quinta-feira, 30 de julho de 2015

Casos de autismo sobem para 1 a cada 68 crianças

Conforme pesquisa do governo dos Estados Unidos, os casos de autismo subiram para 1 em cada 68 crianças com 8 anos de idade — o equivalente a 1,47%. O número foi aferido pelo CDC (Center of Diseases Control and Prevention), do governo estadunidense — órgão próximo do que representa, no Brasil, o Ministério da Saúde.

Gráfico do CDC sobre prevalência de autismo - 2014
 Os dados são referentes a 2010.
Houve aumento de quase 30% em relação aos dados anteriores, de 2008, em que apontava para 1 caso a cada 88 crianças. Quase 60% para 2006, que era de 1 para 110. Mesmo o autismo podendo ser detectado a partir dos 2 anos de idade, a maioria das crianças foi diagnosticada após os 4 anos.
Para alertar a respeito dos números alarmantes, todo 2 de abril é comemorado o "Dia Mundial de Conscientização do Autismo" — em inglês, “World Autism Awareness Day” —, data instituída pela ONU (Organização das Nações Unidas) desde 2008. O objetivo é, anualmente, conscientizar a sociedade a respeito desta complexa síndrome, para que aja mais suspeita, mais diagnóstico, mais tratamento, mais respeito e menos preconceito. Para isso iluminam-se de azul prédios e monumentos ao redor do mundo. O azul foi a cor designada para o autismo, por ter uma prevalência bem maior em meninos que em meninas — mais de 4 para 1.
Como jamais provou-se qualquer relação da prevalência maior de autismo com alguma região do planeta ou etnia, a Organização Mundial da Saúde considera os números dos Estados Unidos estimados para todo o planeta. O Brasil estima-se que tenhamos mais de 2 milhões de pessoas com autismo. No ano passado, uma lei federal foi aprovada equiparando em direitos os autistas aos deficientes, além de outros benefícios — Lei 12.764, também conhecida como “Lei Berenice Piana”.
No Brasil o Cristo Redentor (no Rio de Janeiro), a Ponte Estaiada (em São Paulo), e muitos monumentos em todo o território nacional serão iluminados de azul na data. No mundo, pode-se destacar o Empire State (nos Estados Unidos), a CN Tower (no Canadá) e muitos outros cartões-postais ao redor do planeta.

O autismo é uma complexa síndrome que afeta três importantes áreas do desenvolvimento humano: comunicação, socialização e comportamento. Ainda não se sabe a causa, nem há cura, apenas tratamento. O único consenso mundial é que quanto antes o diaginóstico, melhores são as possibilidades de maior qualidade de vida.


terça-feira, 28 de julho de 2015

Crianças com down fazem surfe, futebol, ioga e até culinária

Pedro Aquino, 9, tem uma agenda atribulada. Além da escola, faz ioga, surfe, ginástica e futebol. Ao chegar a sua casa, faz a lição e… cama! Sua rotina seria como a de uma criança qualquer, se não fosse o acompanhamento que tem de profissionais como psicopedagogo e fonoaudiólogo.

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Pedro tem síndrome de Down, uma alteração genética (veja quadro ao lado) que ocorre em um a cada 800 nascimentos. “A criança com Down pode fazer tudo o que qualquer outra faz, só vai levar um tempo diferente”, diz a psicóloga Parizete Freire, da Apae (Associação de Pais Amigos dos Excepcionais).

Quem tem Down pode demorar mais para falar, andar e acompanhar as aulas. Por isso, precisa de acompanhamento, espécie de reforço fora da sala de aula. “Mas essas crianças podem e devem participar de toda a rotina escolar.”

E atividades extras, como as que Pedro faz, ajudam. Além disso, a convivência entre crianças com e sem Down é boa para os dois lados. A advogada Maria Antônia Goulart, do site Movimento Down, tem uma filha de dois anos com a síndrome. Ela lembra que, quando foi contar ao filho mais velho, ficou feliz com sua reação. “Mãe, tenho uma amiga que tem síndrome de Down, não tem problema”, disse ele à mãe.

Marina Gaeta, 13, tinha 8 anos quando percebeu que sua irmã menor tem Down. Carol, à época, estava com cinco anos. "Vi que tinha que cuidar dela de um jeito diferente do que os meus amigos cuidavam dos irmãos. Tinha que ser mais paciente", diz Marina.
"A convivência com quem tem Down ensina as pessoas a serem mais tolerantes com o tempo de cada um, a ver o diferente", diz Ana Claudia Correa, mãe do Pedro.

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Palmeirense, Rafael se anima todo para falar sobre o time do coração
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Depois das atividades na Apae de São Paulo, onde recebe acompanhamento especial, Rafael Silva, 8, (foto acima) já estava cansado para conversar com a "Folhinha", mas não para brincar. Entre uma brincadeira e outra, contou que faz lição na escola, que gosta mais das aulas de inglês e que torce para o Palmeiras.

A mãe, Maria Helena Gomes, é só orgulho: "Quando ele nasceu, eu não sabia o que era síndrome de Down, mas ele é uma criança adorável. Eu amo, amo, amo o Rafael".

COZINHEIRA
Aos 10 anos, Ana Carolina Gaeta tem uma agenda de gente grande: natação, vôlei, fonoaudiologia, fisioterapia, escola, visitas à avó, diversão com a família fazem parte da sua rotina.

Carol também participa das atividades do Chefs Especiais, onde tem aprendido a cozinhar. O que mais gosta de fazer? "Bolos e bolinhos", diz, animada.

Aprendiz de cozinheira, Carol adora fazer bolos e bolinhos
DO FUTEBOL AO SURFE
Pedro Aquino, 9, mora no Rio e falou com a "Folhinha" por meio de um aplicativo de vídeo de seu iPad. Flamenguista, contou que adora jogar futebol, que prefere as aulas de matemática e que quer ser cantor.

Pedro faz ioga, surfe, futebol, dentre outras atividades
Pedro faz ioga, surfe, futebol, dentre outras atividades
Felipe Longman, 10, seu melhor amigo da escola, diz que, na hora da brincadeira, não há diferença entre eles. "Ele tem o jeito dele de brincar, mas isso não importa. Todo mundo brinca junto de pega-pega."

Fonte: Folha de S. Paulo

quinta-feira, 23 de julho de 2015

Qual é a diferença entre a síndrome de Asperger e Autismo?

Se considera que a síndrome de Asperger é um transtorno dentro do Autismo

autismo

A Síndrome de Asperger tem se diferenciado muito recentemente do autismo típico e existe pouca informação sobre o prognóstico dessas crianças. Não obstante, considera-se que, comparado com jovens com outras formas de autismo, poderão com maior probabilidade converter-se em adultos independentes, com uma vida absolutamente normal.

Frequentemente, quando são adultos, as pessoas com Asperger têm um trabalho ou profissão relacionados com suas áreas de interesse especial, podendo ser muito competentes.

O que diferencia o autismo de Asperger:


Fonte: Guia Infantil

terça-feira, 21 de julho de 2015

Laços de família

Decidido a se comunicar com a única filha, que tem paralisia cerebral, o pernambucano Carlos Pereira acabou criando aplicativo premiado pela ONU


Como muitas meninas da idade dela, Clara, 7 anos, tem uma princesa favorita. No caso, a escolhida é Ariel, a sereia que abre mão da própria voz em troca de pernas, que lhe permitam ficar mais perto do príncipe por quem se apaixonou. Assim como Ariel, Clara não fala. Por causa de uma complicação na hora do parto, a criança de olhos expressivos e sorriso fácil sofre de paralisia cerebral e, embora sua capacidade cognitiva não tenha sido afetada, ela enfrenta muitas dificuldades motoras. Faz fisioterapia para fortalecer os músculos e, até recentemente, só se comunicava piscando os olhos. Foi graças ao empenho de seu pai que isso começou a mudar.

Determinado a conseguir se comunicar com a filha única, o pernambucano Carlos Pereira largou o emprego de analista de sistemas em uma distribuidora de remédios para usar, em tempo integral, seus conhecimentos em tecnologia na criação de algo que o ajudasse a transpor todas aquelas barreiras. Assim nasceu, em 2011, o Livox (ou Liberdade em Voz Alta), o primeiro software de comunicação alternativa para tablets em português. O recurso não só resolveu um problema particular como tem ajudado muita gente. Até aqui, são 10 mil usuários no Brasil. O aplicativo já foi traduzido para mais de 25 línguas e está prontinho para ser vendido a outros países.

Ao traduzir para voz comandos digitados na tela com as mãos, os pés e até uma vareta na boca, o Livox melhora a vida não só de quem tem paralisia cerebral. Auxilia autistas e pessoas com deficiências que dificultam a fala. Não à toa, ganhou, neste ano, o prêmio da Organização das Nações Unidas (ONU) de melhor aplicativo para inclusão e empoderamento. Três meses de suor resultaram no software adaptável a diferentes limitações. "Não importa se a coordenação motora é ruim, se a pessoa só tem 20% da visão ou se a cognição foi afetada, ele vai ajudar", garante Pereira.


Para adquiri-lo, é preciso acessar o site do Livox. De posse do laudo médico do futuro usuário e de detalhes sobre suas necessidades, a equipe disponibiliza instruções personalizadas. Cada licença custa de 799 a 1 350 reais.

Mas Pereira diz que sua maior recompensa não é o negócio em si, e sim conhecer o que passa na cabeça de Clara. Ao dar voz à filha, ele a presenteou com autonomia para escolher, por exemplo, o que quer fazer, aonde gostaria de ir e o que deseja assistir - e nesse caso, claro, a predileção recai sobre o desenho da princesa-sereia. Mas, se no início o Livox era utilizado somente para funções meio básicas, como avisar se tinha dor em determinada parte do corpo ou escolher o que comer e vestir, tornou-se indispensável para os estudos da menina, que o usa para fazer as tarefas da escola - até já escreveu um texto inteiro com ele. "Não sei o que o futuro reserva para minha filha. O Livox abriu o leque", afirma Pereira. "Afinal, quanto mais a pessoa se comunica, mais ela quer se comunicar".

Fonte: Planeta Sustentável

quinta-feira, 16 de julho de 2015

Projeto da USP busca entender autismo com celulas de dentes de leite

O projeto A Fada do Dente, desenvolvido pela bióloga Patrícia Beltrão Braga, da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia (FMVZ), da Universidade de São Paulo, em parceria com o professor e neurocientista Alysson Muotri, da Universidade da Califórnia, arrecada dentes de leite de crianças com autismo. Com as células da polpa do dente, os pesquisadores realizam uma reprogramação celular, transformando-as em células-tronco que são diferenciadas em neurônios. Esse processo permite identificar diferenças biológicas nos neurônios com autismo, estudar seu funcionamento e até mesmo testar drogas. O projeto recebe dentes de crianças de todo o Brasil (veja abaixo como participar).


Para liderar o projeto, a pesquisadora aprendeu a técnica de reprogramação celular desenvolvida pelo médico japonês Shinya Yamanaka, vencedor do prêmio Nobel de medicina de 2012. Esse método é capaz de reprogramar uma célula já adulta (no caso células da pele), transformando-a em uma célula-tronco semelhante às embrionárias, ou seja, as células maduras são rejuvenecidas até a fase correspondente a 6 ou 7 dias após a fecundação do óvulo com o espermatozoide.

Patrícia escolheu as células da polpa do dente por ter familiaridade no trabalho com elas e pela facilidade de obtenção. Os testes ainda estão no início, mas já são um avanço em comparação com o que se descobriu nos últimos 20 anos.

Como participar do projeto

 para fazer a doação dos dentes, o processo é bem fácil
Em primeiro lugar, escreva um e-mail para projetoafadadodente@yahoo.com.br. Ao se cadastrar, você vai receber um kit para colher o dente da criança quando ele cair ou for retirado. O objetivo é manter as células do dente vivas para que cheguem em condições viáveis para estudo no laboratório. O kit contém um frasco com um líquido para preservar as células e gelo reciclável para manter o dente gelado. O dente não pode ser congelado nunca. Caso o dente caia e o kit não esteja por perto, a indicação é colocar dentro de um copo com água filtrada e deixá-lo na geladeira, para que a polpa não seque e as células não morram. O dente precisa ser colhido com rapidez para que as células possam ser estudadas.

Fonte: Revista Crescer