sexta-feira, 13 de janeiro de 2023

Metaverso pode ajudar na reabilitação de pessoas com deficiência, mostra estudo

Em pessoas com paralisia cerebral, a aplicação de tarefas em realidade virtual por meio da telereabilitação auxiliou no engajamento e na melhora de desempenho

Lucas Rocha para CNN

Metaverso é um complemento dos métodos de recuperação tradicional,
diz pesquisador Acervo pessoal

O metaverso é um mundo virtual que permite a interação entre pessoas a partir de avatares personalizados, além da circulação por espaços construídos que simulam a realidade como conhecemos.

Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) descobriram que o metaverso pode ter uma outra função além do entretenimento: ajudar na reabilitação de pessoas com deficiência.

Um estudo publicado pelo grupo da Escola de Artes, Ciências e Humanidades mostrou que em pessoas com paralisia cerebral, a aplicação de tarefas em realidade virtual por meio da telereabilitação auxiliou no engajamento, na melhora de desempenho e foi uma opção de incentivo à prática de atividade física, inclusive durante a pandemia.

Realidade virtual e paralisia cerebral

O estudo sobre a telereabilitação de pessoas com paralisia cerebral foi realizado entre março e junho de 2020 e contou com a participação de 44 pessoas. O trabalho foi realizado durante o período de isolamento social da pandemia de Covid-19, que impedia a realização da terapia tradicional.

Pessoas com paralisia cerebral apresentam distúrbios motores associados a aspectos como mudanças de sensação, aprendizado e comunicação. Com o objetivo de melhorar a performance motora, os participantes realizavam práticas propostas com o apoio remoto de um pesquisador e auxílio de um responsável.

Uma das atividades consistia na coleta de bolinhas coloridas que caíam no visor do computador. Os movimentos dos participantes eram detectados pela câmera da máquina. Durante o jogo, a percepção de esforço e cansaço dos participantes, foi avaliada.

A escala é baseada nas sensações sentidas durante o exercício, como fadiga muscular e aumento da frequência cardíaca e respiratória. Também foram analisadas a performance motora, medida pela precisão dos movimentos e o número de acertos e erros, e a motivação e satisfação dos participantes.

De acordo com o estudo, a melhora na performance no jogo não foi constante. No entanto, a recepção dos jogos pelos pacientes foi positiva, tendo sido considerado divertido pelos participantes, que se mostraram interessados em continuar a usá-lo nas suas terapias.

“As pessoas gostam mais, elas têm mais motivação para fazer uma reabilitação em ambiente virtual”, afirma o professor do curso de Educação Física e Saúde Carlos Monteiro, coordenador da iniciativa.

Estratégia complementar

A pesquisa desenvolvida pelo grupo da USP não utiliza o metaverso imersivo, aquele que conta com óculos de realidade virtual. De maneira mais simples, é possível realizar as tarefas apenas com um computador ou celular e uma boa conexão com a internet.

Segundo os especialistas, isso facilita o acesso das pessoas a essa forma de reabilitação e evita que elas precisem gastar com óculos virtuais caros ou se deslocar para laboratórios onde existem equipamentos avançados. Com o uso do metaverso não imersivo, o terapeuta também pode atender mais de um paciente por vez e pessoas de diferentes estados passam a ter acesso a esse tratamento.

Apesar dessas vantagens, Monteiro lembra que o metaverso é um complemento dos métodos de recuperação tradicional, não uma substituição. “Percebemos que, quando tarefas no ambiente virtual são mais difíceis que no real, isso facilita na hora de realizar as atividades na vida real”, afirma.

Ele aponta como desafios para o amplo uso investidores acreditarem no uso do metaverso para fins de saúde, e a dificuldade de algumas pessoas para se adaptarem a plataformas digitais. Para ele, porém o uso do metaverso na educação e saúde pode ser adiado, mas é inevitável.

(Com informações do Jornal da USP)

quarta-feira, 11 de janeiro de 2023

O que vem depois de revogado o ‘decreto da exclusão’?

A luta por uma educação inclusiva só acaba quando não houver nenhuma referência ao “tipo de gente” que pode acessar esse direito básico

Por Mariana Rosa

A primeira vez de minha filha Alice na escola, seis anos atrás, foi também a minha primeira vez. Lembro do medo e da insegurança descalibrados, turvando as emoções daquele momento que deveria ser, sobretudo, de celebração. Afinal, uma nova etapa da vida se iniciava, e a escola era a promessa de ampliação de nossos contornos, até então restritos ao núcleo familiar. Ocorre que, quando criança, na década de 1980, não convivi com nenhum estudante com deficiência, e essa realidade permaneceu inalterada até o ensino superior. Alice não se comunica oralmente, tem limitações motoras, usa cadeira de rodas, precisa de apoio e mediação para todas as atividades cotidianas. Tal condição simplesmente não fazia parte do meu repertório de mundo antes de me tornar sua mãe. 

Foi preciso mais do que afeto para entender que a escola era lugar para ela. Teve pesquisa, estudos e convivência com pessoas com deficiência, um percurso que buscou reparar a experiência que me havia sido negada até ali. Ao longo desse processo, eu também me tornei uma mulher com deficiência, o que adicionou novas perspectivas para compor a compreensão que deveria estar instalada por princípio: 

“Todo ser humano tem direito à Educação e a escola é lugar para todas as pessoas, indiscriminadamente”

Foram seis negativas de matrícula. Seis “nãos”. “Não trabalhamos com esse tipo de criança”, “não tem vaga”, “pra que matricular se ela não vai aprender?”, “aqui não é lugar pra ela”… e por aí vai. Minha filha, quando se lança ao encontro do mundo, é tomada como um “tipo de criança” tão exótica que é afastada de sua condição humana e, consequentemente, dos portões de entrada da escola comum. Lembro que nada na conversa de apresentação de uma das escolas que visitei me dava pistas de que aquele era um lugar para ela: “aqui é o espaço para as crianças correrem pra todo lado, ali é o muro pra escalar, aqui as crianças mais falantes fazem a festa”…, dizia a coordenadora pedagógica.

Leia a matéria completa em lunetas.com.br

sexta-feira, 6 de janeiro de 2023

Ato de Lula põe fim à insegurança jurídica de alunos com deficiência, diz especialista

Presidente revogou política de Bolsonaro que era usada por escolas e prefeituras para negar matrícula a essas crianças

Isabela Palhares para a folha.uol.com.br
 
SÃO PAULO
 

O presidente Lula discursa no Palácio do Planalto ao lado de Janja, Geraldo Alckmin (PSB) e Lu Alckmin

Medida do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pode colocar fim à insegurança jurídica criada a alunos com deficiência para terem acesso ao direito à escola regular ao revogar a política de educação inclusiva do governo Jair Bolsonaro (PL).

O decreto, assinado por Lula ao tomar posse no domingo (1º), revogou medidas que permitiam a escolas e prefeituras segregar e dificultar o acesso de pessoas com deficiência ao ensino regular.

Em setembro de 2020, Bolsonaro instituiu a Política Nacional de Educação Especial, que incentivava a criação de escolas e classes especializadas para pessoas com deficiência. A política foi suspensa em dezembro daquele ano pelo ministro Dias Toffoli, do STF (Supremo Tribunal Federal), mas ainda assim era usada por escolas e redes de ensino que recusavam a matrícula desses alunos.

"A política, mesmo suspensa, dava embasamento e era usada por escolas que não queriam ensinar a crianças com deficiência. Foi uma política que deu liberdade para escolas dizerem que nossos filhos não eram bem-vindos naquele espaço", afirma Liege Schmitt, 45.

Leia a matéria completa na folha.uol.com.br

quarta-feira, 4 de janeiro de 2023

Adaptação de materiais para crianças com deficiência visual

Alunos com deficiência visual têm problemas de acesso ao conteúdo escolar. Portanto, os materiais devem ser adaptados às suas necessidades

soumamae.com.br

Na escola, os materiais para crianças com deficiência visual devem ser adaptados para que elas possam ter acesso ao currículo escolar e aos conteúdos de aprendizagem. Esta é uma medida básica para atender às necessidades específicas de suporte educacional de alunos com problemas visuais significativos.

“Só porque um homem não usa os olhos, não significa que ele não tenha visão.”

-Stevie Wonder-

Encontram-se no mercado diversos materiais com facilidade de adaptação para fornecer o essencial: informação táctil com texturas, peso, etc., bem como informação auditiva e visual, neste caso com cores fortes ou contrastes para alunos com baixa visão.

Por outro lado, as novas tecnologias, inclusive as digitais, são um universo em expansão de possibilidades de acesso e inclusão. Faz parte do que se conhece como Tiflotecnologia (do grego ‘tiflo’, que significa cego), um conjunto de técnicas e estratégias por meio das quais “procedimentos e técnicas são adaptados para uso posterior pelo grupo de cegos”.

O que é a deficiência visual?

A deficiência visual refere-se à presença de deficiências funcionais significativas quando se trata de ver. Ou seja, esse conceito engloba diversos tipos de problemas visuais graves. Assim, de acordo com Natalie Barraga, uma distinção pode ser feita entre:

  • Cegueira total: a visão só permite perceber a luz.
  • Cegueira parcial: a pouca visão que se tem permite apenas perceber vultos.
  • Baixa visão: existem deficiências significativas relacionadas à acuidade visual, mas os objetos podem ser vistos a poucos centímetros de distância. Portanto, adaptações são necessárias para poder realizar diversas atividades da vida diária.
  • Visão limítrofe: o déficit visual não é excessivamente grave. Portanto, a pessoa não fica incapacitada para realizar as atividades do dia a dia, embora às vezes sejam necessárias adaptações simples para poder realizar algumas delas.

Adaptação de materiais para crianças com deficiência visual

As crianças com deficiência visual precisam ter materiais escolares adaptados às suas necessidades educacionais especiais, para garantir acesso e reprodução adequados das informações que devem aprender. Essas adaptações podem ser realizadas por meio de diversos recursos, como:

  • Ampliação.
  • Gravação.
  • Sistema braile.
  • Relevo.

Ampliação

A ampliação consiste em aumentar o tamanho do documento para facilitar o acesso a um determinado material, de forma que sua apresentação fique clara, com bom contraste e com tamanho de fonte não muito grande.

Essa técnica é usada apenas em casos específicos, pois é melhor usar as possibilidades de adaptação do computador, colocando uma letra mais legível para crianças com problemas de visão e suprimindo os fundos e contrastes ruins.

Gravação

As gravações são uma boa maneira de levar informações a alunos com deficiência visual. Trata-se, portanto, de transcrever oralmente os materiais para que os pequenos possam acessá-los pela via auditiva.

Embora o principal problema desse método seja que nem tudo pode ser registrado, como os conteúdos de matemática, física, química, etc.

Sistema braile

O braille é um sistema de pontos em relevo que se baseia na combinação de seis pontos distribuídos em uma pequena célula. Nesse caso, os materiais devem ser transcritos e adaptados para que possam ser percebidos pelo tato.

Mas nem sempre tudo pode ser adaptado, então a decisão de usá-lo ou não vai depender do tipo de informação ou do exercício. Além disso, para utilizar esta ferramenta, é necessário que a criança domine e conheça o braile.

Ilustrações em relevo

Outra forma de adequar o material para crianças com deficiência visual é por meio do uso de ilustrações em relevo para que o aluno, por meio do tato, tenha uma imagem global das informações.

Para realizar esta adaptação corretamente, uma série de considerações deve ser levada em conta:

  • Tamanho: deve ser abarcável entre as duas mãos, abrangendo toda a informação e podendo discriminá-la facilmente.
  • Simplicidade: tem que ser monotemático e com diferentes texturas e alturas.

Outras adaptações necessárias

Além de adequar os materiais escritos, também é necessário adequar o ambiente, por isso uma série de medidas devem ser tomadas quanto às mudanças físicas na sala de aula e na escola, como:

  • Ter uma mesa com espaço suficiente para manusear o material específico.
  • Organizar os elementos de forma fixa e estável e avisar em caso de alterações.
  • Eliminar obstáculos e barreiras arquitetônicas que impeçam a acessibilidade.
  • Fornecer iluminação adequada.

quarta-feira, 28 de dezembro de 2022

Festas de fim de ano e transtornos do espectro autista

 Por Adriane Michely para o corautista.org

Natal e Ano Novo pode ser um momento emocionante e divertido, mas também podem ser estressante. Pessoas com autismo podem ficar confundidos ou perturbados por todas as novas atividades em casa na época de festas, e isso pode ser preocupante para o resto da família. Esta seção fornece dicas e orientações o durante o período festivo.

Preparação 

Conforme se aproxima o Natal, você pode querer destacar este período de férias em família ou do calendário da criança. Sugerimos que você verifique se a escola começou a trabalhar sobre o Natal e, talvez, você poderia introduzir a ideia em um momento similar. Isso ajudará a garantir a coerência. No entanto, se esse período não deixa tempo de preparação suficiente para o seu filho, então você deve ajustá-lo conforme o caso.

Você só pode querer enfatizar o Natal no calendário. Ou você pode querer indicar quando o ano letivo termina e começa outra vez, para mostrar que a criança vai ficar em casa durante este período. Você pode nomear este mês do calendário: Tempo de Natal. Assim, vai ajudar seu filho a preparar-se para o tempo passado longe da escola e, portanto, a mudança na rotina. Você pode começar a conversar com seu filho sobre “Tempo de Natal” e o que isso significa. Estas informações serão diferentes para cada família. Você poderia produzir uma cartilha sobre o Natal com fotos de itens relevantes, a árvore de Natal, por exemplo, os tipos de decorações que você usa e os alimentos que você pode comer. No entanto, lembre-se que, se seu filho é muito literal você precisa ter cuidado, pois podem ficar ansiosos se o Natal não parece exatamente como as fotos.

Em seu calendário você pode marcar o dia que você vai comprar e para colocar a árvore de Natal e decoração, assim como quaisquer outras alterações que irão ocorrer. Não se esqueça de incluir o dia em que parentes ou amigos chegarão. Embora muita coisa pode mudar durante esse tempo, é importante continuar a rotina de seu filho, em certa medida.

Você deve incluir o seu filho com um Transtorno do Espectro Autista (TEA) no processo de Natal. Você pode querer levá-los para comprar a árvore e as decorações, ou mostrar onde eles estão guardados na casa antes de montá-los. Pedir ajuda para decorar a árvore pode estimular a interação, e sua criança ficará muito feliz em poder ajudar. Além disso, vai ajudar seu filho a se familiarizar com esses itens, mesmo se viu no ano anterior. Esperamos que possa impedir qualquer reação negativa a esses itens novos que estão sendo colocados em um ambiente familiar.

Se seu filho não quer ser incluído, então você talvez queira dar-lhes um trabalho especial para fazer no qual ele possa se concentrar. Isto pode ajudá-lo a se sentir incluído e menos preocupado com as mudanças ao seu redor. Você pode até querer decorar a casa durante alguns dias se a criança encontra resistência na mudança. Por exemplo, você pode colocar a árvore em posição, deixá-lo por alguns dias e depois começar a decorá-lo, acrescentando todas as decorações da casa mais tarde.