quarta-feira, 31 de março de 2021

Crianças com autismo na quarentena: como ajudá-los?

maristalab.com.br

Muito se fala sobre a importância de manter uma rotina com as crianças, mesmo estando em casa por conta do isolamento social provocado pela pandemia do coronavírus (Covid-19). Fato é que estabelecer horários para as refeições, estudos, dormir e acordar, e até mesmo para momentos de lazer é essencial para todas as pessoas, independentemente da idade. Quando falamos em crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA), a relevância de construir uma rotina equilibrada é tão importante quanto para qualquer outra criança.

“Encontrar uma rotina contribui para manter o sentido de ordem, de propósito de vida. Afinal, esse momento de incerteza é desafiador para todos. No caso específico de crianças com TEA, pode ser difícil para eles compreenderem o que está acontecendo”, explica a psicóloga clínica Carol Sella, pós-doutora em psicologia comportamental para transtorno do espectro autista, Board Certified Behavior Analyst (BCBA-D).

Afinal, se trata de um momento em que tudo mudou: de repente, os filhos não vão mais para escola e nem para terapia – mesmo quem recebia tratamentos em casa, em muitos casos está com o atendimento interrompido. Por isso, uma das primeiras preocupações é criar uma rotina, que deve respeitar as especificidades de cada criança, que é única.

Carol lembra que é interessante avaliar, por exemplo, qual a probabilidade de a criança ter algum comportamento que talvez coloque ela ou outra pessoa em risco. Os pais também precisam estar atentos ao fato de o filho correr o risco de perder aquilo que já foi estudado.

 “Muitas crianças quando retornam das férias, por exemplo, perdem muito do que já aprenderam e foram estimuladas ao longo do semestre”, observa.

Planejar o dia-a-dia

Mesmo sendo desafiador organizar uma rotina em casa, já que muitas mães e pais também estão fazendo trabalho remoto, é essencial planejar o cotidiano. Este planejamento deve incluir atividades físicas, além de tempo determinado para assistir TV, descansar e ler. No caso de crianças com Transtorno do Espectro Autista, Carol lembra que também é importante ser flexível e avaliar o momento do filho, com todas as suas variáveis.

“A previsibilidade é importante para as pessoas de forma geral, e no caso de quem tem TEA não é diferente”, sublinha a psicóloga.

Ou seja, as crianças se sentem mais seguras quando sabem o que vai acontecer durante o dia e, com isso, tendem a ficar mais tranquilas diante da rotina diferente que está sendo imposta pelo isolamento.

Como os pais podem acompanhar as atividades domiciliares dos filhos? A recomendação é estar sempre junto, acompanhando o estudo do conteúdo proposto pela escola, especialmente no caso daquelas crianças que apresentam dificuldades de concentração. Além de estarem presentes nesses momentos, é essencial reservar tempo para brincar com as crianças e participar de momentos de lazer.

Brincadeiras são essenciais

Atividades e brincadeiras não devem faltar na rotina, e devem estar alinhadas com o objetivo que se procura para cada um.

“Crianças em momentos diferentes da terapia pedem jogos e brincadeiras variados. Algumas participam de jogos sociais na internet, outras envolvem os irmãos nas brincadeiras feitas em casa”, explica Carol.

Um exemplo de atividade física muito benéfica para gastar energia é a peteca.

“Dependendo da fase em que a criança estiver no processo terapêutico é muito legal porque ela terá que trabalhar a coordenação motora e a força”. Quanto mais os pais puderem participar, melhor os ganhos afetivos e emocionais”, ressalta Carol.

Mesmo com as dificuldades impostas pelo isolamento social, o fato de os pais estarem mais tempo em casa pode ser benéfica para as crianças. É a chance de ter mais presença com o filho, inclusive em atividades menos estruturadas.

Sites com ideias de como gastar energia com atividades para fazer em casa:

sexta-feira, 26 de março de 2021

Cresce número de pessoas com Síndrome de Down na rede de ensino

 

Toda criança tem direito inalienável à educação, segundo a Constituição Brasileira. Porém, na prática, o desafio de levar conhecimento a todos encontra barreiras na inclusão de pessoas com Síndrome de Down. No Brasil, dentre as mais de 270 mil pessoas com essa síndrome, cerca de 74 alcançaram êxito e concluíram uma graduação, conforme o Movimento Down.

Desde 1998, houve crescimento significativo de alunos com Síndrome de Down matriculados na rede regular de ensino, de 200 mil à época, o número saltou para mais de 1,18 milhão, de acordo com último censo do Ministério da Educação (MEC).

No ensino superior, a presença de pessoas com Síndrome de Down ainda é escassa, menos de 100 conseguiram concluir uma graduação. Neste caso, as preferências dos cursos escolhidos por pessoas com Síndrome de Down, segundo o Movimento Down, são: Educação físicaPedagogiaDesignModa e ArtesGastronomia.

Em 2019, o Conselho Regional de Relações Públicas de Minas Gerais atestou a primeira profissional do segmento com Síndrome de Down. A mineira Luísa Camargos, na época com 25 anos, virou exemplo de superação. Dona de um entusiasmo e força de vontade notáveis, Luísa está determinada a incentivar outras pessoas com deficiências a lutar pelos seus sonhos. Para isso, ela usa o seu perfil no Instagram @lusrcamargos como espaço de motivação. Atualmente, ela trabalha como relações-públicas na Agência de Iniciativas Cidadãs.

Educação inclusiva

O Plano Nacional de Educação (PNE) aprovado em 2014 lista 20 metas a serem alcançadas em 10 anos. Dentre elas, a meta de inclusão na rede regular de educação é a meta número 4.

“Universalizar, para a população de 4 (quatro) a 17 (dezessete) anos com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades ou superdotação, o acesso à educação básica e ao atendimento educacional especializado, preferencialmente na rede regular de ensino, com a garantia de sistema educacional inclusivo, de salas de recursos multifuncionais, classes, escolas ou serviços especializados, públicos ou conveniados”, diz meta 4 do Plano Nacional de Educação.

Além do PNE, a Lei Brasileira de Inclusão (LBI) também assegura que pessoas com síndromes tenham garantido o direito à educação. Confira, a seguir, alguns artigos da LBI sobre a inclusão educacional:

Art. 27: “A educação constitui direito da pessoa com deficiência, assegurados sistema educacional inclusivo em todos os níveis e aprendizado ao longo de toda a vida, de forma a alcançar o máximo desenvolvimento possível de seus talentos e habilidades físicas, sensoriais, intelectuais e sociais, segundo suas características, interesses e necessidades de aprendizagem.”

Art. 28-IV: “Nas escolas inclusivas é indispensável que o conteúdo e as aulas sejam oferecidos em Libras, como primeira língua, e em português, na modalidade escrita, para os alunos surdos. O mesmo vale para as escolas e classes bilíngues e para os materiais de aula.”

Art. 28-V: “A adoção de medidas individuais e coletivas que proporcionem o desenvolvimento acadêmico e a socialização dos alunos com deficiência. Isso facilita a integração e, consequentemente, o aprendizado.”

(Art. 28-XII): “Além da oferta de aulas e materiais inclusivos (em Libras e Braile), as práticas pedagógicas também precisam ser incorporadas e preferidas pela instituição que possuir alunos com deficiência.”

21 de março: Dia Internacional da Síndrome de Down

A Federação Brasileira das Associações de Síndrome de Down estima que, no Brasil, em um a cada 700 nascimentos ocorre o caso de trissomia 21, que totaliza, aproximadamente, 270 mil casos no país.

Conforme a entidade, essa síndrome não é uma doença. Trata-se de uma condição genética gerada pela presença de uma terceira cópia do cromossomo 21 em todas as células do organismo (trissomia).

Fonte: Agência Educa Mais Brasil

quarta-feira, 24 de março de 2021

'Criança autista não é só um diagnóstico, ela precisa de cuidados', diz psiquiatra infantil

 Maria Amélia Ávila para o hojeemdia.com.br

 
 
Receber um diagnóstico de qualquer deficiência, principalmente em relação aos filhos, não é nada fácil. Uma síndrome que ainda assusta muito pais é o autismo, ou Transtorno do Espectro Autista (TEA). A psiquiatra infantil, Jaqueline Bifano, conta que muitos pais e mães choram ao receber o diagnóstico de que o filho tem autismo, mas o alerta que ela faz para os pais é que “seu filho não é um diagnóstico, ele é uma criança que precisa de cuidados”.

E são muitos os cuidados para melhorar a qualidade de vida de uma criança autista. O tratamento é multidisciplinar, com psiquiatra, fisioterapeuta, fonoaudiólogo, terapeuta assistencial, e o que é melhor, todas essas terapias podem ser feitas pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Mas o diagnóstico só pode ser feito por um neuropediatra ou um psiquiatra infantil, são esses dois profissionais que vão avaliar a criança e identificar os sintomas que, normalmente, são refletidos em problemas na comunicação, na socialização e nos comportamentos repetitivos.

A psiquiatra infantil lembra que o dia 2 de abril é o Dia Mundial De Conscientização do Autismo, data para chamar a atenção da sociedade para uma questão que atinge, pelo menos, 2 milhões de pessoas no Brasil, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS).

Acompanhe a entrevista na íntegra.

sexta-feira, 19 de março de 2021

Um outro universo

Livro de Lulu Lima convida o leitor para um mergulho sensível no universo do autismo


 
 
A obra Menino Baleia (Mil Caramiolas, 70 pp, R$ 52,90 – Ilustração: Natália Gregorini), de Lulu Lima com coedição de Carolina Moreyra, convida o leitor para um mergulho delicado e sensível no universo do autismo.
 
menino Roger, personagem principal, tem “olhos de baleia” porque dentro dele mora uma. Por trazer, em si, o silêncio e a profundidade do oceano, Roger é uma criança diferente das outras, no comportamento e nas necessidades. O leitor é convidado a conhecer o mundo interior do personagem e no decorrer da leitura encontra outras perspectivas relevantes.
 
O livro põe luz, por exemplo, na reação dos pais diante das características da criança, suas angústias e dúvidas tão particulares. E ainda, por ser contextualizado no interior de uma escola, termina por levantar questões como a importância da educação inclusiva, o papel do educador e o valor do convívio com outras crianças.

quarta-feira, 17 de março de 2021

Mães de crianças com deficiência podem ganhar ESTE benefício no mercado de trabalho

 Bartira Araújo para o fdr.com.br

De acordo com a PL 4/2021, mães de crianças com deficiência intelectual ou mental ou deficiência grave poderão ter cotas de vagas nos concursos públicos. A ideia é que essas mulheres possam concorrer às vagas relativas às cotas para pessoas com deficiência. Vale lembrar que também vale para quem tiver a guarda ou tutela da criança.

Qual a razão da proposta de cotas?

Essa PL altera o regime jurídico dos servidores públicos da União (Lei 8.112, de 1990) e é idealizada pela ex-senadora Nailde Panta (PP-PB). Segundo ela, o intuito é ajudar essas mães que precisam se dedicar aos cuidados especiais dos filhos.

“O projeto vai ao encontro da necessidade de muitas mães que, ao terem que dedicar-se quase que exclusivamente aos cuidados de pessoas que possuem deficiência grave, acabam por ter que abdicar do tempo necessário ao estudo e à preparação necessária para aprovação em um concurso público”, afirmou.

Além disso, Nailde informou que essas mães têm dificuldades de conseguir uma realização profissional. Afinal de contas, precisam utilizar o tempo para dedicar aos filhos e aos tratamentos.

“Procuramos minimizar os impactos vivenciados por essas mães, permitindo que elas possam concorrer a vagas dentro da cota destinada a pessoas com deficiência [PCD], na medida que, em sua eventual aprovação, certamente a PCD será a maior beneficiada com os recursos advindos da nova fonte de recursos'”, acrescenta a ex-senadora.

Horário diferenciado

Vale ressaltar que existe uma lei (13.370), imposta em 2016, que permite ao servidor público federal que tenha filhos com deficiência horário um especial no trabalho. Nesse caso, é possível ter horário diferente de entrada/saída e não há obrigatoriedade de compensação.

Lei de cotas para portadores com Síndrome de Down é questionada

A Lei estadual 11.034/2019, que fixa cotas para pessoas com Síndrome de Down tem sido questionada. O governador Mauro Mendes (DEM), do estado de Mato Grosso, ajuizou Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI 6634), junto ao Supremo Tribunal Federal.

A oposição do governador é com relação ao fato da obrigação de ter uma equipe multiprofissional para avaliar estes candidatos.