quinta-feira, 28 de dezembro de 2017

Papai Noel aprende Libras para conversar com crianças surdas em SP

O Papai Noel José Mario dos Santos Graciano, 68, que aprendeu libras e se comunica com Ana Beatriz Alves Aguiar que nasceu com deficiência auditiva profunda bilateral.Credito: Divulgação / Colinas Shopping DIREITOS RESERVADOS. NÃO PUBLICAR SEM AUTORIZAÇÃO DO DETENTOR DOS DIREITOS AUTORAIS E DE IMAGEM
José Mario Graciano, 68, conversa com Ana Beatriz Aguiar, 8, que nasceu com deficiência auditiva

Quando duas irmãs pararam à sua frente sorrindo sem dizer uma palavra, José Mário dos Santos Graciano, 68, não entendeu o porquê de elas não responderem às tradicionais perguntas e brincadeiras do Papai Noel.

Discretamente, o pai delas revelou o motivo do silêncio. Eram surdas.

"Então pensei: 'O abraço é um gesto de carinho que todos entendem'. Sorri para elas, abri meus braços e elas vieram felizes, se sentiram acolhidas pelo Papai Noel", disse Graciano.

Foi naquele momento que ele decidiu aprender Libras (Língua Brasileira de Sinais).

"Percebi que só aprendendo a linguagem de sinais eu poderia dar oportunidade para as crianças surdas levarem seus pedidos ao Papai Noel, sentirem verdadeiramente a magia do Natal", afirmou o petroleiro aposentado, que há 13 anos personifica o Papai Noel em shoppings e festas familiares em São José dos Campos (SP) e cidades próximas.

Esse primeiro encontro com crianças surdas aconteceu há cerca de quatro anos, Hoje ele ainda não se considera fluente em Libras, mas já consegue se comunicar muito bem com elas, quando atua como o bom velhinho em um shopping da cidade.

"Vou continuar aprendendo para ficar cada vez melhor, a felicidade dessas crianças ao perceberem que Papai Noel consegue falar com elas é muito gratificante, compensa qualquer esforço", disse Graciano.

A proximidade das festas de fim de ano alegra a estudante Ana Beatriz Alves Aguiar, 8. Ela nasceu com deficiência auditiva profunda bilateral e usa Libras para se comunicar.

Ana Beatriz conheceu o Papai Noel Graciano em 2015 e, desde então, vai visitá-lo para conversar e fazer o seu pedido de Natal. Este ano, foi ganhar uma boneca Cinderela.

"Essa iniciativa é muito importante para as crianças com deficiência auditiva. Elas sentem uma felicidade imensa quando são compreendidas pelo Papai Noel", disse Edna Maria Alves da Silva, mãe de Ana Beatriz.

A pequena Jamilly, 4, deixou a timidez de lado e deu muitas gargalhadas ao lado do Papai Noel Graciano. "Eu fiquei surpresa, minha filha é muito tímida, retraída. Mas com o Papai Noel ela se soltou, ficou muito feliz mesmo por conseguir conversar com ele", afirmou Yasmini Ribeiro Bastos, mãe de Jamilly.

As duas estudantes foram ao shopping com um grupo de crianças assistido pela AADA (Associação de Apoio ao Deficiente Auditivo) da cidade.

"As crianças se sentem surpresas e felizes quando em um ambiente diferente do familiar e institucional encontram pessoas que compreendem a linguagem de sinais", disse a psicopedagoga Jussara Alvarenga, da AADA.

"Poder ir a um lugar como o shopping e conseguir conversar com o Papai Noel é uma felicidade muito grande para elas".

No shopping, Graciano divide a função de Papai Noel com Paulo do Canto Hubert, de 73 anos. A escolha dos dois representantes foi estratégica: Graciano se comunica em libras e Hubert, em inglês.

"Encontramos o senhor Paulo, que fala inglês, o que é fundamental aqui na nossa região, recebemos muitos estrangeiros", afirmou a gerente de marketing do shopping, Margarete Sato.

Tânia Campelo para Folha de S. Paulo

sexta-feira, 22 de dezembro de 2017

Como são as festas de fim de ano na vida de um Asperger?



As festas de fim de ano se aproximam, será que elas fazem alguma diferença na vida de pessoas que sejam Aspergers?

Como ajudar sua criança com autismo nas festas de fim de ano - Parte I
Como ajudar sua criança com autismo nas festas de fim de ano - Parte II

Hoje nosso artigo irá discutir a respeito do questionamento feito acima, como é de conhecimento de todos, na próxima segunda, comemoramos mais um Natal e posteriormente teremos a comemoração de mais um novo ano que se inicia.

Mas será que para um Asperger, essas comemorações, possuem algum significado diferente, do que para o resto das pessoas a seu redor?

Nunca é demais lembrar que nos dias atuais o Asperger é classificado como o grau mais leve do autismo, e é parte dos Transtornos do Espectro do Autismo (TEA).

Pessoas que sofrem com esse transtorno, tem em sua essência uma dificuldade na interação social e ainda alguns problemas com sua coordenação motora, porém podem levar uma vida bem próxima de uma pessoa “normal”.

As festas de fim de ano, são muitas vezes um tempo que para algumas destas pessoas que tenham o TEA em suas vidas, dias bem estressantes!

Isso porque, alguns destes indivíduos, não gostam muito de alguns acontecimentos que tendem a serem naturais de ocorrerem nestas datas.

Abaixo iremos citar 5 coisas que podem incomodar um Asperger, nas comemorações de fim de ano!

  1. Abraços: Como é de conhecimento de muitos, boa parte destas pessoas que carreguem o TEA em sua essência, não são muito chegados a contato fisico, como um abraço e quando chega o natal e o ano novo, muita gente tende a querer abraçar essas pessoas, mesmo sabendo que estes não “curtem” muito o ato!
  2. Quebra de rotina: Já citamos diversas vezes aqui no blog, que um Asperger tende a seguir uma rotina muito bem definida para tudo que faz em sua vida, e nestes dias de fim de ano, devido a muitos fatores externos, estes tendem a acabarem sendo privados de seguir sua rotina a risca!
  3. Ansiedade: A ansiedade é outro aspecto muito comum em pessoas que tenham o TEA em sua vida, como já citamos por aqui, essas pessoas tendem a planejar o que vão fazer com muita antecedência e muitos ficam pensando um pouco mais do que deveriam nas festas de fim de ano e assim podem acabar ficando ansiosos!
  4. Mudança de ambiente: Algumas famílias tem o costume de passar as comemorações de fim de ano, em outros lugares que não em sua casa, e isso pode incomodar e muito essas pessoas que tenham o TEA consigo!
  5. Preocupação em agradar: Sim essa é uma preocupação que temos quase certeza que 99% das pessoas que tenham o TEA, desejam em qualquer situação de suas vidas, e nas festividades de fim de ano, isso é ainda mais evidente .Isso porque o contato com a família se torna maior nestas ocasiões e o Asperger, tende a se preocupar com algo que possa fazer, ou ainda falar e assim acabar causando algum desconforto entre seus familiares ou ainda amigos. Engana-se quem pensa que essas pessoas não se preocupam com quem estejam a suas voltas!
Bem os aspectos citados acima são alguns dos que mais incomodam algumas dessas pessoas, quando dizemos isso, nos baseamos em casos extremamente particulares que temos conhecimento!

Fernando Azevedo para o oantisocialsite.com

quinta-feira, 21 de dezembro de 2017

Adotar uma criança com deficiência: o que tem por trás desse ato?


Adotar sempre foi considerado um ato de amor. Mas adotar uma criança com deficiência é muito mais do que isso, é um ato de coragem e de muito afeto. Muitos pais estão dispostos a adotar, mas quando preenchem a documentação, mais de 70% afirmam não querer adotar uma criança com deficiência.

Na prática, esse lindo ato de amor não é fácil. Exige também uma preparação do casal, principalmente financeira para conseguir arcar com gastos de cirurgias e consultas regulares que ocorrem nestes casos. Mas dados da Corregedoria Nacional de Justiça mostraram que em 2015, houve 143 adoções de crianças e adolescentes com alguma limitação ou enfermidade – um aumento de 49% em relação a 2013. Os números são bons, mais ainda não são o suficiente, já que as crianças com deficiência acabam ficando de lado na hora da adoção.

A vida com uma criança deficiente



Os pais crescem, amadurecem junto com a criança

Quando uma mãe engravida o que mais deseja é que seu filho nasça com saúde. É o desejo de todas as mães. E quando ocorre da criança nascer com uma deficiência, tudo é desafio e, claro, adaptação.

Quando uma mãe ou pai vai adotar uma criança e escolhe aquela com deficiência, essa ação precisa ser comemorada. É uma atitude de amor, gratidão. Uma série de questões implicam nesta escolha, que não é fácil, nada fácil.

Todos os pais sonham em ver seus filhos com saúde, brincando, e quando eles têm deficiência, o processo pode ocorrer, mas é mais delicado. Os pais precisam aprender a lidar com as limitações dos filhos. É preciso paciência, tolerância. Nem sempre o que se planeja sai. Fazer uma atividade com uma criança com deficiência é se planejar, estudar os lugares, formas de se locomover.

Adotar uma criança com deficiência é não comparar, mas comemorar pequenas vitórias diárias. É aprender a amar mais do que a si mesmo e dar chance ao difícil, ao frágil.

Acima de tudo, é autoconhecimento, é mostrar para si mesmo que se têm todas as possibilidades de educar, de mostrar os caminhos, mesmo que estes tantas vezes sejam dolorosos e difíceis.

Adotar uma criança com deficiência é afirmar que a humanidade tem esperança, que existem pessoas capazes de amar incondicionalmente sem colocar a vaidade e perfeição em primeiro lugar, mostrar que é possível construir uma família sem os pré-requisitos exigidos da sociedade. É afeto, coragem, é viver e, claro, aprender.

Texto escrito por Angélica Fabiane Weise da Equipe Eu Sem Fronteiras.

sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

A criança com deficiência e sua família, realidade pouco conhecida

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Aline Alves e filha Yasmin, que tem autismo - Leo Martins / Agência O Globo

Em minhas duas últimas colunas tenho falado da família como fator preponderante em nossas vidas, baseado em minhas experiências profissionais e de estudos realizados. Vamos lá então falar mais um pouco das minhas experiências, dessa vez dando ênfase á realidade vivida por muitas famílias de crianças com deficiência.

Muito se tem visto muito se tem falado e pouco tem sido feito para mudar o quadro atual apresentado por essas famílias, no decorrer de minha atuação pude perceber que existe uma realidade que muitos desconhecem, talvez por isso não consigam mudar, ou até mesmo por falta de interesse.

Grande parte das famílias que chegavam a minha sala em busca de acompanhamento, relacionado à habilitação ou reabilitação, não tinham a figura paterna presente em seu cotidiano, em grande parte dos relatos e isso eu digo com absoluta certeza, praticamente noventa por cento eram lideradas pela mãe ou outra figura do sexo feminino, ambas com o mesmo relato, “ele foi embora depois que descobriu a deficiência, não tinha afeto e nem paciência” (sic).

Até rimou, mas na realidade dessas famílias nada rima com nada, o dinheiro não sobra, elas não conseguem e não tem condições alguma de trabalhar fora de casa, à pensão é quase que sempre inexistente, elas não sabem o paradeiro do genitor.

Vida difícil, vida própria elas não tem, respeito menos ainda e quando estão exaustas e sem argumento, se entregam ao cansaço rotineiro da escola, hospital, defensoria pública, INSS e tratamentos aqui e lá.
Pouco se sabe dessa realidade, pouco se faz, lutamos por escolas com apoio qualificado para essas crianças, lutamos por dignidade para o acesso aos serviços públicos e privados, lutamos por acessibilidade aos meios de transporte, lutamos por tratamentos qualificados, por um mundo inclusivo e com mais amor.

Mas esquecemos delas, as guerreiras, que a cada manhã ao acordarem, se sentem sozinhas, isso quando dormem.

Nesse mundo tão cheio de pessoas, pessoas individualistas que só vão entender essa realidade quando passarem por isso.

Profissionais pela luta da causa têm em comum muitas vezes um sentimento de impotência, diante de tantas demandas e dificuldades enfrentadas por essas famílias.  Nós nos deparamos com a resistência dos órgãos públicos a falta de atenção e boa vontade quando encaminhamos uma mãe para uma defensoria pública, por exemplo, para requerer uma pensão alimentícia, os olhares a falta de atenção, quando encaminhamos a outro órgão qualquer, os relatos são semelhantes e negativos, infelizmente.

Será que alguém já parou para pensar como é difícil você se locomover com uma criança autista, ou com um cadeirante num transporte público?

Temos que nos colocar no lugar do outro e ter o mínimo de respeito antes de criticar, não sabemos da dificuldade nem podemos imaginar a dor do outro, o cuidado deve ser mútuo, as informações socializadas e as dificuldades de quem nos procura devem ser minimizadas, essas crianças merecem ter uma infância feliz e seus tutores serem privilegiados pela sociedade, para que possam ser adultos felizes.

Respeito, direitos e cidadania, a lei deve ser para todos e todos devem ser para a lei.

Essa coluna tem como base uma reflexão a cerca das famílias acompanhadas e atendidas por mim, pautada em minhas experiências profissionais.

Por Benilce para sulacapnews

quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

Criando uma criança deficiência auditiva


Não acho uma boa ideia encorajar crianças a serem diferentes. Com excessiva frequência ser “diferente” é uma ideia que pais e educadores inventam. Ela mascara sua própria dor ou os faz se sentirem úteis ao invés de ter valor algum valor real para as crianças. Tudo o que uma criança precisa é ter pais autênticos e empáticos. Isso significa pais que vejam, ouçam e aceitem seu filho assim como ele é. Eles lhe emprestam sua criatividade quando sabe que seu filho não vê um caminho a seguir.


Para uma criança com deficiência auditiva

O mesmo vale para pais que têm uma criança com deficiência auditiva. Os irmãos geralmente imitam as atitudes dos pais em relação à criança com perda auditiva. Todavia, se você como pai é excessivamente protetor ou ocupado com essa criança, isso pode afetar negativamente seus outros filhos. Eles podem começar a se rebelar porque têm limites diferentes. Um pai não deve dizer a seus outros filhos como devem pensar ou se sentir em relação ao irmãozinho com problemas. Ao invés disso, os pais devem encorajar os irmãos a serem curiosos ou honestos sobre seus sentimentos.

Mas eles ignoram o fato de que quanto mais seu filho é diferente das outras crianças, mais autoestima precisa.

Criando uma criança

Percebo que muitos pais gastam tempo demasiado se preocupando em desenvolver a autoconfiança de seu filho. Eles se certificam de que ele é capaz de realizar atividades específicas, como tocar um instrumento musical, e pensam que isso é suficiente. Mas eles ignoram o fato de que quanto mais seu filho é diferente dos outros, mas autoestima eles precisam. Autoestima é o que dá à criança amor-próprio em todos os aspectos da vida.

Imitação, não explicação

As crianças aprendem muito mais por imitação do que ouvindo explicações. Ao se comunicar, a fala transmite apenas 15% da mensagem. A comunicação visual é mais importante. Crianças com perda auditiva começam a ler e copiar comportamentos desde o nascimento. Descobri que muitos compensam a perda auditiva imitando as ações daqueles que os rodeiam. Você pode ajudar seu filho dando ênfase a suas ações e tornando muito fácil para eles ver o que você está fazendo.


Pais que ouvem, filho que não o podem

Em todas as famílias há provavelmente algumas diferenças em como se percebe o relacionamento entre pais-filho. Os pais podem lidar com essa diferença ao prestar atenção a seu filho. Isto inclui mostrar-se interessado e compreensivo ao observar seu filho crescer e aprender sobre o mundo ao seu redor. Ao mesmo tempo, faça tudo o que puder para que a criança perceba suas próprias emoções, pensamentos e reações. Seja claro e deixe-a perceber o que você está fazendo e o porquê. Desse modo ambos podem crescer juntos, mesmo que sua audição seja diferente.

Por Jesper Juul para MED-EL Blog