sexta-feira, 28 de junho de 2019

Atividades adaptadas para alunos com deficiência intelectual

Dr. Clay Brites para o neurosaber.com.br

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Sabia que a educação é um direito universal? Assegurado por lei, o acesso a esse importante passo deve ser oferecido a todo e qualquer ser humano, inclusive àquelas pessoas que necessitam de acompanhamentos e adaptações para a fruição do conteúdo exposto.

O assunto desse artigo desta vez vai dar ênfase aos alunos com deficiência intelectual, cuja experiência com informações e atividades pedagógicas deve ser adquirida de forma efetiva e garanta desenvolvimentos de algumas habilidades.

Professores capacitados: o ponto de partida

Antes de traçar currículos adequados e adaptados às demandas dos alunos acolhidos, é necessário chamar a atenção para a presença imprescindível dos educadores na sala de aula. Sabe-se que a capacitação desses grandes profissionais é o elemento-chave na elucidação de tarefas e didáticas que possibilitem o sucesso de métodos de ensino.

No entanto, é notória a pluralidade da educação no Brasil. Isso reflete muito na vida dos alunos com deficiência intelectual. Tomemos como exemplo o João, aluno de uma escola que conta com professores prontos para lidarem com essa situação. João terá muito mais chances de se desenvolver por meio de programas que valorizem o acesso à educação.

Na outra ponta, temos o Pedro, estudante que também convive com o mesmo grau de  deficiência intelectual. No entanto, sua escola não tem professores capacitados para ensiná-lo. Os resultados apresentados por João podem ser mais satisfatórios do que os mostrados por Pedro.

O ponto de partida para a aplicação de atividades adaptadas está justamente na capacitação dos professores e no engajamento que a escola dá a essas crianças ou adolescentes.

Dicas de atividades voltadas para alunos com deficiência

– O uso de itens como fita crepe, tintas, carrinhos, carimbos e massinha é ideal para estimular a coordenação viso-motora; e aprimorar as habilidades de preensão;

– Uso de pastas com plástico, atividades em sulfite envoltas em papel contact e canetão de lousa branca para que o pequeno risque, brinque e apague, promovendo a psicomotricidade do aluno;

– Utilização objetos reais e do cotidiano para o desenvolvimento de percepções e compreensão de medidas e suas variações de maneira eficaz, valorizando os registros por meio de desenho para posteriormente atribuir significado numérico;

– Utilize brinquedos que possam incentivar a leitura, a associação de palavras e dos objetos e a categorização;

– Personagens do universo infantil e que desperte interesse na criança. Isso pode fazer com que ela desenhe e construa tanto o seu silabário quanto os jogos temáticos, o que favorece a alfabetização;

– Utilização do Geoplano para o desenvolvimento de aspectos de percepção, elaboração, espaço, formas e medidas, reprodução de imagens;

– Interessante usar objetos do interesse e de coleções da criança para categorização, classificação, agrupamento, ordenação, noções de conjunto e quantidade;

– Os encartes de revistas são excelentes para a criação de quebra-cabeças, além de possibilitar percepções de posições no espaço.

Como deve ser a comunicação para eles?

Bom, neste caso a forma de expor alguma situação, explicar determinada tarefa e até mesmo dar alguma ordem deve se pautar sempre no bom senso. É necessário que o educador conheça a intensidade do grau de deficiência intelectual do aluno para saber como abordá-lo.

A partir desse ponto, a comunicação adequada passa a ser aquela que não utilize sentido figurado, metáforas e quaisquer figuras de linguagem que possam confundi-los. Procure sempre usar o sentido literal, ou seja, a denotação para tornar tudo mais acessível ao aluno. Lembrando que a deficiência intelectual, muitas vezes, pode impedir que a pessoa tenha discernimentos. Portanto, falar como algo é de fato é sempre o melhor caminho.

Converse com os pais de seu aluno, procure saber os detalhes que farão toda a diferença no aprendizado e na experiência do estudante.

quarta-feira, 26 de junho de 2019

LEGO Braille Bricks: projeto traz peças customizadas para ajudar no desenvolvimento de crianças com deficiências visuais

Peças foram desenvolvidas em colaboração entre as associações da Dinamarca, Brasil, Reino Unido e Noruega, e primeiros protótipos estão rodando nesses mesmos países para testes


por Soraia Alves para o b9.com.br

A LEGO Foundation e o Grupo LEGO anunciaram suporte ao LEGO Braille Bricks, projeto pioneiro que ajudará crianças cegas e com baixa visão a aprender Braille de maneira divertida usando peças LEGO customizadas para o Braille.

O projeto foi apresentado durante a Conferência de Marcas Sustentáveis em Paris. O conceito do LEGO Braille Bricks foi primeiramente proposto para a LEGO Foundation em 2011, pela Associação Dinamarquesa, e novamente em 2017, pela Fundação Dorina Nowill para Cegos do Brasil, cuja mobilização “Braille Bricks for All” teve repercussão internacional e possibilitou o acordo para a produção do produto.


Desde então, as peças foram desenvolvidas em colaboração entre as associações da Dinamarca, Brasil, Reino Unido e Noruega, e os primeiros protótipos estão rodando nesses mesmos países para testes.

Segundo Philippe Chazal, Tesoureiro da União Europeia de Cegos: “Com milhares de audiolivros e programas de computador disponíveis, cada vez menos crianças estão aprendendo a ler em Braille. Isso é particularmente crítico quando entendemos que as pessoas que usam o Braille com mais frequência são mais independentes, possuem um nível mais alto de educação e melhores oportunidades no mercado de trabalho”, explica. A ideia é que o LEGO Braille Bricks ajude a impulsionar o interesse em aprender o Braille.

O LEGO Braille Bricks será moldado com a mesma quantidade de pontos em relevo usados nas letras e números do alfabeto Braille, permanecendo totalmente compatível com o sistema LEGO.

Para garantir que a ferramenta seja inclusiva e permita que os professores, alunos e membros da família sem a deficiência também interajam, cada peça também terá uma letra ou um caractere impresso. Essa combinação traz uma abordagem totalmente nova e divertida para que crianças cegas e deficientes visuais se interessem em aprender Braille, permitindo que desenvolvam uma ampla gama de habilidades necessárias para prosperar e ter sucesso em um mundo dinâmico.


Diretor de Arte Sênior da LEGO, Morten Bonde, que sofre de um distúrbio genético nos olhos que está tornando-o gradualmente cego, trabalhou como consultor interno no projeto: “Fico emocionado ao ver o impacto que este produto tem no desenvolvimento da confiança acadêmica e na curiosidade de crianças cegas e deficientes visuais em seu período de alfabetização”, conta.

O produto está sendo testado em dinamarquês, norueguês, inglês e português, enquanto o alemão, espanhol e francês serão avaliados no terceiro trimestre de 2019.

A versão final do kit deverá ser lançada em 2020 e distribuída gratuitamente para instituições selecionadas por meio de parceiros participantes nos mercados onde os testes estão sendo realizados. Serão aproximadamente 250 peças cobrindo o alfabeto completo, números de 0 a 9, símbolos matemáticos selecionados e inspiração para o ensino e jogos interativos.

sexta-feira, 21 de junho de 2019

Dicas de festas juninas para crianças com autismo

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Junho significa fogueira, bandeirinhas, dançar quadrilha, pé de moleque, pipoca, bombinhas, fogos de artifícios e roupas de caipira.

A maioria dos pais de crianças com autismo adorariam ver seus filhos participando da quadrilha da escola e da Festa Junina. No entanto, sabemos que para essas crianças muitos obstáculos podem aparecer e impedir que este momento seja feliz e livre de problemas.

Devemos considerar que as crianças com autismo e outros transtornos podem apresentar sensibilidade a certos estímulos, como texturas, cores, cheiros, ruídos altos, os quais tornam difícil tanto vestir a roupa de caipira, quanto participar da Festa Junina.

Veja algumas dicas para tornar esta festa uma experiência gostosa e sem dificuldades para as crianças com autismo e seus pais:

○ Colocar a roupa de caipira dias antes da festa. Certifique-se de que seu filho se sinta bem com a textura da roupa. Caso a criança fique incomodada com a fantasia, improvise usando camisa xadrez e calça ou saia jeans. Treine antes, também, colocar a maquiagem e o chapéu. Deixe seu filho usar a roupa de caipira em casa para se acostumar bem antes do dia especial. Caso o seu filho não tolere permanecer com o chapéu na cabeça ou prender o cabelo, não insista!

○ Praticar em casa a dança ou quadrilha. Coloque a música e treine com seu filho os passos da dança. Caso a criança tenha acompanhante terapêutico (A.T.), combine com a equipe da escola como será no dia. Ajustes podem ser feitos para melhor adequar a situação para a criança. Por exemplo, a criança ficará com a A.T. desde o início da festa para evitar recusa na hora da dança, ou é melhor ficar com os pais até a hora da dança?

○ Mostrar imagens sobre a festa junina e o que irá acontecer no dia pode ser muito útil. Peça para a equipe da escola tirar fotos da criança ensaiando a dança. Monte uma história com as imagens descrevendo o que irá acontecer no dia da Festa Junina. Lembre-se de explicar na história que a criança irá para escola no dia da festa não para estudar, mas para dançar, brincar nas barraquinhas e comer várias coisas gostosas. Por isso, ela não irá usar uniforme. Mudanças na rotina podem ser complicadas. As crianças podem não entender porque estão indo para a escola no final de semana e sem uniforme. O aglomerado de gente pode ser difícil para a criança e comportamentos inadequados podem ocorrer em decorrência da mudança da rotina.

○ Assistir vídeos de fogos de artifícios. O barulho alto pode ser um estímulo aversivo para algumas crianças. Se este for o caso, inicie com o vídeo em volume baixo e, aumente gradualmente o volume à medida que a criança for aceitando o ruído dos fogos. Treine também, as bombinhas (estalinhos). Explique para a criança que a bombinha é apenas um barulho alto, mas que não machuca.

○ Não há problema em ficar em casa. Se você achar que o seu filho não vai aproveitar a Festa Junina, você pode fazer a sua própria festa. Decore a sala com bandeirinhas, faça pipoca e dance ao ritmo da música caipira.

A Festa Junina deve ser um momento divertido para toda a família! Por isso, sempre que necessário, considere as alternativas para o seu conforto e do seu filho.

Fonte: StimulusABA

quarta-feira, 19 de junho de 2019

Mãe cria acessório bem diferente que ajuda crianças com deficiência em casos de acidente de trânsito

A filha de Natalie Bell tem dificuldades auditivas e a inspirou na criação do objeto


Giovanna de Boer para paisefilhos.uol.com.br

Shae usando o acessório criado pela mãe (Foto: facebook/ Personalised by Nat)

A mãe australiana, Natalie Bell, criou uma alternativa acessível que pode ajudar outras mãe a protegerem seus filhos. Natalie inventou um acessório que pode ser aplicado no cinto de segurança do carro, um aviso de velcro. O utensílio deixa amostra a condição da filha, que tem deficiência auditiva. A menina de 10 anos, Shae Bell, tinha acabado de receber um implante coclear.

“Sempre me perguntei o que poderia acontecer caso estivéssemos envolvidas em um acidente de carro e eu não conseguisse dizer aos médicos que minha filha não poderia fazer uma ressonância magnética por causa do implante coclear”, escreveu Natalie no Facebook. “Agora eu não preciso mais me preocupar com essas capas de cinto de segurança. Isso pode ser adaptado para qualquer necessidade especial que a equipe médica precisa saber”.

Ela compartilhou essa foto da filha com o acessório:

Deficiente auditiva, inspirou a mãe na criação do objeto (Foto: facebook/ Personalised by Nat)

O post rapidamente viralizou nas redes sociais, com mais de 758 mil compartilhamentos e 2016 mil likes, Natalie compartilhou outra foto com escritos diferentes nos acessórios:


Nat não parou por aí. Ela criou um relógio acessível para a filha que mostra os números em linguagem de sinais. Emocionante, né?

Relógio mostra as horas em linguagem de sinais (Foto: facebook/ Personalised by Nat)

“Tenho recebido muitos feedbacks positivos de pessoas ao redor do mundo todo- incluindo bombeiros, ambulâncias e policiais- dizendo o quanto isso teria feito muita diferença em acidentes passados sobre a forma como abordaram a situação”, Natalie disse para a Revista People.

Shae Bell

A menina nasceu com perda auditiva leve. Quando completou 1 ano de idade, Shae já tinha perdido quase toda a audição do ouvido esquerdo e apresentava uma perda auditiva severa do lado direito. Agora, a mãe da menina, de 5 anos, diz estar muito feliz por seus esforços terem tocado e conscientizado muitas pessoas ao redor do mundo.

sexta-feira, 14 de junho de 2019

Maior risco de autismo em crianças hiperexpostas a mídias audiovisuais

Veja as considerações do médico acerca do maior risco de autismo em crianças hiperexpostas a mídias audiovisuais


Tatiana Takeda para opopular.com.br

Foto: Shutterstock

No mês de abril, a Ludovica reuniu grandes prossionais atuantes na área do autismo. Entre eles, contamos com a presença do neurologista infantil e siologista, doutor Helio van der Linden Júnior. Na ocasião, o especialista contribuiu muito para a discussão sobre o tema mais discutido do evento: a hiperexposição de crianças com autismo aos celulares e tablets. Cientes de que esse assunto merece atenção, convidamos o doutor Helio para dispor sobre uma “teoria perturbadora” e que, em conformidade com o especialista em neurologia infantil, embora careça de comprovação, é algo a ser observado, estudado e refletido.

Veja a seguir as considerações do médico acerca do maior risco de autismo em crianças hiperexpostas a mídias audiovisuais:

Nos dias atuais é simplesmente impossível viver sem o apoio da tecnologia. Computadores de última geração, tablets, smartphones, internet disponibilizada praticamente em toda e qualquer esquina e no telefone celular tornam o mundo cada vez mais digitalizado e hiperconectado. No entanto, todo esse fácil acesso e o uso indiscriminado da tecnologia tem trazido vários problemas. O uso excessivo e precoce de dispositivos audiovisuais por crianças tem sido mais recentemente pesquisado, com vários estudos demonstrando uma maior associação com o transtorno de ansiedade, problemas de autorregulação, déficit de atenção, distúrbio do sono, além de problemas físicos, como a obesidade infantil.

Entretanto, poucos estudos até agora focaram especificamente na associação da hiperexposição audiovisual precoce e o Transtorno do Espectro Autista (TEA). Essa possibilidade de associação até tem sido discutida de maneira informal entre especialistas que trabalham com TEA, mas pouco se fala abertamente sobre o tema. Em 2015, os pesquisadores Karen Heffler e Leonard Oestreicher publicaram no periódico Hipóteses Médicas uma nova teoria. Segundo os autores, uma grande parcela de casos de TEA é decorrente de uma exposição precoce e intensa das crianças menores de dois anos às mídias audiovisuais. Essa exposição levaria a uma hiperestimulação de vias cerebrais relacionadas ao processamento de informações audiovisuais não sociais.

A hiperestimulação, mantida ao longo do tempo, levaria a uma falha ou inibição do desenvolvimento das redes neurais relacionadas ao chamado cérebro social. Para os autores, a criança pequena, o lactente, não consegue discriminar a relevância social da mídia audiovisual e se sente naturalmente atraída pelas telas brilhantes e ricas em estimulação visual. Dessa maneira, acaba perdendo o interesse por atividades reais, no concreto. Diante da “concorrência” da tela brilhante, chamativa e interativa, que gera respostas rápidas a um simples toque ou que bombardeia o cérebro com milhares de informações sensoriais em poucos segundos, a criança fica cada vez mais fascinada e envolvida nessas atividades de reforço imediato, com um custo baixo para obtenção de resposta.

É como se fosse uma “droga”, em que a criança obtém um reforço, uma satisfação, sem que haja um mínimo de esforço, um engajamento ou uma atividade motora mais elaborada. Ante tanta atividade prazerosa instantânea e imediata determinada pelas mídias audiovisuais, o cérebro fica cada vez mais “especializado” em processar os estímulos originados por essa via. A teoria de um desenvolvimento exagerado de vias neurais relacionada a informações sensoriais visuais e auditivas é reforçada pelo fato de que muitas pessoas com TEA apresentam uma sensibilidade exagerada ou problemas de modulação de determinados sons, bem como têm facilidade em processar informações pela via visual. Alguns até podem desenvolver habilidades extraordinárias, como ouvido absoluto ou memória fotográfica.

O desenvolvimento típico na infância decorre de experiências e interações sociais com pessoas, com objetos, com sensações internas e externas. Desde bebê, quando uma criança se acalma ao ouvir a voz da mãe, quando emite algum som ou sorri, provoca também uma reação na pessoa à frente. Esse processo de determinar uma reação do outro é a base do desenvolvimento social, que vai se especializando em relações mais complexas. A criança necessita compartilhar e dividir a experiência de aprendizado com o outro, provocando reações de mudança de comportamento e vice-versa. Estudos demonstram que crianças de três meses são naturalmente atraídas pela luminosidade e movimentação da tela, em detrimento ao interesse pelas faces.

A ausência de reciprocidade social das mídias audiovisuais, como um contato olho a olho, um sorriso frente a um olhar ou a procura pela fixação ocular do outro, não estimulam um elemento fundamental para o desenvolvimento social, a chamada atenção compartilhada. Trata-se da capacidade de chamar a atenção do outro para si e levar o olhar e atenção desse para outra direção.

Essa teoria nos faz ainda pensar do ponto de vista epidemiológico. A prevalência do TEA no mundo vem aumentando progressivamente a partir da década de 1970. Curiosamente, essa época marcou a ampliação do acesso da televisão nos lares domésticos. Atualmente computadores, tablets e celulares passaram a ser parte do cotidiano na vida das famílias, influenciando, de maneira considerável, os hábitos e comportamentos das pessoas. Diante da falta de tempo e das atribulações do dia a dia, as famílias recorrem cada vez mais às chamadas “babás eletrônicas” e deixam de realizar atividades ao ar livre ou em ambientes naturais. É muito comum até as pessoas acharem verdadeiramente que estão estimulando o desenvolvimento dos filhos colocando-os para assistir TV ou brincar no celular ou tablet.

Apesar do aumento do acesso a informação, ampliação dos critérios diagnósticos, melhora na qualidade da assistência à saúde, é pouco provável que esses fatores sejam os únicos responsáveis pelo expressivo aumento da prevalência do TEA, cujos dados atuais do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos Estados Unidos é de um para cada 59 pessoas. Evidentemente, essa teoria não tem a pretensão de explicar que todos os casos de TEA são decorrentes da hiperexposição audiovisual precoce. Como se bem sabe, o TEA é uma colcha de retalhos, com uma série de etiologias genéticas bem conhecidas. Provavelmente as causas do que se chama autismo secundário, ou seja, o autismo causado por uma alteração do DNA, continuam a ter um papel importante nesse cenário e é possível a identificação destas alterações, através de exames.

No entanto, na maioria dos casos não se encontra um “defeito” genético, configurando o chamado autismo idiopático. Provavelmente esses casos são os que podem sofrer mais a influência ambiental da hiperexposição audiovisual. É lógico que essa nova teoria traz um impacto gigantesco na sociedade atual. Admitir e confirmar esse risco deverá trazer uma mudança de hábitos de maneira radical, com a proibição de dispositivos audiovisuais em crianças menores de quatro anos. Atualmente as sociedades brasileira e americana de pediatria já recomendam que se evite a exposição aos dispositivos eletrônicos em crianças até os dois anos de idade. Contudo, essa recomendação é muito pouco difundida e, consequentemente, pouco seguida. Apesar da necessidade de confirmação da teoria, os argumentos e dados epidemiológicos, associados ao conhecimento da fisiologia do desenvolvimento neuropsicomotor típico, permitem colocar essa hipótese como plausível para parte do aumento de casos de TEA no mundo.

Até que essa teoria possa ser comprovada, cabe a recomendação de se evitar ao máximo (e até proibir) que crianças menores de quatro anos de idade sejam expostas a estimulação audiovisual excessiva. Uma medida simples do comportamento, com mudança de atitude e hábitos, privilegiando-se atividades lúdicas no “mundo real”, olho a olho, pode contribuir para um desenvolvimento infantil saudável, não só nos aspectos sociais, mas também físico e emocional.

Fonte:

- Heffler KF, Oestreicher LM. Causation model of autismo: Audiovisual brain specialization in infancy competes with social brain network. Med Hypotheses (2015)

- Media usa by children younger than 2 years. American Academy of Pediatrics. doi: 10.1542/peds.2011-1753

- Radesky J, Christakis D. Increased screen time: implications for early childhood development and behavior. Pediatr Clin N Am 63 (2016): 827-839


*Helio van der Linden Júnior é neurologista infantil e fisiologista e atua no Instituto Neurológico de Goiânia e no Centro de Reabilitação e Readaptação Dr. Henrique Santillo (CRER).

*Tatiana Takeda é advogada, membro da Comissão dos Direitos da Pessoa com Deficiência da OAB/GO, em que coordena a Subcomissão de Defesa dos Direitos da Pessoa Autista, Vice-Presidente da Comissão de Inclusão Social e Defesa da Pessoa com Deficiência do IBDFAM/GO, professora do curso de Direito da PUC Goiás, servidora pública, mestre e especialista em Direito, pós-graduada em Ensino Estruturado para Autistas e autora da coleção de Ebooks “Viva a Diferença – O que você precisa saber sobre Autismo”, disponível para download gratuito no site www.ludovica.com.br.