sexta-feira, 11 de agosto de 2017

Como algumas crianças autistas conseguem escrever mas não falar?

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A pergunta do colega:
Como você pode escrever tudo isso, mas não pode lê-lo em voz alta ou conversar?

Resposta de Philip:
Falar não é o mesmo que pensar. Eu sou capaz de escrever os meus pensamentos, porque é muito mais fácil apontar para eu fazer do que falar. Você consegue falar sem precisar pensar muito. Parece tão fácil para você. Eu acho que falar é tão difícil. É uma grande luta para mover meus lábios e língua para fazer as palavras que eu quero dizer, sairem. Eu quero ser capaz de dizer o que penso, mas o que sai são geralmente palavras “Stim” como “potty” ou pedidos de alimentos. Estas palavras faladas me colocam em um lugar que as pessoas pensam que eu só sou capaz de pensamento simples. Nenhuma vida é completa sem pensamentos das pessoas, sentimentos e amor. As pessoas muitas vezes pensam que os autistas são incapazes de relacionamentos, amor e empatia. O que está muito longe da verdade. Pessoas como eu também querem amigos. Mas eu não sou capaz de juntar-se facilmente porque eu não posso falar. Eu gostaria de poder. A língua é um problema para mim. É por isso que eu posso escrever bem. As pessoas precisam saber que o autismo é bem difícil de se conviver. Ele me separa dos outros, fazendo minha comunicação difícil. Mas se você puder ser paciente comigo e me colocar em suas vidas, eu posso ser feliz vivendo com autismo. As pessoas fazem a minha vida significativa.”

Original

Classmate’s question: How can you write all of that down, but can’t read it out loud or talk?

From Philip:
Talking is not the same as thinking. I am able to write my thoughts because pointing is much easier for me to do than talking. You can talk without thinking very hard. It seems so easy for you. I think talking is so hard. It is a major struggle to move my lips and tongue to make the words I want to say come out. I want to be able to say what I think but what come out are usually stim words like “potty” or requests for food. These put me in a place of people thinking I am only capable of simple thought. No life is complete without thoughts of people, feelings, and love. People often think autistics are incapable of relationships, love, and empathy. That is furthest from the truth. People like me also want friends. But I am not able to join in easily because I can’t talk. I wish I could. Language is no problem for me. That’s why I can write well. People need to know that autism is pretty hard to live with. It separates me from others by making my communication difficult. But if you can be patient with me and put me in your lives, I can be happy living with autism. People make my life meaningful.

Fonte: http://faithhopeloveautism.blogspot.com.br/2015/06/why-i-can-type-but-not-talk.html
Matéria extraída de A Criança e a Infância

terça-feira, 8 de agosto de 2017

Mãe de bebê com síndrome de Down registra queixa após ofensas na web: ‘dói muito'


Acostumada a contar a rotina do filho, o pequeno Luiz Henrique, de um ano e 11 meses, que tem Síndrome de Down, a digital influencer Rafaela Monteiro, de 27 anos, tomou um susto quando abriu sua página no Instagram, na última sexta-feira (21). Ela relata que se deparou com um perfil que usava o nome do filho, e o chamava de Luiz Ridículo. Em uma das fotos, o perfil fake ofende o menino chamando-o de 'monstro' e 'aleijado'.

Rafaela diz que sabia que no decorrer da vida poderia sofrer algum tipo de preconceito por ter um filho com Down, mas afirma que ficou chocada com a página e com o comentário que o dono deixou para ela na publicação. Ela, então, resolveu prestar queixa na delegacia para que a polícia investigue e chegue até o culpado.

“Esse menino é ridículo, o rosto dele com esse olho, parece que tá tendo um ataque epilético, esse andado dele que mim dar (sic) nojo parece um aleijado com essas pernas tortas, o jeito de mastigar parecendo um lerdo. Nunca ser (sic) alguém na vida não vai sair do lugar vai ser sempre esse monstro”, dizia a mensagem.

Diante da ofensa gratuita, a mãe de Luiz lembra que ficou em estado de choque e disse que nunca imaginou que um comentário pudesse mexer tanto com ela e a desestruturar psicologicamente.

“Quando comecei a ler, vi que chamou meu filho de monstro, me deu uma crise muito forte, comecei a chorar. Quando meu marido chegou em casa, perguntou o que aconteceu, falei que queria ir na delegacia", diz.

Rafaela ainda tenta entender porque alguém agiria de maneira tão cruel e cobra justiça.


“Decidimos ir na delegacia fazer um BO, fomos logo no sábado [22] de manhã, mas quando chegamos lá o sistema tinha caído, então, fizemos um BO offline. Fizemos isso para que essa pessoa pense antes de agredir alguém, então, que sirva de lição para ela. Vamos ainda nesta segunda-feira na delegacia especializada neste tipo de crime para oficializar tudo, queremos justiça o mais rápido possível”, completou.

A digital influencer, que tem uma página com quase 65 mil seguidores, contou que após a repercussão que o post gerou, a pessoa excluiu a conta. Ela diz que as pessoas começaram a denunciar e, automaticamente o Instagran deve ter excluído ou a prória pessoa retirou a página do ar.

"A pessoa quis atingir diretamente meu filho, ela criou uma página com o nome do meu filho ‘luizridículo’ por maldade mesmo. Entrei na página e vi que tinham 15 pessoas e dessas tinham crianças com síndrome e tinham três pessoas aqui do Acre, então, creio eu que seja alguém daqui. O perfil seguia um restaurante famoso daqui, a filha da pediatra do meu filho, e uma lojinha virtual que eu inclusive fechei uma parceria”, acrescentou.

Novo perfil pede perdão
Rafaela relata que após a repercussão do caso, e depois de dizer que iria na delegacia, a pessoa criou um novo perfil com o nome ‘perdão8693’ onde pedia perdão e dizia que estava arrependida pelo que havia escrito no post anterior.

“No sábado [22], ela [dona da página] fez um outro perfil e foi na mesma postagem e escreveu um texto dizendo que sabia da gravidade que tinha acontecido e que tinha um problema com depressão e que no dia do post tinha brigado com o marido”, detalha.



Na mensagem deixada para Rafaela, a postagem dizia o seguinte: “Oi aqui foi a pessoa quem (sic) criou o perfil fake para poder ter (sic) falado aquelas coisas, do fundo do meu coração estou muito arrependida não queria terfalado aqueles (sic) barbaridades, eu sei o que você está sentindo amesma dor que eu sentir (sic) quando meu filho morreu após ele sair da minha barriga ele tinha as mesas coisas que seu filho...”, escreveu.

Rafaela diz que resolveu procurar a polícia porque acha que nada justifica uma agressão feita a uma criança. “Acredito que seja uma mulher e que seja daqui de Rio Branco. A Polícia Civil tem um perito nessa área que vai investigar o caso. Eu e meu marido vamos ainda hoje [segunda, 24] na delegacia especializada falar com o delegado. A página que pediu desculpa também já foi excluída, mas eu também tirei print, tenho todas”, acrescentou.

Rafaela não esconde que seu maior medo é que a pessoa seja do seu convívio e que possa tentar fazer mal para seu filho em algum momento.

A pessoa que fez isso tinha muito ódio no coração. Meu filho não fez nada para ninguém, é uma criança, eu quero justiça e respeito, ele não é doente. Por isso quero e preciso saber quem foi, não quero dinheiro, quero justiça", finalizou.

Matéria extraída do CidadeVerde.com
Fonte: G1

sexta-feira, 4 de agosto de 2017

Mãe garante a filha autista professor especial e busca direito para mais 170

Andrea Dul, de Poá, conseguiu professor exclusivo para Andressa, de 9 anos. Sua filha e outras quatro crianças já conquistaram o direito


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A advogada Andrea Dul, de Poá, é mãe da Andressa Dul, de 9 anos. Quando a menina tinha 2 anos e 8 meses, foi diagnosticada com autismo. Desde então a mãe sempre buscou informações e cuidados que pudessem ajudar no desenvolvimento da menina.

Em 2013 foi avisada pela escola particular onde a filha estudava que a menina não poderia mais frequentar as aulas na unidade de ensino por causa de suas necessidades especiais. Andrea usou seus conhecimentos e conquistou na Justiça o direito ao professor exclusivo. Desde então, ela ajuda outras mães. Já conseguiu o mesmo direito para mais quatro famílias e preparou a documentação para outras 170.

“Desde pequeninha ela já ia para a escola porque eu precisava trabalhar. Quando ela completou um ano já falava e andava, de repente ela regrediu. Eu percebi que a fala dela estava mais comprometida”, comenta.

Em busca de um diagnóstico, foram várias consultas com neurologistas e psiquiátricas, até que veio a resposta. A falta de conhecimento sobre o autismo – reconhecido como deficiência apenas em 2013 – fez com que a escola (particular) onde ela estudava avisasse para Andrea que a menina não poderia mais frequentar as aulas, já que a sala contava com 25 crianças e apenas uma professora. “Eu apenas disse que em uma semana voltaria com a liminar da Justiça para que a milha filha continuasse estudando lá e tivesse os cuidados que ela precisa e foi o que eu fiz.”

Apesar de todo o conhecimento técnico-jurídico que possui, Andrea diz que redigiu com uma “grande dose de emoção” o texto que foi apresentado na Justiça. A advogada conquistou o direito para a filha e conta que, desde então, sua filha Andressa não só se desenvolveu na escola, como também passou a ajudar outras mães a conquistarem o mesmo direito para os seus filhos.


Multiplicação 

No final de 2015 ela organizou o grupo das Mães de Azuis. Ao todo, são cerca de 200 mães que convivem com os mesmos problemas de atraso no desenvolvimento de seus filhos e buscam ajuda. “Primeiro nós acolhemos as mães que chegam assustadas tentando entender o que se passa com seus filhos. Depois disso, nós explicamos para elas quais direitos elas têm, como o professor exclusivo na sala de aula e outros benefícios previstos para os deficientes.”

Foi assim que Andrea já assegurou para quatro famílias o direito do professor exclusivo na sala de aula. Outros dois casos aguardam a decisão e ela já elaborou o documento para mais 170 famílias.

O filho de Claudete Correia da Silva, por exemplo, já tem 12 anos, mas, apenas no ano passado ela soube do direito da professora auxiliar. Sem nenhum outro tipo de tratamento, o menino que até então não era alfabetizado, hoje consegue acompanhar as atividades da turma. “Ele tinha o diagnóstico de que era hiperativo. Tinha 30 alunos na sala e a professora deixou bem claro que não ia dar atenção só para ele. Nessa época ele perdeu muito no aprendizado, mas desde o ano passado foi muito positiva essa mudança. Agora ele interage e, dentro das limitações dele, está aprendendo.”

Outro benefício previsto em lei, que muitas famílias desconhecem, é o auxilio de um salário mínimo por mês para aqueles que têm a renda inferior a um salário mínimo.

Graças a advogada, a família de Luan conquistou esse direito. Kelen Luisa França tem 41 anos e está desempregada. Seu filho de 5 anos foi diagnosticado com autismo no ano passado. Além de não ter um emprego fixo, ela precisa cuidar da mãe, que está doente, e o pai do menino também está desempregado. “Eu tinha feito o pedido duas vezes e tinha sido indeferido, agora saiu. Com esse dinheiro, eu vou investir diretamente no Luan: vou colocar ele para fazer algum esporte, proporcionar mais bem estar para pagar uma condução quando for preciso levá-lo até uma consulta, por exemplo”, conta.

Toda a assistência dada pela advogada é gratuita, mas, como a demanda tem crescido, ela estuda firmar uma parceria com a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) para que os casos sejam encaminhados para a Defensoria Pública.

Matéria extraída do DeficienteCiente.com.br
Fonte: G1

terça-feira, 1 de agosto de 2017

Nova rede social conecta pessoas com deficiência para ampliar interação e troca de informações

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Segundo a ONU, existem cerca de 1 bilhão de pessoas com algum tipo de deficiência no mundo. Muitas vezes, elas utilizam fóruns na internet para trocar informações entre si. Pelo menos é o que constatou a professora Fabiana Faleiros Santana Castro ao criar a D+eficiência, uma rede social que conecta pessoas com deficiência para ampliar a interação entre eles.

O projeto tem o intuito de reunir também familiares, cuidadores, instituições e profissionais da área, que atuam junto à essa parcela da população, para compartilhar experiências, debater desafios cotidianos, conhecer gente nova e ter acesso à informação de qualidade. A utilização é semelhante a outras redes do tipo, no qual é feito um cadastro no site e criado um perfil.

A plataforma também colabora para ampliar o conhecimento e o auxílio no processo de reabilitação, inclusão social e autonomia. Tudo isso ajuda na qualidade de vida das pessoas com deficiência e de todos os que as cercam, formando uma comunidade integrada que pode resultar até mesmo em avanços nas áreas de atuação envolvidas.


A ideia surgiu a partir da tese de doutorado da professora da Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto (EERP) da USP, que foi defendida na Alemanha. No país, Fabiana focou seus estudos no tratamento de pessoas com espinha bífida, condição que resulta na má formação das vértebras, e assim notou o uso constante de fóruns para esclarecimento de dúvidas e troca de ideias. Então veio a motivação para implementar algo parecido no Brasil, com a supervisão de profissionais de saúde, que ajudam a mediar e levar conhecimento de qualidade aos usuários.

A iniciativa foi viabilizada em parceria com a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), a Universidade Federal do Pará (UFPA), a Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa) e a Universidade de Dortmund, na Alemanha.


Fotos: Divulgação e Pixabay
Matéria extraída do Razões para Acreditar

sexta-feira, 28 de julho de 2017

A inclusão de crianças com deficiência física

Tirando as dúvidas da criançada sobre o que é deficiência física, os professores ajudam a construir um caminho sem obstáculos para o saber


"Não consigo subir esses degraus para ir até a classe...mas com a rampa e a ajuda dos meus amigos posso chegar lá" João Guilherme dos Santos, 7 anos. (Crédito: Maurício Moreira)

João Guilherme dos Santos, 7 anos, demorou para nascer. O atraso no parto causou-lhe paralisia cerebral, comprometendo a parte motora do corpo. Com 8 meses, ele começou a ser atendido em hospital especializado e fez terapia na Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) de São Luís, onde mora. Mas, ao atingir a idade para iniciar a Educação Infantil, a família colocou-o em escola regular. A diretora da primeira creche que visitou não queria aceitá-lo, alegando não ter estrutura. "Conheço as leis que garantem os direitos do meu filho", disse o pai, Manuel Carlos Soares dos Santos. Com esse argumento, a matrícula foi efetuada.

Agora no Ensino Fundamental, João Guilherme estuda na Unidade Integrada Alberico Silva. Ele e o pai levam duas horas para chegar até lá, de ônibus, e outras duas para voltar para casa. Pequeno comerciante, Manuel adaptou sua rotina para que o filho possa conviver com crianças sem deficiência: "Ele progride a cada dia.Com uma boa educação, João pode ter uma vida melhor e lutar por seus direitos".

Aplicação para isso não falta ao menino."Ele é muito inteligente", atesta a professora Sandra Helena Nascimento Sousa. Sim, ela teve muito medo de aceitá-lo em sua turma."Uma criança que não anda é um trabalho a mais: tem que dar lanche, levar ao banheiro... Tenho alunos pequenos e não queria me ausentar por muito tempo da classe", conta. O pai se prontificou a ajudar e, mesmo insegura por não se sentir capacitada para lidar com a deficiência, Sandra aceitou o desafio. 

"O professor regular precisa saber se a criança tem alguma restrição médica que a impeça de fazer atividades dentro ou fora da sala, acompanhar seu estado de saúde e conhecer os efeitos dos medicamentos que ela está tomando", explica Eliane Mauerberg-deCastro, coordenadora do Programa de Educação Física Adaptada da Universidade Estadual Paulista (Unesp), em Rio Claro, interior de São Paulo. "E a escola deve garantir o acesso físico à sala."Para isso, Sandra teve o apoio do grupo de atendimento especial da Secretaria de Educação do município, que a colocou a par da história de João e levou material específico para ele - como a prancheta magnética para formar palavras, acoplada à mesa de estudos.

Alguns alunos perguntavam se João era doente. Nas rodas de conversa, a professora falou sobre diferenças: "Expliquei que ele era inteligente, mas aprenderia de outra forma, já que as pessoas não são iguais e têm capacidades e limitações próprias". Todos se esforçam para ajudar João Guilherme e ficam em silêncio para ouvi-lo falar, pois ele ainda tem dificuldade para se expressar.

 
Marcos usa lápis adaptado com espaguete de piscina: as professoras improvisaram o reforço para que o aluno pudesse escrever com firmeza. (Crédito: Maurício Moreira)

Na cadeira, mas sem rodas

O maior desafio das crianças com deficiência física não está na capacidade de aprender, mas na coordenação motora."Geralmente, elas têm dificuldade para se movimentar, escrever ou falar. Se estiverem atrasadas no desenvolvimento intelectual, é porque não tiveram uma educação apropriada", diz Eliane, da Unesp. Marcos Nantes Coutinho, 9 anos, por exemplo, tem dificuldade em memorizar e os especialistas acreditam que é porque ele não consegue registrar os novos aprendizados. Por isso, as professoras da 2a série da EE Olinda Conceição Teixeira Bacha, em Campo Grande, retomam várias vezes os conteúdos e querem que ele tenha aulas de apoio na sala de recursos de uma escola vizinha.

Na classe, Marcos é atendido pela parceria afinada de Cristina Encina de Barros, a professora regente, e Yara Mara Barbosa de Oliveira, a itinerante, que percorre as escolas que têm alunos com deficiência. Toda quarta-feira elas conversam sobre os avanços do menino e os desafios que ele ainda tem de superar, repassam a programação de estudos e fazem as adaptações necessárias ao garoto. A comunicação aberta entre os profissionais também inclui conversas com assistentes sociais, coordenadores e médicos. Outra estratégia é usar material concreto e imagens. O menino aprende as palavras com um alfabeto móvel, feito com letras recortadas em cartolina, e já monta termos com até três sílabas. Como tem dificuldade em segurar o lápis, muito fino, as professoras improvisaram um reforço com um pedaço de espuma tipo espaguete de piscina.

Marcos usa andador, baba e tem dificuldade para falar. Até os 5 anos, ele frequentou a escola de Educação Infantil da Associação Pestalozzi, onde era assistido por fisioterapeuta, fonoaudióloga, terapeuta ocupacional e psicóloga. Esta última aconselhou a mãe, Ana Flávia Nantes Zuza, a colocá-lo numa creche regular, como forma de prepará-lo para ingressar no Ensino Fundamental.

Na escola, Marcos ganhou autonomia. Durante o ano passado, ele se sentava em cadeira adaptada com apoio para os braços, onde ficava com a postura largada. Como extensão do tratamento terapêutico, a especialista Yara fez uma experiência: colocou-o numa carteira igual à dos demais alunos, encostada à parede. Isso ajudou-o a sustentar o tronco para não escorregar, a ter uma postura melhor e a se equilibrar. Mas a cadeira de rodas é importante e não deve ser evitada."É preciso aceitar que ela, ou uma prótese, faz parte da vida da criança com deficiência física. É como usar óculos", diz Eliane. Marcos já não depende tanto do andador: ele o deixa na porta da classe e apóia-se na fileira de carteiras, até o lugar onde se acomoda. Mostra progressos também nas idas ao banheiro - antes, ela tinha que levá-lo, agora só precisa acompanhá-lo até a entrada. Conquistas simples, mas que mostram às professoras que elas estão no caminho certo. "Qualquer criança pode progredir. Basta a gente ensinar com interesse, atenção e amor", afirma Cristina.


Vinícius, com seu par, na hora da leitura: "Adoro ler jornais e livros que tenham figuras e sejam bem coloridos e bonitos". (Crédito: Maurício Moreira)

Vínculo afetivo

Para ajudar Vinícius Guedes dos Santos, 7 anos, a superar as restrições de movimentos que ele tem por conta da má-formação das pernas e dos braços, a Escola Básica Donícia Maria da Costa, em Florianópolis, designou uma auxiliar. Ela o ajuda nas atividades em classe, o acompanha ao banheiro e dá o lanche. Ele escreve devagar,mas tem cadernos caprichados. E adora livros. Na hora de ler, Vinícius escolhe os títulos na caixa-biblioteca, sempre em lugar de fácil acesso. "Como ele tem bom nível de leitura e escrita, ainda ajuda os colegas menos avançados", conta Gislene Prim, professora da 2a série.

Desde a 1a série ela se preocupou em fortalecer os laços afetivos para Vinícius sentir confiança na turma. E conseguiu: na assembléia de classe, a turma sugeriu a criação de um parquinho com balanço adaptado só para Vinícius poder brincar também.

Nas aulas de Educação Física, o professor Luiz Augusto Estácio incentiva a socialização das crianças por meio de brincadeiras que todos participem. "A experiência de jogar bola sentado na cadeira ou no chão pode ser um desafio diferente e divertido para toda a garotada", exemplifica. Com isso, a criança com deficiência começa a se sentir mais à vontade entre os colegas. A mãe de Vinícius, Adriana Guedes dos Santos, atesta a desenvoltura que o filho tem hoje: "O Vinícius era tímido e quase não conversava. Agora, ele já faz até bagunça e, quando quer alguma coisa, não tem vergonha de pedir".

Atividades e estratégias

BEM-ESTAR FÍSICO 
Procure saber sobre o histórico pessoal e escolar do aluno com deficiência, informe-se com a família e o médico sobre o estado de saúde e quais os efeitos dos remédios que ele está tomando. Esse conhecimento é a base para sugerir qualquer atividade que exija esforço físico. Os exercícios podem, por exemplo, interferir na metabolização de medicamentos. 

HABILIDADES BÁSICAS 
Para ajudar a criança com deficiência física nas habilidades sociais, escolha atividades relacionadas às exigências diárias, como deitar, sentar e levantar-se, arremessar e pegar objetos, parar e mudar de direção. Proponha jogos nos quais o aluno faça escolhas (passar por cima ou por baixo de cordas ou elásticos), para que ele perceba o controle que pode ter sobre o corpo. ,

INTERAÇÃO 
Estimule o contato da criança com deficiência com os colegas, permitindo a troca de ideias, a expressão de emoções e o contato físico para auxiliar nas diversas atividades. 

PEÇAS IMANTADAS 
Use material concreto e lousa com letras magnéticas para facilitar a formação de palavras e a memorização quando houver restrição no movimento dos braços.

Matéria extraída do novaescola.org.br