quarta-feira, 15 de dezembro de 2021

Escritora utiliza histórias infantis para trabalhar inclusão de pessoas com deficiência

Em mais recente publicação, autora aborda o tema de crianças com nanismo

R7.com

Livro de estreia de Celina na literatura infantil foi “Bruna, uma amiga Down mais que especial” DIVULGAÇÃO

Em uma tradução livre, a inclusão social diz respeito a “enxergar o mundo em todas as perspectivas, permitindo a liberdade e boas condições de convivência para todos”. Na realidade, no entanto, isto está longe de acontecer porque boa parte dos espaços nem sempre é acessível a todos os públicos, como para as pessoas com deficiência, que no Brasil representa cerca de 25% da população. Mesmo com um número elevado de deficientes físicos no país, falta representatividade para essas pessoas em diversos meios sociais e culturais, entre eles, a literatura.

Essa realidade sempre incomodou a professora e escritora carioca Celina Bezerra. “Ainda na infância, quando encontrava uma criança com deficiência, muitas vezes ouvia de adultos, ‘não fica olhando’ ou ‘para de olhar, que a criança vai ficar encabulada...’ e, na realidade, eu só queria ir lá e brincar, conversar, interagir. Eu não me importava se ela era cadeirante ou se era uma criança com Síndrome de Down. Só queria estar com ela. Isto era uma grande interrogação para mim e eu trouxe essa indagação para a vida adulta”.

Após cursar a faculdade de Letras e se especializar em Educação Inclusiva e em Educação da Infância com Ludicidade, a escritora usou a indagação da infância para ilustrar histórias infantis com personagens diversos que giram em torno da inclusão. “Decidi, então, escrever para a parcela da população infantil que tinha pouca ou nenhuma representatividade na literatura infantil: as crianças com deficiência ou características especiais”, justifica a educadora que mora na Bahia há duas décadas.

Formada em Letras e pós-graduada em Educação Inclusiva e em Educação da infância com Ludicidade, Celina tem se destacado na cena literária pela escrita necessária dedicada às temáticas da diversidade e inclusão.  O mais novo livro é “O pequeno grande Tião, o menino com nanismo”, que acaba de chegar ao mercado com o selo da série Amigos Especiais da Editora InVerso e ilustrações assinadas por Kitty Yoshioka. Tião não sabia o que era Bullying até que precisou se mudar com a família para uma outra cidade, onde foi recepcionado por olhares curiosos, gargalhadas e até piadas. “Por ter sido criado em uma comunidade que o aceitava, Tião conseguiu enfrentar a situação. Se não fosse seguro de si, poderia se fechar para o mundo como acontece com muita gente”, avalia a autora.

O livro de estreia de Celina na literatura infantil foi “Bruna, uma amiga Down mais que especial”, lançado em 2017. Dois anos depois, “Sabrina, a menina albina” ganhava os holofotes. Em 2021, Charles, a estrela autista chegava ao mercado. “Tenho 12 temáticas listadas para escrever. Ainda pretendo lançar livros com personagens que representem crianças com deficiência auditiva, visual, paralisia cerebral”, lista a autora cujas obras literárias podem ser adquiridas nas livrarias, no site da editora (www.editorainverso.com.br) ou nas suas redes sociais @celina_bezerra.

Para a autora, a dedicação em escrever histórias em que deficientes físicos e intelectuais são protagonistas é mais uma de forma de diminui o foco da limitação e evidenciar suas potencialidades. “Gosto de, através das minhas histórias, quebrar paradigmas e contribuir para que as pessoas olhem, não para as deficiências, mas sim para as potencialidades do outro”, conclui Celina.

Fonte: Agência Educa Mais Brasil

sexta-feira, 10 de dezembro de 2021

Personagens com deficiência em livros é realidade na literatura em tempos de inclusão

Literatura infanto-juvenil pode ser utilizada como instrumento para a sensibilização da consciência de crianças ao universo PCD

terra.com.br 
 
 
Dados levantados em 2019 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que pelo menos 45 milhões de pessoas têm algum tipo de deficiência, o que representa quase 25% da população. Segundo a Coordenação Geral de Saúde da Pessoa com Deficiência "pessoas com deficiência são aquelas que têm impedimentos de longo prazo de natureza física, mental, intelectual ou sensorial, os quais, em interação com diversas barreiras, podem obstruir sua participação plena e efetiva na sociedade em igualdades de condições com as demais pessoas". Sendo uma parcela considerável dos brasileiros considerados PCDs (pessoas com deficiência), cada vez mais é possível encontrar representatividade desse grupo na literatura.
 
Personagens, sendo muitos protagonistas, estão presentes na literatura atual de forma politicamente correta. No artigo "A Representação da Deficiência em Narrativas Ficcionais: Um Estudo Comparado Sobre as Diferenças na Literatura", de Rosangela Marcilio Bogoni, a autora cita que seu primeiro contato com um PCD na literatura clássica mostrava uma pessoa dita como sem utilidade e de forma negativa, o que era muito comum. Mas muito mudou nas últimas décadas e hoje inclusive há uma vertente que mostra a representação da deficiência na literatura infantojuvenil nos tempos de inclusão.

"A inclusão de pessoas com deficiência e a garantia de todos os direitos está prevista na Constituição do Brasil. Porém, mais do que incluir as pessoas com deficiência em todos os espaços da sociedade, é necessário reflexão e mudança de comportamento. Uma maneira de fazer isso é levar o tema para a infância ou para o início da juventude", comenta.

Literatura de inclusão

O artigo "A Representação da Deficiência na Literatura Infanto-Juvenil nos Tempos de Inclusão", de Lucélia Fagundes Fernandes Noronha, afirma que "pensando na leitura como fonte de conhecimento, e no livro como a interface entre o leitor e as ideias ali contidas, a literatura infantojuvenil pode ser um canal de formação e informação das crianças e jovens, entretanto, se essas histórias representarem a deficiência com elementos explícitos e implícitos geradoras, propiciadoras e solidificadores de estereótipos e preconceito com relação à deficiência, não estarão condizentes com o momento em que se vislumbra a inclusão escolar e social da pessoa com deficiência". Assim, destaca que um dos caminhos necessários é cuidar das informações que chegam às crianças a respeito da deficiência pelos produtos culturais, sendo a literatura infantojuvenil muito importante, já que é extremamente presente na vida de crianças tanto dentro quanto fora da escola.

A pesquisadora salienta que a "literatura Infantojuvenil, por iniciar o homem no mundo literário, pode ser utilizada como instrumento para a sensibilização da consciência, para a expansão da capacidade e interesse de analisar a sociedade e principalmente as relações socioafetivas. Sendo fundamental mostrar que a literatura deve ser encarada, sempre, de modo global e complexo em sua ambiguidade e pluralidade".

Segundo Débora Gimene, psicóloga, as histórias são importantes para o desenvolvimento infantil, pois com elas as crianças podem criar um mundo mágico e simbólico e podem elaborar instrumentos e formas de lidar com suas questões individuais, com suas dificuldades, medos, emoções e sentimentos. "As histórias auxiliam na construção de valores e de habilidades emocionais e sociais, além de contribuir para formação cultural. Poder se identificar com um protagonista é algo enriquecedor e todo mundo deveria ter essa oportunidade", comenta. Ela comenta que esse é um tema muito importante para si, já que trabalha diretamente com pacientes PCDs e possui integrantes na família que são. Sua mãe é deficiente física e sua filha possui uma rara síndrome. "Tudo isso certamente me tornou uma pessoa mais empática e atenta a detalhes de inclusão e me mostra o poder da dedicação e da valorização das diferenças. E com certeza a literatura não deve ter representatividade relacionada apenas a pessoa com deficiência, mas toda a sociedade, não apenas parte dela", destaca.

Literatura infantil

Vivian Costa, enfermeira, tem contato constante com pacientes PCD. E foi esse convívio diário que a levou a escrever "Viva! Viva Javali!", seu primeiro livro e que foi publicado pelo selo infantil da Editora Albatroz, a Albatrozinho. "Acredito que o futuro depende da leitura de mundo que cada criança constrói ou se sente estimulada a construir. Assim, o relato de tantas pessoas, grandes e pequenas, me desafiaram a propor uma leitura crítica em torno de uma realidade social que existe e precisa ser mudada", conta.

Focado na inclusão, em "Viva! Viva Javali!" o leitor conhece Leo, um garoto numa cadeira de rodas, e Javali, seu cachorro e amigo fiel. Vivian Costa fala, de maneira lúdica e criativa, nas páginas do livro sobre como muitas pessoas têm visão errada de PCD. O personagem em certo momento conta que ninguém acreditava que ele já pudesse ler só porque não podia caminhar. No enredo Leo e Javali sempre brincaram juntos, mas outras crianças não queriam estar com eles. "Léo então entendeu que não era preciso ter as mesmas capacidades para poder se divertir com crianças da sua idade. E a molecada aprendeu algo ainda mais importante: aceitar novos amigos não é só uma questão de respeito e educação, é também acrescentar às brincadeiras diárias muito mais conhecimento e emoção", diz certo trecho da obra.

Vivian Costa comenta que apesar de ter sido a sua primeira obra, não será a última, "Javali chegou para me aproximar do gênero infantil e aprender com cada leitor onde é importante melhorar, para que o propósito de construir o mundo melhor seja amplamente alcançado", explica. Além disso, escreveu um romance chamado "Sóis de Quarentena".

Para adquirir "Viva! Viva Javali", basta acessar este link para o site da Editora Albatroz.

Website: loja.editoraalbatroz.com.br

quarta-feira, 8 de dezembro de 2021

Deficiência auditiva em crianças

Nathalia Schuengue para o pebmed.com.br

A identificação da deficiência auditiva em bebês é um processo desafiador. Nos primeiros meses de vida, o bebê está em processo de construção do significado de suas emoções. A partir da interação com a mãe, ou seja da percepção da fala, da expressão facial, do toque, do olhar, da forma como segura no colo, do momento da amamentação, o bebê começa a atribuir significados simbólicos às emoções que ele experimenta.

Entretanto, quando o bebê possui algum nível de perda auditiva, a percepção do mundo e das suas emoções é um pouco diferente. Os impactos da alteração auditiva pode comprometer principalmente o desenvolvimento da fala e a interação social.

Possíveis causas para a deficiência auditiva em bebês

A deficiência auditiva em bebês e crianças pode ser causada por má formação anatômica da cabeça ou pescoço; síndrome genética; Histórico familiar de perda auditiva na infância; Prematuridade; Baixo peso ao nascer; Internação em UTI neonatal; Asfixia perinatal; Infecção Perinatal ( citomegalovírus, rubéola, herpes, sífilis, Toxoplasmose, meningite), Infecção crônica de ouvido, Paralisia Cerebral; Síndrome de Down e Exposição a drogas ototóxicas.

Classifica-se como perda auditiva neurossensorial os casos em que há uma alteração nas estruturas do ouvido interno ou no nervo auditivo. As principais causas desse tipo de perda são as má formações do ouvido interno, infecções, drogas ototóxicas, exposição a sons altos. Já a perda auditiva condutiva é quando há uma alteração na transmissão do som ao ouvido médio. Casos em que são identificados alterações na transmissão do som no ouvido médio e ao longo das vias auditivas, são denominados de Perda auditiva Mista.

Atualmente, todos os bebês devem passar por uma Triagem Auditiva Neonatal, de preferência ainda na Maternidade, nas primeiras 24 a 48hs com o objetivo de identificar precocemente a presença de deficiência auditiva. Além disso, é importante que profissionais de saúde, que desenvolvem atendimento de puericultura, avaliem a função auditiva e desenvolvimento da fala, bem como estejam atentos aos sinais que eles podem apresentar de perda auditiva.

Podem sinalizar algum grau de perda auditiva, quando o bebê ou a criança:

  • não pisca na presença de sons altos;
  • não acorda na presença de sons altos;
  • não identifica a localização dos sons (a partir dos seis meses);
  • apresenta ausência da fala (a partir dos sete meses);
  • não reage a voz;
  • não atende pelo nome;
  • usa o gestual para comunicação;
  • bate a cabeça, as mãos ou pés em superfície para sentir a vibração;
  • grita;
  • pede para repetir os comandos com frequência;
  • reage melhor as expressões faciais do que aos comandos verbais;
  • evita interação social;
  • prefere brincar sozinho;
  • apresenta comportamento de irritabilidade quando não é compreendido;
  • comportamento introspectivo;

Na suspeita de deficiência auditiva, é importante que o enfermeiro investigue outros aspectos como o momento em que os pais perceberam a alteração na audição, por exemplo. Crianças menores de dois anos com o diagnóstico de deficiência auditiva possuem maior comprometimento da linguagem e interação, do que uma criança maior que ficou surda com quatro anos. Esta teve a oportunidade de conhecer os sons e estruturar uma memória auditiva.

Entender todo o contexto familiar, histórico de surdez na infância, infecções agudas e crônicas de ouvido que possam estar relacionadas, outras infecções períodos de internação em UTIneonatal, alterações genéticas, estímulos auditivos, uso de medicamentos ototóxicos, dentre outros aspectos, são fundamentais para planejar, junto a equipe multiprofissional, estratégias de estimulação e manejo da deficiência auditiva.

A gravidade da perda auditiva pode ser bem variável, podendo ser leve, moderada, severa ou até mesmo uma perda severa profunda. O manejo clínico e a modalidade terapêutica vai variar de acordo cada caso. Diversas modalidades estão disponíveis e podem ser utilizadas em associação com a terapia fonoaudiológica, como uso de aparelhos aparelhos de amplificação sono individual, implante coclear, uso de Língua Brasileira de Sinais, implante de tronco cerebral estimulação da leitura labial, etc.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2021

Nosso dia: somos totalmente capazes de estar em todos os lugares

 Clodoaldo Silva para o uol.com.br

Hoje é o Dia Internacional da Pessoa com Deficiência. Para nós, pessoas com deficiência, esse é só mais um dia de luta, com a diferença que hoje levantamos nossas bandeiras, discutimos melhor sobre temas que têm relação com nossos direitos e reconhecimento e levamos mensagens sobre nossas capacidades para a sociedade e Estado. Hoje eu quero escrever como é ser uma pessoa com deficiência no Brasil.

Quando uma mãe fica grávida, ela jamais pensa que seu filho irá nascer com deficiência. Ela projeta que o filho nasça com saúde e sem problemas. No entanto, no Brasil, segundo o último Censo do IBGE, 24,5% da população brasileira tem algum tipo de deficiência. A primeira pancada que levamos é: Não somos crianças desejadas pela nossa família.

Nascemos e o desafio está posto. Costumo dizer que nascer foi um ato de coragem nosso. Por que o mundão aqui fora não espera pela gente não. Ser criança com deficiência no Brasil é experimentar todas as negações de direitos e mais algumas que têm relação específica conosco. Ah... é experimentar a falta de oportunidades e preconceitos nas escolas e nas ruas. É vivenciar com a palavra "coitadinho" quase todos os dias.

A gente já cresce tendo que entender nossas dificuldades, gastando mais tempo para a locomoção e sob o olhar social de que somos pessoas que não deram certo. A gente entra na adolescência cheio de traumas e, quando temos muita informação, nós vamos lutar por direitos que deveriam já estar expostos.

Somos desafiados diariamente quando temos que sair de casa e enfrentamos calçadas irregulares, não temos rampas, não temos transporte decente. Às vezes ônibus que não para, motoristas de aplicativos que recusam a chamada porque estamos na cadeira de rodas ou porque temos um cão guia. Uma luta até chegar no tratamento, na escola, no hospital, na pracinha ou em um bar. Gastamos muito tempo com tudo isso, por isso sempre precisamos nos adiantar. O nosso horário reservado sempre é maior. Temos que pensar em todos os detalhes.

Em qualquer lugar que vamos, quase todas as pessoas nos olham ou melhor olham nossa deficiência aparente. A gente pode até ser bonito, estar bem vestido, dirigir um carro legal, mas a realidade que as pessoas vão olhar para nós de um jeito diferente. E a nós cabe o desafio cotidiano de lutar por mudanças estruturais para que possamos um dia ter uma sociedade mais inclusiva e acessível.

Na vida adulta, poucas são as pessoas com deficiência que chegam nas faculdades. Muitas desistiram na caminhada que é muito cansativa, outras as famílias tiveram condições e algumas chegaram lá, com muito esforço. Não dá, em hipótese alguma, deixar de lembrar do número enorme de famílias em condição de pobreza que tem uma pessoa com deficiência em casa.

As que chegaram em um lugar privilegiado nas suas carreiras, foi fruto de toda uma batalha pessoal e não de oportunidades iguais. Muitas dessas pessoas, assim como eu, conseguem entender que elas são exemplos para outros indivíduos com deficiência e investem parte do seu tempo para demonstrar para toda uma sociedade que temos que ter garantias de direitos e que somos totalmente capazes de exercer qualquer função, só basta termos as adaptações necessárias.

Os "coitadinhos" trazidos do passado devem morrer no presente e no futuro. Não podemos mais admitir que as pessoas com deficiência se escodam nas suas casas, que elas sejam contratas para termos números no mercado de trabalho e não para exercerem suas reais funções, que mesmo sendo capacitadas, elas ocupem lugares inferiores porque possuem algum tipo de deficiência. Não queremos também ser representados nos filmes, nas novelas ou nas séries por quem não tem deficiência. Queremos ser recebidos na universidade por professores que entendam as nossas necessidades para que possamos ter o mesmo rendimento que o aluno que não tem deficiência. Não queremos que as pessoas pensem que somos assexuados. Estamos cansados de causar estranheza nos outros. Esgotados ao quadrado da falta de representatividade. Somos cidadãos, pagamos impostos, giramos a economia com nossas compras.

Parem de pensar que não podemos estar nesse ou naquele lugar. O nosso lugar é onde a gente escolhe estar. Ninguém precisa nos dizer o nosso lugar, nós queremos ocupar os espaços. Não precisamos de permissão. Somos totalmente capazes de sermos famosos, esportistas, chefes, poliglotas, médicos, enfermeiros, jornalistas, atores, políticos. Coloquem, de uma vez por todas na cabeça que somos pessoas com habilidade diversas e que podemos estar no lugar que a gente quiser. Que esse Dia Internacional da Pessoa com Deficiência seja mais um dia de luta intensa e contribua muito para que a sociedade entenda os nossos verdadeiros lugares.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2021

"Um lugar para todo mundo" discute barreiras no acesso à educação inclusiva

Documentário apresenta a trajetória de um casal decidido a garantir que seu filho com síndrome de Down exerça o direito de estar (e permanecer) na escola

Beatriz Gatti para o revistagalileu.globo.com

Emilio, filho de Olivier e Hilda, passa por diversas avaliações antes de ser recomendado a uma escola (Foto: Divulgação)

Enquanto para alguns pais o início da vida escolar de seus filhos é apenas uma experiência de desprendimento, para Olivier e Hilda Bernier esse processo é muito mais complexo. Por ter síndrome de Down, o filho do casal, Emilio, enfrenta um longo caminho até que consiga ter seu primeiro dia de aula, aos 3 anos. E é em torno dessa luta que gira o documentário Um Lugar para Todo Mundo, cujo lançamento acontece às 23h59 desta segunda-feira (20), no canal a cabo GNT.

Apesar de já ter trabalhado com adolescentes com deficiência como professora de educação especial no ensino médio, a porto-riquenha Hilda Bernier não tinha dimensão da importância de um ensino inclusivo até dar à luz e planejar a ida de Emilio à escola em Nova York, nos Estados Unidos, onde a família vive.

Logo após o parto, no dia 3 de maio de 2016, o médico informou o casal de que o recém-nascido apresentava algumas características físicas que poderiam estar associadas à trissomia do cromossomo 21, também conhecida como síndrome de Down. E de fato estavam.

“Eu acho que essa é a grande mágica do filme: a gente assiste e vai percebendo as coisas no mesmo momento em que ele [Olivier], enquanto cineasta e pai, também está descobrindo”, comenta Marcos Nisti, um dos produtores do filme, em entrevista a GALILEU.

“Um Lugar para Todo Mundo”: filme discute barreiras no acesso à educação inclusiva (Foto: Divulgação)

Fruto da parceria entre as produtoras Rota6 e Maria Farinha Filmes, o documentário — dirigido pelo próprio Olivier — acompanha a trajetória do casal do nascimento de Emilio até o momento de mandá-lo para a escola.

Mas não é tão simples quanto pode parecer. Embora o acesso à educação seja direito de toda e qualquer criança, cerca de metade dos mais de 100 milhões de meninos e meninas com deficiência no mundo não frequenta uma instituição de ensino, segundo estima a Organização Mundial da Saúde (OMS).

Na cidade de Nova York, por exemplo, é preciso que o departamento de educação tenha criado um Programa de Educação Individualizado (PEI) para a criança. No filme, Emilio é submetido a uma série de testes e avaliações que têm como objetivo definir seu PEI e, então, recomendar em qual estilo de turma ele mais se adequa — uma classe somente com colegas com deficiência e auxiliares ou uma turma que de fato o inclua.

“É um modelo altamente excludente”, afirma a diretora de educação e cultura da infância do Instituto Alana, Raquel Franzim, sobre o que viu no filme. “Sendo a educação um direito humano, não deve haver condições para acessá-lo. A escola é um lugar de oportunidade, e não de capacidade”, argumenta a GALILEU.

Foi justamente no sentido de promover o desenvolvimento integral da criança que o Instituto Alana organizou a edição de 2018 do Videocamp Film Fund, pensado para financiar produções com impacto social no tema da educação inclusiva e selecionou a proposta de Um Lugar para Todo Mundo.

O documentário mostra que esse “lugar para todo mundo” não é utópico nem irrealizável: ele funciona muito bem em escolas públicas inclusivas em outros estados norte-americanos. Turmas regulares formadas por alunos com e sem deficiência são um sinal de benefícios para a instituição como um todo, que oferece professores mais bem preparados e melhores recursos e infraestrutura escolar.

Leia a matéria completa em revistagalileu.globo.com