terça-feira, 15 de março de 2016

Educação Inclusiva: Possibilidades

A priori é de extrema importância pesquisar sobre a escola, principalmente na rede particular de ensino, afinal você está investindo! Não julguem a escola pelo valor da mensalidade, nem sempre o mais caro é o melhor. Procure entender qual a visão da escola sobre a inclusão, o preparo e a disponibilidade dos profissionais.


Na rede pública, conheça a coordenação de educação inclusiva e também a escola e seus profissionais. Questione, em qualquer um dos espaços, sobre a formação continuada dos professores e auxiliares e se a instituição oferece auxilio para tal.

Com a criança matriculada existem duas possibilidades:

– Acompanhamento “Público”: Toda criança com deficiência ou transtornos globais, inseridas na rede regular de ensino, tem o DIREITO a um acompanhante especializado. Os pais e cuidadores devem pressionar as estancias responsáveis pelo atendimento, caso alguma lei não esteja sendo cumprida e em casos de abuso e negação de direitos.

– Acompanhamento “Particular”: Para o acompanhamento particular existe a proposta de AT (acompanhamento terapêutico) na escola, desenvolvida por profissionais especializados, com o objetivo de construir possibilidades com o aluno, nesse ambiente tão importante para a sua formação e construção de relações. O profissional é contratado pela família e compõe uma equipe junto à escola.

A dica é sempre buscar informação e cuidar dos pequenos de uma forma especial, afinal toda criança tem o direito de estudar, participar da escola, ter amiguinhos, dar risada e chorar na hora do recreio, explorar o mundo, dividir com o outro e se divertir.

Fonte: criancaesaude.com.br

sexta-feira, 11 de março de 2016

Presente a uma criança cega

A pessoa que me queira escutar

  • Ofereça-me liberdade para que eu possa usar minhas mãos, meus pés e todos os meus sentidos com plenitude.
  • Ofereça-me desafios para que os enfrente, desfrute e aprenda com eles, podendo crescer em experiência e segurança.
  • Ofereça-me independência ajudando-me naquilo que não posso e estímulo em fazer aquilo que posso.
  • Ofereça-me limites como a todas as crianças para que eu possa crescer como pessoa.
  • Ofereça-me exigências para que eu possa mostrar toda a minha capacidade.
  • Ofereça-me igualdade de oportunidades para que eu triunfe na vida de acordo com meus esforços e perseverança.
  • Ofereça-me uma bengala e incentiva-me a usá-la, para não depender de bengalas humanas.
  • Ofereça-me apoio e não ocupar-se por mim.
  • Ofereça-me amor apesar de minha diferença, mas não me ofereça superproteção, indiferença nem compaixão, porque são esforços inúteis.
  • Se me oferece tudo isso serei completamente feliz e poderei fazer felizes todos ao meu redor.
Traduzido por Marco Antonio de Queiroz do site argentino: Taller de Teatro para Actores Ciegos, infelizmente hoje já inexistente.
Fonte: BengalaLegal

terça-feira, 8 de março de 2016

10 coisas que toda criança com autismo gostaria que você soubesse


1) Antes de tudo eu sou uma criança. Eu tenho autismo. Eu não sou somente "Autista". O meu autismo é só um aspecto do meu caráter.

Não me define como pessoa. Você é uma pessoa com pensamentos, sentimentos e talentos. Ou você é somente gordo, magro, alto, baixo, míope.

Talvez estas sejam algumas coisas que eu perceba quando conhecer você, mas isso não é necessariamente o que você é. Sendo um adulto, você tem algum controle de como se auto-define. Se quer excluir uma característica, pode se expressar de maneira diferente.

Sendo criança eu ainda estou descobrindo. Nem você ou eu podemos saber do que eu sou capaz. Definir-me somente por uma característica, acaba-se correndo o risco de manter expectativas que serão pequenas para mim. E se eu sinto que você acha que não posso fazer algo, a minha resposta naturalmente será: Para que tentar?

2) A minha percepção sensorial é desordenada. Interação sensorial pode ser o aspecto mais difícil para se compreender o autismo.

Quer dizer que sentidos ordinários como audição, olfato, paladar, toque, sensações que passam desapercebidas no seu dia a dia podem ser doloridas para mim.

O ambiente em que eu vivo pode ser hostil para mim. Eu posso parecer distraído ou em outro planeta, mas eu só estou tentando me defender.

Vou explicar o porquê: uma simples ida ao mercado pode ser um inferno para mim: a minha audição pode ser muito sensível.

Muitas pessoas podem estar falando ao mesmo tempo, música, anúncios, barulho da caixa registradora, celulares tocando, crianças chorando, pessoas tossindo, luzes fluorescentes.

O meu cérebro não pode assimilar todas estas informações, provocando em mim uma perda de controle. O meu olfato pode ser muito sensível.

O peixe que está à venda na peixaria não está fresco. A pessoa que está perto pode não ter tomado banho hoje. O bebê ao lado pode estar com uma fralda suja.O chão pode ter sido limpo com amônia. Eu não consigo separar os cheiros e começo a passar mal. Porque o meu sentido principal é o visual.

Então, a visão pode ser o primeiro sentido a ser super-estimulado. A luz fluorescente não é somente muito brilhante, ela pisca e pode fazer um barulho.

O quarto parece pulsar e isso machuca os meus olhos. Esta pulsação da luz cobre tudo e distorce o que estou vendo. O espaço parece estar sempre mudando.

Eu vejo um brilho na janela, são muitas coisas para que eu consiga me concentrar. O ventilador, as pessoas andando de um lado para o outro... Tudo isso afeta os meus sentidos e agora eu não sei onde o meu corpo está neste espaço.

3) Por favor, lembre de distinguir entre não poder (eu não quero fazer) e eu não posso (eu não consigo fazer) Receber e expressar a linguagem e vocabulário pode ser muito difícil para mim.

Não é que eu não escute as frases. É que eu não te compreendo.Quando você me chama do outro lado do quarto, isto é o que eu escuto "BBBFFFZZZZSWERSRTDSRDTYFDYT João".

Ao invés disso, venha falar comigo diretamente com um vocabulário simples: "João, por favor, coloque o seu livro na estante. Está na hora de almoçar". Isso me diz o que você quer que eu faça e o que vai acontecer depois. Assim é mais fácil para compreender.

4) Eu sou um "pensador concreto" (CONCRETE THINKER). O meu pensamento é concreto, não consigo fazer abstrações.Eu interpreto muito pouco o sentido oculto das palavras.

É muito confuso para mim quando você diz "não enche o saco", quando o que você quer dizer é "não me aborreça". Não diga que "isso é moleza, é mamão com açúcar" quando não há nenhum mamão com açúcar por perto e o que você quer dizer é que isso e algo fácil de fazer.Gírias, piadas, duplas intenções, paráfrases, indiretas, sarcasmo eu não compreendo.

5) Por favor, tenha paciência com o meu vocabulário limitado.Dizer o que eu preciso é muito difícil para mim, quando não sei as palavras para descrever o que sinto.

Posso estar com fome, frustrado, com medo e confuso, mas agora estas palavras estão além da minha capacidade, do que eu possa expressar. Por isso, preste atenção na linguagem do meu corpo (retração, agitação ou outros sinais de que algo está errado).

Por outro lado, posso parecer como um pequeno professor ou um artista de cinema dizendo palavras acima da minha capacidade na minha idade. Na verdade, são palavras que eu memorizei do mundo ao meu redor para compensar a minha deficiência na linguagem.

Por que eu sei exatamente o que é esperado de mim como resposta quando alguém fala comigo. As palavras difíceis que de vez em quando falo podem vir de livros, TV, ou até mesmo serem palavras de outras pessoas. Isto é chamado de ECOLALIA. Não preciso compreender o contexto das palavras que estou usando. Eu só sei que devo dizer alguma coisa.

6) Eu sou muito orientado visualmente porque a linguagem é muito difícil para mim.Por favor, me mostre como fazer alguma coisa ao invés de simplesmente me dizer. E, por favor, esteja preparado para me mostrar muitas vezes. Repetições consistentes me ajudam a aprender.

Um esquema visual me ajuda durante o dia-a-dia. Alivia-me do stress de ter que lembrar o que vai acontecer. Ajuda-me a ter uma transição mais fácil entre uma atividade e outra. Ajuda-me a controlar o tempo, as minhas atividades e alcançar as suas expectativas.

Eu não vou perder a necessidade de ter um esquema visual por estar crescendo. Mas o meu nível de representação pode mudar. Antes que eu possa ler, preciso de um esquema visual com fotografias ou desenhos simples. Com o meu crescimento, uma combinação de palavras e fotos pode ajudar mais tarde a conhecer as palavras.

7) Por favor, preste atenção e diga o que eu posso fazer ao invés de só dizer o que eu não posso fazer. Como qualquer outro ser humano não posso aprender em um ambiente onde sempre me sinta inútil, que há algo errado comigo e que preciso de CONSERTO.


Para que tentar fazer alguma coisa nova quando sei que vou ser criticado? Construtivamente ou não é uma coisa que vou evitar. Procure o meu potencial e você vai encontrar muitos! Terei mais que uma maneira para fazer as coisas.

8) Por favor, me ajude com interações sociais, pode parecer que não quero brincar com as outras crianças no parque, mas algumas vezes simplesmente não sei como começar uma conversa ou entrar na brincadeira. Se você pode encorajar outras crianças a me convidarem a jogar futebol ou brincar com carrinhos, talvez eu fique muito feliz por ser incluído.

Eu sou melhor em brincadeiras que tenham atividades com estrutura começo-meio-fim. Não sei como "LER" expressão facial, linguagem corporal ou emoções de outras pessoas. Agradeço se você me ensinar como devo responder socialmente.

Exemplo: Se eu rir quando Sandra cair do escorregador não é que eu ache engraçado. É que eu não sei como agir socialmente. Ensine-me a dizer: Você esta bem?.

9) Tente encontrar o que provoca a minha perda de controle.Perda de controle, "chilique", birra, mal-criação, escândalo, como você quiser chamar, eles são mais horríveis para mim do que para você. Eles acontecem porque um ou mais dos meus sentidos foi estimulado ao extremo.

Se você conseguir descobrir o que causa a minha perda de controle, isso poderá ser prevenido - ou até evitado. Mantenha um diário de horas, lugares pessoas e atividades. Você encontrar uma seqüência pode parecer difícil no começo, mas, com certeza, vai conseguir. Tente lembrar que todo comportamento é uma forma de comunicação.

Isso dirá a você o que as minhas palavras não podem dizer: como eu sinto o meu ambiente e o que está acontecendo dentro dele.

10) Se você é um membro da família me ame sem nenhuma condição.Elimine pensamentos como "Se ele pelo menos pudesse…" ou "Porque ele não pode…" Você não conseguiu atender a todas as expectativas que os seus pais tinham para você e você não gostaria de ser sempre lembrado disso.

Eu não escolhi ser autista. Mas lembre-se que isto está acontecendo comigo e não com você. Sem a sua ajuda a minha chance de alcançar uma vida adulta digna será pequena. Com o seu suporte e guia, a possibilidade é maior do que você pensa.

Eu prometo: EU VALHO A PENA. E, finalmente três palavras mágicas: Paciência, Paciência, Paciência. Ajuda a ver o meu autismo como uma habilidade diferente e não uma desabilidade. Olhe por cima do que você acha que seja uma limitação e veja o presente que o autismo me deu.

Talvez seja verdade que eu não seja bom no contato olho no olho e conversas, mas você notou que eu não minto, roubo em jogos, fofoco com as colegas de classe ou julgo outras pessoas? É verdade que eu não vou ser um Ronaldinho "Fenômeno" do futebol.

Mas, com a minha capacidade de prestar atenção e de concentração no que me interessa, eu posso ser o próximo Einstein, Mozart ou Van Gogh. Eles também tinham autismo, uma possível resposta para Alzaheim o enigma da vida extraterrestre

O que o futuro tem guardado para crianças autistas como eu, está no próprio futuro. Tudo que eu posso ser não vai acontecer sem você sendo a minha Base. Pense sobre estas "regras" sociais e se elas não fazem sentido para mim, deixe de lado. Seja o meu protetor seja o meu amigo e nós vamos ver ate onde eu posso ir.

CONTO COM VOCÊ!!!

Retirado do site: http://www.autimismo.com.br/
Para Saber Mais:
http://topicosemautismoeinclusao.blogspot.com/
http://br.groups.yahoo.com/group/educautismo/
Contato: topicosemaautismoeinclusao@gmail.com

sábado, 5 de março de 2016

14 maneiras para estimular o bebê com síndrome de Down em casa



Estimular a criança com síndrome de Down desde cedo é essencial para o seu desenvolvimento, por isso ela precisa de mais tempo da família e de especialistas para adquirir e aprimorar as suas habilidades. Uma boa estimulação realizada nos primeiros anos de vida pode ser determinante para a aquisição de capacidades em diversos aspectos, como o desenvolvimento motor, a comunicação e a cognição. Muitos exercícios podem ser feitos em casa, no dia a dia, usando elementos do cotidiano da criança. Aprenda alguns desses exercícios e ajude na estimulação e crescimento de seu filho:

1) Se você é pai ou mãe, apaixone-se por seu filho. Toque, beije e abrace o bebê com muito carinho. Comunique-se e veja como ele expressa muitas coisas mesmo antes de falar. Não há terapia melhor do que o amor!

2) Evite deixar o bebê dormir por períodos muito longos. Mesmo pequeno, ele precisa de rotina para realizar as atividades de estimulação. Se for estimulado nos mesmos horários, o bebê ficará mais acordado e não reclamará das atividades.

3) Procure a melhor hora do dia para estimular o bebê. Cuide para que ele esteja alimentado, hidratado e sequinho antes de começar qualquer atividade.

4) Faça os exercícios diariamente: bebês com síndrome de Down precisam de contatos repetidos com uma mesma experiência. Porém, repetir não significa fazer tudo igual: desenvolva uma habilidade com atividades variadas.

5) Tenha expectativas realistas: escolha atividades que motivem o bebê. Você vai perceber se o exercício é desafiador demais para ele. Evite insistir para não gerar frustração mútua. Cada criança tem o seu tempo, evite comparações.

6) Divida a atividade em passo a passo: a aprendizagem é dividida em estágios. Recompense o bebê por cada pequeno passo que ele seja capaz de dar e valorize suas habilidades.

7) Faça coisas divertidas: sua voz e linguagem corporal podem motivar o bebê. Use a criatividade e lembre-se de “trocar de lugar com ele” na brincadeira ou atividade, para reforçar a interação e o interesse.

8) Cuide do ambiente: aprender novas habilidades requer atenção e foco, além de um ambiente livre de interrupções e de ruídos. Evite fornecer muitos estímulos ao mesmo tempo, como muitos brinquedos ou rádio e televisão ligados.

9) Pai, mãe e outros familiares também têm humor e disponibilidade. Procure respeitar seus próprios sentimentos. Mesmo com um bebê em casa, reserve um tempo para você e não troque a relação pai/mãe – filho por uma maratona de atividades. Lembre-se de que os pais não são terapeutas.

10) Experimente! Se algo não funcionar, você sempre poderá tentar outra coisa.

11) Todos nós precisamos de tempo e prática para aprender coisas novas. Deixe o seu bebê saber disso.

12) Que tal criar um circuito com brincadeiras associadas? Quando seu bebê tiver mais equilíbrio, você pode incentivá-lo a fazer mais de uma atividade, como andar de um ponto a outro e subir e descer escadas.

13) Exponha o bebê a estímulos diferenciados sempre que possível. Mostre coisas que ele não conheça e permita que sinta diferentes texturas, como cascas de fruta, esponjas, gelatina e a grama do parquinho. Outra forma de estímulo é aproximar seu rosto, cheio de formas e cores, do rosto do bebê.

14) Confira os exercícios disponíveis no Guia de Estimulação para Crianças com Síndrome de Down do Movimento Down.

Fontes:
Down Syndrome UK
Guia do bebê com síndrome de Down – Dr. Zan Mustacchi
Síndrome de Down: estimulação precoce – 0 a 6 meses – editado e distribuído gratuitamente por Projeto Down
Ideias de estimulação para a criança com síndrome de Down – Josiane Mayr Bibas e Ângela Marques Duarte

terça-feira, 1 de março de 2016

Como identificar dificuldades com a coordenação motora?

São cada vez mais comuns na clínica terapêutica ocupacional, queixas relacionadas à coordenação motora. A escola tem sido importante parceira na detecção destes problemas, que também aparecem no consultório da pediatria e neuropediatria. Mas como identificar uma criança com problema de coordenação motora?

Inicialmente, devemos esclarecer o que significa a dificuldade na coordenação motora, que pode ser entendida como um prejuízo acentuado do desenvolvimento da coordenação dos movimentos do corpo, com desempenho significativamente abaixo do esperado para a idade cronológica e nível cognitivo da criança, nas atividades diárias que requerem coordenação motora.

Atualmente, o termo diagnóstico é definido como Transtorno do Desenvolvimento da Coordenação (Developmental Coordination Disorder – DCD)  ou TDC.

O diagnóstico de TDC se aplica aos casos em que, na ausência de outros distúrbios físico/neurológicos conhecidos, existe déficit na coordenação motora, em relação à faixa etária. Os sinais geralmente associados à TDC são: desajeitamento e inconsistência no desempenho de tarefas e  coordenação motora pobre. A criança pode demonstrar dificuldade nas tarefas de auto-cuidado, como vestir e usar utensílios, nas atividades acadêmicas, como a escrita e o traçado, e nas atividades de lazer, com pobre desempenho em esportes, no uso de equipamentos de parques e brinquedos infantis, além de problema nas interações sociais.

Diversas condições de saúde podem evoluir com déficit na coordenação motora grossa, como pular, correr, chutar, e fina, relacionada aos movimentos das mãos e dedos, como na escrita, preensão de objetos, dentre outros.


Diante do exposto e da atual demanda nos consultórios de terapia ocupacional, algumas atividades simples podem ser desenvolvidas em casa, para estimulação das habilidades motoras.

Para as habilidades motoras grossas, as brincadeiras de pique-esconde, correr, pular corda, amarelinha, pula-pula, jogar bola, são sempre boas opções.

Quanto às habilidades motoras finas, podem ser desenvolvidas em casa, brincadeiras com massinha, confecção de colares e pulseiras com macarrão ou miçangas, montar varal com desenhos usando pregadores de roupas e atividades com tesoura, que pode ser usada com papéis de diferentes gramaturas, com alternância dos trajetos do recorte.
  

Fonte: Tudo Bem Ser Diferente