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sexta-feira, 20 de outubro de 2017

Como cuidar da criança deficiente vítima da violência?

Matéria extraída do desenvolvimento-infantil.blog.br


No post “Chega de violência contra crianças deficientes!” falamos de sinais característicos que podem evidenciar maus tratos contra essa criança. No post de hoje, indicaremos alguns caminhos para você, que atua na Primeira Infância, orientar pais, cuidadores e seus colegas sobre como lidar com essa violência.

Foi comprovado que determinada criança com deficiência física e/ou intelectual sofre violência? Então, está na hora de agir. Há três etapas de intervenção a serem seguidas pelos profissionais que atuam na rede de cuidado e proteção dessa criança (Educação, Saúde e Assistência Social).

A primeira é a Notificação/Denúncia, um documento que relata claramente a situação vivenciada pela criança aos órgãos responsáveis pelos serviços de atenção (Saúde, Educação e Assistência Social). Em seguida, a partir dessa notificação, todos os envolvidos nessa violência (a vítima e o agressor, especialmente) devem ser inseridos nas opções oferecidas pela rede de proteção e responsabilização (conselhos tutelares, Juizado da Infância e Juventude, por exemplo) que tratarão do caso. É o Acolhimento/Encaminhamento para proporcionar à criança ou à família um espaço de escuta e proteção e definir que atores ou serviços da rede de cuidado e proteção deverão participar do acompanhamento (médicos, psicólogos, psiquiatras, educadores, dentre outros). Por último está o Atendimento, uma etapa que procura prevenir novos eventos de violência contra aquela criança, principalmente quando a agressão acontece na família. Nessa fase, os especialistas (Assistência Social) orientam o agredido a como se cuidar e proteger-se de possíveis novas agressões e trabalham o vínculo entre a criança, a família e o agressor, com o objetivo de diminuir o isolamento da vítima e reduzir as oportunidades de repetição dos ciclos violentos.

Procura-se, nesse processo, não só focar na violência em si, mas diminuir o impacto emocional sofrido pela criança em todo o percurso, desde a denúncia e a responsabilização, até o processo de investigação, acompanhamento médico de lesões e, no caso de abuso sexual, do atendimento preventivo contra doenças sexualmente transmissíveis, como DST/AIDS.

Toda intervenção para casos de violência contra a criança deve seguir princípios previstos na Constituição Federal e no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Um deles é que a criança e a família não podem ser acompanhadas por um único serviço da rede ou por um único profissional, mas por um conjunto articulado de serviços e pessoas. Ou seja, é fundamental que haja uma integração da rede de proteção e cuidado para que se as intervenções sejam mais qualificadas e alcancem seus objetivos, resgatando o bem-estar e a segurança dessa criança.

Por isso, lançamos aqui uma pergunta para você que atua na Primeira Infância: na sua cidade ou região existe esse trabalho integrado para que a criança com deficiência receba o cuidado e a proteção necessários?

Antes de dar sua resposta, lembramos que este post foi inspirado no conteúdo disponibilizado pela APAE DE SÃO PAULO para subsidiar o trabalho dos profissionais da Primeira Infância que atuam com crianças com deficiências físicas e intelectuais. O material original é da autoria dos especialistas Marco Aurélio Teixeira de Queiroz, Aguinaldo Aparecido Campos, Deisiana Campos, Juliana d’Avila Delfino e Rita de Cassia Kileber Barbosa.

quarta-feira, 18 de outubro de 2017

Chega de violência contra crianças deficientes!

Post extraído do desenvolvimento-infantil.blog.br



Crianças com deficiência, especialmente a intelectual, são pouco ouvidas e respeitadas pela sociedade. Muitas pessoas acham que o que elas falam ou fazem não pode ser levado a sério, afinal, “não sabem o que dizem”. Você, que atua com a Primeira Infância, tem o papel de mudar essa visão distorcida e prejudicial ao bem-estar de meninos e meninas nessa condição. É sobre isso que falaremos neste post.

O problema é sério. Para muitos, crianças, adolescentes e adultos deficientes não têm voz. O “não escutar”, “não enxergar”, “não dar valor” ao que dizem, pensam e sentem esses indivíduos significa reproduzir e reforçar a violência, contribuindo para uma cultura de exclusão social.

A criança deficiente se expressa como qualquer ser humano, ou seja, se o comportamento dela muda, algo pode estar errado e por isso ela precisa ser acolhida e compreendida. Isso significa que pais, familiares e cuidadores tem de rever a maneira como olham para ela, parando de interpretar suas manifestações como comportamentos disfuncionais ou atitudes fantasiosas, recriminando-a por isso. Porque esse menino ou essa menina pode estar sofrendo algum tipo de violência.

Qualquer pessoa que, de alguma forma, tenha responsabilidade sobre essa criança, precisa estar atento. Certos sinais e comportamentos são mais comuns e podem ajudar a identificar casos suspeitos de violência.

A criança era calma e de repente fica violenta ou, ainda, era agitada e passa a se comportar com muita timidez e resguardo… Essas mudanças têm de ser analisadas para avaliar se há algo errado com a criança. O medo exagerado em determinadas situações também é outro indicador.

A menina ou menino deficiente, cotidianamente calma e afetiva, começou a se agredir ou agredir as pessoas ao seu redor? Alerta vermelho!

Você percebeu que ela tem aparecido com lesões, roupas rasgadas ou sujas e arranhões? De novo, é preciso investigar, urgentemente.

Também, de repente, a criança se descuida da higiene pessoal ou muda seus hábitos alimentares (come pouco ou come demais). Passa a urinar sem controle, dia e noite (enurese) ou a fazer suas necessidades fisiológicas em lugares inadequados (encoprese). Mudança no sono pode ser outro sinal da violência, assim como a erotização exagerada e fora do esperado para a idade.

Na escola, a frequência pode se tornar irregular, assim como apresentar dificuldade de concentração e aprendizagem fora dos padrões normais para cada caso. Outro efeito da violência é o repentino isolamento social, quando ele não faz parte do quadro de deficiência da criança.

Diante de dúvidas ou desconfianças, é essencial buscar ajuda profissional, acolher e proteger essa criança. O importante é estar atento e não desprezar qualquer mudança de comportamento. É o seu papel alertar, orientar, cuidar e, se a violência for comprovada, denunciar.

Este post foi inspirado no material dos especialistas Marco Aurélio Teixeira de Queiroz, Aguinaldo Aparecido Campos, Deisiana Campos, Juliana d’Avila Delfino e Rita de Cassia Kileber Barbosa, fornecido pela APAE DE SÃO PAULO, parceira da FMCSV para a troca de conteúdos sobre o desenvolvimento da criança pequena com deficiências físicas e intelectuais.