quarta-feira, 30 de outubro de 2019

Loja lança linha inclusiva de fantasias de Halloween para crianças com deficiência

Por Tendencee | tendencee.com.br

Marca cria fantasias de Halloween para crianças com deficiência

Nos últimos anos, vimos uma onda inspiradora de trajes de Halloween inclusivos para crianças. Voltados para crianças com deficiências, esses conjuntos elaborados transformam tudo, de caminhantes a cadeiras de rodas em acessórios de festas. Embora, no passado, essas fantasias tenham sido fabricadas principalmente por organizações sem fins lucrativos criativas e principalmente por artistas artísticos, elas agora se tornam um pouco mais acessíveis graças ao Target.

Este ano, o varejista popular adicionou quatro roupas adaptáveis ao Hyde e Eek! Boutique, um tesouro de guloseimas e fantasias de Halloween. Essas novas roupas incluem dois modelos de cadeira de rodas: uma princesa e um pirata. Além de oferecer roupas fáceis de colocar e tirar para os usuários de cadeira de rodas, essas roupas também incluem acessórios especiais que, usando fechos de gancho e laço, podem facilmente transformar a cadeira de rodas de uma criança em uma carruagem encantadora ou em um pirata pronto para a aventura navio.

Além de crianças em cadeiras de rodas, essa nova linha de trajes inclusivos também atende crianças com sensibilidades sensoriais especiais. Hyde e Eek! Os trajes super fofos de unicórnio e tubarão da Boutique apresentam costuras planas e sem etiquetas. Eles também vêm com peças que são facilmente destacáveis para garantir que todos os truques ou travessuras possam personalizar os trajes para serem o mais confortável possível.

Esses trajes célebres vêm na esteira de outros itens inclusivos da Target, incluindo roupas adaptáveis e móveis sensitivos. Como esses outros produtos, a linha de fantasias de Halloween tem como objetivo “dar alguns sorrisos enormes” e, acima de tudo, garantir que todas as crianças tenham um feliz feriado.

Confira as fantasias!







quarta-feira, 23 de outubro de 2019

Criança com deficiência consegue andar em skate adaptado e emociona a web, no RS

João Vicente, 7, conseguiu realizar seu sonho graças a um projeto criado por dois gaúchos. Eles projetaram um skate diferente para que ele e todas as crianças com deficiência possam sentir a sensação do "ventinho no rosto"


Sabrina Ongaratto para a Revista Crescer / revistacrescer.globo.com

João Vicente no seu skate adaptado (Foto: Reprodução Instagram)

O sorriso no rosto do pequeno João Vicente, 7 anos, já diz tudo! Basta subir em seu skate, sentir a liberdade e o vento no rosto, que toda essa felicidade aparece. Mas não é qualquer skate. "Meu filho é um menino cheio de vontades, desejos e sonhos. E um deles foi, por muito tempo, andar de skate. Acontece que ele tem paralisia cerebral desde que sofreu um AVC, com 1 ano e 8 meses. E para as crianças que tem paralisia ou qualquer outro tipo de deficiência, ter desejos e sonhos não é permitido. O mundo está sempre nos dizendo que 'não'. Por muito tempo, tentei suprir esse sonho com outros recursos como bike, andador, skate elétrico, mas nada adiantou", conta a mãe, Laura Costa Patrón, 31, que é escritora, palestrante e profissional da inclusão.

Mas a frustração de João Vicente, que é Porto Alegre, terminou quando ele e a mãe conheceram o projeto Anima Skate (@skate_anima). "É um projeto tocado por dois caras incríveis, o Daniel e o Stevan, que não conseguiram ficar parados diante do sonho de uma outra jovem com paralisia cerebral. Ela queria o mesmo que o João: andar de skate. E esses caras que amam skate acharam mais que justo que todas as crianças pudessem ter a chance de amar também", completou ela. A dupla "achou um jeito de fazer o impossível mais possível", diz Laura.

Skate adaptado e irado! (Foto: Reprodução Instagram)

João Vicente no seu skate adaptado (Foto: Reprodução Instagram)

Skate anima: o impossível é possível


Mas o projeto não parou no João Vicente. Enquanto o pequeno está com a autoestima lá em cima, todo feliz e orgulhoso, outras crianças também estão tendo a oportunidade de sentir o mesmo. O acompanhante terapêutico, Daniel Paniagua, 35, que coordena o Skate Anima junto com o fisioterapeuta Stevan Pinto, 39, conta que o projeto nasceu em 2015, por meio de um atendimento de Stevan. "Uma paciente pediu para que ele levasse o skate na sessão de fisioterapia e ele adaptou pra ela. Foi então que surgiu a ideia de ampliar para mais pessoas", conta. E a partir daí, só cresceu. "Hoje, promovemos encontros, vivências e workshops com essa metodologia em várias cidades do Brasil", revela Daniel. "Trabalhamos com vários tipos de adaptações. Algumas já existem, outras, a gente cria. Mas o projeto é focado na ideia da inclusão, de possibilitar que essas pessoas também tenham acesso", diz.

Sobre a adaptação usada por João Vicente, Daniel explica que ela foi produzida por um skatista profissional, chamado Ricardo Porva, de Minas Gerais. "Ele fez esse andador para a filha dele que tem uma deficiência, e nós conseguimos trazê-la para o projeto", diz. "Atendemos todas as deficiências, desde autismo, síndrome de Down, paralisia cerebral... Estamos aberto a todas as pessoas", afirma ele. O projeto, segundo Daniel, já conseguiu chegar até o maior skatista do mundo, Tony Hawk. "Tivemos a possibilidade de ir a São Paulo e conhecê-lo. Mostramos que é possível, que todas as pessoas podem fazer isso. Trabalhamos como facilitadores desse acesso. Nós somos skatistas, nos conhecemos através do skate e, hoje, dentro das nossas profissões, conseguimos usá-lo como uma ferramenta de trabalho e inclusão. Agora, pretendemos chegar a mais cidades do Brasil para reinvestir no projeto e ampliar o número de ações", finaliza.

Criadores do projeto Skate Anima (Foto: Divulgação)

Confira, abaixo, as imagens da primeira vez que João Vicente andou de skate! (se não conseguir visualizar, clique aqui).








Eu pirei quando vi pela primeira vez fotos do projeto Skate Anima do @studio_neuro . Porque eu estou sempre me perguntando em como fazer o João sentir - liberdade. E voar assim, de pé, com vento na cara, com atrito nos pés. Nunca encaixava nossa agenda com a deles. Esse finde o João estava com o pai, e me lembrei de avisar: vai rolar. Eu estava trabalhando, escrevendo uma palestra nova sobre aceitação, quando recebi esse vídeo. O original tem um minuto e me botou chorando em dois segundos. Que projeto lindo 🖤 conheçam o trabalho desses caras. Eu não sei o que movimenta dentro dessas pessoas que fazem coisas assim, absurdamente maravilhosas para o outro. Quer dizer, eu sei. É empatia, coragem, é vontade de mudar o mundo - pelo menos um pouquinho, é paixão pela vida. Paixão e vida. É o que o João está sentindo enquanto anda de skate sorrindo, testa pulos nos pés, e não sabe o quão improvável era que isso acontecesse um dia. Se não fosse alguém desejar fazer acontecer. Parabéns @studio_neuro . Na próxima vou junto. Avante ❤️ #avanteleaozinho #meufilhoexiste #inclusao
Uma publicação compartilhada por avante ⚡️ (@avanteleaozinho) em

sexta-feira, 18 de outubro de 2019

Maioria dos brasileiros afirma que escola inclusiva melhora educação

Pesquisa indica que 86% apoiam medida à qual país aderiu há 10 anos e é parcialmente ignorada


Jairo Marques para a Folha - folha.uol.com.br

SÃO PAULO Uma década após o país ter decretado oficialmente adesão à convenção mundial da ONU pelos direitos das pessoas com deficiência — que, entre outros pontos, preconiza a educação inclusiva, em que toda criança estuda em um mesmo ambiente, sem segregação — o brasileiro indica apoiar o modelo.

Pesquisa nacional do Datafolha encomendada por um dos mais importantes organismos do Brasil na defesa dos direitos e do bem viver da criança, o Instituto Alana, feita com 2.074 pessoas em 130 municípios, indicou que 86% dos entrevistados avaliam que “as escolas ficam melhores quando incluem alunos com deficiência”.

Com margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos, o levantamento foi realizado entre 10 e 15 de julho deste ano e contou com dez perguntas cujas respostas foram estimuladas por meio de um cartão entregue aos entrevistados para serem escolhidas.

Outros pontos considerados positivos à escola inclusiva na pesquisa foram que 76% dos entrevistados “acham que a criança com deficiência aprende mais ao lado de crianças sem deficiência” e 68% que se disseram contrários à afirmação de que “a criança com deficiência em sala atrasa o aprendizado das sem deficiência”.

A organização Turma do Jilo, de SP, criou um mŽodo de intervenção em escolas que ajuda a comunidade escolar a incluir de maneira mais natural e efetiva alunos com deficiência, negros, lbgts entre outros. Na foto, Tauani Donizetti Barbosa, que tem surdez severa, faz prova com professora que usa linguagem em libras
A organização Turma do Jilo, de SP, criou um mŽodo de intervenção em escolas que ajuda a comunidade escolar a incluir de maneira mais natural e efetiva alunos com deficiência, negros, lbgts entre outros. Na foto, Tauani Donizetti Barbosa, que tem surdez severa, faz prova com professora que usa Libras, a língua brasileira de sinais Marlene Bergamo/Folhapress

Embora seja o modelo vigente e esteja sendo aplicado em todo o país, a escola inclusiva ainda enfrenta resistência, sobretudo entre organizações e famílias de pessoas com limitações intelectuais mais graves, que alegam faltar preparo ao professor e aos colégios para atender a esse público de forma satisfatória, além de dar a ele segurança e acolhimento adequados.

Rotineiramente, projetos de lei surgem no Congresso com o intuito de criar exceções ou propagados “aperfeiçoamentos” nas escolas onde todos estudam juntos — crianças com e sem deficiência.

As medidas tratam da abertura de salas especiais dentro de colégios, oferta de ensino institucionalizado ou ainda de abertura de possibilidade aos pais de educar seus filhos com deficiência em casa. Não raro também acontecem a propagação de denúncias de bullying envolvendo crianças com deficiência dentro das escolas regulares, o que motiva indignação e revolta de grupos que defendem um modelo com mais proteção a esse público.

A necessidade de mais aperfeiçoamento profissional para lidar com a diversidade em sala de aula também apareceu na pesquisa Datafolha/Alana.

Dos entrevistados, 67% apontam “falta de formação do professor para tratar com o aluno com deficiência”.

Ao mesmo tempo, os pesquisados não consideram que haja resistência à inclusão, uma vez que 71% acham que “o professor tem interesse em ensinar o aluno com deficiência”.

Alunos da Escola Municipal Tenente-coronel Gaspar de Godoi Colaço, em Santana de Parnaíba (Grande SP), onde o programa de inclusão da Turma do Jiló foi implantado Marlene Bergamo/Folhapress

Para Raquel Franzim, coordenadora da área de educação do Instituto Alana, um dos desafios atuais mais importantes em relação à educação da criança com deficiência é não retroceder no modelo estabelecido, que é também o aplicado em outras várias partes do mundo.

“Além de tentar garantir o acesso da criança com deficiência à escola, temos de tentar evitar o retrocesso que é o não direito à educação inclusiva”, afirma.

“É um desafio constante dar visibilidade a experiências positivas que acontecem em todo o país, mostrar que uma concepção protetiva e segregada de escola não é um caminho.”

Atualmente, a Lei Brasileira de Inclusão determina pena de reclusão a gestores de escolas que neguem matrícula a um aluno com deficiência.

A alegada dificuldade de condições das escolas em poder atender a todos também tem reflexos na pesquisa, quando 37% do entrevistados dizem que “concordam que a escola pode escolher se matricula ou não uma criança com deficiência”.

De acordo com Rodrigo Hübner Mendes, fundador e diretor executivo do Instituto Rodrigo Mendes — que, entre outras missões, oferece gratuitamente ferramentas práticas para que o professor ensine alunos com deficiência com demandas específicas —, os dados da pesquisa convergem com a observação das várias redes de ensino onde a instituição atua.

“Por um lado, [a pesquisa mostra] extraordinário amadurecimento da sociedade civil sobre o direito das pessoas com deficiência à educação em escolas comuns, acompanhado da percepção de que todos saem ganhando quando a escola abraça a diversidade humana”, afirma ele.

“Por outro lado, o estudo reforça o que várias outras pesquisas vêm revelando: formação sobre esse tema é uma das demandas prioritárias manifestadas pelos professores que estão em sala de aula.”

Para o Alana, um dos preceitos científicos que fortalecem a adoção da escola inclusiva, o que comprova que o benefício da inclusão tem repercussões em todo o ambiente escolar, principalmente nos alunos sem deficiência, aparece na pesquisa Datafolha, mesmo que de forma indireta.

Italo Martins Araujo, então com 10 dez anos, na escola Pueri Domus, onde participava normalmente das aulas de educação física Moacyr Lopes junior/Folha Imagem/Folhapress

De acordo com o levantamento do instituto, 68% dos entrevistados se declaram contrários à afirmação de que a “criança com deficiência em sala atrasa o aprendizado das sem deficiência”.

Além disso, 93% dos entrevistados que convivem com pessoas com deficiência na escola são “favoráveis à ideia de que as escolas se tornam melhores ao incluir crianças com deficiência”.

Conforme explica Raquel Franzim, para a criança sem deficiência, a interação com a diversidade física, sensorial e intelectual promove melhoria no desempenho acadêmico, sobretudo em linguagem e matemática, aumento da habilidade de resolução de problemas, ampliação da disposição para tarefas.

Já para a criança com deficiência, além de benefícios parecidos com os das crianças típicas, ela aponta “promoção de independência e autonomia, maior participação da vida em sociedade, nas ruas e no trabalho”.

“Esses dez anos de educação inclusiva no Brasil já demonstram um enorme avanço. As gerações atuais já acessam pessoas com deficiência na escola, no trabalho, na vida social e vemos pessoas com deficiência concluindo o ensino médio, ingressando no ensino superior, tomando decisões. Os efeitos são transformadores e reais.”

Os exemplos mais bem-sucedidos de escolas inclusivas no Brasil são os que contam com o envolvimento de toda a comunidade escolar, em parceria com famílias e grupos de apoio à inclusão.

Cabe ao poder público e às próprias escolas fornecerem condições e instrumentos adequados de aprendizado, interação e permanência desse público em sala de aula.


quarta-feira, 16 de outubro de 2019

Professora se dedica ao ensino de crianças e adolescentes com deficiência, em Campina Grande

Luciana Rodrigues tem formação em Libras e Braille; ela leciona na rede municipal de ensino.


Por Waléria Assunção, TV Paraíba | G1

Professora tem formação em Libras e Braille — Foto: TV Paraíba/Reprodução
Professora tem formação em Libras e Braille — Foto: TV Paraíba/Reprodução

Vinte e oito anos da vida de Luciana Rodrigues foram dedicados à sala de aula. A professora ensina em uma escola municipal, localizada no bairro Estação Velha, em Campina Grande. O turno da tarde é dedicado ao ensino de crianças e adolescentes com deficiência.

A educadora possui formação na Língua Brasileira de Sinais (Libras), para se comunicar com alunos surdos e em Braille, para auxiliar no processo de aprendizagem de estudantes com deficiência visual.
“É especial realmente. Eu gosto muito do que faço. É a minha vida", contou Luciana, que não conteve a emoção.
“Eu estou vendo o avanço deles e me sinto muito gratificada”, destacou Luciana. A dedicação dela faz com que os alunos vençam as próprias limitações nos estudos.

Os pais dos alunos reconhecem a dedicação da professora. “Me sinto muito realizada. Vejo os cuidados dos professores daqui, especialmente em Luciana, que tem dedicado tempo e amor”, declarou Rávila Georgia.

Ensinar a ler e escrever foi a profissão que Luciana escolheu por amor. Sentimento percebido pelos gestos, no olhar e nas palavras de quem ensina e de quem aprende.

sexta-feira, 11 de outubro de 2019

Crianças com deficiência evoluem com acompanhamento do Criança Feliz

Método estimula desenvolvimento com cuidados, carinho, atenção e brincadeiras para o fortalecimento de vínculos entre os responsáveis e a criança


O Programa Criança Feliz, do governo federal, demonstra diariamente que o acompanhamento, as orientações e os estímulos oferecidos impactam no desenvolvimento de crianças com deficiência, que exigem cuidados especiais. São contempladas aquelas com até seis anos que recebem o Benefício de Prestação Continuada (BPC), além de todos os filhos e filhas de famílias de baixa renda inscritas no Cadastro Único para Programas Sociais. É o caso do menino Arthur, em Campo Grande (MS), que nasceu com hidrocefalia. Contrariando todas as expectativas médicas, que deram seis meses de vida ao menino, ele já está prestes a completar 4 anos.

Foto: Mauro Vieira

Ao olhar nos olhos escuros do bebê quando ele nasceu, a mãe, Andrea Santos, 41 anos, viu a materialização de um sonho. A chegada de Arthur foi a tradução de um desejo profundo de amor genuíno, de uma gravidez há muito esperada. Eles moram em uma casa pequena na periferia da capital do Mato Grosso do Sul. O quarto é o centro de um universo onde dias, horários, gestos e atenções giram ao redor do menino. Ali, no espaço extremamente limpo, as paredes brancas são praticamente as únicas testemunhas de uma alegria singela. Sozinha, Andrea cria Arthur e acompanha cada milagre da evolução dele.

A rotina de Andrea é cuidar de Arthur 24 horas por dia. Ele se alimenta por sonda desde que nasceu, tem traqueostomia desde os 9 meses – por conta de pneumonia repetitiva – e válvula para drenar o líquido da cabeça. “Passo momentos difíceis, mas não sou de ficar lamentando muito, não. Sorriso e felicidade aqui em casa não faltam”, garante.

Além do BPC, o que ajuda a mãe a lidar com o cotidiano é a visita periódica do Criança Feliz, que teve início em janeiro de 2019. “Quando o Criança Feliz chegou na minha porta, me senti mais amparada. O programa mostra que alguém, em algum lugar, está pensando na gente, está trabalhando, planejando e unindo forças. Anos atrás não tinha esses projetos. As crianças especiais nasciam e eram escondidas. Hoje não. Já sofremos muito preconceito, mas aos poucos isso está mudando”, avalia.

Em pouco tempo, o trabalho viria a surtir efeito, principalmente para a mãe. Além de se sentir mais forte, ela vê melhora nas interações do menino. “No dia que a visitadora vem, ela faz massagens nas mãos do Arthurzinho. Eu vejo que ele gosta porque ele sorri. É isso que deixa o cotidiano melhor”, destaca.

Já as conversas proporcionam alívio. “Eu choro, conto da minha semana com ele. Nós adoramos. Nessas conversas, eu soube que ele poderia ter acesso à fisioterapia motora, respiratória e fonoaudiólogo. Se não fosse o Criança Feliz, eu não saberia que ele poderia ter acesso a tudo isso”, explica.

Para fotalecer a família

No caso de Andrea e Arthur, a coordenadora do Criança Feliz em Campo Grande, Gizeli do Prado, ressalta a importância de levar informação até a mãe, a fim de fortalecê-la para enfrentar os desafios. Em todas as famílias, a chegada de um bebê interfere na dinâmica e no cotidiano. Quando a criança tem alguma deficiência ou problema de saúde, a ansiedade, angústia e a insegurança podem aumentar. Nesses casos, o Criança Feliz orienta e pode oferecer apoio por meio da rede de serviços de saúde e assistência social.

Para atingir os resultados do programa, além de uma boa equipe, o município conta com a atuação firme do Comitê Gestor. O programa se fortalece quando vários setores entendem que a família não pertence só ao Criança Feliz, mas a um território, a um município e a uma sociedade. O comitê é uma das principais estratégias de articulação intersetorial para direcionar as demandas que surgem das famílias nas várias áreas, como educação, saúde, direitos humanos e cultura. Nele, são discutidas responsabilidades por encaminhamentos e repassadas orientações técnicas complementares, com informações de cada uma das áreas, por exemplo. “O programa mexeu com a rede, trouxe intersetorialidade. Essa articulação com políticas integradas faz toda a diferença, tanto para a capacitação continuada com os visitadores, quanto para as oficinas com as famílias”, afirma. O trabalho conjunto é fundamental para políticas públicas como o Criança Feliz, que visa a garantia da atenção integral às crianças na primeira infância.

O ministro da Cidadania, Osmar Terra, explica que o Criança Feliz foi desenvolvido com base em técnicas rigorosas e segue metodologia defendida pela Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS/OMS) e pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef). “O método do Criança Feliz busca o estímulo com cuidados, carinho, atenção e brincadeiras para o fortalecimento de vínculos entre os responsáveis e a criança. Assim, ele permite o desenvolvimento dos potenciais mesmo de quem precisa de cuidados especiais. Por isso, nós vamos trabalhar cada vez mais, para que o programa fique cada vez mais forte e chegue a cada vez mais pessoas”, afirma.