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quarta-feira, 29 de junho de 2022

Atividade física contribui para o desenvolvimento de crianças e adolescentes com deficiência

Rodrigo Relozi para o tribunadointerior.com.br


Além de atuar na prevenção e controle de doenças comuns como hipertensão arterial, colesterol diabetes e artrose, a prática de exercícios físicos auxilia na manutenção do condicionamento cardiorrespiratório.

Crianças e adolescentes com paralisia cerebral, autismo e síndrome de Down que realizam atividades físicas têm uma melhor qualidade de vida, prevenção de doenças e melhoria na área cardiorrespiratória. É o que diz o professor de Educação Física/Fisiologista do Exercício Pedagogo, Fabio Piassa.

Piassa, que é também Especialista em Educação Especial e Transtorno do Espectro Autista, concedeu uma entrevista exclusiva a TRIBUNA, em que fala sobre o assunto e a evolução das crianças que praticam exercícios físicos com regularidade.

“A atividade física aliada a algumas terapias convencionais, podem ser uma forma de manutenção do estado geral de saúde e da funcionalidade nas atividades do cotidiano. Além de atuar na prevenção e controle de doenças comuns como hipertensão arterial, colesterol diabetes e artrose, a realização de exercícios físicos, auxilia na manutenção do condicionamento cardiorrespiratório, força muscular, flexibilidade, equilíbrio e consequentemente ajuda a manter ganhos funcionais, como caminhar, sentar, agarrar e segurar objetos. As atividades podem ainda de acordo com a prática, terem objetivos terapêuticos, recreativos e competitivos”, explicou o professor.

Segundo ele, desordens motoras como alterações do tônus muscular, do equilíbrio, da coordenação, do planejamento motor, entre outras disfunções, são geralmente acompanhadas por alterações na sensação, percepção, cognição e comunicação. Estes quadros podem apresentar melhoras significativas com a prática de exercícios, garantiu.

Piassa orienta também sobre as atividades realizadas para desenvolvimento da criança e quando usar a técnica. “As atividades devem variar de acordo com a idade e com o nível de lesão de cada indivíduo. Devem estar incluídos na rotina de exercícios atividades como andar, pedalar, nadar, exercícios de fortalecimento muscular, flexibilidade e equilíbrio. O aumento do tempo de duração da atividade aeróbia e da carga nos exercícios de fortalecimento deve ser gradativo”, explicou.

Ele ressaltou que as crianças devem ser incentivadas a praticar exercícios, já que o método, ressalta, estimula ela a desenvolver não só a capacidade de reconhecer seu corpo, limitações e o seu potencial físico, mas também a sua habilidade de raciocinar e de tomar decisões, criando um caminho de condução do estímulo entre o cérebro e os músculos ainda mais eficiente. “Esta capacidade se desenvolve ao longo dos anos e facilita o processo de aprendizagem em diferentes níveis cognitivos e motores”, acrescentou.

sexta-feira, 3 de janeiro de 2020

Tratamento para pessoa com deficiência requer práticas específicas

Imagem relacionada

No Brasil, 45 milhões de indivíduos sofrem algum tipo de deficiência física. Diante deste montante, o questionamento principal é como deve ser o tratamento para esse público, tanto por especialistas quanto pelas políticas públicas.

A fisioterapeuta do Hapvida Saúde e especialista em neurologia, Luana Neres, explica que entre as diversas deficiências existentes, as mais conhecidas são a paraplegia (perda de força nos membros inferiores), hemiplegia (perda de força de um lado do corpo) e as deficiências sensoriais - visão, audição, olfato, tato e paladar.

“Na Bahia, ainda temos uma doença retroviral chamada HTLV (vírus linfotrópico de células T humano), que causa deficiência neuromuscular e pode ser transmitida por via sexual, sanguínea e de mãe para filho. Nosso estado é recordista em número de casos da doença no mundo”, dispara.

A especialista detalha que o tratamento da pessoa com deficiência física deve ser baseado em um atendimento multiprofissional com foco no indivíduo e em suas particularidades, tendo como objetivo reinseri-lo na sociedade em que vive. “Neste processo, a fisioterapia tem papel principal na readaptação desta pessoa, potencializando suas capacidades existentes e diminuindo disfunções causadas pela deficiência”, conclui.

Adultos e Crianças: tratamentos específicos

A fisioterapia, quando pensada para os deficientes físicos, se estrutura também a depender da faixa etária. De acordo com Luana, a criança com deficiência é atendida por um fisioterapeuta especialista em pediatria, visando a estimulação do desenvolvimento neuropsicomotor. “São utilizadas técnicas lúdicas e funcionais para que a criança cresça apta a realizar suas atividades básicas de vida diária e com o mínimo de compensações físicas para realizar tais atividades, respeitando o que é possível para cada indivíduo”, frisa.

Na fase adulta, o trabalho é feito pelo fisioterapeuta especialista em neurologia e/ou em ortopedia com o intuito de redução dos quadros de dor e compensações causadas pela deficiência.

bahianoticias.com.br

sexta-feira, 16 de agosto de 2019

Fisioterapia auxilia na inclusão de pessoa com deficiência

Fisioterapeuta e professora da UNINASSAU explica como a área ajuda essas pessoas e quais são algumas das atividades realizadas com eles


Por Berg Braga para o UNINASSAU | uninassau.edu.br

Entre os dias 21 e 28 deste mês, é vivenciada a Semana Nacional da Pessoa com Deficiência Intelectual e Múltipla. Nesse contexto, a Fisioterapia se destaca como uma das áreas que vem, ao longo das últimas décadas, trabalhando para o bem-estar de pessoas com deficiências. Com suas diversas atividades, o profissional fisioterapeuta colabora na conscientização das diferenças, assim como na diminuição de complicações e no incentivo de uma vida mais independente.

Imagem mostra criança em cima de bolas
Nessas atividades fisioterapêuticas são usados diversos instrumentos e materiais como bolas

A professora do curso de Fisioterapia da Faculdade UNINASSAU Caruaru, Pollyanna Brandão, aponta que um dos objetivos é diminuir a segregação e incluir os pacientes na sociedade. “Pela Fisioterapia, as pessoas com deficiências são acolhidas e as diferenças são trabalhadas. Assim, fazemos um papel de inclusão social, de desenvolver uma melhor funcionalidade trabalhando as deficiências motoras”, destaca a docente, mestre em Saúde da Criança e do Adolescente.

“Para as crianças com deficiência, especificamente, as atividades são voltadas sobretudo para melhorar a qualidade de vida e desenvolver as atividades diárias. Com isso, os pequenos ficam mais independentes, o que evita que as complicações da deficiência aumentem ou venham a ser ainda mais prejudiciais”, informa.

Nessas atividades fisioterapêuticas são usados diversos instrumentos e materiais como bolas suíças, rolo, malhas, além de métodos como o Bobath – um procedimento mais comumente utilizado no atendimento fisioterapêutico de pessoas com problemas neurológicos - e o Parapodium - equipamento utilizado para auxiliar a criança na manutenção da postura em pé, por exemplo.

“Entre essas atividades estão exercícios voltados para promoção de alongamento e fortalecimento de músculos dos membros e do tronco, além da musculatura respiratória”, completa a professora.

Semana Nacional 

A Semana Nacional da Pessoa com Deficiência Intelectual e Múltipla acontece todos os anos durante o período de 21 a 28 de agosto, com objetivo de abrir debates e colocar a sociedade em reflexão no dever da igualdade para inclusão. O tema deste ano é "Família e pessoa com deficiência, protagonistas na implementação das políticas públicas."

sexta-feira, 10 de maio de 2019

Salvando os dentes de pacientes com necessidades especiais

Acessibilidade continua sendo escassa quando se trata de odontologia


Catherine Saint Louis para o The New York Times

Jackie Molloy / NYTNS
Jackie Molloy / NYTNS

Cheryl Closs tem quatro filhos e mora em West Islip, Nova York. Ela queria salvar os dois dentes da frente de sua filha Bella. Eles estavam gravemente cariados e um dentista queria arrancá-los. Mas Closs não concordou.

Bella, que tem 15 anos e está no oitavo ano, tem necessidades especiais e usa uma cadeira de rodas.

"Eles logo querem arrancar os dentes de uma criança que tem necessidades especiais", disse Closs. Então, ela começou uma busca por um especialista em tratamento de canal. Bella não iria à escola durante um dia e seu marido as levaria a qualquer distrito para uma consulta odontológica. Mas levaram Bella a oito dentistas e especialistas em canal, pelo menos, e todos se recusaram a tratá-la. Alguns "nem sequer olharam para os dentes. Isso já aconteceu muitas vezes", disse Closs.

Bella gosta de tranças e de camisetas da Mulher Maravilha, sorri bastante, mas não fala muito e não gosta de ser tocada. Ela tem uma doença genética chamada fucosidose, que deteriora o funcionamento cerebral. Fazer um raio X ou uma limpeza de dentes pode ser um desafio, exigindo mais tempo ou mais gente para segurar sua cabeça ou seus braços.

E muitos dentistas não podem – ou não querem – tratar pacientes com deficiências. Alguns não têm como acomodar fisicamente uma cadeira de rodas, "ou não se sentem confortáveis tratando deles", disse a dra. Rita Bilello, diretora odontológica do Centro de Saúde Metro Community no Brooklyn, em Staten Island e no Bronx.


Normalmente, os odontopediatras aprendem a tratar pacientes com necessidades especiais, mas não os dentistas gerais. Isso significa que uma criança com autismo pode fazer check-ups regulares, mas não necessariamente depois de adulta.

Porém, em 2006, um novo padrão para programas odontológicos entrou em vigor. A Comissão de Acreditação Odontológica determinou que todos os alunos precisam ser capazes de avaliar competentemente as necessidades de tratamento de pacientes especiais. Mas, desde 2012, menos de três quartos das escolas de odontologia têm estudantes de pré-doutorado ativamente envolvidos em seu tratamento, de acordo com um estudo publicado em "Journal of Dental Education".

O acesso continua a ser um grande problema para pacientes com necessidades especiais. Mas o Centro de Saúde Bucal para Pessoas com Deficiências, da faculdade de odontologia da Universidade de Nova York (NYU), oferece uma nova opção para pacientes como Bella. É um dos raros locais que tratam de adultos e crianças com todo o espectro de deficiências – aqueles com atrasos no desenvolvimento, como o autismo e as inabilidades intelectuais, ou circunstâncias como a paralisia cerebral e a demência. Há duas salas de operação onde os pacientes que não conseguem ficar parados na cadeira podem ser sedados.

Além de ampliar o acesso dos pacientes, o centro da NYU tem como objetivo formar todos os seus alunos com as habilidades e a confiança imprescindíveis para cuidar de pacientes com necessidades especiais.

O dr. Ronald Kosinski, dentista pediátrico e diretor do novo centro, não mede as palavras. Os pacientes com deficiências não conseguem tratamento porque "as pessoas têm medo deles. Eles não são vistos como pessoas. Precisamos treinar os alunos de odontologia para que comecem a aceitá-los".

A NYU forma aproximadamente 10 por cento dos dentistas do país, portanto o novo centro poderá causar um grande impacto. "Você pode não perceber que é capaz de tratar um esquizofrênico em uma cadeira de rodas com paralisia cerebral até que tenha a oportunidade de tentar", disse Bilello.

A procura é grande. Cerca de 915 mil pessoas com alguma deficiência vivem na cidade de Nova York, de acordo com o Gabinete Municipal para Pessoas com Deficiência. Isso é potencialmente um monte de dentes não tratados.
"O acesso aos cuidados é um problema enorme", disse o dr. Alan N. Queen, encarregado de uma clínica odontológica para pessoas com necessidades especiais no Centro Médico New York-Presbyterian Queens. "O problema é que os pacientes com necessidades especiais são difíceis de tratar se comparados com o paciente médio, e, infelizmente, o seguro pode não pagar."

Queen, que também tem um consultório em Flushing, no Queens, disse que, para tratar um paciente com os tremores do Parkinson, por exemplo, ele precisa de um assistente para "segurar a cabeça, outro para segurar a língua, outro para a sucção, e eu fazendo o trabalho dentário". Consultórios odontológicos deveriam obter reembolso adicional para esses casos, disse ele.

Em outubro passado, a Associação Odontológica Americana atualizou seu código de ética para especificar que os pacientes com deficiências não devem ter o serviço odontológico negado. No mínimo, diz o código, os dentistas que não puderem tratar um paciente devem encaminhá-lo a outro profissional.

Foi assim que Bella teve sua chance. Recentemente, quando um funcionário de um consultório odontológico ligou para cancelar uma consulta no dia anterior por causa da cadeira de rodas de Bella, Closs começou a chorar: "Você me fez esperar seis meses." Um gerente do escritório pegou o telefone e encontrou uma solução.

Após alguns dias, Bella foi levada para a NYU, terminando sua epopeia.

Inúmeros deficientes nova-iorquinos evitam visitas ao dentista, uma vez que muitos consultórios não são acessíveis a cadeiras de rodas, uma violação da Lei dos Americanos com Deficiência. "O propósito da lei é garantir que as pessoas com deficiências tenham os mesmos direitos e oportunidades que todas os outras", disse Jonathan Novick, gerente do Gabinete Municipal para Pessoas com Deficiência. "Portanto, elas têm o mesmo direito à higiene dentária que todo mundo."

Mesmo quando conseguem entrar em um consultório odontológico, os pacientes em cadeiras de rodas enfrentam um obstáculo adicional: os assistentes muitas vezes têm de movê-los para a cadeira odontológica, ou mecanismos desajeitados podem ser usados. "Para um paciente confinado a uma cadeira de rodas, passar de uma para outra é uma fonte de ansiedade", disse o dr. Charles Bertolami, reitor da faculdade de odontologia da NYU.

O novo centro da NYU facilitou as coisas. Em uma visita recente, Bella teve sua cadeira travada em uma poltrona reclinável especial, e foi então inclinada para trás para que seus dentes fossem inspecionados. Há 24 dessas poltronas nos Estados Unidos, de acordo com John Walters, designer da Design Specific, a empresa que as produz. No primeiro mês do centro, cerca de metade dos pacientes as usou, disse o dr. Robert Glickman, cirurgião oral.

Em meados de abril, os dentistas da NYU determinaram que Bella poderia fazer o tratamento de canal para reparar seus dois dentes. Uma semana depois, seu sorriso havia sido corrigido.

"A maneira como a fizeram se sentir foi algo importante para nós", disse Closs. Joe Dockery, pai de Bella, acrescentou: "Eles a tratam como a uma filha."

Bella mostrou seu agradecimento a seu modo: após sua primeira visita, ela abraçou o dentista.

terça-feira, 2 de abril de 2019

Dia Mundial da Conscientização do Autismo: o preconceito ainda persiste

Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) indicou que uma a cada 160 crianças é autista


Bruno Santa Rita - Especial para o Correio Braziliense



Nesta terça-feira (2/4), é comemorado o Dia Mundial da Conscientização do Autismo e o início do Abril Azul — mês de luta pelos que vivem com o transtorno. Mesmo com o esforço pela causa, as barreiras ainda são grandes. Segundo especialistas, o preconceito e a discriminação são os maiores problemas enfrentados por autistas e suas famílias. A Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) indica que, atualmente, a cada 160 crianças, uma tem o diagnóstico.

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o número de crianças de 0 a 13 anos no Brasil é de 38,5 milhões. Ao aplicar o índice da Opas, cerca de 241 mil crianças seriam autistas no país. A estimativa, contudo, é que o número seja muito maior, chegando, de acordo com especialistas, a 2 milhões de brasileiros. A causa para a discrepância dos dois dados é a dificuldade em se obter o diagnóstico do Transtorno do Espectro Autista (TEA).

"Hoje, para se fechar um diagnóstico, é necessário fazer uma complexidade de exames", explica Emanoele Freitas, neurocientista especialista em transtorno do neurodesenvolvimento. Emanoele fundou a Associação de Apoio à Pessoa Autista (Aapa) para contribuir com o tratamento do transtorno no Brasil. A principal motivação foi o filho, Eros Micael, 15 anos, diagnosticado com autismo. Segundo ela, a maior dificuldade para quem enfrenta o autismo é o preconceito. "As pessoas não buscam orientação, não buscam entender. As pessoas, muitas vezes, são intolerantes", lamenta.

Mesmo com a dificuldade, há avanços. Para Emanoele, a população melhorou, aos poucos, a sensibilidade em tratar os autistas. "Desde 2008 (quando iniciou-se o Abril Azul), a gente começou a buscar cada vez mais a conscientização do autismo no Brasil. Em 2012, com a Lei Berenice Piana, isso se tornou cada vez mais possível", informa. A lei leva o nome de uma mãe que lutou durante anos para conseguir os devidos tratamentos para o filho. A legislação instituiu a Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista. 

Dificuldade na saúde

O acesso ao tratamento devido para quem tem autismo é restrito e aponta dificuldades. “Ainda não temos bom acesso, nem no setor público, nem no particular”, criticou Emanoele. Por ter filho com o transtorno, Emanoelle já passou por dificuldades em achar profissionais que oferecessem a assistência necessária. “Isso é uma das questões que a gente vê que ainda não mudou. A pessoa cursa enfermagem, medicina e ela tem que estar pronta para isso”, reclamou. 

Ela contou que a maior dificuldade foi durante a infância de seu filho, dos quatro aos oito anos de idade. “Hoje eu consigo dizer que experimento um momento de tranquilidade. Ele está melhorando, consigo perceber isso e as outras pessoas também”, explicou. A inquietação era o fator que mais dificultava a criação do menino. Agora, com 15 anos e com o tratamento adequado, Eros já desenvolveu melhor a questão social. 

O professor doutor em educação, especialista em autismo, Eugênio Cunha concordou que o sistema de saúde tem problemas para atender os que sofrem com o transtorno. “A saúde tem ações e papéis legais. O autista tem maior respaldo para ser atendido na saúde, na educação, mas, por outro lado, os profissionais ainda não estão preparados para receber um autista”, explicou. 

“Isso é uma das causas do movimento. As pessoas precisam ficar mais atentas aos sintomas, Na área da saúde, as pessoas que lidam com esse tipo de situação devem saber como lidar, como tratar com isso”, analisou. “Eu acho que o desconhecimento da sociedade é um problema. Como a pessoa não sabe o que é o autismo, ela não sabe lidar com o transtorno”, completou. 

O Ministério da Saúde respondeu por nota que os pacientes com autismo podem ser atendidos no Sistema Único de Saúde (SUS), nos serviços que compõem a Rede de Atenção Psicossocial (RAPS). Segundo a pasta, a rede de reabilitação em todo o país conta com 2.385 serviços de reabilitação e estimulação credenciados no SUS, com 217 Centros Especializados em Reabilitação (CERs); 36 Oficinas Ortopédicas; 236 serviços de reabilitação em modalidade única; e 1.896 serviços de reabilitação credenciados pelos estados e municípios.

“O atendimento nos Centros Especializados em Reabilitação compreende, além da avaliação multiprofissional, acompanhamento em Reabilitação Intelectual e dos Transtornos do Espectro do Autismo (TEA), bem como orientações para uso Funcional de Tecnologia Assistiva. A avaliação multiprofissional é realizada por uma equipe composta por médico psiquiatra ou neurologista e profissionais da área de reabilitação para estabelecer o impacto e repercussões no desenvolvimento global do indivíduo e sua finalidade”, informou o texto. 

A Secretaria de Saúde do Distrito Federal informou que, na rede pública do DF, há duas portas de entrada para o acolhimento de demanda espontânea desses usuários: “Atenção Primária à Saúde, por meio das unidades básicas de saúde, e os centros de atenção psicossocial (Caps)”.

O acompanhamento dos pacientes é feito nos Centros de Atenção Psicossocial Infantojuvenis (CAPSi), Centro de Orientação Médico Psicopedagógica (COMPP), Centro Especializado em Reabilitação (CER II CEAL), Adolescentro e Hospital da Criança de Brasília José de Alencar. 

Mitos e verdade sobre o transtorno

Cunha também levantou alguns dos mitos sobre o transtorno. Ele é autor de livros que falam sobre o assunto, como "Autismo e inclusão - psicopedagogia e práticas educativas na escola e na família", "Autismo na Escola - um jeito diferente de aprender, um jeito diferente de ensinar", "Práticas pedagógicas para a inclusão e diversidade" e "Afeto e aprendizagem – relação de amorosidade e saber na prática".

“É mito falar que o autismo é uma doença. É um transtorno. Também é falso dizer que o autista não tem afetividade e que não gosta de pessoas”, afirmou. Além disso, o professor frisou que o autismo pode melhorar ao longo da vida e do tratamento. “Ele aprende independentemente do nível do comprometimento. A questão é como ensinar. Ele tem empatia e suas próprias dimensões afetivas, mas a sociedade tem que entender essa maneira de se expressar que o autista tem”, ressaltou. Os principais sintomas são a dificuldade de interação social, dificuldade de comunicação, e “forma literal de agir”, inflexível, com baixa aceitação de mudanças na rotina. 

quarta-feira, 12 de dezembro de 2018

Integração sensorial para crianças com deficiência intelectual

Abordagem existe há 40 anos. Apae de São Paulo tem espaço para crianças com autismo, Síndrome de Down, desordens neuromotoras ou transtornos sensoriais ainda sem diagnóstico aprenderem a compreender informações do dia a dia. Meta é fornecer estímulos ao desenvolvimento neuropsicomotor para possibilitar a organização de sensações. Sessões semanais duram 30 minutos.


Luiz Alexandre Souza Ventura para o brasil.estadao.com.br

Todas as habilidades e sensações da criança são desenvolvidas por meio de brincadeiras. Imagem: Divulgação
Projeto pode ser replicado, mas é necessário profissional com formação específica. Imagem: Divulgação

Integração sensorial é a organização das sensações para uso no dia a dia. Quando nosso cérebro envia informações organizadas e adequadas, somos capazes de realizar tarefas de forma eficaz, mas quando essas informações chegam desorganizadas, temos dificuldade em ordenar nossas sensações. Tal dificuldade é conhecida como transtorno de processamento sensorial.

Para crianças que convivem com Transtorno do Espectro Autista (TEA), Síndrome de Down, desordens neuromotoras ou que apresentam transtornos sensoriais ainda sem diagnóstico confirmado, a falta de entendimento sobre as próprias sensações pode comprometer o desempenho em atividades diárias, na escola e no convívio social, prejudicando a evolução dessa pessoa.

Um tratamento aplicado pela Apae de São Paulo desde 2016, em sua Sala de Atendimento de Integração Sensorial, tem mostrado resultados positivos. “A abordagem de integração sensorial existe há 40 anos. Como todas as habilidades e sensações da criança são desenvolvidas por meio de brincadeiras, o principal objetivo da sala é promover atividades adequadas às possibilidades e necessidades infantis”, explica Renata Nogueira Capeto Tupicanskas, terapeuta ocupacional na instituição.

Projeto pode ser replicado, mas é necessário profissional com formação específica. Imagem: Divulgação
Tratamento feito na sala pode ser complementado em casa, com atividades planejadas e programadas para a família ou escola. Imagem: Divulgação

O projeto foi idealizado por uma equipe técnica composta por terapeutas ocupacionais e fisioterapeutas. Instituições interessadas podem replicar em suas instalações, mas é necessário um profissional com formação em abordagem de integração sensorial, porque o ambiente terapêutico é composto por equipamentos específicos.

“Tudo é proposto para estimular os sistemas tátil, visual, auditivo, de reflexos, além dos sistemas vestibular (responsável por manter a orientação na ausência de visão) e proprioceptivo (responsável por auxiliar o corpo ou a cabeça quando eles estão inclinados para um dos lados). Para fazer isso, a sala oferece um ambiente lúdico, amplo e com dispositivos para equipamentos específicos”, diz a especialista.

“Primeiramente, é feita uma entrevista com a família e aplicado um questionário de perfil sensorial e observação clínica. Em seguida, é traçado o perfil das respostas sensoriais e verificado se há a presença de transtorno do processamento sensorial. Após isso, caso diagnosticada a necessidade de intervenção, começa o atendimento semanal. Tudo é acompanhado por uma terapeuta ocupacional”, ressalta.

Tratamento feito na sala pode ser complementado em casa, com atividades planejadas e programadas para a família ou escola. Imagem: Divulgação
Tratamento feito na sala pode ser complementado em casa, com atividades planejadas e programadas para a família ou escola. Imagem: Divulgação

Segundo Renata, o atendimento tem base no conceito de Jean Ayres para que a criança obtenha ‘input’ sensorial, ou seja, capacidade para selecionar, adquirir, classificar e integrar as informações ao longo do dia. “Com a intervenção, espera-se fornecer os estímulos necessários para o desenvolvimento neuropsicomotor direcionado, funcional e satisfatório para que a pessoa module, organize e regule seu comportamento”.

A abordagem é complementar a outras intervenções e o tratamento feito na sala pode ser replicado em casa, na chamada ‘dieta sensorial’, com atividades planejadas e programadas para a família ou escola.

“Uma criança com transtorno de processamento sensorial, mesmo com o tratamento adequado, precisa fazer um acompanhamento periódico para evitar que os sistemas sensoriais se desorganizem. Sendo assim, o terapeuta ocupacional organiza uma combinação de atividades lúdicas com estímulos que podem acalmar ou acionar o sinal de alerta, e que estão de acordo as necessidades específicas de cada criança. As atividades têm efeito direto no sistema nervoso, mas funcionam apenas por um período de tempo limitado. Por isso, devem ser repetidas diariamente”, explica a terapeuta da Apae de São Paulo.