principais estratégias de articulação intersetorial para direcionar as demandas que surgem das famílias nas várias áreas, como educação, saúde, direitos humanos e cultura. Nele, são discutidas responsabilidades por encaminhamentos e repassadas orientações técnicas complementares, com informações de cada uma das áreas, por exemplo. “O programa mexeu com a rede, trouxe intersetorialidade. Essa articulação com políticas integradas faz toda a diferença, tanto para a capacitação continuada com os visitadores, quanto para as oficinas com as famílias”, afirma. O trabalho conjunto é fundamental para políticas públicas como o Criança Feliz, que visa a garantia da atenção integral às crianças na primeira infância.

O ministro da Cidadania, Osmar Terra, explica que o Criança Feliz foi desenvolvido com base em técnicas rigorosas e segue metodologia defendida pela Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS/OMS) e pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef). “O método do Criança Feliz busca o estímulo com cuidados, carinho, atenção e brincadeiras para o fortalecimento de vínculos entre os responsáveis e a criança. Assim, ele permite o desenvolvimento dos potenciais mesmo de quem precisa de cuidados especiais. Por isso, nós vamos trabalhar cada vez mais, para que o programa fique cada vez mais forte e chegue a cada vez mais pessoas”, afirma.

quarta-feira, 9 de outubro de 2019

Conheça três aplicativos gratuitos para ajudar na aprendizagem de crianças com deficiência

Trazemos, nesta semana, três aplicativos que podem auxiliar você, professor, no trabalho com alunos com necessidades educacionais especiais.


Por novaescola.org.br

Aramumo



Criado por dois alunos do Instituto Tecnológico da Aeronáutica, o jogo venceu desafio promovido pelo Instituto ABCD para auxiliar na educação de jovens e crianças com problemas de dislexia e outros distúrbios que afetam a aprendizagem.

COMO FUNCIONA:  O Aramumo se assemelha às palavras cruzadas. Só que em vez de letras avulsas, o jogador deve utilizar sílabas para formar palavras. Funciona assim: o jogador ouve uma série de palavras e deve encaixar as sílabas que aparecem flutuando na tela dentro de bolhas para formar palavras no tabuleiro virtual.

É BACANA PORQUE: possui interface simples  e atraente, estimula o raciocínio e possibilita que os alunos ampliem o vocabulário.

PLATAFORMA: Android

ONDE BAIXAR:  Google play

ProDeaf



O aplicativo que traduz a fala (em português) para a Língua Brasileira de Sinais (Libras) chega à sua segunda versão trazendo nova interface, navegação mais amigável pelos verbetes do dicionário, além da ampliação do “vocabulário” de gestos em Libras.

COMO FUNCIONA: O usuário pode inserir palavras ou pequenas frases em texto ou pelo dispositivo de reconhecimento de voz do celular e visualizar automaticamente a tradução para Libras.
 
É BACANA PORQUE: facilita o aprendizado de Libras,  amplia as possibilidades de comunicação entre surdos e não-surdos e difunde o uso desta linguagem para um público mais amplo.

PLATAFORMAS: Anndriod, iOS e Windows Phone 8

ONDE BAIXAR:  www.prodeaf.net/

Que-fala!



Aplicativo destinado a facilitar a comunicação de pessoas com deficiências que afetem a fala.

COMO FUNCIONA: O aplicativo oferece uma série de ilustrações identificadas por palavras escritas e em áudio. O usuário seleciona figuras que correspondam ao que ele quer dizer e pode até montar pequenas frases.

É BACANA PORQUE: possibilita que o aluno se comunique diretamente com qualquer pessoa, sem a necessidade de intermediários.

PLATAFORMAS: Android

ONDE BAIXARGoogle play

sexta-feira, 4 de outubro de 2019

A aprendizagem de crianças com deficiências múltiplas

Andréia Pereira Gil, 12 anos, é surdocega. Não ouve e não enxerga quase nada - feixes de luz talvez, e só pelo olho direto. A alegria descoberta no vaivém do balanço é uma das maneiras que ela encontrou, na escola, de tomar contato com o mundo - apenas um dos muitos jeitos de sentir a vida


Por Débora Didonê para o Nova Escola | novaescola.org.br

Andreia Pereira Gil, deficiente mútipla, balançando no pátio da EMEF Doutor João Alves dos Santos. Foto: Kriz Knack 
Andreia Pereira Gil, balançando no pátio da EMEF Doutor João Alves dos Santos.
Foto: Kriz Knack 

Sensações. É por meio delas que as pessoas com deficiência múltipla aprendem sobre as coisas que estão a sua volta. A professora Carolina Bosco, especialista nesses casos, estimula a descoberta da sensibilidade com diversos tipos de toque e movimento, como numa recente cena vista na EMEF Doutor João Alves dos Santos, em Campinas, a 90 quilômetros de São Paulo. Ela dá a mão para Andréia equilibrar-se numa mureta. A menina apóia-se no seu braço para descer e as duas vão de mãos dadas até o pátio. A aluna abraça uma árvore e passa a mão sobre a casca. O contato arranca de Andréia um raro sorriso.

A cena não chamaria tanta atenção se não fosse o jeito diferente de ser da jovem. Ela gira a cabeça, baba e vive com o braço direito levantado. O grande desafio em relação a Andréia é criar um modo de comunicação para que ela reconheça lugares e pessoas. Foi a tarefa assumida por Carolina. A menina também conta com a ajuda de Carmen Sílvia Dias, sua professora da 2ª série, onde tem 30 colegas. Ambas procuram maneiras de explicar por que ela vai à escola e o que todos fazem por lá.

Carolina formou-se em Pedagogia com ênfase em Deficiência Mental na Universidade de São Paulo e é pós-graduada em Arte em Educação Especial pela Universidade de Paris. Ela já havia trabalhado com alunos com deficiência múltipla (associação de duas ou mais deficiências, como mental e física ou auditiva, visual e física), mas Andréia é a primeira que atende em escola regular. Ali, elas cumprem um cronograma, religiosamente, toda segunda, quarta e sexta-feira. É quando Andréia mexe com sucata, aprende a escovar os dentes, caminha pelo pátio da escola, sente a vibração da música colocando as mãos sobre um rádio portátil e brinca no balanço. "É um trabalho de reorganização corporal, percepção tátil e de volume", diz Carolina. Aos poucos, a menina aprende a lidar com o próprio corpo.

Carmen foi a única professora da escola que se dispôs a acolher Andréia. A menina está com ela desde a 1ª série. "No começo, parecia que seria impossível controlá-la. Ela levantava no meio da aula e mexia em tudo", diz. "Não sabia usar o tato para se comunicar e logo se cansava de ficar na carteira apalpando o alfabeto móvel." Por isso, a união do trabalho de Carmen e Carolina fez a diferença. "Uma criança com deficiência precisa de dois professores", afirma Carolina. "O de classe, que atua na área da aprendizagem de maneira geral, e o especializado, que trabalha na dos distúrbios." Por isso, enquanto Carolina desperta o lado comunicativo de Andréia, Carmen cria atividades para integrá-la à turma. Na roda da conversa, onde as crianças desabafam até sobre o desgosto de ser banguelas, Carmen abriu um espaço para elas interagirem com a colega surdocega. Como Andréia está aprendendo a usar o toque para reconhecer as pessoas, cada um pensou num sinal só seu que ela pudesse sentir. Daiane Gomes de Lira, 8 anos, sempre conduz a mão de Andréia para seus cabelos crespos: é a marca que a identifica. A professora Carolina, por sua vez, faz a menina pegar em seu anel.

Também é pelo tato que Andréia começa a entender a rotina da escola. "Para iniciar qualquer atividade, mostra-se o ambiente onde ela está", diz Carolina. Na sala de aula, no começo do dia, fazem-na apalpar a porta, a lousa e o giz. Aos poucos, a menina demonstra mais confiança em quem a toca. "Já permite com mais facilidade que movimentem sua mão direita", conta a professora.
Tempos atrás, ela puxaria o braço em sinal de rejeição. Afinal, habituou-se desde criança a mantê-lo levantado para mexer a mão em frente ao olho direito, talvez para perceber as luzes que a pouca visão permite. "Para ela, é como se fosse uma sensação de prazer", diz Carolina. "Nosso desafio é fazê-la baixar o braço para ela recuperar o equilíbrio do corpo", afirma o professor de Educação Física Renato Horta Nunes, que faz a aluna andar de mãos dadas com os colegas durante as aulas.

Prazer maior que esse Andréia só encontra no balanço da escola. Quando está nele, embalada, chega a gargalhar (mesmo sem nunca ter visto ou ouvido alguém fazer isso). Estica-se e joga-se para a frente e para trás, segurando a corda com firmeza. "É como se ela reordenasse o equilíbrio do corpo", explica Carolina. Um ano atrás, a menina chegava à escola no colo da mãe ou do irmão, ficava descalça e perambulava pelos corredores sem destino. Com a chegada de Carolina, Andréia já usa uma colher para comer, segura o copo ao tomar água, lava as mãos e fica sentada em sua carteira durante as aulas.

A Matemática nas mãos

Toda escola tem obrigação de receber qualquer aluno, mas não basta simplesmente matricular as crianças com deficiência múltipla. "É preciso ter estrutura", diz Carolina. Nessa hora, entram em cena os educadores que dão o melhor de si para atendê-las.
Em Brasília, a professora de Matemática Patrícia Renata Marangon, da 6a série da EE EC-405 Sul, não teve muitas dúvidas sobre o que fazer quando, no ano passado, recebeu em sua classe Paulo Santos Ramos, aluno cego, com apenas 30% da audição num ouvido e pouco movimento nos braços. Nas primeiras aulas, ela percebeu a afinidade do garoto com números e contas e a vontade que tinha de solucionar problemas. Decidiu inscrevê-lo numa olimpíada nacional de Matemática. Paulo, então com 16 anos, conquistou uma das 300 medalhas de ouro concedidas pelo torneio, que teve cerca de 10,5 milhões de participantes.
Sem uma versão da prova em braile, Patrícia adaptou ao material concreto as figuras geométricas que apareciam em algumas questões: "Pensei numa forma de fazer Paulo raciocinar com autonomia, sem a interferência dos professores que fariam a leitura das questões". Deu certo. A compreensão das ilustrações ficou por conta da sensibilidade das mãos do garoto, que apalparam figuras feitas pela professora com palitos de dente, EVA, cartolina e papel cartão.

Paulo foi o primeiro aluno com deficiência que Patrícia recebeu. O único apoio especializado que a escola oferecia na época era o de um professor itinerante que fazia transcrições para o braile. "Foi difícil lidar com a falta de audição", diz Patrícia. Mas ela não se deu por vencida. Sentava perto do aluno, aumentava o tom de voz dentro da sala de aula e falava bem perto do ouvido do menino, o que a deixava exausta. Antes que perdesse a voz, lembrou-se de uma caixa de som e um microfone que a escola usava em eventos e passou a dar suas aulas com o equipamento.

Ele não nasceu cego. Por isso, lembra de imagens e formas. Aos 2 anos, durante as férias que passou com os pais em Cuba, levou um tombo enquanto brincava. Na volta, seu joelho não desinchava. Os pais levaram-no de um médico a outro para entender o porquê do hematoma persistente. "Foi diagnosticada a artrite reumatóide juvenil", lembra a mãe do menino, Maria Lima dos Santos. Uma em cada mil crianças tem essa doença, uma inflamação crônica que afeta as articulações, os olhos e o coração.
Aos 3 anos, o pequeno entrou na escola regular com problemas nos joelhos e nos olhos. "Quando sua letra começou a aumentar, me aconselharam a colocá-lo numa escola especial", diz Maria, que se recusava a ver seu primeiro filho, "tão lindo e perfeito", aprender braile. "Tive aversão ao braile até descobrir como seria necessário", admite ela, que chegou a afastar Paulo dos estudos por causa disso.

Quando Paulo concluiu a escola especial, onde cursou as duas primeiras séries, voltou à escola comum para continuar a Educação Básica. Sugeriram que ele repetisse o ano. "Os professores afirmaram que ele se adaptaria melhor, já que tinha saído de uma turma de quatro alunos e entrado numa de 20", lembra a mãe. Ao chegar à 6ª série, o aluno, defasado, teve a sorte de deparar com a professora Patrícia, que o levou à olimpíada, apesar da descrença de alguns de seus colegas de trabalho. "Ele tem uma força de vontade que nunca vi em crianças sem deficiência", diz ela. A imprensa divulgou o desempenho do menino e seu feito teve repercussão. "Recebeu até convite de universidade para contar sua história", conta a mãe. Aos 17 anos e com cara de 12 anos (parou de crescer por causa dos remédios que tomou), Paulo não tem medo de público. Adora falar. Só uma otite pode impedi-lo, pois ela causa dor e surdez. Mas já está aprendendo libras para atravessar momentos como esse. Quem conta é Maria, que superou seu horror a braile.

"Ele quer se casar e trabalhar", diz ela. O menino que não tomava banho sozinho nem andava com a cadeira de rodas em casa hoje é praticamente atleta. Faz exercícios abdominais e flexões, fisioterapia e natação para recuperar os movimentos das pernas e evitar cirurgia.

Apaixonados pela escola

Enquanto Paulo se exercita, Matheus Gomes de Sousa, 7 anos, faz cada curva com a cadeira de rodas. "A gente pensa que ele vai capotar", conta a mãe, Rita de Abreu de Souza, de Rio Branco. Ele é espoleta e agitado desde a pré-escola, quando plantava pé de cebola na horta, brincava de escalar no morro de terra, rastejava pelo chão imitando cobra e competia em natação.
Ninguém diria. Matheus, que sofre de hidrocefalia, carrega uma válvula implantada no corpo para drenar o excesso de líquido no cérebro. Também tem deficiência mental, paralisia nas pernas e usa fraldas. Está na 1ª série da EEEF José Sales de Araújo e vai muito bem. "Lê tudo sozinho para fazer os deveres de casa", diz Rita.

Matheus não é um medalhista em Matemática, mas a professora Damiana dos Santos Gomes não vê nada de errado nisso. "É uma dificuldade com a qual estou acostumada", diz. O diagnóstico de deficiência mental nunca serviu de barreira para seu bom desempenho na escola. "Ele nem precisa de sala de recursos para desenvolver-se intelectualmente", conta ela.
O garoto depende da ajuda alheia somente para a troca de fraldas. Por causa da paraplegia, não controla a vontade de ir ao banheiro. Sua mãe cobrou esse cuidado da escola. "Falei que Matheus precisaria ser trocado nos horários certos", conta Rita. Nada disso o intimida. Se for preciso, vai à sala de aula aos domingos de tanto que gosta de estudar. Até reclamou da mãe - que é professora - para o pai quando ela cogitou tirá-lo de lá.

Matheus freqüentou a classe especial até os 4 anos, mas foi na regular que fez amigos. "Antes, ele quase não convivia com crianças", diz Rita. Já a garotada sem deficiência instigou-o a explorar o próprio corpo. "O convívio com outros modelos de comportamento estimula o lado sadio da criança", diz a especialista Carolina Bosco.

A aluna Sandy Gracioli Sartori, 5 anos, só começou a engatinhar ao entrar na EEI Fazendo Arte, em Rio Claro, a 180 quilômetros de São Paulo. Ela já venceu muitos obstáculos. Nasceu com pouco mais de 1 quilo, aos seis meses de gestação. Das mãos do obstetra, foi direto para a unidade de terapia intensiva, onde ficou 15 dias. Foi entubada. Passou por uma cirurgia de duas horas e meia. Sofreu parada respiratória e falta de oxigenação no cérebro. Usou bolsa no intestino durante dois anos.

Hoje, sua mãe, a dona-de-casa Silmara Gislaine Sartori, não permite que deixem Sandy o tempo todo na cadeira de rodas na escola. "Ela começou a engatinhar e se mexer na cama elástica porque via as outras crianças brincando", diz. Sandy só fica na cadeira para comer ou ser levada à videoteca. E muitos se animam a ajudar a empurrar a colega. Ela não gosta muito dessa disputa e, quando é contrariada, grita e enruga o rosto como quem vai chorar. "Quando ela bate palma e manda beijo, quer dizer que está gostando do ambiente", conta a professora Camila Ferreira Lopes, que aprendeu a interpretar os gestos da pequena geniosa.

Camila foi bem preparada pelas psicólogas da escola para receber Sandy na turma do maternal. Ela também conversou com a fisioterapeuta, a fonoaudióloga e os pais da menina diversas vezes. Sandy não andava nem falava, só comia alimentos pastosos e tinha o raciocínio um pouco lento. Mesmo com tantos avisos e informações, Camila ficou travada quando se viu diante da aluna. "Eu não sabia como falar com ela, como segurá-la, que tipo de brincadeira fazer", diz. Enquanto isso, a meninada de 3 anos não se deixava abalar. "A relação entre as crianças e Sandy era muito carinhosa. Não sei por que me sentia tão apreensiva."

Atividades e estratégias


Rotina da escola
Estabeleça símbolos na sala de aula para que um aluno surdocego compreenda, aos poucos, sua rotina escolar: ao entrar na sala, ele toca a porta, o quadro e o giz, sempre na mesma ordem e com a ajuda do professor ou de um colega; antes de iniciar uma atividade, ele pode passar as mãos nas folhas de um caderno. O mesmo mecanismo serve para a hora do lanche e de ir embora.

Roda de brincadeira
Observar o comportamento das crianças sem deficiência ajuda aquelas que têm deficiência múltipla a se desenvolver. Por isso, faça jogos e brincadeiras que reúnam a turma no final das aulas. Se o aluno com paraplegia, por exemplo, tem dificuldade para se movimentar, sente-o no chão (se o médico autorizar), em roda com os demais, e proponha uma atividade em que eles usem as mãos e os braços.

Incentivo ao movimento
É possível estimular a criança de pré-escola que não engatinha. Deitada numa cama elástica, ela sente as oscilações causadas pela atividade dos colegas. Vê-los engatinhando e rolando a leva a tentar os mesmos movimentos. Se o médico autorizar, deixe-a o mínimo tempo possível na cadeira de rodas. Ela se sentirá instigada a se mexer ao se sentar com os colegas num tapete ou tatame.

Histórico do aluno
Pesquise tudo sobre a criança: de onde ela vem, como é a família, como se comunica e quais as brincadeiras preferidas. Na avaliação, valorize a evolução do aluno, dentro de seus limites, e não os resultados. Afinal, em certos casos há um grande avanço entre chegar sem falar e depois participar das aulas oralmente.

Quer saber mais?

Contatos
. EMEF Doutor João Alves dos Santos, R. Manoel Tomas, 288, 13067-170, Campinas, SP, tel. (19) 3281-2694
. EE EC-405 Sul, SQS 405, Área Especial, 70239-000, Brasília, DF, tel. (61) 3901-7694
. EEEF José Sales Araújo, Av. Pastor Muniz, Conj. Universitário 2, s/no, 79915-300, Rio Branco, AC, tel. (68) 3229-4141
. EEI Fazendo Arte, Av. 32A, 112, 13506-675, Rio Claro, SP, tel. (19) 3534-7600
Bibliografia
. Deficiência Múltipla e Educação no Brasil, Mônica Kassar, 113 págs., Ed. Autores Associados, tel. (19) 3289-5930, 24 reais
. Inclusão - Um Guia para Educadores, Susan e Willian Stainback, 456 págs., Ed. Artmed, tel. (51) 3027-7000, 64 reais

quarta-feira, 2 de outubro de 2019

Desenvolvimento de criança com deficiência é estimulado por meio de aulas de Ginástica Rítmica

Assembleia Legislativa de Roraima | al.rr.leg.br

Texto: Bárbara Araújo Foto: Eduardo Andrade

Mãe da pequena Jamylle Gabriele, a dona de casa Socorro de Araújo conta que aos 4 anos de idade a filha recebeu o diagnóstico de transtorno mental leve, o que provoca algumas problemáticas de relacionamento. “Ela é tímida [na hora de falar com as pessoas].” Em outros momentos, a menina tem dificuldade para se concentrar. “Ela não se aquieta, é agitada, morde a roupa”, contou.

Mas ao saber, por intermédio de uma amiga, que o Abrindo Caminhos ofertava atividades gratuitas, Socorro decidiu colocar a filha na modalidade de ginástica rítmica. Tudo para estimular o desenvolvimento da menina. “Uma amiga minha tinha colocado a filha dela aqui. Ai eu vim aqui, procurei saber e consegui a vaga para ela.”

Há quatro meses praticando a atividade, a mãe aponta mudanças no comportamento de Jamylle, hoje com 8 anos de idade. “Ela melhorou muito e ela gosta de vir pra cá. Eu acho muito boa essa oportunidade que ela está tendo. Eu moro longe, lá no Pérola, mas já vim de bicicleta e eu não quero nem saber, eu venho porque ela gosta”, ressaltou Socorro.

Durante as aulas Jamylle se encanta pelos movimentos apresentados pela professora Iraima Carvalho. Ela ressalta o esforço da aluna em acompanhar a turma. “Ela é bem ativa, participa bem das atividades. Na ginástica rítmica a parte técnica requer muito tempo para a criança aprimorar o seu movimento, mas ela de desenvolve muito bem a cada aula.”

Incluir é dar acesso a todas as pessoas a uma determinada coisa, seja ela na área educacional, profissional ou social. Por meio do Abrindo Caminhos, programa da Assembleia Legislativa, crianças e adolescentes têm a possibilidade de realizar atividades de lazer, esporte e cultura. A diretora do programa, Viviane Lima, ressalta que todos são bem-vindos na Unidade. “Nós vamos incluindo essas crianças, faz parte da nossa dinâmica, faz parte do que é o Abrindo Caminhos.”

Além disso, os demais alunos também são sensibilizados e educados a serem pessoas inclusivas. “Às vezes chega a nos emocionar porque a gente vê que eles tem toda uma atenção também. Nós temos uma aluna deficiente visual no coral e ela já tem uma amiguinha que fica ali do lado dela para ajudar”, contou a diretora.

sexta-feira, 27 de setembro de 2019

Como lidar com o preconceito na escola

Por Essence Cuidados | essencecuidados.com.br

Imagem relacionada

Os últimos anos foram de grandes avanços na legislação em favor das pessoas com deficiência. A principal delas talvez tenha sido a que garante o acesso à escola a todas as crianças. Um grande benefício para o desenvolvimento das crianças com deficiência, porém que também traz outro problema: o preconceito na escola.

Mais de um bilhão de pessoas em todo o mundo vive com algum tipo de deficiência. Entre essas pessoas, quase 93 milhões são crianças. Aqui no Brasil cerca de 877 mil estudantes com algum tipo de deficiência estudavam na Educação Básica em 2017.

É comum que o processo de adaptação seja conturbado, mas é preciso saber como agir corretamente para eliminar esse tipo de comportamento e reduzir, cada vez mais, o preconceito na escola.

A escola e os educadores possuem grande responsabilidade nesse trabalho de conscientização. Muitas vezes atitudes que parecem combater a exclusão acabam promovendo-a, ainda que inconscientemente.

O ambiente escolar contribui para a formação do moral das crianças

Ao contrário do que é idealizado no imaginário coletivo, o ambiente escolar tem muito mais representatividade do que apenas a instrução formal e acadêmica.

A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional determina que todas as crianças com mais de 4 anos de idade devem estar matriculadas na educação básica. Portanto, a escola é o primeiro lugar, fora do seio familiar, no qual a criança terá trocas de experiências diversas, inclusive afetivas.

O preconceito na escola

Entre os comportamentos mais comuns nas escolas relacionados ao preconceito, os mais recorrentes são a marginalização e a segregação. Na marginalização a criança faz parte de um grupo, porém não lhe é permitido participar das atividades. Já na segregação a criança com deficiência é deixada de lado, ignorada.

Estudos já demonstraram que o preconceito tem muito mais a ver com quem pratica do que com quem é atingido. Ele surge por uma falta de empatia e a incapacidade de se identificar com o outro.

Sendo assim, não são apenas os alunos os responsáveis pelo preconceito na escola. Algumas ações adotadas pela direção das escolas podem também cooperar para que a discriminação se fortaleça.

Um exemplo dessa atitude, de acordo com o professor José Leon Crochik, do Laboratório de Estudos sobre o Preconceito (LEP), do Instituto de Psicologia (IP) da USP, é a presença de um segundo professor em sala. Geralmente os alunos percebem essa presença como um prova de que o aluno com deficiência é diferente. Isso reforça preconceitos. O ideal é que esse profissional de apoio não ficasse exclusivamente para o aluno com deficiência e sim pudesse ajudar a atender a necessidade de todos.

Outro ponto importante é a discriminação que vem de casa. Os familiares são a referência das crianças e eles reproduzem comportamentos presenciados em casa. Quando os pais acreditam que a escola perderá qualidade no ensino porque aceita uma criança com deficiência, esse comportamento passa para o filho.

Bullying na escola

Xingamentos, agressões, apelidos grosseiros ou o próprio isolamento do colega são considerados bullying. Esse comportamento não deve ser visto como brincadeira natural da idade ou como algo banal.

Quando o alvo é uma criança com deficiência o caso é ainda pior, pois elas nem sempre têm habilidade física ou emocional para lidar com as agressões. Esse tipo de comportamento é impulsionado, principalmente pela falta de conhecimento sobre a deficiência e pelo preconceito trazido de casa.

Colocar em prática ações pedagógicas inclusivas para reverter esse cenário de comportamento violento é responsabilidade da escola.

A conversa aberta é um excelente caminho. Certamente uma abordagem clara e direta sobre a deficiência com as crianças elimina o medo do desconhecido, do diferente, e torna o assunto natural. As crianças passam a ver o colega com deficiência como qualquer outra criança que têm habilidades e limitações.

É normal que as crianças reajam negativamente diante de uma situação desconhecida. Entretanto cabe ao professor estabelecer limites para essas reações e conscientizar as crianças para eliminar a questão.

Estabelecer vítimas e culpados de uma situação de bullying não resolve os conflitos. O melhor a fazer é desatar os nós da tensão através do diálogo. Ampliar essa estratégia para os familiares é fundamental também.

Dicas práticas para eliminar o preconceito na escola

  • Converse sobre a deficiência do aluno na presença dele;
  • Adapte a rotina para facilitar a aprendizagem sempre que necessário;
  • Promova conversar com os familiares sobre bullying e inclusão;
  • Exiba filmes e adote livros que mostrem pessoas com deficiência em situações cotidianas e positivas;
  • Foque nas habilidades e capacidades de aprendizagem do aluno com deficiência;
  • Elabore um projeto de prevenção e ação contra o bullying na escola;
  • A inclusão social é um assunto sério para nós da Essence Cuidados. Acreditamos que todos podem receber oportunidades iguais, independente de suas dificuldades.

Contribuímos através da oferta de serviços de transporte especializado para pessoas com dificuldades de locomoção.

quarta-feira, 25 de setembro de 2019

Ajude a ONG Sorriso Novo a ampliar o seu atendimento

A ONG Sorriso Novo está com um projeto em consulta pública para ganhar o financiamento de uma Emenda Parlamentar do Deputado Marcelo Calero!


Trata-se do projeto Sorriso Especial, que oferecerá tratamento dentário, psicológico, fonoaudiológico e fisioterapêutico para crianças e adolescentes com deficiência, de baixa renda e oriundas do Complexo de Comunidades da Maré.

Para votar acesse o link calero.rio e siga o passo a passo do vídeo tutorial abaixo.


Apoie esse trabalho social! Compartilhe! Contamos com o seu voto!

sexta-feira, 20 de setembro de 2019

O navio Logos Hope, maior livraria flutuante do mundo, chega ao Rio e tem dia dedicado ao autismo

Com 500 mil livros a bordo, Logos Hope tem programação com exposições, peças e outras atrações


Logos Hope: navio de de 12 toneladas, tem 21 metros de largura e 132 metros de comprimento Foto: LJ LEE / Divulgação/GBA
Logos Hope: navio de de 12 toneladas, tem 21 metros de largura e 132 metros de comprimento Foto: LJ LEE / Divulgação/GBA

O navio Logos Hope abriu as portas nesta quinta-feira no Porto do Rio. Autointitulada a maior livraria flutuante do mundo, a embarcação fará uma estada de 20 dias na cidade e estará aberta para visitação até 6 de outubro.

- Temos à venda mais de 5.000 livros diferentes. São títulos infantis, de culinária, ficção, ciência e outros temas. No total, o navio transporta mais de 500 mil volumes - afirma Ester Hansen, uma das coordenadoras do projeto no Brasil.

Embarcação transporta acervo maior que o da biblioteca do CCBB Foto: LJ LEE / Divulgação/GBA

No dia 28 de setembro, o Navio realizará o Embarque Azul, quando abrirá uma hora mais cedo para proporcionar uma visita diferenciada com redução de público e de estímulos sensoriais (som e luz) para pessoas com Autismo e Transtornos do Processamento Sensorial (TPS). 

Para garantir uma vaga no Embarque Azul, a inscrição da pessoa com autismo deverá ser realizada através do preenchimento do formulário. 

Orientações
  1. Data da visita diferenciada para autistas: 28 de setembro de 2019.
  2. Crianças até 12 anos e idosos acima de 65 não pagam ingressos.
  3. Pessoas fora desta faixa etária poderão adquirir seus ingressos no local. O preço do ingresso individual é de R$5,00 (cinco reais).
  4. As crianças só entrarão no navio acompanhadas de um responsável maior de idade.
  5. Não teremos acompanhantes para as crianças.
  6. A visita dá acesso à LIVRARIA e à CAFETERIA do Navio.
  7. A visita diferenciada acontecerá somente das 9h às 10h. A partir das 10h a visitação será aberta ao público em geral.
  8. Sugerimos que os visitantes cheguem a partir das 8h30min para identificação. Nossa equipe já estará à espera. 
  9. Qualquer dúvida, favor entrar em contato através do e-mail: embarqueazul@gmail.com
Fonte: Jornal O Globo

quarta-feira, 18 de setembro de 2019

Educação inclusiva: quais os pilares e o que a escola precisa fazer?

Felipe Ferreira para o www.proesc.com

Imagem relacionada

Antes, nós tínhamos a escola regular e a escola especial, separadamente. A educação inclusiva aparece para acabar com essa separação. Ela é a educação especial dentro da escola regular com o objetivo de permitir a convivência e a integração social dos alunos com deficiência, favorecendo a diversidade.

Por meio dela, é possível educar crianças e jovens dentro do mesmo contexto escolar, concedendo a eles o pleno direito à escolarização.

Neste post, você conhecerá um pouco mais sobre a educação inclusiva e o apoio necessário para que ela aconteça. Descobrirá qual é o papel da escola, além de entender quais são os pilares da educação e compreenderá o que se espera de uma escola inclusiva. Boa leitura!

O que é educação inclusiva?

Antes de falarmos sobre o que é a educação inclusiva, é necessário compreendermos a diferença entre ela e a educação especial.

A educação especial é uma modalidade de ensino que tem a função de promover o desenvolvimento das habilidades das pessoas com deficiência, e que abrange todos os níveis do sistema de ensino, desde a educação infantil até a formação superior.

Ela é responsável pelo atendimento especializado ao aluno e seu público-alvo são os alunos com algum tipo de deficiência (auditiva, visual, intelectual, física ou múltipla), com distúrbios de aprendizagem ou com altas habilidades (superdotados).

Já a educação inclusiva é uma modalidade de ensino na qual o processo educativo deve ser considerado como um processo social em que todas as pessoas, com deficiência ou não, têm o direito à escolarização.

É uma educação voltada para a formação completa e livre de preconceitos que reconhece as diferenças e dá a elas seu devido valor. Para que ela aconteça, é fundamental a criação de redes de apoio aos educadores.

O que são as redes de apoio?

O aprendizado dos alunos com deficiência é de responsabilidade de todos que fazem parte do processo educacional e não apenas do professor. Nesse sentido, existem as redes de apoio compostas por pessoas que colaborarão no processo de ensino e aprendizagem do aluno. A seguir, listaremos todos que fazem parte dela.

A família
Ela é a primeira e a principal responsável pela educação escolar da criança ou do jovem. Por isso é tão importante que se crie uma relação de cooperação e confiança entre escola e família, e que exista uma ampla comunicação entre elas.

Os profissionais da área de saúde
Eles podem ser médicos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, psicólogos ou psicopedagogos. Esses profissionais ajudarão os educadores a entenderem as necessidades do aluno e poderão dar direcionamentos sobre como atendê-las.

Qual é o papel da escola?

A escola tem o dever de aceitar os alunos com deficiência e realizar as adaptações necessárias para que eles tenham seu direito à educação garantido.

Outra preocupação que a escola deve ter é fornecer aos seus educadores capacitação e formação continuada fundamentais para lidar com esses alunos, bem como as adaptações e os equipamentos que forem necessários para seu aprendizado. Reuniões entre os professores e os coordenadores pedagógicos favorecem a troca de experiências e o aprendizado.

Infelizmente, os cursos de graduação não preparam os futuros professores para lidarem com as diferenças e particularidades de cada aluno.

A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) é um documento que orienta as escolas. Ele deve ser seguido por toda a educação básica, porém não se trata de algo fixo e imutável.

Realizar uma flexibilização nesse currículo de modo a favorecer a aprendizagem do aluno com deficiência também é papel e responsabilidade da escola e de todos os seus educadores. Essa flexibilização inclui fornecer material e mobiliário essenciais e adquirir equipamentos específicos, como computadores e softwares, por exemplo.

A escola não está sozinha nessa tarefa. Esse deve ser um trabalho conjunto entre a escola regular, o Atendimento Educacional Especializado (AEE) e o Estado.

Quais são os pilares da educação?

O relatório para a Unesco feito pela Comissão Internacional sobre a Educação para o Século XXI apresenta quatro pilares sobre os quais a educação deve se firmar:

  • aprender a conhecer;
  • aprender a fazer;
  • aprender a conviver;
  • e aprender a ser.

Firmar a educação inclusiva em todos esses pilares é garantir que a aprendizagem de crianças e jovens com deficiência aconteça por meio das várias possibilidades de desenvolvimento que podemos encontrar na escola.

O que é uma escola inclusiva?

É uma escola comum — ou regular — que acolhe todos os tipos de alunos, independente das diferenças. Nela, são criadas situações que favoreçam e respeitem os diferentes ritmos e estilos de aprendizagem dos alunos.

São realizadas ações como a presença de um segundo professor em sala, tenha ele formação específica ou básica, ou de um estagiário, com o intuito de dar apoio à equipe pedagógica. O acompanhamento do trabalho do professor é fundamental para dar a ele o suporte que ele necessita.

Na escola inclusiva, todas as propostas que orientarão as atividades escolares e as intenções dos educadores relativas à inclusão estão registradas em seu Projeto Político Pedagógico (PPP). Nele, ficam estabelecidas quais redes de apoio serão necessárias para o atendimento aos alunos com deficiência.

A escola deverá fornecer ao aluno os recursos diferenciados indispensáveis ao seu aprendizado, como adaptações físicas do ambiente escolar, professores especialistas ou aceleração de conteúdo.

Dependendo do caso, o aluno, além de frequentar a escola regular inclusiva. Também deverá frequentar no contraturno uma escola especial que funcionará como um centro de apoio e complementação de sua formação, com a presença de profissionais especializados para isso.

Quais são os desafios a serem enfrentados?

A educação inclusiva ainda está em fase de implementação no Brasil, por isso são muitos os desafios a serem enfrentados.

O maior deles ainda é a falta de preparo e capacitação dos professores para lidarem com os alunos com deficiência. O número de professores especialistas em Libras ou Braille, por exemplo, ainda está muito aquém do desejado.

Muitas escolas públicas também não têm os recursos financeiros necessários para fazer as adaptações ou comprar os equipamentos necessários às necessidades de seus alunos com deficiência.

Como você viu, a educação inclusiva é mais do que necessária para permitir que absolutamente todos tenham pleno acesso a uma formação escolar de qualidade. Os desafios são grandes, mas as iniciativas e a dedicação dos professores têm feito com que ela aconteça.

sexta-feira, 13 de setembro de 2019

Atenção à saúde de pessoas com deficiência e doenças raras é tema de coletânea

Por: Irene Kalil (IFF/Fiocruz)


Pessoas com deficiência ou doenças raras são, muitas vezes desde o seu nascimento, usuárias da atenção à saúde de média e alta complexidade, demandando atendimento especializado em diversas áreas, como genética médica, neurologia, fonoaudiologia, pneumologia, fisioterapia, entre outras. Mas, assim como os demais beneficiários do Sistema Único de Saúde (SUS), elas também são recebidas na atenção primária, que funciona não apenas como porta de entrada, mas carrega o papel de proporcionar a todos, sem discriminação, um cuidado integral e inclusivo. Foi pensando nisso que a médica pediatra do Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz) Daniela Koeller Rodrigues Vieira teve a ideia do livro Pessoas com deficiência e doenças raras: o cuidado na atenção primária. Sexto título da Coleção Fazer Saúde, da Editora Fiocruz, publicado em 2019, a obra reúne relatos de experiências exitosas sobre o cuidado a esses segmentos da população, um assunto até então pouco abordado na produção científica brasileira.

“Com a recente ampliação da legislação para a saúde na área [a Política Nacional de Atenção Integral às Pessoas com Doenças Raras foi instituída por portaria do Ministério da Saúde de 30 de janeiro de 2014], fez-se necessário incluir o cuidado em rede, partindo da atenção primária, e ampliar as discussões sobre a saúde dessa população lançando mão da expertise e das ferramentas já utilizadas na Atenção Básica”, afirma Daniela sobre os objetivos do livro. “Vimos, em nossa experiência de trabalho, que, para além de ações prescritivas, é fundamental construir, com a rede de profissionais e usuários, um cuidado efetivo em todos os níveis do sistema”, complementa.

Como órgão auxiliar do Ministério da Saúde (MS) na construção e proposição de políticas de saúde nos segmentos que fazem parte do seu escopo, o IFF/Fiocruz ocupa um lugar importante no debate sobre o cuidado às pessoas com deficiência e doenças raras e na capilarização desse cuidado por toda a rede de saúde, o que está refletido na presença de vários profissionais que atuam ou que fizeram parte da sua formação no Instituto como autores da coletânea. “Centro de Referência para Doenças Raras habilitado pelo MS, único no Estado do Rio de Janeiro, IFF/Fiocruz conseguiu estabelecer essa interface entre suas diversas áreas de atuação - atenção, ensino, pesquisa e cooperação técnica -, inclusive com a criação de uma linha de pesquisa específica sobre a temática no âmbito da sua pós-graduação stricto sensu”, pontua a médica.

Ela destaca que o país conseguiu alguns avanços do ponto de vista das políticas públicas, sendo o principal deles a ampliação do cuidado para fora do nicho da reabilitação e dos especialistas, possibilitando um olhar mais inclusivo. “Nos textos das legislações anteriores, o que acontecia era a restrição da atenção primária à função de porta de entrada para o sistema de saúde. Somente com a instituição da Política, foi possível iniciar o movimento de mudança desse foco, passando-se a entender a atenção primária como locus do cuidado também para pessoas que têm doenças incomuns, muitas vezes incapacitantes e graves e cercadas por tabus”, ressalta a pediatra.

Um dos capítulos do livro aborda a questão de ampliação do acesso desses usuários ao sistema de saúde. Daniela acredita que os maiores desafios a essa conquista são o reconhecimento de que a construção de um SUS viável e que trabalha em rede é possível e fazer com que os textos das políticas se traduzam, na prática, em ações de saúde. Segundo a autora, também é preciso compreender que a atenção primária é um local não apenas de trabalho, mas de produção de cuidado e saber qualificados. Uma das características desse nível de atenção é, precisamente, a possibilidade de promover uma atenção longitudinal à saúde desses usuários, estimulando práticas que aumentem sua autonomia e capacidade de autocuidado. “Nesse sentido, a maior contribuição que a obra traz para a atenção às pessoas com deficiência ou doenças raras é tirar a lei do papel, transformando o cuidado numa coisa viva e pulsante e permitindo que usuários e profissionais possam iniciar a construção de uma realidade diferente da que vivemos hoje”, avalia a organizadora.

quarta-feira, 11 de setembro de 2019

Mães de crianças com deficiência mostram filhos em redes: "É preciso falar"

Talyta Vespa De Universa para o uol.com.br

Leila e o filho, Gabinho, de quatro anos, que nasceu com má-formação congênita - Arquivo Pessoal
Leila e o filho, Gabinho, de quatro anos, que nasceu com má-formação congênita
Imagem: Arquivo Pessoal

A gestação do primeiro filho da professora Leila Donaria, de 34 anos, foi planejada, bonitinha, do jeito que ela sempre sonhou. Os exames de pré-natal não apontaram qualquer alteração genética. A surpresa, ela conta, foi no dia em que Gabriel, o Gabinho, como ela carinhosamente o chama, nasceu.

"Ele nasceu com seis dedinhos no pé esquerdo. Não dava para saber se era só isso ou se era um sinal de que ele tinha alguma síndrome. Com o tempo, fizemos alguns exames e, no laudo, o médico escreveu 15 linhas de alterações que ele tem. Entre elas, ele tem trigonocefalia, uma doença que impede o cérebro de crescer por causa do formato do crânio e, por isso, teve de passar por uma cirurgia com seis meses de idade. Foi o pior dia da minha vida. É desesperador não saber o que seu filho tem. O que eu fiz para tentar amenizar isso foi estimulá-lo de diferentes formas", conta.

Leila relembra a dificuldade que sentia ao tentar não comparar o filho com os bebês das amigas. "Eu via os bebês delas sentando enquanto o Gabinho ainda não conseguia. No começo, era inevitável comparar e sentir vergonha. Seria hipócrita se falasse que isso nunca aconteceu. Agora, morro de orgulho. Ninguém sonha em ter um filho especial, mas, se eu pudesse escolher, escolheria mil vezes o Gabinho", diz.

Leila e Gabinho - Arquivo Pessoal
Leila e Gabinho Imagem: Arquivo Pessoal.

Leila, apesar de se considerar bastante discreta, passou a divulgar um pouco do dia a dia com o filho nas redes sociais. "Sei que isso faz com que outras mães se sintam confortáveis para publicar fotos dos filhos também, trocar informações e criar uma rede de apoio. Não se fala sobre pessoas com deficiência porque a gente não as vê. São 24% da população e você olha para o lado e raramente vê essas pessoas. Elas ficam trancadas em casa porque a sociedade não fala sobre elas. Precisamos aparecer".

"Faço questão de fazer tudo com meu filho. A gente vai a restaurantes, ao shopping, a gente brinca. Sei que, se uma mãe de uma criança deficiente me vir brincando com meu filho no playground, de repente pode se sentir à vontade para sair com o filho dela. Temos que nos apoiar, temos que aparecer", diz.

Gabinho, hoje, vai à escola, é uma criança como qualquer outra. "Eu vejo a maternidade atípica como uma maternidade normal. Comparar seu filho com outra criança pode te podar de uma felicidade genuína que é acompanhar cada conquista dele. As belas coisas da vida estão nos detalhes".


O menino que não sabia chorar


Bento não se cansa de responder às pessoas sobre sua má-formação - Arquivo Pessoal
Bento não se cansa de responder às pessoas sobre sua má-formação Imagem: Arquivo Pessoal.

É da mesma forma que a desenhista Luiza Pannunzio, de 40 anos, lida com a doença do filho, Bento. O menino, que é superfamoso nas redes da mãe e até reconhecido na rua, nasceu com fissura labial palatina --vulgarmente conhecida como lábio leporino. Ele tem sete anos, faz tratamento a longo prazo, usa um aparelho externo e já passou por três cirurgias.

Por causa da síndrome, o menino não tem o canal lacrimal do olho direito e, por isso, desde bebê, não chora. Em homenagem a ele, a mãe escreveu o livro "O menino que não sabia chorar" em que conta todos os desafios de ser mãe de um menino especial. Para ela, falar sobre crianças com deficiência é um tipo de ativismo. Ela criou uma ONG As Fissuradas que luta por políticas públicas e serviços de saúde públicos para atender a essas crianças.


"Soube da má-formação que o Bento tinha 20 dias antes de ele nascer. Eu me desesperei, não tinha para onde correr. Não fui acolhida pela equipe médica nem por ninguém. Foi um processo solitário de pesquisa. Juntos, fomos entendendo suas limitações. Ele vai à fonoaudióloga, ao dentista, faz os tratamentos. Demanda muito tempo. De resto, é uma criança comum. Ele usa um aparelho externo e eu morro de medo que alguém, um dia, use isso contra ele", explica.

"O Bento entrou na escola há dois anos. Eu tenho, todos os dias, medo de ele sofrer na escola. Deixo ele lá e falo: 'Se alguém te disser alguma coisa que você não gostar, converse com a professora'. Ele está há alguns dias sem querer ir para a escola mas também não quer contar para a gente. A gente sabe o que acontece. A gente espera ele se posicionar porque não tenho como estar ao lado dele 24 horas por dia. Chega no fim do mês, ele fica cansado de se defender tanto", conta.
Luiza conta que o filho é, algumas vezes, reconhecido nas ruas. Ele estampa todos os projetos da ONG "As Fissuradas", criada por Luiza. Segundo ela, Bento sabe da importância de falar sobre sua doença. "Ele não se cansa de responder às pessoas sobre o que ele tem. Quando era pequenininho, fazia umas graças, usava o humor para fazer isso. Hoje ele explica que nasceu com uma fissura labial. Às vezes eu canso de explicar, mas ele, não. E é essencial que seja dito".

Um coração sem fechadura


Matias passa por exames de rotina. A mãe assume que teme a necessidade de mais uma cirurgia - Arquivo Pessoal
Matias passa por exames de rotina. A mãe assume que teme a necessidade de mais uma cirurgia Imagem: Arquivo Pessoal.

É no Instagram, também, que a designer Silvia Guimarães, de 40 anos, encontrou sua rede de apoio ao comentar publicamente sobre a cardiopatia do filho, Matias, de nove anos. A má-formação que o acompanha desde o nascimento fazia com que o coração dele não conseguisse mandar sangue para o pulmão. Foram incontáveis cirurgias e a família vive em função de um acompanhamento que vai durar a vida toda.

"Quando ele nasceu, ficamos dois meses na UTI. Foi muito difícil porque eu percebi, ali, que só outras mães entendiam o que eu estava passando. Minha família e amigos estavam envolvidos nesse momento delicado, mas havia uma conexão e um apoio que vinha só de quem era mãe. Nunca foi tabu para mim falar sobre a doença do meu filho, sei que esconder isso só faz com que o preconceito cresça. Na época, fiz um blog para falar sobre. Hoje, uso o Instagram", afirma.

"Escrevi um livro contando a história do Matias chamado "Um coração sem fechadura", que consegui publicar depois de um financiamento coletivo. Ali, começou uma identificação. Eu falei muito sobre as nossas dificuldades do cotidiano com o intuito de normalizá-las, e isso aproximou um monte de mães da gente. Para mim, foi essencial ter alguém por perto. Queria que essas mães sentissem o mesmo", continua.

Os períodos em que Matias têm exames de rotina são sempre angustiantes para a mãe, que assume: "Morro de medo de meu filho ter que passar por outra cirurgia. A cada cirurgia que ele fazia, meu coração ficava na mão. Era muito desesperador".

A culpa, ela conta, a acompanhou por muito tempo. "Me sentia responsável, com medo do que as pessoas pudessem falar. Medo de elas me responsabilizarem. E senti, inclusive, um certo luto por não ter um filho perfeito. Ninguém quer passar o primeiro mês de vida do filho numa UTI, né? É um sofrimento além da situação. Eu fui muito julgada porque ele teve um parto domiciliar e médicos jogaram isso na minha cara por causa da doença dele. Foi muito difícil", diz.

Para essas três mães, mascarar a vida imperfeita não é uma opção. Elas encontraram, ao expor seus filhos sem medo, uma rede de apoio que tem o intuito de fazer com que essas crianças sejam vistas. E elas estão sendo.

sexta-feira, 6 de setembro de 2019

Inclusão: 6 livros que trazem crianças com deficiência como protagonistas

blogmodainfantil.com.br

Praticar um olhar inclusivo é, sobretudo, se colocar no lugar do outro. Seja em casa, na escola, na rua sempre devemos pensar: o que falta nesses espaços para que todos possam se desenvolver igualmente e exercer a liberdade de ir e vir? Ter essa visão é entender as dificuldades e limitações do próximo e buscar soluções para eliminar ou minimizar as barreiras.


Pensando em contribuir com essa discussão, o Centro de Referências em Educação Integral compartilhou uma lista de livros infantis que trazem crianças com deficiência como personagens principais. Desenvolvida pela organização Mais Diferenças, a listagem prioriza o olhar infantil sobre suas condições trazendo a reflexão sobre qual o papel de cada um para construirmos uma sociedade empática à diferença. As obras estão disponíveis na biblioteca virtual do Mais Diferenças, em formatos acessíveis.

Sonhos do dia por Claudia Werneck

Inclusão: 6 livros que trazem crianças com deficiência como protagonistas

A menina que protagoniza o livro sonha, durante a noite, que pode tudo. Mas todos os dias ao acordar volta a se deparar com as limitações que o mundo ao seu redor impõe. Cansada dessa situação, ela pede a heróis e heroínas, seres das galáxias, das revistas em quadrinhos, da televisão, dos sonhos de outras crianças, da internet, dos livros e das histórias que seu avô contava para que revelem o segredo de fazer os sonhos da noite não morrerem durante o dia.

Daniel no Mundo do Silêncio por Walcyr Carrasco e ilustrações de Cris Eich

Inclusão: 6 livros que trazem crianças com deficiência como protagonistas

Quando Daniel perde a audição, aos 7 anos, ele precisa aprender a se comunicar de outra maneira: com as mãos. Seus pais o matriculam então em uma escola especializada em educação para surdos, onde ele aprende a Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS). Depois de um tempo, Daniel passa a frequentar simultaneamente uma escola comum, onde supera o bullying e encontra a solidariedade.

Uma nova amiga por Lia Crespo

Inclusão: 6 livros que trazem crianças com deficiência como protagonistas

João é um menino cheio de imaginação que conversa com seus brinquedos. Diante de uma nova realidade em sua vida, conta com o apoio desses e de outros personagens para lidar com os desafios. A obra aborda a influência transformadora dos professores e a importância do apoio familiar.

As cores no mundo de Lucia por Jorge Fernando dos Santos

Inclusão: 6 livros que trazem crianças com deficiência como protagonistas

Nesse livro, Lucia é uma menina muito inteligente e adora brincar. Ela tem deficiência visual e descobre uma maneira divertida de perceber as cores que estão a sua volta, usando como ninguém a audição, o olfato, o paladar e o tato.

Tom por André Neves

Inclusão: 6 livros que trazem crianças com deficiência como protagonistas

A história do menino Tom é contada por seu irmão, que sempre o observa intrigado: “Por que Tom não brinca? Por que Tom não diz o que sente? Onde Tom guarda todos os seus sonhos?”. Até que um dia, Tom chama seu irmão para que conheça o seu segredo, e assim se aproximam de verdade.

Serei Sereia por Kely de Castro

Inclusão: 6 livros que trazem crianças com deficiência como protagonistas

Assim como todas as crianças, Inaê passa por momentos de tristeza, alegria, conflito e tranquilidade. Ela tem como desafio o fato de não poder andar, mas com o apoio de sua mãe, descobre que pode construir sua própria história.

Esperamos que tenham gostado das dicas!

Os livros são uma ótima ferramenta na luta pelo respeito à diferença na sociedade :)

quarta-feira, 4 de setembro de 2019

As cores das flores: curta sobre criança com deficiência visual

Crianças com deficiências visuais, motoras, auditivas e intelectuais enfrentam uma série de dificuldades, mas são capazes de aprender como todas as outras. Pensando em passar essa mensagem, a ONCE – Organização Nacional de Cegos da Espanha desenvolveu um vídeo institucional bastante sensível e emocionante chamado As Cores das Flores.

As cores das flores: curta sobre criança com deficiência visual

No vídeo, a professora de uma escola passa um tema de casa à turma: uma redação sobre as cores das flores. Ao receber a tarefa, um dos alunos que possui deficiência visual, sai da aula pensando em como resolver o desafio. Após isso, aparecem alguns flashes da vida do garotinho, momentos com os pais indicam que eles acreditam na sua capacidade. O mais bacana da mensagem é que em nenhum momento é colocado em dúvida se o menino realizará a tarefa. A expectativa é de como irá realizá-la.

Assista:


Muito lindo, né gente?

Toda criança é capaz de aprender do seu jeito, por isso a importância da confiança no potencial de cada uma. Assim teremos um mundo com mais diversidade e inclusão <3

Fonte: www.blogmodainfantil.com.br

sexta-feira, 30 de agosto de 2019

Alunos aprendem sobre inclusão por meio de bonecos com deficiência

Ao final, as crianças cantam a música “ser diferente é normal”, do cantor Lenine


Alunos aprendem sobre inclusão por meio de bonecos com deficiência

O estudante da Escola Municipal São Rafael, da Terceira Linha, Arthur Alves Rosso, de sete anos, nunca imaginou assistir no colégio uma peça que retratasse algo que é bastante comum na sua rotina: a deficiência. O garotinho, que tem uma irmã de um ano e quatro meses com síndrome de down e também conviveu com a avó que era deficiente auditiva, acompanhou atentamente a apresentação “Ser diferente é normal”, realizada pela Secretaria de Educação, Ciência e Tecnologia de Içara em parceria com a Associação Amigos da Inclusão, de Içara.  

Com bonecos que representam pessoas com deficiência física, auditiva e visual, além de pessoas portadoras do Transtorno do Espectro Autista (TEA), o Nono e a Nona, dupla de contadores de histórias da Educação de Içara, ilustraram cenas de preconceito, infelizmente vivenciadas por quem possui deficiências, e sobre como incluir e respeitar estes colegas.  

De acordo com a coordenadora de Artes da Educação de Içara, Lilian Philippi, que interpreta a Nona, o projeto que tem como temática “ser diferente é normal”, objetiva conscientizar as crianças sobre o acolhimento para com os colegas com deficiência, além de contribuir com o hábito da leitura na escola, estimulando o aluno a tornar-se contador de histórias. Ao todo, 13 escolas receberão as apresentações até o final do mês. “Estamos falado sobre as deficiências mais comuns na escola: auditivo, visual, físico e autismo. As crianças convivem muito com as deficiências, e nosso enredo mostra como era na época do Nono e da Nona, nos anos 60, e como é atualmente, que é o período em que as crianças estão vivendo. Ser diferente é normal e muito legal”, declarou Lilian.

“É muito especial ter alguém assim na família, eu adorei o teatro e vou contar para minha família sobre o que vivemos hoje aqui na escola”, contou Arthur, que assistiu a contação ao lado dos colegas das séries iniciais.  A ação é alusiva ao agosto laranja, mês de agosto, dedicado à conscientização sobre as deficiências.  

Os bonecos com deficiência

Os bonecos com deficiência utilizados nas contações integram o primeiro projeto que está sendo desenvolvido pela Associação Amigos da Inclusão.   “Estamos estruturando a Associação, não apenas para desenvolvermos ações e projetos para melhorar a vida das pessoas com deficiência e suas famílias, mas porque queremos despertar na sociedade a importância do respeito e da inclusão”, explica Geórgia Bolsoni Serafin, que coordena os trabalhos da Associação no Município. 

Um dos bonecos utilizados na peça é de uma criança com deficiência visual, que percorre muitos caminhos com seu fiel cão guia. Batizado de Bernardo, o boneco, junto das outras peças, foi acolhido pelas crianças que também tiveram a oportunidade de trazer relatos sobre situações de intolerância e preconceito. 

Ao final, junto dos Nonos, as crianças cantam a música “ser diferente é normal”, do cantor Lenine. Após a apresentação, os estudantes foram convidados para participarem como contadores do VI Festival de Contação de histórias 2019, que acontecerá entre os dias 27 a 29 de novembro junto com a Feira de livros “Colmeia literária”. 

Agosto Laranja

O chamado Agosto Laranja é dedicado à realização de ações de conscientização e prevenção de deficiências. Conforme a Lei Municipal número 4.138, criada em 2017, as atividades desenvolvidas neste período objetivam a conscientização da sociedade sobre as necessidades específicas de organização social e políticas públicas para promover a inclusão social desta população, combatendo o preconceito e a discriminação. Para terminar o mês, acontecerá uma caminhada de prevenção no dia 27, com saída às 9 horas,  da Apae de Içara, em direção as ruas do Centro do Município. 

Fonte: engeplus.com.br

quarta-feira, 28 de agosto de 2019

Pessoas com deficiências superam desafios no dia a dia

Na Semana Nacional da Pessoa com Deficiência Intelectual e Múltipla, realizada entre 21 e 28 de agosto, a sociedade é conscientizada sobre os direitos destas pessoas


esbrasil.com.br

Foto: Reprodução

Um dia você acorda e descobre que vai ter um bebê. A partir dai, você começa a sonhar com o rostinho, com o jeitinho, quais serão as primeiras palavras e imagina o que ele vai querer ser quando crescer, quais serão os objetivos, entre outras coisas.

Quando o bebê nasce, você descobre que ele terá alguma deficiência. E agora? O que fazer? Muitos pais não sabem como lidar quando descobrem que o filho não terá o corpo ou desenvolvimento intelectual perfeitos.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 1 bilhão de pessoas tem algum tipo de deficiência no mundo e, em cada dez, uma é criança. No Brasil, 45,6 milhões de pessoas são portadoras de deficiência. Destas, 7,5% são crianças de até 14 anos de idade, segundo o último censo do IBGE, de 2010, ou seja, cerca de 3,5 milhões de crianças.

E entre 2000 e 2010, houve uma queda de 5,5% no número de crianças do grupo de 0 a 14 anos. Mas mesmo com a diminuição, o volume de crianças com deficiência dentro dessa faixa etária cresceu 3,2%.

Para debater e refletir, junto à sociedade, sobre o direito de igualdade para que a inclusão aconteça e combater o preconceito e a discriminação foi criada a Semana Nacional da Pessoa com Deficiência Intelectual e Múltipla, que acontece anualmente durante os dias 21 e 28 de agosto.

“A Semana Nacional da Pessoa com Deficiência é um símbolo de mobilização. Um espaço que marca a luta das pessoas com deficiência intelectual na busca por garantia de direitos”, disse o presidente da Federação das Apaes do Espírito Santo, Vanderson Pedruzi Gaburo.

Neste ano, o tema escolhido é “Família e pessoa com deficiência, protagonistas na implementação das políticas públicas”, com a intenção de estimular as famílias a buscar os direitos e o cumprimento de políticas públicas que atendem a essas pessoas.

INCLUSÃO
E muitas vezes, as pessoas com deficiência sentem muita dificuldade em se sentir incluídas na sociedade. Mas não é o caso do Eduardo, 9 anos, que tem Síndrome de Down. Segundo a corretora de imóveis Camila Rosa, 41, o filho é bem quisto pelos colegas. Entretanto, ela aponta que uma das maiores dificuldades encontradas é nas escolas, que, na maioria das vezes, não estão preparadas para receber os alunos especiais.


A corretora de imóveis Camila Rosa, 41 anos, disse que o filho Eduardo, 9, é muito amado na escola que frequenta. – Foto: Renato Cabrini / Next Editorial

“A educação no Brasil não é das melhores, nós sabemos, então imagine colocar uma criança com deficiência dentro de uma classe com outras 30? É complicado para a escola e para nós, mães, pois queremos que nossos filhos evoluam. Por um período paguei uma pessoa para acompanhá-lo durante as aulas, mas, atualmente, ele frequenta uma escola em que houve uma adaptação muito boa, pois a parte da inclusão foi muito bem feita e nós, a família, também fomos muito bem recebidos”, disse Camila.

Ela destacou que houve uma parceria entre a escola e a família para que a adaptação do filho fosse efetiva. “A escola sempre me deu abertura, e sempre tivemos uma troca, para que ajudássemos aos professores a entender o que Dudu queria dizer, por exemplo, pois as crianças com Down processam as informações de forma diferente. Ainda assim, quando estão em período de férias ele fica inquieto querendo retornar”, finalizou a corretora.

DEFICIÊNCIA INTELECTUAL E MÚLTIPLA
A deficiência intelectual é uma limitação nas habilidades mentais gerais, e pode ser percebida quando há dificuldade em situações consideradas comuns, como a comunicação, interação social, leitura, escrita, memória, dentre outras.

Este tipo de deficiência exige, na maioria das vezes, um acompanhamento multidisciplinar em diversas áreas, como saúde, educação e assistência social, para que atenda à necessidade de cada um. Profissionais, como terapeutas ocupacionais, psicólogos, fonoaudiólogos, fisioterapeutas e outros especialistas são utilizados nos tratamentos.

A deficiência múltipla é quando há duas deficiências ou mais simultaneamente, sejam elas intelectuais, físicas ou ambas combinadas.

sexta-feira, 23 de agosto de 2019

22 de agosto: o dia do educador especial

Profissional se dedica a aprimorar o aprendizado de pessoas com deficiência, transtornos do desenvolvimento ou superdotação


Andréa da Luz para o ndmais.com.br

Em Florianópolis, 1.100 estudantes com deficiência são atendidos nos níveis infantil, fundamental e EJA (Educação de Jovens e Adultos) – PMF/Divulgação

Nesta quinta-feira (22) se comemora o Dia do Educador Especial, uma homenagem aos profissionais que se dedicam à formação dos alunos com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades/superdotação.

Esses especialistas incluem professores formados em educação especial, educadores físicos, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais, entre outros. Eles trabalham em conjunto para proporcionar melhor aprendizado, interação nas atividades escolares e convívio social, tanto em sala de aula quanto nas salas de recursos multifuncionais.

Entretanto, para que essa inclusão ocorra de forma institucionalizada, o Brasil criou em 2008 a Política Nacional de Educação Especial, na perspectiva da educação inclusiva. Além disso, a LBI (Lei Brasileira de Inclusão – 13.146/2015) também é referência no serviço de educação especial. Essa legislação, também chamada de Estatuto da Pessoa com Deficiência, permitiu alguns avanços relacionados à conquista da autonomia dos deficientes nas áreas de saúde, educação, trabalho, assistência social, esporte, previdência e transporte.

No caso específico da educação, a LBI assegura a oferta de sistema educacional inclusivo em todos os níveis e modalidades de ensino; estabelece a adoção de um projeto pedagógico com atendimento educacional especializado e profissionais de apoio; e proíbe as escolas particulares de cobrarem valores adicionais por esses serviços.

O dia a dia nas escolas

A educadora especial Jéssica Brites atua nessa área há três anos. Atualmente, trabalha na Escola Básica Municipal José do Valle Pereira, no bairro João Paulo, onde 24 estudantes – entre autistas, pessoas com outras síndromes e deficiência intelectual – são atendidos por três professoras especializadas. “Trabalhamos junto com professores regentes e auxiliares, atuando na questão comportamental e de adaptação curricular e, se necessário, fazendo alguma intervenção no ambiente para favorecer o desenvolvimento do aluno”, afirma Jéssica.

Segundo a professora, a maior dificuldade não é lidar com o aluno, mas vencer a resistência da inclusão em sala de aula. “Ela ainda está em processo, tanto nas escolas quanto em algumas famílias e o apoio de ambos é importante para o trabalho dar certo”, afirma.

A atuação desses educadores é de fundamental importância não apenas para quem tem deficiência, mas também para ajudar a vencer a estranheza que as diferenças causam nos companheiros de classe. “Temos três alunos com autismo nas turmas do 1º ano do fundamental e os primeiros contatos geram um estranhamento, mas logo os demais aceitam, aprendem a lidar e a reconhecer as dificuldades do estudante com deficiência”, diz a professora.

Nas salas multifuncionais, o foco é no atendimento individual. Realizado no contraturno escolar para aprimorar o processo de aprendizagem e interação social, o serviço conta com jogos,computadores e play table (mesa com jogos educativos) que estimulam o raciocínio lógico, a coordenação motora, a memória e a concentração. Nesses espaços também são produzidos e adaptados materiais que ajudam na alfabetização, de acordo com as necessidades específicas de cada estudante.

Capital catarinense é modelo nacional

Em Florianópolis, a rede municipal de ensino recebe alunos com todos os tipos de deficiência intelectual, física, sensorial (como cegos e de baixa visão, surdos e com audição parcial), autismo e altas habilidades/superdotação, desde o ano 2000. Mas a inclusão começou antes dessa data, com o atendimento de surdos e cegos na rede escolar.

Atualmente, 1.100 estudantes com deficiência são atendidos por 67 professores  nos níveis infantil, fundamental e EJA (Educação de Jovens e Adultos) nas salas de aula e nas salas multifuncionais, disponíveis em 35 polos instalados em determinadas escolas, atendendo alunos oriundos de várias unidades no entorno. Já dentro das salas de aula, o professor regente conta com o educador especial e professores auxiliares para atender casos específicos, como o autismo e deficiências físicas graves.

Os professores recebem formação do município sobre a educação inclusiva. “Este ano, capacitamos os professores da rede para sensibilizar e fundamentar a concepção da educação inclusiva, oferecendo estratégias e recursos que desmistificam o estudante com deficiência. Essa formação é reforçada pelo especialista em educação especial dentro das escolas, junto com o professor”, diz a gerente de Educação Especial do município, Ana Paula Felipe.

De acordo com a gerente, todo esse trabalho serviu como referência para os documentos legais que resultaram na Política Nacional de Educação Especial. “Florianópolis é uma referência nacional nessa questão da educação inclusiva, que complementa e suplementa a escolarização dos estudantes”, afirma.

Professores especializados como Jessica Brites e Marilene Büttenbender (foto) dão suporte a alunos em salas multifuncionais e nas classes regulares – PMF/Divulgação

Inclusão aumentou quase 500% em dez anos

Segundo dados do Censo Escolar do MEC (Ministério de Educação), o número de alunos com deficiência matriculados em turmas regulares de escolas públicas aumentou 493% em dez anos, saltando de 81.695 estudantes no ano 2000 para 484.332 em 2010. Também em nível nacional, foram implantadas salas de recursos multifuncionais em 83% dos municípios e 42% das escolas públicas, de 2005 a 2010.

Em Santa Catarina, a educação especial é regulamentada pela Resolução 100/2016 do Conselho Estadual de Educação. São considerados público alvo dessa modalidade, as pessoas com deficiência, autismo, transtorno de déficit de atenção/hiperatividade e altas habilidades/superdotação.

Dados levantados pela Secretaria estadual de Educação em junho apontam que 842 escolas oferecem o Atendimento Educacional Especializado. O serviço envolve 6.527 segundos professores que atuam nas classes regulares e contraturno escolar, os quais prestam assistência a 15.034 estudantes com deficiência. A rede estadual conta atualmente com 523,9 mil estudantes matriculados.

quarta-feira, 21 de agosto de 2019

Práticas pedagógicas para Deficiência Intelectual

Luciana Brites para o neurosaber.com.br


Imagem relacionada

Receber alunos com diferentes necessidades simboliza um aprendizado enorme para qualquer educador. Mas, além desse aspecto, podemos afirmar que contar com crianças de perfis variados em um mesmo espaço também significa um desafio considerável. Vamos imaginar, então, o que e quais são as estratégias pedagógicas adotadas pelos professores de estudantes que convivem com a deficiência intelectual (DI).

Se você já trabalha na área de educação especial, o que será tratado neste artigo apenas reforçará o papel desempenhado por toda a sua equipe. Essas práticas visam ao desenvolvimento dos alunos de forma que eles possam adquirir uma autonomia considerável para o cotidiano de todos eles. Antes de mostrar aos leitores algumas das práticas que podem ser aplicadas na rotina dos estudantes, é importante relembrar algumas informações.

O que é Deficiência Intelectual?
A deficiência intelectual é caracterizada pelo funcionamento cognitivo que não corresponde à média esperada, ou seja, que esteja abaixo do que é considerado normal.

Ao longo das décadas, a denominação de deficiência intelectual foi sendo alterada de acordo com a concepção que os estudiosos passavam a ter acerca da doença. Para se ter uma ideia, os profissionais já mencionaram a DI como desenvolvimento cerebral incompleto/ desenvolvimento mental incompleto. Isso há aproximadamente 60 anos.

Práticas pedagógicas para deficiência intelectual: o que considerar?
É imprescindível levar em consideração muitos fatores que dizem respeito às práticas pedagógicas voltadas para os alunos com deficiência intelectual. Afinal, pode haver muita diferença entre eles. Sendo assim, quais quesitos os especialistas devem priorizar na elaboração de currículos?

Bom, a flexibilização curricular é algo que precisa ser pensado tendo em vista a demanda de cada estudante. Diante dos aspectos multifatoriais do corpo discente, vamos enfocar o que deve ser feito sob um aspecto mais geral.

– Currículo adaptado
Isto não significa que o estudante deva ser excluído do restante da turma. Muito pelo contrário, é preciso adequar o currículo de forma que ele possa acompanhar o que é dado. No entanto, não podemos desmerecer o fato de que a criança ou o jovem precise de uma ajuda para tal. O professor pode encontrar alternativas ao que está sendo lecionado.

– Qual a forma de aprendizagem do aluno?
É preciso considerar que um estudante com deficiência intelectual pode ser cinestésico, visual ou auditivo. Isso significa que dependendo da forma mais usual da pessoa alcançar o conhecimento, maiores devem ser as chances de os professores utilizarem tais recursos, a saber:

– Alunos cinestésico: é preciso que eles tenham materiais pedagógicos em que possam ser tocados;

– Alunos visuais: a disponibilização de imagens em cartões e outros suportes são excelentes para propiciar o conhecimento;

– Alunos auditivos: neste caso, as gravações de áudio são muito boas por permitir que os estudantes consigam concatenar melhor o conteúdo.

Avaliações
Assim como citado acima, as avaliações dos alunos que convivem com a deficiência intelectual devem e precisam ser adaptadas de acordo com a habilidade que mais lhes apetecem.

Tempo para avaliações e atividades
A adaptação também é uma prerrogativa dos alunos nessa situação. Há que se ressaltar o seguinte aspecto: o professor nunca apressar o estudante. É preciso deixar a criança ou jovem no seu próprio tempo. O importante é que ele demonstre evolução.

Deficiência intelectual e comportamento adaptativo
Pelo menos desde 2010, o conceito de deficiência intelectual abrange mais a população que vive sob os sintomas do transtorno. Além disso, a partir do ano mencionado, tem-se o conhecimento acerca de um detalhe importante: o teste de inteligência serve para medir o funcionamento intelectual da pessoa. No entanto, o comportamento adaptativo também passou a ser considerado. Dentro desse aspecto estão também as habilidades sociais, conceituais e práticas.