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quarta-feira, 4 de janeiro de 2023

Adaptação de materiais para crianças com deficiência visual

Alunos com deficiência visual têm problemas de acesso ao conteúdo escolar. Portanto, os materiais devem ser adaptados às suas necessidades

soumamae.com.br

Na escola, os materiais para crianças com deficiência visual devem ser adaptados para que elas possam ter acesso ao currículo escolar e aos conteúdos de aprendizagem. Esta é uma medida básica para atender às necessidades específicas de suporte educacional de alunos com problemas visuais significativos.

“Só porque um homem não usa os olhos, não significa que ele não tenha visão.”

-Stevie Wonder-

Encontram-se no mercado diversos materiais com facilidade de adaptação para fornecer o essencial: informação táctil com texturas, peso, etc., bem como informação auditiva e visual, neste caso com cores fortes ou contrastes para alunos com baixa visão.

Por outro lado, as novas tecnologias, inclusive as digitais, são um universo em expansão de possibilidades de acesso e inclusão. Faz parte do que se conhece como Tiflotecnologia (do grego ‘tiflo’, que significa cego), um conjunto de técnicas e estratégias por meio das quais “procedimentos e técnicas são adaptados para uso posterior pelo grupo de cegos”.

O que é a deficiência visual?

A deficiência visual refere-se à presença de deficiências funcionais significativas quando se trata de ver. Ou seja, esse conceito engloba diversos tipos de problemas visuais graves. Assim, de acordo com Natalie Barraga, uma distinção pode ser feita entre:

  • Cegueira total: a visão só permite perceber a luz.
  • Cegueira parcial: a pouca visão que se tem permite apenas perceber vultos.
  • Baixa visão: existem deficiências significativas relacionadas à acuidade visual, mas os objetos podem ser vistos a poucos centímetros de distância. Portanto, adaptações são necessárias para poder realizar diversas atividades da vida diária.
  • Visão limítrofe: o déficit visual não é excessivamente grave. Portanto, a pessoa não fica incapacitada para realizar as atividades do dia a dia, embora às vezes sejam necessárias adaptações simples para poder realizar algumas delas.

Adaptação de materiais para crianças com deficiência visual

As crianças com deficiência visual precisam ter materiais escolares adaptados às suas necessidades educacionais especiais, para garantir acesso e reprodução adequados das informações que devem aprender. Essas adaptações podem ser realizadas por meio de diversos recursos, como:

  • Ampliação.
  • Gravação.
  • Sistema braile.
  • Relevo.

Ampliação

A ampliação consiste em aumentar o tamanho do documento para facilitar o acesso a um determinado material, de forma que sua apresentação fique clara, com bom contraste e com tamanho de fonte não muito grande.

Essa técnica é usada apenas em casos específicos, pois é melhor usar as possibilidades de adaptação do computador, colocando uma letra mais legível para crianças com problemas de visão e suprimindo os fundos e contrastes ruins.

Gravação

As gravações são uma boa maneira de levar informações a alunos com deficiência visual. Trata-se, portanto, de transcrever oralmente os materiais para que os pequenos possam acessá-los pela via auditiva.

Embora o principal problema desse método seja que nem tudo pode ser registrado, como os conteúdos de matemática, física, química, etc.

Sistema braile

O braille é um sistema de pontos em relevo que se baseia na combinação de seis pontos distribuídos em uma pequena célula. Nesse caso, os materiais devem ser transcritos e adaptados para que possam ser percebidos pelo tato.

Mas nem sempre tudo pode ser adaptado, então a decisão de usá-lo ou não vai depender do tipo de informação ou do exercício. Além disso, para utilizar esta ferramenta, é necessário que a criança domine e conheça o braile.

Ilustrações em relevo

Outra forma de adequar o material para crianças com deficiência visual é por meio do uso de ilustrações em relevo para que o aluno, por meio do tato, tenha uma imagem global das informações.

Para realizar esta adaptação corretamente, uma série de considerações deve ser levada em conta:

  • Tamanho: deve ser abarcável entre as duas mãos, abrangendo toda a informação e podendo discriminá-la facilmente.
  • Simplicidade: tem que ser monotemático e com diferentes texturas e alturas.

Outras adaptações necessárias

Além de adequar os materiais escritos, também é necessário adequar o ambiente, por isso uma série de medidas devem ser tomadas quanto às mudanças físicas na sala de aula e na escola, como:

  • Ter uma mesa com espaço suficiente para manusear o material específico.
  • Organizar os elementos de forma fixa e estável e avisar em caso de alterações.
  • Eliminar obstáculos e barreiras arquitetônicas que impeçam a acessibilidade.
  • Fornecer iluminação adequada.

sexta-feira, 12 de março de 2021

Instituto Braille ajuda a desenvolver brinquedos para crianças cegas

Proposta é que a criança com deficiência visual tenha contato com o sistema Braille desde o começo da vida


 

Produção dos brinquedos contou com a participação de funcionários do instituto jundiaiense (Foto: Divulgação/Luiz Braille)

O Instituto Jundiaiense Luiz Braille de Assistência ao Deficiente da Visão foi responsável por ajuda na produção inédita de brinquedos para crianças cegas. A pedagoga Keite Coutinho e o psicólogo Gilson Modesto, funcionários da entidade, ajudaram nos detalhes de produtos com partes em relevo e linguagem em Braille criados pela fábrica Cardoso Toys.

“A equipe de desenvolvimento da empresa nos procurou e ajudamos em cada detalhe dos brinquedos”, contou Keite. Segundo ela, as peças adaptadas contam com alfabeto e número em Braille, além de formas geométricas e diferentes recursos pedagógicos.

“A proposta é que a criança com deficiência visual tenha contato com o sistema Braille desde o começo da vida, auxiliando na aprendizagem, coordenação motora e reconhecimento de números, além de estimular a imaginação e o universo lúdico”, afirmou a profissional.

A Cardoso Toys é a primeira fábrica brasileira de brinquedos de plástico a lançar produtos com Braille. A coleção, que se chama Baby Land, conta com diversos tipos de brinquedos, como caminhões, mesa de atividades e baldinhos, entre outros. “A ajuda da Keite e do Gilson foi essencial para que a empresa concretizasse o projeto conforme havia idealizado, ou seja, o de produzir brinquedos que realmente contribuam para o desenvolvimento das crianças com deficiência”, declarou a fábrica, em nota.


Keite e Gilson, com os brinquedos doados (Foto: Divulgação/Braille)

Como forma de agradecimento, a Reabilitação recebeu doações dos brinquedos – que serão utilizados nas terapias com os assistidos. “É emocionante ver o brinquedo aqui, em nossas mãos, após ter participado de todo este processo. Ganham a inclusão e as crianças com deficiência visual, pois o brincar é essencial para o desenvolvimento infantil”, avalia Modesto.

Atendimento

Referência em reabilitação de pessoas com deficiência visual, o Instituto Jundiaiense Luiz Braille de Assistência ao Deficiente da Visão atende uma média de cem pessoas com deficiência visual que buscam a inclusão ou a readaptação à sociedade.

Para isso, conta com uma equipe composta por pedagogo, psicólogo, terapeuta ocupacional, fonoaudiólogo, fisioterapeuta, assistente social e professor de orientação e mobilidade. “É uma honra fazer parte da equipe da Reabilitação do Instituto Jundiaiense Luiz Braille, que abre as portas para projetos incríveis como este”, comemora Keite.

O Braille também atua na área de Oftalmologia, com consultas, exames e cirurgias realizados via SUS, por intermédio da Prefeitura de Jundiaí.

sexta-feira, 17 de julho de 2020

Como será o retorno às aulas para crianças com deficiência após fim da quarentena?

Pais estão preocupados em levar filhos para o colégio em tempos de pandemia do novo coronavírus


Camila Tuchlinski, O Estado de S.Paulo


Danielle Hernandes e a filha Sofia, de 7 anos de idade.
Alexandre de Paulo/ADP Photo

Quando decidiu engravidar, Danielle Hernandes estava com 40 anos de idade. “Eu conheci o Anderson, meu marido, eu já tinha 40 anos. E ele é 13 anos mais novo que eu. Eu achava que nem poderia ser mãe. Existe um exame de sangue que a mulher faz que atesta a possibilidade de ter um filho. Fiz esse exame e deu 9% de chance de ser mãe”, relembra. Durante o acompanhamento pré-natal da pequena Sofia, Danielle descobriu que a filha teria Síndrome de Down. “Quando tive certeza do diagnóstico, meu mundo caiu. Hoje agradeço muito à Deus e não vejo minha vida sem a Sofia, mas na hora ficamos sem chão. Me lembro que chorei muito e que meu pai me disse que não tinha nada de errado, que a Sofia era nossa e que estava tudo certo. Esse meu desespero durou um final de semana, porque depois fomos atrás do que era Síndrome de Down, a médica que me acompanhou desde o início se transformou em uma amiga e me explicou tudo de bom e de ruim que poderia acontecer com a Sofia desde a gestação até quando ela nascesse”, disse.

E com a mesma dedicação do início é que Danielle acompanha os estudos da filha agora, aos sete anos de idade, em tempos de pandemia do novo coronavírus. Assim como ela, a adaptação das rotinas escolares na quarentena não tem sido uma tarefa fácil para alunos e pais e o desafio para aqueles que têm alguma deficiência física ou intelectual é dobrado. 

“Hoje está tudo uma loucura, estamos com aulas online e eu fico ajudando ela o tempo todo. É difícil porque ela tem uma deficiência intelectual, então ela não está no mesmo nível que outras crianças. Tenho que ficar ao lado dela o tempo todo até que ela se concentre. Ela assiste cerca de 50 minutos de aula por dia, em uma sala com 30 crianças, não recebemos nenhum material adaptado, então, tem dias que ela tem 16 páginas para fazer e obviamente que não conseguimos”, conta.

Danielle afirma que a filha está começando a aprender a escrever agora: “Sabemos que, por lei, ela não pode ser reprovada, mas quero que faça tudo certinho e tenha uma vida o mais normal possível como a de qualquer outra criança”.

Alunos com outras limitações como surdez, cegueira, paralisia e transtornos como o do Espectro Autista também enfrentam desafios constantes no processo de aprendizagem durante a pandemia de covid-19

A doutora e mestre em Distúrbios do Desenvolvimento Carolina Quedas avalia que as mudanças de rotina de maneira geral influenciam muito a vida de crianças com TEA: “É um processo bem complicado e para se adaptarem ao ensino à distância não é diferente, pois muitos que possuem o transtorno precisam de um olhar especializado. Eles têm necessidades de adaptações de materiais, estratégias de ensino diferenciada. Muitos não conseguem ficar em frente ao computador e prestar atenção nas aulas online. Em muitos casos, as atividades que são enviadas para as residências também não estão adequadas para essas crianças e não são elaboradas de acordo com as especificidades de cada indivíduo. Esqueceram que cada criança e adolescente é único e necessitam de um olhar específico, voltado para o seu desenvolvimento”.

O governo de São Paulo anunciou um plano para retorno das aulas em setembro. O protocolo vale para as redes pública e privada e todos os níveis de ensino, do infantil ao superior. Apesar disso, alguns critérios devem ser cumpridos até lá para que a volta seja confirmada durante a pandemia. Até agora, as autoridades não foram específicas sobre o retorno às aulas para crianças com necessidades especiais.

“Precisamos ter segurança para essas crianças e adolescentes, montar um plano seguro de retomada específico para essas crianças com estratégias de ensino sobre os cuidados que devem tomar, orientando as famílias dentro do ambiente escolar com relação a importância do distanciamento social e higienização, uso de máscaras. Em muitos casos, certamente a situação será mais complicada, algumas crianças com TEA têm aversão ao uso da máscara, o que pode ser um grande problema. Acredito que essa retomada deva ser feita somente em caso de extrema necessidade, se não houver nenhuma outra maneira para a família”, ressalta Carolina Quedas.

Danielle Hernandes ainda não sabe como fará para que Sofia retome as aulas presencialmente, caso tenha que voltar a trabalhar. “Sobre levar a Sofia de volta para a escola nessa retomada, é uma pergunta que não sei como responder. Se eu precisar voltar a trabalhar, como acho que terei que voltar, minha mãe é a única pessoa que poderá ficar com ela. Cada dia é um novo dia, a gente pensa muito nisso, mas não sei como vou fazer. Sinceramente minha intenção é ficar com ela o máximo que puder dentro de casa. É uma questão muito difícil, pois eu não posso dizer não ao meu trabalho em meio a essa crise, mas tenho que pensar também na saúde da Sofia”, desabafa.

O advogado Marcelo Válio, especialista na área do Direito dos vulneráveis, esclarece que a  omissão do governo poderá configurar infração a Lei Brasileira de Inclusão – 13.146/15, bem como ao Tratado de Salamanca e a Convenção Internacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência. Para ele, é indispensável que as famílias observem as condições mínimas de proteção à saúde de seus filhos e se a inclusão esteja eficaz.

“Importante que as famílias exijam a criação de protocolos específicos, levando-se as cinco fases do Plano São Paulo para o retorno das crianças com deficiência. Nestes protocolos, além de estar prevista a proteção para não contaminação, também devem os meios adequados e inclusivos que afastem as barreiras de cada aluno e suas dificuldades. Na elaboração dos protocolos, os autores devem seguir como premissa que a escola que deve se adequar ao aluno e não o aluno deve se adequar a escola”, afirma.

Caso não haja adaptação, a criação de protocolos e a inclusão escolar efetiva pelas entidades de ensino, os pais podem entrar com um boletim de ocorrência junto às Delegacias de Crimes contra as Pessoas com Deficiência, fazer uma denúncia junto ao Ministério Público, acionar a Defensoria Pública ou medida judicial individual através de advogado constituído.

quarta-feira, 17 de junho de 2020

Pandemia é desafio extra para deficientes

Aline Melo para o Diário do Grande ABC | dgabc.com.br

André Henriques/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

As alterações promovidas no cotidiano por causa da pandemia de Covid-19 são diversas e têm diferentes alcances. Para pessoas com deficiência, medidas aparentemente simples podem significar novas dificuldades em suas vidas já marcadas pela ausência de uma inclusão efetiva. Máscaras são obstáculos para a comunicação de surdos; a determinação de evitar contato físico dificulta ainda a vida de cegos e as mudanças de rotina afetam de diferentes maneiras crianças, adolescentes e adultos que têm TEA (Transtornos do Espectro Autista).

A auxiliar de biblioteca, Marcia de Oliveira Freitas Ramalho de Sousa, 47 anos, moradora de Santo André, é deficiente visual e tem encontrado dificuldades nas atividades que realizava cotidianamente, como ir ao mercado. Após a pandemia, não conseguiu que um funcionário a acompanhasse durante as compras, com a alegação de que não seria possível que ela tocasse no trabalhador. “Na verdade, ele poderia me conduzir pelo carrinho, eu usando máscara, não haveria riscos”, ponderou.

Marcia alerta que até para obter ajuda para atravessar uma rua ficou mais difícil. “Já teve casos de a pessoa dizer ‘pode ir’. Não é assim, quando for oferecer ajuda a um cego, primeiro pergunte do que ele precisa, o diálogo é a base de tudo”, ensinou. A moradora acredita que a Prefeitura deveria ter um cadastro de quantas pessoas com deficiência visual vivem na cidade para ofertar auxílio, não somente neste período de pandemia. “Ofertar um carro para uma consulta médica, para um deslocamento, seria importante”, avaliou.

Para quem precisa da expressão facial e da leitura labial para se comunicar, o uso de máscara vira grande obstáculo. A microempreendedora Debora Medeiros, 32, é mãe de Emily, 12, que perdeu a audição com 1 ano e seis meses. A criança usa implante, mas se comunica por meio de Libras (Linguagem Brasileira de Sinais) e de leitura labial. “Dentro de casa ela não está usando máscara, mas sabe que se sair, vai ter que usar”, relata a mãe. Debora lamenta que o mercado não tenha pensado em produzir máscaras transparentes para este público. “Comigo mesmo ela se comunica por leitura, porque eu não domino Libras”, citou.

Caroline Maciel dos Reis, 23, é moradora de São Bernardo. A jovem, que tem síndrome de down, sente falta de poder sair para o curso de marketing pessoal que faz em uma ONG (Organização Não Governamental) da cidade. Sua mãe, a vigilante Rose Maciel Reis, 50, relata que a filha praticamente não tem saído de casa e anseia pelo fim da quarentena.

Coordenadora da ONG Conecta PCD, de Santo André, Ana Paula Brasil, 39, é mãe de dois adolescentes, ambos com TEA. Mikaell, 14, é autista leve e, se não for por muito tempo, não tem muitos problemas para usar a máscara. Já o Vitor, 15, é autista severo não verbal e não consegue usar o acessório. Recentemente, Ana Paula precisou ir ao mercado na companhia do filho, que por não usar máscara, foi impedido de entrar no estabelecimento. A mãe argumentou que o garoto não conseguia usar a proteção facial e ele foi autorizado a entrar, mas Ana Paula passou pelo constrangimento de ouvir o locutor do mercado anunciar, insistentemente, sobre a lei que exigia o uso de máscaras.

“Minha rotina tem sido muito difícil. O Vitor ia para escola especializada, para as terapias e com o passar do tempo da quarentena foi ficando mais nervoso por causa da saída da rotina. Precisamos aumentar a medicação e hoje não temos como fazer as coisas que promovem a inclusão deles, como ir ao parque ou ao shopping”, relatou. “Me causa muito espanto ver que essas regras que estão impostas está afetando e acabando com a inclusão que a gente luta tanto para promover. Quando comércios, serviços e parques reabrirem, nossos filhos, que não conseguem usar máscaras, vão ter que ficar de fora”, lamentou Ana Paula .

Redes municipais de três cidades têm 938 alunos com deficiência

As redes municipais de ensino de Santo André, São Bernardo e São Caetano têm 938 alunos com deficiência visual e/ou auditiva em suas unidades escolares – as outras quatro cidades do Grande ABC não informaram os dados.

Em Santo André, os Polos de Deficiência Visual e Bilingue, que acolhe 80 alunos cegos, com baixa visão ou surdos, continuam disponibilizando propostas adaptadas para atender as necessidades dos frequentadores, agora por meio remoto. Na página da Prefeitura do Facebook está disponível websérie com cinco vídeos voltados para as pessoas com deficiência.

Também foi disponibilizada uma cartilha para familiares e cuidadores de pessoas com deficiência, com orientações e cuidados necessários, que pode ser acessada no link encurtador.com.br/ctzFJ.

Em São Bernardo, 258 alunos têm atendimento educacional especializado por meio do SAPDV (Serviço de Apoio à Pessoa com Deficiência Visual) e na Escola Bilingue Neusa Bassetto, além dos polos para alunos surdos ou com deficiência auditiva nas Emebs (Escolas Municipais de Educação Básica) Olavo Bilac e Neusa Macellaro, para educação infantil e fundamental. Em todos os equipamentos atuam professores especializados que adaptam os materiais conforme as necessidades e o trabalho segue no modo on-line.

Diretora da escola Neusa Masselaro, Jussara Almeida Bezerra destacou que a tecnologia é grande aliada da inclusão e que os alunos que não contam com acesso a internet ou a computadores e smartphones estão enfrentando dificuldades. “Para o surdo a tecnologia é uma fonte inclusiva que dá autonomia, mas quando ele não tem, se torna um elemento de exclusão muito forte”, destacou.

São Caetano tem 600 alunos com deficiências na rede e as pastas responsáveis elaboraram sequências didáticas individualizadas, considerando as necessidades destes estudantes.

Os alunos cegos utilizam aplicativos específicos que realizam a leitura das atividades postadas na sala Google (NVDA: leitor de tela gratuito) e outros que recebem as atividades impressas em Braille. Para os estudantes surdos, as sequências didáticas/atividades seguem com legenda em Libras (Linguagem Brasileira de Sinais). Quando não há acesso às mídias também recebem material impresso utilizando o recurso de imagens/fotos em Libras.

Diadema não informou quantos alunos com deficiência estão na rede e afirmou que a Secretaria de Educação ainda está produzindo materiais adaptados para atender esse público.

Público precisa de protocolos específicos

Para especialistas e familiares de pessoas com deficiência, o poder público deve pensar protocolos específicos para essas pessoas. Coordenadora da ONG (Organização Não Governamental) Conecta PCD, de Santo André, Ana Paula Brasil tem dois filhos com espectro autista e defende que os parques, por exemplo, sejam abertos em horários específicos para este público.

“Os parques, ou alguma quadra escolar, poderia ser aberta com atividades físicas para as crianças com espectro autista poderem se exercitar, gastar energia, porque eles estão todos no limite. Usando máscara, quem pode, passando álcool gel, seria seguro”, defendeu.

Em Santo André, a Prefeitura está cadastrando pessoas com deficiência e que não conseguem usar as máscaras. Já foram emitidas 110 autorizações e o cadastro pode ser feito no link bit.ly/2TG3daG. Até o momento, a cidade é a única da região a tomar atitude nesse sentido.

Coordenadora da ONG Mais Diferenças, que desenvolve projetos de educação e cultura inclusiva em São Paulo, Carla Mauch lembrou que as pessoas com deficiências não podem ser olhadas de uma forma uniforme, pois cada uma tem suas necessidades e especificidades. Carla destaca que, mesmo pessoas sem qualquer tipo de deficiência, têm se mostrado resistente ao uso de máscaras e cumprimento de protocolos, logo não seria diferente com os deficientes.

“É importante dizer que muitas pessoas com deficiência não estão incluídas, que as políticas publicas são frágeis e que elas também integram grupos de risco. Imaginem uma criança ou adolescente com espectro autista que se contamine com a Covid-19 e precise ficar internada sem acompanhante. Isso precisa ser revisto”, apontou.

Carla lembrou que a pandemia trouxe para a sociedade uma situação de isolamento e exclusão que é muito dura, mas que é a realidade de muitas pessoas com deficiência e que também são cidadãos como todos os outros. Como nós, como sociedade, isolamos essas pessoas por tanto tempo e nunca pensamos nisso”, questionou.

Deficiente visual, palestrante, pianista e escritor, Ari Protázio ponderou que pandemia acentuou as dificuldades da falta de inclusão. “Como navegar na internet se o site não tem todas as funcionalidades, como assistir TV se ela não é acessível. Neste momento, e em todos, é preciso ter empatia com o próximo”, afirmou.

Sociedade deve se adaptar às necessidades dos autistas

Entre os públicos com mais dificuldade para o uso de máscaras estão as pessoas com TEA (Transtorno de Espectro Autista). Doutora e mestre em distúrbios do desenvolvimento, Carolina Quedas afirma que é a sociedade quem deve se adaptar às necessidades deste grupo e não o contrário.

“Eles vêem e sentem o mundo de maneira diferente. A rotina é muito importante porque eles não conseguem se adaptar à mudanças bruscas”, declarou Carolina.

Para a especialista, faltou o poder público pensar detidamente nas necessidades das pessoas com deficiências. “Principalmente as famílias que necessitam de atendimento público. Tenho relatos de famílias que não conseguem achar o médico para pegar nova receita, por exemplo”, destacou.

“Na área de educação, poucas escolas estão preparadas para o atendimento educacional desta população e agora ficou bem claro isso. Não culpo professores, mas claramente o poder público está falhando neste ponto”, concluiu.

Referência na área de direito de vulneráveis, o advogado Marcelo Válio relatou que foi aprovado pela Câmara dos Deputados, na última semana, projeto de lei federal que trata da obrigatoriedade do uso de máscaras em locais públicos, mas determina que pessoas deficiências que as impeçam de fazer o uso adequado do item de segurança estarão dispensadas da obrigação. No entanto, ainda que sancionada pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido), a norma pode não se aplicar aos Estados e municípios, devendo estes aprovarem leis específicas.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2019

Deficiência visual cortical: a criança parece não ver, mesmo com olhos saudáveis

Ver é complexo. É preciso ter isso em mente e fugir da ideia de que simplesmente vemos com os olhos. Isso prejudica a compreensão de muitos profissionais de saúde, pais e professores sobre a deficiência visual de causas não oculares, conhecida como deficiência visual cortical (DVC).


Por Maria Amélia Franco para o visaonainfancia.com

criança com deficiência visual cortical não fixa olhar, nem se interessa por estímulos
Tenha em conta que existe ainda um espectro maior de ocorrências em outras áreas do cérebro, por isso hoje já se fala do termo deficiência visual cerebral, ou deficiência visual neurológica. Há desordens visuais associadas a danos além do córtex visual, incluindo áreas associativas do córtex, estruturas subcorticais e vias que compõe a substância branca do cérebro / Jenny Erickson :: FreeImage
Atenção
Os reflexos de fixação e os movimentos de perseguição, em sentido horizontal, vertical ou circular, se desenvolvem a partir do segundo mês. Com três meses, os bebês são atraídos por objetos brilhantes, em cores vibrantes ou que gerem forte contraste, e pessoas até 20-25 cm de distância.
Por trás da ausência de fixação e de interesse do bebê pelos estímulos podem haver diversos diagnósticos que precisam ser investigados.

Eu aprendi que a criança enxerga com o cérebro através dos seus olhos. Por isso, para ver bem ela depende que estejam preservadas as estruturas oculares, as vias visuais e diversas regiões cerebrais que processam as informações. Porém, tradicionalmente, muito da compreensão sobre a deficiência visual tem sido focada nas consequências de doenças e condições que afetam o olho ou o nervo óptico (como cataratas, glaucoma, retinopatias).

É também importante, claro! Contanto que não seja ignorada a possibilidade de um diagnóstico precoce de deficiência visual cortical e de que é possível intervir.

Embora este texto elucide muitas coisas para você, talvez seja difícil neste imenso Brasil encontrar profissionais que possam ajudar, entre médicos, terapeutas e educadores. O conhecimento a respeito é ainda limitado, mas pode ser adquirido! E falaremos muito sobre isso aqui no blog.

Como diagnosticar a deficiência visual cortical?

Em um webcast para a Perkins School for The Blind, a Dra. Christine Roman, que é autoridade sobre DVC, destaca que infelizmente não existe um protocolo ou recomendação das sociedades médicas para identificar crianças com deficiência visual cortical, como há quanto aos exames oftalmológicos, por exemplo.

No entanto, ela comenta que algumas avaliações preliminares podem ajudar a diagnosticar a DVC:

  • O exame oftalmológico não explica a maneira como o bebê ou a criança vê. Ou seja, mesmo com anatomia ocular normal, ela não olha para o rosto das pessoas e não se interessa por objetos e brinquedos dentro do seu campo visual.
  • Houve algum grande evento neurológico no desenvolvimento do bebê ou após o nascimento.  As ocorrências mais comuns associadas à DVC são a encefalopatia hipóxico-isquêmica por falta de fluxo sanguíneo cerebral e liberação de oxigênio em recém-nascidos prematuros e a termo, o traumatismo craniano e as infecções do sistema nervoso central, como meningite e encefalite.
  • A criança apresenta estes dez comportamentos característicos da DVC listados abaixo.

10 comportamentos típicos avaliados na deficiência visual cortical 

  1. Preferência por cor – crianças com deficiência visual cortical são geralmente atraídas por coisas que têm cores altamente saturadas. Vermelho e amarelo são as cores mais reportadas. Então, ela pode não se interessar pelo tradicional contraste preto e branco.
  2. Atenção ao movimento – apresentar um objeto em movimento atrai a atenção visual da criança com DVC e aumenta o tempo de observação e interesse pelo mesmo. Assim como o cintilar ou brilho de luzes e itens metálicos que dão a sensação de movimento.
  3. Demora para responder ou reagir a um estímulo (latência) – ao mostrar algo à criança com DVC, ela não olha imediatamente, só um tempo após se vira e olha.
  4. Aversão à complexidade – espaços com distrações e poluição visual tornam quase impossível para a criança com DVC perceber e processar os estímulos. Ao apresentar um só objeto por vez, sobre um fundo negro contrastante, sem informações sensoriais concorrentes (pessoas falando, música, brinquedos com som), é possível que ela se concentre em vê-lo.
  5. Alteração no campo visual – a criança com deficiência visual cerebral pode enxergar apenas em partes do seu campo de visão. É preciso avaliar onde ela percebe o estímulo. Ela pode virar um pouco a cabeça ou notar apenas coisas de um lado, e muito comumente, ter dificuldade em perceber o que está abaixo.
  6. Dificuldade com aquilo que é novo ou não lhe é familiar – é natural prestar atenção para aquilo que é novidade, seja por fugir do padrão, do comum ou pelo estado de alerta ao desconhecido. Contudo, para a criança com DVC é um “ruído” do qual ela quer “fugir”. Então elas respondem melhor a coisas que viram repetidas vezes.
  7. Ausência do reflexo de piscar quanto você a toca na ponte do nariz, ou em resposta à uma ameaça visual, como um objeto indo direto em sua direção.
  8. Dificuldade de visualização à distância – a criança com deficiência visual cortical pode não notar algo do outro lado de uma sala, mesmo com exame de vista OK. Isso porque tudo se “mistura” com o fundo, o cenário ou a paisagem. É difícil perceber cada coisa em separado, o que torna a visualização próxima mais fácil.
  9. Olhar para e buscar a luz – a criança com DVC tem muitas vezes a necessidade de olhar para as luzes e ter mais luz no ambiente. Ela não fecha os olhos defensivamente diante da luz intensa, ao contrário, a encara.
  10. Não integrar visão e ação – a capacidade de olhar um objeto e alcançá-lo como uma única ação não é evidenciada na criança com DVC. Ela olha para um alvo, desvia o olhar, e depois tenta alcançar sem olhar.

Aprender a ver é um processo

Além do reconhecimento da deficiência visual cerebral, que pode se manifestar em diferentes “graus”, outro desafio é aumentar as expectativas dos pais, médicos, terapeutas e professores sobre as possibilidades de aprendizado dessa criança. 

Simplificando, compartilho as palavras da Dra. Christine Roman sobre as crianças com DVC: “(antes do diagnóstico) Elas estão realmente em uma espécie de período de privação. Elas não estão recebendo informações de seu mundo visual. E as expectativas das pessoas são baixas em relação a essas crianças, conformando-se que elas simplesmente são assim em decorrência das ocorrências tão graves que acometeram seus cérebros”.

Enfim, para elas, aprender a ver é um processo e há formas específicas de intervenção.

sexta-feira, 24 de agosto de 2018

Braile – As palavras nas pontas dos dedos

Resultado de imagem para braile criança

Pensando naqueles que não podem enxergar, um sistema de leitura para cegos foi criado. O sistema foi idealizado primeiramente para utilização militar, para que conseguissem ler mesmo no escuro e foi adaptado e aperfeiçoado pelo deficiente visual Louis Braile, de onde é a origem do nome.

O método foi criado em principio por 12 pontos que foram aperfeiçoados para 6 pontos. Eles são formados por duas colunas com 3 pontos cada. A junção dos seis pontos traz a possibilidade de formar 63 símbolos distintos onde são utilizados para leitura de literatura, música, matemática e atualmente também na informática.

Para conseguir fazer a leitura em braile é necessário o conhecimento dos símbolos que pelos deficientes visuais é lido através do tato, pelos dedos. O método de leitura é realizado da esquerda para a direita e é possível fazer a leitura também com a visão.

Infelizmente são raros os locais e estabelecimentos que disponibilizam para os deficientes visuais cardápios e instruções com leitura em braile. Locais onde o acesso é dificultado e impossibilita a circulação e autonomia de deficientes visuais, pois sempre necessitam de ajuda de alguém.

Já na informatização, o avanço ocorre de forma incrível. Onde capas de teclado foram criadas para leitura em braile e oferecem a oportunidade de deficientes visuais a utilizar computadores. Melhor que isso, programas que conseguem traduzir o Palavras para o braile e vice e versa, imprimindo através da voz do usuário o que estão pesquisando. Existem também opções de computadores falantes que informam cada aplicativo e caminhos para que o deficiente visual possa participar da vida virtual normalmente, inclusive redes sociais postando fotos, comentando posts e verificar todas as suas atualizações.

E para que possam ter acesso total e ter uma vida normal é possível encontrar equipamentos, brinquedos e até mesmo relógios com leitura braile. Alguns equipamentos criados para cegos utilizam invés do braile, o som. O código braile possibilita que cegos produzam, realizem projetos e tenham uma vida como qualquer outro cidadão. Aguarda-se a evolução e a adaptação do método como forma obrigatória de comunicação em todos os locais públicos, e oferecem assim a oportunidade de igualdade que todo ser humano merece.

Crianças Cegas

Logo nos primeiros meses é possível notar alguns sinais de diferença de comportamento do bebê. Sintomas como o olhar perdido e vazio, a ausência de reações quando esta próxima ao seu corpo e o fato de não seguir com os olhos os movimentos ao seu redor, estes são sinais evidentes de algum problema na visão.

O diagnóstico é dado por um especialista após avaliação e exames complementares que trarão informações sobre o grau da cegueira. Em alguns casos, crianças conseguem enxergar vultos e sombreados, ou até conseguem enxergar com o objeto bem próximo aos seus olhos. Já em outros mais graves, a criança não consegue enxergar absolutamente nada, e tem como acesso ao mundo o tato e o sexto sentido que é extremamente aguçado.

Problemas de cegueira podem ocorrer por diversos fatores. Podem ser desde o nascimento como decorrentes de algum problema de saúde, incluindo infecções oculares. Para entender como vive uma criança cega, basta fechar os olhos e se esforçar para enxergar o mundo através das mãos. O medo e os questionamentos sobre como será a vida de seu filho deficiente visual é inevitável, afinal, todos temos medo do desconhecido e das dificuldades do mundo. O primeiro passo é procurar um especialista que irá direciona-los para um acompanhamento adequado e poderá proporcionar a direção que irá precisar daqui para frente.

A criança cega necessita dos mesmos cuidados de uma criança que tem a visão perfeita. Precisa de amor, carinho, disciplina, educação, lazer, compreensão e acima de tudo, muita paciência. Ele poderá não conseguir realizar algumas tarefas, mas ser totalmente competente em outras. Muitos se identificam com a prática de esportes ou com a arte e tornam-se artistas renomados. Como não conseguem enxergar, desenvolvem minuciosamente os outros sentidos identificando com precisão sons, odores e o toque.

Existem alguns institutos e organizações que apoiam, incentivam e auxiliam crianças e adultos deficientes visuais. Ajudam a proporcionar a chance de aprendizado e o direito de ler e escrever mesmo que por métodos de braile. Inclusive devido a inclusão social obrigatória, conseguem qualificações e oportunidades profissionais, onde crescerão profissionalmente e terão seus devidos reconhecimentos.

Fonte: trocandofraldas.com.br

quarta-feira, 23 de maio de 2018

13 dicas para brincar com crianças com deficiência visual

Porque brincar é um direito de TODAS as crianças, sem qualquer distinção


A pedagoga da Fundação Dorina Nowill para Cegos, Edni Fernandes Silva, lista 15 brincadeiras para estimular a diversão de crianças com deficiência visual ou de baixa visão. Afinal, toda criança tem o direito de brincar e vivenciar sua infância plena. 

Brincadeiras para crianças com deficiência visual

Durante todo o mês de abril, foi trabalhado em todo o país o “Abril Marrom”, mês de sensibilização sobre a realidade de pessoas cegas ou com deficiência visual. A data é um esforço de diversas entidades médicas, centros hospitalares para minimizar os efeitos provocados pela perda da visão.

Quando o assunto é infância, é preciso considerar que práticas de inclusão passam por um entendimento pleno do contexto da criança com deficiência, mas não podem, em hipótese alguma, desconsiderar que a criança jamais deve ser esvaziada de sua principal característica: a ludicidade.

Por isso, levar em conta as limitações dessas crianças na hora de planejar as brincadeiras dos pequenos é fundamental. Por ocasião da Semana Mundial do Brincar de 2017, a Fundação Dorina Nowill listou algumas dicas simples mas cruciais para incluir crianças com necessidades específicas:

Uma das pedagogas da instituição, a profissional Edni Fernandes Silva, tem algumas dicas de como brincar e estimular a brincadeira com as crianças que têm deficiência visual, garantindo um melhor desenvolvimento dos pequenos.

1. Reconhecimento do outro: Use toques e voz suaves ao se comunicar com a criança que tem deficiência visual, aproximando sua face do rosto dele para que ela possa percebe-lo e toca-lo.

2. Conhecendo o próprio corpo: Auxilie a criança a conhecer o próprio corpo com toques enquanto nomeia cada parte tocada.

3. Descobrindo os sonhos: Incentive que a criança siga em direção ao som de brinquedos ou da sua voz. É interessante ter brinquedos que emitam sons, como chocalhos, bolas e pelúcias com guizos.

4. Investindo na sociabilidade: Brinque com a criança com deficiência visual e incentive que outras pessoas também brinquem e interajam com ela. Assim, ela se tornará mais sociável e receptiva, facilitando os relacionamentos interpessoais.

5. Imitando sons: Imite os sons que seu bebê faz e crie estímulos para que ele possa imitá-lo. Isso auxiliará na comunicação.

6. Curiosidade sensorial: Se o bebê ainda não senta, coloque-o de lado para manusear o brinquedo. Invista em brinquedos com texturas diferenciadas, para estimular o tato e a percepção de diferentes objetos.

7. Jogo de orientação: Dê objetos à criança nomeando-os e relacionando às possíveis ações que poderão ser feitas com este item. Exemplo: “A bola. Pegue a bola. Chute a bola. Jogue a bola para cima”.

8. Conhecendo texturas e formatos: Procure usar brinquedos contrastantes, coloridos, luminosos, de diversas texturas e tamanhos.

9. Explorando a curiosidade tátil: Propiciar momentos em que a criança manipule e crie espontaneamente jogos a partir da exploração de objetos concretos.

10. Brincadeiras com miniatura de objetos: Elas possibilitam que a criança tenha uma melhor compreensão de objetos muito grandes ou impossíveis de serem alcançados (casinha com telhado, elefante, caminhão, avião, fogão, geladeira, entre outros).

11. Brincando com as mãos: Vale incentivar brincadeiras infantis com o uso das mãos, como dedo mindinho, seu vizinho; passa anel.

12. Jogos com bola: Se não for possível ter uma bola com guizo, envolva a bola com saco plástico, assim ela fará barulho enquanto se desloca.

13. Salte para o alto: Com a criança agachada, segure em suas mãos e peça para ela se levantar ”bem forte e bem alto”, ajudando com um leve “puxão“ para cima. 

Brincar de fantoche com as crianças favorece a expressão de emoções e fortalece os vínculos afetivos.

Jogos brincadeiras para fazer com crianças cegas ou de baixa visão

  • Brincadeiras de roda: Cantigas, parlendas, rimas;
  • Meu mestre mandou: Como sugestão, trabalhar o esquema corporal com as crianças, solicitando que coloquem as mãos na cabeça, joelhos, pescoço, cotovelo, barriga, pés, mãos, etc.
  • O que é, o que é?: Brincar de adivinhação utilizando as mãos para descobrir a textura e formato dos objetos. Materiais como embalagens de xampu, escova de dentes, talheres (colher e garfo), chaves, caneta/ lápis, frutas, etc.
  • Vai e vem: Brincar alternando a criança de lugar é um estímulo à coordenação visuomotora.
  • Fantoches/Dedoches: Esses brinquedos estimulam a imaginação, linguagem e o pensamento, além de  favorecerem a comunicação e expressão de sentimentos e emoções.
  • Blocos de construção: Brincar com blocos favorecem o desenvolvimento da atenção e concentração, associação de formatos  e tamanhos, desenvolvimento de movimentos amplos e finos, coordenação visual e motora e noções de equilíbrio. Esses brinquedos também propiciam à criança a satisfação de inventar, construir, desconstruir e transformar, estimulando a criatividade.
  • Massa de modelar: Estimula o desenvolvimento da coordenação motora fina e a criatividade.
  • Jogo da velha adaptado: Permite interação com quem não tem deficiência visual.
  • Jogo da memória tátil: Utiliza a percepção tátil e a memória para reunir o maior número de peças.

Brincadeiras que retomam a infância dos pais

  • Estátua;
  • Passa anel;
  • Centopeia;
  • Telefone sem fio.

Brincadeiras fáceis de fazer

  • Jogo de argolas: Estimula a percepção visuomotora, a identificação de cores para as crianças com baixa visão e a relação número / quantidade. Confecção: Colocar uma porção de areia no fundo de 10 garrafas descartáveis. Cortar tiras de papel crepom colorido e colocar uma cor em cada garrafa. Recortar números de 1 a 10 em papel preto ou fita adesiva preta e fixar cada número em uma garrafa. As argolas podem ser confeccionadas com tampas de plástico ou anéis de fitas adesivas que encaixem nas garrafas.
  • Jogo de boliche: Estimula a percepção visuomotora, a identificação de cores e a relação número x quantidade. Confecção: Colocar uma porção de areia no fundo de 10 garrafas descartáveis. Cortar tiras de papel crepom colorido e colocar em cada garrafa uma cor. Recortar números de 1 a 10 em papel preto ou fita adesiva preta e fixar cada número em uma garrafa. As bolas podem ser confeccionadas com meias velhas. E podem ter guizos em seu interior

Fonte: Lunetas

sexta-feira, 13 de abril de 2018

Braile é ferramenta para inclusão social da pessoa cega


Os novos aplicativos que transformam em áudio textos escritos em mídia eletrônica não substituem o braile. O sistema de leitura e escrita pelo tato é fundamental na alfabetização e no processo educacional das pessoas cegas ou com alto comprometimento da visão. A importância desse instrumento de inclusão é lembrada em 8 de abril, Dia Nacional do Braile.

Apesar da facilidade de ouvir os textos, pessoas com deficiência visual afirmam que o sistema inventado pelo francês Louis Braille, em 1827, é imprescindível. A escrita e a leitura são feitas pelo tato e baseiam-se na combinação de seis pontos em relevo, dispostos em duas colunas de três pontos, o que permite a formação de 63 caracteres.

UNIVERSO – No Paraná, de acordo com o censo do IBGE 2010, o número de pessoas que declarou ter deficiência visual chegou a 1,7 milhão. Porém, nas formas severas, que incluem as pessoas cegas e com grande dificuldade de enxergar, o número é de 321,6 mil.

No começo deste ano, a Secretaria da Família e Desenvolvimento Social lançou o Plano dos Direitos da Pessoa com Deficiência (2018 – 2021), com versão em braile. Na versão  digital, disponível na página da Secretaria da Família, com ferramenta que facilita a navegação, e nas outras duas versões impressas, tradicional e para pessoas com baixa visão.

Coordenadora estadual da Política da Pessoa com Deficiência, da Secretaria da Família, Flavia Cordeiro explicou que o objetivo de publicar o plano em várias versões é tornar as informações mais acessíveis possível. “É importante que toda pessoa com deficiência tenha conhecimento de seus direitos e quais são as políticas que podem lhe beneficiar”, explicou Flavia.

O plano é resultado da parceria com representantes de 11 secretarias estaduais e cinco órgãos da administração indireta e contou com a participação da sociedade civil, pelos conselhos municipais e pelo Conselho Estadual dos Direitos da Pessoa com Deficiência (Coede).

Em todo o estado, a Secretaria incentiva projetos para pessoas com deficiência. O atendimento é feito por entidades sociais, nos Centros de Referência de Assistência Social (Cras) e, em casos especiais, no Centros de Referência Especializado de Assistência Social.

ALFABETIZAÇÃO - O ex-atleta paraolímpico Mário Sérgio Fontes é cego desde os 3 anos. Por volta dos 6 anos, como qualquer criança, começou a frequentar a escola. “Não aprender braile priva o cego da leitura. Quanto mais cedo se aprende, melhor é para o desenvolvimento do tato”, relatou o ex-atleta.

Ler em braile possibilitou a Mário Sérgio concluir o curso de Direito, área em que chegou a trabalhar em escritórios de Curitiba. Porém, Mário não estava satisfeito. Fez vestibular novamente e se formou em Educação Física, pela Universidade Federal do Paraná, em 1990. Porém, sua ligação com o esporte vem desde os anos 80.

“Sou o primeiro professor de educação física cego. Trabalho no que gosto e estou perfeitamente adaptado e feliz”, contou, satisfeito. Hoje, com 60 anos, é técnico da Secretaria Estadual de Esporte e Turismo, responsável pelo paradesporto no Paraná, e membro do Comitê Paraolímpico Brasileiro.

Em 1984, Mário Sérgio participou da criação da Associação Brasileira de Desportos para Cegos (ABDC), o que garantiu a participação de deficientes visuais na Paraolimpíada de Nova York. Também foi representante brasileiro no subcomitê de Futebol de 5 da Federação Internacional de Esportes para Cegos, na Paraolimpíada do Rio.


ESTUDOS – O sociólogo Ivã de Pádua perdeu completamente a visão aos 8 anos, devido ao glaucoma. Hoje, aos 38 anos, faz mestrado em Educação e acumula duas especializações, em políticas públicas e em educação especial. Também ocupa o cargo de coordenação de imprensa e divulgação, da Associação Cascavelense de Pessoas com Deficiência Visual – Acadevi, em Cascavel.

O braile foi fundamental para Ivã seguir os estudos acadêmicos. “Aprendi espanhol e agora estou aprendendo inglês. Sem o braile seria impossível conhecer a grafia das palavras dessas línguas e mesmo da língua portuguesa”, contou Ivã. Ele faz questão da impressora braile e outros equipamentos que transformam textos em português para braile.

Ivã é conselheiro do Conselho Estadual dos Direitos da Pessoa com Deficiência. O conselho, composto por 12 membros ligados ao governo do estado e a mesma quantidade de pessoas da sociedade civil, participou ativamente da elaboração do Plano dos Direitos da Pessoa com Deficiência.

DATA – O dia 8 de abril foi escolhido como o Dia Nacional do Braile em homenagem ao nascimento de José Álvares de Azevedo, o primeiro professor cego brasileiro. Azevedo tinha deficiência visual desde o nascimento e estudou o método em Paris.

Fonte: www.desenvolvimentosocial.pr.gov.br

sexta-feira, 5 de maio de 2017

Menina de 6 anos cria lista de lugares que deseja ver antes de ficar cega

Apesar da doença, Molly está sempre com um sorriso no rosto.

lugares que ela quer conhecer

Molly Bent, de 6 anos de idade, foi diagnosticada com uma doença que a está deixando cega, chamada retinose pigmentar. Apesar de nascer com um visão perfeita, um ano atrás, os médicos identificaram a condição.

A doença foi percebida quando a menina entrou na escola. A mãe de Molly notou que a filha tinha dificuldades para ver a lição e assistir programas de TV. Molly começou a usar óculos, mas o problema persistiu.

O problema foi descoberto após 18 meses em busca do diagnóstico. A retinose pigmentar é uma doença genética que pode causar a perda total da visão. Por isso, os dois irmãos da menina, Samuel, de 2 anos, e Charlote, de 5, estão passando por testes para saberem se possuem a doença.

lugares que ela quer conhecer

Os pais da menina, Eva e Chris, começaram a levantar fundos para realizarem uma lista de desejos da filha. O principal deles é poder ver alguns lugares antes de ficar completamente cega.

Os pais da menina, Eva e Chris, começaram a levantar fundos para realizarem uma lista de desejos da filha. O principal deles é poder ver alguns lugares antes de ficar completamente cega.

lugares para conhecer antes de ficar cega

“Desde que recebemos o diagnóstico estamos tentando angariar fundos para criar memórias especiais para Molly quando ela perder a visão”, contou Eva ao Daily Mail. “Temos a levado ao zoológico, a casa de borboletas em Lancaster e ao Museu de Manchester para que ele visse as múmias egípcias e os dinossauros”, concluiu.

lugares para conhecer cega

Fonte: Razões para Acreditar

terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

Para lá do silêncio, para lá da luz - Parte II

Feche os olhos, tape os ouvidos, imagine a sua vida assim para sempre! Apesar da perda das cores e dos sons, a vida continua a fazer sentido, continua a haver lugar à felicidade, ao crescimento, ao futuro. É isso que se ensina todos os dias no colégio António Aurélio da Costa Ferreira, em Lisboa, o único centro para surdocegos em Portugal.

Parte I

Atividades e pessoas

Nas paredes do atelier há máscaras de gesso com a cara de algumas das crianças. Há barro, carpintaria, pinturas... Entramos. A Ezanilza está acabando uma jarra em barro. Está nervosa. As arestas não ficaram como a sua perfeição lhe exige. Acaba a obra com o desenhar em relevo de um ramo de flores com a ponta de um lápis. Depois, num emaranhado de gestos e alguns sons distorcidos, de quem já ouve faz tempo, informa que quer que a Juliana - outra menina que ainda tem alguns resíduos de visão - venha pintar as flores. "A Ezanilza tem muita confiança nos olhos, diz Jú.".

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Culinária e natação Fotos: CED António Aurélio da Costa Ferreira

Na sala vermelha os meninos têm menos capacidades. Quando um menino aprende a mastigar, a novidade é tida como uma vitória estrondosa. E no dia seguinte ele pode esquecer todo o trabalho feito.

No chão está "o Bebé". Um menino de cinco anos que ainda não tem um diagnóstico completo das suas deficiências, e com uma saúde muito débil. Foi adotado, rebatizado e amado. A sua história é simples: já nasceu para ser adotado, só que quando os novos pais souberam que afinal tinha uma doença, desistiram. A médica do hospital foi-se apaixonando pelo caso, levou-o para casa, serviu de família de acolhimento. Até que um dia descobriu que o Frederico - é assim que lhe chamam - fazia parte da família. Agora o tribunal também decidiu que assim será por muito tempo. Frederico adora as luzes fluorescentes na câmara escura. Adora brincar no chão e logo a seguir ao almoço vai para a porta à espera que o novo pai chegue para o levar.

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Almoço Foto: CED António Aurélio da Costa Ferreira

Antigamente, muitos meninos não reconheciam os pais, quando passaram a os reconhecer foi uma grande vitória, uma conquista progressiva, um sinal do muito trabalho em conjunto com as famílias.

Noutra sala, o Bruno conta com a voz muito presa que no fim-de-semana comeu caracóis e bebeu cerveja. Já passou a barreira dos vinte anos há algum tempo. Conta ainda que foi cortar o cabelo e arremata a sua descrição com a notícia de que a irmã teve um bebê. "O Bruno só gosta de pessoas que usem gravata. No ano passado após uma febre ficou em coma. Perdeu grande parte das aprendizagens do passado, agora, está a reencontrar-se outra vez". Sempre que lhe apresentam uma mulher, invariavelmente, pergunta: "Queres namorar comigo?".

Participação das famílias, colônias de férias, experiências no mundo

O trabalho com os pais é sem dúvida um passo importante, desse trabalho nascem muitas vezes novas esperanças para quem já não as tinha, ou para quem sem querer, as tinha arrumado numa gaveta perdida. É muito importante ir passando toda a aprendizagem que se realiza para casa, "cada gesto novo, cada nova competência, saber partilhar as dificuldades e também os sucessos, as esperanças e os sonhos.

"A grande maioria das crianças vai para casa de quinze em quinze dias, mas há também quem vá todos os fins-de-semana, todos os dias... E há os que permanecem na instituição sempre...

Será que por serem cegas e surdas estas crianças e estes adultos perdem a noção do mundo? Viajar, para eles, fará algum sentido? Claro que sim. As viagens de estudo e as férias são uma componente muito importante, uma forma de motivar alunos, educadores e famílias.

Há colônias de férias em conjunto com os pais uma vez por ano, e com direito a praia e tudo. Visitas aos lugares históricos e mil passeios. Todos os meninos já brincaram com neve da Serra da Estrela - um deles levou a brincadeira tão a sério que se despiu totalmente para que o contacto com o frio fosse maior. Já conheceram as belezas de Alcoutim. Fizeram troca de instalações com uma instituição espanhola que lhes permitiu que conhecessem a cidade de Vigo. E com algumas artes para levarem água ao moinho e patrocínios bem negociados, no ano passado foram à Madeira durante uma semana.

"Eles apercebem-se claramente que estão em lugares diferentes". Estes passeios, para além de servirem de estímulo, servem como tema de trabalho nas semanas antes e depois da partida.

E se pensa que o dia-a-dia destas crianças é de clausura no colégio está muito enganado, eles vivem as pequenas coisas da vida: vão ao cinema, ao teatro, ao McDonalds... Adoram a sensação do silêncio na pele, as pipocas, as vibrações a tocar no corpo, os resíduos de cores no fundo da tela. Nunca vão a lado nenhum sem saberem o que vão fazer, "antes de cada passeio é feito muito trabalho, conta-se a história, trabalha-se o tema". E também há viagem, os transportes públicos, a escolha dos caminhos, tudo decidido por sinais e gestos.

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Decoração de pneus que serão assentos, canteiros e outras utilidades que a imaginação lhes permite dar.
Foto: CED António Aurélio da Costa Ferreira

Há pouco tempo, visitaram a quinta pedagógica, decidiram almoçar num restaurante: "as crianças pareciam uns doutores comendo... O dono do restaurante, depois das primeiras reservas, acabou por convidá-los a voltarem". O mesmo se passa no cabeleireiro, na depilação, só não vão às discotecas. Mas se Maomé não vai à montanha... No ano passado, uma empresa montou uma discoteca no refeitório do colégio: "eles adoraram". Tal como adoram as visitas à Feira Popular: "andam em tudo!". Num dos passeios, pararam numa área de serviço na estrada, e orgulhosos os educadores ouviram a frase: "há aí muita gente que anda e vê mas são bem mais deficientes!"

Tó Zé

A conversa foi muito mais fácil do que podia parecer: uma das educadoras coloca-se à frente do Tó Zé e cada um deles agarra as mãos do outro. Começa a dança das mãos, da linguagem, da mensagem transmitida por gestos: a utilização da linguagem dos surdos através do tato. De fora parece uma dança no silencio. É difícil fazer a primeira pergunta, apenas sabemos as palavras, mas estranhamente tentamos pensar em gestos.

Tó Zé faz encadernações na Biblioteca Nacional, antes produzia as capas dos livros, mas como foi perdendo a visão foram-lhe dando trabalhos mais básicos onde pudesse apenas trabalhar com as mãos. Agora, costura as lombadas dos livros.

Além de trabalhar, gosta muito de conversar, ir à associação de surdos, e "é um festeiro". Tem uma filha. Uma adolescente que nasceu de um casamento que já acabou. A filha sabe a linguagem gestual, juntos vão para a noite, para os bares, e claro, às compras nos centros comerciais e ao café. Um dos passos mais importantes na vida do Tó Zé foi uma viagem que realizou à Bélgica a um congresso de surdocegos. Foi um marco na sua vida, conheceu muitas pessoas na mesma situação. Em Portugal não há muitas pessoas com o mesmo problema vivendo na sociedade de uma forma ativa.

Tó Zé descobriu que nos outros países existem mais soluções, outras formas de resolver os problemas de pessoas como ele. "Há mais lugares para as pessoas que não produzem tão rapidamente." A viagem abriu-lhe novos horizontes e sobretudo recebeu informações de como criar uma associação de surdocegos. Dá vontade de lhe perguntar se ele se considera uma espécie de herói. O problema é que este conceito não existe na linguagem gestual. Acabamos por perguntar: você se considera uma pessoa importante por tudo o que já conseguiu? "Não, não me sinto importante, mas sei o meu lugar na luta para o alerta do Governo e da sociedade para a necessidade que temos de intérpretes para quando vamos a um médico, a um tribunal... Temos que arranjar formas de acabar com as barreiras da comunicação."


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Sala de Bem-estar e Estimulação Sensorial Fotos: CED António Aurélio da Costa Ferreira

Tó Zé assume que é vaidoso, gosta de estar bonito, de ter roupa as adequadas e perfume. "Gosto de me mostrar bem." Mas como é que ele sabe se gosta de uma coisa? "Sente-se através das mãos. Os amigos às vezes ajudam-me a comprar as coisas. Dizem se é muito verde, ou mais azul..." Surge outra pergunta: Você se lembra das cores? "Sim, mas agora já não as vejo". A conversa continua, depois de algum tempo a tradutora desabafa: "estou ficando doida, como e que eu vou dizer-lhe isto?". Tó Zé, do seu jeito, logo arranja uma maneira.

No Refeitório, na sala, no resto da escola

No refeitório, no meio do silêncio, o barulho ganha espaço. O que se ouve ouve-se bem, e os sons ganham outro peso. Apesar de não ser mais barulhento do que um restaurante na hora de maior movimento, os sons ganham novos contornos. Começa a estranha dança das bandejas. As crianças mexem-se pela sala com total desprendimento, com as bandejas nas mãos esperam em filas que alguém os sirva, depois voltam para o seu lugar, sentam-se e comem. É raro as crianças interagirem umas com as outras, é mesmo muito raro, e quando isso acontece é devido ao estímulo dos educadores. Cada um tem o seu caminho, o seu lugar, e há quem leve isso muito a sério. Algumas crianças, umas vezes por defesa, outras por teimosia, fazem sempre o mesmo caminho, têm rituais... E isso provoca choques - e aqui a palavra pode até ser bem mais abrangente.

No meio da sala, uma menina dança agarrada as caixas de som. São as mãos que percebem os sons. Quando a música não tem suficientes baixos para sentir o ritmo, muda a estação de rádio. Dança, mexe o corpo, as ancas, a cabeça. Todo o corpo gira, as mãos captam os sons como se fossem um transmissor. O ritual repete-se e quem vê sente-se um intruso. 



No colégio, os pensamentos muitas vezes não têm segredos para quem sabe ler os significados nas mãos.

No recreio, em cima de um cavalinho de pau e mola que oscila, está a Catarina. Ela conhece bem o espaço, apesar de não ouvir e não ver nada, mexe-se com total liberdade. Trata o cavalinho por tu. As suas mãos mexem-se numa estranha dança. O que se passa? "Ela está pensando." E logo alguém traduz: "o cavalo parou! " Há quem pense com palavras, há quem pense com gestos.

Com um movimento forte, a Catarina volta a balançar o cavalo de pau na mola. Os cavalos são a sua paixão, graças aos cavalos - verdadeiros e não de pau - o seu corpo ganhou uma nova postura, passou a ter um melhor relacionamento com os outros. Os seus dias tornaram-se diferentes. O seu calendário passou a ter como referência os cavalos... ou como os adultos gostam de chamar: o tratamento de hipoterapia.

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Jardim Sensorial Fotos: CED António Aurélio da Costa Ferreira

Tudo acontecendo

Ao fim do dia, as crianças vão tomar banho e arrumar-se. Tirando os menores, todos fazem as tarefas mais elementares sem precisar de ajuda. "É muito importante torná-los o mais independentes possível." Como os olhos não vêem e ali nunca aparecem desconhecidos, não há grandes pudores quando se tira a roupa. Cada um segue em frente, escova os dentes, faz as necessidades mais elementares, despe-se, toma banho, veste o pijama. As gavetas das cuecas têm pequenas cuecas recortadas coladas por fora, o mesmo se passa com os soutiens e o resto. Uma criança de dois anos está sentada no penico, mesmo sem fazer nada é obrigado a permanecer... é assim que se conquista cada passo rumo à independência.

As educadoras, como um maestro, vão orientando as operações com gestos tocados. Parece mímica. Sempre que transmitem as suas ordens e conselho, dizem em voz alta o que falam com as mãos. Porquê? A resposta é simples: "senão era tudo um silêncio!" O engraçado é que, mesmo quando nos respondem, as mãos não param.

Todas as estrelas no céu.


O calendário e o tempo passam com ritmos diferentes dentro deste colégio, mas o Natal e as festas populares nunca passam sem festa. Para o Natal deste ano, cada pessoa recebeu em casa, juntamente com o convite, uma estrela amarela com o seu nome. Antes do almoço de Natal, os meninos representaram uma peça de teatro sobre O Pequeno Príncipe". Pais e amigos foram ver a representação. Um trabalho de equipe que mobilizou muita gente.

No Colégio vive também um pequeno grupo de meninos sem deficiências - os "ouvintes" - esses meninos vão muito em breve para outros lares da Casa Pia de Lisboa, instituição que tutela o colégio. Uma oportunidade desta poder desenvolver novos valores.

Os meninos "ouvintes" também entraram na peça de Natal. Para além de ler as falas de cada personagem, orientaram, vestidos de preto, os meninos surdocegos no palco improvisado. "Parecia um espetáculo de marionetes a fingir". Todos os personagens estavam vestidos e maquiados para representarem os seus papéis. A semelhança destes meninos com o Pequeno Príncipe é incrível: "Todos eles nos marcam com as suas diferenças e o seu cativar, com a sua magia".

No final da peça, meninos, educadores, empregados e pais colaram as estrelas amarelas com o seu nome no cenário azul da parede. Um céu azul ficou iluminado de estrelas amarelas. É que tanto nesta escola como na vida, o mundo só se faz com a participação de todos. Toda a gente tem o seu lugar, mesmo que para lá do silêncio, mesmo que para lá da luz.

Fonte: BengalaLegal


terça-feira, 31 de janeiro de 2017

Para lá do silêncio, para lá da luz - Parte I

Surdocegos

Feche os olhos, tape os ouvidos, imagine a sua vida assim para sempre! Apesar da perda das cores e dos sons, a vida continua a fazer sentido, continua a haver lugar à felicidade, ao crescimento, ao futuro. É isso que se ensina todos os dias no colégio António Aurélio da Costa Ferreira, em Lisboa, o único centro para surdocegos em Portugal.

Nenhum texto alternativo automático disponível.

Ser cego é uma pessoa não ver. Ser surdo é não ouvir. Ser surdo-cego é muito mais do que a soma das duas deficiências... Esta é a primeira lição, uma espécie de lei que se aprende ao passar da porta do Colégio.

Ser surdocego não significa necessariamente não possuir os dois sentidos: há quem veja um pouco e nada ouça, quem apanhe alguns sons e tenha ainda resíduos das cores e dos movimentos, quem tenha nascido sem nenhum dos dois sentidos E quem sentiu aos poucos a perda a marcar-lhe a vida, hora a hora, minuto a minuto. O mais terrível foi quem, de um momento para o outro, passou a ver só silêncio e escuridão. Grande parte das histórias de surdocegos é isso mesmo, a perda sucessiva dos sentidos: visão, audição... e quem sabe, paladar e tato.

Quando se nasce surdocego não se sabe que o mundo é diferente. Não se sabe que existem cores, números, pode-se até nunca descobrir a "noção do eu". É o ato de aprender que nos distingue dos outros, há que aproveitar cada momento para aprender e preparar as competências para o que a seguir virá. Para um surdocego há metas que se impõem, como a aprendizagem do Braille, a linguagem gestual... O difícil será sempre aprender a viver com as perdas e esquecer a pergunta: "porquê eu?".

O Colégio

No interior há um pátio quadrado, a cada um dos cantos existem quatro diferentes casas: amarela, verde, vermelha e azul. Cada uma corresponde a uma sala diferente, a uma equipe de educadores, a um trabalho específico, e claro, a um grupo muito particular de usuários, porque alguns já não são crianças.

Todos os espaços estão marcados por texturas, o relevo do chão permite-nos saber onde estamos mesmo com os olhos fechados. A pequena subida no piso anuncia uma porta. O quadrado em pedra picada no chão informa: escadas. O frio do corrimão guia-nos no descer e subir dos degraus. As texturas e as cores das portas dizem se se trata de um quarto, uma casa de banho... Cada quarto tem o nome e o símbolo de quem lá dorme. No jardim, os caminhos de tijolos estão entrincheirados entre o piso de pedrinhas. Assim, todos dominam o espaço.

Movimentos e tarefas

De repente, uma patinete aproxima-se, um menino de 14 anos acelera a grande velocidade. Pressente-nos, afasta-se, e continua. Não ouve, apenas vê sombras muito reduzidas do que tem à sua volta. Ignora-nos mas sente-nos. Umas voltas mais tarde, a patinete pára, o Ricardo senta-se num banco abanando um pequeno lápis sem ponta em frente dos olhos. Fica assim quase uma hora, vendo o movimento, ou o que resta dele.

São oito e meia da manhã. As crianças depois de se vestirem e de se arranjarem descem dos quartos do primeiro andar. Sobre a mesa da sala há um sem número de embalagens de cereais para o café da manhã. Há ainda leite, chá, suco, iogurtes, pão, bolo e doces. E há que escolher. É destas pequenas escolhas que se definem as personalidades de cada um quando o vocabulário é tão reduzido. Cada opção, cada escolha funciona como forma de marcar o espaço de um indivíduo.

A seguir, vêm as atividades, basta ver o calendário, alguém tem por missão de lavar e arrumar a louça na pequena cozinha de apoio da sala amarela. Durante o dia a lista de trabalhos e atividades muda consoante a sala e a criança em questão.

Tudo o que é feito é anotado numa espécie de diário - os cadernos - a anotação pode ser através de um desenho, um sinal, ou frases escritas pela criança ou por um adulto se esta ainda não domina as escritas. Quase todas as crianças têm tarefas, responsabilidades, aprendizagens e jogos. Há a culinária, os passeios, os quebra-cabeças pedagógicos, a ginástica, a piscina, a hipoterapia, o recreio, o atelier de artes plásticas.

Fonte: BengalaLegal
Foto: CED António Aurélio da Costa Ferreira

sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

Lego ajuda crianças cegas a sentir a arte

Numa experiência inovadora e premiada, a Lego proporcionou para um grupo de crianças a experiência de sentir a arte. Primeiro, educadores descreveram a pintura “O Cavalo Azul”, do expressionista Franz Marc (1880-1916), passando pincéis para crianças com deficiência visual. Depois, elas foram convidadas a interpretar a obra usando as peças de montar. Para finalizar, as crianças cegas descreveram suas criações para crianças que enxergam. Assim, uma pode entrar em contato com o mundo da outra e estimular a imaginação.

A ação, que foi realizada durante a reabertura do museu alemão Lenbachhaus, em 2014, conquistou o Leão de Prata 2014 no Festival de Publicidade de Cannes.



Fonte: Casa do Brincar

sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

Inclusão Escolar: um direito de Todos!

Essa é uma foto de uma criança que está em rede regular de ensino, mas não tem como ser alfabetizado em braile, porque a escola não vai poder ofertar o profissional especializado, para acompanhá-lo em sala de aula. Uma imagem diz mais que mil palavras... Quem tem um filho com necessidades especiais sabe a dificuldade de conseguir escolarização digna. Pois não foi diferente comigo....



ESCOLA - DIREITO DE TODOS
Por Dra. Raquel D. Miranda Carvalhais


"Mas e a Lei? - perguntei.
"Qual Lei?" - foi a resposta de muitas das escolas particulares que visitei. 
Seguem algumas delas:

1989 - LEI Nº 7.853/89
Define como crime recusar, suspender, adiar, cancelar ou extinguir a matrícula de um estudante por causa de sua deficiência, em qualquer curso ou nível de ensino, seja ele público ou privado. A pena para o infrator pode variar de um a quatro anos de prisão, mais multa;

1990 - Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA)
Garante o direito à igualdade de condições para o acesso e a permanência na escola, sendo o Ensino Fundamental obrigatório e gratuito (também aos que não tiveram acesso na idade própria); o respeito dos educadores; e atendimento educacional especializado, preferencialmente na rede regular.

1994 - Declaração de Salamanca
O texto, que não tem efeito de lei, diz que também devem receber atendimento especializado crianças excluídas da escola por motivos como trabalho infantil e abuso sexual. As que têm deficiências graves devem ser atendidas no mesmo ambiente de ensino que todas as demais.

2001 - DECRETO Nº3.956 (Convenção da Guatemala)
Põe fim às interpretações confusas da LDB, deixando clara a impossibilidade de tratamento desigual com base na deficiência. O acesso ao Ensino Fundamental é, portanto, um direito humano e privar pessoas em idade escolar dele, mantendo-as unicamente em escolas ou classes especiais, fere a convenção e a Constituição.

QUINZE escolas da rede particular de Belo Horizonte! NENHUMA aceitou a matricula do meu filho por ele ser deficiente. Os pais de crianças com necessidades espeiais entendem o que eu estou dizendo. As desculpas são as mais absurdas possíveis. Cheguei a marcar uma avaliação em uma das escolas, sem dizer que meu filho era portador de necessidades especiais. No dia da avaliação, quando cheguei com meu filho, a escola simplesmente me deixou esperando por 40 minutos para dizer que não poderiam continuar com a avaliação, pois a escola não estava preparada para receber "aquele tipo" de criança.

Marcaram uma nova conversa com a diretora da escola, que disse novamente que não iria aceitar a matrícula do meu filho. O valor solicitado para pagar a avaliação não foi me reembolsado nem mesmo o relatório de outra escola que ele havia frequentado me devolveram. Total descaso, total desrespeito à lei, que dizem nem conhecer. A desculpa desta vez foi que não tinham estrutura. Perguntei : "que tipo de estrutura vocês precisam para receber meu filho?" Responderam que as professoras não estavam preparadas. "Mas as leis são de mais de 15 anos atrás, não tiveram tempo suficiente para se preparar?" 

Sigo em frente....

Busquei então a escola pública, já que "são obrigados por lei a aceitar" - foi o que ouvi por ai... Segundo a direção da escola, teria que esperar a contratação do "profissional de apoio", que é uma pessoa que tenha interesse em trabalhar na escola com criança especial, que tenha o segundo grau completo e que passe por uma avaliação da equipe de inclusão da prefeitura, em se tratando de escola municipal.Contratado o profissional de apoio, ele vai acompanhar a criança e cuidar da sua higiene e da sua alimentação. Perguntei: "e sobre a deficiência visual, quem vai auxilia-lo?" 

Então é ofertado aos pais um Atendimento Educacional Especializado, no contra-turno, com uma professora especializada, por uma hora por semana, para conhecer a criança e assim dar orientação à professora dentro da sala de aula. "Como assim? A crianças então tem uma aula especializada uma vez por semana, e a professora em sala, que é responsável por 15 a 20 crianças, é quem assistirá meu filho que é cego?" Além disso, ele não poderia participar do AEE no contra-turno por problemas de saúde. (Ele usa medicação para convulsões pela manhã, as quais o deixam com sono. Ele não pode ser acordado, com risco de apresentar crises convulsivas graves.)

Tentei conversar com a escola, a coordenação de inclusão da regional, a Secretaria de Educação, e apesar das leis a resposta que tive foi: a Prefeitura tinha este programa, que não poderia ser modificado de forma alguma, ou seja: ou aceitava, ou procurava a justiça. Procurei o conselho tutelar e a resposta foi a mesma: o programa da prefeitura não oferta profissional especializado em sala de aula, somente oferece o AEE."

"Mas e a lei?" - perguntei à servidora pública.
"Qual Lei?" - foi a resposta que tive.

Após enviar uma carta à escola, esclarecendo de qual se tratava, me disseram: se você quer que seja cumprida a lei, procure a justiça. Assim foi: procurei o Ministério Público e aguardo, há três meses, uma resposta. 

Enquanto isso, meu filho perde muitas das oportunidades de aprendizado que as outras crianças podem usufruir, por não serem deficientes. E tenho certeza que esta angústia não é só minha, outros pais também estão buscando educação de qualidade e dignidade para seus filhos, como mostra a matéria exibida na Rede Globo, veja o vídeo.

Diário de Bordo

Aqui embaixo uma galeria para mostrar como eu gosto da escola e quero continuar aprendendo, mas preciso da professora que possa me ensinar o braile na sala juntinho comigo! Estes são os melhores momentos dos bastidores da minha sessão de fotos! Enquanto mamãe fotografava, eu cantava, dava risadas, até o meu cachorro Bob veio participar da farra.


     
 

Matéria extraída do blog Cuidados pela Vida