Mostrando postagens com marcador fisioterapia. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador fisioterapia. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 2 de outubro de 2020

Diagnóstico precoce traz benefícios na vida de crianças com deficiência, diz fisioterapeuta

 José Lucas Salvani para o olhardireto.com.br

Fisioterapeuta Camila Albues e o paciente Pedro

O diagnóstico precoce traz benefícios importantes para uma criança que possui deficiência, defende a fisioterapeuta neuropediatra, doutoranda em Distúrbios do Desenvolvimento pela Mackenzie e proprietária da clínica Vital Kids, Camila Albues. Nesta segunda-feira (21), é celebrado o Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência (PCD), data criada como forma de representação da luta diária, tanto das PCD quanto dos familiares.

Ao promover um diagnóstico precoce, é possível ter um bom diagnóstico funcional. "Nesse diagnóstico, nós focamos no aprendizado da criança de uma forma que ela alcance o potencial total, não como todo mundo, mas da maneira dela", explica Camila que fundou a clínica há 10 anos motivada desde a faculdade, e criou um modelo voltado para a família, de forma acolhedora e humanizada.

Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam que 6,2% da população brasileira possuem algum tipo de deficiência, seja auditiva, visual, física ou intelectual.

Pedro, de 1 ano e 4 meses, nasceu com uma síndrome genética rara, chamada “Síndrome de Sotos”. Aos três meses, já começou a fazer fisioterapia. Sua mãe, Erica Capriata Gonçalves, de 32 anos, explica que toda semana “ele ganha uma habilidade nova. “Sem o acompanhamento da fisioterapeuta, da terapeuta ocupacional e da fonoaudióloga, ele não estaria se desenvolvendo tão bem", relata Erica.

Já Benjamin, de 3 anos, foi diagnosticado ainda na gestação com hidrocefalia e síndrome de Dandy-Walker. Desde o nascimento, os pais enfrentam dificuldades diárias para que ele tenha a melhor qualidade de vida possível. A criança faz suas refeições via gastrostomia percutânea (GTT), e sua mãe Sara Cortez, 26, realiza as limpezas e os curativos em sua traqueostomia, além de administrar suas medicações.

Apesar do acompanhamento e das alegrias proporcionadas pelo desenvolvimento constante, os pais relatam dificuldade na inclusão das crianças em ambientes sociais, como na escola. Thaciane Garcia, de 28 anos, relata as batalhas enfrentadas para encontrar uma escola que atendesse às necessidades de Diana, que completa 5 anos no início de outubro, diagnosticada com microcefalia. A mãe dela contraiu Zika Vírus no quarto mês de gestação.

"Algumas escolas particulares quiseram que a gente pagasse outro salário para uma pessoa ficar com ela. Em uma delas, eu fiquei na adaptação, dentro da sala com a Diana durante duas semanas, mas dessa forma ela não iria se adaptar. A gente chegou a ouvir 'não tem como aceitar sua filha'", lembra Thaciane.

Antes da pandemia, a mãe conseguiu conseguiu uma vaga em uma escola pública para sua filha, onde tem o acompanhamento de um profissional totalmente dedicado às necessidades dela. Sentindo-se acolhida, tanto pela estrutura quanto pelas outras crianças, Thaciane chegou à conclusão de que se soubesse que seria dessa forma não teria nem tentado a adaptação em escolas particulares.

Além da falta de acessibilidade, as mães lidam com outra questão, o isolamento social, afastamento de amigos e familiares após o diagnóstico dos filhos. O comportamento é visto em coisas como não procurar fazer parte da vida da criança ou deixar de convidá-la para uma festa de aniversário infantil.

Esse isolamento parte da falta de aceitação do diagnóstico. Sobre isso, as mães relatam que algumas pessoas da própria família começaram a usar os jargões "ele vai ser curado", "isso não existe, com o tempo vai ficar tudo bem". Com o passar do tempo, elas relatam que as pessoas passaram a entender mais sobre a situação, que a criança não precisa de cura e que são felizes do jeito que são.

Tanto Sara quando Erica encontraram suporte em redes de apoio de mães que têm filhos com alguma deficiência. "As pessoas encaram como um fardo ser mãe de uma criança com deficiência, uma cruz. Chamam a gente de guerreira, como se estivéssemos num patamar diferente de mãe e acabam dizendo que, no fundo, a gente foi escolhida porque é mais forte ou tem mais capacidade que outras mães. E não é isso. Somos mães como quaisquer outras", afirma Sara ao comentar que continuará na sua luta diária em busca de terapias que proporcionem melhor qualidade de vida ao pequeno Benjamim.

Vital Kids

A Clínica de reabilitação Vital Kids foi idealizada por Camila Albues desde o 2º semestre de faculdade em uma aula de empreendedorismo, um sonho que virou realidade. Foi pioneira em Mato Grosso em tratamento intensivo Pediasuit, manuseios Bobath Avançado J P Mães Londres, Bobath Baby NDT/USA Avançado, TDCS (Estimulação Transcraniana), Método TREINI (Treinamento Intensivo Neurológico) e faz doutorado na busca de Evidências Científicas no tratamento.

A Vital Kids completa em janeiro 10 anos e tem como lema "a arte de habilitar vidas". O foco é o atendimento de crianças, desde a primeira infância, para tratamentos ortopédicos ou neurológicos. A empresa tem como característica um modelo centrado na família, desenvolvendo um atendimento humano e acolhedor.

quarta-feira, 8 de abril de 2020

A importância da fisioterapia na criança com Síndrome de Down



A Síndrome de Down (SD) ou Trissomia do par 21 (T21) é tipicamente associada a atrasos de crescimento e desenvolvimento, devido a hipotonia, características faciais específicas e deficiência intelectual leve à moderada.

Assim sendo, a intervenção fisioterapêutica deve então começar com uma avaliação fisioterapêutica minuciosa (coleta de dados e exame físico), cuja função é direcionar o tratamento.

Em uma sessão típica de fisioterapia devem-se observar as habilidades motoras que a criança já domina sozinha e então determinar o que a mesma está pronta para aprender a seguir. Sempre estimulando o paciente, com estímulos visuais e auditivos, favorecendo assim o desenvolvimento das habilidades motoras.

A criança com Síndrome de Down (SD) pode iniciar a fisioterapia desde o nascimento, neste momento com atividades que estimulem a austentar o pescoço, rolar, sentar-se, arrastar-se, engatinhar, ficar em pé e andar, diminuindo os efeitos motores da SD. Nesse momento estas atividades são chamadas de estimulação precoce.

A intervenção da fisioterapia motora em crianças com Síndrome de Down (SD) faz uso de técnicas e métodos que promovam o movimento
adequado, o equilíbrio e o correto alinhamento postural, como o Conceito Básico Neuroevolutivo (Bobath), hidrocinesioterapia,
equoterapia, dentre outros.

É interessante ressaltar a participação de familiares e dos pais, que podem auxiliar no tratamento, realizando em casa atividades ensinadas pelo fisioterapeuta e ainda que a mesma deve fazer um
acompanhamento multidisciplinar.

Relatamos aqui a atuação da Fisioterapia na Síndrome de Down (SD). Enfatizando os benefícios do tratamento, no qual ela pode colaborar para o fortalecimento físico e o desenvolvimento motor da criança. Mas vale lembrar que só deve iniciar a atividade após autorização do médico que o acompanha e caso o bebê com Síndrome de Down (SD) tenha nascido com algum tipo de cardiopatia grave, por exemplo, qualquer exercício é contraindicado até que o problema seja tratado.

Fonte:
Guia do bebê com síndrome de Down – Dr. Zan Mustacchi
Movimento Down
InterFISIO

sexta-feira, 16 de agosto de 2019

Fisioterapia auxilia na inclusão de pessoa com deficiência

Fisioterapeuta e professora da UNINASSAU explica como a área ajuda essas pessoas e quais são algumas das atividades realizadas com eles


Por Berg Braga para o UNINASSAU | uninassau.edu.br

Entre os dias 21 e 28 deste mês, é vivenciada a Semana Nacional da Pessoa com Deficiência Intelectual e Múltipla. Nesse contexto, a Fisioterapia se destaca como uma das áreas que vem, ao longo das últimas décadas, trabalhando para o bem-estar de pessoas com deficiências. Com suas diversas atividades, o profissional fisioterapeuta colabora na conscientização das diferenças, assim como na diminuição de complicações e no incentivo de uma vida mais independente.

Imagem mostra criança em cima de bolas
Nessas atividades fisioterapêuticas são usados diversos instrumentos e materiais como bolas

A professora do curso de Fisioterapia da Faculdade UNINASSAU Caruaru, Pollyanna Brandão, aponta que um dos objetivos é diminuir a segregação e incluir os pacientes na sociedade. “Pela Fisioterapia, as pessoas com deficiências são acolhidas e as diferenças são trabalhadas. Assim, fazemos um papel de inclusão social, de desenvolver uma melhor funcionalidade trabalhando as deficiências motoras”, destaca a docente, mestre em Saúde da Criança e do Adolescente.

“Para as crianças com deficiência, especificamente, as atividades são voltadas sobretudo para melhorar a qualidade de vida e desenvolver as atividades diárias. Com isso, os pequenos ficam mais independentes, o que evita que as complicações da deficiência aumentem ou venham a ser ainda mais prejudiciais”, informa.

Nessas atividades fisioterapêuticas são usados diversos instrumentos e materiais como bolas suíças, rolo, malhas, além de métodos como o Bobath – um procedimento mais comumente utilizado no atendimento fisioterapêutico de pessoas com problemas neurológicos - e o Parapodium - equipamento utilizado para auxiliar a criança na manutenção da postura em pé, por exemplo.

“Entre essas atividades estão exercícios voltados para promoção de alongamento e fortalecimento de músculos dos membros e do tronco, além da musculatura respiratória”, completa a professora.

Semana Nacional 

A Semana Nacional da Pessoa com Deficiência Intelectual e Múltipla acontece todos os anos durante o período de 21 a 28 de agosto, com objetivo de abrir debates e colocar a sociedade em reflexão no dever da igualdade para inclusão. O tema deste ano é "Família e pessoa com deficiência, protagonistas na implementação das políticas públicas."

sexta-feira, 12 de agosto de 2016

Cuidados ortopédicos na paralisia cerebral

paralisia cerebral 1

O diagnóstico de paralisia cerebral é muito preocupante para a família. Ao contrário do que muitos pensam, não há completa ausência das funções cerebrais, o cérebro não está paralisado – a nomenclatura que é inadequada.

Trata-se de uma lesão no cérebro imaturo. Geralmente em crianças prematuras, com baixo peso e que ao nascerem (por imaturidade pulmonar) não conseguem oxigenar adequadamente o sistema nervoso central. Frequentemente necessitam de internação prolongada em UTI neonatal.

Na maioria das vezes, as áreas envolvidas são predominantemente motoras, não havendo prejuízo na inteligência. É lógico que existem também aquelas com lesões graves no cérebro que repercute não só no controle dos movimentos, como também nas funções intelectuais. Existem exceções a regra, e nem toda criança prematura ou de baixo peso apresenta comprometimento motor durante o desenvolvimento.

A lesão cerebral é estática (não piora), porém o envolvimento articular tende a piorar se não tratado devido à desproporção no crescimento entre ossos normais e músculos espásticos (situação em que os músculos ficam em constante contração, sem relaxamento adequado, tornando-se mais rígidos), crescendo mais lentamente e gerando deformidades articulares.

O que chama atenção inicial é o atraso no desenvolvimento motor (demora a rolar, não sustenta cabeça, por exemplo), além de ter rigidez nas articulações (músculos espásticos), o que pode ser observado na manipulação diária. Algumas apresentam dificuldade de alimentação, refluxo gástrico, alterações visuais e estrabismo. É neste momento que são encaminhadas para avaliação neurológica e o diagnóstico é estabelecido.

Meu filho é especial? Será que vai andar?

São muitas as expectativas dos pais. Neste momento é fundamental iniciar o tratamento multidisciplinar com fisioterapia (motora, respiratória, terapia ocupacional, fono) junto com a ortopedia pediátrica. Isso deveria ser a rotina, mas na prática o que vemos é que por uma série de dificuldades muitas famílias não conseguem ortopedista pediátrico capacitado para atendimento, acompanhamento, indicação de órteses adequadas, aplicação de Botox – quando indicado, e indicação cirúrgica no momento preciso.

Começam as barreiras


A ausência do ortopedista capacitado sobrecarrega o trabalho do fisioterapeuta que, muitas vezes, tem que fazer seu trabalho brilhantemente e ainda indicar órteses. Além disso, quando precisam de opinião médica capacitada, acabam ouvindo de ortopedistas generalistas, que não estão preparados para esta patologia e não se dedicam ao tratamento exclusivo de crianças. Não sabem fazer exame físico adequado de crianças espásticas e com isso começa o conflito de opiniões: um fala uma coisa e o outro fala o oposto, deixando a família perdida e sem saber em quem confiar.


Cuidados ortopédicos


Desde o início é importante definir para a família o que é espasticidade e falar sobre o prognóstico do desempenho motor, classificar o grau de comprometimento motor.

O envolvimento é do corpo todo? Só um lado do corpo é envolvido? Embora o corpo todo seja envolvido, são os membros inferiores mais graves do que os superiores?

Avaliar o estágio do desenvolvimento motor e acompanhar a cada consulta. Monitorar o posicionamento das articulações, em especial quadris, pés e coluna vertebral, com exame físico e de imagem.


A cada consulta deve ser monitorado o grau de movimento das articulações, dando especial atenção aos quadris que pelo desequilíbrio dos músculos tendem ao deslocamento. Suspeitamos inicialmente pela limitação nos movimentos, algumas vezes dificultando a abertura das pernas para troca de fraldas. Joelhos que não esticam completamente, e pés que ficam fixos para baixo (na ponta), também são motivos de tratamento.

Naquelas que já iniciaram a marcha, as alterações serão analisadas, algumas vezes necessitando de exame conhecido como laboratório da marcha, onde através de gravação em imagem da criança caminhando podemos definir os problemas e oferecer o melhor tratamento.


Promover proteção articular necessária com prescrição de orteses adequadas. Indicar Botox para controle e relaxamento dos músculos mais envolvidos com protocolo de revisão semestral. Promover correção cirúrgica de deformidades em idades adequadas.


Para o pleno desenvolvimento motor, as crianças espásticas deverão ser submetidas a cirurgias ortopédicas em idades apropriadas. As correções de deformidades em quadris, joelhos e pés, muitas vezes com cirurgias combinadas onde alongamentos tendinosos e cirurgias ósseas são feitas no mesmo momento, são capazes de mudar a historia natural, fazendo com que as crianças caminhem melhor e maiores distâncias, tendo maior independência.

Cuidados com as "armadilhas"


O acompanhamento ortopédico é pontual. Deve iniciar logo que feito o diagnóstico e continuar regularmente a intervalos predeterminados. São os ortopedistas pediátricos que indicam as órteses adequadas, monitoram o posicionamento das articulações, indicam o momento para aplicação de Botox (para relaxamento dos músculos espásticos), assim prevenindo deformidades articulares e indicam os melhores momentos para a realização da cirurgia. O trabalho do fisioterapeuta é contínuo. A integração desses profissionais, “falando a mesma língua” é que leva ao bom tratamento.

Exijam isso dos profissionais, não sejam os intermediadores de opiniões, façam com que um profissional converse diretamente com o outro, isso vai determinar o melhor tratamento.

Não se contentem com os profissionais que definem a criança como cadeirante, sem prognóstico de marcha e que optam por não oferecer nenhum tratamento, sendo negligentes e permitindo que as deformidades piorem cada vez mais, fazendo com que a qualidade de vida da criança e da família seja afetada.

Importante


Sempre invistam em seus filhos, as maiores dificuldades serão superadas. É muito gratificante para as famílias verem seus filhos se desenvolvendo, mesmo com algum atraso. Cada ganho, por menor que seja, é importante.

É recompensador poder ajudar e participar do trabalho para torná-los independentes para locomoção, comunicação e socialização. Melhorando a qualidade de vida dos nossos pequenos e dando-os independência.

Portanto papais e mamães, não esqueçam: tenham total confiança em seus fisioterapeutas, eles são fundamentais. Mas tenham também ortopedista capacitado para o tratamento. Permitam que os profissionais se comuniquem, tirem suas dúvidas, percebam se as atitudes médicas estão sendo coerentes. No final a beneficiada será a criança que tanto queremos ajudar.

Dr. Maurício Rangel — Ortopedista Pediátrico
criancaesaude.com.br