quinta-feira, 14 de abril de 2022

Dicas de festa junina para crianças com autismo

Junho significa fogueira, bandeirinhas, dançar quadrilha, pé de moleque, pipoca, bombinhas, fogos de artifícios e roupas de caipira.

A maioria dos pais de crianças com autismo adorariam ver seus filhos participando da quadrilha da escola e da Festa Junina. No entanto, sabemos que para essas crianças muitos obstáculos podem aparecer e impedir que este momento seja feliz e livre de problemas.

Devemos considerar que as crianças com autismo e outros transtornos podem apresentar sensibilidade a certos estímulos, como texturas, cores, cheiros, ruídos altos, os quais tornam difícil tanto vestir a roupa de caipira, quanto participar da Festa Junina.

Veja algumas dicas para tornar esta festa uma experiência gostosa e sem dificuldades para as crianças com autismo e seus pais:

▪ Colocar a roupa de caipira dias antes da festa. Certifique-se de que seu filho se sinta bem com a textura da roupa. Caso a criança fique incomodada com a fantasia, improvise usando camisa xadrez e calça ou saia jeans. Treine antes, também, colocar a maquiagem e o chapéu. Deixe seu filho usar a roupa de caipira em casa para se acostumar bem antes do dia especial. Caso o seu filho não tolere permanecer com o chapéu na cabeça ou prender o cabelo, não insista!

▪ Praticar em casa a dança ou quadrilha. Coloque a música e treine com seu filho os passos da dança. Caso a criança tenha acompanhante terapêutico (A.T.), combine com a equipe da escola como será no dia. Ajustes podem ser feitos para melhor adequar a situação para a criança. Por exemplo, a criança ficará com a A.T. desde o início da festa para evitar recusa na hora da dança, ou é melhor ficar com os pais até a hora da dança?

▪ Mostrar imagens sobre a festa junina e o que irá acontecer no dia pode ser muito útil. Peça para a equipe da escola tirar fotos da criança ensaiando a dança. Monte uma história com as imagens descrevendo o que irá acontecer no dia da Festa Junina. Lembre-se de explicar na história que a criança irá para escola no dia da festa não para estudar, mas para dançar, brincar nas barraquinhas e comer várias coisas gostosas. Por isso, ela não irá usar uniforme. Mudanças na rotina podem ser complicadas. As crianças podem não entender porque estão indo para a escola no final de semana e sem uniforme. O aglomerado de gente pode ser difícil para a criança e comportamentos inadequados podem ocorrer em decorrência da mudança da rotina.

▪ Assistir vídeos de fogos de artifícios. O barulho alto pode ser um estímulo aversivo para algumas crianças. Se este for o caso, inicie com o vídeo em volume baixo e, aumente gradualmente o volume à medida que a criança for aceitando o ruído dos fogos. Treine também, as bombinhas (estalinhos). Explique para a criança que a bombinha é apenas um barulho alto, mas que não machuca.

▪ Não há problema em ficar em casa. Se você achar que o seu filho não vai aproveitar a Festa Junina, você pode fazer a sua própria festa. Decore a sala com bandeirinhas, faça pipoca e dance ao ritmo da música caipira.

A Festa Junina deve ser um momento divertido para toda a família! Por isso, sempre que necessário, considere as alternativas para o seu conforto e do seu filho.

Fonte: Stimulus ABA

quarta-feira, 13 de abril de 2022

Tênis da Nike, que pode ser calçado sem uso das mãos, chega ao Brasil

Por Monique de Carvalho para o sonoticiaboa.com.br


O tênis é vendido no Brasil por valores a partir de R$ 500 - Foto: divulgação

Em fevereiro de 2021 a Nike anunciou o lançamento do primeiro tênis “hands-free”, para que pessoas com algum tipo de deficiência pudessem ter mais acessibilidade também com calçados.

Na época, a novidade se tornou a sensação da web, mas o tênis só estava disponível nas lojas dos Estados Unidos. A notícia boa é que os brasileiros agora poderão adquirir o GO FlyEase sem precisar importá-lo!

A Nike anunciou a chegada do tênis em nosso país. Ele custa R$ 850 para adultos e R$ 500 para crianças, em média.

A inspiração

A ideia de criar um tênis para pessoas com deficiência surgiu após a empresa receber uma carta bastante comovente, de um jovem chamado Walzer.

O jovem contava que a maior dificuldade que tinha na vida era amarrar os tênis. Por ter paralisia cerebral, Walzer perdeu algumas capacidades motoras.

Ele escreveu:

Meu sonho é ir para a faculdade de minha escolha sem ter que me preocupar com alguém que vem amarrar meus tênis todos os dias. Usei tênis de basquete Nike a vida toda. Só posso usar esse tipo de tênis, porque preciso de apoio de tornozelo para andar. Aos 16 anos, sou capaz de me vestir completamente, mas meus pais ainda precisam amarrar meus sapatos. Como um adolescente que está se esforçando para se tornar totalmente autossuficiente, acho isso extremamente frustrante e, às vezes, embaraçoso”.

A carta de Walzer inspirou o designer da Nike, Tobie Hatfield, a criar um calçado que atendesse às necessidades específicas do jovem. Ele cria designs para atletas paraolímpicos e entrou em contato com o adolescente.

“Trabalhei com Matthew como faria com qualquer atleta. Foi um prazer trabalhar com ele”, disse Tobie.

Durante vários meses, o designer enviava protótipos para Walzer experimentar e dar o feedback, até que a versão final do tênis ficou pronta.

Mercado brasileiro

O Nike GO FlyEase hands-free chegou ao Brasil e pode ser adquirido nas principais lojas de tênis ou no site da própria marca.

São diversos modelos, todos com o mesmo padrão de acessibilidade – a flexibilização que “abre” o tênis para facilitar o encaixe no pé.

A Nike também informou que novos modelos e cores serão implementados no mercado ao longo dos meses.


Matthew e o designer da Nike, Tobie Hatfield Foto: Divulgação

Com informações de Nike

sexta-feira, 8 de abril de 2022

Dia Mundial do Autismo pede inclusão em todos os aspectos

Campanha nacional de 2022 diz: “Lugar de autista é em todo lugar!” com a hashtag #AutistaEmTodoLugar

Francisco Paiva Jr. para o canalautismo.com.br

Cartaz da campanha 2022 do Dia Mundial de Conscientização do Autismo - Canal Autismo / Revista Autismo
Instituto Mauricio de Sousa / Canal Autismo / Revista Autismo

A campanha nacional de 2022 para celebrar o Dia Mundial de Conscientização do Autismo traz o tema “Lugar de autista é em todo lugar!” (com a hashtag #AutistaEmTodoLugar), pedindo inclusão em todos os aspectos, em todos os âmbitos, em todo lugar. A data é celebrada todo 2 de abril, criada em 2007 pela ONU (Organização das Nações Unidas), quando cartões-postais de todo o planeta se iluminam de azul — no Brasil, o mais famoso é o Cristo Redentor — para lembrar a data e chamar a atenção da mídia e da sociedade.

O número de referência mundial da prevalência de autismo é do CDC (Centro de Controle e Prevenção de Doenças) dos EUA, que aponta 1 criança com autismo a cada 44 nascimentos nos números divulgados no fim de 2021. O Brasil não tem números oficiais e, neste ano, pela primeira vez teremos uma pergunta sobre autismo no Censo do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

André e a Turma da Mônica

O cartaz oficial da campanha é estrelado pelo André, o personagem autista da Turma da Mônica, graças à parceria da Revista Autismo com o Instituto Mauricio de Sousa. “Criamos o André inicialmente para participar de vídeos e revistas institucionais e conscientizar os pais sobre os sinais do autismo. Hoje, ele integra as historinhas da Turma da Mônica, mostrando às crianças como podemos aprender com as diferenças. Eu mesmo tenho aprendido muito desde a criação do personagem. Ficamos muito satisfeitos de ter o André na campanha”, diz Mauricio de Sousa, criador da Turma da Mônica e presidente do Instituto Mauricio de Sousa.

Em 2019, Mauricio de Sousa fez uma tirinha especial para o Dia Mundial de Conscientização do Autismo, que é muito usada até hoje. O objetivo da data é alertar adultos e crianças sobre a importância de se informar a respeito do autismo, cada vez mais diagnosticado em todo o mundo por conta de maior disseminação de informação. Em parceria com a revista, toda edição da publicação traz uma história em quadrinhos inédita do André e a Turma da Mônica, já foram publicadas 5 histórias na revista, além da tirinha especial.

Tirinha exclusiva da Turma da Mônica e o André para o Dia Mundial de Conscientização do Autismo - Revista Autismo

#AutistaEmTodoLugar

O tema deste ano — com a frase da mãe e ativista Fátima de Kwant: “Lugar de autista é em todo lugar!” — vem mostrar a importância de incluir as pessoas autistas nos mais diversos “lugares” da sociedade. O autismo tem um grande espectro de variedade e diversidade de pessoas e da maneira como o autismo caracteriza suas vidas, porém, todas elas, sem exceção tem seu lugar e o direito de estar e fazerem o que quiserem.

Mais conteúdo sobre autismo e o “2 de abril” podem ser obtidas no site da Revista Autismo (CanalAutismo.com.br/DiaMundial), publicação gratuita, impressa, distribuída em todos os estados do Brasil, e também digital. No site da ONU (www.un.org/en/events/autismday) também há mais informações sobre a data.

Autismos

Pode-se dizer que há vários tipos ou subtipos de autismo, pois o transtorno é caracterizado por déficits, de qualquer nível, em duas importantes áreas do desenvolvimento: comunicação social (socialização e comunicação) e comportamento (movimentos repetitivos e interesses restritos). O Transtorno do Espectro do Autismo (TEA), portanto, afeta cada pessoa de maneira única. Não há um autista igual ao outro — nem em gêmeos idênticos.

Estudos recentes (principalmente uma grande pesquisa científica publicada em 2019, com mais de 2 milhões de indivíduos, em cinco países) têm demonstrado que fatores genéticos são os mais importantes na determinação de suas causas (estimados entre 97% e 99%, sendo 81% hereditário), além de fatores ambientais (de 1% a 3%). Existem atualmente mais de 900 genes já mapeados e implicados como fatores de risco para o transtorno.

No Brasil, a “Lei Berenice Piana” — Lei 12.764, de 2012, que criou a Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro do Autismo, regulamentada pelo Decreto 8.368, de 2014 —  garante os direitos dos autistas e os equipara às pessoas com deficiência. A legislação, porém, saiu minimamente do papel até agora.

Estimativa: 2 milhões

EUA publica nova prevalência de autismo: 1 a cada 44 crianças, com dados do CDC — Canal Autismo / Revista Autismo

Apesar da prevalência norte-americana de 1 a cada 44 crianças, que são referentes a uma pesquisa de 2018, com número de homens quatro vezes maior que o de mulheres, a ONU, através da Organização Mundial da Saúde (OMS), considera uma estimativa conservadora, de que aproximadamente 1% da população mundial esteja dentro do espectro do autismo, a maioria sem diagnóstico ainda. No Brasil não sabemos a prevalência de autismo, temos apenas um estudo de prevalência de TEA até hoje, um estudo-piloto, de 2011, em Atibaia (SP), de 1 autista para cada 367 habitantes (ou 27,2 por 10.000) — a pesquisa foi feita apenas em um bairro de 20 mil habitantes daquela cidade. Segundo a estimativa da OMS, o Brasil pode ter mais de 2 milhões de autistas. O Censo 2022 poderá dizer o número de diagnósticos do país, não o número total de pessoas autistas.

Sinais de autismo

A seguir, relacionamos alguns sinais de autismo. Apenas três deles presentes numa criança de um ano e meio já justificam uma suspeita para se consultar um médico neuropediatra ou um psiquiatra da infância e da juventude.

  • Não manter contato visual por mais de 2 segundos;
  • Não atender quando chamado pelo nome;
  • Isolar-se ou não se interessar por outras crianças;
  • Alinhar objetos;
  • Ser muito preso a rotinas a ponto de entrar em crise;
  • Não brincar com brinquedos de forma convencional;
  • Fazer movimentos repetitivos sem função aparente;
  • Não falar ou não fazer gestos para mostrar algo;
  • Repetir frases ou palavras em momentos inadequados, sem a devida função (ecolalia);
  • Não compartilhar seus interesses e atenção apontando para algo, ou não olhar quando apontamos algo;
  • Girar objetos sem uma função aparente;
  • Interesse restrito ou hiperfoco;
  • Não imitar;
  • Não brincar de faz-de-conta.

quarta-feira, 6 de abril de 2022

No Dia do Autismo, mães lamentam ausência de educação inclusiva

Em Vitória, Serra, Vila Velha, Cariacica e na rede estadual, direitos dos autistas continuam letra morta

FERNANDA COUZEMENCO para o seculodiario.com.br

No Dia Mundial de Conscientização do Autismo, comemorado todo dia 2 de abril, mães de crianças e adolescentes com essa condição de saúde lamentam que um dos principais direitos garantidos a seus filhos, a educação inclusiva, continua sendo letra morta, dez anos após a legislação específica sobre o assunto, a Lei Federal n° 12.764/2012 (Lei Berenice Piana), que instituiu a Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista [TEA]. 

O TEA é caracterizado por um transtorno do neurodesenvolvimento que afeta principalmente a comunicação e o comportamento. Segundo o Ministério da Educação, atinge cerca de dois milhões de pessoas no Brasil e 70 milhões no mundo, atualmente. Por meio da Lei Berenice Piana, "o gestor escolar, ou autoridade competente, que recusar a matrícula de aluno com transtorno do espectro autista, ou qualquer outro tipo de deficiência, será punido com multa de três a 20 salários mínimo". 

A punição legal expressa para a negativa de matrícula foi fundamental para que as crianças e adolescentes pudessem integrar formalmente as redes de ensino. Na prática, no entanto, o que infelizmente as famílias relatam é que, apesar da presença física nas salas de aula, a inclusão efetiva está longe de acontecer, o que faz com que muitas cheguem a abandonar os estudos por absoluta falta de condição de continuar a frequentar o ambiente escolar, que torna-se excessivamente tóxico, em muitos casos, levando até a tentativas de suicídio

"É frustrante para uma mãe levar seu filho na escola sabendo que ele vai ficar jogado, sem interagir com a aula, com as outras crianças. E tem os casos das crianças mais arredias, como o Samuel, em que ou a mãe fica lá com a criança dentro da sala, ou não leva para escola. Nossos filhos são invisíveis", desabafa Fátima Neves, mãe de uma criança autista de quatro anos, matriculada na Unidade Municipal de Educação Infantil (UMEI) Normília da Cunha, em Jabaeté, Vila Velha.

No município canela-verde, o coletivo Mães Eficientes Somos Nós (MESN) começa a fazer suas primeiras mobilizações, depois de um histórico de luta na rede municipal da Serra, onde a maioria das mães reside e já conseguiu audiência com o prefeito, Sergio Vidigal (PDT), além da rede estadual de educação, que também tem sido debatida em Grupos de Trabalho com encontros quinzenais, agendados após audiência das mães com o governador Renato Casagrande (PSB) e seus secretários de Educação e Saúde, Vitor de Angelo e Nésio Fernandes. Em todas, a situação de descaso e improviso é a mesma.

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sexta-feira, 1 de abril de 2022

Alunos com deficiência sofrem com a falta de apoio nas escolas de São Paulo, dizem pais

Segundo a prefeitura, há 18,2 mil estudantes com deficiência e 4.000 funcionários para auxiliá-los

 
Sheila e o filho Felipe, um dos 18,2 mil alunos com deficiência matriculados na rede municipal de São Paulo - Bruno Santos/ Folhapress
 
São Paulo - Pais de alunos com deficiência relatam que os filhos estão com dificuldades de acompanhar as aulas, neste começo de ano letivo, em razão da falta de agentes que os auxiliem durante atividades, locomoção, higiene e alimentação na rede municipal de São Paulo.
 
Os responsáveis dessas crianças e adolescentes, matriculados em escolas situadas nas regiões oeste, norte e sul da cidade, têm relatado estas situações por meio de carta ou abaixo-assinado.
 
Em nota à reportagem, a Secretaria Municipal de Educação (SME) diz que está com processo seletivo para recrutar até 6.000 estagiários —estudantes de pedagogia e licenciaturas como letras, matemática, geografia, história, educação física, inglês e artes— para auxiliarem os professores nas turmas em que há estudantes com deficiências ou transtornos do espectro autista (TEA).
 
Leia a matéria completa em folha.uol.com.br