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quarta-feira, 11 de janeiro de 2023

O que vem depois de revogado o ‘decreto da exclusão’?

A luta por uma educação inclusiva só acaba quando não houver nenhuma referência ao “tipo de gente” que pode acessar esse direito básico

Por Mariana Rosa

A primeira vez de minha filha Alice na escola, seis anos atrás, foi também a minha primeira vez. Lembro do medo e da insegurança descalibrados, turvando as emoções daquele momento que deveria ser, sobretudo, de celebração. Afinal, uma nova etapa da vida se iniciava, e a escola era a promessa de ampliação de nossos contornos, até então restritos ao núcleo familiar. Ocorre que, quando criança, na década de 1980, não convivi com nenhum estudante com deficiência, e essa realidade permaneceu inalterada até o ensino superior. Alice não se comunica oralmente, tem limitações motoras, usa cadeira de rodas, precisa de apoio e mediação para todas as atividades cotidianas. Tal condição simplesmente não fazia parte do meu repertório de mundo antes de me tornar sua mãe. 

Foi preciso mais do que afeto para entender que a escola era lugar para ela. Teve pesquisa, estudos e convivência com pessoas com deficiência, um percurso que buscou reparar a experiência que me havia sido negada até ali. Ao longo desse processo, eu também me tornei uma mulher com deficiência, o que adicionou novas perspectivas para compor a compreensão que deveria estar instalada por princípio: 

“Todo ser humano tem direito à Educação e a escola é lugar para todas as pessoas, indiscriminadamente”

Foram seis negativas de matrícula. Seis “nãos”. “Não trabalhamos com esse tipo de criança”, “não tem vaga”, “pra que matricular se ela não vai aprender?”, “aqui não é lugar pra ela”… e por aí vai. Minha filha, quando se lança ao encontro do mundo, é tomada como um “tipo de criança” tão exótica que é afastada de sua condição humana e, consequentemente, dos portões de entrada da escola comum. Lembro que nada na conversa de apresentação de uma das escolas que visitei me dava pistas de que aquele era um lugar para ela: “aqui é o espaço para as crianças correrem pra todo lado, ali é o muro pra escalar, aqui as crianças mais falantes fazem a festa”…, dizia a coordenadora pedagógica.

Leia a matéria completa em lunetas.com.br

sexta-feira, 6 de janeiro de 2023

Ato de Lula põe fim à insegurança jurídica de alunos com deficiência, diz especialista

Presidente revogou política de Bolsonaro que era usada por escolas e prefeituras para negar matrícula a essas crianças

Isabela Palhares para a folha.uol.com.br
 
SÃO PAULO
 

O presidente Lula discursa no Palácio do Planalto ao lado de Janja, Geraldo Alckmin (PSB) e Lu Alckmin

Medida do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pode colocar fim à insegurança jurídica criada a alunos com deficiência para terem acesso ao direito à escola regular ao revogar a política de educação inclusiva do governo Jair Bolsonaro (PL).

O decreto, assinado por Lula ao tomar posse no domingo (1º), revogou medidas que permitiam a escolas e prefeituras segregar e dificultar o acesso de pessoas com deficiência ao ensino regular.

Em setembro de 2020, Bolsonaro instituiu a Política Nacional de Educação Especial, que incentivava a criação de escolas e classes especializadas para pessoas com deficiência. A política foi suspensa em dezembro daquele ano pelo ministro Dias Toffoli, do STF (Supremo Tribunal Federal), mas ainda assim era usada por escolas e redes de ensino que recusavam a matrícula desses alunos.

"A política, mesmo suspensa, dava embasamento e era usada por escolas que não queriam ensinar a crianças com deficiência. Foi uma política que deu liberdade para escolas dizerem que nossos filhos não eram bem-vindos naquele espaço", afirma Liege Schmitt, 45.

Leia a matéria completa na folha.uol.com.br

quarta-feira, 4 de janeiro de 2023

Adaptação de materiais para crianças com deficiência visual

Alunos com deficiência visual têm problemas de acesso ao conteúdo escolar. Portanto, os materiais devem ser adaptados às suas necessidades

soumamae.com.br

Na escola, os materiais para crianças com deficiência visual devem ser adaptados para que elas possam ter acesso ao currículo escolar e aos conteúdos de aprendizagem. Esta é uma medida básica para atender às necessidades específicas de suporte educacional de alunos com problemas visuais significativos.

“Só porque um homem não usa os olhos, não significa que ele não tenha visão.”

-Stevie Wonder-

Encontram-se no mercado diversos materiais com facilidade de adaptação para fornecer o essencial: informação táctil com texturas, peso, etc., bem como informação auditiva e visual, neste caso com cores fortes ou contrastes para alunos com baixa visão.

Por outro lado, as novas tecnologias, inclusive as digitais, são um universo em expansão de possibilidades de acesso e inclusão. Faz parte do que se conhece como Tiflotecnologia (do grego ‘tiflo’, que significa cego), um conjunto de técnicas e estratégias por meio das quais “procedimentos e técnicas são adaptados para uso posterior pelo grupo de cegos”.

O que é a deficiência visual?

A deficiência visual refere-se à presença de deficiências funcionais significativas quando se trata de ver. Ou seja, esse conceito engloba diversos tipos de problemas visuais graves. Assim, de acordo com Natalie Barraga, uma distinção pode ser feita entre:

  • Cegueira total: a visão só permite perceber a luz.
  • Cegueira parcial: a pouca visão que se tem permite apenas perceber vultos.
  • Baixa visão: existem deficiências significativas relacionadas à acuidade visual, mas os objetos podem ser vistos a poucos centímetros de distância. Portanto, adaptações são necessárias para poder realizar diversas atividades da vida diária.
  • Visão limítrofe: o déficit visual não é excessivamente grave. Portanto, a pessoa não fica incapacitada para realizar as atividades do dia a dia, embora às vezes sejam necessárias adaptações simples para poder realizar algumas delas.

Adaptação de materiais para crianças com deficiência visual

As crianças com deficiência visual precisam ter materiais escolares adaptados às suas necessidades educacionais especiais, para garantir acesso e reprodução adequados das informações que devem aprender. Essas adaptações podem ser realizadas por meio de diversos recursos, como:

  • Ampliação.
  • Gravação.
  • Sistema braile.
  • Relevo.

Ampliação

A ampliação consiste em aumentar o tamanho do documento para facilitar o acesso a um determinado material, de forma que sua apresentação fique clara, com bom contraste e com tamanho de fonte não muito grande.

Essa técnica é usada apenas em casos específicos, pois é melhor usar as possibilidades de adaptação do computador, colocando uma letra mais legível para crianças com problemas de visão e suprimindo os fundos e contrastes ruins.

Gravação

As gravações são uma boa maneira de levar informações a alunos com deficiência visual. Trata-se, portanto, de transcrever oralmente os materiais para que os pequenos possam acessá-los pela via auditiva.

Embora o principal problema desse método seja que nem tudo pode ser registrado, como os conteúdos de matemática, física, química, etc.

Sistema braile

O braille é um sistema de pontos em relevo que se baseia na combinação de seis pontos distribuídos em uma pequena célula. Nesse caso, os materiais devem ser transcritos e adaptados para que possam ser percebidos pelo tato.

Mas nem sempre tudo pode ser adaptado, então a decisão de usá-lo ou não vai depender do tipo de informação ou do exercício. Além disso, para utilizar esta ferramenta, é necessário que a criança domine e conheça o braile.

Ilustrações em relevo

Outra forma de adequar o material para crianças com deficiência visual é por meio do uso de ilustrações em relevo para que o aluno, por meio do tato, tenha uma imagem global das informações.

Para realizar esta adaptação corretamente, uma série de considerações deve ser levada em conta:

  • Tamanho: deve ser abarcável entre as duas mãos, abrangendo toda a informação e podendo discriminá-la facilmente.
  • Simplicidade: tem que ser monotemático e com diferentes texturas e alturas.

Outras adaptações necessárias

Além de adequar os materiais escritos, também é necessário adequar o ambiente, por isso uma série de medidas devem ser tomadas quanto às mudanças físicas na sala de aula e na escola, como:

  • Ter uma mesa com espaço suficiente para manusear o material específico.
  • Organizar os elementos de forma fixa e estável e avisar em caso de alterações.
  • Eliminar obstáculos e barreiras arquitetônicas que impeçam a acessibilidade.
  • Fornecer iluminação adequada.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2022

Focado na inclusão, Bosque Encantado do Natal é inaugurado

O Bosque Encantado de Natal tem neste ano o Caminho Sensorial; nele, contém vários objetos estimulantes para crianças com autismo e outras deficiências

Com uma linda iluminação natalina e fogos silenciosos, o aguardado Bosque Encantado do Natal foi aberto ao público na última sexta-feira (16) no Parque Isaac Cardoso Filho, em Terenos, Mato Grosso do Sul. O espaço tem por finalidade mostrar que é possível todos vivenciarem a magia natalina.

Caminho Sensorial do Bosque Encantado de Natal de Terenos. (Foto: Lorena Segala)

Iniciativa da Prefeitura de Terenos, o Bosque segue funcionando até o dia 23 deste mês e conta com a Casa do Papai Noel, Árvore dos Desejos, presépio, apresentações, shows culturais e praça de alimentação com comidas típicas. Em parceria com a Associação Comercial de Terenos, parte das bebidas vendidas no local será revertida a Pestalozzi e ao Lar dos Idosos São Vicente de Paula.

Ao acender as luzes do Bosque Encantado do Natal, o prefeito Henrique Budke citou a necessidade de sempre estar aprendendo. “Muitas vezes achamos que já sabemos tudo, mas não é verdade, e é por isso que a gente precisa procurar, pesquisar, aprender e levar isso para a população”.

Foto: Assessoria de imprensa

“Eu tenho um sobrinho que tem deficiência visual, e ele sempre falava o que sentia. Passando por aqui, por esse Caminho Sensorial, tendo a explicação do guia, tendo as sensações da audição, visão foi esclarecedor  porque agora eu tenho uma outra percepção e com certeza vou tomar mais cuidado, terei um novo olhar sobre isso”, disse Rodrigo Tanja, técnico em segurança do trabalho, que esteve no primeiro dia.

Representando a Banda Down Rítimica da Escola Juliano Varela, Jardel Souza, ressaltou a importância da inclusão. “O que acontece aqui é uma quebra de paradigmas porque vemos de fato  a inclusão e a acessibilidade”.


Bosque Encantado de Natal. (Foto: Lorena Segala)

A vice-presidente da Associação de Pais e Amigos dos Autistas (AMA), Flavia Caloni, que participou da abertura do Bosque Encantado de Natal,  falou da felicidade de terem sido procurados pela Prefeitura de Terenos para auxiliarem no projeto. “O Caminho Sensorial é algo inédito que nuca vimos em nenhum lugar do país, e por isso temos muito orgulho de participar de fazer parte do início dessa iniciativa. Que outros municípios vejam em Terenos um exemplo para eles”.

Fontes: primeirapagina.com.br / enfoquems.com.br

quarta-feira, 14 de dezembro de 2022

Onde estão as crianças com deficiência?

Não estamos dando condições para que essas crianças viva a infância em sua plenitude e com todos os direitos que deveriam ter

Nathalia Santos para terra.com.br


Perto da sua casa, tem alguma praça com brinquedos que uma criança com deficiência física consiga brincar? Foto: Reprodução/iStock

Se já é difícil encontrarmos adultos com deficiência ocupando os diversos ambientes e espaços em nossa sociedade, mesmo hoje em dia em que não deixamos de frequentar esses lugares, ainda que nossos corpos e necessidades não sejam considerados e nem pensados, imagina com nossas crianças.

Perto da sua casa, tem alguma praça com brinquedos que uma criança com deficiência física consiga brincar? Piso tátil fazendo o caminho até os brinquedos? O shopping que você frequenta tem algum espaço que contemple a diversidade e a necessidade comunicacional e/ou física das crianças com deficiência? Caso tenha filhos, a escola em que ele estuda, seja pública ou particular, tem alguma política de acolhimento de nossas crianças com deficiência? E o espaço físico, contempla as necessidades arquitetônicas necessárias? Você deixa seu filho se aproximar de crianças com deficiência quando as encontra ou fica constrangida (o) e puxa ele para que não se aproxime? O que você faz quando vê uma criança com deficiência na rua? Aponta? Sente pena? Vira a cara? Fala com acompanhante delas e não se dirige a elas?

A maior parte dessas respostas serve como indicativo dos muitos porquês não encontrarmos nossas crianças ocupando determinados espaços e, mais do que isso, vivendo a infância em sua plenitude e com todos os direitos que todas as crianças deveriam ter.

Eu poderia nessa coluna listar todas as leis que nos protegem, todos os institutos e citar todos os nossos direitos. Poderia também trazer diversos dados e informações que comprovem tudo o que falei/perguntei acima. Mas, hoje, quero salientar a precisão de termos a intenção de trazer para a roda nossas crianças.

Não se incomodar, minimamente, com a ausência de crianças em todos esses ambientes antes mencionados é muito sintomático e, certamente, continuará levando a consequências muito tristes e sem mudanças significativas do que já temos hoje em dia com nossos adultos com deficiência.

Todos nós temos o poder de mudar um pouco essa realidade. Nossa sociedade é formada por diversos indivíduos e esses indivíduos somos nós, logo, cabe a nós ter a intenção de mudar essa realidade. Seja com uma virada de pensamento, um questionamento, uma decisão que contemple crianças diversas, cada um sabe aquilo que lhe cabe e que está ao seu alcance.

Para terminar, deixo o seguinte questionamento:  Será que nossas crianças com deficiência não estão nos lugares por que não são acessíveis ou será que os lugares não são acessíveis por que não temos crianças com deficiência?

sexta-feira, 9 de dezembro de 2022

Como o design e a arquitetura promovem a inclusão de pessoas com deficiência

Por Ana Sachs para revistacasaejardim.globo.com
 

Mesa adaptada para acomodar uma cadeira de rodas da coleção da Pottery Barns Pottery Barns / Divulgação

Das calçadas esburacadas e sem rampas de acesso aos lugares cheios de desníveis e sem sinalização em braile. O mundo parece um lugar complicado para cegos, surdos, cadeirantes ou para quem precisa andar com algum tipo de apoio, como muletas e bengalas. Se na rua tudo é meio perigoso e difícil para as pessoas com deficiência física, em casa, a arquitetura e o design podem tornar os ambientes menos hostis.

Viver com autonomia é importante para o bem-estar e autoestima das pessoas portadoras de necessidades especiais. Ninguém quer depender de outro indivíduo para realizar tarefas simples, como escovar os dentes, simplesmente por não alcançar a pia. Esse é um público com necessidades específicas – e também dificuldades e limitações diferentes.


Na Pottery Barns, a tradicional cama hospitalar ganhou versões mais modernas — Foto: Pottery Barns / Divulgação

"O mobiliário ideal é aquele com apoios adequados, que permite fazer a transferência do cadeirante para ele e vice-versa. São também mesas e bancadas em que a pessoa consiga se aproximar com a cadeira de rodas, que as pernas não batam nos móveis e com alturas condizentes para que ela consiga desempenhar suas atividades", explica o engenheiro Norton Mello, especialista em Healthcare Management e diretor da BIOENG Projetos.

Gigantes do varejo já notaram esse nicho ainda pouco explorado, mas com muito potencial. Há no mercado uma imensa escassez de peças para a casa que atendam às pessoas com deficiência. É como querer comprar uma cadeira de adulto para um quarto de criança pequena: simplesmente não funcionará.

Leia a matéria completa em revistacasaejardim.globo.com

quarta-feira, 30 de novembro de 2022

Como tornar sua empresa acessível para funcionários com deficiência

 

As políticas de trabalho remoto após a pandemia têm ajudado os americanos com deficiência a encontrar emprego como nunca antes. O que as empresas podem fazer para desenvolver essa mão de obra?

Por Molly Smith, da Bloomberg Businessweek / exame.com

O trabalho remoto permite que indivíduos com deficiência evitem o incômodo de se deslocar enquanto cuidam das necessidades corporais na privacidade de sua casa (Bloomberg Businessweek/BLOOMBERG BUSINESSWEEK)[/caption]

trabalho remoto tem ajudado os americanos com deficiência a encontrar emprego como nunca antes. Um recorde de 5,9 milhões de homens e mulheres deficientes com idades entre 16 e 64 anos foram admitidos em outubro, de acordo com a Secretaria de Estatísticas Trabalhistas dos Estados Unidos — um crescimento de quase 25% em relação a fevereiro de 2020, antes do início da pandemia.

Os defensores da causa esperam que pessoas com deficiência continuem a encontrar oportunidades de trabalho, mesmo quando os gestores trazem suas equipes de volta ao escritório. Para os empregadores, pessoas com deficiência preencheram papéis essenciais e ajudaram a diversificar sua força de trabalho.

Aqui estão oito maneiras de garantir que sua empresa seja inclusiva e acessível:

Criar descrições de cargos muito claras

Uma pessoa realmente precisa ser capaz de levantar 20 quilos para fazer um determinado trabalho? Ou ter carteira de motorista? Algumas qualificações listadas nas descrições de cargos podem ser inerentemente excludentes para pessoas com deficiência.

A listagem de requisitos em linguagem simples e aberta pode aumentar suas oportunidades de contratar uma força de trabalho diversificada, diz Diane Winiarski, diretora da Allsup Employment Services, especializada em ajudar pessoas com deficiência a voltar ao mercado de trabalho. E ao comunicar claramente que sua empresa está habituada a  oferecer locais de trabalho de acordo com a Lei dos Americanos com Deficiência (ADA), isso trará ainda mais candidatos, diz ela.

Investir em tecnologia

À medida que os locais de trabalho se tornam mais digitais, a tecnologia é mais importante do que nunca para conectar os trabalhadores. Um funcionário com deficiência visual pode precisar de um software que leia em voz alta o que está na tela. Para aqueles com dificuldade de audição, as legendas durante as videochamadas podem ser especialmente úteis.

Estar acessível às mudanças

A ADA exige que os empregadores forneçam “razoável acomodação” para que um indivíduo com deficiência não apenas tenha oportunidades iguais de conseguir um emprego, como também possa executar com sucesso as tarefas necessárias na mesma medida que as pessoas sem deficiência.

Isso pode representar uma modificação em algum trabalho, no ambiente de trabalho ou na maneira como as coisas geralmente são feitas durante o processo de contratação. A transmissão clara desta política pode encorajar candidatos a se apresentarem para empregos e pode capacitar os funcionários que, de outra forma, hesitariam em solicitar uma adaptação para o local de trabalho.

Muitas estações de trabalho para pessoas deficientes, como determinados softwares ou equipamentos de mesa ergonômicos, custam relativamente pouco aos empregadores.

Criar grupos de recursos de funcionários (GRF)

Os GRFs são grupos voluntários liderados por funcionários que promovem a diversidade no local de trabalho, além de aumentar o senso de orgulho e comunidade. Esses grupos também podem defender mudanças e comunicar questões e ideias pertinentes aos níveis mais altos de gerenciamento de uma organização.

Isso pode ajudar a criar mensagens sobre inclusão e garantir que os procedimentos de tecnologia e recursos humanos sejam totalmente acessíveis, diz Arielle Silverman, diretora de pesquisa da Fundação Americana para Cegos.

Os painéis são outra ferramenta útil para permitir que as pessoas compartilhem histórias, diz Joy Canonigo, diretora de diversidade, equidade e inclusão da Discover Financial Services.

“Quando líderes tem a possibilidade de compartilhar que podem ter uma identidade invisível, isso abre uma conversa para que outras pessoas compartilhem que fazem parte da comunidade”, diz Canonigo, que é disléxica e mãe de uma criança autista.

Ampliar as opções de trabalho flexível

O trabalho remoto permite que indivíduos com deficiência evitem o incômodo de se deslocar enquanto cuidam das necessidades corporais na privacidade de sua casa. E horários flexíveis podem liberar tempo para chegar às necessárias consultas médicas. É importante estender essas opções a todos os trabalhadores, não apenas aos portadores de  deficiência, diz Winiarski. “Eles não estão querendo tratamento especial”, diz ela.

Treinar e educar funcionários

Isso pode incluir medidas contra o assédio; e treinamento conforme a Lei de Responsabilidade de Seguro de Portabilidade no Trabalho de 1996 (HIPAA), bem como ensinar os funcionários sobre novos tipos de tecnologia.

Lembrar de que o treinamento também precisa ser acessível, o que pode incluir a descrição verbal de uma tabela ou gráfico para alguém cego.

Às vezes, chamar os gestores para a ação desde o início pode ser ainda mais eficaz do que treinar — por exemplo, criar um desafio para que eles tomem decisões mais justas, diz Canonigo. “Especialmente para líderes, pois estes têm uma natureza e espírito competitivos”, diz ela. “São pequenos atos e não um grande gesto grandioso, que fazem as pessoas se sentirem parte de um todo.”

Comunicar o compromisso de cima para baixo

Criar um local de trabalho inclusivo e acessível não é apenas uma responsabilidade do RH ou de um especialista em diversidade e inclusão, diz Karthik Murali, chefe de saúde pública do Akido Labs, uma rede médica habilitada para tecnologia. “A iniciativa deve partir de todos os líderes da empresa”, diz Murali. “Isso é fundamental para que o sistema mude.”

Chamar os especialistas

Seja entrando em contato com um consultor de acessibilidade ou conectando-se à Rede de Locais de Trabalho para Pessoas com Deficiência, muitos recursos públicos e privados estão disponíveis. Isso se aplica a empregadores, candidatos a emprego e empregados.

Várias empresas também contratam recrutadores especializados para buscar, integrar e reter diversos talentos.

Tradução de Anna Maria Dalle Luche.

quarta-feira, 23 de novembro de 2022

Pedagoga fala sobre estratégias de ensino para crianças com deficiência intelectual

Danúbia Silvestre explica que adaptar práticas pedagógicas e trabalhar o emocional é essencial

Por Lucas França com Tribuna Independente

A inclusão de crianças com necessidades especiais na escola é um direito já garantido por lei. Mas muita gente acredita que o aluno com deficiência intelectual (DI) não é capaz de aprender. Porém a pedagoga Danúbia Silvestre afirma que isso não é verdade. Ela ressalta que há estratégias de ensino que facilitam a aprendizagem desses alunos.

“Mesmo que esses alunos tenham atrasos cognitivos, eles são capazes de aprender, desde que a escola e os professores considerem suas dificuldades. Existem práticas pedagógicas que possibilitam maior interação trabalhando o emocional e mostrando que são capazes – podem até demorar mais para aprender e se alfabetizar do que outras crianças da mesma idade, no entanto elas precisam estar nesse espaço de ensino para se desenvolver”, comenta Danúbia Silvestre.

De acordo com a pedagoga, as crianças com deficiência intelectual têm dificuldades nas interações por não compreendem bem os códigos sociais.

“Um fato que chamamos a atenção é que, na maioria das vezes, essas crianças são muito dependentes dos pais ou de pessoas adultas que lhe ajudam a decifrar os sinais sociais. Mas cabe ressaltar que deficiência intelectual não é uma doença – e, por isso, não tem cura e sim níveis. É uma condição que pode ter diferentes causas. Ou seja, a escola e o professor devem inserir práticas para as diferentes necessidades desses alunos. E o trabalho multidisciplinar, com apoio do corpo escolar e contato direto com a família, é essencial”, ressalta a pedagoga.

Para Silvestre, um desafio na educação é justamente incluir esses alunos nas escolas regulares.

“Infelizmente ainda existe preconceito por parte da comunidade escolar e, às vezes, na verdade, a própria família dessas crianças, no intuito de proteger, acaba atrasando ainda mais o aprendizado que elas podem adquirir dentro de uma sala de aula e também o contato com outros estudantes. Há desafios que precisam ser superados. Muitas escolas acabam limitando ou até não aceitando esses alunos, infelizmente faltam meios e projetos pedagógicos, pois a inclusão de alunos com deficiência intelectual requer adaptações curriculares, ou mesmo das práticas pedagógicas para que seja efetiva”, pontua.

Danúbia afirma que é essencial desenvolver um plano de aula que considere as características do aluno. “Qualquer criança, com DI ou não, consegue aprender melhor quando encontra significado no que está sendo ensinado’’.

quarta-feira, 16 de novembro de 2022

'Um ano na fila': crianças com deficiência enfrentam falta de vagas ou longa espera por matrícula

Oferta de profissional de apoio e de plano individual é prevista em lei

Theyse Viana para o diariodonordeste

Cerca de um ano. Esse é o tempo que a zeladora Anne Soares, 32, já aguarda na fila por uma vaga em creche pública para o filho José Kael, 3. Para o menino autista, cada semana sem interação com outras crianças e sem educação especializada é sinônimo de perda – realidade que diversas famílias relatam enfrentar em Fortaleza.

Diário do Nordeste conversou com mães de crianças com deficiência que precisam não só da vaga, mas de profissionais de apoio escolar e do chamado Atendimento Educacional Especializado (AEE), mas encontram dificuldades para efetivar as matrículas e o direito.

Anne é uma delas.

“O Kael é hiperativo, agressivo, tem horas que ele fica muito agitado, sobe nas coisas, quebra. A médica queria que ele interagisse com outras crianças, mas ele já vai fazer 4 anos e não consigo vaga na creche”, desabafa a mãe.

 Falaram que ele tá na fila de espera, e se um garotinho desistir da vaga, colocam ele. Fui em outra creche, não tinha vaga. Eu disse que meu menino é autista, que tá precisando interagir com coleguinhas, mas já tá com mais de ano que ele tá nessa fila - ANNE SOARES, Zeladora

A realidade se repete para a dona de casa Mercedes dos Santos, 39, que tem o problema triplicado: três dos filhos são hiperativos e autistas, mas, segundo ela, não contam com acompanhamento especializado na escola. “Nunca foi falado nada disso”, confessa.

“Minha menina já tem 2 anos, desde 1 ano que tento vaga na creche, e nada. Tá na fila de espera, me ligaram e disseram que só ia ter vaga pra 2023”, conta Mercedes, frisando, ainda, outro problema que atinge os dois filhos mais velhos, de 7 e 9 anos.

Consegui vaga pros mais velhos, mas num colégio que é mais longe de casa. No mais perto não tinha. Tem dias que eles nem vão, porque são asmáticos e se cansam fácil - MERCEDES DOS SANTOS, Dona de casa

Em setembro deste ano, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu que o Estado tem o dever constitucional de garantir o direito à creche e escola para a educação infantil – os municípios, assim, não podem negar matrícula alegando indisponibilidade de vagas. Os pais podem recorrer à Justiça em caso de negativa.

Leia a matéria completa em diariodonordeste.verdesmares.com.br 

sexta-feira, 11 de novembro de 2022

Quando a escola se adapta às crianças que precisam de atenção especial

Polos de Atendimento Educacional Especializado (AEE) reforçam, no contraturno, a educação especial

 

ração com as crianças é algo natural e ela aprende muito; ao mesmo tempo em que nos ensina. Agradeço à Prefeitura por todo apoio educacional para o desenvolvimento da Marina”, citou Glaci Vieira Cascaes Frederico.

Além das aulas regulares, Marina frequenta também o Atendimento Educacional Especializado (AEE). São 18 polos na rede municipal de ensino para disponibilizar, no contraturno escolar, suporte às crianças e aos estudantes público da educação especial.  “No AEE, identificamos as necessidades de cada aluno e elaboramos e organizamos recursos pedagógicos para o desenvolvimento deles”, citou a professora do polo AEE da EBM Albertina Krummel Maciel, Márcia Godinho Sandri.

Os serviços do AEE são voltados para alunos com deficiência intelectual, visual, auditiva, Transtorno do Espectro Autista (TEA) e estudantes com altas habilidades/superdotação. Atualmente, 420 crianças e estudantes frequentam o AEE em São José.

Atividades lúdicas que favoreçam as habilidades cognitivas, funções executivas, a atenção, a concentração e a memorização são exemplos de atividades desenvolvidas no AEE. João Vitor da Rosa Barbosa, de 12 anos, conta que adora o AEE. “Aqui eu brinco de quebra-cabeça, massinha, jogos. Até lembro a minha mãe no dia que tem Márcia”, opinou o jovem, diagnosticado com TEA.

Atuação além do assessoramento estudantil

Profissionais especializados com formação em Pedagogia e complementação em Educação Especial coordenam os trabalhos nos polos do AEE. Esses profissionais orientam e assessoram os pais e os profissionais da unidade escolar. Identificam e elaboram estratégias pedagógicas, flexibilizando o currículo e adaptando ou adequando os materiais que possam contribuir para aprendizagem. Com esse trabalho, potencializam o desenvolvimento da autonomia dos estudantes público da educação especial e contribuem no processo de inclusão, permanência e escolarização dos estudantes.
Favorecendo assim condições de acesso, participação e aprendizagem no ensino regular, garantindo serviços especializado de acordo com as necessidades individuais dos alunos público da educação especial. “Com nosso olhar atento, também temos habilidade para observar os alunos com possíveis deficiências e assim fazer os encaminhamentos, chamamos a família para conversar e orientar, juntamente com os professores regentes e de disciplina, bem como com a equipe pedagógica da escola”, detalhou a professora Márcia.

Assim que a professora Márcia iniciou os trabalhos na EBM Albertina Krummel Maciel, o número de crianças atendidas no AEE saltou de 11 para 36 (2018-2019). “O diagnóstico precoce é fundamental para o acompanhamento efetivo”, frisou Márcia.

Para o diretor Carlos Eduardo Vieira Areas, a escola precisa contribuir também com a inclusão social. “O papel da escola vai além do pedagógico. A gestão escolar envolve todos: profissionais, pais, alunos e comunidade escolar. Cabe a nós fazemos todas as adaptações necessárias, analisando as peculiaridades de cada um para que o aluno se sinta bem aqui na escola”, ponderou.

A professora Márcia reforçou: “não é a criança que tem que se adaptar à escola. É a escola que tem que se adaptar à criança. A gente trabalha muito isso. Independentemente de ter laudo com diagnóstico ou não, todos são nossos alunos”.

Planejamento

Com o aumento do número de crianças e de estudantes que são público da educação especial e para aprimorar ainda mais o atendimento, a Secretaria Municipal de Educação planeja ampliar para 20 o número de polos de AEE para o ano letivo 2023.

A Prefeitura de São José também está projetando a construção do Centro de Atendimento Multiprofissional em Educação Especial (CAMEE). “O Centro terá ações conjuntas entre as secretarias municipais de Educação e de Saúde para o desenvolvimento integral aos estudantes da educação especial da rede municipal de ensino de São José”, explicou a secretária municipal de Educação, Ana Cristina Hoffmann.

quarta-feira, 9 de novembro de 2022

Erros e acertos na inclusão de estudantes com deficiência

Professores e pais relatam as limitações que encontram e as experiências bem-sucedidas no acolhimento de estudantes com deficiência nas escolas regulares

Maurício Brum para extraclasse.org.br


Foto: Roberto Soares/Alepe/Senado

Profissionais de ensino e pais de alunos de inclusão relatam as limitações que encontram e as experiências bem-sucedidas no acolhimento de estudantes com deficiência nas escolas regulares. Pesquisa realizada em agosto com professores do ensino privado gaúcho demonstrou cenário de sobrecarga de trabalho e falta de estrutura adequada em grande parte das instituições particulares do estado

A inclusão de alunos com deficiências físicas e cognitivas tem sido uma maneira que muitas escolas particulares utilizam para se promover no mercado. Mas a propaganda nem sempre corresponde à estrutura oferecida.

Recentemente, uma pesquisa realizada pelo Sindicato dos Professores do Ensino Privado (Sinpro/RS) relevou um cenário no qual professores se disseram desamparados, sem apoio, formação ou recursos para acolher esses alunos. Trata-se de um desafio multifacetado, que vai desde a necessidade de adaptações na estrutura física da escola para acolher, por exemplo, um aluno cadeirante, até a capacitação docente e a contratação de monitores para acompanhar aqueles que demandam atenção integral durante a aula.

Na prática, mesmo instituições privadas vêm tendo dificuldade para oferecer essa variedade de recursos, o que também afeta a rotina dos professores – na pesquisa, 26% dos docentes apontaram que não contam com nenhum tipo de apoio para atender a esses alunos, e a percepção de que não há carga horária para planejar atividades específicas foi constantemente citada. Em uma comunicação interna de uma escola de Porto Alegre à qual o Extra Classe teve acesso, por exemplo, os professores são cobrados a fazer “uma prova para cada aluno” de inclusão, com as devidas adaptações para as necessidades individuais e “em tempo hábil e em dias úteis” para que a educadora do atendimento educacional especializado (AEE) consiga analisá-las antes da sua aplicação – algo que nem sempre acaba sendo possível dentro das horas previstas para o trabalho dos docentes.

“Poucas escolas, por terem esse perfil inclusivo, acabam recebendo muitos alunos com deficiência, somando um número significativo deles. Se mais escolas tivessem esse perfil, esses alunos seriam matriculados em muito mais instituições, o que seria importante para o trabalho pedagógico”, aponta Cecília Farias, diretora do Sinpro/RS, a respeito da sobrecarga imposta aos professores.

Em meio às limitações, porém, experiências positivas relatadas por familiares e profissionais da área aparecem como um caminho para melhorar o cenário ainda precário.


Fotos: Igor Sperotto/Arquivo Extra Classe

O que diz a lei sobre inclusão de estudantes com deficiência

Conforme a lei e as associações de pais, todas as instituições de ensino deveriam contar com um acompanhante terapêutico para estar ao lado da criança no ambiente escolar, com a sala de recursos prevista em lei que forneça os equipamentos necessários para a aprendizagem desse aluno, e com um plano de ensino individualizado (PEI) para os estudantes de inclusão.

“Esse PEI não deve ser elaborado unicamente pela escola: deve ser feito com apoio da família e da equipe multidisciplinar que acompanha a criança fora do ambiente escolar”, afirma Mariana Chuy, sócia-fundadora da Associação Brasileira de Apraxia de Fala na Infância e Adolescência (Abrapraxia), um transtorno que dificulta a aprendizagem dos sons da fala.

Mãe do Gabriel, aluno de inclusão em uma escola particular da capital gaúcha, Mariana desabafa.  “Existem exceções e boa vontade para mudar a situação, mas isso envolve comunicação e investimento financeiro”, resume.

Nos locais que vêm sendo considerados exemplos positivos de inclusão, uma das estratégias empregadas para abarcar os alunos com diferentes necessidades sem sobrecarregar os professores é o chamado desenho universal para a aprendizagem.

Esse método prevê pensar uma atividade previamente, de modo que ela tenha o máximo de abordagens possíveis, sem fazer múltiplos planejamentos.

“Alguns tipos de deficiência sempre vão exigir adaptação maior, mas com outras é possível elaborar uma atividade abrangente que funcione para todos os alunos daquela sala”, explica Lúcia Fonseca, coordenadora pedagógica da escola CID (Centro Integrado de Desenvolvimento), em Porto Alegre.

Atividades simultâneas


Fotos: Igor Sperotto/Arquivo Extra Classe

Um mesmo tema pode, segundo a pedagoga, gerar diferentes atividades simultâneas. “Enquanto uns escrevem texto, outros desenham, outros fazem uma história em quadrinhos.

Desta forma, ofertando uma diversidade de possibilidades, cada estudante pode fazer a escolha que melhor lhe favoreça”, argumenta Lúcia, entendendo ser preciso quebrar o paradigma de que todos os alunos precisam fazer a mesma coisa ao mesmo tempo.

Outras adaptações podem ser até mais simples, baseadas apenas na percepção do contexto: mudar o local de uma turma para garantir a acessibilidade no caso de um estudante com deficiência física ou, então, para afastar alunos que enfrentam problemas para se integrar à aula em função de distrações externas, como barulhos ou cheiros, um incômodo frequente em crianças com diagnóstico do transtorno do espectro autista (TEA).

Lúcia recorda uma situação do tipo, quando um aluno de inclusão apresentava mais agitação ao sentir o cheiro da comida sendo preparada a partir do meio da manhã.

“Não podíamos deixar de produzir alimentos, mas podíamos mudar a turma de sala, para outro andar da escola, mais distante da cozinha. E isso foi feito. Uma mudança bem simples que permitiu que a desorganização do menino fosse menos intensa”, conta.

Conscientização da comunidade 

Além dos investimentos em formação e estrutura, pais e professores concordam que um dos principais obstáculos continua sendo a conscientização da comunidade escolar, incluindo as famílias de alunos sem deficiência.

“Quando falam de nós, as pessoas imediatamente pensam que se trata de uma escola especial, o que não é o caso: somos uma escola regular que trabalha com inclusão. Mas muitos pais ainda não entendem que seus filhos só têm a ganhar com esse convívio, e acham que a presença de um aluno de inclusão vai atrasar o aprendizado deles”, detalha Maria Helena Barth, diretora do Colégio Conhecer, na capital dos gaúchos, instituição que se destaca positivamente no assunto.

Ela aponta que, com a pandemia, a escola vem enfrentando uma perda de matrículas, o que gera também uma impossibilidade de acolher mais estudantes de inclusão.

Por lei, uma turma dos anos iniciais do ensino fundamental pode ter até três alunos de inclusão em uma sala com lotação máxima de 20 estudantes, porém o número acaba sendo reduzido se esse limite não é atingido.

A dificuldade de acolhimento é sentida na pele pelas famílias.

“Costumo dizer que meu filho estuda numa escola bem inclusiva, mas tenho uma comunidade que não é receptiva”, resume Mariana Chuy, da Abrapraxia.

“Não existe aquela conversa da mãe que nos pergunta como estamos”, ela diz, recordando que, durante as restrições da pandemia, o filho precisou se afastar da sua turma da época, acabando por repetir o ano, sem que ela recebesse qualquer contato dos outros pais.

Redes de apoio para estudantes com deficiência

Da parte das escolas, é fundamental prestar atenção a essa situação. “As famílias são redes de apoio, e precisamos fazer movimentos que permitam que elas se encontrem na escola, algo que foi drasticamente diminuído em função da pandemia”, explica Lúcia.

“É uma situação bastante individualizada: há crianças mais inseridas cujos pais convivem com outras famílias, e outros que preferem vir nas reuniões em horários diferenciados e não se sentem tão acolhidos. Nós sempre tentamos incentivar que eles busquem essa interação”, afirma a coordenadora pedagógica do CID. Buscando estimular a aceitação na comunidade, entidades como a Abrapraxia realizam atividades focadas nos próprios alunos, a fim de que eles levem o conhecimento sobre a inclusão para os pais em casa.

Formação dos profissionais

Muitas vezes, as organizações também tomam para si o trabalho de oferecer formação complementar aos profissionais de educação. É o que faz, por exemplo, a Associação Pais e Amor, que defende as demandas de famílias com crianças diagnosticadas com TEA em Cachoeirinha, na região metropolitana da Capital.

“Oferecemos formação tanto para escolas particulares quanto públicas, de maneira gratuita. O que os professores mais trazem para nós é que não são preparados para lidar com esses alunos nos cursos de graduação”, identifica Carmem Kruger, ela própria professora aposentada, e hoje integrante da diretoria da Pais e Amor.

Mesmo com formação e estrutura, contudo, as profissionais concordam que certas situações, inevitavelmente, dependem da vivência prática.

“É algo que vem de dentro para fora, da disponibilidade interna de entender essa criança, que às vezes ela precisa sair da sala quando fica mais agitada, que os colegas também devem ajudar”, diz Maria Helena, do Conhecer.

“Todas as pessoas da escola têm que estar atentas ao movimento de sala de aula. E gerar uma relação cooperativa, de confiança, em que o professor não tema ser visto como incompetente por precisar da ajuda de outro profissional”, complementa Lúcia Fonseca, lembrando que, em situações de crise, uma criança com necessidades especiais pode precisar do envolvimento de outro adulto, além daquelas que estão na sala naquele momento.

“Por mais que seja ‘lugar-comum’ atualmente falar sobre alunos de inclusão, esse é um termo que devemos questionar”, ela entende. “Todos nós somos sujeitos da escola inclusiva”, conclui Lúcia.

sexta-feira, 4 de novembro de 2022

Carta ao presidente: desafios para a inclusão de pessoas com deficiência

Entre os desafios do novo governo, Lula terá que repensar políticas públicas inclusivas mais eficazes

Amanda Alves para o cnnbrasil.com.br

De acordo com a pesquisa ‘Pessoas com Deficiência e as Desigualdades Sociais’, realizada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), no Brasil há 17,2 milhões de pessoas com alguma deficiência, o que representa cerca de 8,4% da população. Os dados são resultados de uma análise da Pesquisa Nacional de Saúde de 2019, em parceria com o Ministério da Saúde.

A deficiência física é entendida como qualquer perda ou alteração de uma estrutura ou função física, intelectual ou sensorial. No país, os direitos das pessoas com deficiência estão previstos na Lei Brasileira de Inclusão (LBI) – também conhecida como Estatuto da Pessoa com Deficiência. A lei prevê que este grupo tenha condições de igualdade, exercício dos direitos e das liberdades fundamentais e, sobretudo, a inclusão social e o exercício da cidadania. Mas os modelos culturais de uma sociedade capacitista não acolhem as pessoas com deficiência. O dia a dia delas é de enfrentamento às desigualdades e às ”feridas” do preconceito.

Desafios da inclusão, proteção e amparo

A Declaração Universal dos Direitos Humanos, em 1948, trouxe o discurso sobre a liberdade e a igualdade entre as pessoas e também o debate em torno da inclusão da pessoa com deficiência, que enfrentam inúmeros problemas sociais em diversas escalas, sejam sociais ou políticas. A inclusão social funciona com a participação ativa nos vários grupos de convivência dentro de uma sociedade, principalmente dentro das instituições de ensino que permitem rever princípios preconceituosos com relação às potencialidades e limitações humanas.

Wolf Kos, presidente do Instituto Olga Kos (IOK), organização sem fins lucrativos que desenvolve projetos artísticos, esportivos e científicos para atender crianças, jovens e adultos, prioritariamente com deficiência intelectual, afirma que o presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva, precisa ter uma maior atenção ao Conselho Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência (Conade) que é um órgão criado para acompanhar e avaliar o desenvolvimento de uma política nacional para inclusão da pessoa com deficiência e das políticas setoriais de educação, saúde, trabalho, assistência social, transporte, cultura, turismo, desporto, lazer e política urbana dirigidos a esse grupo social.

“Esperamos o restabelecimento dos programas Pronas e o Pronon do Ministério da Saúde. Programas estes que proporcionam pesquisas em Oncologia e atenção à saúde da pessoa com deficiência. Queremos um treinamento eficaz do magistério para que tenhamos uma educação inclusiva e efetiva”, finaliza Wolf Kos.

Desafios no âmbito educacional

Quando se trata de inclusão social de PCD’s o assunto educação inclusiva é a principal barreira estrutural e desafios de um próximo governo. 75% das crianças com deficiência no mundo não têm acesso à educação inclusiva e de qualidade, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU). Movimentos nacionais e internacionais têm buscado formular uma política de inclusão assertiva para pessoas com deficiência. Alguns pontos como a inclusão escolar; maiores verbas para programas sociais; uso de novas tecnologias para a educação estão sendo discutidos.

“Nas últimas décadas, o Brasil alcançou vitórias inquestionáveis na educação de estudantes com deficiência. A topografia das matrículas demonstra essa evolução. Antes concentradas no modelo da segregação, as matrículas migraram para os ambientes inclusivos, que propiciam o convívio entre todos os alunos”, afirma Rodrigo Hübner Mendes, fundador e superintendente do Instituto Rodrigo Mendes.

Segundo o IBGE, 67% da população com alguma deficiência não tem nenhuma formação ou possuem apenas o ensino fundamental incompleto. Contrário aos dados das pessoas sem deficiências, esse porcentual cai para 30%.

Em 1994, a Declaração de Salamanca, promovida pela Unesco, afirmou o consenso de que a inclusão é um meio para combater atitudes discriminatórias e construir comunidades acolhedoras. Há mais de dez anos o Brasil assumiu o compromisso de garantir às pessoas com deficiência acesso ao ensino fundamental e médio inclusivo, de qualidade e gratuito.

“Espera-se que o próximo governo invista recursos na formação dos educadores, que claramente sinalizam a necessidade de ampliar seu repertório sobre o tema. Merece também atenção a ampliação da rede de professores do Atendimento Educacional Especializado e da acessibilidade, em suas várias instâncias.” completa Rodrigo.

Em 2008, a inclusão escolar foi formalizada no Brasil por meio da Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva Inclusiva. Em 2015, a Lei Brasileira de Inclusão (LBI), o país estabeleceu legalmente as condições de implementação do sistema educacional inclusivo em todos os níveis e modalidades. Em 2018, após dez anos da Política Nacional de Educação Especial, o Censo Escolar apontou que o número de matrículas da educação inclusiva chegou a 1,2 milhão, um aumento de 70% desde a formalização.

Marcelo Panico, advocacy da Fundação Dorina Nowill para Cegos, relata que o Brasil possui uma das mais modernas leis de inclusão, mas apesar de estar em pleno vigor desde a sua criação, ainda possui dificuldades.

“Muitas crianças com deficiência ainda estão à margem da sociedade. O Estatuto da Criança e do Adolescente, junto à Lei Brasileira de Inclusão, dá respaldo jurídico para que a inclusão ocorra em todos os níveis. A criança, por exemplo, não pode estar fora da escola. Ela é responsabilidade do Estado. Assim, as escolas podem buscar recursos legais que garantam a inclusão dessas pessoas. É importante lembrar que, se a inclusão se inicia logo na infância, a diversidade social acontece de forma mais fácil.” completa

quarta-feira, 2 de novembro de 2022

'Turma da Mônica' lança personagem com nanismo inspirado em menino de 8 anos

Novo livro busca conscientizar crianças contra o preconceito e na defesa de uma sociedade mais inclusiva

Havolene Valinhos para a folha.uol.com.br

A "Turma da Mônica" lança em 25 de outubro o livro "Nosso Amigo com Nanismo". A data foi escolhida por marcar o Dia Nacional do Combate ao Preconceito às Pessoas com Nanismo.

O novo personagem é inspirado em um menino real, Bernardo, 8, de Caxias do Sul (RS), que tem acondroplasia, a forma mais comum de nanismo. Estima-se que, a cada 25 mil nascimentos, uma criança nasça com a síndrome genética, que afeta o crescimento normal dos ossos, resultando em um indivíduo cuja altura é muito menor que a média de toda a população.

O livro conta a história do garoto no seu primeiro dia de aula na Escola Limoeiro, onde estudam Mônica, Cebolinha, Magali, Cascão e outros personagens da turminha. Assim que chegam à sala de aula e encontram Bernardo, todos começam a questionar sua baixa estatura. A partir daí, ele conta sua história, fala sobre as dificuldades das pessoas com nanismo e mostra que somente o conhecimento e a informação podem tornar a sociedade mais inclusiva.

A mãe de Bernardo, Flávia Berti Hoffmann, acredita que a inserção do personagem no universo da "Turma da Mônica" fará uma grande diferença para todas as pessoas que têm nanismo.

"Temos que nos esforçar para mostrar para a sociedade que as pessoas com nanismo têm o direito de viver uma vida normal, e que o papel de todos é contribuir para que isso ocorra de uma maneira natural, sem preconceito. Então, a 'Turma da Mônica' levar conhecimento às crianças é um sonho realizado", afirma.

Leia a matéria completa na folha.uol.com.br

quarta-feira, 5 de outubro de 2022

Empresas buscam profissionais autistas e pessoas com deficiência para ampliar diversidade

Por Cláudio Marques — Para o Prática ESG, de São Paulo

Uma deficiência define uma pessoa? No mundo corporativo, empresas cada vez mais acreditam que não e criam programas não apenas para contratar profissionais com essa característica, incluindo pessoas com autismo, por exemplo, como também para desenvolver suas carreiras. Duas iniciativas marcadas para a semana em que se celebra o Dia Nacional da Luta da Pessoa com Deficiência demonstraram que o tema está na pauta das organizações: a terceira edição da Inclui PCD, feira online gratuita de empregabilidade para Pessoas com Deficiência (PCDs), realizada pela Egalite, e o lançamento, pelo Instituto Olga Kos, da Ecok – ferramenta com métricas para certificar empresas com políticas sociais inclusivas.

Estima-se, com base em dados do último censo, que há no Brasil cerca de 45 milhões de pessoas com deficiência. Quando se faz o recorte de pessoas em idade de trabalho, esse número cai e pode chegar a 20 milhões. “Os últimos dados da RAIS falam em 489 mil pessoas incluídas no mercado de trabalho, e a Lei de Cotas gera cerca de 1 milhão de vagas. Então, estamos abaixo de 50% do que se poderia ter com base na legislação”, afirma Guilherme Braga, CEO da Egalite e da Inclui PCD, que aconteceu até 22/09. Neste ano, a feira ofereceu 9 mil vagas para PCDs. Segundo Braga, o objetivo do evento é colocar foco no protagonismo e na carreira das pessoas com deficiência. “É virar a página da lei de cotas”, acrescenta.

Trata-se, portanto, de se instalar uma mudança de cultura nas corporações, para que se passe a discutir talentos, competências e habilidades em vez de se pensar apenas no cumprimento de metas.
Leia a matéria completa em valor.globo.com

sexta-feira, 16 de setembro de 2022

Laramara relança livro sobre deficiência visual em crianças

A obra conta com ilustrações para facilitar a interação social das crianças com deficiência, desde o nascimento até a inclusão escolar

por Julia Bonin para o observatorio3setor.org.br


Foto: Awachirac | Creative Commons

Na próxima quarta-feira, 21 de setembro, é celebrado o Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência. Para enfatizar a importância da data, a Laramara (Associação Brasileira de Assistência à Pessoa com Deficiência Visual) realizará o relançamento do livro “O Desenvolvimento da Criança com Deficiência Visual – Da Intervenção Precoce à Inclusão na Educação Infantil”, fundamental para a inclusão social dessas crianças. 

Laramara é uma organização da sociedade civil, sem fins lucrativos e sem vínculos políticos ou religiosos, que tem como objetivo promover o desenvolvimento integral da pessoa com deficiência visual para a sua autonomia e inclusão social. O grupo desenvolve ações que buscam o fortalecimento de vínculos familiares e comunitários, a autonomia e a participação plena na sociedade. Estas ações são realizadas com base em serviços, programas e projetos, oferecidos gratuitamente às pessoas com deficiência.

Escrito pela pedagoga e educadora Marilda Moraes Garcia Bruno, o livro aborda temas diversos, desde um compilado de sugestões de brinquedos e objetos adequados para a criança até a orientação da família e dos profissionais para lidar com as fases do desenvolvimento infantil. No relançamento, a obra conta com ilustrações que auxiliam nessa orientação. 

Além disso, o livro também acompanha uma Avaliação Funcional da Visão e do Desenvolvimento, que deve ser realizada por meio de um processo cuidadoso de observação de todas as atividades da criança em casa, na escola e na comunidade. Ao final, a autora faz uma reflexão sobre a aprendizagem de crianças cegas e com baixa visão.

“A obra é fundamental para a interação com a pessoa com deficiência visual e o sucesso da sua inclusão em casa, escola e sociedade. Ela deve estar sempre presente no trabalho do educador e família”, afirma Mara Siaulys, Fundadora e Presidente da Laramara.

sexta-feira, 26 de agosto de 2022

O que acontece quando crianças cegas brincam com as que enxergam no mato

Mayara Penina
Colaboração para Ecoa, em São Paulo (SP)

Levar crianças cegas e que enxergam para brincar juntas na natureza, esta é a proposta do projeto Natureza de Criança, que fez isso acontecer recentemente no Legado das Águas, maior reserva privada de Mata Atlântica no Brasil, situada em Miracatu (SP). Onze crianças com deficiência visual e onze crianças sem deficiência foram brincar juntas num lugar de natureza exuberante com mata densa e primária.

Partindo do princípio de que todo ser humano merece a oportunidade de experimentar novas sensações e movimentos em ambientes naturais, a criadora do projeto, Isabela Abreu, traz à tona o tema da inclusão e propõe a desmistificação de ideias preconcebidas sobre a deficiência visual na prática.

No Legado das Águas, há cachoeiras, trilhas, caiaque acessível, jardim sensorial e uma ótima estrutura para receber os visitantes, o que o torna um lugar ideal para realização de programas inclusivos.

"A natureza é palco tanto de repertório de atividades e possibilidades, quanto um palco energético, fazendo com que a troca seja muito fluida", diz Isabela.

Eu estava lá com meu filho, Joaquim Batista, de 9 anos. Joaquim não tem deficiência, tem pouco contato com crianças com deficiência e nenhum contato com crianças com deficiência visual.

Para fazer as atividades propostas, as crianças formaram duplas e Joaquim fez dupla com a Jullia Eduarda, de 11 anos.

Leia a matéria completa em uol.com.br/ecoa

quarta-feira, 24 de agosto de 2022

Começa a Semana Nacional da Pessoa com Deficiência Intelectual e Múltipla

De 21 a 28 de agosto, o período chama a atenção para a importância de políticas públicas que contribuam para a inclusão

Por Carla Leonardi para o bebe.com.br

 FG Trade/Getty Images
 
Instituído pela Federação Nacional das Apaes (Fenapaes) em 1963 sob o nome Semana Nacional da Criança Excepcional, o período foi sancionado por Lei em 2017. Com o objetivo de chamar a atenção para a condição das pessoas que vivem com alguma deficiência, a intenção é contribuir para a diminuição dos preconceitos, para a inclusão social e para a promoção de políticas públicas que deem conta das necessidades diversas de todos os cidadãos.

Como o termo “excepcional” caiu em desuso, devido à sua conotação capacitista, hoje ela é chamada de Semana Nacional da Pessoa com Deficiência Intelectual e Múltipla, e vai de 21 a 28 de agosto. Ao longo desses dias, o objetivo da Apae Brasil é compartilhar informações a respeito do assunto e chamar a atenção para uma questão que infelizmente ainda é pouco discutida na sociedade.

Apesar disso, os números ressaltam a sua importância: de acordo com dados levantados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 2019, são ao menos 45 milhões de brasileiros com algum tipo de deficiência, o que equivale a 25% da nossa população. Ainda assim, as dificuldades – de acesso, de locomoção, de adaptação de materiais, de representatividade, entre tantas outras – não parecem ocupar o lugar de preocupação e atenção que deveriam. Vale ressaltar que esses dados não representam a realidade de forma fiel. “Nós não temos uma pesquisa que abranja todas as faixas etárias. Esperamos que a pesquisa que está sendo realizada neste ano pelo IBGE traga um número fidedigno para que se possa atuar na inclusão dessas pessoas”, destaca o presidente da Apae Brasil, José Turozi


Garantir a cidadania é um dever público

 Diante desse cenário, neste ano, o tema estabelecido pela Associação é “Superar barreiras para garantir inclusão”, lembrando do artigo 4º da Lei Brasileira de Inclusão, que determina que “toda pessoa com deficiência tem direito à igualdade de oportunidades com as demais pessoas e não sofrerá nenhuma espécie de discriminação”. Para Turozi, a grande questão é a luta para que a legislação saia do papel e seja colocada em prática. Segundo ele, isso precisa acontecer, de fato, nos municípios, cabendo a vereadores e prefeitos essa a garantia.

Ainda de acordo com Turozi, a Apae Brasil defende a inclusão das pessoas com deficiência na educação regular e no mercado de trabalho, mas está presente em 2.200 municípios para recebê-las justamente onde o poder público não atua como deveria, no sentido de promover espaço e garantias de que elas possam exercer sua cidadania. Ainda assim, há muito a ser feito. “O Brasil tem 5.570 municípios, ou seja, muitos ainda não têm um atendimento adequado às pessoas com deficiência”, alerta.

Vale lembrar que a Apae Brasil é uma rede que funciona, sobretudo, por meio do voluntariado. “São mais de 80 mil voluntários trabalhando gratuitamente pelo movimento apaeano”, destaca o presidente da Associação.

Por fim, nunca é demais lembrar que o respeito se aprende desde a infância. Por isso, dar aos pequenos a oportunidade de conviver com crianças com deficiência é, também, uma forma de criar uma sociedade com mais empatia e consciência. “A cidadania somente será possível com a plena inclusão social das pessoas com deficiência”, finaliza Turozi.

sexta-feira, 15 de julho de 2022

Motorista cria videogame para crianças com deficiência a partir do Raspberry Pi

tudocelular.com

Um motorista escolar está dando boas doses de diversão para os seus passageiros, crianças com necessidades especiais, durante o trajeto. Isso porque o rapaz, que se identifica pelo nome SoranosEphesus no Reddit, compartilhou para o mundo o videogame que criou baseado em Raspberry Pi.

A partir da vontade de ajudar as crianças e dar uma boa dose de diversão no trajeto, ele trabalhou a partir do minicomputador, no caso, um Raspberry Pi Zero 2 W, e acoplou uma série de itens, como cabo HDMI, fonte de alimentação e cartão microSD. Além disso, junto uma tela LCD de 13,3 polegadas e um suporte, que na soma final custou cerca de R$ 550.


(Imagem: SoranosEphesus/Reddit)

Outros ajustes estruturais foram necessários para fazer a máquina rodar dentro do carro, como a instalação de um inversor de energia, enquanto um gamepad foi peça fundamental para os jogos conseguirem funcionar a partir de um sistema operacional retrogaming — dentre eles, há o Retropie, Batocera, Recalbox, entre outros.

Segundo o homem, Crash Team Racing, o clássico do PS1, é o favorito da garotada. Soranos diz que nunca teve que avisar as crianças quando terminar, pois elas já sabem. E para que não fiquem decepcionadas, ele também já ensinou os pequenos a usarem os “save states” do emulador para que possam retornar a um estado anterior sem perder o progresso.

quarta-feira, 13 de julho de 2022

Educador infantil pode agilizar o diagnóstico e diminuir as desigualdades de alunos com deficiência

Para professora da USP, além de políticas de acesso à tecnologias de apoio, educação dessas crianças depende de “caminho mais curto e ágil entre a creche e o serviço de saúde”

Por Vinicius Botelho / jornal.usp.br

Preparar o ambiente escolar para atendimento de crianças e adolescentes com deficiência é uma das maiores preocupações dos profissionais da educação atualmente. Segundo a professora Cristina Pedroso, da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto (FFCLRP) da USP, a atuação de professores da educação infantil pode agilizar o diagnóstico e diminuir as desigualdades vividas hoje pelos alunos com deficiência no ambiente escolar.

Na avaliação da professora Cristina, a velocidade no acesso a tecnologias de apoio (cadeiras de rodas, aparelhos auditivos ou ferramentas de auxílio na comunicação) depende de um rápido diagnóstico da deficiência, e o professor que atua nas creches pode encurtar o caminho ao serviço de saúde. “As famílias normalmente fazem uma verdadeira peregrinação até o atendimento correto, até encontrarem um profissional que possa orientá-las da melhor maneira, perdendo muito tempo, o que tem impacto direto no desenvolvimento das crianças e no aproveitamento escolar”, destaca a professora. E, para superar as desigualdades sofridas por essas crianças nos espaços escolares, afirma Cristina, é preciso agilizar o diagnóstico de doenças e o acesso aos recursos de apoio.

Para combater o problema, além da implementação de políticas públicas de qualidade, que garantam informação e acesso para as famílias e para os que necessitam de tecnologias de apoio, a professora acredita que a formação ideal de profissionais da educação que atuam na base, já na creche, seja indispensável. Cristina informa que o acesso aos recursos e tratamentos no menor tempo possível, logo nos primeiros contatos escolares da criança com deficiência, pode fazer a diferença na diminuição das desigualdades.

Esses educadores, segundo a professora, precisam de mais treinamentos, já que “os cursos de formação de professores não tratam das questões com aprofundamento necessário e, historicamente, essas questões foram tratadas por profissionais da saúde e instituições especializadas”. Com a chegada dessas crianças e jovens com deficiência ao ambiente escolar, “o caminho entre escola e os serviços de saúde precisa ser mais curto e mais ágil”, diz.

Cristina indica a implementação de cursos de aprofundamento dessa temática nas licenciaturas de Pedagogia, para que os futuros professores possam colaborar nos encaminhamentos desses estudantes aos serviços adequados e no acesso às tecnologias de apoio. Assim, avalia a professora, a especialização em educação especial, a racionalização de recursos (com investimentos bem fundamentados) e rigorosas avaliações devem contribuir diretamente para que estudantes com deficiência recebam o aprendizado adequado e, consequentemente, não sofram com o déficit educacional ao longo da vida.

Acesso à tecnologia é “questão de classe social”

Relatório inédito divulgado pela Organização das Nações Unidas (ONU) mostra que cerca de 1 bilhão de pessoas no mundo estão excluídas do acesso a tecnologias de apoio, como cadeiras de rodas, aparelhos auditivos ou ferramentas de auxílio na comunicação. No Brasil, segundo o Censo Escolar da Educação Básica, aproximadamente 1,3 milhão de crianças e jovens da educação básica possuem algum tipo de deficiência. Segundo a professora Cristina, mesmo sendo um direito básico no País, nem todos esses alunos brasileiros recebem o apoio e ferramentas necessárias para garantir a experiência escolar ideal, impedindo que esse estudante receba o mesmo aprendizado se comparado aos demais.

“O acesso a esse tipo de tecnologia no Brasil ainda é uma questão definida pela condição socioeconômica e cultural, e o País não conta com políticas públicas que garantam a informação e o amplo acesso aos recursos de tecnologias de apoio para todos”, afirma a professora. O que garante a acessibilidade para essas tecnologias “é a questão de classe social, já que a grande parte desses recursos acabam sendo adquiridos pelas famílias com recursos financeiros próprios, implicando desigualdade”, afirma. 

sexta-feira, 8 de julho de 2022

Datafolha: Maioria apoia inclusão de crianças com deficiência em escolas comuns

 Por Folhapress: Andreza de Oliveira, Felipe Nunes e Claudia Cristiane de Araújo

A empresária Patricia Falquete, 42, tem tido dificuldade para manter o filho, Leonardo, 7, que tem autismo, em escolas públicas da sua cidade, São José do Rio Preto (interior de São Paulo).

Desde maio, ela vinha sendo convocada para buscá-lo mais cedo sob a justificativa da falta de funcionários para acompanhar o filho. “Mãe de criança com deficiência não tem um dia de paz”, diz.

Apesar das dificuldades encontradas por Patricia, a inclusão de alunos com deficiência em colégios convencionais tem apoio de 80% dos brasileiros, de acordo com levantamento do Datafolha.

Em São José do Rio Preto, as escolas de ensino público dispõem de estagiários para ajudar professores com alunos que têm deficiência. Patricia diz ter sido avisada pela direção da escola que três estagiários da unidade haviam pedido demissão.

Em 15 de junho, ela se reuniu com a Secretaria de Educação da cidade para que o filho voltasse à escola, e a prefeitura disponibilizou um profissional de apoio para a criança.

Em nota, a Secretaria de Educação do município disse que o caso da mãe é isolado e que ocorreu em uma semana em que diversos profissionais da unidade foram afastados por motivos de saúde. O departamento ainda afirmou que uma apuração foi aberta para averiguar a postura adotada pela direção da escola.

Joyce de Melo Dias Galvão, 23, e Gustavo Henrique Silva do Nascimento, 24, pais de Christian, 3, tiveram que trocar o menino de colégio, após o diagnóstico precoce de transtorno do espectro autista. Ele estudava em instituição privada no Butantã, em São Paulo.

“O colégio tinha uma boa estrutura, mas não tinha um cuidado com relação à condição do Christian”, diz Gustavo.

A criança se adaptou bem à nova escola, também particular, em São Bernardo do Campo (Grande São Paulo). “Ele fica mais tranquilo e está aprendendo a fazer coisas que não tinha desenvolvido na outra escola, como acenar com a cabeça quando entende alguma coisa.”

Segundo Luciana da Cruz Nogueira, professora de psicologia da educação e chefe do departamento de Educação Especial do campus da Unesp em Rio Preto, a inclusão só traz benefícios. “Nessas duas décadas em que foi efetivada a política de educação especial, temos pesquisas em que vemos o quão famílias, alunos deficientes e não deficientes se beneficiam.”

Vera Cappelini, presidente da comissão de inclusão e acessibilidade da Unesp, concorda. Ela cita o exemplo de alunos com síndrome de Down que, há cerca de 30 anos, iam a escolas para pessoas com deficiência. “Biologicamente, a síndrome de Down é a mesma, mas a crença que tinham sobre as crianças com a deficiência naquela época era diferente.”

Para ela, a confiança na capacidade desses alunos é decisiva para mudar o conceito de desenvolvimento humano, que não é só biológico, mas também cultural. “Melhorou, mas ainda temos muito que melhorar. E não adianta colocar esses alunos na classe comum e ignorar a deficiência.”

De acordo com Rodrigo Hübner Mendes, fundador do Instituto Rodrigo Mendes, o atual governo tem encampado retrocessos na inclusão de alunos com deficiência em escolas regulares. O exemplo mais emblemático foi um decreto presidencial, de 2020, que propunha a retomada do modelo de escolas segregadas. Após protestos de entidades que defendem a educação inclusiva, o decreto foi suspenso pelo STF (Supremo Tribunal Federal).

“Os últimos ministros têm demonstrado uma visão extremamente anacrônica, preconceituosa, de certa forma destruidora do que foi conquistado, o que confunde ainda mais as famílias”, diz.

Segundo ele, a restrição de convívio é extremamente prejudicial. “A criança precisa ser desafiada para que ela explore o seu potencial e seja constantemente estimulada num ambiente de diferença, que é um reflexo da sociedade.”