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sexta-feira, 23 de dezembro de 2022

Vídeo: Menino com deficiência auditiva se surpreende com Papai Noel que sabe libras

O Papai Noel surpreendeu o garoto surdo ao conversar com ele utilizando a Língua de Sinais

paisefilhos.uol.com.br

Isso que é representatividade! A professora, Carla Momberg, compartilhou em seu Instagram um vídeo emocionante do encontro seu aluno com o Papai Noel, que inesperadamente sabia Libras (Língua Brasileira de Sinais). Isso ocorreu no Águas Claras Shopping, que fica no Distrito Federal.

O diálogo ocorreu com ambos se apresentando, e conversando sobre a importância da linguagem de sinais na sociedade. Em um segundo momento, o bom velhinho aconselha o menino e o incentiva a estudar e se superar!

Nos comentários da publicação os internautas elogiaram à iniciativa do shopping e a emoção com a alegria do menino.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2022

Sucesso no TikTok, Isabella Savaget usa a própria deficiência para dar voz aos outros

Jovem conta que dançar funk ajudou no seu desenvolvimento motor: 'A minha fisioterapia era à base de funk'


Produzir conteúdo para a internet sobre inclusão, além de vídeos de dança e maquiagem, conquistar milhões de seguidores nas redes sociais, e conseguir fazer seu conteúdo se tornar uma fonte de renda, essa é uma parte da história de Isabella Savaget, ou "Bella", como é conhecida na internet. Com paralisia cerebral, Bella enfrentou uma série de obstáculos para hoje, ajudar pessoas falando sobre representatividade, capacitismo, e superação na internet.

Isabella Savaget tem 21 anos, mora em Ipanema, no Rio de Janeiro, e além do seu trabalho na internet, também é estudante de Publicidade e Propaganda. Ao nascer, Bella sofreu falta de oxigenação no cérebro, após alguns segundos sem respirar, que ocasionou a paralisia cerebral. A parte motora foi afetada e um pouco da fala, mas sua capacidade intelectual se manteve intacta.

Bella conta que apesar das dificuldades motoras, é muito independente e tem bastante autonomia, mas isso só foi possível porque desde seus sete meses sempre fez atividades e tratamentos, como fonoaudiologia, fisioterapia, terapia ocupacional, natação, jiu-jitsu, capoeira, dança, e até ecoterapia, que é a terapia em contato com a natureza.

Na fisioterapia, Bella era a única criança que não tinha o cognitivo afetado. Dessa forma, o diálogo que tinha com os profissionais foi importante para entender desde pequena a sua deficiência, e o que poderia fazer para melhorar. "Muita gente me pergunta se eu gostaria de ter nascido sem deficiência, como se isso fosse uma escolha, eu não penso duas vezes, a resposta é não, eu nem quero saber como seria a Bella sem uma deficiência, porque com certeza seria diferente do que eu sou hoje", diz.

Saber dançar

A dança foi uma das principais atividades que ajudou Bella no seu desenvolvimento, não é à toa que é um dos conteúdos que mais faz sucesso em suas redes sociais. "Aprendi a andar dançando, primeiro eu dancei e depois eu andei. A minha fisioterapia era à base de funk, era só tocar o funk que eu conseguia ficar em pé, colocar a mão no joelho e ir até o chão", explica. A influenciadora digital conta que sempre amou dançar, e na época de escola, queria participar das danças de festa junina, mas as coreografias não eram planejadas de forma que acolhesse as suas dificuldades motoras. Entretanto, isso não impediu sua participação, ela mesmo adaptou sua coreografia.

Na adolescência começou a lidar com outros problemas. Foi nessa época que desenvolveu anorexia nervosa e depressão, aos 15 anos. De acordo com Bella, o transtorno veio para "esconder" sua deficiência, porque nunca conseguiu se encaixar em nenhum grupo devido a sua deficiência, que é algo que estava acima de suas possibilidades. Já com o seu corpo seria diferente, poderia controlar o que comia e o que não comia. Ficou em um estado muito delicado, chegando a pesar 30 quilos. Desse modo, teve de interromper as atividades que fazia para melhorar seu desenvolvimento motor, já que acabou perdendo muita massa muscular, e não tinha mais forças para continuar sua rotina.

Disposta a vencer a anorexia, Bella percebeu que precisava de uma motivação para superar o problema e conquistar seu objetivo, como um cachorro. Decidiu conversar com seus pais sobre a necessidade de ter um incentivo, e assim se comprometeu a recuperar peso. Demorou alguns meses para isso acontecer, mas com a chegada de Belinha, sua nova companheira de quatro patas, teve mais ânimo para se alimentar, pois precisava estar bem para cuidar dela. Por isso, pensou em compartilhar sua história com a internet, ser a "Belinha" na vida de alguém, já que a cachorrinha transformou sua vida, também poderia transformar a vida de outras pessoas: "Eu percebi que o amor salva, o amor da Belinha me salvou da depressão, e da anorexia".

Atualmente, Isabella acumula 943 mil seguidores no TikTok, e 211 mil no Instagram, onde produz conteúdo sobre inclusão, representatividade e capacitismo com o quadro Bella Descomplica. Claro que a dança não poderia ficar de fora, o seu primeiro vídeo dançando funk no Instagram chegou a bater 22 milhões de visualizações. Também produz vídeos de maquiagem artística, e para o dia a dia. Por meio de seu conteúdo, seu objetivo é motivar as pessoas, não por sua deficiência, mas por sua história de vida, e lutar pelos direitos dos PCDs. Mostrar a sua realidade, expor seus problemas, e de certa forma levar mais conhecimento para os seus seguidores, tentando tornar o mundo um pouco mais inclusivo. "Somente assim a gente vai poder combater o capacitismo, ouvindo as pessoas com deficiência, dando voz e espaço", finaliza.

quarta-feira, 19 de outubro de 2022

Atriz prova que Síndrome de Down não é páreo para talento

Tathi Piancastelli é atriz, influencer e dramaturga 

sexta-feira, 26 de agosto de 2022

O que acontece quando crianças cegas brincam com as que enxergam no mato

Mayara Penina
Colaboração para Ecoa, em São Paulo (SP)

Levar crianças cegas e que enxergam para brincar juntas na natureza, esta é a proposta do projeto Natureza de Criança, que fez isso acontecer recentemente no Legado das Águas, maior reserva privada de Mata Atlântica no Brasil, situada em Miracatu (SP). Onze crianças com deficiência visual e onze crianças sem deficiência foram brincar juntas num lugar de natureza exuberante com mata densa e primária.

Partindo do princípio de que todo ser humano merece a oportunidade de experimentar novas sensações e movimentos em ambientes naturais, a criadora do projeto, Isabela Abreu, traz à tona o tema da inclusão e propõe a desmistificação de ideias preconcebidas sobre a deficiência visual na prática.

No Legado das Águas, há cachoeiras, trilhas, caiaque acessível, jardim sensorial e uma ótima estrutura para receber os visitantes, o que o torna um lugar ideal para realização de programas inclusivos.

"A natureza é palco tanto de repertório de atividades e possibilidades, quanto um palco energético, fazendo com que a troca seja muito fluida", diz Isabela.

Eu estava lá com meu filho, Joaquim Batista, de 9 anos. Joaquim não tem deficiência, tem pouco contato com crianças com deficiência e nenhum contato com crianças com deficiência visual.

Para fazer as atividades propostas, as crianças formaram duplas e Joaquim fez dupla com a Jullia Eduarda, de 11 anos.

Leia a matéria completa em uol.com.br/ecoa

quarta-feira, 3 de agosto de 2022

Maju Araújo, a modelo com Síndrome Down que está revolucionando as passarelas

Primeira modelo com Down a desfilar em Milão, a modelo brasileira supera barreiras para conquistar seu sonho

iG

Ensaios fotográficos, desfiles na passarela, viagens internacionais, palestras e comerciais: essas são apenas algumas das tarefas semanais da modelo Maju de Araújo, de apenas 19 anos. Como Síndrome de Down, a carioca desafia os padrões nas passarelas e na mídia diariamente.

Maju se destacou, em 2019, como a primeira influenciadora com síndrome de Down a desfilar na Milão Fashion Week. Além da participação na semana italiana, a jovem também integrou o escopo de modelos da São Paulo Fashion Week e da Brasil Eco Fashion Week.

Apesar da carreira da carioca só ter iniciado em sua adolescência, a moda sempre esteve presente em sua infância. “Desde os 4 anos de idade, ela ficava posando, sabe? Fazendo altas poses e pedindo para a gente apresentar ela na passarela’’, conta a mãe da influencer, Adriana de Araújo.

Por mais que a jovem manifestasse o desejo de se tornar modelo desde cedo, os custos para investir na carreira eram altos para a família, e o capacitismo nas escolas de moda agravou a situação. “Tive que falar não muitas vezes, já que algumas escolas negavam pelo simples fato dela ser uma pessoa com deficiência’’, declara.

Para a mãe, o momento de transformação foi quando Maju, com apenas 16 anos, entrou em coma por conta de uma meningite bacteriana. Depois de lutar contra a doença no hospital, a jovem só tinha um pedido quando acordou: queria se tornar uma modelo.

Foi nesse momento que Adriana percebeu que precisava atender os pedidos da filha. “Depois do coma, eu aprendi que o céu era o limite. Não me importei mais com o que as outras pessoas achariam, eu comecei a quebrar isso dentro de mim. Assim, consegui ver o caminho que a Maju iria percorrer e brilhar como profissional’’, lembra.

Assim que saiu do hospital, a carioca começou a participar de seletivas e iniciou os estudos na área. “Em 2018, ela começou a estudar e ganhou mais oportunidades. Nessa época, começamos a ajudá-la a entrar nesse mercado, que é bem difícil’’, afirma Adriana.

Maju se formou, em 2019, na School Models, maior escola de modelos de Niterói (RJ). No local, as alunas são ensinadas a posar para fotos, se comportarem diante das câmeras e desenvolvem técnicas para desfiles nacionais e internacionais.

Crescimento

A pandemia pode ter afastado as modelos das passarelas, mas foi com o isolamento que Maju ganhou notoriedade. ‘’Maju teve destaque porque foi quando a gente começou a trabalhar nas redes sociais sobre essa temática do preconceito, do capacitismo e da falta de oportunidades, né?’’.

O sucesso foi imediato. Em apenas um ano, a jovem conquistou mais de 300 mil seguidores nas redes e, com o sucesso, assinou um contrato com a agência de imagem Mynd.

Com o agenciamento, a carreira da modelo disparou, e, em junho de 2021, Maju conquistou o cargo de embaixadora da multinacional de cosméticos L’Oreal Paris. ‘’Ela conquistou tudo isso sendo ela mesma’’, comenta a mãe.


Modelo supera barreiras para conquistar seus sonhos Foto: Reprodução

No mesmo ano, a modelo também foi honrada com um grande convite: o de participar da Forbes Under 30, lista que reconhece os brasileiros mais revolucionários com menos de trinta anos de idade. ‘’Foi uma grande surpresa’’, diz Adriana. ‘’A história da Maju carrega uma representatividade importante na lista’’

‘’Essa posição na Forbes mostra que estamos no caminho certo. Também mostra que nosso trabalho é importante sim, diante de uma sociedade que precisa ser educada’’, finaliza.

sexta-feira, 29 de julho de 2022

Sucatas viram brinquedos que estimulam crianças com deficiência

Ao separar e destinar nossos resíduos com responsabilidade, nossa empresa não só contribui com a preservação do meio ambiente, mas pode ajudar a fazer a diferença na área social. Por meio de uma parceria com a Universidade de Vila Velha, estudantes de Engenharia Mecânica e Psicologia transformaram sucatas, provenientes das nossas operações, em brinquedos que contribuem com o processo de reabilitação de crianças com deficiência.

Este é um dos brinquedos criados pelos estudantes da UVV

Com as sucatas da Vale foram desenvolvidos 11 brinquedos pedagógicos doados para a APAE de Vila Velha e que serão utilizados em atividades que estimulam as habilidades sensório-motoras, de raciocínio e atenção. De acordo com a diretora pedagógica da APAE, Cláudia Moura de Santa Anna, os novos brinquedos contribuirão com o processo de ensino e aprendizagem dos usuários da instituição. “A utilização desses brinquedos contribui para o aprimoramento da coordenação motora de pessoas com deficiência e já trazem grandes resultados”, pontua.

Para Raphael Silva, um dos estudantes envolvidos no desenvolvimento dos brinquedos, o projeto é uma oportunidade de conciliar os conhecimentos adquiridos em sala de aula para uma ação que gera benefícios para a sociedade. “A nossa maior satisfação é o prazer de ajudar quem está em real necessidade e entender que a Engenharia é uma área muito extensa e extremamente útil e necessária para a sociedade”, comenta entusiasmado.
 

"Fazer a diferença pode ser simples. Só é preciso estar atento e conciliar demandas. E foi isso que fizemos por meio dessa parceria. Por meio de uma ação simples, fortalecemos um projeto de uma universidade que gera conhecimento e traz benefícios para a comunidade.” 

Mônica Avancin, analista de Relações com Comunidades da Vale

De acordo com Mônica, esta parceria é importante para demonstrar a proximidade e a disponibilidade da nossa empresa no atendimento às demandas das comunidades que estão próximas às nossas operações.
 
Fonte: Vale.com

sexta-feira, 1 de julho de 2022

Pai faz caminho na areia para ajudar filho com deficiência visual ir ao mar

O menino possui um síndrome rara que fez ele começar a perder a visão

paisefilhos.uol.com.br

Davi Lucas foi diagnosticado com uma síndrome rara que o fez começar a perder a visão quando ele tinha entre 5 e 6 anos. Hoje, com 8 anos de idade, ele precisa enfrentar alguns obstáculos pela deficiência visual e, por isso, o pai do garoto traçou uma caminho na areia para que ele pudesse chegar até o mar.

José Ricardo não queria que o filho deixasse de aproveitar o momento na praia, e, por isso, teve a ideia de fazer o caminho na areia. O vídeo do momento foi gravado pela mãe de Davi, Fabiana Maria.

 
Os pais do garoto compartilharam o vídeo, que acabou viralizando pelo gesto de amor e apoio do pai da criança. “Cuidado! Esse vídeo contém cenas fortes e que com certeza vão te fazer chorar. Estávamos na praia e o papai, José Ricardo começou a fazer esse “caminho” pra Davi…Quando ele começou eu não entendi nada, até que ele começou a falar a Davi que estava fazendo aquilo pra ele ir sozinho da nossa mesa até o mar”, escreveram na legenda.

sexta-feira, 29 de abril de 2022

Criança com deficiência ganha prótese em 3D com estampa do Capitão América

istoe.com.br

O dia de uma criança de 5 anos fã do Capitão América foi duplamente feliz nesta terça-feira (26). Isso porque ela ganhou uma prótese desenvolvida em impressora 3D de um centro universitário de Brasília (DF). Além disso, o equipamento veio estampado com cores e símbolos do seu herói favorito.

O projeto que Raphael de Oliveira Batista participou monta e próteses de mão feitas em impressoras 3D e distribui gratuitamente. A criança nasceu sem a mão esquerda devido a uma deficiência causada pela síndrome de Poland.

Larissa Cayres, responsável pelo projeto na instituição, conta que existem algumas condições para que as próteses funcionem. “Elas abrem e fecham usando a flexão do punho ou cotovelo para criar a tensão para fechar os dedos. Portanto, o indivíduo que vai recebê-las deve ter um punho ou cotovelo funcional para poder tirar o máximo proveito na utilização dos dispositivos”.

“Só com a prescrição de prótese é iniciado o processo de modelagem e impressão do dispositivo de acordo com as medidas do paciente e necessidades de adaptação. Também é feita avaliação junto a família e ao futuro usuário da prótese, explicando como é feito o uso, indicando as possibilidades e limitações”, completa.

“Ela vai me ajudar a andar de bicicleta, a escalar nos brinquedos”, conta Raphael, animado. 

quarta-feira, 13 de abril de 2022

Tênis da Nike, que pode ser calçado sem uso das mãos, chega ao Brasil

Por Monique de Carvalho para o sonoticiaboa.com.br


O tênis é vendido no Brasil por valores a partir de R$ 500 - Foto: divulgação

Em fevereiro de 2021 a Nike anunciou o lançamento do primeiro tênis “hands-free”, para que pessoas com algum tipo de deficiência pudessem ter mais acessibilidade também com calçados.

Na época, a novidade se tornou a sensação da web, mas o tênis só estava disponível nas lojas dos Estados Unidos. A notícia boa é que os brasileiros agora poderão adquirir o GO FlyEase sem precisar importá-lo!

A Nike anunciou a chegada do tênis em nosso país. Ele custa R$ 850 para adultos e R$ 500 para crianças, em média.

A inspiração

A ideia de criar um tênis para pessoas com deficiência surgiu após a empresa receber uma carta bastante comovente, de um jovem chamado Walzer.

O jovem contava que a maior dificuldade que tinha na vida era amarrar os tênis. Por ter paralisia cerebral, Walzer perdeu algumas capacidades motoras.

Ele escreveu:

Meu sonho é ir para a faculdade de minha escolha sem ter que me preocupar com alguém que vem amarrar meus tênis todos os dias. Usei tênis de basquete Nike a vida toda. Só posso usar esse tipo de tênis, porque preciso de apoio de tornozelo para andar. Aos 16 anos, sou capaz de me vestir completamente, mas meus pais ainda precisam amarrar meus sapatos. Como um adolescente que está se esforçando para se tornar totalmente autossuficiente, acho isso extremamente frustrante e, às vezes, embaraçoso”.

A carta de Walzer inspirou o designer da Nike, Tobie Hatfield, a criar um calçado que atendesse às necessidades específicas do jovem. Ele cria designs para atletas paraolímpicos e entrou em contato com o adolescente.

“Trabalhei com Matthew como faria com qualquer atleta. Foi um prazer trabalhar com ele”, disse Tobie.

Durante vários meses, o designer enviava protótipos para Walzer experimentar e dar o feedback, até que a versão final do tênis ficou pronta.

Mercado brasileiro

O Nike GO FlyEase hands-free chegou ao Brasil e pode ser adquirido nas principais lojas de tênis ou no site da própria marca.

São diversos modelos, todos com o mesmo padrão de acessibilidade – a flexibilização que “abre” o tênis para facilitar o encaixe no pé.

A Nike também informou que novos modelos e cores serão implementados no mercado ao longo dos meses.


Matthew e o designer da Nike, Tobie Hatfield Foto: Divulgação

Com informações de Nike

quarta-feira, 30 de março de 2022

A luta das mães de crianças com deficiência

O coletivo “Mães Eficientes Somos Nós” é formado por mães de crianças e adolescentes com deficiência da região da Grande Vitória e interior do estado do Espírito Santo. Em setembro de 2021, as “Mães Eficientes” ocuparam a Prefeitura do município de Serra, onde permaneceram por 32 dias até que suas reivindicações fossem atendidas pelo prefeito, que resultou em um Termo de Ajuste de Conduta (TAC) entre a prefeitura e o Ministério Público.

Hellen Guimarães – Movimento de Mulheres Olga Benario para o averdade.org.br

Foto de Fernando Madeira

ESPÍRITO SANTO | Na sociedade capitalista, recai sobre a mulher o fardo do trabalho doméstico e o de cuidado com as crianças, trabalhos não remunerados e não fornecidos pelo Estado, que somados ao trabalho formal, necessário para o sustento das famílias, resultam na tripla jornada de trabalho das mulheres. Como descrito por Alexandra Kollontai: “a mulher se esgota como consequência dessa tripla e insuportável carga que com frequência expressa com gritos de dor e lágrimas. Os cuidados e as preocupações sempre foram o destino da mulher; porém sua vida nunca foi mais desgraçada, mais desesperada que sob o sistema capitalista (…).”

Historicamente, a maternidade foi construída como o destino biológico e inquestionável da mulher. No entanto, a vivência da maternidade não é a mesma para todas as mulheres, há muitas nuances e contradições. Se para as mulheres ricas a maternidade é vista, muitas vezes, como uma experiência preciosa e gratificante, para as mulheres da classe trabalhadora, a maternidade representa mais um peso sobre seus ombros. Precisamos ainda falar sobre a vivência das mães de crianças com deficiência. A começar pelo diagnóstico de seus filhos: muitos são os relatos de abandono pelos maridos após a descoberta da condição da criança.

As mães de crianças com deficiência, na maioria dos casos, abdicam de suas vidas para se dedicarem integralmente ao cuidado dos filhos. Uma vez que o Estado não cumpre seu papel, são elas, majoritariamente, as principais e únicas responsáveis por essas crianças. Assim, deixam de lado a vida social e profissional para o trabalho exclusivo do cuidado, o que resulta em sobrecarga e solidão para essas mulheres. Lidiane Braga, integrante do coletivo “Mães Eficientes Somos Nós”, que atua no estado do Espírito Santo, e mãe de uma menina autista, relata:

“A mulher já tem uma sobrecarga por existir, mas a mulher que é mãe de uma criança com deficiência, a sobrecarga é muito maior. Cerca de 98% do nosso coletivo é formado por mulheres. São quase 400 mulheres no nosso grupo, temos só 4 ou 5 pais e, mesmo assim, são suporte. A mulher é quem vai à luta pelos direitos que são negados aos seus filhos. A maioria delas são mães solos. A sobrecarga da mãe solo é ainda maior, pois além de sustentar o lar financeiramente, porque, muitas vezes, o pai não entra com os recursos financeiros, ainda recai sobre ela a responsabilidade pela saúde, educação e todas as demandas internas desse filho com deficiência. Dependendo da deficiência, ainda precisa de um cuidado maior. E como essa mulher vai fazer tudo isso sozinha? É difícil de explicar, mas ela acaba tendo que dar conta sozinha, já que a rede de apoio mais próxima, na maioria das vezes, não existe”.

Além disso, como o trabalho de cuidado das crianças com deficiência ocupa integralmente o tempo dessas mães, elas acabam ficando impossibilitadas de trabalhar no mercado formal e a renda familiar, muitas vezes, depende do Benefício de Prestação Continuada (BPC) ou da ajuda de algum familiar. A ausência de uma rede de apoio e de serviços de atendimento a essas mães, faz com que encontrem apoio umas nas outras e na luta que travam diariamente pela garantia de direitos para seus filhos, como comenta Lidiane:

“Algumas mães têm familiares que dão um pequeno apoio, mas, na maioria dos casos, não, sendo essa mulher totalmente responsável pela criança. O coletivo acaba sendo mais do que um grupo de luta, de mães que vão em busca dos direitos dos seus filhos, mas também somos uma rede de apoio. A cada vitória de uma criança, a gente sorri junto, mas a gente também chora junto. A gente troca ideia e a gente se entende na nossa fala, porque sentimos na nossa pele exatamente o que a outra sente.”

A rotina de cuidados complexos, essenciais para a sobrevivência e desenvolvimento dessas crianças e que, em grande parte, não são fornecidos pelo Estado, combinada ao alto nível de exigências e preocupações, reflete na saúde física e mental dessas mães. A solidão do cuidado, o rompimento dos laços familiares e sociais, a sobrecarga de trabalho e a intensidade dos cuidados diários, muitas vezes associados a um cenário de pobreza ou dependência financeira, faz com que essas mães passem por recorrentes situações de exaustão física e emocional. E quem cuida dessas mulheres? Ninguém! Na maioria dos territórios, não existem políticas públicas e nem serviços de saúde em atenção a essas mães ou, quando existem, são insuficientes para atender a demanda. Como relatado por Lidiane, às mães encontram força na luta coletiva, fortalecendo uma as outras, compartilhando as dores e vitórias.

A luta por educação e saúde para as crianças com deficiência
No dia 14 de fevereiro de 2022, o coletivo “Mães Eficientes Somos Nós” ocupou o Palácio Anchieta, sede do governo do estado, em Vitória, Espírito Santo, reivindicando o direito à educação e à saúde das crianças e adolescentes com deficiência. Depois de muita luta e resistência, ficando 5 dias acampadas na porta do Palácio Anchieta, as mães foram recebidas pelo governador e pelo secretário de educação.
Como relatado pelas mães do coletivo, todos os anos as escolas se preparam para receber os estudantes, mas não há uma preocupação em receber as crianças com deficiência. Neste ano, a secretaria de educação do Espírito Santo só abriu o edital para a contratação de auxiliares de sala e cuidadores duas semanas depois do início do ano letivo. Sem esses profissionais, as crianças e adolescentes com deficiência não têm suporte necessário para permanecer em sala de aula. Lucia Mara dos Santos Martins, coordenadora do coletivo “Mães Eficientes Somos Nós”, comenta que “todos os anos é essa luta no início do ano letivo. Eu recebo ligações de várias mães todos os dias. É muito descaso com essas crianças!”

Além de terem o direito ao acesso à educação negado, as mães também lutam para que seus filhos consigam ser atendidos pelo sistema de saúde, como relata Dhesyka Rocha Vieira, mãe do Junior, que é autista moderado:

“Meu filho está há quase dois anos sem acompanhamento no neuropediatra, sem retorno. No hospital infantil está faltando esses retornos. Está sem médico para atender as crianças e, além disso, dois médicos estão afastados. Não tem médico para atender essas crianças, essa grande demanda de neuropediatra. Nossos filhos precisam de atendimento, renovação de laudo e medicação. É uma coisa muito importante para essas crianças. Muitas crianças que têm alguma medicação que não está batendo ou tá fazendo mal, precisa voltar ao médico, mas não consegue. É uma situação de muita tristeza que a gente passa, de muita dificuldade, o estado tem que ter um olhar de empatia com a gente, com a questão da saúde e educação que são questões que as mães de filhos com deficiência passam muitas dificuldades mesmo”.

Foto de Fernando Madeira

O coletivo “Mães Eficientes Somos Nós” é formado por mães de crianças e adolescentes com deficiência da região da Grande Vitória e interior do estado do Espírito Santo. Em setembro de 2021, as “Mães Eficientes” ocuparam a Prefeitura do município de Serra, onde permaneceram por 32 dias até que suas reivindicações fossem atendidas pelo prefeito, que resultou em um Termo de Ajuste de Conduta (TAC) entre a prefeitura e o Ministério Público. Apesar das vitórias conquistadas por essas mães ao longo de anos de muita luta, ainda há muito que se conquistar.

Sabemos que só a luta pode transformar a nossa realidade e, por todas as mulheres, mães e crianças, seguiremos juntas, até a vitória!

quarta-feira, 12 de janeiro de 2022

Família de criança com Down vítima de preconceito na internet quer ajudar a denunciar casos de discriminação

Pedro Zylbertajn, de 4 anos, foi chamado de 'retardado' no Instagram; Henri, pai do menino, fundou instituto para apoiar pessoas com deficiência intelectual

 
A família Zyberstajn, que mantém o Instituto Serendipidade, que apoia pessoas com deficiência intelectual Foto: Acervo pessoal

SÃO PAULO — Henri e Marina Zylberstajn abrem toda semana uma caixinha de perguntas na página do filho caçula, Pedro, o Pepo, no Instagram (@pepozylber), para responder a dúvidas de pais cujos filhos foram diagnosticados com Síndrome de Down. Nesta semana, várias pessoas perguntaram se o menino já havia sido vítima de discriminação. O casal decidiu então expor o ataque mais recente sofrido por Pepo, no último domingo (2). O perfil de Jana Oliveira, que se apresentava em sua conta no Instagram como “mãe”, respondera a um story com imagem do menino chamando-o de “retardado” e “feioso”. Henri disse ao GLOBO que não foi a primeira vez que Jana ofendeu Pepo nas redes sociais. Ela já havia chamado o menino de “macaco”.

— Não podemos ficar quietos diante de um crime de discriminação. Denunciar é nosso dever como cidadãos, empreendedores sociais e protagonistas da construção de um mundo mais plural, justo e inclusivo — afirmou Henri, que é empresário.

Leia a matéria completa em oglobo.globo.com

sexta-feira, 3 de dezembro de 2021

Nosso dia: somos totalmente capazes de estar em todos os lugares

 Clodoaldo Silva para o uol.com.br

Hoje é o Dia Internacional da Pessoa com Deficiência. Para nós, pessoas com deficiência, esse é só mais um dia de luta, com a diferença que hoje levantamos nossas bandeiras, discutimos melhor sobre temas que têm relação com nossos direitos e reconhecimento e levamos mensagens sobre nossas capacidades para a sociedade e Estado. Hoje eu quero escrever como é ser uma pessoa com deficiência no Brasil.

Quando uma mãe fica grávida, ela jamais pensa que seu filho irá nascer com deficiência. Ela projeta que o filho nasça com saúde e sem problemas. No entanto, no Brasil, segundo o último Censo do IBGE, 24,5% da população brasileira tem algum tipo de deficiência. A primeira pancada que levamos é: Não somos crianças desejadas pela nossa família.

Nascemos e o desafio está posto. Costumo dizer que nascer foi um ato de coragem nosso. Por que o mundão aqui fora não espera pela gente não. Ser criança com deficiência no Brasil é experimentar todas as negações de direitos e mais algumas que têm relação específica conosco. Ah... é experimentar a falta de oportunidades e preconceitos nas escolas e nas ruas. É vivenciar com a palavra "coitadinho" quase todos os dias.

A gente já cresce tendo que entender nossas dificuldades, gastando mais tempo para a locomoção e sob o olhar social de que somos pessoas que não deram certo. A gente entra na adolescência cheio de traumas e, quando temos muita informação, nós vamos lutar por direitos que deveriam já estar expostos.

Somos desafiados diariamente quando temos que sair de casa e enfrentamos calçadas irregulares, não temos rampas, não temos transporte decente. Às vezes ônibus que não para, motoristas de aplicativos que recusam a chamada porque estamos na cadeira de rodas ou porque temos um cão guia. Uma luta até chegar no tratamento, na escola, no hospital, na pracinha ou em um bar. Gastamos muito tempo com tudo isso, por isso sempre precisamos nos adiantar. O nosso horário reservado sempre é maior. Temos que pensar em todos os detalhes.

Em qualquer lugar que vamos, quase todas as pessoas nos olham ou melhor olham nossa deficiência aparente. A gente pode até ser bonito, estar bem vestido, dirigir um carro legal, mas a realidade que as pessoas vão olhar para nós de um jeito diferente. E a nós cabe o desafio cotidiano de lutar por mudanças estruturais para que possamos um dia ter uma sociedade mais inclusiva e acessível.

Na vida adulta, poucas são as pessoas com deficiência que chegam nas faculdades. Muitas desistiram na caminhada que é muito cansativa, outras as famílias tiveram condições e algumas chegaram lá, com muito esforço. Não dá, em hipótese alguma, deixar de lembrar do número enorme de famílias em condição de pobreza que tem uma pessoa com deficiência em casa.

As que chegaram em um lugar privilegiado nas suas carreiras, foi fruto de toda uma batalha pessoal e não de oportunidades iguais. Muitas dessas pessoas, assim como eu, conseguem entender que elas são exemplos para outros indivíduos com deficiência e investem parte do seu tempo para demonstrar para toda uma sociedade que temos que ter garantias de direitos e que somos totalmente capazes de exercer qualquer função, só basta termos as adaptações necessárias.

Os "coitadinhos" trazidos do passado devem morrer no presente e no futuro. Não podemos mais admitir que as pessoas com deficiência se escodam nas suas casas, que elas sejam contratas para termos números no mercado de trabalho e não para exercerem suas reais funções, que mesmo sendo capacitadas, elas ocupem lugares inferiores porque possuem algum tipo de deficiência. Não queremos também ser representados nos filmes, nas novelas ou nas séries por quem não tem deficiência. Queremos ser recebidos na universidade por professores que entendam as nossas necessidades para que possamos ter o mesmo rendimento que o aluno que não tem deficiência. Não queremos que as pessoas pensem que somos assexuados. Estamos cansados de causar estranheza nos outros. Esgotados ao quadrado da falta de representatividade. Somos cidadãos, pagamos impostos, giramos a economia com nossas compras.

Parem de pensar que não podemos estar nesse ou naquele lugar. O nosso lugar é onde a gente escolhe estar. Ninguém precisa nos dizer o nosso lugar, nós queremos ocupar os espaços. Não precisamos de permissão. Somos totalmente capazes de sermos famosos, esportistas, chefes, poliglotas, médicos, enfermeiros, jornalistas, atores, políticos. Coloquem, de uma vez por todas na cabeça que somos pessoas com habilidade diversas e que podemos estar no lugar que a gente quiser. Que esse Dia Internacional da Pessoa com Deficiência seja mais um dia de luta intensa e contribua muito para que a sociedade entenda os nossos verdadeiros lugares.

sexta-feira, 26 de novembro de 2021

Mães de crianças com deficiência abrem empresas e aumentam renda familiar

 Rodolfo Luis Kowalski para o bemparana.com.br

 
Claudirene França e o trabalho na sua loja de doces e bolos artesanais, O Mundo Doce da Clau (Foto: Franklin de Freitas)

Quando teve seu primeiro filho, chamado Emanoel, Claudirene França não podia imaginar o quanto sua vida mudaria.

Nos primeiros anos tudo correu normalmente. O menino, conta a mãe, apresentava alguma dificuldade quando saía de casa, mas os pais, que moravam no interior do Paraná (e hoje moram em Araucária, na Região Metropolitana de Curitiba), achavam que esse ‘estranhamento’ se devia ao fato do rapaz não ter muito contato com outras crianças. Foi quando decidiram ter mais um filho, para que Emanoel pudesse ter uma companhia.

Durante as consultas com a ginecologista antes do nascimento de Márcia, a nova criança, porém, a médica começou a perceber que o menino tinha algo de diferente. E quando ele tinha de seis para sete anos, finalmente foi diagnosticado com autismo. Uma notícia que, num primeiro momento, foi um choque.

“Quando ele foi pra escola começou a ter dificuldade de aprender, começou a ser estereotipado na sala de aula. Ele ficava de costas pros alunos na sala, não queria fazer educação física, depois começou a não querer ir pra escola e a se machucar”, recorda ela. “Com o laudo, tudo mudou. Fiquei com muito medo, porque [antes] achava que era só dificuldade, que uma hora tudo passaria.. Mas eu nem sabia o que era autismo, não conhecia. Não sabia de nada, nada”.

Para poder ajudar o filho, ela tomou uma decisão que muitas mães acabam tendo de tomar para cuidar de filhos com deficiência e acompanhá-los nas consultas médicas. Dessa forma, precisou parar de trabalhar fora de casa, uma decisão que, inevitavelmente, impactou na renda familiar e, para ajudar o marido, que vinha se desdobrando para dar conta das despesas, ela teve uma ideia.

“Quando parei de trabalhar fora de casa, pensei em fazer algo e sempre gostei de fazer bolo de chocolate, cenoura, e sempre fui elogiada. Aí teve uma Páscoa, ainda estava grávida da Márcia [segunda filha de Claudirene] e vendi bastante. Gostei de trabalhar, conversar com as pessoas, ganhar meu dinheiro”, conta a mãe.

Recomeço e novos sonhos — O sonho de Claudirere sempre foi pagar um tratamento alternativo pra o filho, mas a situação financeira fazia tudo parecer muito distante. Até que, em 2020, ela teve a oportunidade de participar do Programa Empreenda, uma iniciativa social e gratuita que empodera pessoas com deficiência e suas famílias, incentivando a autonomia e promovendo o desenvolvimento por meio do empreendedorismo gastronômico.

Com a capacitação, ofertada pela ASID Brasil em parceria com a Risotolândia, novas portas se abriram. Nascia “O Mundo Doce da Clau” (@omundodocedaclau), que vende doces e bolos artesanais, além de outros quitutes. Um negócio que deu tão certo que a família já cogita abrir uma loja física daqui algum tempo. Não bastasse, a nova rotina ainda tem ajudado o jovem Emanoel, atualmente com 11 anos, a evoluir ainda mais.

“O Emanoel me ajuda bastante. Faz entregas no condomínio, recepciona os clientes. Está conversando mais com as pessoas, me ajuda a vender. Ele se animou também, vejo que ele, até pelo curso, ele fala que era para nós. Vestiu a camisa mesmo, me ajuda a organizar a casa, tirar lixo, guardar a louça. Eu nem preciso pedir. Ele está desenvolvendo muito isso, de empatia, ver as necessidades das pessoas”, comemora Claudirene.

‘Antes de falar de venda, falamos sobre elas se conhecerem’
Coordenadora de projetos da ASID Brasil, Caroline Ferronato conta que o Programa Empreenda nasceu em 2019, após um estudo mostrar que nas famílias com deficiência é muito comum algum familiar deixar de atuar no mercado de trabalho para se dedicar a essa pessoa com necessidades especiais - o que acontece principalmente com as mães, que tem de levar o filho no médico, na escola e ainda dar uma atenção especial em casa, o que muitas vezes acaba sendo incompatível com a rotina que o mercado de trabalho exige.

“Ela larga o emprego, foca no filho e fica dependendo de benefícios do governo, da ajuda de familiares”, explica Ferronato. “O programa é uma oportunidade para essa família gerar renda, ter mais autonomia, empoderamento. Inclusive, a primeira coisa que fazemos no curso é atuar com psicólogos, trabalhar a questão de autoconhecimento mesmo. Antes de falar de venda, negociação, falamos sobre elas se conhecerem”, explica.

Via de regra, quando começam a participar do programa as mães são muito tímidas, reservadas.

Quando questionadas sobre o que são ou o que querem, por exemplo, sempre colocam os filhos na frente delas próprias, não conseguem apresentar quem realmente são. “No final do projeto, já falam o que gostam, o que fazem. Outro grande ponto é o desenvolvimento do negócio delas. Todas as mães tiveram um aumento de renda, começaram a ter acesso a bens materiais e não raro envolvem os filhos no negócio, que apresentam grande desenvolvimento intelectual, evolução do potencial”, conta a coordenadora da ASID Brasil, revelando que cerca de 40 mães já foram formadas e abriram seus negócios com o apoio do Programa Empreenda.

Compartilhando experiência e garantindo o desenvolvimento
No Programa Empreenda, a ASID Brasil é responsável pela capacitação das famílias na parte de empreendedorismo. Já o grupo Risotolândia, sediado em Araucária, ajuda na parte gastronômica, oferecendo o expertise de quem já atua há mais de 65 anos no ramo gastronômico.

“Nós temos módulos aplicados pelos nossos nutricionistas, que ensinam boas práticas de manipulação, técnicas de gastronomia. É uma questão de compartilhar o conhecimento”, afirma Kamille Dantas, gerente de RH do Grupo Risotolândia, explicando ainda porque o foco do programa, por ora, é em Araucária e no CIC, em Curitiba.

“A nossa matriz está aqui em Araucária, estamos próximos também da região do CIC, e é uma forma de devolução pra sociedade. Estamos aqui, fazemos parte desse município, somos um dos maiores empregadores dessa região, queremos contribuir”, diz, convocando ainda outros empresários e empresas a seguir esse exemplo. “Existem outras organizações com expertises diferentes e que podem contribuir. Queremos que esse exemplo possa ser replicado. Existem tantas possibilidades de negócios para fazer uma sociedade girar de forma diferente com um olhar para a inclusão.”

quarta-feira, 24 de novembro de 2021

Projeto ensina arte para jovens com Síndrome de Down de forma inclusiva

"Arte de Incluir" é uma iniciativa da ONG Associação Fortaleza Down que abrange diversos campos artísticos de jovens com e sem síndrome de Down; projeto está em atividade desde setembro

Pedro Igor/Especial para O POVO

Projeto fará parte do espetáculo "All Together Now", que teve apresentações nos dias 12, 13 e 14 de novembro(foto: Rob Simmons/Unsplash)

Uma iniciativa social em Fortaleza promove, desde setembro, um projeto para inclusão de jovens com síndrome de Down por meio da arte. O projeto “Arte de Incluir" é uma realização da ONG Associação Fortaleza Down, que conta com uma extensa programação de oficinas em artes plásticas, teatro, dança, fotografia e canto, entre outras expressões artísticas.

Com aulas práticas e teóricas, o projeto se utiliza de uma metodologia inclusiva para participação de jovens com e sem síndrome de Down. Também como parte do projeto serão realizados dois festivais de arte inclusiva, em novembro deste ano, com um espetáculo de palco, e em março do ano que vem.

Com slogan “Queremos ser felizes com música e arte!”, o projeto “Arte de Incluir” busca desenvolver o talento e as habilidades artísticas dos alunos participantes. As atividades começaram semanalmente em setembro e devem seguir até março do ano que vem Participam do projeto alunos com e sem síndrome de Down, a partir dos 15 anos. O objetivo é promover a socialização e a inclusão de todos.

Por meio de uma parceria com a escola de artes The Biz, a Associação Fortaleza Down conseguiu que o “Arte de Incluir” integrasse o espetáculo internacional "All Together Now", uma realização da Music Theatre International (MTI). A escola The Biz é associada ao MTI e é onde acontecem os cursos e oficinas do “Arte de Incluir”. A atividade é uma montagem de palco conjunta e inclusiva

60 alunos participam do evento, sendo 28 deles com síndrome de Down. “É um momento único para eles, porque além de estarem entrando em contato com a arte, eles estão se ressocializando", comenta Alessandra Costa, vice-presidente da Associação Fortaleza Down. Costa destaca também que pessoas com síndrome de Down fazem parte do grupo de risco, o que dificulta sua socialização no atual contexto de retomada das atividades.

O projeto também iniciará sua segunda fase em dezembro deste ano, quando deve ser realizada uma exposição fotográfica com trabalhos originais dos participantes das oficinas. Também um segundo festival deve ser realizado em março. A previsão é que o evento aconteça no dia 21 de Março, Dia Internacional da Síndrome de Down, de acordo com a vice-presidente da associação.

Com este projeto, Alessandra também destaca o desafio no nascimento de uma criança especial: “A partir dali, também nascem dúvidas, desafios, medos e várias outras necessidades. É aí que também vem o desejo de se unir a outras pessoas, que compartilham dos mesmos sentimentos. A troca de experiências e a ajuda mútua são de extrema importância”.

quarta-feira, 17 de novembro de 2021

Professora de SP inspira aluna cega a seguir sua mesma profissão: ‘Meus alunos têm direito a tudo’

Por Gabriel Pietro para o razoesparaacreditar.com

Há mais de dez anos, a professora Valéria Freitas da Silva Vilanova é responsável por acompanhar alunos com deficiência visual, intelectual, auditiva, entre outras, na escola onde trabalha, em Campinas (SP).

Para ela, educar é uma missão para garantir o aprendizado e a inclusão deste grupo de estudantes. Mais do que isso, ela tem inspirado os alunos, como uma menina que, aos 11 anos, deseja seguir na mesma profissão de Valéria por conta da amizade com a docente.

No Dia do Professor, comemorado no dia 15 de outubro, Valéria, 39 anos, contou ao portal G1 que ensina para 39 crianças com idades entre 6 a 14 anos na Escola Municipal de Ensino Fundamental (Emef) Oziel Alves Pereira, na periferia da cidade paulista.

Para Emilly Raquel Franco, uma de suas alunas, a professora é sua referência em todos os sentidos, inclusive o profissional. Ela se diz “decidida” a seguir a profissão de Valéria, apesar da pouca idade.

Educação especial

Valéria acredita que sua boa atuação na escola funciona a partir do equilíbrio entre as esferas das famílias, da instituição de ensino e das crianças. Ela atende alunos com dificuldades de locomoção, paralisia cerebral e Transtorno do Espectro Autista (TEA).

Para que o aprendizado ocorra, todas essas engrenagens precisam caminhar juntas.

“A educação especial mudou minha vida, me fez vê-la de outra forma. Aprendi com as famílias e professores que já estavam nessa área, mas principalmente com as crianças. É lindo ver como eles têm potencial e são extremamente capazes de avançar, aprender e conquistar. Me fez acreditar ainda mais nessa profissão. Meus alunos têm direito a tudo”, explicou.

A educadora leciona para Emilly há seis anos, e conta estar cada vez impressionada com a altivez da pequena. “Minha carreira ficou completa ao ouvir isso”, destacou Valéria, sobre a vontade da aluna “em ser como ela”.

Para Maria da Cruz Pinheiro Franco Assunção, mãe de Emilly, a menina se desenvolveu muito desde que ingressou na escola, tanto nos estudos quanto nas relações de amizade. “Confio muito no trabalho da Valéria, ela é um anjo que entrou na vida da minha filha. Uma segunda mãe”, apontou.

Desenvolvimento pessoal

O processo de aprendizado de Emilly é acompanhado por Valéria desde o início do ensino fundamental. Nos últimos 6 anos, ela construiu um vínculo especial com a aluna, que agora cursa o 6º ano.

“Ela chegou no primeiro ano marcando presença e reivindicando seu espaço. Acompanhei todo o processo de alfabetização da Emilly e no começo ela não queria usar o braille. Aos poucos fomos ajudando ela com a construção de sua identidade e as adaptações.”

A menina se adaptou com relativa rapidez ao cotidiano escolar, graças em parte à boa relação com os colegas. “Alguns meses depois que chegou na escola, ela contou que onde estudava os colegas não brincavam com ela, que a discriminavam com apelidos pejorativos. E disse que gostava muito de onde estava agora porque tinha amigos que a chamavam de linda. Logo que ela chegou, comecei a chamá-la de ‘Emilinda’ e o apelido pegou entre os colegas”.

Mais do que ser uma professora, Valéria se considera uma “articuladora” que media as relações entre as crianças e seus variados graus de deficiência, criando um senso de grupo na turma.

“O preconceito não vêm com as crianças, muitas vezes é um reflexo dos adultos que estão a sua volta. Quando uma criança vê as outras acolhendo um aluno com deficiência, ela entra nesse movimento”, relatou.

quarta-feira, 10 de novembro de 2021

Inclusão como premissa

Mineiras criam marca para valorizar trabalho de portadores de necessidades especiais

Isabela Teixeira da Costa para o Estado de Minas

As amigas Anna Paula Costa e Cynthia Jaber tinham um sonho de abrir um negócio juntas, que de certa forma unisse a expertise das duas. Ana Paula é educadora, e Cynthia, representante têxtil. Depois de anos conversando, a ideia só surgiu em outubro de 2020, em meio à pandemia. Criar uma marca que usasse como matéria-prima a arte de pessoas especiais. Assim nasceu a Pim Estilo. Em 45 dias tudo estava pronto e no lançamento toda a coleção se esgotou. Um ano depois, a dupla lança a terceira coleção e o desafio é encontrar novos artistas.

A intenção de abrir um negócio juntas já existia. Em setembro de 2020, a primeira ideia era abrir uma empresa que trabalhasse com tecido de qualidade e preço acessível (expertise de Cynthia). Anna Paula, mulher de muita personalidade, sempre foi muito decidida, com estilo bem definido e muito determinada, e como compradora sempre soube o que queria. Anna Paula é psicóloga e pedagoga, começou como professora na educação infantil, no Pitágoras, e chegou ao cargo de diretora. É autora de inúmeros livros e capacitou centenas de milhares de professores em todo do país. Desde criança, sempre teve muito contato com crianças com síndrome de Down porque sua avó trabalhou com Helena Antipoff, e foi a primeira pedagoga formada no Brasil, e montou em Belo Horizonte o Instituto de Reeducação Santa Terezinha, para trabalhar com os portadores da síndrome de Down, “e todos os sábados tinha apresentação das crianças para seus pais e nós íamos. Desde pequena convivo com essas crianças. Elas são muito amorosas, algumas mais agressivas, mas me acostumei e convívio muito bem com elas desde os meus 4 anos. Quando Cynthia veio com a ideia sabíamos que queríamos uma moda de qualidade, diferente, mas ainda não sabíamos o que era”.

Leia a matéria completa em o Estado de Minas

quarta-feira, 30 de junho de 2021

Jovens com Síndrome de Down fotografam o cotidiano da pandemia

Projeto fotográfico conta com a participação de 11 jovens com Síndrome de Down no Distrito Federal e fica exposto até o dia 12 de julho no Píer 21

correiobraziliense.com.br


Projeto Galera do DIS - Clicando por aí - (crédito: Divulgação / Gi Sales Fotografia)

A exposição fotográfica ‘Pandemia: olhar plural’, em cartaz no Pier 21, faz parte do projeto ‘Galera do DIS - Clicando por aí’, parceria com a fotógrafa Gi Sales e o Diário da Inclusão Social (DIS). O objetivo do projeto é mostrar o olhar de jovens com síndrome de Down sobre o mundo por meio da fotografia.

A exposição, que vai até o dia 12 de julho, conta com 55 fotografias de 11 jovens com Síndrome de Down. As fotografias foram realizadas em saídas fotográficas realizadas com o auxílio de um grupo de fotógrafos voluntários e retratam a rotina das pessoas em meio à pandemia do novo coronavírus. Os jovens captaram imagens que valorizam os detalhes do cotidiano, como um passeio ao parque ou a prática de um exercício físico, em diversos pontos de Brasília.

O projeto conta com a colaboração da fotógrafa Girlene da Costa, mais conhecida por Gi Sales. A fotógrafa trabalha com crianças e jovens com Síndrome de Down desde 2016. Foi nessa época que ela conheceu o Diário de Inclusão Social e desde, 2017, desenvolve oficinas de fotografia com os adolescentes de forma voluntária.

“A inteligência e dinamismo dos jovens envolvidos com o DIS me fez acreditar que neles estaria um grupo maravilhoso de alunos de fotografia, tendo em vista a sensibilidade que cada um demonstrava ter”, completou.

As oficinas ocorriam durante os fins de semana, antes da pandemia, e envolviam aulas práticas e teóricas dos conceitos básicos da fotografia. A partir dos resultados e avanços, Gi Sales propôs a primeira exposição fotográfica em 2019, ‘Um olhar especial para a natureza’.

“A empolgação e resultados maravilhosos nos fizeram ousar e acreditar que mais pessoas precisavam ver nossas conquistas, afinal nossos jovens merecem ser vistos com respeito e admiração conquistados com seus esforços nas aulas”, destacou.

Além de capacitar os jovens, a fotógrafa quer estimular que este tipo de ação aumente. “A partir da divulgação da exposição, quero estimular outros profissionais da área fotográfica a formar grupos semelhantes ou fazer parte de projetos como esse. Nossos jovens possuem um potencial incomensurável no que se refere à disciplina, sensibilidade e capacidade”, acredita.

Para divulgar o trabalho e o talento dos jovens, a exposição vai se tornar itinerante, permanecendo em lugares movimentados e com maior visibilidade no Distrito Federal. Para mais informações sobre o projeto ‘Galera do DIS’, acompanhe o Instagram @galeradodis.

Confira algumas fotos:

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2021

Startup curitibana democratiza ensino online de Libras e quer capacitar 100 mil alunos

PorGazzConecta, com colaboração de Millena Prado Z | gazetadopovo.com.br

A startup Duolibras ensina Libras com foco no público ouvinte.| Foto: Duolibras/Divulgação

Como seria morar em um país onde quase ninguém compreende a sua língua? Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 10 milhões de pessoas no país têm algum grau de deficiência auditiva, de leve a severa. Foi para democratizar o ensino da Língua Brasileira de Sinais e promover a inclusão de surdos que Marcio Ballera e Manolo Torres fundaram, em 2018, a DuoLibras.

A startup curitibana oferece um curso online de Libras que mescla ensino e entretenimento, funcionando como um seriado com com 120 episódios. O curso tem duração de seis meses e certificado de conclusão. Em três anos de atuação, a startup já capacitou 2,4 mil alunos — e a meta dos empreendedores a longo prazo é chegar aos 100 mil.

Viver em um país em que poucas pessoas sabem se comunicar em Libras coloca barreiras para os surdos, que podem enfrentar isolamento social, afetivo e profissional.

Manolo Torres, também conhecido como Manolo Libras, percebeu muito cedo a existência dessa barreira, criando problemas de inclusão Quando criança, ele participou de um grupo de surdos na igreja em que frequentava. Conquistando rapidamente a fluência, passou a ajudar os colegas com deficiência em tarefas cotidianas como intérprete.

Márcio Ballera e Manolo Torres, fundadores da Duolibras. | Sony/Divulgação

Mais maduro, ao desenvolver trabalhos em startups voltadas para a capacitação de deficientes na área de tecnologia, viu que o caminho mais democrático era o inverso: pessoas com habilidades auditivas plenas, sem deficiência, deveriam se adaptar para se comunicar também com surdos.

"O foco da DuoLibras é ensinar a língua de sinais para o ouvinte. O português não é a primeira língua dos surdos. Por isso, um dos nossos objetivos é disseminar o conhecimento sobre o idioma e sobre a cultura surda", descreve o confundador Marcio Ballera.

DuoLibras no Shark Tank

Os fundadores participaram, em dezembro, da quinta temporada do Shark Tank Brasil, reality show de investimentos em startups no qual investidores avaliam as empresas através da apresentação de um pitch.

Os empresários fizeram uma proposta nada comum aos investidores: 2% da empresa em troca de 15 minutos semanais de mentoria, ao longo de seis meses, com o objetivo de alavancar o crescimento da empresa. A proposta foi aceita pelos tubarões.

A participação rendeu bons frutos à curitibana. Até setembro de 2020, o faturamento da empresa havia chegado a R$ 80 mil. Após a exibição do episódio, a DuoLibras faturou metade desse valor em apenas um mês.

Para o futuro, a ideia da startup é expandir o mercado e atingir novos públicos. Atuando hoje no modelo B2C (Business to Consumer), direto ao consumidor, a ideia é expandir o serviço para vendê-lo para empresas como forma de treinamento para funcionários. “Focar também no B2B (Business to Business) é uma forma de escalar agressivamente e inserir a cultura da Libras dentro das empresas”, conta Ballera.

A DuoLibras também já testa a operação adaptada para franquias de ensino expandindo a atuação e o número de alunos. As duas novas frentes de atuação estão em negociação com futuros clientes. “Queremos ser referência e dar visibilidade à língua de sinais. Mostramos que é possível ter um negocio rentável e socialmente impactante”, finaliza Marcio.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2021

Humor e crítica pela inclusão da pessoa com deficiência

O cartunista capixaba Ricardo Ferraz retrata em seus desenhos situações do cotidiano para chamar atenção sobre preconceito e falta de efetividade nas políticas inclusivas


Ramon Barros para o jornalfato.com.br
 
 

O capixaba Ricardo Ferraz, um dos maiores cartunistas do Brasil, contraiu poliomielite aos cinco anos de idade e, por conta disso, teve comprometimento dos membros inferiores. A doença o levou a viver uma infância praticamente sem contato com outras crianças e, nessa época, achou na arte um refúgio, além de usá-la como terapia para se distrair da dor das injeções aplicadas pelo pai. Foi rabiscando com carvão as embalagens de pão que Ricardo descobriu a vocação para as ilustrações.

A experiência pessoal e a observação da realidade de pessoas que, assim como ele, possuem algum tipo de deficiência, fizeram com que Ferraz se tornasse um ativista da causa. O cartunista foi um dos fundadores da Associação Capixaba de Pessoas com Deficiência (ACPD) na década de 1980.

Sua atuação mais marcante é por meio dos cartuns que normalmente expressam situações do dia a dia revelando as barreiras físicas e o preconceito que ainda impedem o pleno acesso de pessoas com deficiência aos direitos sociais, econômicos e políticos, por exemplo. Ricardo lembra que foi o primeiro de sua profissão no país a retratar o preconceito com as pessoas com deficiência.

"É importante refletirmos sobre o convívio harmônico com as diferenças. Somos movidos pela nossa autoestima e, quando somos vítimas de preconceito, infelizmente fere o nosso direito de viver. É preciso abrir um debate na sociedade, um conjunto de ações, na qual haja uma convivência com as diferenças, sem preconceito" ressalta Ricardo Ferraz.

Trajetória

As ilustrações com cunho inclusivo foram veiculadas, inicialmente, em Cachoeiro de Itapemirim, cidade no sul do Espírito Santo onde Ricardo Ferraz nasceu e reside. "Fiquei perplexo com aquela situação. Eu já trabalhava com cartum no jornal da Prefeitura de Cachoeiro de Itapemirim abordando diversos temas e, então, quis denunciar essa realidade. Fui o primeiro cartunista brasileiro a abordar de forma crítica e humorada as realidades das pessoas com deficiência. Através do cartum abordava as barreiras arquitetônicas, os preconceitos, tudo isso numa época em que não se falava de acessibilidade", explica.

Veja na galeria de imagens mais cartuns de Ricardo Ferraz

Um dos impulsos para divulgação em âmbito nacional de seu trabalho veio em 2001, quando a Rede Globo promoveu um concurso voltado para cartunistas profissionais e amadores. O concurso selecionou os melhores trabalhos para as vinhetas eletrônicas usadas nos intervalos da programação. "Eu na época como amador pensei que não custava nada sonhar, ver meu trabalho na Rede Globo. Fui escolhido entre os outros, me tornando o primeiro capixaba a ter um trabalho selecionado pela emissora. E foi a primeira vinheta temática falando de acessibilidade". O concurso se repetiu por sete edições, Ricardo ganhou quatro delas.

Seus trabalhos também foram exibidos na programação do SBT, na campanha Teleton, promovida pela emissora em prol da Associação de Assistência à Criança Deficiente (AACD). Hoje sua obra está presente em jornais e revistas do Brasil e outros países da América do Sul, África do Sul, Europa, Canadá e Estados Unidos. O trabalho do cartunista também é apresentado nas exposições sobre acessibilidade promovidas pela Organização das Nações Unidas (ONU).

Publicações e exposição

O trabalho reconhecido nacionalmente e internacionalmente hoje faz parte de palestras e livros didáticos. Um deles é o livro Visão e Revisão. Conceito e Pré-Conceito, que reúne cartuns feitos por Ricardo entre 1981 e 2000. O livro, que está na terceira edição, foi lançado em 2000, no XIX Congresso Mundial da Reabilitação Internacional, realizado no Rio de Janeiro. O nome da publicação é o mesmo da exposição itinerante que já percorreu várias partes do Brasil e do exterior, levando até o público, com pitadas de humor e crítica, as dificuldades enfrentadas pelas pessoas com deficiência. Outra publicação de Ferraz é o livro Bulliyng, vamos combater esse mal pela raiz?, que aborda a perspectiva da educação inclusiva.

"Fico muito feliz de saber que esses desenhos, que foram ferramentas de denúncias na década de 1980, hoje estão tendo essa utilidade neste debate permanente falando sobre cidadania. E os livros didáticos utilizam esses cartuns para provocar essa reflexão. É um tema que passa necessariamente pela educação de qualidade. Meu maior prêmio é saber que meu trabalho está dando essa contribuição".