Mostrando postagens com marcador sugestão cultural. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador sugestão cultural. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 2 de novembro de 2022

'Turma da Mônica' lança personagem com nanismo inspirado em menino de 8 anos

Novo livro busca conscientizar crianças contra o preconceito e na defesa de uma sociedade mais inclusiva

Havolene Valinhos para a folha.uol.com.br

A "Turma da Mônica" lança em 25 de outubro o livro "Nosso Amigo com Nanismo". A data foi escolhida por marcar o Dia Nacional do Combate ao Preconceito às Pessoas com Nanismo.

O novo personagem é inspirado em um menino real, Bernardo, 8, de Caxias do Sul (RS), que tem acondroplasia, a forma mais comum de nanismo. Estima-se que, a cada 25 mil nascimentos, uma criança nasça com a síndrome genética, que afeta o crescimento normal dos ossos, resultando em um indivíduo cuja altura é muito menor que a média de toda a população.

O livro conta a história do garoto no seu primeiro dia de aula na Escola Limoeiro, onde estudam Mônica, Cebolinha, Magali, Cascão e outros personagens da turminha. Assim que chegam à sala de aula e encontram Bernardo, todos começam a questionar sua baixa estatura. A partir daí, ele conta sua história, fala sobre as dificuldades das pessoas com nanismo e mostra que somente o conhecimento e a informação podem tornar a sociedade mais inclusiva.

A mãe de Bernardo, Flávia Berti Hoffmann, acredita que a inserção do personagem no universo da "Turma da Mônica" fará uma grande diferença para todas as pessoas que têm nanismo.

"Temos que nos esforçar para mostrar para a sociedade que as pessoas com nanismo têm o direito de viver uma vida normal, e que o papel de todos é contribuir para que isso ocorra de uma maneira natural, sem preconceito. Então, a 'Turma da Mônica' levar conhecimento às crianças é um sonho realizado", afirma.

Leia a matéria completa na folha.uol.com.br

sexta-feira, 30 de setembro de 2022

7 livros para crianças aprenderem a respeitarem pessoas com deficiência

Obras para ensinar aos pequenos sobre representatividade e respeito ao próximo

Por Alice Arnoldi para o bebe.abril.com.br

No Brasil, 21 de setembro é conhecido como Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência desde 2005. O objetivo da data é manter acesa a discussão sobre a importância de criar recursos de inclusão na sociedade.

Junto com a elaboração de políticas públicas para que a inclusão saia do papel e aconteça na prática, cada família também tem a sua missão de repensar os diálogos inclusivos com os filhos, especialmente para que eles não repercutam expressões ou frases preconceituosas. E para aqueles que são deficientes, é essencial que se tenha em mãos materiais de representatividade, reforçando que não há nada de errado com quem eles são.

Pensando nisso, selecionamos sete livros em que os personagens principais são deficientes. Entre eles, dois ganham um toque ainda mais especial por serem baseados em fatos reais.

Clique aqui e confira!

sexta-feira, 16 de setembro de 2022

Laramara relança livro sobre deficiência visual em crianças

A obra conta com ilustrações para facilitar a interação social das crianças com deficiência, desde o nascimento até a inclusão escolar

por Julia Bonin para o observatorio3setor.org.br


Foto: Awachirac | Creative Commons

Na próxima quarta-feira, 21 de setembro, é celebrado o Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência. Para enfatizar a importância da data, a Laramara (Associação Brasileira de Assistência à Pessoa com Deficiência Visual) realizará o relançamento do livro “O Desenvolvimento da Criança com Deficiência Visual – Da Intervenção Precoce à Inclusão na Educação Infantil”, fundamental para a inclusão social dessas crianças. 

Laramara é uma organização da sociedade civil, sem fins lucrativos e sem vínculos políticos ou religiosos, que tem como objetivo promover o desenvolvimento integral da pessoa com deficiência visual para a sua autonomia e inclusão social. O grupo desenvolve ações que buscam o fortalecimento de vínculos familiares e comunitários, a autonomia e a participação plena na sociedade. Estas ações são realizadas com base em serviços, programas e projetos, oferecidos gratuitamente às pessoas com deficiência.

Escrito pela pedagoga e educadora Marilda Moraes Garcia Bruno, o livro aborda temas diversos, desde um compilado de sugestões de brinquedos e objetos adequados para a criança até a orientação da família e dos profissionais para lidar com as fases do desenvolvimento infantil. No relançamento, a obra conta com ilustrações que auxiliam nessa orientação. 

Além disso, o livro também acompanha uma Avaliação Funcional da Visão e do Desenvolvimento, que deve ser realizada por meio de um processo cuidadoso de observação de todas as atividades da criança em casa, na escola e na comunidade. Ao final, a autora faz uma reflexão sobre a aprendizagem de crianças cegas e com baixa visão.

“A obra é fundamental para a interação com a pessoa com deficiência visual e o sucesso da sua inclusão em casa, escola e sociedade. Ela deve estar sempre presente no trabalho do educador e família”, afirma Mara Siaulys, Fundadora e Presidente da Laramara.

quarta-feira, 10 de agosto de 2022

Crianças e adolescentes com deficiência vão a sessão de cinema pela primeira vez durante 'festival acessível' em Natal

Evento acontece até esta quarta-feira (10) no Campus Central do IFRN. A entrada é gratuita.

Por Sérgio Henrique Santos, Inter TV Cabugi / G1


Festival de Cinema Acessível Kids acontece até esta quarta-feira (10) em Natal.
Foto: Sérgio Henrique Santos/Inter TV Cabugi

Natal recebeu uma sessão de cinema bem concorrida, nesta terça-feira (9). Muitos foram ao cinema pela primeira vez. A diferença para uma sala comum é que não havia bilheteria, a programação era gratuita. A plateia era formada por crianças e adolescentes cegos, ou com baixa visão, síndrome de down e autismo, entre outras deficiências.

Várias instituições foram convidadas, como os 27 alunos do projeto Incluir e Crescer, do IFRN.

"É uma forma de inclusão social. Esse projeto proporciona o cinema para as pessoas que normalmente não tem oportunidade", diz Aline Matias, instrutora do projeto Incluir e Crescer.

A sessão do filme Malévola, com Angelina Jolie, foi exibida como parte da programação do Festival de Cinema Acessível Kids, que acontece no auditório do Campus Central do IFRN entre os dias 8 e 10 de agosto.

Os filmes são dublados, têm audiodescrição das cenas para quem não enxerga, linguagem brasileira de sinais para quem não houve e legendas descritivas para quem não sabe Libras. Detalhes que fizeram diferença para estudante Brunno Henrique Ferreira Costa, que é cego.

"Tem sempre o problema, nos cinemas comuns, de não ter a audiodescrição. A gente sente falta. Está lá os atores falando, aquela emoção, mas a gente não sabe o que está na imagem, fica aquela dúvida", diz Brunno.

Aprovado pela Unesco e com ajuda do Criança Esperança, o cinema acessível já foi assistido por 17 mil pessoas em 35 cidades brasileiras. Surgiu em Porto Alegre (RS) e, neste segundo semestre está passando por capitais como Natal, Brasília e Campo Grande.

"Serve para que pessoas, crianças, jovens, adultos, com deficiência e sem deficiência, estejam na mesma sala, com a oportunidade equiparada de entendimento e emoção que o cinema traz para todo mundo", afirma Sid Schames, criador do festival.

O projeto surgiu por iniciativa do filho de Sid. David, que atualmente tem 15 anos, não pôde assistir uma sessão de cinema com o pai quando tinha 8 anos.

"Eu queria ir numa sessão e meu pai disse que eu não poderia porque tinha um filme impróprio. Eu fiquei muito bravo e fiquei pensando por muito tempo nisso. Depois tive a ideia de criar o festival, porque percebi que não só eu estava sendo excluído dessa grande oportunidade, como todas as crianças", contou.

O Festival de Cinema Acessível Kids inclui todos os públicos. As pessoas que não têm deficiência puderam exercitar a empatia. Os ouvintes receberam uma máscara para poder acompanhar a sessão com audiodescrição.

Para crianças que veem com as mãos, ouvem com os olhos e falam por gestos, a moção do cinema toca o coração. A estudante Sabrina Oliveira Ferreira, que nasceu com baixa visão, traduz o que sente na sessão de cinema.

"Eu consigo ver um pouco, tenho 10% de visão. Eu acho esse programa incrível porque dá para qualquer pessoa assistir ao filme, desfrutar bem o filme", disse.

sexta-feira, 3 de junho de 2022

Festival de cinema oferece experiência para crianças com deficiências

Com audiodescrição, janela de libras e legendas descritivas, filmes são exibidos em São Paulo no Clube Hebraica e em CEUs entre 6 e 8 de junho

Por André Sollitto para a veja.abril.com.br


Projeção do Festival de Cinema Acessível Kids: filmes ganham audiodescrição, janela de libras e legendas descritivas -  Divulgação/Divulgação

A partir do dia 6 de junho, São Paulo receberá o Festival de Cinema Acessível Kids, um projeto que propõe uma experiência inclusiva para que crianças cegas ou com baixa visão, surdas ou com deficiência auditiva ou com deficiência intelectual possam curtir produções infantojuvenis.

A programação acontece no clube Hebraica, nos dias 6 e 7, e nos CEUs São Rafael, no Conjunto Promorar Rio Claro, e Meninos, em São João Clímaco, no dia 8. A entrada é gratuita, mas é preciso se inscrever por e-mail.

Entre os filmes exibidos pelo projeto estão sucessos infantis recentes, como Malévola, título escolhido para as projeções em São Paulo. As produções têm audiodescrição das cenas para quem não enxerga, janela de libras para quem não ouve e legendas descritivas para quem não sabe Libras.

O projeto voltado para crianças surgiu originalmente no Rio Grande do Sul, em 2017, a partir da iniciativa de Sidnei Schames, conhecido como Sid, empreendedor e responsável pelo Festival de Cinema Acessível, e de seu filho, David. Mais de 15 mil pessoas assistiram às projeções das duas versões, para adultos e crianças, em 34 cidades, 32 no Rio Grande do Sul e 2 em Santa Catarina. Além das exibições, os organizadores já realizaram edições em escolas para que crianças sem deficiências tenham uma experiência de empatia.

Após passar por São Paulo, o festival segue para Natal, entre 8 e 10 de agosto, e depois para Brasília e Campo Grande, mas nestas cidades as datas ainda não foram definidas. O projeto conta com a chancela da Unesco e foi aprovado para a 36ª edição do “Criança Esperança”.

Serviço:
Festival de Cinema Acessível Kids
De 6 a 8 de junho, em São Paulo
Dias 6 e 7 no Clube Hebraica (Rua Hungria 1.000), com oficina para educadores no dia 6, das 9h às 15h, e exibição de Malévola às 9h e às 14h do dia 7
Dia 8 às 10h no CEU São Rafael (Rua Cinira Polônio, 100, Conjunto Promorar Rio Claro); e às 15h30 no CEU Meninos (Rua Barbinos, 111, São João Climaco)
Entrada gratuita, inscrição pelo e-mail contato@maiscrianca.org.br

quarta-feira, 1 de dezembro de 2021

"Um lugar para todo mundo" discute barreiras no acesso à educação inclusiva

Documentário apresenta a trajetória de um casal decidido a garantir que seu filho com síndrome de Down exerça o direito de estar (e permanecer) na escola

Beatriz Gatti para o revistagalileu.globo.com

Emilio, filho de Olivier e Hilda, passa por diversas avaliações antes de ser recomendado a uma escola (Foto: Divulgação)

Enquanto para alguns pais o início da vida escolar de seus filhos é apenas uma experiência de desprendimento, para Olivier e Hilda Bernier esse processo é muito mais complexo. Por ter síndrome de Down, o filho do casal, Emilio, enfrenta um longo caminho até que consiga ter seu primeiro dia de aula, aos 3 anos. E é em torno dessa luta que gira o documentário Um Lugar para Todo Mundo, cujo lançamento acontece às 23h59 desta segunda-feira (20), no canal a cabo GNT.

Apesar de já ter trabalhado com adolescentes com deficiência como professora de educação especial no ensino médio, a porto-riquenha Hilda Bernier não tinha dimensão da importância de um ensino inclusivo até dar à luz e planejar a ida de Emilio à escola em Nova York, nos Estados Unidos, onde a família vive.

Logo após o parto, no dia 3 de maio de 2016, o médico informou o casal de que o recém-nascido apresentava algumas características físicas que poderiam estar associadas à trissomia do cromossomo 21, também conhecida como síndrome de Down. E de fato estavam.

“Eu acho que essa é a grande mágica do filme: a gente assiste e vai percebendo as coisas no mesmo momento em que ele [Olivier], enquanto cineasta e pai, também está descobrindo”, comenta Marcos Nisti, um dos produtores do filme, em entrevista a GALILEU.

“Um Lugar para Todo Mundo”: filme discute barreiras no acesso à educação inclusiva (Foto: Divulgação)

Fruto da parceria entre as produtoras Rota6 e Maria Farinha Filmes, o documentário — dirigido pelo próprio Olivier — acompanha a trajetória do casal do nascimento de Emilio até o momento de mandá-lo para a escola.

Mas não é tão simples quanto pode parecer. Embora o acesso à educação seja direito de toda e qualquer criança, cerca de metade dos mais de 100 milhões de meninos e meninas com deficiência no mundo não frequenta uma instituição de ensino, segundo estima a Organização Mundial da Saúde (OMS).

Na cidade de Nova York, por exemplo, é preciso que o departamento de educação tenha criado um Programa de Educação Individualizado (PEI) para a criança. No filme, Emilio é submetido a uma série de testes e avaliações que têm como objetivo definir seu PEI e, então, recomendar em qual estilo de turma ele mais se adequa — uma classe somente com colegas com deficiência e auxiliares ou uma turma que de fato o inclua.

“É um modelo altamente excludente”, afirma a diretora de educação e cultura da infância do Instituto Alana, Raquel Franzim, sobre o que viu no filme. “Sendo a educação um direito humano, não deve haver condições para acessá-lo. A escola é um lugar de oportunidade, e não de capacidade”, argumenta a GALILEU.

Foi justamente no sentido de promover o desenvolvimento integral da criança que o Instituto Alana organizou a edição de 2018 do Videocamp Film Fund, pensado para financiar produções com impacto social no tema da educação inclusiva e selecionou a proposta de Um Lugar para Todo Mundo.

O documentário mostra que esse “lugar para todo mundo” não é utópico nem irrealizável: ele funciona muito bem em escolas públicas inclusivas em outros estados norte-americanos. Turmas regulares formadas por alunos com e sem deficiência são um sinal de benefícios para a instituição como um todo, que oferece professores mais bem preparados e melhores recursos e infraestrutura escolar.

Leia a matéria completa em revistagalileu.globo.com

sexta-feira, 9 de julho de 2021

‘Atypical’, da Netflix, traz retrato inspirador (e real) de jovem autista

A série chega ao final demonstrando, com brio, que o personagem vive e sonha como qualquer indivíduo de sua geração

Por Amanda Capuano para veja.abril.com.br


DESEJO DE CRESCER - Sam (Keir Gilchrist, à esq.) e sua irmã Casey (Brigette Lundy-Paine) na série: desilusões românticas e fixação por pinguins - Netflix

Sair de casa é um momento importante para qualquer jovem, mas ainda mais desafiador para Sam Gardner (Keir Gilchrist). Diagnosticado com a síndrome de Asperger, um grau leve de autismo, ele se aventura para longe das asas da mãe na quarta e última temporada da série Atypical, que acaba de estrear na Netflix. Não é simples: assim como muitos em sua condição, Sam precisa de uma rotina organizada e bola uma sistemática “lista de mudança” para se sentir seguro. Não à toa, ele se estressa quando o colega de apartamento, Zahid, se esquece de pagar a conta de luz e causa um apagão no imóvel. Chateado, Sam se aconchega em uma banheira vazia e liga para a mãe, que dá a entender que ele não está pronto para cortar o cordão umbilical. Determinado a provar que ela está errada, o garoto traça uma jornada inspiradora que mostra aos familiares — e ao espectador — que sua vida, como a dos mais de 70 milhões de autistas em todo o mundo, vai muito além de um diagnóstico.

Capaz de tratar de assuntos sérios com leveza, Atypical segue a trilha de The Good Doctor ao colocar um autista no protagonismo sem resumi-lo à sua condição. São histórias comuns sobre personagens ditos “incomuns”, que sensibilizam com desafios não tão diferentes dos nossos. Enquanto na série médica Shaun Murphy (Freddie Highmore) é um cirurgião brilhante subestimado pelos colegas, Sam é um jovem recém-­saído da adolescência em luta por autonomia — e o inglês Gilchrist, de 28 anos, lhe confere um retrato verossímil e empático. O tema, aliás, recebe tratamento similar na série brasileira As Five: na produção da Globoplay, a pianista Benê (Daphne Bozaski) ilustra que o autismo não impede os jovens de viver situações inerentes à idade, das desilusões românticas ao prospectar do sexo.

No caso de Sam, o desejo de crescer é intenso: ele aprende a dirigir, toma decisões tão difíceis quanto maduras e traça planos para o futuro, como uma ousada expedição à Antártica para conhecer o habitat dos pinguins, sua paixão desde criança. No meio do caminho, descobre que seu maior desafio não é ser quem é, mas convencer a todos de suas potencialidades. Nas quatro temporadas de Atypical, Sam provou sem dúvida seu valor.

quarta-feira, 7 de abril de 2021

Professora se dedica a escrever livros para inclusão e lança história com personagem autista

 Redação Bonde com Agência Educa Mais Brasil 

De acordo com a Revista Autismo, não é possível saber a porcentagem de brasileiros autistas por não existir números oficiais sobre pessoas com essa característica individual, já que não há estudos de prevalência. No entanto, conforme a ONU, cerca de 1% da população pode ser considerada como autista. Somando a estatística às outras necessidades especiais, no Brasil tem-se cerca de 25% da população com alguma deficiência. Ainda assim, a inclusão carece de estar em diversos meios sociais e culturais, entre eles, a literatura. Das memórias afetivas da infância, quando ouvia seus pais lerem histórias infantis, surgiu a paixão da professora e escritora carioca Celina Bezerra pelos livros. Mas foi na vida adulta, radicada na Bahia, que ela descobriu que poderia unir sua vocação com um assunto pouco debatido: a inclusão.

"Ainda na infância, quando encontrava uma criança com deficiência, muitas vezes ouvia de adultos, ‘não fica olhando’ ou ‘para de olhar, que a criança vai ficar encabulada...’ e, na realidade, eu só queria ir lá e brincar, conversar, interagir. Eu não me importava se ela era cadeirante ou se era uma criança com Síndrome de Down. Só queria estar com ela. Isto era uma grande interrogação para mim e eu trouxe essa indagação para a vida adulta”, explica a escritora. A habilidade para lidar com as palavras levou Celina para a faculdade de Letras. Porém, ela quis ir além do curso. Para ajudar a dar visibilidade às pessoas com pouca representatividade na sociedade, ela se especializou em Educação Inclusiva e em Educação da Infância com Ludicidade.

Durante suas pesquisas acadêmicas, Celina se surpreendeu ao ter dificuldades para encontrar histórias que tivessem protagonistas com alguma necessidade especial. "Até tinha um amigo do protagonista que possuía alguma deficiência, mas nunca era o personagem principal”, ratifica. Para ela, a inquietação foi um impulsionador para ir buscar na literatura recursos para suprir a ausência de histórias infantis com a temática da inclusão.

"Decidi, então, escrever para a parcela da população infantil que tinha pouca ou nenhuma representatividade na literatura infantil: as crianças com deficiência ou características especiais”, justifica.

Celina é autora dos livros "Sabrina, a menina albina” e "Bruna, uma amiga Down mais que especial”, que fazem parte da coleção "Amigos Especiais", ambos publicados pela Editora Inverso. Além disso, tem poemas, crônicas e contos publicados em várias antologias e coletâneas.

Neste mês de abril, a escritora pretende lançar o mais novo livro "Charles – a estrela autista”, que narra a história da estrela que vive uma saga em busca de aceitação. "As crianças vão observar as características do personagem e relacioná-las àquele colega que eles têm na sala de aula ou na família com o mesmo perfil de comportamento. E as crianças com TEA (Transtorno do Espectro Autista) estarão ali representadas”, pontua a escritora.

Ao se dedicar à literatura inclusiva, Celina busca passar a mensagem de "olhar para as pessoas com deficiência pelas suas potencialidades e não pela limitação. Não precisa anular uma pessoa porque ela tem uma limitação porque ela tem várias outras potencialidades”, defende.

Celina Bezerra acumula experiências como integrante do Movimento Mulherio das Letras Brasil, Bahia e Europa; membro correspondente da Academia Literocultural de Sergipe e da Academia Internacional de Literatura Brasileira – Brasil/Nova York. Em sua trajetória em sala de aula, foi professora de muitos alunos com diferentes deficiências, autismo e superdotados. Assim, acompanhou de perto a necessidade de inclusão.

"As escolas não devem dificultar a matrícula. É uma oportunidade para outras crianças aprenderem com aquele comportamento diferente. A escola traz oportunidade da criança que não tem autismo conhecer o que é, saber como é o comportamento de quem tem, aprender como colaborar com ela, e a criança com autismo também aprende, dentro dos seus limites, a conviver com os colegas e na sociedade”, argumenta.

Nesse sentido, a escritora ressalta que fazer roda de conversa com as crianças e contar histórias de personagens com deficiência é uma atividade importante para promover a inclusão. "Alguns professores ficam receosos sem saber como lidar com crianças especiais na turma. Na minha opinião, os professores deveriam ser orientados pelas escolas sobre como receber essas crianças. Acredito que a literatura infantil pode ajudar na inclusão”, defende Celina.

sexta-feira, 19 de março de 2021

Um outro universo

Livro de Lulu Lima convida o leitor para um mergulho sensível no universo do autismo


 
 
A obra Menino Baleia (Mil Caramiolas, 70 pp, R$ 52,90 – Ilustração: Natália Gregorini), de Lulu Lima com coedição de Carolina Moreyra, convida o leitor para um mergulho delicado e sensível no universo do autismo.
 
menino Roger, personagem principal, tem “olhos de baleia” porque dentro dele mora uma. Por trazer, em si, o silêncio e a profundidade do oceano, Roger é uma criança diferente das outras, no comportamento e nas necessidades. O leitor é convidado a conhecer o mundo interior do personagem e no decorrer da leitura encontra outras perspectivas relevantes.
 
O livro põe luz, por exemplo, na reação dos pais diante das características da criança, suas angústias e dúvidas tão particulares. E ainda, por ser contextualizado no interior de uma escola, termina por levantar questões como a importância da educação inclusiva, o papel do educador e o valor do convívio com outras crianças.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2021

7 livros para crianças aprenderem a respeitarem pessoas com deficiência

Separamos obras para ensinar aos pequenos sobre representatividade e respeito ao próximo

Por Alice Arnoldi para o bebe.abril.com.br

Juliana Pereira/Bebê.com.br

No Brasil, 21 de setembro é conhecido como Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência desde 2005. O objetivo da data é manter acesa a discussão sobre a importância de criar recursos de inclusão na sociedade. Neste ano, esse debate aconteceu em um evento virtual transmitido pelo Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos, com o lançamento da campanha “Eu Respeito”, idealizada pela Secretaria Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência.

Junto com a elaboração de políticas públicas para que a inclusão saia do papel e aconteça na prática, cada família também tem a sua missão de repensar os diálogos inclusivos com os filhos, especialmente para que eles não repercutam expressões ou frases preconceituosas. E para aqueles que são deficientes, é essencial que se tenha em mãos materiais de representatividade, reforçando que não há nada de errado com quem eles são.

Pensando nisso, selecionamos sete livros em que os personagens principais são deficientes. Entre eles, dois ganham um toque ainda mais especial por serem baseados em fatos reais.

1. O menino que via com as mãos – Alexandre Azevedo

Enquanto os amigos exploram o mundo apenas observando-o, a experiência do menino Juquinha é mais profunda. Ele caminha pelos diferentes lugares do mundo tateando as suas superfícies para reconhecê-las. E o motivo disso é que ele é deficiente visual.

O livro mostra aos pequenos como é o mundo de quem precisa do tato para conhecer o seu entorno. E vai além: a obra de Alexandre Azevedo é inclusiva ao trazer a história em braile para que as próprias crianças cegas consigam ler, não nos deixando esquecer que representatividade é importante.

2. Rodas, pra que te quero! – Angela Carneiro e Marcela Cálamo

A pequena Tchela andava para cima e baixo com a sua bicicleta, até que ela descobriu que isso não seria mais possível. E as duas rodas que a levavam para conhecer o mundo, precisaram ser substituídas por quatro de uma cadeira de rodas. E se a tristeza se fez presente logo de cara, a garotinha deu um jeito de se lembrar que as suas aventuras não precisavam ser interrompidas pelo seu novo jeito de andar. Ela estava pronta para continuar a explorar o mundo!

A história desta garotinha de tranças loiras é ainda mais singular por ter sido inspirada em fatos reais. Marcela Cálamo, uma das autoras do livro, é cadeirante desde os seis anos de idade. Mesmo precisando aprender um novo jeito de se locomover, isso não a impediu de tornar-se professora, casar e ser mãe de dois filhos.

3. Pássaro Amarelo – Olga de Dios

Em uma fileira de ovos que estão prestes a quebrar para que novas vidas venham ao mundo, nasce o pássaro amarelo. Do lado de outros bichanos, ele começa a se comparar e percebe que diferente deles, suas asas não cresceram. Só que a portinha da frustração abre o caminho para um pássaro para lá de criativo que, junto com o seu amigo Téo, o macaco carteiro, estão prontos para descobrir um jeito de colocá-lo no ar.

A história é uma bela jornada sobre como os limites físicos não nos impedem de realizar grandes conquistas, especialmente quando bons amigos estão do nosso lado.

4. O silêncio de Júlia – Pierre Coran e Mélanie Florian

Junto com ilustras delicadas, a história de Júlia traz as idas e vindas de como crianças também precisam de um tempo próprio para aprenderem as diferenças que existem entre seus pares e conseguir respeitá-las. É assim quando a garotinha percebe que ganhou um novo vizinho, André. Ele surge mal humorado por ter se mudado da cidade grande, onde tinha vários amigos, para o interior – lugar em que só parecia ter Júlia para brincar.

Ela tenta se aproximar dele, mostrar como é o seu mundo. Mas depois de algumas tentativas frustradas e a explicação da sua mãe de que André não entendia que ela era surda, Júlia recua e espera que as peças se encaixem naturalmente para que ela retome sua autoconfiança e tente uma nova amizade com o vizinho. A história tem uma sensibilidade poderosa de mostrar que, muitas vezes, a falta de conhecimento machuca o outro e por isso precisamos falar sobre diversidade.

5. Tudo bem ser diferente – Todd Parr

O autor Todd Parr é conhecido por suas séries de livros que tratam de assuntos subjetivos, mas que merecem um espaço importante no diálogo com as crianças. Inclusive, é o que aparece na sua obra “Tudo bem ser diferente”.

Com ilustrações e frases mais simples, o pequeno terá contato com a diversidade física que as pessoas podem ter. Seja ela uma diferença física, como dentes a mais ou a menos, ou o formato diferente do cabelo. Seja uma deficiência física, que pede um novo jeito de encarar o mundo. Pela simplicidade da história, o livro é uma ótima aposta para os menores.

6. Clara, a ovelhinha que falava por sinais – Cristina Klein

Começar em uma escola nova não é um processo fácil e não foi diferente com a ovelhinha Clara. Só que mais do que precisar fazer novos amigos e entender o que era o tempo longe da família, ela estava ali para aprender a linguagem de sinais, pois era deficiente auditiva.

Como a maioria dos começos em que o medo toma conta de nós, ela não gosta da escola e não vê a hora de sair daquele lugar. Mas com o passar dos dias, ela vai aprendendo os sinais, consegue se comunicar, ser entendida e assim fica mais fácil administrar a ideia de ter amigos com quem consegue dividir tudo o que está pensando, sentindo e querendo. O nome disso é inclusão!

7. A vida com Logan – Flavio Soares

Mesmo com tanto carinho e nobreza, crianças com deficiência acabam se deparando com um mundo que não é tão gentil com elas, especialmente quando menores. Mas no livro de Flavio Soares, ele conta a história do seu filho Logan com Síndrome de Down com um olhar mais delicado: ele é focado em contar para outros pais sobre a beleza que existe em enxergar o mundo com os olhos do pequeno.

A obra mostra o dia a dia de Logan, desde a chegada na escola, a relação com os amigos, a preparação das atividades pela professora, e a superação dos desafios diários que surgem. No final do livro, há também uma sequência de fotos do próprio Logan para que o público possa conhecê-lo para além das ilustras e informações importantes sobre a Síndrome de Down.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2021

Santos às Cegas, um tour de bike inclusivo pela orla da praia

Santos às Cegas, um tour de bike inclusivo pela orla da praia

atribuna.com.br

O Emissário Submarino, com a escultura da artista Tomie Ohtake, é um dos pontos visitados (Carlos Nogueira/AT)

Juntar bicicleta, experiência cultural e inclusão pode parecer para muitos uma mistura bem inusitada, que não dá liga de forma alguma. Mas um projeto que vai ser lançado na orla santista prova que, com o tempero certo, estes três ingredientes têm muito em comum e podem ser uma oportunidade divertida para quem nunca teve a chance de provar essas experiências. É o projeto Santos às Cegas, que fará trilhas em uma bicicleta especial pelos monumentos da orla da praia a partir do dia 25.

A ideia é do professor universitário, líder de projetos de inovação cidadã, que, há quatro anos, atua e pesquisa a temática da inclusão, sobretudo com a deficiência visual, Renato Frosch, que conduzirá uma bicicleta triciclo dupla, num trecho entre o Emissário Submarino e o Aquário Municipal, sempre com um passageiro.

Em seis pontos do trajeto de cinco quilômetros, haverá uma parada para apresentar monumentos e espaços da arquitetura urbana, dentro de uma narrativa que usa réplicas em miniatura destes locais produzidas digitalmente em impressão 3D, o que permite que cegos e pessoas com baixa visão possam tocar e compreender as formas.

Entre os locais que serão visitados estão o monumento da artista plástica Tomie Ohtake para os 100 anos de imigração japonesa, no Emissário Submarino; as muretas dos canais e da orla; o farol; e a caravela do monumento aos 500 anos do Descobrimento do Brasil, na Ponta da Praia.

Os participantes também poderão 'ver' a maquete da praça que fica na orla, na direção da Avenida Conselheiro Nébias, no Boqueirão, e a cobertura do Edifício Verde Mar, do arquiteto Artacho Jurado.

“Já venho há algum tempo trabalhando com pessoas com deficiência visual e sempre quis cruzar esse público com bicicleta, minha outra paixão”, explica Frosch, que complementa: “Esse não é só um passeio para os participantes, mas também fazer um resgate dos monumentos, não apenas para quem tem algum tipo de deficiência.

Do ponto de vista da atratividade, hoje, um monumento perde para uma criança com celular. As pessoas videntes passam por eles e nem sempre o percebem. E a orla de Santos é um ponto ideal, pois é uma grande galeria de arte a céu aberto”.

Para além da praia

Frosch quer que essa iniciativa, que está sendo realizada com recursos do Prêmio Alcides Mesquita, edital de fomento da prefeitura de Santos, com apoio da Associação Comunidade de Mãos Dadas (ACMD), seja ampliada para outros pontos além da orla e para outras cidades do país. Para isso, ele deve ir em busca de recursos.

Por conta da pandemia, ele reforça que segue todas as medidas sanitárias de segurança, com apenas uma pessoa por passeio e higienização completa do triciclo e réplicas a cada passeio. O número de participantes será restrito.

Os interessados podem entrar em contato com o Renato pelo e-mail santosascegas@gmail.com. Na próxima semana, ele fará alguns passeios de teste com convidados e o projeto está aberto ao público a partir do dia 25 e segue até 21 de fevereiro, em horários pela manhã e à tarde.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2021

Humor e crítica pela inclusão da pessoa com deficiência

O cartunista capixaba Ricardo Ferraz retrata em seus desenhos situações do cotidiano para chamar atenção sobre preconceito e falta de efetividade nas políticas inclusivas


Ramon Barros para o jornalfato.com.br
 
 

O capixaba Ricardo Ferraz, um dos maiores cartunistas do Brasil, contraiu poliomielite aos cinco anos de idade e, por conta disso, teve comprometimento dos membros inferiores. A doença o levou a viver uma infância praticamente sem contato com outras crianças e, nessa época, achou na arte um refúgio, além de usá-la como terapia para se distrair da dor das injeções aplicadas pelo pai. Foi rabiscando com carvão as embalagens de pão que Ricardo descobriu a vocação para as ilustrações.

A experiência pessoal e a observação da realidade de pessoas que, assim como ele, possuem algum tipo de deficiência, fizeram com que Ferraz se tornasse um ativista da causa. O cartunista foi um dos fundadores da Associação Capixaba de Pessoas com Deficiência (ACPD) na década de 1980.

Sua atuação mais marcante é por meio dos cartuns que normalmente expressam situações do dia a dia revelando as barreiras físicas e o preconceito que ainda impedem o pleno acesso de pessoas com deficiência aos direitos sociais, econômicos e políticos, por exemplo. Ricardo lembra que foi o primeiro de sua profissão no país a retratar o preconceito com as pessoas com deficiência.

"É importante refletirmos sobre o convívio harmônico com as diferenças. Somos movidos pela nossa autoestima e, quando somos vítimas de preconceito, infelizmente fere o nosso direito de viver. É preciso abrir um debate na sociedade, um conjunto de ações, na qual haja uma convivência com as diferenças, sem preconceito" ressalta Ricardo Ferraz.

Trajetória

As ilustrações com cunho inclusivo foram veiculadas, inicialmente, em Cachoeiro de Itapemirim, cidade no sul do Espírito Santo onde Ricardo Ferraz nasceu e reside. "Fiquei perplexo com aquela situação. Eu já trabalhava com cartum no jornal da Prefeitura de Cachoeiro de Itapemirim abordando diversos temas e, então, quis denunciar essa realidade. Fui o primeiro cartunista brasileiro a abordar de forma crítica e humorada as realidades das pessoas com deficiência. Através do cartum abordava as barreiras arquitetônicas, os preconceitos, tudo isso numa época em que não se falava de acessibilidade", explica.

Veja na galeria de imagens mais cartuns de Ricardo Ferraz

Um dos impulsos para divulgação em âmbito nacional de seu trabalho veio em 2001, quando a Rede Globo promoveu um concurso voltado para cartunistas profissionais e amadores. O concurso selecionou os melhores trabalhos para as vinhetas eletrônicas usadas nos intervalos da programação. "Eu na época como amador pensei que não custava nada sonhar, ver meu trabalho na Rede Globo. Fui escolhido entre os outros, me tornando o primeiro capixaba a ter um trabalho selecionado pela emissora. E foi a primeira vinheta temática falando de acessibilidade". O concurso se repetiu por sete edições, Ricardo ganhou quatro delas.

Seus trabalhos também foram exibidos na programação do SBT, na campanha Teleton, promovida pela emissora em prol da Associação de Assistência à Criança Deficiente (AACD). Hoje sua obra está presente em jornais e revistas do Brasil e outros países da América do Sul, África do Sul, Europa, Canadá e Estados Unidos. O trabalho do cartunista também é apresentado nas exposições sobre acessibilidade promovidas pela Organização das Nações Unidas (ONU).

Publicações e exposição

O trabalho reconhecido nacionalmente e internacionalmente hoje faz parte de palestras e livros didáticos. Um deles é o livro Visão e Revisão. Conceito e Pré-Conceito, que reúne cartuns feitos por Ricardo entre 1981 e 2000. O livro, que está na terceira edição, foi lançado em 2000, no XIX Congresso Mundial da Reabilitação Internacional, realizado no Rio de Janeiro. O nome da publicação é o mesmo da exposição itinerante que já percorreu várias partes do Brasil e do exterior, levando até o público, com pitadas de humor e crítica, as dificuldades enfrentadas pelas pessoas com deficiência. Outra publicação de Ferraz é o livro Bulliyng, vamos combater esse mal pela raiz?, que aborda a perspectiva da educação inclusiva.

"Fico muito feliz de saber que esses desenhos, que foram ferramentas de denúncias na década de 1980, hoje estão tendo essa utilidade neste debate permanente falando sobre cidadania. E os livros didáticos utilizam esses cartuns para provocar essa reflexão. É um tema que passa necessariamente pela educação de qualidade. Meu maior prêmio é saber que meu trabalho está dando essa contribuição".

sexta-feira, 27 de março de 2020

Fundação Dorina disponibiliza gratuitamente livros infantis acessíveis para entretenimento de crianças com deficiência visual

Grandes clássicos da literatura, como 'Os três porquinhos' e 'Peter Pan', estão disponíveis gratuitamente em formatos acessíveis na Dorinateca


Por Fernando Freitas para o fundacaodorina.org.br


Para evitar a propagação do novo coronavírus, as aulas têm sido temporariamente suspensas em todo o país. A medida, importante para conter o avanço da epidemia, deixou muitos papais e mamães de cabelo em pé. Afinal, como distrair as crianças agora? Uma boa solução são as atividades que estimulam o cérebro e a criatividade.

Nesse sentido, a leitura de clássicos infantis é uma ótima opção de entretenimento para os pequenos. E para aqueles que têm deficiência visual, a Fundação Dorina Nowill para Cegos pode ajudar, já que a sua biblioteca virtual, a Dorinateca , dispõe gratuitamente de um vasto acervo com opções de livros acessíveis nos formatos falado, digital acessível e braille para impressão.

“Entre os diversos gêneros que temos disponíveis, estão os clássicos que toda criança gosta. Desde contos de fada, como da Branca de Neve até aventuras como as de Robin Hood, que sempre estiveram no imaginário infantil e são atemporais”, explica Kely Magalhães, gerente de Serviços de Apoio à Inclusão da Fundação Dorina.


A gestora também reforça a importância do acesso aos formatos acessíveis de leitura para as crianças cegas e com baixa visão. “Ler proporciona condições de acesso à formação educacional e cultural, além de ampliar as possibilidades de trilhar um futuro mais independente, de maneira autônoma e plenamente cidadã”, afirma.

Vale ressaltar que a Fundação Dorina já distribuiu 3.000 unidades da Coleção Clássicos para diversas escolas e bibliotecas do país, beneficiando pelo menos 30.000 crianças. Confira abaixo a lista dos títulos da Coleção Clássicos e saiba como ter acesso a eles pela Dorinateca .

Coleção Clássicos:
1 – Bela Adormecida, de Simone Bibian
2 – Branca de Neve, de Jacira Fagundes
3 – Chapeuzinho Vermelho, de André Luiz P. Alves
4 – Cinderela, de Anna Claudia Ramos
5 – João e Maria, de Roberto de Carvalho
6 – Os três porquinhos, da Editora Globo
7- Peter Pan, de Julio Lira
8 – Pinóquio, de Viviane Brasil e Mary Aparecida Marques
9 – Rapunzel, de Regina Drummond
10 – Robin Hood, de Maurício Veneza

sexta-feira, 20 de setembro de 2019

O navio Logos Hope, maior livraria flutuante do mundo, chega ao Rio e tem dia dedicado ao autismo

Com 500 mil livros a bordo, Logos Hope tem programação com exposições, peças e outras atrações


Logos Hope: navio de de 12 toneladas, tem 21 metros de largura e 132 metros de comprimento Foto: LJ LEE / Divulgação/GBA
Logos Hope: navio de de 12 toneladas, tem 21 metros de largura e 132 metros de comprimento Foto: LJ LEE / Divulgação/GBA

O navio Logos Hope abriu as portas nesta quinta-feira no Porto do Rio. Autointitulada a maior livraria flutuante do mundo, a embarcação fará uma estada de 20 dias na cidade e estará aberta para visitação até 6 de outubro.

- Temos à venda mais de 5.000 livros diferentes. São títulos infantis, de culinária, ficção, ciência e outros temas. No total, o navio transporta mais de 500 mil volumes - afirma Ester Hansen, uma das coordenadoras do projeto no Brasil.

Embarcação transporta acervo maior que o da biblioteca do CCBB Foto: LJ LEE / Divulgação/GBA

No dia 28 de setembro, o Navio realizará o Embarque Azul, quando abrirá uma hora mais cedo para proporcionar uma visita diferenciada com redução de público e de estímulos sensoriais (som e luz) para pessoas com Autismo e Transtornos do Processamento Sensorial (TPS). 

Para garantir uma vaga no Embarque Azul, a inscrição da pessoa com autismo deverá ser realizada através do preenchimento do formulário. 

Orientações
  1. Data da visita diferenciada para autistas: 28 de setembro de 2019.
  2. Crianças até 12 anos e idosos acima de 65 não pagam ingressos.
  3. Pessoas fora desta faixa etária poderão adquirir seus ingressos no local. O preço do ingresso individual é de R$5,00 (cinco reais).
  4. As crianças só entrarão no navio acompanhadas de um responsável maior de idade.
  5. Não teremos acompanhantes para as crianças.
  6. A visita dá acesso à LIVRARIA e à CAFETERIA do Navio.
  7. A visita diferenciada acontecerá somente das 9h às 10h. A partir das 10h a visitação será aberta ao público em geral.
  8. Sugerimos que os visitantes cheguem a partir das 8h30min para identificação. Nossa equipe já estará à espera. 
  9. Qualquer dúvida, favor entrar em contato através do e-mail: embarqueazul@gmail.com
Fonte: Jornal O Globo

sexta-feira, 6 de setembro de 2019

Inclusão: 6 livros que trazem crianças com deficiência como protagonistas

blogmodainfantil.com.br

Praticar um olhar inclusivo é, sobretudo, se colocar no lugar do outro. Seja em casa, na escola, na rua sempre devemos pensar: o que falta nesses espaços para que todos possam se desenvolver igualmente e exercer a liberdade de ir e vir? Ter essa visão é entender as dificuldades e limitações do próximo e buscar soluções para eliminar ou minimizar as barreiras.


Pensando em contribuir com essa discussão, o Centro de Referências em Educação Integral compartilhou uma lista de livros infantis que trazem crianças com deficiência como personagens principais. Desenvolvida pela organização Mais Diferenças, a listagem prioriza o olhar infantil sobre suas condições trazendo a reflexão sobre qual o papel de cada um para construirmos uma sociedade empática à diferença. As obras estão disponíveis na biblioteca virtual do Mais Diferenças, em formatos acessíveis.

Sonhos do dia por Claudia Werneck

Inclusão: 6 livros que trazem crianças com deficiência como protagonistas

A menina que protagoniza o livro sonha, durante a noite, que pode tudo. Mas todos os dias ao acordar volta a se deparar com as limitações que o mundo ao seu redor impõe. Cansada dessa situação, ela pede a heróis e heroínas, seres das galáxias, das revistas em quadrinhos, da televisão, dos sonhos de outras crianças, da internet, dos livros e das histórias que seu avô contava para que revelem o segredo de fazer os sonhos da noite não morrerem durante o dia.

Daniel no Mundo do Silêncio por Walcyr Carrasco e ilustrações de Cris Eich

Inclusão: 6 livros que trazem crianças com deficiência como protagonistas

Quando Daniel perde a audição, aos 7 anos, ele precisa aprender a se comunicar de outra maneira: com as mãos. Seus pais o matriculam então em uma escola especializada em educação para surdos, onde ele aprende a Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS). Depois de um tempo, Daniel passa a frequentar simultaneamente uma escola comum, onde supera o bullying e encontra a solidariedade.

Uma nova amiga por Lia Crespo

Inclusão: 6 livros que trazem crianças com deficiência como protagonistas

João é um menino cheio de imaginação que conversa com seus brinquedos. Diante de uma nova realidade em sua vida, conta com o apoio desses e de outros personagens para lidar com os desafios. A obra aborda a influência transformadora dos professores e a importância do apoio familiar.

As cores no mundo de Lucia por Jorge Fernando dos Santos

Inclusão: 6 livros que trazem crianças com deficiência como protagonistas

Nesse livro, Lucia é uma menina muito inteligente e adora brincar. Ela tem deficiência visual e descobre uma maneira divertida de perceber as cores que estão a sua volta, usando como ninguém a audição, o olfato, o paladar e o tato.

Tom por André Neves

Inclusão: 6 livros que trazem crianças com deficiência como protagonistas

A história do menino Tom é contada por seu irmão, que sempre o observa intrigado: “Por que Tom não brinca? Por que Tom não diz o que sente? Onde Tom guarda todos os seus sonhos?”. Até que um dia, Tom chama seu irmão para que conheça o seu segredo, e assim se aproximam de verdade.

Serei Sereia por Kely de Castro

Inclusão: 6 livros que trazem crianças com deficiência como protagonistas

Assim como todas as crianças, Inaê passa por momentos de tristeza, alegria, conflito e tranquilidade. Ela tem como desafio o fato de não poder andar, mas com o apoio de sua mãe, descobre que pode construir sua própria história.

Esperamos que tenham gostado das dicas!

Os livros são uma ótima ferramenta na luta pelo respeito à diferença na sociedade :)

quarta-feira, 4 de setembro de 2019

As cores das flores: curta sobre criança com deficiência visual

Crianças com deficiências visuais, motoras, auditivas e intelectuais enfrentam uma série de dificuldades, mas são capazes de aprender como todas as outras. Pensando em passar essa mensagem, a ONCE – Organização Nacional de Cegos da Espanha desenvolveu um vídeo institucional bastante sensível e emocionante chamado As Cores das Flores.

As cores das flores: curta sobre criança com deficiência visual

No vídeo, a professora de uma escola passa um tema de casa à turma: uma redação sobre as cores das flores. Ao receber a tarefa, um dos alunos que possui deficiência visual, sai da aula pensando em como resolver o desafio. Após isso, aparecem alguns flashes da vida do garotinho, momentos com os pais indicam que eles acreditam na sua capacidade. O mais bacana da mensagem é que em nenhum momento é colocado em dúvida se o menino realizará a tarefa. A expectativa é de como irá realizá-la.

Assista:


Muito lindo, né gente?

Toda criança é capaz de aprender do seu jeito, por isso a importância da confiança no potencial de cada uma. Assim teremos um mundo com mais diversidade e inclusão <3

Fonte: www.blogmodainfantil.com.br

quarta-feira, 15 de maio de 2019

Autismo na cultura pop: aumenta a representatividade do transtorno em filmes e séries

Desenho animado ensina crianças autistas a lidar com situações que causam ansiedade


Rain Man marcou a história por ser o primeiro filme a retratar um portador de TEA. Mas conforme a conscientização sobre o autismo aumenta, começamos a ver mais personagens que mostram um pouco mais da diversidade que existe dentro do espectro.

Pablo




A série animada da Nat Geo Kids é pioneira por ser o primeiro desenho infantil a promover a inclusão de portadores de TEA. Além do personagem principal ser um menino autista, todos os dubladores da versão brasileira são crianças e jovens dentro do espectro, indicados a partir de uma parceria com o Autismo e Realidade. A série mostra Pablo enfrentando situações desafiadoras, como cortar o cabelo ou acompanhar os pais no supermercado, com a ajuda de seus desenhos.

Atypical



Sam é um adolescente autista que está em busca de uma namorada. O seu desejo por independência muda a rotina da sua família e faz Sam lidar com situações novas e desafiadoras. A comédia familiar da Netflix aborda com delicadeza os obstáculos enfrentados pelos portadores de TEA, ao mesmo tempo que deixa claro que muitos dos problemas são os mesmos enfrentados por qualquer outra pessoa.

Filme e série mostram os desafios de portadores de Asperger na idade adulta


The Good Doctor



Renovada para a terceira temporada, a série conta a história de Shaun Murphy, um médico recém-formado que começa a trabalhar em um hospital de prestígio. Mas, logo, todos no hospital entendem que Shaun é diferente: enquanto a Síndrome de Asperger gera dificuldades nas suas relações, a sua memória espetacular advinda do savantismo impressiona os colegas de trabalho e pacientes. Com a ajuda de seu mentor e amigo, Shaun aprende e ensina aos outros a como lidar melhor com o cotidiano de um portador de transtorno mental.

Adam



Adam é um jovem com Síndrome de Asperger que vive sozinho após a morte do pai. Ele leva uma vida solitária e dedica a sua atenção ao estudo de astronomia. Sua rotina muda com a chegada de uma nova vizinha, a professora Beth. O filme aborda as dificuldades sociais e de comunicação do portador de Asperger ao enfrentar questões da vida adulta (como se relacionar no trabalho e demonstrar interesse amoroso), e também mostra como a falta de compreensão das pessoas típicas sobre a desordem pode aumentar ainda mais as dificuldades num relacionamento.

E não deixe de escrever nos comentários sobre os filmes e séries sobre TEA que você conhece e indica.

Fonte: Autismo e Realidade

quarta-feira, 24 de abril de 2019

Curta-metragem premiado fala da importância da inclusão e do respeito à diversidade nas brincadeiras de criança

Luisa Bertrami D’Angelo para o controversia.com.br

Curta-metragem premiado fala da importância da inclusão e do respeito à diversidade nas brincadeiras de criança

Ian é um menino com deficiência e quer brincar em um parquinho, apesar dos olhares e comentários das outras crianças e suas dificuldades em interagir com ele. O curta é inspirado na história de um Ian real. Sua mãe, autora de um livro e criadora da Fundação Ian, tomou como tarefa ensinar os responsáveis por fazer bullying com o filho uma importante lição a respeito da diversidade e da inclusão, tarefa esta que desembocou na criação do curta-metragem, uma parceria com o estúdio de animação latinoamericano MundoLoco.

O filme, deliberadamente sem falas para que a linguagem falada não fosse uma barreira para falantes de diferentes línguas e de diferentes idades – crianças e adultos podem assisti-lo -, é uma bela e importante reflexão a respeito da importância do respeito às diferenças e do quão significativo é, para uma criança com deficiência, habitar os espaços que desejar e brincar com outras crianças – mas não só isso: mostra também que, para crianças que não tenham deficiência, este é um exercício de cidadania que pode ser feito desde os primeiros anos de vida.

Confira, abaixo, o curta-metragem na íntegra:

quarta-feira, 7 de novembro de 2018

Atypical: a vida de um jovem com autismo dentro e fora da escola

Sucesso dos novos episódios da série que retrata a vida de um aluno com autismo no ensino médio revela o interesse e a carência de produções que retratem minorias de forma inclusiva


Por Alexandre Moreira para o diversa.org.br

Sam conversa com uma colega no corredor da escola. Fim da descrição.
Na 2ª temporada da série, o jovem Sam precisa encarar mudanças em sua rotina. Foto: Beth Dubber/Netflix.
Em setembro, chegou ao catálogo da Netflix a 2ª temporada de Atypical. A série conta a história de Sam, um adolescente com autismo que está prestes a terminar o ensino médio e busca construir sua independência. A produção foi a mais vista do mundo na semana de lançamento da nova temporada, segundo um levantamento feito pelo aplicativo TV Show Time — que considera canais de TV e serviços de streaming. Não à toa, a série é quase pioneira no sentido de apresentar um tema importante de forma delicada e para o público jovem.

Nos novos episódios temos Sam passando por diversas transformações em sua vida: seus pais se separando após a descoberta da traição da mãe, a necessidade de buscar um novo terapeuta e também a mudança de escola da irmã. O que a princípio pode parecer banal, para Sam são questões complicadas. Afinal, ele gosta de seguir uma rotina bem definida e não gosta muito de mudanças.

Atypical mostra como a família, a escola e os amigos apresentam esses fatos como naturais. Trabalhando de forma muito sutil que certas mudanças precisam ocorrer para a melhoria de uma situação.

O autismo em segundo plano

A mudança de eixo central da narrativa foi muito elogiada e receptiva. Se na primeira temporada o autismo e a vida de Sam eram o centro no qual todos os outros personagens orbitavam, na segunda temporada, muitos ganham seu próprio foco. É o caso de Casey (irmã de Sam). Ao sair da escola onde o irmão estuda, ela precisa desenvolver novos laços e estabelecer um novo grupo de amigos bem diferentes dos quais ela estava habituada na escola pública onde sempre esteve.

Esse amadurecimento da produção foi muito bem recebido também pela comunidade de familiares e pessoas autistas que reconhecem que o autismo não precisa ser o foco de todos os desdobramentos na vida de quem o cerca, nem um recurso de roteiro para inserir o humor ou desenvolver tramas paralelas.

Na 1ª temporada, o principal alvo das críticas foi a romantização do espectro autista e a “desconexão” com a realidade apresentada por Sam e sua família. No entanto, é importante considerar a amplitude do espectro e a diversidade de pessoas dentro dele. O caso de Sam (alta funcionalidade e sociabilização) se localiza enquanto um perfil possível numa vasta variável de possibilidades. Lembrando sempre que um sujeito é composto por diversas características e as pessoas dentro do espectro não são diferentes: nem todas apresentam problemas severos de comunicação ou socialização, embora sejam traços comuns nesse caso.

Representatividade


Um grupo de jovens está sentado em cadeiras, em formato de círculo, em uma sala escolar. Fim da descrição.
Muitos dos atores do grupo de atendimento têm autismo. Foto: Beth Dubber/Netflix.

Como forma de contornar esse problema e principalmente melhorar a qualidade da produção, a diretora Robia Rashid fez uma série de mudanças na trama nessa nova temporada.

Um grupo de jovens está sentado em cadeiras, em formato de círculo, em uma sala escolar. Fim da descrição.Muitos dos atores do grupo de atendimento têm autismo. Foto: Beth Dubber/Netflix. Para começar: atores que estão no espectro autista. Ao longo da temporada, Sam começa a frequentar um grupo de apoio aos alunos com autismo em sua escola. A proposta é fazer um atendimento focalizado nas especificidades do público e fazer orientações mais direcionadas. Nesse grupo, muitos jovens vivem no espectro por trás das câmeras.

Nos bastidores a diversidade também é valorizada com a equipe de diretores, produtores e roteiristas técnica que conta com mulheres, negros e pessoas LGBTIs.

Como sabemos, mais do que falar sobre é importante dar voz a quem nunca teve ou é sistematicamente excluído dessas produções. Garantir na equipe e no elenco esse espaço é um passo fundamental quando falamos em representatividade na mídia, seja das pessoas com deficiência, seja de outros grupos minoritários.

Novos rumos

O sucesso de Atypical talvez resida na forma leve e delicada de contar a história de Sam. Enquanto na primeira temporada a trama foi focada no primeiro amor do jovem — um tema tabu para muitas pessoas com deficiência, TEA ou TGD — nos novos episódios a narrativa explora outros pontos importantes na construção da autonomia desse público.

Um desses pontos é a independência financeira. Tendo uma mãe superprotetora, Sam nunca pode administrar o seu próprio dinheiro (ele trabalha como vendedor em uma loja de eletrônicos). Em conversas com amigos e colegas ele começa a enxergar esse ponto como mais um passo rumo a sua autonomia completa para vida adulta.

No que tange à educação, a temporada 2 dá um passo importante sobre a inclusão de pessoas com autismo nos sistemas de ensino. Em seu último ano no ensino médio, Sam e seus colegas precisam pensar em seu futuro: qual carreira seguir e principalmente onde irá continuar seus estudos. Junto à isso o planejamento para sair de casa e dormir fora.

Nesse sentido a trama apresenta a discussão de forma tranquila e com muita maturidade, afinal, Sam também é um jovem de 18 anos, é natural que comece a pensar na sua vida longe dos pais para variar.

Em um novo contexto a série retrata também o bullying e a falta de compreensão sobre o tema por parte da comunidade do bairro onde Sam vive endossando, mais uma vez, a necessidade de informação e convivência com pessoas de diferentes perfis.

Esse ponto é magistralmente representado no episódio em que Sam é parado pela polícia. Em meio à uma crise ou ataque Sam repete incansavelmente as quatro espécies de pinguins que vivem na Antártida. Esse recurso ajuda ele focar a atenção para se acalmar. O completo despreparo do militar ao se deparar com a situação levou-o a entender a postura do jovem como desacato ou reação pelo uso de drogas.

Entra em cena, então, a família: principais agentes que podem contribuir para a disseminação de informação à respeito dessas situações para seus colegas de profissão, vizinhos e amigos.

Pontos fortes prevalecem

Considerando as críticas feitas à primeira temporada, fiquei com receio de que a leveza e a naturalidade da narrativa perdessem espaço para discussões e apontamentos mais profundos sobre a questão do autismo. A equipe de direção, produção e roteiro, no entanto, provou ser muito eficiente em conduzir as duas coisas em paralelo.

Sam, seu pai e sua mãe conversam na cozinha de casa.
Foto: Beth Dubber/Netflix.

Sam, seu pai e sua mãe conversam na cozinha de casa.Foto: Beth Dubber/Netflix. Do riso ao choro — da emoção à reflexão — em cada episódio passamos por uma verdadeira montanha-russa de sensações de forma muito orgânica. A construção das personagens jovens principalmente com Casey (irmã de Sam) corrobora o acerto da linguagem pensando nesse público. Tramas e situações enfrentadas cotidianamente por crianças e adolescentes como a separação dos pais, a mudança de escola e o afastamento dos amigos de infância contribui para o envolvimento mais profundo com as personagens.

Outro ponto marcante na série é o distanciamento da terapia individual — muito presente na primeira temporada e responsável pelos maiores desdobramentos da trama. O atendimento individualizado com a terapeuta dá espaço a momentos de troca com outras pessoas próximas a Sam, seja no grupo de apoio conduzido pela professora, seja no trabalho com seu amigo Zahid.

Assim, foi fundamental o posicionamento de Sam em recusar (ainda que temporariamente) o apoio constante da mãe e da terapia para aprender, sozinho, como lidar com questões do dia a dia — desde preparar o café da manhã até controlar suas crises.

A voz das pessoas com autismo

Atypical apresenta uma segunda temporada com alto grau de comprometimento no que diz respeito à representatividade de pessoas com autismo. Na evolução da trama, Sam e personagens com outras neuroatípicas favorecem uma produção ainda mais plural e madura sem perder a sutileza e o comprometimento de divertir o público enquanto educa e informa.

A equipe da série investiu em ouvir e dar voz às pessoas com autismo, tanto no elenco quanto nos bastidores. O resultado foi, senão outro, um sucesso comprovado pelos níveis de audiência. O que nos mostra, portanto, o interesse e principalmente a carência de produções que retratam minorias de forma coerentes e inclusivas.

Alexandre Moreira é licenciado em Educomunicação pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP). Atua na área de formação do Instituto Rodrigo Mendes (IRM).

sexta-feira, 26 de maio de 2017

Primeiro trailer de 'Extraordinário' emociona a internet; assista

Filme com Julia Roberts, Jacob Tremblay e Sônia Braga chega aos cinemas brasileiros no dia 23 de novembro


Resultado de imagem para Extraordinário filme
Jacob Tremblay interpreta seu segundo papel de destaque em 'Extraordinário'.

Na manhã desta quarta-feira, 24, foi divulgado o primeiro trailer da adaptação cinematográfica do livro Extraordinário, de R. J. Palacio. O longa é protagonizado por Jacob Trembley, Julia Roberts e Owen Wilson. 

O vídeo que vem emocionando a internet mostra o primeiro dia de escola de Auggie (Tremblay), garoto de 10 anos que nasceu com uma desordem craniofacial congênita e vai começar a frequentar a escola pela primeira vez. Tudo o que o garoto quer é ser tratado como uma criança normal e, para isso, ele terá de enfrentar a crueldade de seus colegas enquanto seus pais temem por sua estabilidade emocional. 

Extraordinário, best-seller que liderou a lista de mais vendidos do New York Times, tomou conta das redes sociais nesta quarta. O título do filme figura entre os assuntos mais comentados do Twitter e nas mensagens postadas os fãs comemoram a chegada do filme. ''Eu tô chorando e não é pouco com esse trailer'', comentou uma internauta. 

O longa é dirigido por Stephen Chbosky (As vantagens de ser invisível, 2012) e, no elenco ainda conta com a atriz brasileira Sônia Braga no papel da avó de Auggie e mãe de Julia Roberts. 

O filme chega aos cinemas brasileiros no dia 23 de novembro. 

Abaixo, confira o trailer:


Fonte: Correio Braziliense