quarta-feira, 7 de abril de 2021

Professora se dedica a escrever livros para inclusão e lança história com personagem autista

 Redação Bonde com Agência Educa Mais Brasil 

De acordo com a Revista Autismo, não é possível saber a porcentagem de brasileiros autistas por não existir números oficiais sobre pessoas com essa característica individual, já que não há estudos de prevalência. No entanto, conforme a ONU, cerca de 1% da população pode ser considerada como autista. Somando a estatística às outras necessidades especiais, no Brasil tem-se cerca de 25% da população com alguma deficiência. Ainda assim, a inclusão carece de estar em diversos meios sociais e culturais, entre eles, a literatura. Das memórias afetivas da infância, quando ouvia seus pais lerem histórias infantis, surgiu a paixão da professora e escritora carioca Celina Bezerra pelos livros. Mas foi na vida adulta, radicada na Bahia, que ela descobriu que poderia unir sua vocação com um assunto pouco debatido: a inclusão.

"Ainda na infância, quando encontrava uma criança com deficiência, muitas vezes ouvia de adultos, ‘não fica olhando’ ou ‘para de olhar, que a criança vai ficar encabulada...’ e, na realidade, eu só queria ir lá e brincar, conversar, interagir. Eu não me importava se ela era cadeirante ou se era uma criança com Síndrome de Down. Só queria estar com ela. Isto era uma grande interrogação para mim e eu trouxe essa indagação para a vida adulta”, explica a escritora. A habilidade para lidar com as palavras levou Celina para a faculdade de Letras. Porém, ela quis ir além do curso. Para ajudar a dar visibilidade às pessoas com pouca representatividade na sociedade, ela se especializou em Educação Inclusiva e em Educação da Infância com Ludicidade.

Durante suas pesquisas acadêmicas, Celina se surpreendeu ao ter dificuldades para encontrar histórias que tivessem protagonistas com alguma necessidade especial. "Até tinha um amigo do protagonista que possuía alguma deficiência, mas nunca era o personagem principal”, ratifica. Para ela, a inquietação foi um impulsionador para ir buscar na literatura recursos para suprir a ausência de histórias infantis com a temática da inclusão.

"Decidi, então, escrever para a parcela da população infantil que tinha pouca ou nenhuma representatividade na literatura infantil: as crianças com deficiência ou características especiais”, justifica.

Celina é autora dos livros "Sabrina, a menina albina” e "Bruna, uma amiga Down mais que especial”, que fazem parte da coleção "Amigos Especiais", ambos publicados pela Editora Inverso. Além disso, tem poemas, crônicas e contos publicados em várias antologias e coletâneas.

Neste mês de abril, a escritora pretende lançar o mais novo livro "Charles – a estrela autista”, que narra a história da estrela que vive uma saga em busca de aceitação. "As crianças vão observar as características do personagem e relacioná-las àquele colega que eles têm na sala de aula ou na família com o mesmo perfil de comportamento. E as crianças com TEA (Transtorno do Espectro Autista) estarão ali representadas”, pontua a escritora.

Ao se dedicar à literatura inclusiva, Celina busca passar a mensagem de "olhar para as pessoas com deficiência pelas suas potencialidades e não pela limitação. Não precisa anular uma pessoa porque ela tem uma limitação porque ela tem várias outras potencialidades”, defende.

Celina Bezerra acumula experiências como integrante do Movimento Mulherio das Letras Brasil, Bahia e Europa; membro correspondente da Academia Literocultural de Sergipe e da Academia Internacional de Literatura Brasileira – Brasil/Nova York. Em sua trajetória em sala de aula, foi professora de muitos alunos com diferentes deficiências, autismo e superdotados. Assim, acompanhou de perto a necessidade de inclusão.

"As escolas não devem dificultar a matrícula. É uma oportunidade para outras crianças aprenderem com aquele comportamento diferente. A escola traz oportunidade da criança que não tem autismo conhecer o que é, saber como é o comportamento de quem tem, aprender como colaborar com ela, e a criança com autismo também aprende, dentro dos seus limites, a conviver com os colegas e na sociedade”, argumenta.

Nesse sentido, a escritora ressalta que fazer roda de conversa com as crianças e contar histórias de personagens com deficiência é uma atividade importante para promover a inclusão. "Alguns professores ficam receosos sem saber como lidar com crianças especiais na turma. Na minha opinião, os professores deveriam ser orientados pelas escolas sobre como receber essas crianças. Acredito que a literatura infantil pode ajudar na inclusão”, defende Celina.

quarta-feira, 31 de março de 2021

Crianças com autismo na quarentena: como ajudá-los?

maristalab.com.br

Muito se fala sobre a importância de manter uma rotina com as crianças, mesmo estando em casa por conta do isolamento social provocado pela pandemia do coronavírus (Covid-19). Fato é que estabelecer horários para as refeições, estudos, dormir e acordar, e até mesmo para momentos de lazer é essencial para todas as pessoas, independentemente da idade. Quando falamos em crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA), a relevância de construir uma rotina equilibrada é tão importante quanto para qualquer outra criança.

“Encontrar uma rotina contribui para manter o sentido de ordem, de propósito de vida. Afinal, esse momento de incerteza é desafiador para todos. No caso específico de crianças com TEA, pode ser difícil para eles compreenderem o que está acontecendo”, explica a psicóloga clínica Carol Sella, pós-doutora em psicologia comportamental para transtorno do espectro autista, Board Certified Behavior Analyst (BCBA-D).

Afinal, se trata de um momento em que tudo mudou: de repente, os filhos não vão mais para escola e nem para terapia – mesmo quem recebia tratamentos em casa, em muitos casos está com o atendimento interrompido. Por isso, uma das primeiras preocupações é criar uma rotina, que deve respeitar as especificidades de cada criança, que é única.

Carol lembra que é interessante avaliar, por exemplo, qual a probabilidade de a criança ter algum comportamento que talvez coloque ela ou outra pessoa em risco. Os pais também precisam estar atentos ao fato de o filho correr o risco de perder aquilo que já foi estudado.

 “Muitas crianças quando retornam das férias, por exemplo, perdem muito do que já aprenderam e foram estimuladas ao longo do semestre”, observa.

Planejar o dia-a-dia

Mesmo sendo desafiador organizar uma rotina em casa, já que muitas mães e pais também estão fazendo trabalho remoto, é essencial planejar o cotidiano. Este planejamento deve incluir atividades físicas, além de tempo determinado para assistir TV, descansar e ler. No caso de crianças com Transtorno do Espectro Autista, Carol lembra que também é importante ser flexível e avaliar o momento do filho, com todas as suas variáveis.

“A previsibilidade é importante para as pessoas de forma geral, e no caso de quem tem TEA não é diferente”, sublinha a psicóloga.

Ou seja, as crianças se sentem mais seguras quando sabem o que vai acontecer durante o dia e, com isso, tendem a ficar mais tranquilas diante da rotina diferente que está sendo imposta pelo isolamento.

Como os pais podem acompanhar as atividades domiciliares dos filhos? A recomendação é estar sempre junto, acompanhando o estudo do conteúdo proposto pela escola, especialmente no caso daquelas crianças que apresentam dificuldades de concentração. Além de estarem presentes nesses momentos, é essencial reservar tempo para brincar com as crianças e participar de momentos de lazer.

Brincadeiras são essenciais

Atividades e brincadeiras não devem faltar na rotina, e devem estar alinhadas com o objetivo que se procura para cada um.

“Crianças em momentos diferentes da terapia pedem jogos e brincadeiras variados. Algumas participam de jogos sociais na internet, outras envolvem os irmãos nas brincadeiras feitas em casa”, explica Carol.

Um exemplo de atividade física muito benéfica para gastar energia é a peteca.

“Dependendo da fase em que a criança estiver no processo terapêutico é muito legal porque ela terá que trabalhar a coordenação motora e a força”. Quanto mais os pais puderem participar, melhor os ganhos afetivos e emocionais”, ressalta Carol.

Mesmo com as dificuldades impostas pelo isolamento social, o fato de os pais estarem mais tempo em casa pode ser benéfica para as crianças. É a chance de ter mais presença com o filho, inclusive em atividades menos estruturadas.

Sites com ideias de como gastar energia com atividades para fazer em casa:

sexta-feira, 26 de março de 2021

Cresce número de pessoas com Síndrome de Down na rede de ensino

 

Toda criança tem direito inalienável à educação, segundo a Constituição Brasileira. Porém, na prática, o desafio de levar conhecimento a todos encontra barreiras na inclusão de pessoas com Síndrome de Down. No Brasil, dentre as mais de 270 mil pessoas com essa síndrome, cerca de 74 alcançaram êxito e concluíram uma graduação, conforme o Movimento Down.

Desde 1998, houve crescimento significativo de alunos com Síndrome de Down matriculados na rede regular de ensino, de 200 mil à época, o número saltou para mais de 1,18 milhão, de acordo com último censo do Ministério da Educação (MEC).

No ensino superior, a presença de pessoas com Síndrome de Down ainda é escassa, menos de 100 conseguiram concluir uma graduação. Neste caso, as preferências dos cursos escolhidos por pessoas com Síndrome de Down, segundo o Movimento Down, são: Educação físicaPedagogiaDesignModa e ArtesGastronomia.

Em 2019, o Conselho Regional de Relações Públicas de Minas Gerais atestou a primeira profissional do segmento com Síndrome de Down. A mineira Luísa Camargos, na época com 25 anos, virou exemplo de superação. Dona de um entusiasmo e força de vontade notáveis, Luísa está determinada a incentivar outras pessoas com deficiências a lutar pelos seus sonhos. Para isso, ela usa o seu perfil no Instagram @lusrcamargos como espaço de motivação. Atualmente, ela trabalha como relações-públicas na Agência de Iniciativas Cidadãs.

Educação inclusiva

O Plano Nacional de Educação (PNE) aprovado em 2014 lista 20 metas a serem alcançadas em 10 anos. Dentre elas, a meta de inclusão na rede regular de educação é a meta número 4.

“Universalizar, para a população de 4 (quatro) a 17 (dezessete) anos com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades ou superdotação, o acesso à educação básica e ao atendimento educacional especializado, preferencialmente na rede regular de ensino, com a garantia de sistema educacional inclusivo, de salas de recursos multifuncionais, classes, escolas ou serviços especializados, públicos ou conveniados”, diz meta 4 do Plano Nacional de Educação.

Além do PNE, a Lei Brasileira de Inclusão (LBI) também assegura que pessoas com síndromes tenham garantido o direito à educação. Confira, a seguir, alguns artigos da LBI sobre a inclusão educacional:

Art. 27: “A educação constitui direito da pessoa com deficiência, assegurados sistema educacional inclusivo em todos os níveis e aprendizado ao longo de toda a vida, de forma a alcançar o máximo desenvolvimento possível de seus talentos e habilidades físicas, sensoriais, intelectuais e sociais, segundo suas características, interesses e necessidades de aprendizagem.”

Art. 28-IV: “Nas escolas inclusivas é indispensável que o conteúdo e as aulas sejam oferecidos em Libras, como primeira língua, e em português, na modalidade escrita, para os alunos surdos. O mesmo vale para as escolas e classes bilíngues e para os materiais de aula.”

Art. 28-V: “A adoção de medidas individuais e coletivas que proporcionem o desenvolvimento acadêmico e a socialização dos alunos com deficiência. Isso facilita a integração e, consequentemente, o aprendizado.”

(Art. 28-XII): “Além da oferta de aulas e materiais inclusivos (em Libras e Braile), as práticas pedagógicas também precisam ser incorporadas e preferidas pela instituição que possuir alunos com deficiência.”

21 de março: Dia Internacional da Síndrome de Down

A Federação Brasileira das Associações de Síndrome de Down estima que, no Brasil, em um a cada 700 nascimentos ocorre o caso de trissomia 21, que totaliza, aproximadamente, 270 mil casos no país.

Conforme a entidade, essa síndrome não é uma doença. Trata-se de uma condição genética gerada pela presença de uma terceira cópia do cromossomo 21 em todas as células do organismo (trissomia).

Fonte: Agência Educa Mais Brasil

quarta-feira, 24 de março de 2021

'Criança autista não é só um diagnóstico, ela precisa de cuidados', diz psiquiatra infantil

 Maria Amélia Ávila para o hojeemdia.com.br

 
 
Receber um diagnóstico de qualquer deficiência, principalmente em relação aos filhos, não é nada fácil. Uma síndrome que ainda assusta muito pais é o autismo, ou Transtorno do Espectro Autista (TEA). A psiquiatra infantil, Jaqueline Bifano, conta que muitos pais e mães choram ao receber o diagnóstico de que o filho tem autismo, mas o alerta que ela faz para os pais é que “seu filho não é um diagnóstico, ele é uma criança que precisa de cuidados”.

E são muitos os cuidados para melhorar a qualidade de vida de uma criança autista. O tratamento é multidisciplinar, com psiquiatra, fisioterapeuta, fonoaudiólogo, terapeuta assistencial, e o que é melhor, todas essas terapias podem ser feitas pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Mas o diagnóstico só pode ser feito por um neuropediatra ou um psiquiatra infantil, são esses dois profissionais que vão avaliar a criança e identificar os sintomas que, normalmente, são refletidos em problemas na comunicação, na socialização e nos comportamentos repetitivos.

A psiquiatra infantil lembra que o dia 2 de abril é o Dia Mundial De Conscientização do Autismo, data para chamar a atenção da sociedade para uma questão que atinge, pelo menos, 2 milhões de pessoas no Brasil, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS).

Acompanhe a entrevista na íntegra.

sexta-feira, 19 de março de 2021

Um outro universo

Livro de Lulu Lima convida o leitor para um mergulho sensível no universo do autismo


 
 
A obra Menino Baleia (Mil Caramiolas, 70 pp, R$ 52,90 – Ilustração: Natália Gregorini), de Lulu Lima com coedição de Carolina Moreyra, convida o leitor para um mergulho delicado e sensível no universo do autismo.
 
menino Roger, personagem principal, tem “olhos de baleia” porque dentro dele mora uma. Por trazer, em si, o silêncio e a profundidade do oceano, Roger é uma criança diferente das outras, no comportamento e nas necessidades. O leitor é convidado a conhecer o mundo interior do personagem e no decorrer da leitura encontra outras perspectivas relevantes.
 
O livro põe luz, por exemplo, na reação dos pais diante das características da criança, suas angústias e dúvidas tão particulares. E ainda, por ser contextualizado no interior de uma escola, termina por levantar questões como a importância da educação inclusiva, o papel do educador e o valor do convívio com outras crianças.