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sexta-feira, 15 de julho de 2022

Motorista cria videogame para crianças com deficiência a partir do Raspberry Pi

tudocelular.com

Um motorista escolar está dando boas doses de diversão para os seus passageiros, crianças com necessidades especiais, durante o trajeto. Isso porque o rapaz, que se identifica pelo nome SoranosEphesus no Reddit, compartilhou para o mundo o videogame que criou baseado em Raspberry Pi.

A partir da vontade de ajudar as crianças e dar uma boa dose de diversão no trajeto, ele trabalhou a partir do minicomputador, no caso, um Raspberry Pi Zero 2 W, e acoplou uma série de itens, como cabo HDMI, fonte de alimentação e cartão microSD. Além disso, junto uma tela LCD de 13,3 polegadas e um suporte, que na soma final custou cerca de R$ 550.


(Imagem: SoranosEphesus/Reddit)

Outros ajustes estruturais foram necessários para fazer a máquina rodar dentro do carro, como a instalação de um inversor de energia, enquanto um gamepad foi peça fundamental para os jogos conseguirem funcionar a partir de um sistema operacional retrogaming — dentre eles, há o Retropie, Batocera, Recalbox, entre outros.

Segundo o homem, Crash Team Racing, o clássico do PS1, é o favorito da garotada. Soranos diz que nunca teve que avisar as crianças quando terminar, pois elas já sabem. E para que não fiquem decepcionadas, ele também já ensinou os pequenos a usarem os “save states” do emulador para que possam retornar a um estado anterior sem perder o progresso.

quarta-feira, 4 de agosto de 2021

Acessibilidade na escola: entenda como a tecnologia pode auxiliar

por Darcy Furquim para o escolasdisruptivas.com.br

De acordo com o último Censo demográfico do IBGE, 7,5% da população que tem deficiência está entre 0 e 14 anos, algo que só reforça a importância dos gestores implementarem a acessibilidade na escola de fato.

Independentemente se a deficiência é visual, auditiva, física, mental ou múltipla, você precisa ficar de olho no que tem de mais moderno para amparar essas crianças e adolescentes e fazer com que eles se sintam parte do grupo. Uma boa solução é investir em inovações, pois ajudam a contornar os desafios diários, complementam as práticas tradicionais e melhoram as formas de comunicação.

Neste post, trouxemos alguns dos principais recursos tecnológicos que toda instituição de ensino deveria ter. Acompanhe a leitura e confira!

Livros em áudio

A utilização de livros infantis e didáticos é um recurso pedagógico recorrente em salas de aula, pois permite soltar a imaginação, aprender lições do cotidiano, desenvolver o senso de contar histórias, entre outros aspectos. No entanto, pensando em um ensino inclusivo, os livros precisam estar de acordo com a integração de alunos com algum tipo de deficiência.

A melhor alternativa nesses casos, principalmente para crianças e adolescentes que apresentam deficiência visual, é o audiobook, tendo em vista a possibilidade de acompanhar as descrições das imagens e enredos inteiros por meio de áudios. Ter essas histórias gravadas faz com que os alunos se sintam mais engajados e possam acompanhar melhor a dinâmica das aulas.

Aplicativos e softwares

O ensino do século XXI está recheado de opções bem-interessantes para promover a acessibilidade na escola, porém, vale introduzir aplicativos e softwares especializados para facilitar o dia a dia dos jovens com deficiência. Existem programas, por exemplo, capazes de sintetizar a voz, tal como o Liane TTS, e, assim, estabelecer uma comunicação mais ágil para que o conteúdo da aula seja aproveitável.

Já outros softwares, como o DosVox, Virtual Vision e Jaws, fazem com que deficientes visuais possam ter um nível aceitável de independência e consigam acompanhar o ritmo dos demais alunos. Com esses programas, é possível desempenhar inúmeras tarefas, reconhecer textos do pacote Office e traduzir linguagens também.

No caso de alunos com síndrome de Down, o software Jeripe é uma ótima opção, tendo em vista que funciona como um jogo para estimular o raciocínio, construir noções de lógica e contribuir com a inclusão. Para os jovens com dificuldades auditivas, existe o Dicionário da Língua Brasileira de Sinais, um programa com recursos de vídeo em Libras para vários vocábulos.

Equipamentos adaptáveis

Evidente que a acessibilidade na escola passa também pela adaptação de equipamentos, a fim de deixar a tecnologia cada vez mais inclusiva e fazer com que os estudantes possam aprender dentro do próprio ritmo, mas sem se perder dos demais. Para tanto, vale utilizar teclados alternativos que otimizem as tarefas dos alunos, algo que se torna ideal para pessoas com certos problemas em digitar.

Quem tem deficiência física ou mobilidade reduzida deve ter por perto aparelhos ou adaptações para tornar a experiência de aprendizagem nos computadores mais simples. Para trazer mais interatividade, pode-se colocar uma mesa digital na sala, pois ela tem característica multidisciplinar com jogos e aplicativos acionados pelo toque.

Em relação aos periféricos, existem mouses com adaptadores para que, dependendo da deficiência física, seja possível executar tarefas no computador com tranquilidade. Caso seja preferível ter notebooks ou dispositivos móveis em sala, pode-se ajustar as configurações para que os recursos de acessibilidade, presentes no sistema operacional, possam conduzir os alunos e ajudá-los a ter um desempenho melhor.

Impressoras 3D

Se na construção civil as impressoras 3D já estão causando um estardalhaço na questão de praticidade, imagina a disrupção na educação que podem proporcionar, não é mesmo? Com esse recurso tecnológico, é possível imprimir livros com relevo e fazer do ensino em braile algo muito mais comum em sala, permitindo que os alunos cegos possam entender o que se passa sem quaisquer problemas.

Por meio de impressoras com essa finalidade, você pode imprimir mapas, o que tornaria as aulas de Geografia ainda mais interessantes para os alunos. É possível transformar imagens em objetos tridimensionais e fazer com que a assimilação de conteúdos, que seriam exclusivamente visuais, possa ganhar uma roupagem acessível.

Recursos de locomoção

Qualquer gestão escolar que se preze precisa levar em consideração não apenas os recursos tecnológicos dentro da sala de aula, mas todo o entorno. Pensar em acessibilidade na escola é conferir meios pelos quais os alunos possam se locomover até a sala, sem problema nenhum, e consigam ter uma vida acessível como a dos outros.

Para que isso ocorra, a estrutura da escola precisa estar adaptada para inúmeros fatores que possam acontecer, respeitando cada deficiência evidentemente. Por isso, é de bom tom que as instalações da escola tenham elevadores sonoros, plataformas de elevação, piso tátil muito bem sinalizado, entre outros aspectos que influenciem a locomoção.

Metodologias educativas

Por fim, mas tão importante quanto os demais itens citados, torna-se enriquecedor para o aprendizado de crianças e adolescentes a utilização de estratégias pedagógicas que promovam a inclusão de todos na sala. Para se ter uma ideia da relevância disso, existe um projeto da Microsoft que consiste em disseminar a linguagem de programação entre deficientes visuais.

Basicamente, o recurso mostra uma nova linguagem de programa tátil em que utiliza blocos modulares com cores, tamanhos e formatos distintos que dispõem de comandos específicos. A intenção é trazer para o ambiente escolar uma experiência de ensino que possa estimular a lógica, a criatividade e, naturalmente, o senso crítico para criar programas de qualidade.

Além disso, existe também a metodologia STEM, que traz para a escola algumas técnicas responsáveis por englobar aspectos voltados para a Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática, pensando no desenvolvimento dos alunos nos princípios básicos das disciplinas. Entre os vários benefícios, podemos observar mais dinamismo nas tarefas, entendimento apurado e bastante trabalho em equipe.

Para finalizarmos, entenda que os gestores precisam se atualizar constantemente, visando proporcionar não apenas acessibilidade na escola, mas adaptação às tendências de mercado e, por consequência, a garantia da permanência dos alunos em sala de aula.

quarta-feira, 28 de julho de 2021

Aos 14 anos, amigas criam app para criança cega não ficar sem os livros

Adolescentes do ensino fundamental de MS elaboraram projeto que agora é finalista em etapa nacional

Por Bárbara Cavalcanti para o campograndenews.com.br

Aplicativo "Imaginarte" traz audiobooks narrados especial para crianças com deficiência visual. (Foto: Paulo Francis)

As amigas e estudantes do ensino fundamental Maria Júlia Ota Marinho, Danielle Ayumi Sasaki e Isabela Hikaru Nakano, de 14 anos, tiveram a ideia de um aplicativo que tem audiobooks, que são livros com narração, especialmente para trazer uma forma de entretenimento diferente para crianças com deficiência visual.

O projeto agora é representante de Mato Grosso do Sul no concurso nacional Start SFB, uma competição nacional de empreendedorismo para estudantes do ensino fundamental e médio organizada pelo Sistema Farias Brito, do estado do Ceará. Agora na final, elas precisam de votos para ganhar e então transformar o projeto em um negócio real.

De acordo com Maria Júlia, elas estudaram a ideia e inclusive entrevistaram Rubenita Santiago Siqueira, mãe de Lucas Siqueira de 11 anos, que tem autismo e é cego e que já apareceu aqui no Lado B.

“Como a gente precisava entender nosso problema e realmente achar uma solução, a gente procurou pais de crianças com deficiência pra que eu pudesse entrar em contato. Quando eu vi a entrevista do Lucas, entrei em contato com a Rubenita”, explica Maria Júlia.

As três meninas então elaboraram todo o projeto intitulado “Imaginarte”, que tem o objetivo de ter narradores reais contando histórias clássicas de contos de fadas, tudo isso reunido em um só lugar, com um aplicativo totalmente adaptado para o uso de quem é deficiente.

As meninas apresentaram o projeto ao campeonato por meio de vídeo. Elas pensaram em todos os detalhes: desde o conteúdo, à interface, à linhas de financiamento e parceiros para estruturar o projeto e transformá-lo em realidade. Agora, são as únicas representantes de Mato Grosso do Sul entre os finalistas e dependem de votos para ganhar.

“Pra mim e pras minhas amigas, essa questão da leitura e da arte em geral, é muito forte, porque a gente cresceu lendo contos de fadas e coisas assim, mais fantasiosas, então a gente queria que todos pudessem ter esse tipo de experiência”, anda declara Maria Júlia.

Para votar, basta preencher o formulário clicando aqui. Veja a apresentação do projeto abaixo:

sexta-feira, 16 de julho de 2021

Estudantes criam bengala inteligente para pessoas com deficiência visual

 Ana Prado / uol.com.br

Colaboração para Ecoa, de São Paulo

Estudante demonstrando funcionalidade de reconhecimento de emoções Imagem: Divulgação

Os professores Miguel Carvalho e Alexandre Louzada, dos cursos de Tecnologia da Informação da Universidade do Grande Rio (Unigranrio), procuram aliar suas aulas a projetos práticos. Como resultado, os alunos estão desenvolvendo soluções para promover a acessibilidade e dar maior autonomia para pessoas com deficiência visual ou com baixa visão.

"A deficiência está muito na relação da pessoa com o ambiente. Assim, acreditamos que deficiente não é a pessoa, mas sim os meios que dificultam o exercício da autonomia", reflete Miguel. "Por trabalharmos com tecnologia, entendemos que é nossa responsabilidade ajudar a criar soluções para diminuir os obstáculos e melhorar a vida dessas pessoas".

O trabalho dos professores começou há dois anos como um projeto de iniciação científica. Com os bons resultados, foi incorporado a uma disciplina oferecida desde os primeiros semestres dos cursos de tecnologia da instituição. A ideia é que os projetos se tornem mais complexos à medida que o aluno avança no curso.

O programa recebeu o nome de TIA - Tecnologia da Informação para Acessibilidade, e seu principal feito é um software que já é capaz de calcular distâncias, reconhecer comandos de voz, diferenciar pessoas e objetos, reconhecer rostos e expressões faciais e fazer pesquisas, entre outras coisas.

Acessórios inteligentes

Uma das aplicações dessa tecnologia é a chamada "bengala sônica", capaz de avisar, por meio de vibrações, sobre a proximidade de obstáculos. "A bengala funciona a partir do mesmo princípio que os morcegos usam para voar. Ela tem um sensor que emite sinais ultrassônicos inaudíveis para humanos e, com base na reflexão desses sons, consegue descobrir se existe um obstáculo à frente e qual a sua distância", explica o aluno Diego de Souza, de 32 anos, do curso de análise e desenvolvimento de sistemas.

Os avisos costumam ser dados quando há um obstáculo a até 40 cm da ponta da bengala, e a intensidade da vibração vai aumentando à medida que a distância se encurta. A 10 cm de uma possível colisão, ela começa a vibrar continuamente, indicando um alerta máximo de proximidade.

A bengala sônica desenvolvida pelos alunos emite avisos antes de colisões Imagem: Divulgação

"Geralmente, o usuário só sabe que existe um obstáculo quando a bengala comum bate em alguma coisa. Esse bloqueio costuma ser uma árvore ou um poste, mas também pode ser a perna de outras pessoas, uma criança ou até um animal que eventualmente pode atacá-lo. O sensor serve para avisar antes que essas colisões aconteçam", completa Diego.

Outro projeto desenvolvido pelos estudantes é um dispositivo que fica alocado dentro de uma pochete e que, a partir de um mapa previamente carregado e um sistema de GPS, permite ao usuário se localizar no ambiente.

Por enquanto, ele já funciona na faculdade. "É possível saber onde está o banheiro, as salas de aula, as salas de cada professor. O sistema vai informando pelo fone de ouvido conforme a pessoa se locomove", explica o professor Miguel. Segundo ele, esse uso pode ser expandido para outros locais: "Queremos usar também para identificar pontos turísticos, por exemplo".

Os alunos estão, ainda, desenvolvendo bonés, óculos e outros acessórios com funcionalidades complementares. "A ideia é que seja possível usar todos juntos de forma integrada no futuro", comenta Alexandre.

O próprio software também vem sendo aperfeiçoado continuamente. Os professores contam que o grupo está trabalhando para que seja possível identificar cores e rostos previamente cadastrados num banco de imagens.

Já é possível, hoje, identificar expressões faciais para entender se o outro está triste, feliz, bravo ou preocupado, por exemplo. "Isso permite uma interação maior com as outras pessoas, pois já pode cumprimentá-las usando essas informações como base", explica Miguel.

Consultoria especial

Muitos alunos testam as soluções com conhecidos e familiares, mas um ajudante em especial está fazendo toda a diferença. Além de motivar os grupos, o estudante Daniel Alexandre da Silva, do curso de Biologia, tem ajudado a testar e aperfeiçoar as invenções.

Aluno mostra pochete com o localizador Imagem: Divulgação

"Desde o início da minha trajetória escolar eu tive muita dificuldade por causa da baixa visão. O que me cativou nesse projeto foi justamente a possibilidade de ajudar a evitar que uma criança na mesma situação precise passar pelas mesmas coisas", diz ele.

Sua participação tem sido comemorada pela turma. "Ele apareceu em nossa sala há cerca de um mês querendo usar as invenções - e realmente está usando tudo o que produzimos - e os projetos avançaram muito rapidamente graças às suas sugestões", conta Miguel.

Foi Daniel que alertou, por exemplo, para o que chamou de "som irritante" emitido pela bengala sônica. O problema foi logo resolvido pelos alunos. Outra dica importante foi para o dispositivo de localização: a ideia original envolvia o uso de uma pequena caixa para guardar o equipamento, mas ele sugeriu usar uma pochete em vez disso. Assim, o acessório pode se integrar de forma mais prática à roupa da pessoa, sem que ela precise ficar segurando.

Acessibilidade real

Para garantir que as criações sejam realmente acessíveis, a equipe se esforça para que os produtos sejam baratos. Muitos envolvem materiais reciclados: eles já montaram bengala com um guarda-chuva, por exemplo.

Os acessórios funcionam com bateria, mas o plano é trocá-las por energia solar em algum momento. A conectividade também deve melhorar quando ganharem conexão 5G - hoje, dependem da internet do celular do usuário.

Para ajudar a divulgar o projeto para toda a comunidade, os professores criaram redes sociais e um podcast chamado Rolezinho de TI - nome que foi sugerido pelos alunos. "A gente ia chamar de Café de TI, mas eles disseram que rolezinho era mais legal", ri Alexandre. A ideia é falar de tecnologia de uma forma leve, como um bate-papo mesmo, para atrair mais interessados ao tema.

Aulas na pandemia

Com a pandemia, os encontros dos alunos tiveram que ser reduzidos. As aulas teóricas são todas online, e as reuniões para colocar a mão na massa são escalonadas de acordo com os times de aprendizagem. Cada grupo tem entre 10 e 12 alunos, e parte de suas atividades em laboratório são transmitidas ao vivo para o resto da turma.

Mesmo com os desafios, os professores contam que os resultados têm sido positivos. "Apesar de tudo, as notas melhoraram e os alunos ficaram mais participativos nas aulas", conta Alexandre.

Ele acredita que um dos fatores que ajudaram a promover esse maior entrosamento foi a humanização que as aulas virtuais trouxeram: "Essa coisa de dar aula e passar o carro do ovo, ou de ouvir criança chorando, vizinho brigando, vai criando um ambiente mais descontraído e de maior proximidade". Miguel completa: "O aprendizado passa por isso de ter momentos alegres, divertidos".

quinta-feira, 12 de novembro de 2020

App para alfabetização de crianças surdas chega ao Brasil

tecmundo.com.br

O ser humano aprende a falar e a ler corretamente não apenas observando as letras como também repetindo os sons apresentados – um empecilho na alfabetização de crianças surdas. Um aplicativo que usa inteligência artificial e realidade aumentada pode ajudar nesse processo: o StorySign, lançado no Brasil pela Huawei.

O app existe desde 2018, mas somente agora ele foi adaptado para o português, graças ao trabalho do tradutor e intérprete de libras Edílson Andrade e o revisor Erik Honorato, que traduziram para a linguagem de sinais dois livros infantis nacionais: Gildo, de Silvana Rando (Brinque-Book), e A Festa Encrencada, de Sônia Junqueira (Ática). Edílson deu vida ao avatar que narra as histórias no aplicativo.

 

O StorySign existe em 15 línguas, e está presente no Reino Unido, na França, na Alemanha, na Itália, na Espanha, em Portugal, na Austrália e no Brasil, e conta com uma biblioteca em Libras de 71 livros. Não há previsão de quando o aplicativo, que é gratuito e tem suporte para Android e iOS, contará com mais títulos por aqui.

 

Como funciona o StorySign

1. Com o livro de leitura habilitado para o StorySign à sua frente, a criança abre o aplicativo e segura o smartphone sobre a página.
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2. O avatar do app (chamado Star) conta a história em libras enquanto o aplicativo destaca cada palavra gesticulada.
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Huawei/Libby Burke Wilde/Divulgação
3. A criança aprende a grafia da palavra e sua tradução em libras.
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Huawei/Libby Burke Wilde/Divulgação
Segundo comunicado da Huawei, o StorySing foi desenvolvido em parceria com a União Europeia de Surdos, a Associação Britânica de Surdos, o grupo editorial Penguin Books e a Aardman Animations, entre outras instituições. “O aplicativo captura movimento e animação, garantindo que as expressões faciais e as mãos dos personagens transmitam a representação perfeita das Libras, criando um personagem virtual divertido”, disse a empresa. No Brasil, a gigante chinesa teve o apoio da Federação Nacional de Educação e Integração dos Surdos (Feneis).

sexta-feira, 6 de novembro de 2020

Tecnologia abre portas para o mundo dos sons

Aparelho auditivo de alta tecnologia disponibilizado pelo Centrinho-USP de forma pioneira na rede pública tem propiciado melhor audição a crianças

O pequeno David Gabriel Vicente de Souza, de apenas dois anos,já derrotou "gigantes". Depois de lutar pela vida em seus primeiros meses, a mais nova batalha vencida é poder ouvir!

David Gabriel ouvindo após receber a banda elástica no HRAC / Crédito: Divisão de Saúde Auditiva, HRAC-USP

David Gabriel nasceu com perda auditiva severa decorrente de malformação nos dois ouvidos e recebeu, no último dia 16 de outubro, uma tecnologia que permite uma audição melhor para bebês e crianças que ainda não podem passar por cirurgia para prótese auditiva implantável.


Banda elástica (softband) com processador de áudio bilateral / Crédito: Tiago Rodella, HRAC-USP

"O David Gabriel praticamente não escutava, não reagia quando o chamávamos. Vê-lo ouvindo bem agora, dançando e se alegrando com música é um alívio e uma felicidade muito grande", comemora a mãe, a dona de casa Rosangela Borges, 32, de Joinville, Santa Catarina.

O Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais (HRAC/Centrinho) da USP em Bauru é o primeiro serviço no Brasil a oferecer, pelo Sistema Único de Saúde (SUS), a chamada banda elástica (softband) com processadores de áudio para os dois ouvidos, destaca a fonoaudióloga Tyuana Sandim Silveira Sassi, chefe técnica da Divisão de Saúde Auditiva da instituição.

David Gabriel com o pai Sidnei e a mãe, Rosangela, no aniversário de 1 ano
David Gabriel com o pai Sidnei e a mãe, Rosangela, no aniversário de 1 ano  / Foto: Arquivo pessoal

"A reabilitação de indivíduos com deficiência auditiva é rotineiramente realizada por meio da adaptação de aparelhos de amplificação sonora individual (AASI). Contudo, em pacientes com deficiência auditiva decorrente de malformações de orelha, a adaptação destes dispositivos é inviável. Atualmente, temos as próteses auditivas ancoradas no osso. Porém, em crianças menores de cinco anos, enquanto não é possível realizar a cirurgia para implantação dessas próteses, é indicada a adaptação do processador de áudio posicionado por meio da banda elástica, a qual permite estimulação auditiva por via óssea sem causar desconforto", explica a fonoaudióloga.

"Como hospital de ensino da USP, buscamos sempre desenvolver e oferecer os melhores tratamentos, tecnologias e inovações em nossa rotina assistencial. Esta é uma marca do HRAC! É uma satisfação indescritível ver a ciência, a expertise de profissionais altamente qualificados e também as políticas públicas e esforços de gestão beneficiando diretamente a saúde e qualidade de vida dos nossos pacientes", assinala o professor Carlos Ferreira dos Santos, superintendente do Centrinho-USP e diretor da Faculdade de Odontologia de Bauru (FOB-USP).

Já o professor Luiz Fernando Lourençone, diretor clínico do Centrinho-USP e docente do Curso de Medicina da FOB-USP, ressalta a importância da reabilitação integral dos pacientes. "O HRAC sempre priorizou um tratamento completo e, felizmente, temos conseguido avançar nas diversas frentes para a reabilitação global de crianças e adultos com tantas e diferentes necessidades".

OFERTA PELO SUS

A banda elástica passou a integrar a rotina assistencial do HRAC-USP em outubro de 2020. Segundo a fonoaudióloga responsável Tyuana Sassi, há licitação em andamento para aquisição de 20 processadores de áudio para serem adaptados com banda elástica bilateralmente, portanto em dez pacientes. "A previsão, inicialmente, é de um paciente adaptado por mês", informa. Com atendimento pelo SUS, o acesso de novos pacientes no Centrinho-USP é por meio da Central de Regulação de Ofertas de Serviços de Saúde (Cross) do Estado, a partir de avaliação inicial em unidade básica de saúde.


Reprodução do planejamento virtual da cirurgia da micrognatia / Crédito: Dr. Cristiano Tonello, HRAC-USP

MUITO ALÉM DA AUDIÇÃO

Ouvir foi a vitória mais recente, mas David Gabriel já travou inúmeros outros combates. O pequeno nasceu com alterações nos membros - braços e pernas -, Síndrome de Treacher Collins e Sequência de Pierre Robin, condições que comprometem, além da estética, funções vitais como a respiração e a alimentação, e que podem trazer consequências graves aos pacientes.

A mãe de David Gabriel, Rosangela, conta como a notícia da malformação impactou a família. "Perdi o chão. Ouvi de alguns que, se meu filho sobrevivesse, ele não ia andar, falar. Muita coisa ruim passou pela minha cabeça. Cheguei até mesmo a pensar em tirar minha própria vida, para o meu filho não sofrer. Mas, felizmente, com muita fé, força da nossa família e amor, superei isso".

Depois de passar os primeiros dias de vida na UTI em sua cidade, com 26 dias o bebê foi transferido para a UTI pediátrica do Centrinho-USP em Bauru. No centro especializado, David Gabriel passou por distração mandibular com apenas 40 dias de vida, procedimento que envolveu um complexo planejamento virtual da cirurgia, com a colaboração das Faculdades de Odontologia e de Medicina da USP da capital. "Obtivemos avanço de 17 milímetros da mandíbula, com ganho de peso e melhora completa do desconforto respiratório da criança", explica o cirurgião craniofacial Cristiano Tonello, chefe técnico do Departamento Hospitalar do Centrinho-USP e professor do Curso de Medicina da FOB-USP.

A mãe relembra que só retornou para casa com o filho perto dos seus três meses de vida. "Sei que temos um longo caminho a seguir ainda, mas a vida do David Gabriel se transformou completamente. Hoje ele é outra criança, anda, brinca e procura se virar. Só tenho a agradecer ao Dr. Tonello e a toda equipe do Centrinho por salvar a vida do meu filho", finaliza Rosangela.

quarta-feira, 1 de julho de 2020

A tecnologia como aliada das crianças com deficiência

Por Semayat Oliveira para o lunetas.com.br | Colaborou: Mayara Penina

Nem sempre a tecnologia é vilã. Para crianças com deficiência, recursos tecnológicos podem ajudá-las a se desenvolverem e a participarem da sociedade



Recursos de acessibilidade em escolas do ensino regular ajudam no aprendizado de todas as crianças, com e sem deficiência, e tornam o aprendizado mais divertido e lúdico (Foto: DRE Itaquera - SME São Paulo)

Quando se discute a relação entre infância e tecnologia, questões como perigos do ambiente digital, excesso no uso de telas e impactos no desenvolvimento infantil se tornam o centro do debate. Mas, para crianças com deficiência, ferramentas tecnológicas não podem ser consideradas somente vilãs, pois são fundamentais para aprender, para se relacionar com outras pessoas, para exercer a cidadania e para estimular seu desenvolvimento integral.

“Tecnologia Assistiva (TA) é a criatividade para a resolução de problemas funcionais de participação e execução de tarefas”, explica Rita Bersch, fisioterapeuta e diretora da Assistiva Tecnologia e Educação, organização formada por especialistas em TA, com o objetivo de apoiar pessoas com deficiência no ambiente educacional.

Segundo a especialista, como o processo de desenvolvimento das crianças passa pela interação com o meio e com o outro, muitas vezes, a criança com deficiência fica privada de informações, conhecimentos e estímulos que estão no nosso espaço de sociabilidade. “Isso acontece pela limitação sensorial, visual e de mobilidade. A tecnologia assistiva busca alcançar a igualdade de oportunidades”, explica. Para ela, o desafio principal é encontrar alternativas às habilidades de cada pessoa.

“Posso ter autonomia no uso do computador com o movimento ocular ou um som. Com os pés, posso colocar uma chave acionadora e um botão para a pessoa ter acesso à digitação. Portanto, a tecnologia assistiva é um recurso, uma estratégia”

Neste sentido, o olhar deve estar direcionado para transformar o entorno, não a deficiência. Para Rita, muitas vezes, a deficiência está no contexto, na falta de conhecimento, na atitude ou na ausência de um recurso. Uma estratégia que pode auxiliar crianças com deficiência não depende necessariamente de uma tecnologia complexa, mas pode ser uma adaptação de espaço, aplicação de material de apoio e, principalmente, mudança de mentalidade e cultura.

“Se uma criança não se desloca, eu posso colocá-la num tapete e fazê-la circular na sala de aula. Se ela não vai até a caixa de brinquedos, posso colocá-la dentro da caixa em meio aos brinquedos. A tecnologia assistiva faz acontecer e faz participar, trazendo riqueza e possibilidade de desenvolvimento que qualquer outra criança tem”, conclui.

Tecnologia assistiva é um direito

A inclusão da pessoa com deficiência é um direito protegido por lei. Alguns marcos legais destacados pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação mostram como a necessidade da Tecnologia Assistiva aparece em decretos e determinações federais ao longo dos anos.

Em 2006, a Organização das Nações Unidas publicou a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência. Assinada por mais de 160 países, incluindo o Brasil, o documento estabelece uma mudança fundamental, afirmando que não é o limite individual que determina a deficiência, mas sim a combinação entre os impedimentos da pessoa e as barreiras existentes no ambiente.

Em relação à pauta da educação, um dos documentos norteadores é a Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva.

“Sem a tecnologia, o João estaria preso à deficiência dele”

Carolina Videira ou Carola, como é conhecida, é fundadora da ONG Turma do Jiló e mãe do João, 11. Ele tem uma síndrome rara chamada Palizaeus-Merzbacher, que afeta o tônus muscular. “João é completamente hipotônico, nunca andou, nunca falou e nunca conseguiu se comunicar verbalmente”, conta.

Diante de um mundo que não estava preparado para o João, sua preocupação principal foi identificar recursos que facilitassem a rotina do filho. “Sempre acreditei que ele conseguiria outros tipos de comunicação e sempre tentei levar a vida o mais normal possível”, relata.

Por isso, a deficiência nunca esteve à frente da possibilidade de encontrar um caminho mais inclusivo. João passou a frequentar a escola aos dois anos. Neste período, Carola identificou que essa relação entre escola e as necessidades do filho seria um desafio. “A escola acreditava que ele não teria um desenvolvimento pedagógico. Por isso, comecei a buscar diversas tecnologias. Só achei uma opção quando ele tinha cinco anos”, conta Carola.

O que ela encontrou no exterior foi um equipamento chamado Tobii Eye Tracking, que funciona por rastreio ocular e conecta os olhos do usuário a uma tela. Assim, ele é capaz de mexer o mouse e se comunicar por meio do computador. Pouco depois de iniciar o uso da tecnologia, João aprendeu as letras de seu nome.

“A tecnologia proporcionou ao meu filho levar uma vida normal. Sem ela, o João estaria preso à sua deficiência”

Toda a comunicação com ele passa por esse equipamento: a professora é responsável por ajustar o conteúdo às necessidades da máquina e os outros alunos interagem com João por meio desta tecnologia. O menino também usa adaptadores para os seus brinquedos: para pilotar o controle remoto do carrinho, por exemplo, aciona um mouse com o joelho ou com a perna.

Após ver a tecnologia funcionar com o seu filho, Carola fundou a organização não-governamental com foco em educação inclusiva. A proposta é levar esse conhecimento para dentro de escolas públicas, promover formações para professores e compartilhar estratégias pedagógicas.


Maquete utilizada como material didático e como recurso de acessibilidade (Foto: DRE Itaquera - SME São Paulo)

Desafios na educação de crianças com deficiência

Para Regina Mercurio, professora de educação física, psicomotricista e formadora do Instituto Rodrigo Mendes, o foco da luta pela educação inclusiva é compreender que o impedimento não está na criança com deficiência, mas em minimizar as barreiras sociais que impedem sua plena participação. Ela pontua que, a partir da Convenção Sobre o Direito das Pessoas com Deficiência, houve uma mudança de perspectiva e do próprio conceito da deficiência.

“A tecnologia pode reduzir obstáculos no acesso ao aprendizado e nas expressões das crianças”, explica. “O que temos é uma reorganização em termos de sistema. Passamos a contar, desde 2010, com as salas de recursos multifuncionais que já trabalham com as questões da tecnologia, que facilitam o acesso à aprendizagem e as expressões das crianças, via recursos como microcomputador, material dourado, laptop, teclado com colmeia, software com comunicação alternativa, lupa eletrônica, alfabeto em Braille, reflete.


Mapa em relevo estimula o sensorial e facilita a percepção de crianças com deficiência visual (Foto: DRE Itaquera - SME São Paulo)

Além destas, contudo, outras tecnologias são importantes para que “crianças possam expressar os seus conhecimentos e estar envolvidas na aprendizagem, não só na sala de recurso multifuncional, mas com condições de acessar o currículo na sala comum”, destaca. Daí a importância do professor da sala de recurso multifuncional e o professor da sala comum trabalharem em conjunto, para incorporarem essas mudanças como uma estratégia pedagógica, permitindo ao aluno participar efetivamente do trabalho pautado pela Base Nacional Comum Curricular.

O programa de implantação de salas de recursos multifuncionais, do Governo Federal, disponibiliza às escolas públicas de ensino regular um conjunto de equipamentos de informática, mobiliários, materiais pedagógicos e de acessibilidade para a organização do espaço de atendimento educacional especializado (AEE). Esta modalidade de ensino é complementar ou suplementar aos estudantes com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento, altas habilidades (superdotação) matriculados em classes comuns do ensino regular.

Com relação à formação de educadores com foco na educação inclusiva, Regina é categórica: ‘vivemos uma descontinuidade de políticas’. Um exemplo é que, em 2019, a Secadi (Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização, Diversidade e Inclusão) foi desmontada logo no início do governo de Jair Bolsonaro (sem partido). Com a mudança, passou a vigorar a Secretaria de Alfabetização, a Secretaria de Modalidades Especializadas de Educação e uma Subsecretaria de Fomento às Escolas Cívico-Militares.

“Essa secretaria abrangia a perspectiva inclusiva, pois trata-se de uma modalidade, não um ensino à parte. No final do ano passado, começou a ser desenhada uma outra concepção de educação especial, que retorna à uma visão dividida por deficiência”.

Em 1º de junho, o MEC homologou o Parecer nº 5/2020, aprovando orientações com vistas à reorganização do calendário escolar e à possibilidade de cômputo de atividades não presenciais, para fins de cumprimento da carga horária mínima anual, em razão da pandemia do coronavírus. Essa foi a única diretriz nacional no campo da educação e não houve uma diferenciação para alunos com deficiência.

“Eles colocam inclusive a própria continuidade do trabalho dos alunos com deficiência dentro da proposta geral dos estudantes da escola, explica Regina. “Ao mesmo tempo, o parecer cita em separado a questão da educação especial. Mas o atendimento especializado, hoje, é complementar e não substitutivo do ano em que essa criança está”, conclui Regina.

Em sua opinião, as propostas que têm uma visão de outras linguagens e tecnologias para atender todas as crianças podem beneficiar toda a classe, principalmente nestes tempos de pandemia com aulas remotas. “De repente, chega-se à conclusão de que é importante usar mais imagens ou colocar um áudio junto com a proposta porque há famílias que não sabem ler, por exemplo”. Ou seja, recursos de acessibilidade impactam pessoas com e sem deficiência, de forma democrática.

Embora haja uma gama de produtos de tecnologia assistiva, Rita Bersch destaca que, para identificar o melhor recurso a um determinado tipo de deficiência, deve-se levar em consideração conhecimento técnico e oferecer apoio para que a pessoa tenha autonomia para escolher a melhor solução às suas necessidades.

“A pessoa com deficiência é protagonista nesse processo de entender a situação de vida, o que é preciso ser melhorado ou quais atividades deseja realizar e não consegue por conta de uma dificuldade física ou sensorial. Nosso papel é dar apoio para que ela tenha o máximo de autonomia possível”

Categorias de tecnologia assistiva

  • Auxílios para a vida diária
    Materiais e produtos para auxílio em tarefas rotineiras, como comer, cozinhar, vestir-se, tomar banho e executar necessidades pessoais, manutenção da casa etc.
  • Comunicação aumentativa e alternativa
    Recursos, eletrônicos ou não, que permitem a comunicação expressiva e receptiva das pessoas sem a fala ou com limitações. São muito utilizadas as pranchas de comunicação com os símbolos, além de vocalizadores e softwares dedicados para este fim.
  • Recursos de acessibilidade ao computador
    Equipamentos de entrada e saída (síntese de voz, Braille), auxílios alternativos de acesso (ponteiras de cabeça, de luz), teclados modificados ou alternativos, acionadores, softwares especiais (de reconhecimento de voz), que permitem pessoas com deficiência usarem o computador.
  • Sistemas de controle de ambiente
    Sistemas eletrônicos que permitem pessoas com limitações moto-locomotoras controlar remotamente aparelhos eletroeletrônicos, sistemas de segurança, entre outros, localizados em sua casa e arredores.
  • Projetos arquitetônicos para acessibilidade
    Adaptações estruturais e reformas na casa e/ou ambiente de trabalho, através de rampas, elevadores, adaptações em banheiros entre outras, que retiram ou reduzem as barreiras físicas, facilitando a locomoção da pessoa com deficiência.
  • Órteses e próteses
    Troca ou ajuste de partes do corpo, faltantes ou de funcionamento comprometido, por membros artificiais ou outros recurso ortopédicos (talas, apoios etc.) para auxiliar nos déficits ou limitações cognitivas, como os gravadores de fita magnética ou digital que funcionam como lembretes instantâneos.
  • Adequação postural
    Adaptações para cadeira de rodas ou outro sistema de sentar, visando o conforto e distribuição adequada da pressão na superfície da pele (almofadas especiais, assentos e encostos anatômicos), bem como posicionadores e contentores que propiciam maior estabilidade e postura adequada do corpo através do suporte e posicionamento de tronco/cabeça/membros.
  • Auxílios de mobilidade
    Cadeiras de rodas manuais e motorizadas, bases móveis, andadores, scooters de três rodas e qualquer outro veículo para melhorar a mobilidade pessoal.
  • Auxílios para cegos ou com visão subnormal
    Inclui lupas e lentes, Braille para equipamentos com síntese de voz, grandes telas de impressão, sistema de TV com aumento para leitura de documentos, publicações etc., para grupos específicos.
  • Auxílios para surdos ou com déficit auditivo
    Inclui equipamentos/aparelhos para surdez, telefones com teclado – teletipo (TTY), sistemas com alerta táctil-visual, entre outros.

quarta-feira, 8 de janeiro de 2020

Aplicativos adaptados ajudam cotidiano de quem tem deficiência

No Brasil, há projetos consolidados e eventos da área atraem quem quer elaborar futuras ferramentas

Estadão | brasil.estadao.com.br

São Paulo - A partir da própria experiência ou de amigos e parentes, pessoas das mais diferentes profissões desenvolvem aplicativos para ajudar quem tem deficiência ou alguma síndrome a se comunicar, ter o aprendizado acompanhado e até a conseguir uma experiência mais agradável ao fazer passeios. No Brasil, há projetos consolidados e eventos da área atraem quem quer elaborar futuras ferramentas.

Rafael Anselmo e seu filho, Bernardo - Foto: Daniel Teixeira/Estadão

Acompanhar as dificuldades enfrentadas por um amigo deficiente durante um evento fez com que o engenheiro elétrico Erick Muniz, de 32 anos, pensasse em um aplicativo para a avaliação de acessibilidade em estabelecimentos comerciais. “A ideia é que as pessoas visualizem quais locais estão disponíveis para atender pessoas com deficiência física, visual ou auditiva. As avaliações serão feitas pelos usuários, o que vai criar confiabilidade de um modo geral."

Ele desenvolveu o protótipo no mês passado durante a Startup Weekend São Paulo Acessibilidade, realizada na Rede de Reabilitação Lucy Montoro, e já planeja lançar uma versão demo em até dois meses.

Enquanto o aplicativo não é lançado, os cadeirantes têm como baixar o Guiaderodas, plataforma lançada em 2016 que já tem avaliação de locais em 1.200 cidades de 100 países. “O app surgiu da minha experiência de cadeirante. Eu sofri um acidente de carro em 2001, quando tinha 17 anos, e percebi que existe uma falta de acessibilidade generalizada. A informação pode fazer diferença para que as pessoas possam ter uma vida melhor”, conta Bruno Mahfuz, de 35 anos, o fundador da ferramenta.

O aplicativo é colaborativo e coleciona prêmios. O último foi recebido no ano passado, quando Mahfuz foi eleito um dos inovadores mais influentes abaixo dos 35 anos pela MIT Technology Review, publicação do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (EUA).

No mesmo evento de tecnologia que Muniz participou, o gerente de desenvolvimento de software Rafael Soares Anselmo, de 36 anos, pensou, junto a um grupo que incluía profissionais de saúde, em uma ferramenta para avaliação do aprendizado de crianças típicas ou não. “O Caracol é um instrumento para dar apoio ao professor em sala de aula. Ela vai permitir a interação de outros profissionais e fazer uma conexão focada no indivíduo”, explica.

A percepção de que as individualidades dos alunos e seus progressos deveriam ser observados surgiu depois que seu filho Bernardo, de 4 anos, que tem Síndrome de Down, começou a ir para a escola. “Sempre tive o desejo de usar a minha profissão e experiência para isso. Depois do meu filho, passei a olhar as coisas de outra forma e com outros propósitos.”

Presidente do Conselho Diretor do Instituto de Medicina Física e da Reabilitação do Hospital das Clínicas/Rede Lucy Montoro, Linamara Rizzo Battistella, diz que a criação desses aplicativos não ajuda apenas os deficientes. “A tecnologia cria uma facilidade de utilização independentemente de um intermediário que faça o serviço. A ideia de poder comandar a própria vida anima a humanidade de um modo geral.”

Ela diz que é uma proposta que vem crescendo nos últimos dez anos. “Isso vem do fato de as pessoas com deficiência estarem presentes nas escolas, nos trabalho e nas artes."

Libras

Fundado em 2012, o Hand Talk já teve mais de 2 milhões de downloads e é um tradutor de bolso para Libras. Coordenador de Marketing da empresa, João Vitor Bogas diz que a área vive constante crescimento. “A gente vê pela movimentação do mercado. Temos grandes contas de clientes corporativos e isso tem crescido. Outras organizações estão oferecendo produtos para outras deficiência. É nítido o crescimento das novas tecnologias.”

Nessa linha, o executivo de vendas Alexandre Abramovay, de 31 anos, também está com um protótipo de app. O que ele desenvolveu com um grupo se chama Fala Comigo e tem como foco pessoas com dificuldade de comunicação. “Meu sogro é afásico e tem dificuldade de se expressar e se comunicar, mas utiliza muito o WhatsApp.”

A proposta é utilizar imagens como ferramentas de comunicação. “É como se fosse uma nova linguagem. Os usuários vão poder gravar as palavras separadamente, adicionar lugares em que vai frequentemente e colocar a foto de uma pessoa da família. Será possível formular frases com imagens.”

Serviço

Guiaderodas.com: oferece avaliações de usuários sobre diferentes tipos de estabelecimentos.

- Handtalk.me: traduz conteúdo em português para a língua brasileira de sinais (libras).

quinta-feira, 21 de novembro de 2019

Crianças com deficiência recebem próteses customizadas por impressão 3D

Camila Tuchlinski - O Estado de S.Paulo

Associação ‘Dar a Mão’ e PUC do Paraná desenvolvem equipamentos sob medida


Crianças recebem próteses em 3D, que podem ser customizadas de acordo com as necessidades.
Crianças recebem próteses em 3D, que podem ser customizadas de acordo com as necessidades. Foto: Divulgação/Dar a Mão

Crianças com deficiência ou que passaram por amputações têm uma oportunidade para ter uma nova mão. 

A Associação Dar a Mão, em parceria com a Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR), desenvolve as próteses por meio de impressão 3D.

Os equipamentos são feitos sob medida e podem ser customizados, com cores preferidas pelas crianças ou temas como princesa e super-herói. Alguns materiais podem ser adaptados para hipismo ou para natação.

A Associação Dar a Mão atende a mais de mil famílias cadastradas. A entidade criou ainda uma rede online para contato, comunicação, interação e troca de experiências entre as famílias e os voluntários envolvidos nos processos.

Os voluntários atuam em conjunto com o Núcleo de Pesquisa POTA - Produtos Orientados para Tecnologia Assistiva do Programa de Pós-Graduação em Engenharia de Produção e Sistemas da PUC-PR, coordenado pela Diretora de Pesquisa e Tecnologia da Associação Dar a Mão, professora doutora Lúcia Miyake.

“Em quatro anos entregamos mais de duzentos dispositivos no Brasil todo. E há estudos para ampliar o atendimento a pessoas que não têm os braços ou parte do braço. Sem o movimento do cotovelo, elas precisam de próteses eletromecânicas e já temos 150 voluntários envolvidos no desenvolvimento de novos modelos”, conta a pesquisadora.

Associação 'Dar a Mão' e PUC do Paraná produzem os equipamentos para pessoas com deficiência.
Associação 'Dar a Mão' e PUC do Paraná produzem os equipamentos para pessoas com deficiência. Foto: Divulgação/Dar a Mão

A PUC do Paraná tem uma estrutura de laboratório, engenharia e impressoras 3D que facilita a pesquisa e o trabalho de quem vai desenvolver as próteses. A matéria-prima é brasileira, o PLA, um plástico de fácil maleabilidade e baixo impacto para o meio ambiente por ser biodegradável.

“Bem lá no começo, nossas próteses eram pretas ou brancas, era o que tínhamos de material. Depois surgiu a ideia de ouvir os desejos das crianças, então começou a produção de próteses da Barbie, tinha um menino que era torcedor do Grêmio e ganhou uma verde com o símbolo do time, o fã do Homem Aranha recebeu uma vermelha”, conta Lúcia Miyake.

“São várias cores de filamento que podem ser usadas de acordo com a sofisticação da impressora. A ideia era que fosse um atrativo psicológico para as crianças. Com essa entrega mais personalizada, incentiva a criança a usar e fica mais fácil a reabilitação na fisioterapia. O trabalho se torna gostoso, uma brincadeira mesmo”, completa.

Equipamentos em 3D podem ser customizados para atividades físicas também.
Equipamentos em 3D podem ser customizados para atividades físicas também. Foto: Divulgação/Dar a Mão

A prótese é durável, mas precisa ser trocada frequentemente por causa do crescimento natural da criança - como um tênis, por exemplo.

A iniciativa envolveu os voluntários a ponto de alguns instalarem impressoras em casa e fabricarem próteses nas horas vagas. É o caso do professor Osíris Canciglieri Júnior, coordenador do Programa de Pós-Graduação em Engenharia de Produção e Sistemas da PUC-PR e líder do grupo de pesquisa Concepção e Desenvolvimento de Produtos.

“Trabalhamos o desenvolvimento desses produtos: cada prótese é personalizada porque você não encontra uma pessoa que seja igual à outra, sempre há diferenças. O trabalho é tentar compatibilizar tudo isso, buscar novas alternativas de materiais para aperfeiçoar e trazer a essas pessoas uma vida normal”, diz Osíris.

O objetivo é que crianças e adolescentes tenham uma vida normal, possam ser integrados como se tivessem nascidos sem deficiência.

Um obstáculo que poderá ser superado com as próteses refere-se à inclusão das crianças no ensino regular. De acordo com o professor Osíris Canciglieri Júnior, as crianças com deficiência acabam em escolas especiais pela dificuldade de acessibilidade, mesmo com total capacidade neurológica e cognitiva.

“Elas poderiam perfeitamente acompanhar o ensino regular porque o problema delas é mecânico, não intelectual. E quando elas têm acesso às próteses esse obstáculo é superado, gerando inclusão”, diz o pesquisador. “Do ponto de vista acadêmico você começa a dar para a engenharia um lado mais humano”, conclui Osíris.

quarta-feira, 23 de outubro de 2019

Criança com deficiência consegue andar em skate adaptado e emociona a web, no RS

João Vicente, 7, conseguiu realizar seu sonho graças a um projeto criado por dois gaúchos. Eles projetaram um skate diferente para que ele e todas as crianças com deficiência possam sentir a sensação do "ventinho no rosto"


Sabrina Ongaratto para a Revista Crescer / revistacrescer.globo.com

João Vicente no seu skate adaptado (Foto: Reprodução Instagram)

O sorriso no rosto do pequeno João Vicente, 7 anos, já diz tudo! Basta subir em seu skate, sentir a liberdade e o vento no rosto, que toda essa felicidade aparece. Mas não é qualquer skate. "Meu filho é um menino cheio de vontades, desejos e sonhos. E um deles foi, por muito tempo, andar de skate. Acontece que ele tem paralisia cerebral desde que sofreu um AVC, com 1 ano e 8 meses. E para as crianças que tem paralisia ou qualquer outro tipo de deficiência, ter desejos e sonhos não é permitido. O mundo está sempre nos dizendo que 'não'. Por muito tempo, tentei suprir esse sonho com outros recursos como bike, andador, skate elétrico, mas nada adiantou", conta a mãe, Laura Costa Patrón, 31, que é escritora, palestrante e profissional da inclusão.

Mas a frustração de João Vicente, que é Porto Alegre, terminou quando ele e a mãe conheceram o projeto Anima Skate (@skate_anima). "É um projeto tocado por dois caras incríveis, o Daniel e o Stevan, que não conseguiram ficar parados diante do sonho de uma outra jovem com paralisia cerebral. Ela queria o mesmo que o João: andar de skate. E esses caras que amam skate acharam mais que justo que todas as crianças pudessem ter a chance de amar também", completou ela. A dupla "achou um jeito de fazer o impossível mais possível", diz Laura.

Skate adaptado e irado! (Foto: Reprodução Instagram)

João Vicente no seu skate adaptado (Foto: Reprodução Instagram)

Skate anima: o impossível é possível


Mas o projeto não parou no João Vicente. Enquanto o pequeno está com a autoestima lá em cima, todo feliz e orgulhoso, outras crianças também estão tendo a oportunidade de sentir o mesmo. O acompanhante terapêutico, Daniel Paniagua, 35, que coordena o Skate Anima junto com o fisioterapeuta Stevan Pinto, 39, conta que o projeto nasceu em 2015, por meio de um atendimento de Stevan. "Uma paciente pediu para que ele levasse o skate na sessão de fisioterapia e ele adaptou pra ela. Foi então que surgiu a ideia de ampliar para mais pessoas", conta. E a partir daí, só cresceu. "Hoje, promovemos encontros, vivências e workshops com essa metodologia em várias cidades do Brasil", revela Daniel. "Trabalhamos com vários tipos de adaptações. Algumas já existem, outras, a gente cria. Mas o projeto é focado na ideia da inclusão, de possibilitar que essas pessoas também tenham acesso", diz.

Sobre a adaptação usada por João Vicente, Daniel explica que ela foi produzida por um skatista profissional, chamado Ricardo Porva, de Minas Gerais. "Ele fez esse andador para a filha dele que tem uma deficiência, e nós conseguimos trazê-la para o projeto", diz. "Atendemos todas as deficiências, desde autismo, síndrome de Down, paralisia cerebral... Estamos aberto a todas as pessoas", afirma ele. O projeto, segundo Daniel, já conseguiu chegar até o maior skatista do mundo, Tony Hawk. "Tivemos a possibilidade de ir a São Paulo e conhecê-lo. Mostramos que é possível, que todas as pessoas podem fazer isso. Trabalhamos como facilitadores desse acesso. Nós somos skatistas, nos conhecemos através do skate e, hoje, dentro das nossas profissões, conseguimos usá-lo como uma ferramenta de trabalho e inclusão. Agora, pretendemos chegar a mais cidades do Brasil para reinvestir no projeto e ampliar o número de ações", finaliza.

Criadores do projeto Skate Anima (Foto: Divulgação)

Confira, abaixo, as imagens da primeira vez que João Vicente andou de skate! (se não conseguir visualizar, clique aqui).








Eu pirei quando vi pela primeira vez fotos do projeto Skate Anima do @studio_neuro . Porque eu estou sempre me perguntando em como fazer o João sentir - liberdade. E voar assim, de pé, com vento na cara, com atrito nos pés. Nunca encaixava nossa agenda com a deles. Esse finde o João estava com o pai, e me lembrei de avisar: vai rolar. Eu estava trabalhando, escrevendo uma palestra nova sobre aceitação, quando recebi esse vídeo. O original tem um minuto e me botou chorando em dois segundos. Que projeto lindo 🖤 conheçam o trabalho desses caras. Eu não sei o que movimenta dentro dessas pessoas que fazem coisas assim, absurdamente maravilhosas para o outro. Quer dizer, eu sei. É empatia, coragem, é vontade de mudar o mundo - pelo menos um pouquinho, é paixão pela vida. Paixão e vida. É o que o João está sentindo enquanto anda de skate sorrindo, testa pulos nos pés, e não sabe o quão improvável era que isso acontecesse um dia. Se não fosse alguém desejar fazer acontecer. Parabéns @studio_neuro . Na próxima vou junto. Avante ❤️ #avanteleaozinho #meufilhoexiste #inclusao
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quarta-feira, 9 de outubro de 2019

Conheça três aplicativos gratuitos para ajudar na aprendizagem de crianças com deficiência

Trazemos, nesta semana, três aplicativos que podem auxiliar você, professor, no trabalho com alunos com necessidades educacionais especiais.


Por novaescola.org.br

Aramumo



Criado por dois alunos do Instituto Tecnológico da Aeronáutica, o jogo venceu desafio promovido pelo Instituto ABCD para auxiliar na educação de jovens e crianças com problemas de dislexia e outros distúrbios que afetam a aprendizagem.

COMO FUNCIONA:  O Aramumo se assemelha às palavras cruzadas. Só que em vez de letras avulsas, o jogador deve utilizar sílabas para formar palavras. Funciona assim: o jogador ouve uma série de palavras e deve encaixar as sílabas que aparecem flutuando na tela dentro de bolhas para formar palavras no tabuleiro virtual.

É BACANA PORQUE: possui interface simples  e atraente, estimula o raciocínio e possibilita que os alunos ampliem o vocabulário.

PLATAFORMA: Android

ONDE BAIXAR:  Google play

ProDeaf



O aplicativo que traduz a fala (em português) para a Língua Brasileira de Sinais (Libras) chega à sua segunda versão trazendo nova interface, navegação mais amigável pelos verbetes do dicionário, além da ampliação do “vocabulário” de gestos em Libras.

COMO FUNCIONA: O usuário pode inserir palavras ou pequenas frases em texto ou pelo dispositivo de reconhecimento de voz do celular e visualizar automaticamente a tradução para Libras.
 
É BACANA PORQUE: facilita o aprendizado de Libras,  amplia as possibilidades de comunicação entre surdos e não-surdos e difunde o uso desta linguagem para um público mais amplo.

PLATAFORMAS: Anndriod, iOS e Windows Phone 8

ONDE BAIXAR:  www.prodeaf.net/

Que-fala!



Aplicativo destinado a facilitar a comunicação de pessoas com deficiências que afetem a fala.

COMO FUNCIONA: O aplicativo oferece uma série de ilustrações identificadas por palavras escritas e em áudio. O usuário seleciona figuras que correspondam ao que ele quer dizer e pode até montar pequenas frases.

É BACANA PORQUE: possibilita que o aluno se comunique diretamente com qualquer pessoa, sem a necessidade de intermediários.

PLATAFORMAS: Android

ONDE BAIXARGoogle play

sexta-feira, 24 de maio de 2019

Tecnologia do bem: Designers criam bicicleta e lápis para crianças com deficiência motora

Produtos fazem parte de uma coleção e foram desenvolvidos com a ajuda das crianças e seus familiares


Escrever e andar de bicicleta podem parecer atividades rotineiras no dia a dia, mas para pessoas com deficiência motora não são coisas tão simples assim. Sabendo disso, o centro italiano Opendot, especializado em pesquisa e inovação, criou produtos que prometem melhorar a autonomia de crianças com deficiência motora.

O glifo é uma ferramenta impressa em 3D que tem um suporte para colocar um lápis, permitindo que as crianças consigam escrever e desenhar sozinhas. O produto é leve, lavável e ajustável. Comparado a outros dispositivos no mercado, reduz a contração do membro, favorecendo a reabilitação.

A “bicicleta de Lorenzo” foi fabricada especialmente para um garoto de 6 anos, de mesmo nome. Ela possui três rodas, suporte para as costas e um guidão que pode ser adaptado a outras crianças com deficiências diferentes.

A bicicleta feita pela Opendot é ajustável (Foto: Reprodução/Opendot)
A bicicleta feita pela Opendot é ajustável (Foto: Reprodução/Opendot)

Os dois produtos fazem parte de uma coleção de oito itens chamada de “UNICO”. Eles foram pensados com a ajuda de crianças e seus familiares, e desenvolvidos em uma parceria entre designers do Opendot e a TOG (Together to Go Foundation, uma organização sem fins lucrativos para crianças com doenças neurológicas).

Crianças conseguem desenhar com a ajuda do glifo (Foto: Reprodução/Opendot)
Crianças conseguem desenhar com a ajuda do glifo (Foto: Reprodução/Opendot)

Fonte: Revista Tecnologia 360

terça-feira, 30 de abril de 2019

Aplicativo vai apoiar jovens com deficiência intelectual

Trabalho desenvolvido na pós-graduação em Enfermagem pode ser utilizado por profissionais da saúde e da educação


ufmg.br

Elaine Gusmão:
Elaine Gusmão: Arquivo pessoal

A psicóloga e pesquisadora Elaine Custódio Rodrigues Gusmão desenvolveu, em sua tese de doutorado do Programa de Pós-graduação em Enfermagem, em parceria com a Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), Paraíba, um aplicativo projetado para auxiliar profissionais a identificar habilidades adaptativas práticas, sociais e conceituais de crianças e adolescentes com Deficiência Intelectual (DI) e, assim, realizar um melhor trabalho de apoio para esses jovens. Segundo ela, o app, que leva o nome de Autonomy – a ideia é salientar a importância da autonomia para os jovens com DI –, está direcionado para o cuidado tanto na área de saúde como na de educação.

Elaine explica que a deficiência intelectual compreende limitações nas habilidades mentais relacionadas à inteligência, ao raciocínio, à resolução de problemas e ao planejamento, entre outras. Pessoas com DI enfrentam entraves e barreiras em capacidades adaptativas e têm maior dificuldade em compreender, aprender e aplicar informações e tarefas, novas ou complexas. Apesar disso, essas pessoas têm plena capacidade de desenvolver e aprender habilidades comuns às pessoas sem a deficiência, com os devidos apoio e direcionamento.

A pesquisadora enfatiza que o Autonomy pode auxiliar os profissionais no diagnóstico das habilidades adaptativas, pois ele identifica as atividades que as crianças e adolescentes com DI fazem sozinhos ou com ajuda, assim como as atividades instrumentais da vida diária, sociais e escolares que esses jovens costumam realizar. “A partir dessa avaliação, os profissionais da saúde e/ou da educação poderão elaborar planos de intervenção que estimulem o desempenho de tais habilidades de modo mais autônomo”, reforça. 

O Autonomy é destinado à utilização com crianças e adolescentes com DI na faixa etária entre 6 a 19 anos e possibilita, ao final das etapas propostas, verificar o nível de autonomia em relação às atividades desenvolvidas. Por meio do app, é possível a aplicação de questões representadas por imagens/figuras em que a criança ou o adolescente escolhe as opções sobre como realiza determinadas atividades básicas da vida diária, atividades instrumentais da vida diária, atividades sociais e atividades escolares. De acordo com Elaine, a escolha por trabalhar com figuras se deu para facilitar o entendimento, já que o Autonomy pode ser aplicado em jovens sem a habilidade de leitura e escrita. 

'Toque na sua resposta'
“Nós vamos fazer uma atividade bem diferente hoje, preciso que você se concentre na fala da pessoa, nas figuras que vão aparecer e toque na sua resposta. Algumas respostas você terá que tocar em uma carinha. A carinha sorridente indica a resposta sim e a carinha triste indica a resposta não”, instrui o aplicativo para que os profissionais conversem com as crianças e adolescentes que utilizam o Autonomy. 

O aplicativo estará disponível para o público ainda neste semestre. “Como sou professora e um dos estágios que supervisiono é na Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae), vou começar a utilizar o aplicativo para sondar as habilidades e montar planos interventivos”, comenta a pesquisadora. Além disso, ela afirma que pretende realizar outras pesquisas que visem de forma direta a questão da avaliação psicológica.

A psicóloga comenta que a experiência do planejamento e desenvolvimento do aplicativo foi muito gratificante. “A maioria interagiu muito bem. Um caso interessante foi o de algumas crianças com paralisia cerebral que não falavam, mas ficaram animadas com o som e as figuras do aplicativo e respondiam através das mães. Estar com as pessoas com deficiência intelectual é sempre um momento rico e de muito aprendizado”, conclui.

Tese: Construção e validação de um aplicativo de identificação das habilidades adaptativas de crianças e adolescentes com Deficiência Intelectual
Autora: Elaine Custódio Rodrigues Gusmão
Orientadora: Tânia Couto Machado Chianca
Defesa: 26 de março de 2019, no Programa de Pós-Graduação em Enfermagem

Teresa Cristina / Assessoria de Comunicação da Escola de Enfermagem (edição de Rosânia Felipe)

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2019

Cadeira distribuída gratuitamente melhora a postura de crianças com deficiência

Cadeira distribuída gratuitamente melhora a postura de crianças com deficiência

Uma cadeira especialmente desenvolvida para crianças com deficiência criada pelo Centro Israelita de Apoio Multidisciplinar (CIAM), em São Paulo, é nova ferramenta à disposição de pais e cuidadores que corrige a postura, melhora o sistema pulmonar, aumenta a sensibilidade à estímulos auditivos e visuais, aprimora o controle de tronco, cervical e de membros superiores de crianças.

Interessante notar que o equipamento é feito de papelão e tem baixíssimo custo de produção. O CIAM produziu e doou diversas cadeiras para creches, ambientes educacionais e famílias de crianças necessitadas.

“Crianças com comprometimento motor e neurológico, associados ou não a deficiências, têm direito ao fornecimento de cadeira de rodas com tecnologia de ponta por meio do setor público. Essa demanda é grande. O tempo entre avaliação e entrega, em algumas regiões do País, pode chegar a cinco anos, período suficiente para surgir deformidade músculo-esquelética irreversível que, se não tratada, pode matar”, diz o técnico João Marcelo Paixão Turri, ligado ao Centro Israelita.

Cadeira distribuída gratuitamente melhora a postura de crianças com deficiência
Foto: Reprodução / Criança Especial

O Centro desenvolveu por meio de seu Laboratório de Tecnologia Assistiva de Baixo Custo a chamada Cadeira Firmeza, que é feita de espuma e papelão, e desenhada a partir da digitalização do biotipo, quadro motor e neurológico de crianças de zero a quatro anos.

Segundo a instituição, o uso regular da cadeira corrige a postura e beneficia a longo prazo o desenvolvimento físico das crianças dessa faixa etária. Indiretamente, auxilia na inclusão delas na família e na comunidade.

Referência nos Estados Unidos, o dispositivo foi difundido na América do Sul pela terapeuta ocupacional Ayola Cuesta Palacios, com o objetivo de auxiliar indivíduos com deficiências motoras e afins.

Cadeira distribuída gratuitamente melhora a postura de crianças com deficiência
Foto: Reprodução / Criança Especial

Cada cadeira custa apenas R$ 40 para ser produzida, e leva cerca de 15 dias para ser totalmente fabricada. Segundo o Centro Israelita, 320 cadeiras especiais já foram produzidas.

De modo a ser apta para a gratuidade do equipamento, a família interessada precisar receber o Benefício de Prestação Continuada (BPC) ou ter renda conjunta de até R$ 3000,00 mensais.

Para agendar o pedido, basta entrar em contato no telefone (11) 3760-0068.

quarta-feira, 14 de novembro de 2018

Com tecnologia, crianças com deficiência auditiva ouvem e falam normalmente

Jane E. Brody Do New York Times


Documentário de pediatra mostra como modernos aparelhos auditivos e treinamento ajudam pessoas nascidas com perda auditiva severa
Documentário de pediatra mostra como modernos aparelhos auditivos e treinamento ajudam pessoas nascidas com perda auditiva severa

Jane R. Madell, consultora de audiologia pediátrica e fonoaudióloga nos Estados Unidos quer que todos os pais de crianças que nascem com deficiência auditiva saibam que agora é possível que seus filhos aprendam a ouvir e a falar como se a audição fosse completamente normal.

"As crianças cuja deficiência auditiva é identificada no nascimento, e que recebem a tecnologia nas primeiras semanas de vida, convivem tão bem com todas as outras que as pessoas nem percebem que são surdas."

Com o aparelho e o treinamento auditivo adequados para durante os anos pré-escolares, mesmo as crianças nascidas surdas "terão a capacidade de aprender com seus colegas quando entrarem na escola. Oitenta e cincos por cento se integram com sucesso. Os pais precisam saber que ouvir a linguagem falada é uma possibilidade para seus filhos", afirmou Madell.

Determinada a passar essa mensagem para todos os que descobrem que o filho não tem a audição normal, Madell e Irene Taylor Brodsky produziram um documentário, "The Listening Project", para demonstrar a ajuda disponível através de aparelhos modernos e treinamento.

Entre os "astros" do filme, que cresceram surdos ou com severas deficiências auditivas, estão a Dra. Elizabeth Bonagura, ginecologista e cirurgiã; o músico Jake Spinowitz, Joanna Lippert, assistente social médica, e Amy Pollick, psicóloga. Tudo começou com aparelhos auditivos que os ajudaram a aprender a falar e a compreender a linguagem falada.

Mas agora todos têm implantes cocleares. "Eles realmente revolucionaram meu mundo", diz Lippert que, aos 11 anos, se tornou a primeira pré-adolescente a conseguir um aparelho no Centro Médico da Universidade de Nova York.

"De repente, em um jogo de futebol, conseguia ouvir o que minhas companheiras estavam dizendo", recorda-se ela, hoje com 33 anos. "Minha mãe praticamente chorou quando ouvi um grilo cantando em casa. Antes, em não conseguia falar ao telefone; agora, no meu trabalho no Hospital dos Veteranos em Manhattan, passo o dia nele. O implante foi um presente maravilhoso."

Pollick, 43 anos e surda desde o nascimento, vive em Washington com o marido e dois filhos pequenos, todos com audição normal. Seus pais, surdos, mas determinados a fazê-la falar, lhe deram um aparelho auditivo aos seis meses, além de anos de terapia auditiva. Formada na prestigiada Escola de Ensino Médio Stuyvesant e na Universidade Wesleyan de Nova York, Pollick estava na pós-graduação pesquisando vocalizações de primatas quando recebeu um implante coclear.

Ela me disse: "Quanto mais cedo você consegue o implante, melhor, porque a audição no cérebro começa em uma idade precoce, por isso vai desenvolver boas habilidades auditivas".

Bonagura, 34 anos, que mora em Alameda, Califórnia, conseguiu o seu aos 22 anos. Ela afirmou que o procedimento facilitou seus estudos e permitiu que trabalhasse com obstetrícia, um campo que envolve emergências, salas de operação barulhentas e o uso de máscaras faciais que impossibilitam a leitura labial.

"Nenhum outro campo da medicina se compara à alegria de trazer bebês ao mundo", disse ela.

Spinowitz, guitarrista de 27 anos que vive em San Francisco, nasceu com uma profunda perda auditiva e usou próteses até os 15 anos, quando elas de repente deixaram de funcionar porque não havia nada para amplificar – ele havia perdido toda a audição residual.

Quando recebeu o implante, disse: "Comecei a ouvir todo tipo de música, tentando compensar o tempo perdido". Ele tocou em bandas durante o ensino médio e a faculdade e agora trabalha no YouTube, ajudando gravadoras a se destacarem.

"O implante facilitou a comunicação em todos os tipos de situações. Possibilitou meus estudos e meu trabalho." Sua mensagem aos pais das crianças com perda auditiva profunda é: "O som faz do mundo um lugar melhor; se você pode tê-lo, vá em frente".

Um implante coclear ignora as células não funcionais do sistema auditivo e transmite o som diretamente para o nervo auditivo, para que o cérebro possa processá-lo. Pode ser inserido em bebês com menos de um ano. De acordo com o Instituto Nacional de Surdez e Outros Transtornos de Comunicação, bebês com perda auditiva profunda que recebem implantes antes de um ano e meio, "desenvolvem habilidades linguísticas a uma taxa comparável às das crianças com audiência normal".

Como Bonagura diz no documentário: "É incrível essa possibilidade de hoje de colocar implantes em bebês. Eles crescem com o som, crescem ouvindo tudo. O som é uma dádiva: risos, vozes, natureza. Como privar alguém disso?".

Ainda assim, muitos surdos resistem à tecnologia atual e insistem que as crianças com perda auditiva profunda devem aprender apenas a linguagem gestual. Rejeitam a ideia de que a surdez precisa ser corrigida.

Mas, como aponta Madell, apenas 0,1 por cento da população conhece a linguagem gestual, e 95 por cento das crianças surdas nascem de pais que ouvem, que então tem que passar um longo tempo aprendendo a linguagem dos sinais em um período em que as crianças estão normalmente aprendendo a falar.

"A surdez hoje não é o que era há 20 anos. A tecnologia é tão melhor que praticamente todas as crianças com perda auditiva serão capazes de ouvir com os dispositivos certos, sejam aparelhos auditivos e implantes cocleares", disse ela.

Supostamente, toda criança nascida nos Estados Unidos tem sua audição examinada no nascimento. Um bebê em mil acabar registranso perda auditiva moderada, grave ou profunda que, se não for pronta e adequadamente tratada, pode atrasar sua capacidade de aprender a falar e entender o discurso.

A tecnologia de hoje possibilita que esses bebês sejam equipados com um dispositivo que lhes permite ouvir e, com treinamento auditivo, poderão desenvolver habilidades linguísticas tão boas quanto as das crianças com audição normal.

Sem o exame dos recém-nascidos, os meses críticos de aprendizado da língua falada podem ser perdidos. É comum que as crianças com a perda auditiva séria não detectada no nascimento, ou logo depois disso, não tenham a audição verificada até muitos meses mais tarde, quando os pais percebem que não respondem apropriadamente aos sons e à fala, ou mesmo mais tarde, quando não começam a falar na época habitual.

A Academia Americana de Pediatria estabeleceu as diretrizes 1-3-6 que determinam que todos os bebês devem ter sua audição examinada ao completarem 1 mês de idade, receber um diagnóstico de perda auditiva aos 3 meses e iniciar os serviços de intervenção precoce aos 6. No entanto, atualmente apenas 67 por cento dos bebês que apresentam o quadro recebem a intervenção adequada até os 6 meses de idade.

Fonte: Bol Notícias